sábado, janeiro 15, 2011

Lições das Missas de Paulo VI: o livro

Caros leitores,

Acabo de publicar, via Clube de Autores, o livro que compila meus comentários sobre a Missa Nova, sobretudo a respeito do folheto O DOMINGO - Semanário Litúrgico-Catequético. Além de meus comentários, adicionei também alguns anexos sobre assuntos relacionados com a Igreja pós-conciliar. Espero que vocês gostem do livro. Abaixo transcrevo a introdução do mesmo. Para adquirir o livro clique aqui.



Introdução


Nas páginas seguintes, o leitor encontrará comentários de um leigo católico que, depois de muitos anos de apostasia, volta, pela graça de Deus, ao seio da Igreja Católica e a encontra numa crise gravíssima. Tendo lido alguns dos principais depoimentos sobre a crise, quis dar seu próprio.

Passei algum tempo atordoado, assistindo às missas modernas sem saber o que pensar, ou mesmo sem pensar nada. Comecei a assistir à Missa Tridentina, quando era celebrada em minha cidade, o que era um alívio, um bálsamo, para minha alma. Mas também assistia à Missa Nova.

Fazia uma verdadeira peregrinação pelas Igrejas, para encontrar a missa menos barulhenta, o padre menos artista, mais piedoso, aquele que conhecia minimamente a doutrina católica. Era difícil, mas, com o tempo, fui selecionando algumas igrejas e alguns padres que me eram menos escandalosos.

Notei, nesse meu peregrinar pelas igrejas, que o folheto distribuído aos fiéis era, na maioria dos casos, “O DOMINGO: Semanário Litúrgico-Catequético”, jornal (pois tem até um jornalista responsável) editado pela Pia Sociedade de São Paulo e cujo redator é o Pe. Nilo Luza. Esse folheto contém a parte litúrgica e também, na última página, dois artigos. Um deles é, digamos, catequético. Procura comentar o Evangelho ou uma das leituras. O outro é mais noticioso, procurando atualizar os fiéis sobre acontecimentos eclesiais julgados importantes.

O artigo catequético, foco principal dos comentários que faço neste livro, é escandalosamente modernista, beirando a heresia. É possível notar que o folheto é muito lido pelos fiéis, principalmente os artigos finais, sobretudo antes que a missa se inicie. Desta forma, passei instintivamente a escrever meus comentários sobre o artigo catequético, com dois objetivos. O primeiro, e mais egoísta (devo confessar prontamente), foi o de me exorcizar daquela fala enganadora, daquela língua de cobra, daquela cantilena da teologia da libertação, daquela melodia demoníaca. O segundo objetivo, mais dentro do espírito católico, foi o de alertar outros católicos; o de dizer que eu era mais um que notava o descompasso daquelas opiniões em relação aos ensinamentos eternos da Igreja.

Pode-se objetar que as opiniões do folheto não são da Igreja; que, apesar dos artigos, em sua maioria, serem escritos por padres, isso não significa que eles encerrem opinião oficial. Essa observação é verdadeiramente razoável. Contudo, algumas coisas devem ser consideradas. A primeira delas é a permissão dada pela diocese, pelo Bispo diocesano, para que o folheto seja distribuído. Como palavra é alimento para alma, os bispos julgam que o folheto é alimento sadio. Há também outro detalhe intrigante: no rodapé da última página do folheto, há uma observação: “Texto litúrgico publicado com a autorização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)”. Como há, no folheto, textos litúrgicos e não-litúrgicos, como interpretar essa observação da CNBB? Que este sindicato de bispos aprova a liturgia e os textos não-litúrgicos ou que aprova apenas os litúrgicos. Na primeira hipótese, a CNBB aprova as opiniões dos artigos. Na segunda, mesmo sem aprovar, ela permite sua distribuição entre os fiéis, descuidando-se do rebanho que foi posto aos seus cuidados. Ambas as situações são graves. Considero, em meus comentários, que a CNBB aprova as opiniões e é, portanto, culpada deles tanto quanto seus autores que, muitas vezes, como disse, são padres.

