Os leitores do blog – e ele tem alguns! – devem saber que tenho duas péssimas manias: a de ler e comentar do semanário litúrgico-catequético “O Domingo” e a de ler e comentar alguns dos artigos de “frei” Beto. Já alertei a todos que isso faz mal à saúde mental e pode afastar permanentemente os incautos do catolicismo.
Leonardo Boff nunca li. Leio às vezes alguns comentários sobre esse herege, como o que se encontra no artigo Surrealismo na teologia da libertação. O autor cita um trecho de um artigo do tal herege: “A questão teológica de base que até agora não acabamos de responder é: como anunciar de maneira crível um Deus que é um Pai bondoso em um mundo abarrotado de miseráveis?”
O baixo nível intelectual desse sujeito é tremendo. Ele não sabe o que é teologia, pois considera que anunciar Deus ao povo é uma questão teológica. Esta questão não é teológica e sim catequética.
Diz Étienne Gilson, em seu livro “O filósofo e a teologia”, que o catecismo em que ele estudou (edição de 1885 da diocese de Meaux) dizia:
“-- Qual a primeira verdade na qual devemos crer?
A primeira verdade em que devemos crer é que existe um Deus e que não pode haver mais do que um só.
-- Por que você acredita que há um Deus?
Eu creio que há um Deus porque ele próprio nos revelou sua existência.
-- A razão também não lhe diz que existe um Deus?
Sim, a razão também nos diz que há um Deus, porque se não houvesse Deus, o céu e a terra também não existiriam.”
Essa é a forma de anunciar Deus ao povo; seja ele sofrido, miserável, pobre, rico, feliz, doente, saudável etc. Deus existe porque Ele mesmo assim nos revelou. Esse é também o que nos diz, por exemplo, o Segundo Catecismo da Doutrina Cristã, escrito em 1903 e até hoje, inexplicavelmente, editado pela não-católica Editora Vozes.
Que fique claro um primeiro ponto: Boff não sabe o Catecismo da Igreja.
A segunda confusão de Boff – não sei se ele é confuso sem notar ou por conveniência – é mais interessante, pois revela claramente o caráter do herege. É o problema do mal no mundo que confunde esse indigente intelectual. Sobre isso, há uma passagem muito interessante no livro de Belloc, As Grandes Heresias,[1] quando ele fala da heresia albigense, uma das mais furiosas, odientas e perigosas heresias com que já se defrontou a Igreja Católica. Ele diz:
“Para responder esta importante questão, devemos considerar a principal verdade da Igreja Católica, que pode ser resumidamente colocada da seguinte forma: “A Igreja Católica é fundada no reconhecimento da dor e da morte.” Na sua forma mais completa a sentença pode ser escrita ‘A Igreja Católica está radicada no reconhecimento do sofrimento e da mortalidade, problemas cuja solução ela alega possuir.’ Esse problema é geralmente conhecido como ‘O Problema do Mal’.
“Como podemos considerar o glorioso destino do homem, o céu como seu objetivo e seu Criador infinitamente bom e onipotente quando nos encontramos sujeitos ao sofrimento e à morte?
“Quase toda pessoa jovem e inocente está, mesmo que superficialmente, consciente desse problema. O grau de consciência depende das situações da vida de cada um; quão cedo se enfrentou uma perda por morte ou quão cedo adveio uma grande dor física ou mental. Mas cedo ou tarde todo ser humano que pensa alguma coisa, qualquer um que não seja idiota, enfrenta o ‘Problema do Mal’; e quando observamos a raça humana tentando desvendar o significado do universo, ou aceitando a Revelação, ou seguindo religiões e filosofias falsas e deturpadas, nós encontramos os homens sempre preocupados com aquela insistente questão: ‘Por que sofremos? Por que devemos morrer?’
“Muitas soluções para o enigma torturante foram propostas. A mais simples e básica é não enfrentar o enigma; desviar os olhos do sofrimento e da morte; fingir que eles não existem, ou, quando eles se impõem sobre nós tão insistentemente que não podemos manter o fingimento, esconder então nossos sentimentos. Faz parte também desse péssimo método de tratar o problema o não mencionar o mal e o sofrimento e tentar esquecê-los o máximo possível.
“Uma solução menos básica, mas igualmente desprezível intelectualmente, é dizer que não há problema, pois, somos todos parte de uma coisa morta e sem sentido, sem nenhum Deus criador: é o mesmo que dizer que não há realidade no certo e errado e na concepção da beatitude ou da miséria.
“Outra forma mais nobre de solução do enigma, que foi a favorita da sofisticada civilização pagã da qual viemos – a forma dos grandes romanos e dos grandes gregos – é o estoicismo. Ele pode vulgarmente ser considerado ‘A filosofia do sofrer sorrindo’. Tem sido chamado por alguns acadêmicos ‘A permanente religião da humanidade’, mas ele não é nada disso; pois o estoicismo não é absolutamente uma religião. Ele tem pelo menos a nobreza de encarar os fatos, mas não propõe nenhuma solução. É completamente negativo.
“Profunda, mas desesperada, é a solução encontrada na Ásia – da qual o grande exemplo é o Budismo: a filosofia que chama o indivíduo de ilusão nos desafia a nos livrarmos do desejo para alcançar a imortalidade, e almeja a submersão na vida impessoal do universo.
“A solução católica todos nós conhecemos. Não que a Igreja Católica tenha proposto uma solução completa para o mistério do mal, pois nunca foi nem a alegação nem a função da Igreja explicar a natureza integral de todas as coisas, e sim salvar almas. Mas a Igreja Católica tem, para esse problema particular, uma resposta definitiva no interior de seu campo de ação. Ela diz, em primeiro lugar, que a natureza humana é imortal e feita para a beatitude; em segundo lugar, que a mortalidade e a dor são o resultado da Queda do homem, ou seja, da sua rebelião contra a vontade de Deus. Diz que desde a queda nossa vida mortal é um sofrimento e um teste em que, conforme nosso comportamento, recuperaremos (mas através dos méritos de nosso Salvador) a imortal beatitude que perdemos.”
No fundo, Boff é um maniqueu, talvez um cátaro. Pois os cátaros ainda existem hoje em dia em grande quantidade.
Eu sei que mesmo o texto de Belloc é muito elevado intelectualmente para esse herege. Não fosse isso, eu sugeriria a ele a leitura da questão disputada De Malo, de Santo Tomás de Aquino, ou mesmo o livro De Libero Arbitrio de Santo Agostinho.
Que fique claro um segundo ponto: Boff não conhece a Doutrina católica.
Falta ainda chamar a atenção dos leitores para a profunda soberba da afirmação de Boff. Será que ele acha que anunciar Deus a “um mundo abarrotado de miseráveis” é um problema moderno? Será que acha que ele o descobriu? Será que ele nunca leu os Evangelhos, onde Jesus prega o Reino de Deus exatamente a “um mundo abarrotado de miseráveis”?
Vou lembrar aqui apenas uma passagem do Evangelho. Judas Iscariotes pegunta a Jesus se Marta não deveria vender o caro bálsamo que ela estava passando nos pés de Jesus e dar o dinheiro aos miseráveis. E o Evangelho de São João ainda observa: “Disse isso, não porque tivesse pena dos pobres, mas porque era ladrão, e tendo a bolsa, tirava para si i que se lançava na mesma.” Qual a resposta de Jesus? Ele diz: “Deixai-a, para que ela o faça para o dia de minha sepultura. Pobres sempre os terão entre vós, porém a Mim nem sempre tereis.”
“Disse isso, não porque tinha pena dos pobres ...” Esta verdade se aplica também aos boffs da vida. Eles querem é usá-los para seus interesses de reforma do mundo, de revolta contra Deus. A mesma revolta que fez Adão e Eva pecarem. É o pecado original sempre nos rondando e nos lembrando da Queda. Ponhamos pois os boffs para fora.
__________________________________________________
[1] Segundo D. Lourenço me informou, a tradução que fiz deste livro já está quase pronta. Assim que a edição ficar pronta, anuncio a todos neste blog.
09/04/2009
Com os boffs para fora
28/03/2009
Um visão do mundo baseado em Fátima
Acabo de ler um folheto, recebido em uma missa, com este título. É coisa preciosíssima que recomendo a todos. Ele está disponível na Internet. Recomendo sobretudo duas cartas da Irmã Lúcia que se encontram ao final do folheto, sobre o terço. Não resisto a citar duas passagens das cartas:
"[O terço] é oração trinitária, sim, porque Maria foi o primeiro Templo vivo da Santíssima Trindade: 'O Espírito Santo decerá sobre Vós, -- O Pai Vos cobrirá com a Sua sombra, -- E o Filho, que de Vós nascer, será chamado o Filho do Altíssimo' ". Maria é o primeiro Sacrário vivo onde o Pai encerrou o Seu Verbo.
"Quanto à repetição das Ave-Marias, não é como querem fazer crer que seja uma coisa antiquada. Todas as coisas que existem e foram criadas por Deus, se mantêm e conservam por meio da repetição, continuada sempre, dos mesmos atos. E ainda a ninguém ocorreu chamar antiquado o sol, lua, estrelas, aves e plantas etc., porque giram, vivem e brotam sempre do mesmo modo! E são bem mais antigos que a reza do Terço! Para Deus, nada é antigo. São João diz que os Bem-aventurados, no Céu,cantam um cântico novo, repetindo sempre; Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus dos Exércitos! É novo porque, na luz de Deus, tudo aparece com novo brilho!"
Nossa Senhora, sede da sabedoria, rogai por nós.
"[O terço] é oração trinitária, sim, porque Maria foi o primeiro Templo vivo da Santíssima Trindade: 'O Espírito Santo decerá sobre Vós, -- O Pai Vos cobrirá com a Sua sombra, -- E o Filho, que de Vós nascer, será chamado o Filho do Altíssimo' ". Maria é o primeiro Sacrário vivo onde o Pai encerrou o Seu Verbo.
"Quanto à repetição das Ave-Marias, não é como querem fazer crer que seja uma coisa antiquada. Todas as coisas que existem e foram criadas por Deus, se mantêm e conservam por meio da repetição, continuada sempre, dos mesmos atos. E ainda a ninguém ocorreu chamar antiquado o sol, lua, estrelas, aves e plantas etc., porque giram, vivem e brotam sempre do mesmo modo! E são bem mais antigos que a reza do Terço! Para Deus, nada é antigo. São João diz que os Bem-aventurados, no Céu,cantam um cântico novo, repetindo sempre; Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus dos Exércitos! É novo porque, na luz de Deus, tudo aparece com novo brilho!"
Nossa Senhora, sede da sabedoria, rogai por nós.
19/03/2009
19 de março: dia de São José
O papa do Rosário, Leão XIII, escreveu também uma Encíclica sobre a devoção a São José: QUAMQUAM PLURIES (eis o link em espanhol). Coincidentemente ou não, essa Encíclica foi publicada em 15 de agosto de 1889, dia da Assunção de Nossa Senhora.
Nessa Encíclica, Leão XIII anexa, ao final, a ORAÇÃO A SÃO JOSÉ, que todo Missal da Missa Tridentina contem.
Nunca estivemos tão precisados do “Guarda providente da Divina Família”. Nunca um papa precisou tanto daquele que protegeu o Menino Jesus e que agora precisa proteger “a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue”. Que São José proteja e ajude Bento XVI.
Vamos à oração.
ORAÇÃO A SÃO JOSÉ
A vós, S. José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio de Vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o Vosso patrocínio. Por este laço sagrado de caridade que Vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente Vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo conquistou com seu Sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o Vosso auxílio e poder.
Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda adversidade. Amparai a cada um de nós com o Vosso constante patrocínio a fim de que, a Vosso exemplo e sustentados por Vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança.
Amém.
Nessa Encíclica, Leão XIII anexa, ao final, a ORAÇÃO A SÃO JOSÉ, que todo Missal da Missa Tridentina contem.
Nunca estivemos tão precisados do “Guarda providente da Divina Família”. Nunca um papa precisou tanto daquele que protegeu o Menino Jesus e que agora precisa proteger “a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue”. Que São José proteja e ajude Bento XVI.
Vamos à oração.
ORAÇÃO A SÃO JOSÉ
A vós, S. José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio de Vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o Vosso patrocínio. Por este laço sagrado de caridade que Vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente Vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo conquistou com seu Sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o Vosso auxílio e poder.
Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda adversidade. Amparai a cada um de nós com o Vosso constante patrocínio a fim de que, a Vosso exemplo e sustentados por Vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança.
Amém.
18/03/2009
Sowell volta ao Mídia Sem Máscara
17/03/2009
Arquidiocese de Olinda e Recife responde ao L'Osservatore Romano
A respeito do artigo intitulado “Dalla parte della bambina brasiliana” e publicado no L´OSSERVATORE ROMANO no dia 15 de março, nós, abaixo assinados, declaramos:
1. O fato não aconteceu em Recife, como diz o artigo, mas sim na cidade de Alagoinha (Diocese de Pesqueira).
2. Todos nós – começando pelo pároco de Alagoinha (abaixo assinado) - tratamos a menina grávida e sua família com toda caridade e doçura. O Pároco, fazendo uso de sua solicitude pastoral, ao saber da notícia em sua residência, dirigiu-se de imediato à casa da família, onde se encontrou com a criança para lhe prestar apoio e acompanhamento, diante da grave e difícil situação em que a menina se encontrava. E esta atitude se deu durante todos os dias, desde Alagoinha até Recife, onde aconteceu o triste desfecho do aborto de dois inocentes. Portanto, fica evidente e inequívoco que ninguém pensou em primeiro lugar em “excomunhão”. Usamos todos os meios ao nosso alcance para evitar o aborto e assim salvar as TRÊS vidas. O Pároco acompanhou pessoalmente o Conselho Tutelar da cidade em todas as iniciativas que visassem o bem da criança e de seus dois filhos. No hospital, em visitas diárias, demonstrou atitudes de carinho e atenção que deram a entender tanto à criança quanto à sua mãe que não estavam sozinhas, mas que a Igreja, ali representada pelo Pároco local, lhes garantia a assistência necessária e a certeza de que tudo seria feito pelo bem da menina e para salvar seus dois filhos.
3. Depois que a menina foi transferida para um hospital da cidade do Recife, tentamos usar todos os meios legais para evitar o aborto. A Igreja em momento algum se fez omissa no hospital. O Pároco da menina realizou visitas diárias ao hospital, deslocando-se da cidade que dista 230 km de Recife, sem medir esforço algum para que tanto a criança quanto a mãe sentissem a presença de Jesus Bom Pastor que vai ao encontro das ovelhas que mais precisam de atenção. De tal sorte que o caso foi tratado com toda atenção devida da parte da Igreja e não “obrigativamente” como diz o artigo.
4. Não concordamos com a afirmação de que “a decisão é árdua… para a própria lei moral”. Nossa Santa Igreja continua a proclamar que a lei moral é claríssima: nunca é lícito eliminar a vida de um inocente para salvar outra vida. Os fatos objetivos são estes: há médicos que explicitamente declaram que praticam e continuarão a praticar o aborto, enquanto outros declaram com a mesma firmeza que jamais praticarão o aborto. Eis a declaração escrita e assinada por um médico católico brasileiro: “(…) Como médico obstetra durante 50 anos, formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, e ex chefe da Clínica Obstétrica do Hospital do Andaraí, onde servi 35 anos até minha aposentadoria, para dedicar-me ao Diaconato, e tendo realizado 4.524 (quatro mil quinhentos e vinte e quatro) partos, muitos de menores de idade, nunca precisei recorrer ao aborto para “salvar vidas”, assim como todos os meus colegas íntegros e honestos em sua profissão e cumpridores de seu juramento hipocrático. (…)”.
5. É falsa a afirmação de que o fato foi divulgado nos jornais somente porque o Arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunhão. Basta ver que o caso veio a público em Alagoinha na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, o Arcebispo se pronunciou na imprensa no dia 03 de março e o aborto se deu no dia 4 de março. Seria demasiado imaginar que a imprensa brasileira, diante de um fato de tamanha gravidade, tenha silenciado nesse intervalo de seis dias. Assim sendo, a notícia da menina (“Carmen”) grávida já estava divulgada nos jornais antes da consumação do aborto. Somente então, interrogado pelos jornalistas, no dia 3 de março (terça-feira), o Arcebispo mencionou o cânon 1398. Estamos convictos de que a divulgação desta penalidade medicinal (a excomunhão) fará bem a muitos católicos, levando-os a evitar este pecado gravíssimo. O silêncio da Igreja seria muito prejudicial, sobretudo ao constatar-se que no mundo inteiro estão acontecendo cinqüenta milhões de abortos cada ano e só no Brasil um milhão de vidas inocentes são ceifadas. O silêncio pode ser interpretado como conivência ou cumplicidade. Se algum médico tem “consciência perplexa” antes de praticar um aborto (o que nos parece extremamente improvável) ele – se é católico e deseja observar a lei de Deus - deve consultar um diretor espiritual.
6. O artigo é, em outras palavras, uma direta afronta à defesa pela vida das três crianças feita veementemente por Dom José Cardoso Sobrinho e demonstra quanto o autor não tem bases e informações necessárias para falar sobre o assunto, por total desconhecimento dos detalhes do fato. O texto pode ser interpretado como uma apologia ao aborto, contrariando o Magistério da Igreja. Os médicos abortistas não estiveram na encruzilhada moral sustentada pelo texto, ao contrário, eles praticaram o aborto com total consciência e em coerência com o que acreditam e o que ensinam. O hospital que realizou o aborto na menininha é um dos que sempre realizam este procedimento em nosso Estado, sob o manto da “legalidade”. Os médicos que atuaram como carrascos dos gêmeos declararam e continuam declarando na mídia nacional que fizeram o que já estavam acostumados a fazer “com muito orgulho”. Um deles, inclusive, declarou que: “Já fui, então, excomungado várias vezes”.
