sábado, novembro 08, 2008

Hereges de G.K. Chesterton

Nota: Apesar de desejar muito continuar a traduzir H. Belloc, começo hoje a tradução de Hereges de G.K. Chesterton. Considero que esta obra é mais importante, neste momento, de ser conhecida do público. Os leitores poderão julgar o acerto ou desacerto desta minha decisão no desenrolar da tradução. De qualquer forma, Chesterton e Belloc eram tão amigos e produziram obras tão afins que George Bernard Shaw os chamava de "monstro biforme Chesterbelloc". Rezem por este pobre tradutor para que ele dê conta do recado.



Fonte da obra
Os direitos autorais deste livro foram registrados em 1905 por John Lane Company. Este texto é o da décima nova edição (1919) publicada pela John Lane Company de Nova York e impressa pela Editora Plimpton de Norwood, Massachusetts. Ele se encontra em domínio público no Brasil.


O autor
Uma das melhores introduções à vida e à obra de Chesterton foi escrita por Ives Gandra da Silva Martins Filho como introdução à Ortodoxia, Editora LTr, São Paulo, 2001. Os leitores podem também consultar o texto de Dale Ahlquist, Quem é esse sujeito, e por que nunca ouvi falar dele?

Tiro do texto de Ives Gandra dois trechos relacionado com a obra Hereges.

Esta obra

“Junto ao ‘Clube dos Negócios Raros’, Chesterton publica em 1905 um livro que cairá como uma bomba nos meios intelectuais ingleses: trata-se de ‘Heretics’, obra em que ataca, com fino humor e numa lógica desconcertante, todos os ídolos literários da época, por considerar que, através deles, está se dando o envenenamento intelectual de toda uma geração. Assim, condena como hereges a George Moore, pelo seu subjetivismo ético, a Bernard Shaw, por seu socialismo desumanizador, a Rudyard Kipling, por seu imperialismo discriminatório, a H.G.Wells, por seu historicismo naturalista [a respeito do qual escreve sua outra obra-prima O Homem Eterno], e a Oscar Wilde , por seu esteticismo aético. Nem os amigos escapam de sua pena, que esgrime, sem ira, a defesa de algo que já começava a delinear em sua mente: uma concepção global do mundo, plasmada numa filosofia ou religião, que norteasse os aspectos díspares destacados pelos vários literatos que combate, por serem reducionistas da realidade, que é muito mais rica do que as teorias por eles propostas. Começa já a falar da ‘teologia geral cristã, que muitos odeiam e poucos estudam’ e que principia a lhe servir de norte para suas meditações.”

A obra Hereges dá, de certa forma, origem a uma das obras-primas de Chesterton: Ortodoxia. Ives Gandra nos lembra que: “Um tal de G.S. Street publica, nesse ano [1908], o livro ‘G.K. Chesterton – Estudo Crítico’, reconhecendo o talento de Chesterton, mas criticando acerbadamente suas obras, ao fundamento de que destruir e atacar todo mundo é fácil, como o fez em ‘Hereges’; difícil mesmo é construir uma visão sólida e coerente do mundo.”

Este tal de G.S. Street ficou famoso às custas de Chesterton, que já na introdução de Ortodoxia diz: “A única desculpa possível para este livro é o fato de ser ele a resposta a um desafio. Um atirador, por pior que seja, torna-se digno de respeito quando aceita um duelo. Quando, há algum tempo, publiquei, sob o título de Hereges, uma série de ensaios, escritos apressadamente porém com sinceridade, alguns críticos, cuja inteligência admiro (refiro-me especialmente ao senhor G.S. Street), declararam que eu incitava todos a tornarem públicas suas teorias sobre os problemas cósmicos, mas evitava, cautelosamente, apoiar meus preceitos com o exemplo. ‘Começarei a me inquietar com minha filosofia’ – disse, nessa ocasião, o senhor Street – ‘quando o senhor Chesterton nos tiver apresentado a sua’. Era, talvez, uma imprudente sugestão feita a quem está sempre preparado para escrever um livro à mais leve provocação.”