Pode-se objetar ainda (e alguém já o fez de fato) que o título do livro é indevido. Afinal, os comentários se referem ao folheto que é distribuído na Missa e não à própria Missa, à liturgia em si. Bem, embora haja apenas um comentário predominantemente litúrgico neste livro, o folheto O DOMINGO é um fenômeno inseparável da Missa Nova, da Missa de Paulo VI. É um fenômeno impensável numa Missa Tridentina, pois lex orandi, lex credenti. Assim, os textos escandalosos d’O DOMINGO estão em consonância com a atmosfera protestantizante da Missa de Paulo VI. Eu diria até que são adornos inseparáveis desta liturgia, que trouxe para a Igreja a grande tragédia atual.

Todos os comentários que fiz foram publicados em meu blog (angueth.blogspot.com). Fiz pequenas revisões de texto antes de publicá-los aqui, mas mantive todo o seu tom, que é o de um católico não só perplexo, como indignado. Um católico que, apesar de não ser especialista em estudos litúrgicos, teológicos e canônicos, pôde perceber todo o equívoco, a malícia e o desconhecimento de clérigos que, supostamente, empreenderam todos estes estudos.

Alguém observou que meus comentários tinham similaridades com “O Imbecil Coletivo” de Olavo de Carvalho e que eu devia intitulá-los de O Imbecil Coletivo Católico. A observação talvez proceda, uma vez que, como Olavo, eu tomo como amostra da “intelectualidade” a ser criticada justamente padres que se consideram ilustrados o suficiente para emitirem opinião e tentarem influenciar os fiéis. Este é exatamente o caso dos “intelectuais” que Olavo toma como amostra da doença mental que invadiu o Brasil. Os dois imbecis não estão separados. Eles se comunicam e, às vezes, se sobrepõem. Um exemplo disso é “frei” Beto, que é imbecil nas duas dimensões.

Por falar no “frei”, incluí uma seção de anexos, que consta de artigos que escrevi para o blog, alguns deles dedicados ao “frei”, que não são comentários diretos às missas, mas que descrevem a situação de crise que vive a Igreja. São, por assim dizer, companheiros naturais dos comentários à missa. Inclui também mais alguns textos no Apêndice, inclusive a manifestação de um padre, que saiu desesperadamente em defesa de “frei” Beto.

Espero que este pequeno livro seja de algum proveito aos católicos que, como eu, estejam perplexos com a situação da Igreja. Precisamos, mesmo na perplexidade, da sensação de que não estamos sós, de que não somos apenas nós que percebemos a tragédia. Se há algum mérito neste texto é o de ser absolutamente contemporâneo. Está aqui o ensinamento catequético que resolveram, agora, nos ministrar, em cada missa, em cada texto, em cada artigo opinativo. E este ensinamento não está em continuidade com a Tradição da Igreja.

Belo Horizonte, 15 de janeiro de 2011.
Dia de São Paulo, Eremita








18 comentários:

Wendy disse...

Não entendo muito do catolicismo, mas tenho certeza de que um trabalho dessa natureza é realmente árduo. Meus parabéns!

WRamiro disse...

Caro Antonio Emilio Angueth de Araujo

Ainda não tenho seu livro. Mas com certeza logo o terei.

Ao longo das últimas décadas, tem havido uma discussão que dividiu alguns católicos que desejavam manter uma missa tridentina e outros que aderiram à missa nova.

Uma discussão era sobre usar o latim ou a língua vernácula.

Outra é o padre estar ou não de costas para os fiéis.

Começando pela segunda questão, creio que o padre estar voltado para os fiéis acabou criando a impressão que a missa, assim como espetáculos artísticos, é feito para o público, tirar o foco da missa , sacrifício para Deus, e parecer show para a plateia, me parece ruim.

Agora voltando à primeira questão, sempre me pareceu que quando a Igreja optou no uso do latim em suas celebrações, ela, naquele momento optava pela língua vernácula de então.

Voltar a missa a ser celebrada, com o respeito, a sacralidade que lhe é inerente e na forma adequada talvez não implicasse no uso do latim, nada contra, mas não seria o ponto principal.

Pode ser que me raciocínio esteja incompleto e eu não veja seus erros.

Prof. Francisco Castro disse...