7. O autor arvorou-se do direito de falar sobre o que não conhecia, e o que é pior, sequer deu-se ao trabalho de conversar anteriormente com o seu irmão no episcopado e, por esta atitude imprudente, está causando verdadeiro tumulto junto aos fiéis católicos do Brasil que estão acreditando ter Dom José Cardoso Sobrinho sido precipitado em seus pronunciamentos. Ao invés de consultar o seu irmão no episcopado, preferiu acreditar na nossa imprensa declaradamente anticlerical.
Recife-PE, 16 de março de 2009
Pe. Edson Rodrigues (Pároco de Alagoinha-PE - Diocese de Pesqueira)
Mons. Edvaldo Bezerra da Silva (Vigário Geral - Arquidiocese de Olinda e Recife
Pe. Moisés Ferreira de Lima (Reitor do Seminário Arquidiocesano)
Dr. Márcio Miranda (Advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife)
Fonte: Tradição Católica
1. O fato não aconteceu em Recife, como diz o artigo, mas sim na cidade de Alagoinha (Diocese de Pesqueira).
2. Todos nós – começando pelo pároco de Alagoinha (abaixo assinado) - tratamos a menina grávida e sua família com toda caridade e doçura. O Pároco, fazendo uso de sua solicitude pastoral, ao saber da notícia em sua residência, dirigiu-se de imediato à casa da família, onde se encontrou com a criança para lhe prestar apoio e acompanhamento, diante da grave e difícil situação em que a menina se encontrava. E esta atitude se deu durante todos os dias, desde Alagoinha até Recife, onde aconteceu o triste desfecho do aborto de dois inocentes. Portanto, fica evidente e inequívoco que ninguém pensou em primeiro lugar em “excomunhão”. Usamos todos os meios ao nosso alcance para evitar o aborto e assim salvar as TRÊS vidas. O Pároco acompanhou pessoalmente o Conselho Tutelar da cidade em todas as iniciativas que visassem o bem da criança e de seus dois filhos. No hospital, em visitas diárias, demonstrou atitudes de carinho e atenção que deram a entender tanto à criança quanto à sua mãe que não estavam sozinhas, mas que a Igreja, ali representada pelo Pároco local, lhes garantia a assistência necessária e a certeza de que tudo seria feito pelo bem da menina e para salvar seus dois filhos.
3. Depois que a menina foi transferida para um hospital da cidade do Recife, tentamos usar todos os meios legais para evitar o aborto. A Igreja em momento algum se fez omissa no hospital. O Pároco da menina realizou visitas diárias ao hospital, deslocando-se da cidade que dista 230 km de Recife, sem medir esforço algum para que tanto a criança quanto a mãe sentissem a presença de Jesus Bom Pastor que vai ao encontro das ovelhas que mais precisam de atenção. De tal sorte que o caso foi tratado com toda atenção devida da parte da Igreja e não “obrigativamente” como diz o artigo.
4. Não concordamos com a afirmação de que “a decisão é árdua… para a própria lei moral”. Nossa Santa Igreja continua a proclamar que a lei moral é claríssima: nunca é lícito eliminar a vida de um inocente para salvar outra vida. Os fatos objetivos são estes: há médicos que explicitamente declaram que praticam e continuarão a praticar o aborto, enquanto outros declaram com a mesma firmeza que jamais praticarão o aborto. Eis a declaração escrita e assinada por um médico católico brasileiro: “(…) Como médico obstetra durante 50 anos, formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, e ex chefe da Clínica Obstétrica do Hospital do Andaraí, onde servi 35 anos até minha aposentadoria, para dedicar-me ao Diaconato, e tendo realizado 4.524 (quatro mil quinhentos e vinte e quatro) partos, muitos de menores de idade, nunca precisei recorrer ao aborto para “salvar vidas”, assim como todos os meus colegas íntegros e honestos em sua profissão e cumpridores de seu juramento hipocrático. (…)”.
5. É falsa a afirmação de que o fato foi divulgado nos jornais somente porque o Arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunhão. Basta ver que o caso veio a público em Alagoinha na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, o Arcebispo se pronunciou na imprensa no dia 03 de março e o aborto se deu no dia 4 de março. Seria demasiado imaginar que a imprensa brasileira, diante de um fato de tamanha gravidade, tenha silenciado nesse intervalo de seis dias. Assim sendo, a notícia da menina (“Carmen”) grávida já estava divulgada nos jornais antes da consumação do aborto. Somente então, interrogado pelos jornalistas, no dia 3 de março (terça-feira), o Arcebispo mencionou o cânon 1398. Estamos convictos de que a divulgação desta penalidade medicinal (a excomunhão) fará bem a muitos católicos, levando-os a evitar este pecado gravíssimo. O silêncio da Igreja seria muito prejudicial, sobretudo ao constatar-se que no mundo inteiro estão acontecendo cinqüenta milhões de abortos cada ano e só no Brasil um milhão de vidas inocentes são ceifadas. O silêncio pode ser interpretado como conivência ou cumplicidade. Se algum médico tem “consciência perplexa” antes de praticar um aborto (o que nos parece extremamente improvável) ele – se é católico e deseja observar a lei de Deus - deve consultar um diretor espiritual.
6. O artigo é, em outras palavras, uma direta afronta à defesa pela vida das três crianças feita veementemente por Dom José Cardoso Sobrinho e demonstra quanto o autor não tem bases e informações necessárias para falar sobre o assunto, por total desconhecimento dos detalhes do fato. O texto pode ser interpretado como uma apologia ao aborto, contrariando o Magistério da Igreja. Os médicos abortistas não estiveram na encruzilhada moral sustentada pelo texto, ao contrário, eles praticaram o aborto com total consciência e em coerência com o que acreditam e o que ensinam. O hospital que realizou o aborto na menininha é um dos que sempre realizam este procedimento em nosso Estado, sob o manto da “legalidade”. Os médicos que atuaram como carrascos dos gêmeos declararam e continuam declarando na mídia nacional que fizeram o que já estavam acostumados a fazer “com muito orgulho”. Um deles, inclusive, declarou que: “Já fui, então, excomungado várias vezes”.
7. O autor arvorou-se do direito de falar sobre o que não conhecia, e o que é pior, sequer deu-se ao trabalho de conversar anteriormente com o seu irmão no episcopado e, por esta atitude imprudente, está causando verdadeiro tumulto junto aos fiéis católicos do Brasil que estão acreditando ter Dom José Cardoso Sobrinho sido precipitado em seus pronunciamentos. Ao invés de consultar o seu irmão no episcopado, preferiu acreditar na nossa imprensa declaradamente anticlerical.
Recife-PE, 16 de março de 2009
Pe. Edson Rodrigues (Pároco de Alagoinha-PE - Diocese de Pesqueira)
Mons. Edvaldo Bezerra da Silva (Vigário Geral - Arquidiocese de Olinda e Recife
Pe. Moisés Ferreira de Lima (Reitor do Seminário Arquidiocesano)
Dr. Márcio Miranda (Advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife)
Fonte: Tradição Católica
Os direitos dos embriões, das tartarugas e dos cadáveres
No Estado de Minas de hoje, 17 de março, sob o título “Ossos na Internet” fico sabendo o seguinte:
“O diretor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Amaury Caiafa, aceitou ontem o pedido de desculpas de seis estudantes de medicina que posaram para fotos e se divertiram com ossos humanos do laboratório de anatomia. A direção do ICB considerou um ato de boa vontade a apresentação espontânea dos universitários e, por isso, a punição se restringiu a uma advertência verbal.
“As fotografias que registram a brincadeira foram postadas na internet e chegaram ao conhecimento da UFJF na sexta-feira. Por causa da atitude antecipada dos envolvidos, não foi necessária sindicância para identificar os envolvidos. O processo também poderia resultar na expulsão dos alunos. O caso foi considerado encerrado pela UFJF.”
Mais a frente, o reportagem nos informa:
“O chefe do departamento de morfologia do ICB, Henrique Guilherme de Castro Teixeira, participou do encontro em que os universitários apresentaram suas desculpas formais. Responsável pelo laboratório de anatomia, ele explicou que, ainda nos primeiros dias de aulas, os alunos dos cursos da área de saúde são alertados quanto à importância de uma conduta respeitosa diante dos cadáveres.”
E ainda que:
“O artigo 212 do Código Penal considera crime o desrespeito ao cadáver ou suas cinzas, com pena de um a três anos, além de multa.”
Muito oportuno que venhamos saber dos direitos dos cadáveres. As tartarugas parecem ser protegidas por leis duríssimas. Mate uma tartaruguinha e veja o que acontece com você.
Os alunos da UFJF estariam arriscando uma excomunhão, Oh! perdão, uma expulsão, caso não se arrependessem e confessassem o crime. Como confessaram arrependidos, o bispo do departamento, Oh! desculpem-me, o chefe do departamento os desculpou e encerrou o caso.
Mas, fico aqui a perguntar, com Dom Lourenço Fleichman, não há quem chore pelas criancinhas?
“O diretor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Amaury Caiafa, aceitou ontem o pedido de desculpas de seis estudantes de medicina que posaram para fotos e se divertiram com ossos humanos do laboratório de anatomia. A direção do ICB considerou um ato de boa vontade a apresentação espontânea dos universitários e, por isso, a punição se restringiu a uma advertência verbal.
“As fotografias que registram a brincadeira foram postadas na internet e chegaram ao conhecimento da UFJF na sexta-feira. Por causa da atitude antecipada dos envolvidos, não foi necessária sindicância para identificar os envolvidos. O processo também poderia resultar na expulsão dos alunos. O caso foi considerado encerrado pela UFJF.”
Mais a frente, o reportagem nos informa:
“O chefe do departamento de morfologia do ICB, Henrique Guilherme de Castro Teixeira, participou do encontro em que os universitários apresentaram suas desculpas formais. Responsável pelo laboratório de anatomia, ele explicou que, ainda nos primeiros dias de aulas, os alunos dos cursos da área de saúde são alertados quanto à importância de uma conduta respeitosa diante dos cadáveres.”
E ainda que:
“O artigo 212 do Código Penal considera crime o desrespeito ao cadáver ou suas cinzas, com pena de um a três anos, além de multa.”
Muito oportuno que venhamos saber dos direitos dos cadáveres. As tartarugas parecem ser protegidas por leis duríssimas. Mate uma tartaruguinha e veja o que acontece com você.
Os alunos da UFJF estariam arriscando uma excomunhão, Oh! perdão, uma expulsão, caso não se arrependessem e confessassem o crime. Como confessaram arrependidos, o bispo do departamento, Oh! desculpem-me, o chefe do departamento os desculpou e encerrou o caso.
Mas, fico aqui a perguntar, com Dom Lourenço Fleichman, não há quem chore pelas criancinhas?
14/03/2009
“Frei” abortista
Sou obrigado a repetir neste blog uma frase muito sábia de Pe. Leonel Franca: “Agitar idéias é mais grave do que mobilizar exércitos. O soldado pode semear os horrores da força bruta, mas tem uma hora em que seu braço cansa e a espada torna à cinta ou se enferruja e se consome com o tempo. A idéia, uma vez desembainhada, é arma sempre ativa, que não volta ao estojo nem se embota com o tempo”.
“Frei” Beto faz da agitação de idéias sua profissão. Veja o que ele diz na edição de quinta-feira, 12 de março de 2009, do Estado de Minas, num artigo intitulado “Direito ao Aborto”:
“Ao longo da história, a Igreja Católica nunca chegou a uma posição unânime e definitiva quanto ao aborto. Oscilou entre condená-lo radicalmente ou admiti-lo em certas fases da gravidez. Atrás dessa diferença de opiniões situa-se a discussão sobre qual o momento em que o feto pode ser considerado ser humano. Até hoje, nem a ciência nem a teologia têm a resposta exata. A questão permanece em aberto.
“Santo Agostinho (séc. 4) admite que só a partir de 40 dias depois da fecundação se pode falar em pessoa. Santo Tomás de Aquino (séc. 13) reafirma não reconhecer como humano o embrião que ainda não completou 40 dias, quando então lhe é infundida a ‘alma racional’.”
O mal contido nestes dois parágrafos é incalculável. Todo o artigo é eivado de malícia, mas estes dois parágrafos são especiais, pela autoridade teológica desses dois santos.
Imaginem vocês uma jovem católica, medianamente culta, que está grávida. Imaginem também que ela seja solteira e que esteja sofrendo pressão da família, do namorado, das amigas, para abortar. Ela resiste, pois a Lei Natural diz, em seu íntimo, o que é certo e o que é errado. Além disso, ela imagina que a Igreja seja contra o aborto. Ela lembra que já ouviu falar nas missas (aquelas modernas e barulhentas) que a Igreja luta pela vida. Lembra até de uma Campanha da Fraternidade, que apesar de não usar uma vez sequer a palavra aborto, dizia que a Igreja defendia a vida “em todas as suas fases”. Pode ser que ela já tenha até ouvido falar da posição do papa João Paulo II e de algum escrito dele.
Aí então, ela pega o jornal e lê o artigo de “Frei” Beto. Nele, esse individuo malicioso está dizendo que a Igreja nem sempre foi contra o aborto: “oscilou em condená-lo ou admiti-lo em certas fases da gravidez”. Não só isso. Ela fica sabendo também que os dois mais eminentes teólogos da Igreja também não condenaram o aborto. Era disso que ela precisava para se justificar perante si mesma e perante a sociedade para fazer o aborto. Tomem muito cuidado: o artigo de “Frei” Beto é abortivo.
A técnica desse “frei” é apurada. Ele sabe que se disser apenas mentiras, será fácil refutá-lo. Por isso, mistura algumas verdades com muitas mentiras. Antes de refutá-lo quanto a Santo Agostinho e Santo Tomás é bom saber algo sobre a posição da Igreja quanto ao aborto.
Existe um documento intitulado “Didaqué: Instrução dos Doze Apóstolos” (in Padres Apostólicos, Ed. Paulus, 3ª edição, 2002) que é considerado por muitos o primeiro catecismo católico e uma síntese da pregação dos apóstolos depois da morte de nosso Salvador. A data provável desse documento é o final do século I. Estamos falando de um documento escrito antes de 70 anos da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nele se lê: “Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique magia, nem feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido.”
Esta é a prova documental de que os apóstolos pregaram contra o aborto. Mas o que aconteceu de lá para cá? Será que a Igreja “oscilou” em sua posição? Será que ela, alguma vez, defendeu o aborto, como “frei” Beto quer que acreditemos?
Reproduzo aqui o parágrafo 7 da Declaração sobre o Aborto Provocado, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé:
“E no decorrer da história, os Padres da Igreja, bem como os seus Pastores e os seus Doutores, ensinaram a mesma doutrina, sem que as diferentes opiniões acerca do momento da infusão da alma espiritual tenham introduzido uma dúvida sobre a ilegitimidade do aborto. É certo que, na altura da Idade Média em que era opinião geral não estar a alma espiritual presente no corpo senão passadas as primeiras semanas, se fazia uma distinção quanto à espécie do pecado e à gravidade das sanções penais. Excelentes autores houve que admitiram, para esse primeiro período, soluções casuísticas mais suaves do que aquelas que eles davam para o concernente aos períodos seguintes da gravidez. Mas, jamais se negou, mesmo então, que o aborto provocado, mesmo nos primeiros dias da concepção fosse objetivamente falta grave. Uma tal condenação foi, de fato, unânime. Dentre os muitos documentos, bastará recordar apenas alguns. Assim: o primeiro Concílio de Mogúncia, em 847, confirma as penas estabelecidas por Concílios precedentes contra o aborto; e determina que seja imposta a penitência mais rigorosa às mulheres « que matarem as suas crianças ou que provocarem a eliminação do fruto concebido no próprio seio »[9]. O Decreto de Graciano cita estas palavras do Papa Estêvão V: « É homicida aquele que fizer perecer, mediante o aborto, o que tinha sido concebido »[10]. Santo Tomás, Doutor comum da Igreja, ensina que o aborto é um pecado grave contrário à lei natural [11]. Nos tempos da Renascença, o Papa Sisto V condena o aborto com a maior severidade [12]. Um século mais tarde, Inocêncio XI reprova as proposições de alguns canonistas « laxistas », que pretendiam desculpar o aborto provocado antes do momento em que certos autores fixavam dar-se a animação espiritual do novo ser [13]. Nos nossos dias, os últimos Pontífices Romanos proclamaram, com a maior clareza, a mesma doutrina. Assim: Pio XI respondeu explicitamente às mais graves objeções;[14] Pio XII excluiu claramente todo e qualquer aborto direto, ou seja, aquele que é intentado como um fim ou como um meio para o fim;[15] João XXIII recordou o ensinamento dos Padres sobre o caráter sagrado da vida, « a qual, desde o seu início, exige a ação de Deus criador » [16]. E bem recentemente, ainda, o II Concílio do Vaticano, presidido pelo Santo Padre Paulo VI, condenou muito severamente o aborto: « A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis » [17]. O mesmo Santo Padre Paulo VI, ao falar, por diversas vezes, deste assunto, não teve receio de declarar que a doutrina da Igreja « não mudou; e mais, que ela é imutável »[18].”
