Nota do blog: o Pe. Tauler foi um dos grandes sermonistas da Igreja e uma figura proeminente na Alemanha do século XIV. Dois outros textos do padre Tauler se encontram aqui e aqui.
No Evangelho de São João (João 5:1-11), lemos que Jesus foi a Jerusalém num dia de festa dos Judeus. Havia uma piscina com cinco pórticos, onde um grande número de enfermos jazia esperando que um anjo do Senhor descesse e agitasse as águas da piscina. A primeira pessoa que mergulhasse na água depois de ela ser agitada seria curada de sua doença. Havia um homem cuja doença durava já trinta anos. Quando o senhor Jesus o viu e soube que ele lá jazia por tanto tempo, Ele disse: “Queres ser curado?” O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me lance na piscina, tão logo a água seja posta em agitação; e, enquanto eu vou, outro desce antes de mim.” Nosso Senhor disse: “Levanta-te, toma a tua enxerga e anda.” Ele foi perguntado logo depois, mas ele não sabia se fora Jesus que tinha feito aquilo por ele. Mais tarde, contudo, nosso Senhor o encontrou e disse: “Eis que ficaste curado. Não tornes a pecar, para não te suceder coisa pior.”
Essa piscina de água significa o Filho, nosso querido Senhor Jesus Cristo, e as águas que se agitam na piscina significam o Precioso Sangue do Filho querido de Deus, que é Deus e homem. Ele nos lavou totalmente em Seu precioso sangue, e em Seu amor Ele lavará todos os que vierem a Ele até o final dos tempos. O grande número de enfermos que esperavam, nas margens da piscina, a agitação das águas significa, em certo sentido, toda a raça humana. Eles esperaram por toda a vida, sob a Lei Antiga, e depois que morreram, esperaram no limbo até que o Precioso Sangue nessa adorável piscina pudesse se agitar para curá-los; pois até que isso acontecesse, eles nunca conseguiriam recuperar sua saúde e ser salvos. Mesmo atualmente, quando nossa salvação já foi forjada, ninguém pode ser salvo, ou recuperar a saúde, exceto por meio da maravilhosa água da piscina, isto é, do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. E o doente que não vier a ela, deve morrer e perecer eternamente.
Havia cinco pórticos que levavam a essa piscina. Num certo sentido, eles significam as cinco chagas de nosso Senhor, por meio das quais e nas quais somos todos curados. Mas em outro sentido, esses cinco pórticos significam cinco virtudes que devemos praticar. Cada um de nós precisa de todas elas, mas cada um é mais particularmente doente numa parte de sua natureza que o outro e, portanto, precisa de exercitar uma particular virtude mais que as outras. O primeiro pórtico, a primeira virtude a ser praticada, é uma profunda e abjeta humildade. Um homem deve se considerar um nada. Deve saber como subjugar-se pacientemente a Deus e a todas as Suas criaturas, e aceitar tudo, qualquer que seja sua causa, como vindo diretamente de Deus e de ninguém mais. Deve confiar em Deus com humilde temor, desprezando-se verdadeiramente em tudo que lhe ocorrer, tanto na alegria quanto na tristeza, na riqueza ou na pobreza.