De certo, o jornal dos paulinos predominam em todas as paróquias. Quando não é este é o de Aparecida, O Deus conosco. Mas ele não é obrigatório. O padre pode não incentivar a assinatura e o mesmo não é exigido para missa. E mesmo de onde não poderia se esperar, há a missa no rito novo sim, sem jornal, com incenso, procissão de entrada, e comunhão na boca e de joelhos. E imagine onde? Numa comunidade da RCC em Fortaleza formada por monges e monjas com habito e capa tal e qual na idade Média. Comunidade Hesed. Sem missa de cura, sem cantos na hora da missa, sem palmas...sem falar línguas... e isto numa comunidade da Renovação. A missa é em tudo tão bem celebrada quanto a celebrado papa Bento XVI nas devidas proporções, lógico.. Infelizmente como eles ainda não tem padres o padre foge da sacralidade da missa só na homilia. Mas já é um grande passo. Queria Deus que eles possam espalhar a celebração da missa tal como deveria ser, sem os equivocas e erros da renovação e as distorções dos modernistas, claro.

Diogo Lins disse...

Certamente comprarei teu livro.

É bom sempre explicar que "a grande crise da Igreja" não é só uma questão de idioma ou posição. Oxalá todo o problema da missa Nova fosse só esse! Seria mto mais fácil de se resolver o problema!

Alguns tem a falsa ideia de que a Missa Nova é uma simples tradução da Missa de Sempre, o que é um ledo engado! O Novus Ordo é de fato uma "Nova" liturgia, diferente daquela de sempre, de tantos santos, tantos!

Parabéns pela pesquisa e pelo livro (que mto em breve quero adquirir!)

Anônimo disse...

Infelizmente vivo essa parte:

"Fazia uma verdadeira peregrinação pelas Igrejas, para encontrar a missa menos barulhenta, o padre menos artista, mais piedoso, aquele que conhecia minimamente a doutrina católica. Era difícil, mas, com o tempo, fui selecionando algumas igrejas e alguns padres que me eram menos escandalosos."

Se eu achasse um padre que segue a liturgia nova, já estava bom. Nem selecionar os "melhores" tem como.

Não existe sensação pior que está na missa e olhar em volta, mãos para cima, palmas, músicas românticas e dá aquele lapso que te faz pensar que tá num culto protestante.

Teve uma época que parei de frequentar a missa, pois tudo era péssimo. Mas me sentia mal.

No dia que assistir a missa "de sempre", vou chorar heheheee...

Emociono somente de ver pela net, o respeito, a devoção, piedade e a mística.

Anônimo disse...

Leão XIII vs. FSSPX

Alguns trechos da encíclica Sapientiae christianae, de Leão XIII:

“No pocos, movidos por un engañoso celo o, lo que sería peor, por ocultos fines, se apropian un papel que no les pertenece.
Quisieran que todo en la Iglesia se hiciese según su juicio y capricho, hasta el punto de que todo lo que se hace de otro modo lo llevan a mal o lo reciben con disgusto.

Estos trabajan con vano empeño; pero no por eso son menos dignos de reprensión que los otros. Porque eso no es seguir la legítima autoridad, sino ir delante de ella y alzarse los particulares con los cargos propios de los superiores, con grave trastorno del orden que Dios mandó se guardase perpetuamente en su Iglesia, y que no permite sea violado impunemente por nadie.”

* * *

“Esta disposición y orden son de tanto mayor importancia en el pueblo cristiano, cuanto a más cosas se extiende la prudencia política del Sumo Pontífice, al cual toca no sólo gobernar la Iglesia, sino también enderezar las acciones de todos los cristianos en general, en la mejor forma para conseguir la salvación eterna que esperamos. De donde se ve que, además de guardar una grande conformidad de pareceres y acciones, es necesario ajustarse en el modo de proceder a lo que enseña la sabiduría política de la autoridad eclesiástica.”

* * *

“El Maestro supremo en la Iglesia es el Romano Pontífice. De donde se sigue que la concordia de los ánimos, así como requiere un perfecto consentimiento en una misma fe, así también pide que las voluntades obedezcan y estén enteramente sumisas a la Iglesia y al Romano Pontífice, lo mismo que a Dios.”