Vemos assim a continuidade da posição apostólica na história da Igreja, com relação ao aborto. Em nenhum momento a Igreja “oscilou” na condenação do aborto, como diz o “frei” velhaco. Santo Tomás, apesar de acreditar, influenciado por Aristóteles, que a alma só se infundia no embrião 40 dias depois da concepção, condenava veementemente o aborto, como contrário a Lei Natural. Essa mentira sobre a posição de Santo Tomás é tão velha que a encontramos no site Newadvent, numa coleção de perguntas e respostas, de 1993, sobre várias mentiras correntes sobre o catolicismo, a maioria delas espalhadas por protestantes.
Ah! Mas e quanto a Santo Agostinho? Essa estória de dizer que Santo Agostinho era favorável ao aborto é muito velha. A questão é complexa e nestas questões complexas os maliciosos estão sempre preparados para nos confundir. Vou traduzir aqui um trecho de um post do blog On the Contrary. Neste post, o blogueiro está se referindo a uma discussão havida na eleição de Obama, em que Nanci Pelosi (o Sarney deles) afirma sobre Santo Agostinho o mesmo que este frei de meia tigela. O blogueiro faz uma citação de um trecho do livro “Santo Agostinho através dos tempos: uma enciclopédia”. Vamos ao trecho:
“Agostinho aceitava a distinção entre fetos ‘formados’ e ‘não-formados’ encontrada na versão da Septuaginta do Êxodo 21:22-23. Enquanto o texto em hebreu admitia uma compensação no caso de um homem ferir uma mulher grávida de tal forma que cause o aborto, e uma pena adicional se maior dano for causado, a versão da Septuaginta traduziu ‘dano’ como ‘forma’, introduzindo uma distinção entre um feto ‘formado’ e um feto ‘não-formado’. A confusão na tradução está fundamentada na distinção aristotélica entre o feto antes e depois de sua suposta ‘animação’ (aos quarenta dias de gravidez para o sexo masculino e noventa, para o feminino). Segundo a Septuaginta, o aborto de um feto ‘animado’ era punido com a pena capital.
“Agostinho desaprovava o aborto tanto de fetos ‘animados’ quando ‘não-animados’, mas distinguia os dois. O feto ‘não-animado’ morria antes de viver, enquanto o feto ‘animado’ morria depois de nascer (De Nuptiis et Concupiscentiis, c.15).”
Referindo-se explicitamente à esta passagem da obra de Santo Agostinho, a Declaração sobre o Aborto Provocado, citada acima, diz: “Por vezes esta crueldade libidinosa, ou esta libidinagem cruel vão até ao ponto de arranjarem venenos que tornam as pessoas estéreis. E se o resultado desejado não é alcançado desse modo, a mãe extingue a vida e expele o feto que estava nas suas entranhas; de tal maneira que o filho morre antes de ter vivido; de sorte que, se o filho já vivia no seio materno, ele é matado antes de nascer (P.L. 44, 423-424: CSEL 42, 230.” Vemos aqui a concepção de Santo Agostinho sobre o momento da infusão da alma no feto. Mas onde está sua aprovação do cometimento do aborto?
Diz ainda o documento do Vaticano: “Esta Declaração deixa expressamente de parte o problema do momento de infusão da alma espiritual. Sobre este ponto não há tradição unânime e os autores acham-se ainda divididos. Para alguns, ela dá-se a partir do primeiro momento da concepção; para outros, ela não poderia preceder ao menos a nidificação. Não compete à ciência dirimir a favor de uns ou de outros, porque a existência de uma alma imortal não entra no seu domínio. Trata-se de uma discussão filosófica, da qual a nossa posição moral permanece independente, por dois motivos: 1° no caso de se supor uma animação tardia, estamos já perante uma vida humana, em qualquer hipótese, (biologicamente verificável); vida humana que prepara e requer esta alma, com a qual se completa a natureza recebida dos pais; 2° por outro lado, basta que esta presença da alma seja provável (e o contrário nunca se conseguirá demonstrá-lo) para que o tirar-lhe a vida equivalha a aceitar o risco de matar um homem, não apenas em expectativa, mas já provido da sua alma.”
O artigo de “frei” Beto contém ainda muita agitação perigosa de idéias. Dou apenas mais um exemplo da malícia do “frei”. Ele diz: “Roma é contra o aborto por considerá-lo supressão voluntária de uma vida humana. Princípio que nem sempre a Igreja aplicou com igual rigor a outras esferas, pois defende o direito de países adotarem a pena de morte ...”.
“Frei” Beto se espanta por sermos contrários ao aborto e a favor da pena de morte. Cito aqui trecho do artigo Pela pena de morte:
“Raciocínio torto esse, totalmente ‘nonsense’. Somos a favor de punir bandidos, e não inocentes que nunca fizeram nada. Esse raciocínio é o equivalente a dizer: ‘quem é contra prender uma criança durante 10 anos numa cela, não pode ser a favor de prender um criminoso por 10 anos numa cadeia’.
“A tese contrária é verdadeira ‘Quem é a favor do aborto não pode ser contra a pena de morte’. Se alguém defende o assassinato de uma criança inocente, não poderá ser contra a execução de um bandido. Infelizmente, hoje em dia, há várias pessoas que são favoráveis ao assassinato intra-uterino (aborto) e são contra a pena de morte. É o cúmulo do ‘nonsense’.”
Termino por aqui um post já ficou muito longo. Posso garantir aos leitores que não me deu nenhum prazer escrevê-lo.
“Frei” Beto faz da agitação de idéias sua profissão. Veja o que ele diz na edição de quinta-feira, 12 de março de 2009, do Estado de Minas, num artigo intitulado “Direito ao Aborto”:
“Ao longo da história, a Igreja Católica nunca chegou a uma posição unânime e definitiva quanto ao aborto. Oscilou entre condená-lo radicalmente ou admiti-lo em certas fases da gravidez. Atrás dessa diferença de opiniões situa-se a discussão sobre qual o momento em que o feto pode ser considerado ser humano. Até hoje, nem a ciência nem a teologia têm a resposta exata. A questão permanece em aberto.
“Santo Agostinho (séc. 4) admite que só a partir de 40 dias depois da fecundação se pode falar em pessoa. Santo Tomás de Aquino (séc. 13) reafirma não reconhecer como humano o embrião que ainda não completou 40 dias, quando então lhe é infundida a ‘alma racional’.”
O mal contido nestes dois parágrafos é incalculável. Todo o artigo é eivado de malícia, mas estes dois parágrafos são especiais, pela autoridade teológica desses dois santos.
Imaginem vocês uma jovem católica, medianamente culta, que está grávida. Imaginem também que ela seja solteira e que esteja sofrendo pressão da família, do namorado, das amigas, para abortar. Ela resiste, pois a Lei Natural diz, em seu íntimo, o que é certo e o que é errado. Além disso, ela imagina que a Igreja seja contra o aborto. Ela lembra que já ouviu falar nas missas (aquelas modernas e barulhentas) que a Igreja luta pela vida. Lembra até de uma Campanha da Fraternidade, que apesar de não usar uma vez sequer a palavra aborto, dizia que a Igreja defendia a vida “em todas as suas fases”. Pode ser que ela já tenha até ouvido falar da posição do papa João Paulo II e de algum escrito dele.
Aí então, ela pega o jornal e lê o artigo de “Frei” Beto. Nele, esse individuo malicioso está dizendo que a Igreja nem sempre foi contra o aborto: “oscilou em condená-lo ou admiti-lo em certas fases da gravidez”. Não só isso. Ela fica sabendo também que os dois mais eminentes teólogos da Igreja também não condenaram o aborto. Era disso que ela precisava para se justificar perante si mesma e perante a sociedade para fazer o aborto. Tomem muito cuidado: o artigo de “Frei” Beto é abortivo.
A técnica desse “frei” é apurada. Ele sabe que se disser apenas mentiras, será fácil refutá-lo. Por isso, mistura algumas verdades com muitas mentiras. Antes de refutá-lo quanto a Santo Agostinho e Santo Tomás é bom saber algo sobre a posição da Igreja quanto ao aborto.
Existe um documento intitulado “Didaqué: Instrução dos Doze Apóstolos” (in Padres Apostólicos, Ed. Paulus, 3ª edição, 2002) que é considerado por muitos o primeiro catecismo católico e uma síntese da pregação dos apóstolos depois da morte de nosso Salvador. A data provável desse documento é o final do século I. Estamos falando de um documento escrito antes de 70 anos da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nele se lê: “Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique magia, nem feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido.”
Esta é a prova documental de que os apóstolos pregaram contra o aborto. Mas o que aconteceu de lá para cá? Será que a Igreja “oscilou” em sua posição? Será que ela, alguma vez, defendeu o aborto, como “frei” Beto quer que acreditemos?
Reproduzo aqui o parágrafo 7 da Declaração sobre o Aborto Provocado, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé:
“E no decorrer da história, os Padres da Igreja, bem como os seus Pastores e os seus Doutores, ensinaram a mesma doutrina, sem que as diferentes opiniões acerca do momento da infusão da alma espiritual tenham introduzido uma dúvida sobre a ilegitimidade do aborto. É certo que, na altura da Idade Média em que era opinião geral não estar a alma espiritual presente no corpo senão passadas as primeiras semanas, se fazia uma distinção quanto à espécie do pecado e à gravidade das sanções penais. Excelentes autores houve que admitiram, para esse primeiro período, soluções casuísticas mais suaves do que aquelas que eles davam para o concernente aos períodos seguintes da gravidez. Mas, jamais se negou, mesmo então, que o aborto provocado, mesmo nos primeiros dias da concepção fosse objetivamente falta grave. Uma tal condenação foi, de fato, unânime. Dentre os muitos documentos, bastará recordar apenas alguns. Assim: o primeiro Concílio de Mogúncia, em 847, confirma as penas estabelecidas por Concílios precedentes contra o aborto; e determina que seja imposta a penitência mais rigorosa às mulheres « que matarem as suas crianças ou que provocarem a eliminação do fruto concebido no próprio seio »[9]. O Decreto de Graciano cita estas palavras do Papa Estêvão V: « É homicida aquele que fizer perecer, mediante o aborto, o que tinha sido concebido »[10]. Santo Tomás, Doutor comum da Igreja, ensina que o aborto é um pecado grave contrário à lei natural [11]. Nos tempos da Renascença, o Papa Sisto V condena o aborto com a maior severidade [12]. Um século mais tarde, Inocêncio XI reprova as proposições de alguns canonistas « laxistas », que pretendiam desculpar o aborto provocado antes do momento em que certos autores fixavam dar-se a animação espiritual do novo ser [13]. Nos nossos dias, os últimos Pontífices Romanos proclamaram, com a maior clareza, a mesma doutrina. Assim: Pio XI respondeu explicitamente às mais graves objeções;[14] Pio XII excluiu claramente todo e qualquer aborto direto, ou seja, aquele que é intentado como um fim ou como um meio para o fim;[15] João XXIII recordou o ensinamento dos Padres sobre o caráter sagrado da vida, « a qual, desde o seu início, exige a ação de Deus criador » [16]. E bem recentemente, ainda, o II Concílio do Vaticano, presidido pelo Santo Padre Paulo VI, condenou muito severamente o aborto: « A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis » [17]. O mesmo Santo Padre Paulo VI, ao falar, por diversas vezes, deste assunto, não teve receio de declarar que a doutrina da Igreja « não mudou; e mais, que ela é imutável »[18].”
Vemos assim a continuidade da posição apostólica na história da Igreja, com relação ao aborto. Em nenhum momento a Igreja “oscilou” na condenação do aborto, como diz o “frei” velhaco. Santo Tomás, apesar de acreditar, influenciado por Aristóteles, que a alma só se infundia no embrião 40 dias depois da concepção, condenava veementemente o aborto, como contrário a Lei Natural. Essa mentira sobre a posição de Santo Tomás é tão velha que a encontramos no site Newadvent, numa coleção de perguntas e respostas, de 1993, sobre várias mentiras correntes sobre o catolicismo, a maioria delas espalhadas por protestantes.
Ah! Mas e quanto a Santo Agostinho? Essa estória de dizer que Santo Agostinho era favorável ao aborto é muito velha. A questão é complexa e nestas questões complexas os maliciosos estão sempre preparados para nos confundir. Vou traduzir aqui um trecho de um post do blog On the Contrary. Neste post, o blogueiro está se referindo a uma discussão havida na eleição de Obama, em que Nanci Pelosi (o Sarney deles) afirma sobre Santo Agostinho o mesmo que este frei de meia tigela. O blogueiro faz uma citação de um trecho do livro “Santo Agostinho através dos tempos: uma enciclopédia”. Vamos ao trecho:
“Agostinho aceitava a distinção entre fetos ‘formados’ e ‘não-formados’ encontrada na versão da Septuaginta do Êxodo 21:22-23. Enquanto o texto em hebreu admitia uma compensação no caso de um homem ferir uma mulher grávida de tal forma que cause o aborto, e uma pena adicional se maior dano for causado, a versão da Septuaginta traduziu ‘dano’ como ‘forma’, introduzindo uma distinção entre um feto ‘formado’ e um feto ‘não-formado’. A confusão na tradução está fundamentada na distinção aristotélica entre o feto antes e depois de sua suposta ‘animação’ (aos quarenta dias de gravidez para o sexo masculino e noventa, para o feminino). Segundo a Septuaginta, o aborto de um feto ‘animado’ era punido com a pena capital.
“Agostinho desaprovava o aborto tanto de fetos ‘animados’ quando ‘não-animados’, mas distinguia os dois. O feto ‘não-animado’ morria antes de viver, enquanto o feto ‘animado’ morria depois de nascer (De Nuptiis et Concupiscentiis, c.15).”
Referindo-se explicitamente à esta passagem da obra de Santo Agostinho, a Declaração sobre o Aborto Provocado, citada acima, diz: “Por vezes esta crueldade libidinosa, ou esta libidinagem cruel vão até ao ponto de arranjarem venenos que tornam as pessoas estéreis. E se o resultado desejado não é alcançado desse modo, a mãe extingue a vida e expele o feto que estava nas suas entranhas; de tal maneira que o filho morre antes de ter vivido; de sorte que, se o filho já vivia no seio materno, ele é matado antes de nascer (P.L. 44, 423-424: CSEL 42, 230.” Vemos aqui a concepção de Santo Agostinho sobre o momento da infusão da alma no feto. Mas onde está sua aprovação do cometimento do aborto?
Diz ainda o documento do Vaticano: “Esta Declaração deixa expressamente de parte o problema do momento de infusão da alma espiritual. Sobre este ponto não há tradição unânime e os autores acham-se ainda divididos. Para alguns, ela dá-se a partir do primeiro momento da concepção; para outros, ela não poderia preceder ao menos a nidificação. Não compete à ciência dirimir a favor de uns ou de outros, porque a existência de uma alma imortal não entra no seu domínio. Trata-se de uma discussão filosófica, da qual a nossa posição moral permanece independente, por dois motivos: 1° no caso de se supor uma animação tardia, estamos já perante uma vida humana, em qualquer hipótese, (biologicamente verificável); vida humana que prepara e requer esta alma, com a qual se completa a natureza recebida dos pais; 2° por outro lado, basta que esta presença da alma seja provável (e o contrário nunca se conseguirá demonstrá-lo) para que o tirar-lhe a vida equivalha a aceitar o risco de matar um homem, não apenas em expectativa, mas já provido da sua alma.”
O artigo de “frei” Beto contém ainda muita agitação perigosa de idéias. Dou apenas mais um exemplo da malícia do “frei”. Ele diz: “Roma é contra o aborto por considerá-lo supressão voluntária de uma vida humana. Princípio que nem sempre a Igreja aplicou com igual rigor a outras esferas, pois defende o direito de países adotarem a pena de morte ...”.
“Frei” Beto se espanta por sermos contrários ao aborto e a favor da pena de morte. Cito aqui trecho do artigo Pela pena de morte:
“Raciocínio torto esse, totalmente ‘nonsense’. Somos a favor de punir bandidos, e não inocentes que nunca fizeram nada. Esse raciocínio é o equivalente a dizer: ‘quem é contra prender uma criança durante 10 anos numa cela, não pode ser a favor de prender um criminoso por 10 anos numa cadeia’.
“A tese contrária é verdadeira ‘Quem é a favor do aborto não pode ser contra a pena de morte’. Se alguém defende o assassinato de uma criança inocente, não poderá ser contra a execução de um bandido. Infelizmente, hoje em dia, há várias pessoas que são favoráveis ao assassinato intra-uterino (aborto) e são contra a pena de morte. É o cúmulo do ‘nonsense’.”
Termino por aqui um post já ficou muito longo. Posso garantir aos leitores que não me deu nenhum prazer escrevê-lo.
09/03/2009
Católicos da Diocese de Limeira apóiam o Papa
Vale a pena visitar o site de alguns católicos de Limeira: aqui.
São católicos que defrontam com as mesmas dificuldades que qualquer verdadeiro católico na atualidade. Eles reafirmam seu apoio ao Papa Bento XVI e descrevem as dificuldades em se conseguir um padre em sua diocese que celebre a Missa de Sempre. Aqui em Belo Horizonte não é diferente. Há uma oposição muda ao moto proprio do papa, liberando a Missa de São Pio V. Nenhum bispo ou arcebispo quer obedecer ao Papa neste aspecto (e em alguns outros).