O livro Ortodoxia teve um destino, no Brasil, mais feliz que Hereges, tendo merecido por aqui algumas traduções, a última das quais em 2008, pela Editora Mundo Cristão, em comemoração ao centenário da obra.

Hereges, pelo que sei, ainda não foi traduzido para o português, tarefa a que, temerariamente, me lanço agora neste blog. Tarefa temerária pela dificuldade de se traduzir Chesterton e pela modesta capacidade do tradutor. Mas como ninguém mais bem preparado apareceu, sobrou para mim o preenchimento desta lacuna indesculpável da ausência deste livro em nossa língua pátria.


Sumário da obra

1. Observações Iniciais sobre a Importância da Ortodoxia
2. Sobre o Espírito Negativista.
3. Sobre o sr. Rudyard Kipling e Fazendo o Mundo Pequeno
4. O sr. Bernard Shaw
5. O sr. H. G. Wells e os Gigantes
6. O Natal e os Estetas
7. Omar e o Vinho Sagrado
8. A Delicadeza da Imprensa Amarela
9. O Temperamento do sr. George Moore
10. Sobre Sandálias e Simplicidade
11. A Ciência e os Selvagens
12. O Paganismo e o sr. Lowes Dickinson
13. Os celtas e os Celtófilos
14. Sobre Certos Escritores Modernos e a Instituição da Família
15. Sobre Novelistas Inteligentes
16. Sobre o sr. McCabe e a Divina Frivolidade
17. Sobre o Wit of Whistler
18. A Falácia da Jovem Nação
19. Novelistas de Cortiço e os Cortiços
20. Observações Finais sobre a Importância da Ortodoxia

__________________________________________________
Ver Hereges, de Chesterton, será publicado em português, pela primeira vez.

11 comentários:

Anônimo disse...

Rezarei, pelo senhor nesta nova empreitada.

Anônimo disse...

Feliz iniciativa, meu caro! Parabéns!

Davi Dias

francisco disse...

Mais uma louvável iniciativa!!!
Parabéns

Anônimo disse...

parabéns pela iniciativa e bom trabalho!
felipe

Anônimo disse...

Vou acompanhar sempre este blog.


Wilson

Marlon Ribeiro disse...

Bom trabalho o seu...eu sou estudante de história e quero escrever minha monografia em chesterton...e preciso ler Heretics...mas n existe publicação para o português. E eu n leio inglês...achei seu blog..e espero que seja bem sucedido..e espero Tb usar sua tradução no meu trabalho...esperando um publicação dessa obra tão importante....até!!!fica com Jesus!!!!

Marlon Ribeiro
História-UERJ

marlon@alfaeomega.org.br

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Marlon,
Salve Maria!

É um alívio saber que existe alguém, cursando História em uma universidade no Brasil, que se interesse por Chesterton.

Obrigado por suas palavras e espero que o meu rítmo de tradução possa ser suficiente para seu trabalho final de curso.

Um abraço. Antônio Emílio.

Marlon Ribeiro disse...

Salve Jesus!!!!!

Luiz Fernando disse...

Olá, Angueth!

Há outros historiadores que leem Chesterton! Eu mesmo... e alguns amigos meus, por exemplo. ;D

Por falar em História... Chesterton tem um texto muito interessante que se chama History Versus the Historians, que eu até arrisquei uma tradução, mas, acredito que não ficou confiável. Enfim.

Parabéns, pelo blog, é realmente muito útil. Suas traduções são ótimas.

Abraço!

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Luiz Fernando,

Que bom saber que existem historiadores que lêem Chesterton! É para estes poucos leitores do grande católico ingles que traduzo seus textos. Continue você também traduzindo seus textos, pois sua obra é monumental e precisaremos muitos tradutores para que o povo brasileiro tenha um gostinho de suas idéias.

Um abraço. Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Anônimo disse...

Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now keep it up!