* * *

“Tratándose de determinar los límites de la obediencia, nadie crea que se ha de obedecer a la autoridad de los Prelados y principalmente del Romano Pontífice solamente en lo que toca a los dogmas, cuando no se pueden rechazar con pertinacia sin cometer crimen de herejía. Ni tampoco basta admitir con sincera firmeza las enseñanzas que la Iglesia, aunque no estén definidas con solemne declaración, propone con su ordinario y universal magisterio como reveladas por Dios, las cuales manda el Concilio Vaticano que se crean con fe católica y divina, sino además uno de los deberes de los cristianos es dejarse regir y gobernar por la autoridad y dirección de los Obispos y, ante todo, por la Sede Apostólica.”

* * *

“Podrá, ciertamente, suceder que en las costumbres de los Prelados se halle algo menos digno de loa, y en su modo de sentir algo menos digno de aprobación; pero ningún particular puede erigirse en juez, cuando Jesucristo Nuestro Señor confió ese oficio a sólo aquel a quien dio la supremacía, así de los corderos como de las ovejas.”

Voz da Igreja disse...

Estou tentando abrir o link para a compra do livro e não consigo. O link parece "quebrado". Seria interessante corrigir o defeito, pois gostaria muito mesmo de adquiri-lo. Abraço fraterno.

Henrique Sebastião

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Henrique,

Acabo de testar o link e ele está funcionando. Não sei o que está acontecendo com você. De qualquer forma, o link é
http://www.clubedeautores.com.br/book/36451--Licoes_das_Missas_de_Paulo_VI

Obrigado pela visita.

Em JMJ.

João disse...

Descobri hoje esta página. Certamente irá para os meus "Favoritos".

Bom ver, neste mar de angústias pós Concílio Vaticano II que há vozes - e não por acaso as mais autorizadas, inteligentes e cultas - que bradam contra todas essas mazelas que entram perniciosamente pelos portais da Igreja, como antes entraram juntamente com a fumaça do Concílio.

E, caro Angueth, estou nesta mesma fase pela qual você já passou: procurando, de domingo a domingo, onde assistir a uma missa celebrada (não presidida) por um padre e não por um ator teatral.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro João,
Salve Maria!

Deus lhe pague por suas palavras.

Se você morar em BH, venha assistir a Missa Tridentina comigo, no local a seguir.

LOCAL: Santa Missa Celebrada na Capela do Colégio Monte Calvário
HORÁRIO: 9h30 (Confissões a partir das 8h30)
ENDERÇO: Av. do Contorno, 9384 (perto do hospital Felicio Rocho) - Barro Preto

Ad Iesum per Mariam.

jofap disse...

Eu tenho verdadeiro pavor (para não dizer ódio) destes folhetos. Tenho uma coleção destes em casa, que comecei a guardar a fim de escaneá-los e posteriormente fazer um artigo ou um livro. Quando vi que você também sofre como eu, fiquei até emocionado. Salve Nosso Senhor Jesus Cristo, que ainda encontra respaldo e respeito nesta terra de Santa Cruz.

Antônio Emílio Angueth de Araújo disse...

Caro Josap,
Salve Maria!

O conselho que lhe dou é: fuja da Missa de Paulo VI! Não é possível assisti-la sem colocar em sério risco sua fé.

Ad Iesum per Mariam.

crbispo disse...

Olá Angueth!

Eu gostaria que você me dissesse em que Igreja e quando foi tirada a foto que aparece na capa do livro.
Já ouvi dizer que foi uma foto que uma pessoa tirou e apareceu o Cristo um pouco acima da Santa Hóstia. Mas eu gostaria de saber onde e quando foi.
Meu e mail é crbispo1@gmail.com
Desde já agradeço.
Cícero Romão Bispo

Anônimo disse...

Prezado Prof. Angueth, salve maria!

Gostaria de adquirir o livro, porém não consegui através dos links fornecidos. O site do clube dos autores informa:
"Livro não encontrado ou despublicado."

É possível adquirir o livro de outra forma?
Um abraço,
Samuel

Antônio Emílio Angueth de Araújo disse...

Caro Samuel,

Obrigado pelo interesse. O link agora está OK. Por favor, tente novamente.

Ad Iesum per Mariam.

Anônimo disse...

Acabei de comprar!
Obrigado Professor.
Samuel.

Anônimo disse...

Como faço para comprar! Por favor, publique seu email. para que possa entrar em contato, Obrigado.Pax!

Antônio Emílio Angueth de Araújo disse...

Caro anônimo, é só clicar no link do post e você irá diretamente para a página de compra do livro.

Ad Iesum per Mariam.