Essa guerra a Bento XVI vai se tornar cada vez mais pública, pois o papa não parece querer retroceder. Ele parece disposto a restaurar a Igreja de Cristo, na forma como ela sempre foi até a década de 1960, antes do Concílio Vaticano II. Os lobos vão ter de sair da toca e mostrar a cara. Por enquanto, em relação à Missa de Sempre, eles estão agindo nos bastidores! Os bravos católicos de Limeira estão protestando, e com toda a razão.
São católicos que defrontam com as mesmas dificuldades que qualquer verdadeiro católico na atualidade. Eles reafirmam seu apoio ao Papa Bento XVI e descrevem as dificuldades em se conseguir um padre em sua diocese que celebre a Missa de Sempre. Aqui em Belo Horizonte não é diferente. Há uma oposição muda ao moto proprio do papa, liberando a Missa de São Pio V. Nenhum bispo ou arcebispo quer obedecer ao Papa neste aspecto (e em alguns outros).
Essa guerra a Bento XVI vai se tornar cada vez mais pública, pois o papa não parece querer retroceder. Ele parece disposto a restaurar a Igreja de Cristo, na forma como ela sempre foi até a década de 1960, antes do Concílio Vaticano II. Os lobos vão ter de sair da toca e mostrar a cara. Por enquanto, em relação à Missa de Sempre, eles estão agindo nos bastidores! Os bravos católicos de Limeira estão protestando, e com toda a razão.
08/03/2009
Entrevista do Estado de Minas com Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Recife e Olinda (8 de março de 2009)
Notas: 1. Esses dias de turbulência para a Igreja servem para revelar os verdadeiros bispos, ou seja, aqueles que são os reais sucessores dos apóstolos. Dom Aldo e Dom José estão certamente entre estes.
2. Lembremos que Dom José é sucessor, na arquidiocese, de Dom Hélder. Não custa lembrar o que sobre ele dizia Nelson Rodrigues: clique aqui e aqui. Imagine o que Dom José não sofreu e sofre por ser sucessor desse apóstata.
3. Dom Lourenço Fleishman escreve sobre Dom José. É, entre outras coisas, uma resposta ao post de Reinaldo Azevedo, sobre o caso. Sem mencionar o nome do famoso blogueiro, Dom Lourenço rebate o post de forma admirável. Sou admirador de Reinaldo por variadas razões, mas não esqueço nunca de que suas posições liberais mancham suas análises quando o assunto é religião Católica. Como todos sabem, liberalismo não combina com catolicismo, pois afinal, liberalismo é pecado.
O que o senhor achou da declaração do presidente, lamentando o comportamento conservador da Igreja e que, nesse caso, a medicina está mais correta que a Igreja?
Gostaria de lembrar que existem realidades divinas que precisam ser conservadas. E para isso, os padres e bispos têm que ser conservadores. Sugiro ao senhor presidente, antes de se pronunciar sobre assuntos de ordem teológica, ouvir um teólogo.
O senhor imaginava que o seu posicionamento poderia gerar uma polêmica de repercussão internacional?
Não poderia prever essa polêmica. Mas estou tranquilo. Acho que foi uma providência divina para chamar a atenção para a gravidade da situação. Não há nada que justifique um aborto. Abortar é um crime mais grave que um homicídio.
A mãe da menina e os médicos serão mesmo excomungados?
Quando falei na excomunhão, não quis dizer que era eu quem iria excomungar. Isso está no código canônico da Igreja que diz que aquele que comente um aborto está excomungado. Mas não existe pecado sem perdão. Quem reconhecer que errou e demonstrar arrependimento será aceito na Igreja novamente.
2. Lembremos que Dom José é sucessor, na arquidiocese, de Dom Hélder. Não custa lembrar o que sobre ele dizia Nelson Rodrigues: clique aqui e aqui. Imagine o que Dom José não sofreu e sofre por ser sucessor desse apóstata.
3. Dom Lourenço Fleishman escreve sobre Dom José. É, entre outras coisas, uma resposta ao post de Reinaldo Azevedo, sobre o caso. Sem mencionar o nome do famoso blogueiro, Dom Lourenço rebate o post de forma admirável. Sou admirador de Reinaldo por variadas razões, mas não esqueço nunca de que suas posições liberais mancham suas análises quando o assunto é religião Católica. Como todos sabem, liberalismo não combina com catolicismo, pois afinal, liberalismo é pecado.
O que o senhor achou da declaração do presidente, lamentando o comportamento conservador da Igreja e que, nesse caso, a medicina está mais correta que a Igreja?
Gostaria de lembrar que existem realidades divinas que precisam ser conservadas. E para isso, os padres e bispos têm que ser conservadores. Sugiro ao senhor presidente, antes de se pronunciar sobre assuntos de ordem teológica, ouvir um teólogo.
O senhor imaginava que o seu posicionamento poderia gerar uma polêmica de repercussão internacional?
Não poderia prever essa polêmica. Mas estou tranquilo. Acho que foi uma providência divina para chamar a atenção para a gravidade da situação. Não há nada que justifique um aborto. Abortar é um crime mais grave que um homicídio.
A mãe da menina e os médicos serão mesmo excomungados?
Quando falei na excomunhão, não quis dizer que era eu quem iria excomungar. Isso está no código canônico da Igreja que diz que aquele que comente um aborto está excomungado. Mas não existe pecado sem perdão. Quem reconhecer que errou e demonstrar arrependimento será aceito na Igreja novamente.
07/03/2009
Apoio a Dom Aldo Pagotto

Este blog apóia Dom Aldo Pagotto em seu ato de suspensão do Padre Luiz Couto. Este bispo agiu verdadeiramente como sucessor dos apóstolos e nós pedimos sua benção apostólica, ao mesmo tempo em que o colocamos em nossas orações diárias. Quem quiser apoiá-lo mande um e-mail para cillopagotto@arquidiocesepb.org.br.
7 de março, Santo Tomás de Aquino, C. Dr. + 1274
Nota: Seguem trechos da monumental biografia de Santo Tomás, de Chesterton (Ediouro, 3ª Ed., 2003). Comprem e leiam o livro. É um dos livros fundamentais para os católicos atuais.
Santo Tomás de Aquino, rogai por nós.
Entre os estudantes (de Santo Alberto Magno) que lotavam as salas de conferência, havia um aluno que s
e destacava por sua estatura gigantesca e sólida, um aluno que não conseguir sobressair por qualquer outra coisa ou se recusava a fazê-lo. Ele falava tão pouco nos debates que os colegas começaram a supor que, além de “calado” ele era também “embotado”. Seja como for, não demorou muito para que o deixassem de lado da forma mais horrível e assim mesmo sua estatura imponente começou a ser apenas motivo de escárnio. Apelidaram-no de Boi Mudo. Era objeto não só de zombaria, mas de piedade. Um estudante de bom coração ficou com tanta pena dele que tentou ajudá-lo a fazer as lições, repassando os elementos de lógica com se estivesse repassando o alfabeto numa cartilha. O tolo lhe agradeceu com uma patética polidez, e o filantropo continuou a lição até encontrar uma passagem sobre a qual ele mesmo tinha algumas dúvidas – e sua interpretação, para dizer a verdade, era errada. O tolo, diante disso, mostrando-se muito embaraçado e perturbado, indicou uma possível solução que mostrou se a correta. O estudante benevolente ficou olhando, como se estivesse diante de um monstro, para aquela combinação de ignorância e inteligência, e estranhos murmúrios começaram a percorrer as escolas.
(...)
Alberto Magno encarregava Tomás de realizar pequenas tarefas, de anotação ou de exposição, depois de convencê-lo a deixar de lado seu embaraço para poder participar ao menos de um debate. Alberto era um senhor bastante perspicaz que estudara os hábitos de animais que não o unicórnio e a salamandra. Ele estudara muitos espécimes da mais monstruosa monstruosidade, aquela que se chama homem. Conhecia os sinais e marcas do tipo de homem que Tomás era, o tipo de homem que é, sem o saber, uma espécie de monstro entre os homens. Alberto era um mestre bom demais para não perceber que o tolo nem sempre é um tolo. Ele soube, e se divertiu com isso, que aquele tolo recebera dos colegas o apelido de Boi Mudo. Tudo isso era muito natural, mas não retira o sabor de algo estranho e simbólico acerca da extraordinária ênfase com que Tomás falou quando finalmente o fez. Porque, na época, Tomás de Aquino ainda era conhecido apenas como um aluno obscuro e obstinadamente apático em meio a muitos alunos mais brilhantes e promissores, quando Alberto quebrou o silêncio com sua famosa profecia: “Vocês o chamam de Boi Mudo, e eu lhes digo que esse Boi Mudo vai mugir tão alto que seu mugido vai tomar conta do mundo.”
(...)
Mas, sobre sua verdadeira sua verdadeira vida de santidade, ele mantinha um grande segredo. Esse segredo na verdade costuma acompanhar a santidade, porque o santo tem um horror abissal a fazer as vezes do fariseu. (...) Certamente o mundo conhece muito menos histórias semelhantes [de milagres] sobre Santo Tomás do que as de muitos santos igualmente sinceros e modestos.
A verdade é que, no que diz respeito a todas essas coisas, na vida e na morte, há uma espécie de enorme calma cercando Santo Tomás. Ele era uma daquelas coisas grandes que ocupam pouco espaço.
(...)
Parece certo que Tomás teve de fato uma espécie de vida secundária e misteriosa, o duplo divino do que é chamado de vida dupla. Alguém parece ter surpreendido algo do tipo de milagre solitário que as pessoas modernas ligadas ao sobrenatural chamam de levitação. (...) Ninguém sabe, imagino eu, que tempestade espiritual de exaltação ou de agonia provoca essa convulsão na matéria ou no espaço, mas trata-se de algo que quase com certeza acontece. (...) Mas é provável que a revelação mais representativa desse lado de sua vida possa estar na celebrada história do milagre do crucifixo, quando, na imobilidade da igreja de São Domingos em Nápoles, uma voz falou a partir do Cristo esculpido e disse ao frade ajoelhado que ele escrevera coisas corretas, e lhe ofereceu a escolha de uma recompensa entre todas as coisas do mundo.
Creio que nem todos apreciam o sentido dessa história particular ao vê-lo aplicado a esse santo em particular. É uma velha história, na medida em que é simplesmente como se oferecessem a um devoto da solidão ou da simplicidade a oportunidade de escolher todos os prêmios da vida. (...) Tomás não era alguém que não queria nada, pois tinha um enorme interesse por tudo. Sua resposta à escolha em questão não seria tão inevitável nem simples como alguns poderiam supor. (...) Ninguém supõe que Tomás de Aquino, ao receber de Deus a oferta para escolher entre todas as dádivas de Deus, pudesse pedir mil libras, a coroa da Sicília ou um raro vinho grego. Mas ele poderia ter pedido coisas que de fato queria; e era um homem que podia querer coisas, tal como quis o manuscrito perdido de São Crisóstomo. Tomás poderia ter pedido a solução de uma antiga dificuldade, o segredo de uma nova ciência, o vislumbre da mente intuitiva inconcebível dos anjos ou qualquer outra coisa dentre as inúmeras que de fato teriam satisfeito seu amplo e viril apetite pela própria vastidão e variedade do universo. (...) Trata-se do flamejante pano de fundo do ser mutidimensional que confere a força particular, e mesmo uma espécie de surpresa, à resposta de Santo Tomás quando ele finalmente levantou a cabeça e falou com aquela ousadia quase próxima da blasfêmia, que é a irmã da humildade de sua religião: “Quero a ti mesmo”.
Ou, para acrescentar a ironia final e esmagadora da história, tão peculiarmente cristã para os que podem de fato compreendê-la, alguns amenizam um pouco a ousadia, ao insistir que ele disse: “Apenas a ti mesmo”.
Santo Tomás de Aquino, rogai por nós.
Entre os estudantes (de Santo Alberto Magno) que lotavam as salas de conferência, havia um aluno que s
e destacava por sua estatura gigantesca e sólida, um aluno que não conseguir sobressair por qualquer outra coisa ou se recusava a fazê-lo. Ele falava tão pouco nos debates que os colegas começaram a supor que, além de “calado” ele era também “embotado”. Seja como for, não demorou muito para que o deixassem de lado da forma mais horrível e assim mesmo sua estatura imponente começou a ser apenas motivo de escárnio. Apelidaram-no de Boi Mudo. Era objeto não só de zombaria, mas de piedade. Um estudante de bom coração ficou com tanta pena dele que tentou ajudá-lo a fazer as lições, repassando os elementos de lógica com se estivesse repassando o alfabeto numa cartilha. O tolo lhe agradeceu com uma patética polidez, e o filantropo continuou a lição até encontrar uma passagem sobre a qual ele mesmo tinha algumas dúvidas – e sua interpretação, para dizer a verdade, era errada. O tolo, diante disso, mostrando-se muito embaraçado e perturbado, indicou uma possível solução que mostrou se a correta. O estudante benevolente ficou olhando, como se estivesse diante de um monstro, para aquela combinação de ignorância e inteligência, e estranhos murmúrios começaram a percorrer as escolas.(...)
Alberto Magno encarregava Tomás de realizar pequenas tarefas, de anotação ou de exposição, depois de convencê-lo a deixar de lado seu embaraço para poder participar ao menos de um debate. Alberto era um senhor bastante perspicaz que estudara os hábitos de animais que não o unicórnio e a salamandra. Ele estudara muitos espécimes da mais monstruosa monstruosidade, aquela que se chama homem. Conhecia os sinais e marcas do tipo de homem que Tomás era, o tipo de homem que é, sem o saber, uma espécie de monstro entre os homens. Alberto era um mestre bom demais para não perceber que o tolo nem sempre é um tolo. Ele soube, e se divertiu com isso, que aquele tolo recebera dos colegas o apelido de Boi Mudo. Tudo isso era muito natural, mas não retira o sabor de algo estranho e simbólico acerca da extraordinária ênfase com que Tomás falou quando finalmente o fez. Porque, na época, Tomás de Aquino ainda era conhecido apenas como um aluno obscuro e obstinadamente apático em meio a muitos alunos mais brilhantes e promissores, quando Alberto quebrou o silêncio com sua famosa profecia: “Vocês o chamam de Boi Mudo, e eu lhes digo que esse Boi Mudo vai mugir tão alto que seu mugido vai tomar conta do mundo.”
(...)
Mas, sobre sua verdadeira sua verdadeira vida de santidade, ele mantinha um grande segredo. Esse segredo na verdade costuma acompanhar a santidade, porque o santo tem um horror abissal a fazer as vezes do fariseu. (...) Certamente o mundo conhece muito menos histórias semelhantes [de milagres] sobre Santo Tomás do que as de muitos santos igualmente sinceros e modestos.
A verdade é que, no que diz respeito a todas essas coisas, na vida e na morte, há uma espécie de enorme calma cercando Santo Tomás. Ele era uma daquelas coisas grandes que ocupam pouco espaço.
(...)
Parece certo que Tomás teve de fato uma espécie de vida secundária e misteriosa, o duplo divino do que é chamado de vida dupla. Alguém parece ter surpreendido algo do tipo de milagre solitário que as pessoas modernas ligadas ao sobrenatural chamam de levitação. (...) Ninguém sabe, imagino eu, que tempestade espiritual de exaltação ou de agonia provoca essa convulsão na matéria ou no espaço, mas trata-se de algo que quase com certeza acontece. (...) Mas é provável que a revelação mais representativa desse lado de sua vida possa estar na celebrada história do milagre do crucifixo, quando, na imobilidade da igreja de São Domingos em Nápoles, uma voz falou a partir do Cristo esculpido e disse ao frade ajoelhado que ele escrevera coisas corretas, e lhe ofereceu a escolha de uma recompensa entre todas as coisas do mundo.
Creio que nem todos apreciam o sentido dessa história particular ao vê-lo aplicado a esse santo em particular. É uma velha história, na medida em que é simplesmente como se oferecessem a um devoto da solidão ou da simplicidade a oportunidade de escolher todos os prêmios da vida. (...) Tomás não era alguém que não queria nada, pois tinha um enorme interesse por tudo. Sua resposta à escolha em questão não seria tão inevitável nem simples como alguns poderiam supor. (...) Ninguém supõe que Tomás de Aquino, ao receber de Deus a oferta para escolher entre todas as dádivas de Deus, pudesse pedir mil libras, a coroa da Sicília ou um raro vinho grego. Mas ele poderia ter pedido coisas que de fato queria; e era um homem que podia querer coisas, tal como quis o manuscrito perdido de São Crisóstomo. Tomás poderia ter pedido a solução de uma antiga dificuldade, o segredo de uma nova ciência, o vislumbre da mente intuitiva inconcebível dos anjos ou qualquer outra coisa dentre as inúmeras que de fato teriam satisfeito seu amplo e viril apetite pela própria vastidão e variedade do universo. (...) Trata-se do flamejante pano de fundo do ser mutidimensional que confere a força particular, e mesmo uma espécie de surpresa, à resposta de Santo Tomás quando ele finalmente levantou a cabeça e falou com aquela ousadia quase próxima da blasfêmia, que é a irmã da humildade de sua religião: “Quero a ti mesmo”.
Ou, para acrescentar a ironia final e esmagadora da história, tão peculiarmente cristã para os que podem de fato compreendê-la, alguns amenizam um pouco a ousadia, ao insistir que ele disse: “Apenas a ti mesmo”.
05/03/2009
Ufa! “Frei” Beto, finalmente, confessa não ser católico
O comunistóide “Frei” Beto, homem de confiança e admirador dessa candura de pessoa que é Fidel Castro, declara com todas as letras, hoje, no Estado de Minas, que não é católico. Isso é muito bom, pois, há algum tempo comentei aqui que ele teria sido convidado a falar num retiro de carmelitas. Da próxima vez, as pobres carmelitas podem querer convidar algum católico.
Esse “frei” deixou de ser católico há tanto tempo (nem sei se algum dia o foi) que não deve nem ter percebido que fez tal confissão pública. Vocês sabem, ele sequer reconhece quando despreza, nega ou escarnece a doutrina que diz professar.
Assim, este senhor diz o seguinte, em seu artigo de hoje, intitulado Mão Invisível:
“Desde criança, tenho, como todo mundo, meus medos. Já foram maiores: medo de ver meu pai bravo, de ser obrigado a comer jiló, de tirar zero na prova de matemática. Medo, sob a ditadura, de me ver abordado por uma viatura policial. Medo, sob a chuva capixaba, de que meu barraco na favela, erguido à beira de um precipício, fosse levado pelas águas.
“Hoje, coleciono outros medos. Um deles, medo da mão invisível do Mercado. Aliás, do que é invisível só não temo Deus. Temo bactérias e extraterrestres. As primeiras, combato com antibióticos – termo inapropriado, pois significa “contra a vida” e, no entanto, os inoculamos para favorecê-la.” (Negritos são meus)
Não sugiro a ninguém que leia o artigo, pois é uma coleção de imbecilidades sobre o malvado mercado.
Vejam que ele diz ter medo de ditadura. Mentira, pois, ele ajudou muito a ditadura de Fidel. Ele teme alguns tipos de ditadura.
Sobre invisibilidades, veja que ele coloca a invisibilidade de Deus no mesmo nível que a invisibilidade das bactérias. Bem, digamos que isso nos coloca absolutamente sem palavras. Um sujeito que não sabe distinguir a invisibilidade circunstancial de um micróbio (basta usar um microscópio para vê-lo) e a invisibilidade ontológica de Deus...
Mas a confissão de não católico ele faz quando diz que não teme a Deus. Podemos chamar muitos santos para nos ajudar a falar do temor de Deus. Podemos recorrer às Escrituras, por exemplo, Eco 1, 16-40. Mas chamemos Santo Agostinho para nos iluminar:
“Antes de toda e qualquer coisa, é preciso converter-se pelo temor de Deus para conhecer-lhe a vontade, para saber o que ele nos ordena buscar ou rejeitar. Necessário é que este temor incuta o pensamento de nossa mortalidade e da futura morte e fixe no lenho da cruz todos os movimentos de soberba, como se nossas carnes estivessem atravessadas pelos cravos.” (A Doutrina Cristã, 2ª ed., Editora Paulus, 2007) (Negritos são meus)
Notem que Santo Agostinho fala que nós nos convertemos pelo temor de Deus. Quem não o tem, não é católico, não se converteu ou já se apostasiou.
A curiosidade da confissão de “frei” Beto é que, hoje em dia, tem muita gente que se diz católico e que defende o aborto, a eutanásia, o casamento gay etc. Claro está que essa gente não é católica. Mas um pretenso católico se confessar não católico por negar uma exigência doutrinária tão elementar é, de fato, uma coisa extraordinária.
Que fique então registrado: “frei” Beto não teme a Deus e, portanto, não é católico.
Esse “frei” deixou de ser católico há tanto tempo (nem sei se algum dia o foi) que não deve nem ter percebido que fez tal confissão pública. Vocês sabem, ele sequer reconhece quando despreza, nega ou escarnece a doutrina que diz professar.
Assim, este senhor diz o seguinte, em seu artigo de hoje, intitulado Mão Invisível:
“Desde criança, tenho, como todo mundo, meus medos. Já foram maiores: medo de ver meu pai bravo, de ser obrigado a comer jiló, de tirar zero na prova de matemática. Medo, sob a ditadura, de me ver abordado por uma viatura policial. Medo, sob a chuva capixaba, de que meu barraco na favela, erguido à beira de um precipício, fosse levado pelas águas.
“Hoje, coleciono outros medos. Um deles, medo da mão invisível do Mercado. Aliás, do que é invisível só não temo Deus. Temo bactérias e extraterrestres. As primeiras, combato com antibióticos – termo inapropriado, pois significa “contra a vida” e, no entanto, os inoculamos para favorecê-la.” (Negritos são meus)
Não sugiro a ninguém que leia o artigo, pois é uma coleção de imbecilidades sobre o malvado mercado.
Vejam que ele diz ter medo de ditadura. Mentira, pois, ele ajudou muito a ditadura de Fidel. Ele teme alguns tipos de ditadura.
Sobre invisibilidades, veja que ele coloca a invisibilidade de Deus no mesmo nível que a invisibilidade das bactérias. Bem, digamos que isso nos coloca absolutamente sem palavras. Um sujeito que não sabe distinguir a invisibilidade circunstancial de um micróbio (basta usar um microscópio para vê-lo) e a invisibilidade ontológica de Deus...
Mas a confissão de não católico ele faz quando diz que não teme a Deus. Podemos chamar muitos santos para nos ajudar a falar do temor de Deus. Podemos recorrer às Escrituras, por exemplo, Eco 1, 16-40. Mas chamemos Santo Agostinho para nos iluminar:
“Antes de toda e qualquer coisa, é preciso converter-se pelo temor de Deus para conhecer-lhe a vontade, para saber o que ele nos ordena buscar ou rejeitar. Necessário é que este temor incuta o pensamento de nossa mortalidade e da futura morte e fixe no lenho da cruz todos os movimentos de soberba, como se nossas carnes estivessem atravessadas pelos cravos.” (A Doutrina Cristã, 2ª ed., Editora Paulus, 2007) (Negritos são meus)
Notem que Santo Agostinho fala que nós nos convertemos pelo temor de Deus. Quem não o tem, não é católico, não se converteu ou já se apostasiou.
A curiosidade da confissão de “frei” Beto é que, hoje em dia, tem muita gente que se diz católico e que defende o aborto, a eutanásia, o casamento gay etc. Claro está que essa gente não é católica. Mas um pretenso católico se confessar não católico por negar uma exigência doutrinária tão elementar é, de fato, uma coisa extraordinária.
Que fique então registrado: “frei” Beto não teme a Deus e, portanto, não é católico.
28/02/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II – Adendo II
A caridade segundo Pe. Nilo Luza
Como vocês sabem, sou um leitor do Semanário Litúrgico-Catequético “O Domingo”. Nele é possível desaprender toda a doutrina católica. Não fosse pela Graça de Deus, eu já teria me tornado um não-católico com essa minha mania de ler tal folheto. Imagino que muitos estão em situação similar.
Quando não se tem nada de novo a falar sobre algo, deve-se calar ou então citar alguém que falou bem sobre o assunto. Por exemplo, se eu fosse falar algo sobre a quaresma, na quarta-feira de cinzas, certamente citaria Pe. Antônio Vieira e o seu extraordinário Sermão de Quarta-feira de Cinzas e me calaria no mais profundo silêncio, meditando sobre “Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris”.
Pe. Nilo Luza não se cala e diz o seguinte, n`O Domingo de 25/02/2009: “Não podemos nos contentar apenas com esse gesto simples de dar esmola; ele é importante para quem precisa, mas, mais do que isso, deve nos lembrar do compromisso que temos com a libertação do sofredor e do nosso inconformismo com o sistema que concentra a renda e impede uma partilha justa dos bens”.
Pe. Luza, esmola é muito mais importante para quem dá. Essa é a essência da misericórdia de Deus. A esmola nos subtrai de um bem material e provê algo para quem recebe. Mas quem dá, recebe um bem sobrenatural, que é muito superior ao que lhe foi subtraído. Quem dá é que deve agradecer a possibilidade de ter dado. Quem recebe deve agradecer a Deus por estar recebendo Dele, indiretamente.
Pe. Luza, caridade não é inconformismo, é amor a Deus. O senhor leu a primeira encíclica de Bento XVI: Deus caritas est? Caridade não é revolução proletária, não é luta contra “o sistema que concentra renda”. Caridade é o amor a Deus, sob qualquer sistema político e sob quaisquer circunstâncias. O senhor conhece as 14 obras de misericórdia recomendadas pela Igreja? Eu não vou descrevê-las para o senhor padre, pois isso seria quase um insulto. Mas nenhuma delas fala de inconformismo e de sistema concentrador de rendas. Padre, quando é que o senhor vai nos ensinar, em seu folheto, a Doutrina perene da Igreja ?
Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI
Como vocês sabem, sou um leitor do Semanário Litúrgico-Catequético “O Domingo”. Nele é possível desaprender toda a doutrina católica. Não fosse pela Graça de Deus, eu já teria me tornado um não-católico com essa minha mania de ler tal folheto. Imagino que muitos estão em situação similar.
Quando não se tem nada de novo a falar sobre algo, deve-se calar ou então citar alguém que falou bem sobre o assunto. Por exemplo, se eu fosse falar algo sobre a quaresma, na quarta-feira de cinzas, certamente citaria Pe. Antônio Vieira e o seu extraordinário Sermão de Quarta-feira de Cinzas e me calaria no mais profundo silêncio, meditando sobre “Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris”.
Pe. Nilo Luza não se cala e diz o seguinte, n`O Domingo de 25/02/2009: “Não podemos nos contentar apenas com esse gesto simples de dar esmola; ele é importante para quem precisa, mas, mais do que isso, deve nos lembrar do compromisso que temos com a libertação do sofredor e do nosso inconformismo com o sistema que concentra a renda e impede uma partilha justa dos bens”.
Pe. Luza, esmola é muito mais importante para quem dá. Essa é a essência da misericórdia de Deus. A esmola nos subtrai de um bem material e provê algo para quem recebe. Mas quem dá, recebe um bem sobrenatural, que é muito superior ao que lhe foi subtraído. Quem dá é que deve agradecer a possibilidade de ter dado. Quem recebe deve agradecer a Deus por estar recebendo Dele, indiretamente.
Pe. Luza, caridade não é inconformismo, é amor a Deus. O senhor leu a primeira encíclica de Bento XVI: Deus caritas est? Caridade não é revolução proletária, não é luta contra “o sistema que concentra renda”. Caridade é o amor a Deus, sob qualquer sistema político e sob quaisquer circunstâncias. O senhor conhece as 14 obras de misericórdia recomendadas pela Igreja? Eu não vou descrevê-las para o senhor padre, pois isso seria quase um insulto. Mas nenhuma delas fala de inconformismo e de sistema concentrador de rendas. Padre, quando é que o senhor vai nos ensinar, em seu folheto, a Doutrina perene da Igreja ?
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Lições das Missas de Paulo VI
Um ateu bem desinformado
Um sujeito que se denomina “Ateu informado” deixou um comentário (não publicado) no post Não tenho tanta fé para ser ateu: argumentos científicos dizendo, entre outras coisas: “Os argumentos desse livro tosco não sobrevivem a qualquer meia hora de análise mais atenta.” Depois cita seu guru, Richard Dawkins e outras bobagens.
Este blog tem alguns artigos sobre ateus e, especificamente, sobre Richard Dawkins. Veja, por exemplo, Sábios ignorantes, Ateus solitários da Aldeia Global - Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV e Final, Dawkins está errado.
Se quiserem algo mais substancial em termos de doutrina católica, filosofia e teologia, veja Ateismo Militante, de Pe. Leonel Franco.
O que sempre me espantou nos ateus que a gente encontra pela vida é, primeiramente, a tentativa de refutar um argumento metafísico com meras observações científicas. É o que esse autodenominado “Ateu informado” faz. Isso mostra que ele pode até ser ateu, mas de informado não tem nada.
Em segundo lugar, os ateus não começam, para justificar sua falta de crença, por derrubar os argumentos metafísicos a favor da existência de Deus. Por exemplo, esse “Ateu informado” poderia nos fazer o favor de refutar a prova da existência de Deus, em cinco vias, de Santo Tomás de Aquino. Depois desta refutação (se ele conseguir) aí sim é hora de deitar falação de Richard Dawkins na nossa cabeça.
Mande sua refutação de Santo Tomás de Aquino para o blog que eu publicarei. Não publico baboseiras de Richard Dawkins.
Este blog tem alguns artigos sobre ateus e, especificamente, sobre Richard Dawkins. Veja, por exemplo, Sábios ignorantes, Ateus solitários da Aldeia Global - Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV e Final, Dawkins está errado.
Se quiserem algo mais substancial em termos de doutrina católica, filosofia e teologia, veja Ateismo Militante, de Pe. Leonel Franco.
O que sempre me espantou nos ateus que a gente encontra pela vida é, primeiramente, a tentativa de refutar um argumento metafísico com meras observações científicas. É o que esse autodenominado “Ateu informado” faz. Isso mostra que ele pode até ser ateu, mas de informado não tem nada.
Em segundo lugar, os ateus não começam, para justificar sua falta de crença, por derrubar os argumentos metafísicos a favor da existência de Deus. Por exemplo, esse “Ateu informado” poderia nos fazer o favor de refutar a prova da existência de Deus, em cinco vias, de Santo Tomás de Aquino. Depois desta refutação (se ele conseguir) aí sim é hora de deitar falação de Richard Dawkins na nossa cabeça.
Mande sua refutação de Santo Tomás de Aquino para o blog que eu publicarei. Não publico baboseiras de Richard Dawkins.
14/02/2009
Adiando a realidade
Thomas Sowell
Nota: No final do ano passado, enviei este artigo de Sowell para o MSM que não foi publicado. Logo depois, o MSM saiu do ar (não sei a razão). Posto aqui o artigo, para os leitores do blog. Pretendo, vez por outra, traduzir um artigo de Sowell e postá-lo aqui.
Alguns de nós fomos criados na crença de que a realidade é inescapável. Mas isso só mostra o quanto estamos atrasados no tempo. Hoje, a realidade é opcional. No mínimo, ela pode ser adiada.
As crianças não estão aprendendo na escola? Não tem problema. Passe-as de ano, mesmo assim. Chame a isso “compaixão”, para não ferir a “auto-estima” delas.
Não podem atingir os padrões de admissão à universidade ao final do ensino médio? Denuncie esses padrões como barreiras arbitrárias a favor dos privilegiados, e exija que exceções sejam feitas.
Não sabem matemática ou ciência depois de entrarem na universidade? Denuncie esses cursos por sua rigidez e insensibilidade, e crie cursos mais fáceis em que os estudantes possam passar e conseguir formar.
Quando eles estiverem no mundo real, pessoas com diplomas e graus universitários – mas sem nenhuma educação real – eles trombarão com um muro. Mas então o acerto de contas já foi adiado por 15 anos ou mais. Claro que as contas podem continuar aparecendo pelo resto de suas vidas.
A atual orgia de salvamento financeiro é um adiamento da realidade democrático – do rico, tanto quanto do pobre, do irresponsável, tanto quanto do responsável, do ineficiente, tanto quanto do eficiente. É o triunfo da filosofia da neutralidade de julgamento de que temos ouvido tanto nos círculos mais sofisticados.
Ficamos sabendo que o colapso dos Três Grandes fabricantes de automóveis de Detroit teria repercussões em todo o país, causando demissões em massa nas empresas de autopeças e o fechamento de concessionárias de costa a costa.
Um renomado economista do passado, J.A. Schumpeter, costumava se referir ao progresso no capitalismo como “destruição criativa” – a substituição do negócio que perdeu sua utilidade pelo negócio que aprimorará a criatividade tecnológica e organizacional, elevando os padrões de vida no processo. De fato, isso é o que aconteceu cem anos atrás, quando aquela nova maravilha tecnológica, o automóvel, espalhou destruição por todas as formas de transporte a tração animal.
Por milhares de anos, cavalos foram o máximo em transporte, sejam em carroças ou em carruagens reais, sejam em bondes, nas cidades ou em arados, nas fazendas. As pessoas investiram suas fortunas em algo com uma história de confiabilidade de muitos séculos.
Todas essas pessoas foram abandonadas? O que dizer de todos que fabricavam as coisas usadas nos e pelos cavalos – aveia, arreios, ferraduras e carroças? Não caíram feito dominós quando os cavalos foram substituídos pelos carros?
Infelizmente, para todos que tinham, de boa fé, participado dos vários ramos de negócio que envolvesse os cavalos, não houve um governo compassivo que tenha aparecido e os salvado ou apresentado um pacote de estímulos.
Eles tiveram que encarar a realidade, naquele lugar e momento, sem nem mesmo adiá-la.
Quem diria que os mesmos que os substituíram ficariam em situação similar cem anos depois?
De fato, a indústria automobilística não está nem perto da situação catastrófica em que então se encontrava a indústria da tração animal. Não há nenhum substituto do automóvel no horizonte. Tampouco o público decidiu se virar indefinidamente sem carros.
Enquanto os Três Grandes de Detroit estão demitindo milhares de trabalhadores, a Toyota está contratando milhares de trabalhadores exatamente aqui nos EUA, onde parte substancial dos toyotas é fabricada.
Isso salvará Detroit ou Michigan? Não.
Detroit e Michigan têm seguido políticas esquerdistas clássicas, tratando os negócios como presas, não como patrimônio. Eles ajudaram a matar a galinha dos ovos de ouro. O mesmo fizeram os sindicatos. E os administradores que os apoiaram para serem apoiados.
Toyota, Honda e outros fabricantes estrangeiros não irão para Detroit, apesar de lá existirem muitos experientes trabalhadores da indústria automobilística. Esses fabricantes estão evitando as regiões de indústria pesada [rust belts] e as políticas que fizeram desses lugares cinturões enferrujados [rust belts].
O salvamento financeiro dos Três Grandes de Detroit seria apenas o mais recente dos adiamentos da realidade. Quanto aos concessionários, eles podem provavelmente vender Toyotas tão facilmente quando eles vendiam Chevrolets. E Toyotas demandam, da indústria de autopeças, o mesmo número de pneus por carro, tanto quanto de outras peças.
Publicado por Townhall.com
Nota: No final do ano passado, enviei este artigo de Sowell para o MSM que não foi publicado. Logo depois, o MSM saiu do ar (não sei a razão). Posto aqui o artigo, para os leitores do blog. Pretendo, vez por outra, traduzir um artigo de Sowell e postá-lo aqui.
Alguns de nós fomos criados na crença de que a realidade é inescapável. Mas isso só mostra o quanto estamos atrasados no tempo. Hoje, a realidade é opcional. No mínimo, ela pode ser adiada.
As crianças não estão aprendendo na escola? Não tem problema. Passe-as de ano, mesmo assim. Chame a isso “compaixão”, para não ferir a “auto-estima” delas.
Não podem atingir os padrões de admissão à universidade ao final do ensino médio? Denuncie esses padrões como barreiras arbitrárias a favor dos privilegiados, e exija que exceções sejam feitas.
Não sabem matemática ou ciência depois de entrarem na universidade? Denuncie esses cursos por sua rigidez e insensibilidade, e crie cursos mais fáceis em que os estudantes possam passar e conseguir formar.
Quando eles estiverem no mundo real, pessoas com diplomas e graus universitários – mas sem nenhuma educação real – eles trombarão com um muro. Mas então o acerto de contas já foi adiado por 15 anos ou mais. Claro que as contas podem continuar aparecendo pelo resto de suas vidas.
A atual orgia de salvamento financeiro é um adiamento da realidade democrático – do rico, tanto quanto do pobre, do irresponsável, tanto quanto do responsável, do ineficiente, tanto quanto do eficiente. É o triunfo da filosofia da neutralidade de julgamento de que temos ouvido tanto nos círculos mais sofisticados.
Ficamos sabendo que o colapso dos Três Grandes fabricantes de automóveis de Detroit teria repercussões em todo o país, causando demissões em massa nas empresas de autopeças e o fechamento de concessionárias de costa a costa.
Um renomado economista do passado, J.A. Schumpeter, costumava se referir ao progresso no capitalismo como “destruição criativa” – a substituição do negócio que perdeu sua utilidade pelo negócio que aprimorará a criatividade tecnológica e organizacional, elevando os padrões de vida no processo. De fato, isso é o que aconteceu cem anos atrás, quando aquela nova maravilha tecnológica, o automóvel, espalhou destruição por todas as formas de transporte a tração animal.
Por milhares de anos, cavalos foram o máximo em transporte, sejam em carroças ou em carruagens reais, sejam em bondes, nas cidades ou em arados, nas fazendas. As pessoas investiram suas fortunas em algo com uma história de confiabilidade de muitos séculos.
Todas essas pessoas foram abandonadas? O que dizer de todos que fabricavam as coisas usadas nos e pelos cavalos – aveia, arreios, ferraduras e carroças? Não caíram feito dominós quando os cavalos foram substituídos pelos carros?
Infelizmente, para todos que tinham, de boa fé, participado dos vários ramos de negócio que envolvesse os cavalos, não houve um governo compassivo que tenha aparecido e os salvado ou apresentado um pacote de estímulos.
Eles tiveram que encarar a realidade, naquele lugar e momento, sem nem mesmo adiá-la.
Quem diria que os mesmos que os substituíram ficariam em situação similar cem anos depois?
De fato, a indústria automobilística não está nem perto da situação catastrófica em que então se encontrava a indústria da tração animal. Não há nenhum substituto do automóvel no horizonte. Tampouco o público decidiu se virar indefinidamente sem carros.
Enquanto os Três Grandes de Detroit estão demitindo milhares de trabalhadores, a Toyota está contratando milhares de trabalhadores exatamente aqui nos EUA, onde parte substancial dos toyotas é fabricada.
Isso salvará Detroit ou Michigan? Não.
Detroit e Michigan têm seguido políticas esquerdistas clássicas, tratando os negócios como presas, não como patrimônio. Eles ajudaram a matar a galinha dos ovos de ouro. O mesmo fizeram os sindicatos. E os administradores que os apoiaram para serem apoiados.
Toyota, Honda e outros fabricantes estrangeiros não irão para Detroit, apesar de lá existirem muitos experientes trabalhadores da indústria automobilística. Esses fabricantes estão evitando as regiões de indústria pesada [rust belts] e as políticas que fizeram desses lugares cinturões enferrujados [rust belts].
O salvamento financeiro dos Três Grandes de Detroit seria apenas o mais recente dos adiamentos da realidade. Quanto aos concessionários, eles podem provavelmente vender Toyotas tão facilmente quando eles vendiam Chevrolets. E Toyotas demandam, da indústria de autopeças, o mesmo número de pneus por carro, tanto quanto de outras peças.
Publicado por Townhall.com
09/02/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano – Parte XVI
O Evangelho deste domingo, 08/02/2009, na Missa de Paulo VI, é Mc. 1, 29-39. Continua a temática da cura e da expulsão de demônios.
O Semanário Liturgico-Catequético “O Domingo” continua nos catequizando sobre o demônio num artigo do Pe. Paulo Bazaglia, “Religião ‘Quebra-Galho’”. Diz Pe. Bazaglia: “O mestre bem conhecia a vida do seu povo. Povo doente, dominado por forças maléficas – conhecidas como ‘demônios’, ou seja: todas as amarras e opressões que impediam às pessoas serem elas mesmas.”
Pe. Bazaglia continua a mesma linha de Pe. Lusa (ver Parte XV de meus comentários) tentando nos convencer de que quando os Evangelhos falam do demônio querem dizer “forças maléficas”, ou seja, “todas as amarras e opressões ...”. Aqueles evangelistas, vocês sabem, não eram tão modernos quanto somos hoje e ainda acreditavam que demônios eram seres reais. Hoje, depois de Freud e de muitos padres modernistas, sabemos que demônios são, na verdade, amarras e opressões: nada que um pouco de comunismo e psicanálise não cure.
Como fiz em meu último comentário, vou aqui lembrar as palavras de Gabriele Amorth, o exorcista de Roma, em seu livro “Um exorcista conta-nos”:
“O poder do demônio também é manifestamente claro. Jesus chama-lhe ‘príncipe deste mundo’ (Jo 14,40); São Paulo qualifica-o de ‘deus deste mundo’ (2Cor 4.4); São João afirma que ‘todo o mundo está sob o jugo do Maligno’ (1Jo 5,19) entendendo-se por ‘mundo’ tudo aquilo que se opõe a Deus. Satanás era o mais esplendoroso dos anjos; tornou-se o pior dos demônios e seu chefe. Porque também os demônios estão vinculados entre si por uma hierarquia muito estrita e conservam o grau que ocupavam quando eram anjos: principados, tronos, dominações ... É uma hierarquia de escravidão e não de amor como a que existe entre os anjos, cujo chefe é São Miguel.
“A obra de Cristo é muito clara: foi Ele quem destruiu o reino de Satanás e instaurou o reino de Deus. Por isso, os episódios em que Jesus liberta os endemoniados têm uma importância muito especial: quando Pedro evoca, diante de Cornélio, a obra de Cristo, não cita outros milagres, mas apenas o fato de ter curado ‘todos os que estavam sob o poder do diabo’ (At 10,38). Compreendemos agora porque é que o primeiro poder que Jesus dá aos apóstolos é o de expulsar os demônios (Mt 10,1); e a mesma coisa vale para os crentes: ‘Eis os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem: em meu nome expulsarão os demônios ...’ (Mc 16, 17). Assim Jesus salva e restabelece o plano divino, arruinado pela rebelião de uma parte dos anjos e pelo pecado dos nossos pais.”
Esses dois simples parágrafos bem podiam ser o texto catequético do semanário, caso eles realmente acreditassem no demônio. Mas eles não acreditam e esta é a grande vitória do Maligno.
Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV
O Semanário Liturgico-Catequético “O Domingo” continua nos catequizando sobre o demônio num artigo do Pe. Paulo Bazaglia, “Religião ‘Quebra-Galho’”. Diz Pe. Bazaglia: “O mestre bem conhecia a vida do seu povo. Povo doente, dominado por forças maléficas – conhecidas como ‘demônios’, ou seja: todas as amarras e opressões que impediam às pessoas serem elas mesmas.”
Pe. Bazaglia continua a mesma linha de Pe. Lusa (ver Parte XV de meus comentários) tentando nos convencer de que quando os Evangelhos falam do demônio querem dizer “forças maléficas”, ou seja, “todas as amarras e opressões ...”. Aqueles evangelistas, vocês sabem, não eram tão modernos quanto somos hoje e ainda acreditavam que demônios eram seres reais. Hoje, depois de Freud e de muitos padres modernistas, sabemos que demônios são, na verdade, amarras e opressões: nada que um pouco de comunismo e psicanálise não cure.
Como fiz em meu último comentário, vou aqui lembrar as palavras de Gabriele Amorth, o exorcista de Roma, em seu livro “Um exorcista conta-nos”:
“O poder do demônio também é manifestamente claro. Jesus chama-lhe ‘príncipe deste mundo’ (Jo 14,40); São Paulo qualifica-o de ‘deus deste mundo’ (2Cor 4.4); São João afirma que ‘todo o mundo está sob o jugo do Maligno’ (1Jo 5,19) entendendo-se por ‘mundo’ tudo aquilo que se opõe a Deus. Satanás era o mais esplendoroso dos anjos; tornou-se o pior dos demônios e seu chefe. Porque também os demônios estão vinculados entre si por uma hierarquia muito estrita e conservam o grau que ocupavam quando eram anjos: principados, tronos, dominações ... É uma hierarquia de escravidão e não de amor como a que existe entre os anjos, cujo chefe é São Miguel.
“A obra de Cristo é muito clara: foi Ele quem destruiu o reino de Satanás e instaurou o reino de Deus. Por isso, os episódios em que Jesus liberta os endemoniados têm uma importância muito especial: quando Pedro evoca, diante de Cornélio, a obra de Cristo, não cita outros milagres, mas apenas o fato de ter curado ‘todos os que estavam sob o poder do diabo’ (At 10,38). Compreendemos agora porque é que o primeiro poder que Jesus dá aos apóstolos é o de expulsar os demônios (Mt 10,1); e a mesma coisa vale para os crentes: ‘Eis os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem: em meu nome expulsarão os demônios ...’ (Mc 16, 17). Assim Jesus salva e restabelece o plano divino, arruinado pela rebelião de uma parte dos anjos e pelo pecado dos nossos pais.”
Esses dois simples parágrafos bem podiam ser o texto catequético do semanário, caso eles realmente acreditassem no demônio. Mas eles não acreditam e esta é a grande vitória do Maligno.
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Lições das Missas de Paulo VI
06/02/2009
02/02/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II – Parte XV
O Evangelho deste domingo, 01/02/2009, na Missa de Paulo VI, é Mc. 1, 21-28, que narra a expulsão de um espírito mau por Jesus na cidade de Cafarnaum, num dia de sábado.
Um dos fatos mais incontestáveis do período pós-Vaticano II foi a reinterpretação que se deu da figura de Satanás, ou mesmo a pura descrença em relação ao maligno. O Pe. Grabriele Amorth, exorcista de Roma, responsável por mais de 20.000 exorcismos, em seu livro “Um Exorcista Conta-nos”, diz: “Erram completamente aqueles teólogos modernos que identificam Satanás com a idéia abstrata do mal: isto é heresia autêntica, ou seja, está em aberta oposição à Bíblia, à patrística, ao magistério da Igreja”. Diz ainda mais à frente, no mesmo capítulo: Já os mais antigos Padres da Igreja, como por exemplo, Justino e Irineu expõem com clareza o pensamento cristão sobre o demônio e sobre o poder de expulsar, sendo seguidos por outros padres, entre os quais Tertuliano e Orígenes. Basta citar estes quatro autores para envergonhar tantos teólogos modernos que praticamente não acreditam nos demônios ou não falam absolutamente nada sobre eles.
Um exemplo do que Pe. Amorth diz é o texto “Jesus ensina com autoridade”, de Pe Nilo Luza, no Semanário Litúrgico-Catequético “O Domingo” deste domingo. Note que o texto do Pe. Luza está exatamente na parte catequética do semanário.
Ao longo de todo o texto, o autor se refere ao demônio que Jesus expulsou como “espírito mau”, assim, entre aspas. Diz Pe. Luza: “Os ‘maus espíritos’ ou demônios podem ser símbolo de tudo o que desumaniza as pessoas. Podem ser nossos vícios, podem ser uma instituição ou organização corrupta, poder ser a ganância que nos atiça ao acúmulo e ao consumismo desenfreados ... Enfim, tudo aquilo que prejudica as pessoas, provoca miséria, tira a dignidade do homem e da mulher.” Notem só a abstração do mal de que fala Pe. Amorth. Aqui o demônio não é um ser angélico caído, mas uma organização, um vício específico, “enfim, tudo aquilo que prejudica as pessoas ...”.
Pe. Luza continua sua cantilena herética: “A reação do ‘espírito mau’ pode ser encontrada também hoje quando a Igreja denuncia as injustiças e a corrupção, ouvindo questionamentos como estes: Por que se mete na política e na economia? Por que não fica fechada em sua sacristia? Por que não resolve seus problemas internos?” Estão vendo? Pe. Luza está dizendo que o demônio abstrato está na política e na economia e que é aí que a Igreja deve atuar. Nada de sacristia!
Assim, exorcizar para este padre herege é combater as injustiças sociais e votar no PT. O demônio do evangelho, aquele ser demoníaco que dialoga com Jesus que o expulsa, para o Pe. Luza e seu catecismo é uma organização ou um vício, aquilo que prejudica as pessoas. Enfim, para os padres modernistas é muito antiquado acreditar no ser demoníaco, é coisa da Idade Média que, como todos (os modernistas) sabem, foi uma época retrógrada.
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Um dos fatos mais incontestáveis do período pós-Vaticano II foi a reinterpretação que se deu da figura de Satanás, ou mesmo a pura descrença em relação ao maligno. O Pe. Grabriele Amorth, exorcista de Roma, responsável por mais de 20.000 exorcismos, em seu livro “Um Exorcista Conta-nos”, diz: “Erram completamente aqueles teólogos modernos que identificam Satanás com a idéia abstrata do mal: isto é heresia autêntica, ou seja, está em aberta oposição à Bíblia, à patrística, ao magistério da Igreja”. Diz ainda mais à frente, no mesmo capítulo: Já os mais antigos Padres da Igreja, como por exemplo, Justino e Irineu expõem com clareza o pensamento cristão sobre o demônio e sobre o poder de expulsar, sendo seguidos por outros padres, entre os quais Tertuliano e Orígenes. Basta citar estes quatro autores para envergonhar tantos teólogos modernos que praticamente não acreditam nos demônios ou não falam absolutamente nada sobre eles.
Um exemplo do que Pe. Amorth diz é o texto “Jesus ensina com autoridade”, de Pe Nilo Luza, no Semanário Litúrgico-Catequético “O Domingo” deste domingo. Note que o texto do Pe. Luza está exatamente na parte catequética do semanário.
Ao longo de todo o texto, o autor se refere ao demônio que Jesus expulsou como “espírito mau”, assim, entre aspas. Diz Pe. Luza: “Os ‘maus espíritos’ ou demônios podem ser símbolo de tudo o que desumaniza as pessoas. Podem ser nossos vícios, podem ser uma instituição ou organização corrupta, poder ser a ganância que nos atiça ao acúmulo e ao consumismo desenfreados ... Enfim, tudo aquilo que prejudica as pessoas, provoca miséria, tira a dignidade do homem e da mulher.” Notem só a abstração do mal de que fala Pe. Amorth. Aqui o demônio não é um ser angélico caído, mas uma organização, um vício específico, “enfim, tudo aquilo que prejudica as pessoas ...”.
Pe. Luza continua sua cantilena herética: “A reação do ‘espírito mau’ pode ser encontrada também hoje quando a Igreja denuncia as injustiças e a corrupção, ouvindo questionamentos como estes: Por que se mete na política e na economia? Por que não fica fechada em sua sacristia? Por que não resolve seus problemas internos?” Estão vendo? Pe. Luza está dizendo que o demônio abstrato está na política e na economia e que é aí que a Igreja deve atuar. Nada de sacristia!
Assim, exorcizar para este padre herege é combater as injustiças sociais e votar no PT. O demônio do evangelho, aquele ser demoníaco que dialoga com Jesus que o expulsa, para o Pe. Luza e seu catecismo é uma organização ou um vício, aquilo que prejudica as pessoas. Enfim, para os padres modernistas é muito antiquado acreditar no ser demoníaco, é coisa da Idade Média que, como todos (os modernistas) sabem, foi uma época retrógrada.
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26/01/2009
Blogueiro também tira férias
Tem leitor reclamando, com razão, da falta de posts deste blog. Recomeço hoje as atividades do blog. Vai demorar um pouquinho ainda um novo post, mas desta semana não passa. Sim, a tradução de Hereges vai continuar, até quando Deus quiser.
06/01/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II – Adendo I
Desde que passamos, na Missa nova de Paulo VI,
1. A ter um presidente e não um celebrante; e
2. A celebrar um banquete memorial e não uma Ação Sacrificial,
perdemos totalmente a consciência da eternidade do Sacrifício que Cristo fez por nós. Os católicos não temos a menor idéia de que o Sacrifício incruento que celebramos em todas as Missas é simultâneo, para quem o vê da eternidade, ao Sacrifício cruento que Cristo fez por nós lá no Calvário. O sentido de eternidade como simultaneidade de todos os momentos se perdeu! Daí, a idéia sacrílega de memorial, de lembrança apenas. Essa é uma idéia protestante que a Missa nova incorporou.
Com essa catolicidade decaída, prostituída, vilipendiada, lemos com espantosa tranqüilidade a seguinte notícia (Estado de Minas, Caderno de Esporte, 06/01/2009)[são meus os negritos]:
“O padre Gilson celebrou ontem à noite a missa em ação de graças pelos 88 anos do Cruzeiro, completados na sexta-feira. O presidente Zezé Perrella e o técnico Adílson Batista prestigiaram a cerimônia na sede do clube, na Rua Guajajaras, no Barro Preto.”
Então, como tudo não passou de um banquete de lembrança de algo que ocorreu há milênios, a festança foi prestigiada pelo presidente e o técnico do Cruzeiro. Quem estava (e está) morrendo na Cruz, no madeiro, teve o privilégio de ver, lá embaixo, as duas famosas figuras.
Agnus Dei, qui tollis pecáta mundi: miserére nobis!
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1. A ter um presidente e não um celebrante; e
2. A celebrar um banquete memorial e não uma Ação Sacrificial,
perdemos totalmente a consciência da eternidade do Sacrifício que Cristo fez por nós. Os católicos não temos a menor idéia de que o Sacrifício incruento que celebramos em todas as Missas é simultâneo, para quem o vê da eternidade, ao Sacrifício cruento que Cristo fez por nós lá no Calvário. O sentido de eternidade como simultaneidade de todos os momentos se perdeu! Daí, a idéia sacrílega de memorial, de lembrança apenas. Essa é uma idéia protestante que a Missa nova incorporou.
Com essa catolicidade decaída, prostituída, vilipendiada, lemos com espantosa tranqüilidade a seguinte notícia (Estado de Minas, Caderno de Esporte, 06/01/2009)[são meus os negritos]:
“O padre Gilson celebrou ontem à noite a missa em ação de graças pelos 88 anos do Cruzeiro, completados na sexta-feira. O presidente Zezé Perrella e o técnico Adílson Batista prestigiaram a cerimônia na sede do clube, na Rua Guajajaras, no Barro Preto.”
Então, como tudo não passou de um banquete de lembrança de algo que ocorreu há milênios, a festança foi prestigiada pelo presidente e o técnico do Cruzeiro. Quem estava (e está) morrendo na Cruz, no madeiro, teve o privilégio de ver, lá embaixo, as duas famosas figuras.
Agnus Dei, qui tollis pecáta mundi: miserére nobis!
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04/01/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II – Parte XIV
O Evangelho deste domingo, 04/01/2009, na Missa de Paulo VI (e também na Missa de sempre), é Mt. 2, 1-12, a história dos Três Reis Magos.
É uma história belíssima e que só aparece no Evangelho segundo Mateus. Nada de mais, pois os evangelistas escreveram seus textos tendo em vista propósitos específicos de quem procuravam evangelizar. E, lembremos, que só uma pequena parte das coisas de Jesus foi contada pelos quatro evangelistas: “Há ainda muitas outras coisas feitas por Jesus, as quais, se se quisesse escrever uma a uma, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seria preciso escrever” (Jo. 21, 25).
Pe. José Bortolini nos brinda com um artigo ao final do folheto “O Domingo” intitulado “A importância de seguir uma estrela”. O entendimento do padre sobre o episódio evangélico é verdadeiramente espantoso.
Ele diz: “Daí, no evangelho, a preocupação dos astrólogos – erroneamente chamados de magos ...”. A Escritura Sagrada é a palavra de Deus e ela não pode estar errada. Bem, esse é o princípio básico de qualquer exegese católica, ou, pelo menos, devia ser. “Entre os gregos dava-se o nome de magos aos sacerdotes e sábios persas, medos e babilônios que se dedicavam ao estudo das coisas divinas e naturais, especialmente à ciência dos astros”, nos diz o Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Novo Testamento, Edições Paulinas, 1967). Assim, os magos eram provavelmente astrólogos (e astrônomos), mas não há erro em Mateus.
Prossegue o Pe. Bortolini: “Verdade ou lenda, o episódio dos ‘reis magos’ tem uma mensagem tão clara ...”. Como assim, padre? Verdade ou lenda? O senhor duvida que a estrela realmente existiu? Dos reis ou astrólogos o senhor parece não duvidar. Se for lenda o que são Mateus nos conta neste ponto do Evangelho, o que mais é lenda aí? O senhor duvida de que Deus poderia enviar um sinal sensível para indicar o lugar em que seu Filho teria nascido?
Santo Agostinho nos diz, em duas passagens, palavras sábias.
“Jesus não se manifestou nem aos sábios nem aos justos, mas prevaleceu a ignorância na rusticidade dos pastores e a impiedade nos magos sacrílegos da Caldéia. A uns e a outros se oferece aquela pedra angular, porque se escolheu a ignorância para confundir os sábios e não chamar os justos, mas os pecadores, para que nenhum poderoso se ensoberbecesse e nenhum débil se desesperasse” (Segundo Sermão sobre a Epifania).
“Aos pastores o nascimento de Cristo é anunciado pelos anjos, aos magos, por uma estrela. O Céu, com sua linguagem, anuncia a uns e a outros, porque a voz dos profetas havia se extinguido. Os anjos habitam os céus e embelezam os astros; os céus cantam, pois, a uns e a outros as glórias do Senhor” (Sermões, 240,1).
Então, Pe. Bortolini, aprenda com Santo Agostinho: sinais sensíveis aos ímpios, anjos aos ignorantes. Nada aos sábios e justos.
Mas, sobre a estrela de Belém, há ainda outro comentário a fazer. Quem não acredita na estrela de Belém não deve acreditar também na “dança do Sol”, milagre anunciado com muita antecedência e realizado por Nossa Senhora em Fátima. Este foi presenciado por milhares (sim, milhares) de pessoas, separadas por muitos quilômetros de distância. Deu em jornais e foi comentado por centenas de “sábios” modernos. Como o Sol é também uma estrela, como ficamos Pe. Bertolini?
Sobre o título de rei dado aos magos, o padre comenta: “A monarquia era extremamente importante para o povo de Deus e o era, também para as comunidades de Mateus (...) O monarca concentrava as expectativas e as esperanças do povo – aquilo que hoje chamamos de cidadania.” Temos aqui uma original definição de cidadania e de como exercê-la. A cidadania é o conjunto de expectativas e esperanças de um povo, ou seja, o conjunto de desejos. Sob o ponto de vista jurídico o padre está falando que desejo é direito. Para sermos cidadãos devemos transformar nossos desejos em direitos. Mãos a obra, gente! Os gaysistas agradecem enternecidos.
O Pe. Bortolini nos brinda ainda com esta: “Um dado interessante salta aos olhos ao lermos atentamente este episódio: a estrela desaparece quando os magos chegam a Jerusalém, ...”. É mesmo, padre? De onde o senhor tirou isso? Não do evangelho, é claro. E, padre, o senhor acredita que isso passou despercebido por todos os grandes Padres da Igreja? A Catena Aurea não comenta nada parecido com essa “descoberta” do senhor. Parabéns!
Há ainda outro artigo no folheto, sobre a Campanha da Fraternidade. Sobre isso comentarei em outra oportunidade.
Que Deus nos mantenham católicos, apesar dos padres modernistas!
Para ver outros comentários, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII
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É uma história belíssima e que só aparece no Evangelho segundo Mateus. Nada de mais, pois os evangelistas escreveram seus textos tendo em vista propósitos específicos de quem procuravam evangelizar. E, lembremos, que só uma pequena parte das coisas de Jesus foi contada pelos quatro evangelistas: “Há ainda muitas outras coisas feitas por Jesus, as quais, se se quisesse escrever uma a uma, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seria preciso escrever” (Jo. 21, 25).
Pe. José Bortolini nos brinda com um artigo ao final do folheto “O Domingo” intitulado “A importância de seguir uma estrela”. O entendimento do padre sobre o episódio evangélico é verdadeiramente espantoso.
Ele diz: “Daí, no evangelho, a preocupação dos astrólogos – erroneamente chamados de magos ...”. A Escritura Sagrada é a palavra de Deus e ela não pode estar errada. Bem, esse é o princípio básico de qualquer exegese católica, ou, pelo menos, devia ser. “Entre os gregos dava-se o nome de magos aos sacerdotes e sábios persas, medos e babilônios que se dedicavam ao estudo das coisas divinas e naturais, especialmente à ciência dos astros”, nos diz o Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Novo Testamento, Edições Paulinas, 1967). Assim, os magos eram provavelmente astrólogos (e astrônomos), mas não há erro em Mateus.
Prossegue o Pe. Bortolini: “Verdade ou lenda, o episódio dos ‘reis magos’ tem uma mensagem tão clara ...”. Como assim, padre? Verdade ou lenda? O senhor duvida que a estrela realmente existiu? Dos reis ou astrólogos o senhor parece não duvidar. Se for lenda o que são Mateus nos conta neste ponto do Evangelho, o que mais é lenda aí? O senhor duvida de que Deus poderia enviar um sinal sensível para indicar o lugar em que seu Filho teria nascido?
Santo Agostinho nos diz, em duas passagens, palavras sábias.
“Jesus não se manifestou nem aos sábios nem aos justos, mas prevaleceu a ignorância na rusticidade dos pastores e a impiedade nos magos sacrílegos da Caldéia. A uns e a outros se oferece aquela pedra angular, porque se escolheu a ignorância para confundir os sábios e não chamar os justos, mas os pecadores, para que nenhum poderoso se ensoberbecesse e nenhum débil se desesperasse” (Segundo Sermão sobre a Epifania).
“Aos pastores o nascimento de Cristo é anunciado pelos anjos, aos magos, por uma estrela. O Céu, com sua linguagem, anuncia a uns e a outros, porque a voz dos profetas havia se extinguido. Os anjos habitam os céus e embelezam os astros; os céus cantam, pois, a uns e a outros as glórias do Senhor” (Sermões, 240,1).
Então, Pe. Bortolini, aprenda com Santo Agostinho: sinais sensíveis aos ímpios, anjos aos ignorantes. Nada aos sábios e justos.
Mas, sobre a estrela de Belém, há ainda outro comentário a fazer. Quem não acredita na estrela de Belém não deve acreditar também na “dança do Sol”, milagre anunciado com muita antecedência e realizado por Nossa Senhora em Fátima. Este foi presenciado por milhares (sim, milhares) de pessoas, separadas por muitos quilômetros de distância. Deu em jornais e foi comentado por centenas de “sábios” modernos. Como o Sol é também uma estrela, como ficamos Pe. Bertolini?
Sobre o título de rei dado aos magos, o padre comenta: “A monarquia era extremamente importante para o povo de Deus e o era, também para as comunidades de Mateus (...) O monarca concentrava as expectativas e as esperanças do povo – aquilo que hoje chamamos de cidadania.” Temos aqui uma original definição de cidadania e de como exercê-la. A cidadania é o conjunto de expectativas e esperanças de um povo, ou seja, o conjunto de desejos. Sob o ponto de vista jurídico o padre está falando que desejo é direito. Para sermos cidadãos devemos transformar nossos desejos em direitos. Mãos a obra, gente! Os gaysistas agradecem enternecidos.
O Pe. Bortolini nos brinda ainda com esta: “Um dado interessante salta aos olhos ao lermos atentamente este episódio: a estrela desaparece quando os magos chegam a Jerusalém, ...”. É mesmo, padre? De onde o senhor tirou isso? Não do evangelho, é claro. E, padre, o senhor acredita que isso passou despercebido por todos os grandes Padres da Igreja? A Catena Aurea não comenta nada parecido com essa “descoberta” do senhor. Parabéns!
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Lições das Missas de Paulo VI
30/12/2008
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II – Parte XIII
O Evangelho deste domingo, 28/12/2008, na Missa de Paulo VI, é Lc. 2, 22-40, o quarto dos Mistérios Gozosos. É o Evangelho do Nunc dimittis: “Agora, Senhor, despedi em paz o vosso servo, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a salvação que nos destes. Que preparastes, diante de todos os povos. Luz para esclarecer as nações, e para a glória de Israel, vosso povo”. Isso é o que diz Simeão ao ver o Messias. Diz ainda a Maria: “Eis que Ele é destinado a ser ocasião de queda e de ressurgimento para muitos em Israel e para ser sinal de contradição, e tu mesma terás a alma transpassada por uma espada, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos corações”.
Acaso Simeão diz que Ele será motivo de paz para todos? Acaso diz que Ele trará o fim da pobreza para todos, o fim dos poderosos que exploram os fracos, o estabelecimento do Reino de Deus aqui na terra?
Pois é esse o entendimento de Pe. Paulo Bazaglia, no seu texto “Olhos para ver a salvação de Deus”, no folheto "O Domingo". Diz o padre: “Mas aqueles olhos de Simeão e Ana [a profetisa] ansiaram por algo bem mais profundo: a libertação concreta para todo o povo de Deus. Libertação que Jesus veio realizar, sendo ‘sinal de contradição’ ao elevar os pobres e abaixar os poderosos. Libertação da miséria, que faz as pessoas morrerem de fome, libertação de preconceitos e mentalidades que impedem às pessoas ser elas mesmas.”
Viram o que o padre considera mais profundo: libertação da miséria, dos preconceitos. O legal para o padre é a gente ser a gente mesmo! Para esse padre modernista, nossa Redenção é algo menor frente a libertação da miséria e dos preconceitos, coisa que aliás Jesus não veio trazer; “pobres sempre os terão entre vós”. Os fariseus também achavam mais profundo curar doentes do que perdoar os pecados (Lc. 5, 17-26). Ou seja, colocavam as coisas sensíveis acima das sobrenaturais. Esse é o estilo de quem nunca teve ou já perdeu a fé.
E o que é a libertação dos preconceitos de que fala o Pe. Bazaglia? É achar tudo legal, tudo aceitável, tudo um barato? É considerar toda religião válida; aquela história de que todas salvam? Raça de víboras! Jesus é sinal de contradição justamente por isso: Ele nos ensina a ser preconceituosos contra vocês, contra o mal. Essa é a divisão do mundo: os bons de um lado e os maus de outro, as ovelhas de um lado e os cabritos de outro. De que lado o senhor está, padre?
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Acaso Simeão diz que Ele será motivo de paz para todos? Acaso diz que Ele trará o fim da pobreza para todos, o fim dos poderosos que exploram os fracos, o estabelecimento do Reino de Deus aqui na terra?
Pois é esse o entendimento de Pe. Paulo Bazaglia, no seu texto “Olhos para ver a salvação de Deus”, no folheto "O Domingo". Diz o padre: “Mas aqueles olhos de Simeão e Ana [a profetisa] ansiaram por algo bem mais profundo: a libertação concreta para todo o povo de Deus. Libertação que Jesus veio realizar, sendo ‘sinal de contradição’ ao elevar os pobres e abaixar os poderosos. Libertação da miséria, que faz as pessoas morrerem de fome, libertação de preconceitos e mentalidades que impedem às pessoas ser elas mesmas.”
Viram o que o padre considera mais profundo: libertação da miséria, dos preconceitos. O legal para o padre é a gente ser a gente mesmo! Para esse padre modernista, nossa Redenção é algo menor frente a libertação da miséria e dos preconceitos, coisa que aliás Jesus não veio trazer; “pobres sempre os terão entre vós”. Os fariseus também achavam mais profundo curar doentes do que perdoar os pecados (Lc. 5, 17-26). Ou seja, colocavam as coisas sensíveis acima das sobrenaturais. Esse é o estilo de quem nunca teve ou já perdeu a fé.
E o que é a libertação dos preconceitos de que fala o Pe. Bazaglia? É achar tudo legal, tudo aceitável, tudo um barato? É considerar toda religião válida; aquela história de que todas salvam? Raça de víboras! Jesus é sinal de contradição justamente por isso: Ele nos ensina a ser preconceituosos contra vocês, contra o mal. Essa é a divisão do mundo: os bons de um lado e os maus de outro, as ovelhas de um lado e os cabritos de outro. De que lado o senhor está, padre?
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21/12/2008
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II – Parte XII
O Evangelho deste domingo, 21/12/2008, na Missa de Paulo VI é Lc. 1, 26-38, a Anunciação. “O anjo entrou onde ela estava e disse: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo’. Maria ficou perturbada com essas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.”
Pe. Nilo Luza, em seu artigo ao final do folheto, diz: “Ela é convidada a colaborar com Deus na geração de um filho. Obediente e atenta aos projetos de Deus, embora inicialmente relutasse um pouco, aceita a proposta do anjo.”
O que chama a atenção é o entendimento de pe. Luza sobre Maria relutar em aceitar a “proposta” de Deus. Será que Maria relutou em aceitar ser mãe do Salvador?
O versículo 29 na Vulgata é “quae cum vidisset turbata est in sermone eius et cogitabat qualis esset ista salutatio”. Assim, o verbo é turbada, do verbo turbar (turvar, perturbar, agitar, revolver). Maria ficou agitada, confusa com as palavras do anjo (sermone eius).
Dois comentários da Catena Áurea nos ajudam a entender a situação.
“Conheceu-se a Virgem por seu pudor, porque se turbou. Agitar-se é próprio das virgens, o sobressaltar-se quando um homem se aproxima e o temer todo contato com homens. Aprendam, todas as virgens, a evitar toda licenciosidade de palavras. Maria se perturbava até com a saudação do anjo”. (Santo Ambrósio)
“Como ela estava acostumada àquele tipo de aparições, o evangelista não atribui a turbação ao que ela vê, mas ao que ouve, dizendo: ‘Se turbou com as palavras do anjo.’ O evangelista considerava o pudor e a prudência da Virgem, ao mesmo tempo que a voz do anjo. Ouvida a alegra notícia, ela examina o que se havia dito e não resiste abertamente por incredulidade, nem se submete apressadamente, evitando a pressa de Eva e a resistência de Zacarias. Por isso continua: ‘E pensava que saudação seria esta’, não sobre a concepção. Pois ignorava a profundidade do mistério. Mas será a saudação libidinosa, como a que um homem dirige a uma virgem? É Divino, pois se faz menção a Deus, dizendo: ‘O Senhor está contigo’.” (Griego)
Assim, Maria não reluta em aceitar a “proposta” de Deus. Ela “pensava que saudação seria esta”. Ela não pensava “sobre a concepção”. Em toda a Escritura, os homens saúdam os anjos. Agora um anjo veio saudar Maria. Quem, em pleno uso da razão, não se turbaria na situação de Maria? Maria, além do pudor virginal, estava exercitando o “discernimento dos espíritos”. E, claro, quando ela compreendeu a situação, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.”
Para ver outros comentários, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI
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Pe. Nilo Luza, em seu artigo ao final do folheto, diz: “Ela é convidada a colaborar com Deus na geração de um filho. Obediente e atenta aos projetos de Deus, embora inicialmente relutasse um pouco, aceita a proposta do anjo.”
O que chama a atenção é o entendimento de pe. Luza sobre Maria relutar em aceitar a “proposta” de Deus. Será que Maria relutou em aceitar ser mãe do Salvador?
O versículo 29 na Vulgata é “quae cum vidisset turbata est in sermone eius et cogitabat qualis esset ista salutatio”. Assim, o verbo é turbada, do verbo turbar (turvar, perturbar, agitar, revolver). Maria ficou agitada, confusa com as palavras do anjo (sermone eius).
Dois comentários da Catena Áurea nos ajudam a entender a situação.
“Conheceu-se a Virgem por seu pudor, porque se turbou. Agitar-se é próprio das virgens, o sobressaltar-se quando um homem se aproxima e o temer todo contato com homens. Aprendam, todas as virgens, a evitar toda licenciosidade de palavras. Maria se perturbava até com a saudação do anjo”. (Santo Ambrósio)
“Como ela estava acostumada àquele tipo de aparições, o evangelista não atribui a turbação ao que ela vê, mas ao que ouve, dizendo: ‘Se turbou com as palavras do anjo.’ O evangelista considerava o pudor e a prudência da Virgem, ao mesmo tempo que a voz do anjo. Ouvida a alegra notícia, ela examina o que se havia dito e não resiste abertamente por incredulidade, nem se submete apressadamente, evitando a pressa de Eva e a resistência de Zacarias. Por isso continua: ‘E pensava que saudação seria esta’, não sobre a concepção. Pois ignorava a profundidade do mistério. Mas será a saudação libidinosa, como a que um homem dirige a uma virgem? É Divino, pois se faz menção a Deus, dizendo: ‘O Senhor está contigo’.” (Griego)
Assim, Maria não reluta em aceitar a “proposta” de Deus. Ela “pensava que saudação seria esta”. Ela não pensava “sobre a concepção”. Em toda a Escritura, os homens saúdam os anjos. Agora um anjo veio saudar Maria. Quem, em pleno uso da razão, não se turbaria na situação de Maria? Maria, além do pudor virginal, estava exercitando o “discernimento dos espíritos”. E, claro, quando ela compreendeu a situação, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.”
Para ver outros comentários, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI
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17/12/2008
Capítulo III – Sobre o Sr. Rudyard Kipling e Fazendo o Mundo Pequeno: Parte I
Gilbert Keith Chesterton
Não há assunto desinteressante sobre a terra; a única coisa que existe são pessoas desinteressadas. Nada há tão necessário quanto uma defesa dos entediantes. Quando Byron dividiu a humanidade em entediantes e entediados,[1] ele deixou de notar que as mais altas qualidades pertencem aos entediantes e as mais baixas, aos entediados, dentre os quais ele se encontrava. O entediante, por seu brilhante entusiasmo, por sua solene felicidade, pode, de alguma forma, ter se tornado poético. O entediado provou-se certamente prosaico.
Podemos, sem dúvida, considerar inoportuno contar todas as folhas da grama ou das árvores; mas isso não seria por causa de nossa ousadia ou alegria, mas por causa de nossa falta de ousadia ou alegria. O entediante seguiria em frente, ousado e alegre, e consideraria as folhas da grama tão esplêndidas quanto espadas de um exército. O entediante é mais forte e mais contente do que nós; é um semideus – não, ele é um deus. Pois, são os deuses que não se cansam da iteração das coisas; para eles, o entardecer é sempre novo, e a última rosa é tão vermelha quanto a primeira.
O sentimento de que tudo é poético é uma coisa sólida e absoluta; não é uma mera questão de fraseologia ou persuasão. Não é meramente verdade, é averiguável. Os homens podem ser desafiados a negá-lo; os homens podem ser desafiados a mencionar qualquer coisa que não seja poética. Lembro-me que, há muito tempo, um sensível subeditor se aproximou de mim com um livro nas mãos intitulado “Sr. Smith” ou “A família Smith”, ou algo parecido. Ele disse, “Bem, tu não conseguirás tirar, deste livro, nada do teu miserável misticismo,” ou palavras semelhantes. Fico contente em dizer que o decepcionei; mas a vitória foi tão óbvia e fácil! Na maioria dos casos, o nome não é poético, mas o fato é. No caso de Smith, o nome é tão poético que deve ser árdua e heróica a tarefa de suportá-lo. O nome de Smith é o nome de uma profissão[2] que mesmo os reis respeitavam, nome que pode cobrar a metade da glória daquela arma virumque que todos os épicos aclamaram. O espírito do ferreiro [smithy] é tão próximo do espírito da canção que eles se misturam em milhões de poemas, e cada ferreiro é um harmonioso ferreiro.
Mesmo a criança do vilarejo sente que, de algum modo obscuro, o ferreiro é poético – da mesma forma que não o são o dono da mercearia e o sapateiro – quando ele dança em meio a fagulhas e ensurdecedoras marteladas na caverna daquela violência criativa. O repouso bruto da Natureza, o perspicácia apaixonada do homem, o mais resistente dos metais da terra, o mais estranho dos elementos da terra, o inconquistável ferro subjugado pelo seu único conquistador, a roda e o arado, a espada e o martelo, a ordenação dos exércitos e todas as histórias das armas, todas essas coisas estão escritas – brevemente, é verdade, mas bem legíveis – no cartão de visitas do Sr. Smith. Mesmo assim, nossos romancistas chamam seus heróis de “Aylmer Valence,” que não significa nada, ou ainda “Vernon Raymond,” que também não significa nada, quando está em seu poder dar a eles esse sagrado nome de Smith – este nome feito de ferro e chama. Seria natural que certa arrogância, certo maneio de cabeça, certo gesto nos lábios, distinguissem cada um dos que tem o nome de Smith. Talvez seja assim; eu acredito. Mas dentre os novos-ricos não estão os Smiths. Desde o mais obscuro alvorecer da história, esse clã se lançou na batalha; seus troféus estão em cada mão; seu nome está em todo o lugar; é mais antigo que as nações e seu signo é o Martelo de Thor. Mas, como também observei, esse não é o caso usual. É bastante comum que coisas comuns sejam poéticas; não é tão comum que nomes comuns sejam poéticos. Na maioria dos casos, é o nome que é o obstáculo. Um grande número de pessoas fala como se essa nossa alegação, que todas as coisas são poéticas, fosse uma mera criatividade literária, um jogo de palavras. Precisamente o contrário é verdade. É a idéia de que algumas coisas não são poéticas que é literária, que é um mero produto das palavras. A palavra “signal-box” [cabine de comando de sinal[3]] não é poética. Mas a coisa cabine de comando de sinal é poética; é um local onde homens, numa agonia de vigilância, acendem luzes vermelho-sangue e verde-marinho a fim de evitar a morte de outros homens. Essa é a descrição simples e genuína do que ela é; a prosa aparece apenas na descrição da coisa. A palavra “pillar-box” não é poética. Mas a coisa pillar-box o é; ela é o lugar a que amigos e amantes confiam suas mensagens, conscientes de que quando assim o fizerem, elas serão sagradas, e não poderão ser tocadas, não somente por outros, mas nem mesmo (toque religioso!) por eles mesmos. Aquela torre vermelha [lugar das cabines de comando ao longo da ferrovia] é um dos últimos templos. Postar uma carta ou se casar estão dentre as poucas coisas inteiramente românticas; pois para ser inteiramente romântica, uma coisa dever ser irrevogável. Pensamos que pillar-box é prosaica, porque não há rima para ela. Pensamos que pillar-box não é poética, porque nunca a vimos num poema. Mas o fato ousado está inteiramente do lado da poesia.
Uma signal-box é chamada apenas uma signal-box; ela é a casa da vida e da morte. Uma pillar-box é chamada apenas uma pillar-box; ela é um santuário das palavras humanas. Se você acha o nome “Smith” prosaico não é porque você seja prático e sensível; é porque você é excessivamente afetado por refinamentos literários. O nome grita poesia a você. Se você acha o contrário, é porque você está impregnado, encharcado, com reminiscências verbais, porque você lembra tudo de Punch[4] (e suas tirinhas cômicas) sobre o Sr. Smith estar bêbado ou intimidado. Todas essas coisas lhe foram apresentadas poéticas. Foi somente por um longo e elaborado processo de esforço literário que você as fez prosaicas.
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[1] “Society is now one polish'd horde, / Form'd of two mighty tribes, the Bores and Bored.” Don Juan, Canto XIII, estrofe 95. (N. do T.)
[2] Ferreiro, forjador. (N. do T.)
[3] Para controle de tráfego ferroviário. (N. do T.)
[4] Revista britânica de humor e sátira publicada de 1841 a 1992. (N. do T.)
Ver também Hereges de G.K. Chesterton e Hereges - Capítulo I. Observações Iniciais sobre a Ortodoxia: Parte I, Hereges - Capítulo I. Observações Iniciais sobre a Ortodoxia: Parte II, Capítulo I. Observações Iniciais sobre a Ortodoxia: Final, Hereges - Capítulo II – Sobre o espírito negativista: Parte I, Hereges - Capítulo II – Sobre o espírito negativista: Final
Não há assunto desinteressante sobre a terra; a única coisa que existe são pessoas desinteressadas. Nada há tão necessário quanto uma defesa dos entediantes. Quando Byron dividiu a humanidade em entediantes e entediados,[1] ele deixou de notar que as mais altas qualidades pertencem aos entediantes e as mais baixas, aos entediados, dentre os quais ele se encontrava. O entediante, por seu brilhante entusiasmo, por sua solene felicidade, pode, de alguma forma, ter se tornado poético. O entediado provou-se certamente prosaico.
Podemos, sem dúvida, considerar inoportuno contar todas as folhas da grama ou das árvores; mas isso não seria por causa de nossa ousadia ou alegria, mas por causa de nossa falta de ousadia ou alegria. O entediante seguiria em frente, ousado e alegre, e consideraria as folhas da grama tão esplêndidas quanto espadas de um exército. O entediante é mais forte e mais contente do que nós; é um semideus – não, ele é um deus. Pois, são os deuses que não se cansam da iteração das coisas; para eles, o entardecer é sempre novo, e a última rosa é tão vermelha quanto a primeira.
O sentimento de que tudo é poético é uma coisa sólida e absoluta; não é uma mera questão de fraseologia ou persuasão. Não é meramente verdade, é averiguável. Os homens podem ser desafiados a negá-lo; os homens podem ser desafiados a mencionar qualquer coisa que não seja poética. Lembro-me que, há muito tempo, um sensível subeditor se aproximou de mim com um livro nas mãos intitulado “Sr. Smith” ou “A família Smith”, ou algo parecido. Ele disse, “Bem, tu não conseguirás tirar, deste livro, nada do teu miserável misticismo,” ou palavras semelhantes. Fico contente em dizer que o decepcionei; mas a vitória foi tão óbvia e fácil! Na maioria dos casos, o nome não é poético, mas o fato é. No caso de Smith, o nome é tão poético que deve ser árdua e heróica a tarefa de suportá-lo. O nome de Smith é o nome de uma profissão[2] que mesmo os reis respeitavam, nome que pode cobrar a metade da glória daquela arma virumque que todos os épicos aclamaram. O espírito do ferreiro [smithy] é tão próximo do espírito da canção que eles se misturam em milhões de poemas, e cada ferreiro é um harmonioso ferreiro.
Mesmo a criança do vilarejo sente que, de algum modo obscuro, o ferreiro é poético – da mesma forma que não o são o dono da mercearia e o sapateiro – quando ele dança em meio a fagulhas e ensurdecedoras marteladas na caverna daquela violência criativa. O repouso bruto da Natureza, o perspicácia apaixonada do homem, o mais resistente dos metais da terra, o mais estranho dos elementos da terra, o inconquistável ferro subjugado pelo seu único conquistador, a roda e o arado, a espada e o martelo, a ordenação dos exércitos e todas as histórias das armas, todas essas coisas estão escritas – brevemente, é verdade, mas bem legíveis – no cartão de visitas do Sr. Smith. Mesmo assim, nossos romancistas chamam seus heróis de “Aylmer Valence,” que não significa nada, ou ainda “Vernon Raymond,” que também não significa nada, quando está em seu poder dar a eles esse sagrado nome de Smith – este nome feito de ferro e chama. Seria natural que certa arrogância, certo maneio de cabeça, certo gesto nos lábios, distinguissem cada um dos que tem o nome de Smith. Talvez seja assim; eu acredito. Mas dentre os novos-ricos não estão os Smiths. Desde o mais obscuro alvorecer da história, esse clã se lançou na batalha; seus troféus estão em cada mão; seu nome está em todo o lugar; é mais antigo que as nações e seu signo é o Martelo de Thor. Mas, como também observei, esse não é o caso usual. É bastante comum que coisas comuns sejam poéticas; não é tão comum que nomes comuns sejam poéticos. Na maioria dos casos, é o nome que é o obstáculo. Um grande número de pessoas fala como se essa nossa alegação, que todas as coisas são poéticas, fosse uma mera criatividade literária, um jogo de palavras. Precisamente o contrário é verdade. É a idéia de que algumas coisas não são poéticas que é literária, que é um mero produto das palavras. A palavra “signal-box” [cabine de comando de sinal[3]] não é poética. Mas a coisa cabine de comando de sinal é poética; é um local onde homens, numa agonia de vigilância, acendem luzes vermelho-sangue e verde-marinho a fim de evitar a morte de outros homens. Essa é a descrição simples e genuína do que ela é; a prosa aparece apenas na descrição da coisa. A palavra “pillar-box” não é poética. Mas a coisa pillar-box o é; ela é o lugar a que amigos e amantes confiam suas mensagens, conscientes de que quando assim o fizerem, elas serão sagradas, e não poderão ser tocadas, não somente por outros, mas nem mesmo (toque religioso!) por eles mesmos. Aquela torre vermelha [lugar das cabines de comando ao longo da ferrovia] é um dos últimos templos. Postar uma carta ou se casar estão dentre as poucas coisas inteiramente românticas; pois para ser inteiramente romântica, uma coisa dever ser irrevogável. Pensamos que pillar-box é prosaica, porque não há rima para ela. Pensamos que pillar-box não é poética, porque nunca a vimos num poema. Mas o fato ousado está inteiramente do lado da poesia.
Uma signal-box é chamada apenas uma signal-box; ela é a casa da vida e da morte. Uma pillar-box é chamada apenas uma pillar-box; ela é um santuário das palavras humanas. Se você acha o nome “Smith” prosaico não é porque você seja prático e sensível; é porque você é excessivamente afetado por refinamentos literários. O nome grita poesia a você. Se você acha o contrário, é porque você está impregnado, encharcado, com reminiscências verbais, porque você lembra tudo de Punch[4] (e suas tirinhas cômicas) sobre o Sr. Smith estar bêbado ou intimidado. Todas essas coisas lhe foram apresentadas poéticas. Foi somente por um longo e elaborado processo de esforço literário que você as fez prosaicas.
___________________________________________________________________
[1] “Society is now one polish'd horde, / Form'd of two mighty tribes, the Bores and Bored.” Don Juan, Canto XIII, estrofe 95. (N. do T.)
[2] Ferreiro, forjador. (N. do T.)
[3] Para controle de tráfego ferroviário. (N. do T.)
[4] Revista britânica de humor e sátira publicada de 1841 a 1992. (N. do T.)
Ver também Hereges de G.K. Chesterton e Hereges - Capítulo I. Observações Iniciais sobre a Ortodoxia: Parte I, Hereges - Capítulo I. Observações Iniciais sobre a Ortodoxia: Parte II, Capítulo I. Observações Iniciais sobre a Ortodoxia: Final, Hereges - Capítulo II – Sobre o espírito negativista: Parte I, Hereges - Capítulo II – Sobre o espírito negativista: Final
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