segunda-feira, maio 20, 2013

Papa Francisco e os pobres: Judas não era ideólogo.


Ficamos sabendo que o Papa Francisco “condena a pobreza como ideologia”, em homilia. A Rádio Vaticano noticiou e, no Brasil, FratresInUnum e Montfort deram a notícia, entre outros sítios.

A repercussão se explica por causa das primeiras impressões, exploradas pela mídia, de que o novo papa fazia da pobreza uma bandeira propagandística. É evidentemente positivo que o Papa faça uma crítica ao abuso político e religioso que se faz da pobreza.

A pobreza é um dos conselhos evangélicos, que todo católico nunca deve esquecer. Contudo, transformá-lo em moto ideológico é não só incorreto, como um pecado.

Lendo a pequena parte da homilia papal, depois de reconhecer o lado positivo das afirmações, não podemos deixar de notar a modéstia (para dizer o mínimo) da exegética do papa. Ele diz: “Foi o que aconteceu com Judas, que era um idolatra, afeiçoado ao dinheiro. E essa idolatria o levou a isolar-se da comunidade: este é o drama. Quando um cristão começa a isolar-se, também isola a sua consciência do sentido comunitário, do sentido da Igreja, daquele amor que Jesus nos dá.”

Toda vez que um modernista fala em comunidade, uma lâmpada vermelha se acende em minha mente. Veja como a interpretação do Papa coincide com a dos comentadores da terrível Edição Pastoral da Bíblia, da CNBB: “Judas desculpa sua própria avareza, disfarçando-a com uma preocupação paternalista pelos pobres. A comunidade que vive o espírito de Jesus será eminentemente uma comunidade de pobres e sempre aberta fraternalmente para os pobres.”

Pois bem, segundo o Papa, a avareza de Judas o fez isolar-se da comunidade. Ora, Judas cuidava das pobres finanças dos apóstolos, da bolsa de dinheiro (loculus, na Vulgata). São João, em seu Evangelho, o caracteriza com ladrão simplesmente. Diz o apóstolo: Judas “disse isso, não porque se importasse com os pobres, mas porque era ladrão e, estando a seus cuidados a bolsa, tirava do que nela se lançava.” (Jo, 12, 6). O Papa diz que o drama é o isolamento da comunidade, o isolamento da consciência do sentido comunitário. Que volta hermenêutica mais estranha! Um ladrão infiltrado no meio dos apóstolos, um futuro traidor do Filho de Deus, tem sua falta caracterizada como um afastamento do sentido comunitário! A comunidade aqui toma a importância maior: é o pecado contra a comunidade! E essa comunidade, como nos afirma a Edição Pastoral, era a de pobres! Ou seja, Jesus veio ao mundo para atender a comunidade de pobres e um ladrão e traidor comete pecado contra essa comunidade!

Ora, Judas não tem uma visão ideológica da pobreza, ele é ladrão e faz tudo para roubar de quem quer que seja. Ladrão não é ideólogo. Aliás, ladrão inteligente deveria ter um ódio danado dos ideólogos, pois estes lhe fazem uma grande concorrência. Ideólogos são os teólogos da libertação, são os comunistas disfarçados de clérigos que andam por aí. Judas era muito mais autêntico que estes últimos e muito mais fácil de interpretar!

Uma leitura da Catena Aurea não faria mal ao Papa Francisco. Lá, Santo Agostinho diz: “na pessoa de Judas estão representados os males da Igreja, porque se és bom, terás a presença de Cristo pela Fé e pelo Sacramento, e terás sempre. Porque quando saíres deste mundo, irás Àquele que disse ao ladrão (Lc 23, 43): ‘Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso’. Mas, se ao contrário, vives mal, parecer-te-á ter presente Cristo, porque estás batizado com o batismo de Cristo; aproximas-te do altar de Cristo, mas vivendo mal, não O terás sempre.”


O problema de Judas não é ter sido ladrão, não é ter traído a “comunidade”, não é nem sequer ter traído Cristo; seu problema é não ter se arrependido, ter se desesperado. Pedro negou Cristo três vezes, mas se arrependeu. O bom ladrão foi absolvido por Cristo na cruz, porque arrependeu-se. Judas traiu Cristo e não teve a humildade de se jogar a Seus pés e pedir perdão, pela traição e pelos roubos; e se perdeu. Seu problema é de Fé e de Esperança e não de ideologia.

quinta-feira, maio 16, 2013

Mês de maio, mês de Nossa Senhora.

Não há devoção mais recomendada pela Igreja que a devoção à Nossa Senhora. Esta não é uma devoção qualquer; não é equivalente à devoção aos santos. O culto aos mártires, anjos e santos é chamado culto de dulia. O culto a Nossa Senhora, que por sua posição absolutamente superemi-nente entre todos os santos e anjos, é chamado de hiperdulia. A devoção à Nossa Senhora não é opcional, como a devoção aos santos. 

Talvez não haja forma mais completa, e mais agradável à Nossa Mãe, para exercemos essa devoção quanto à recitação do Rosário, que é composto três terços devotados aos três conjuntos de cinco mistérios: gozosos, dolorosos e gloriosos. Essa devoção é antiquíssima e não passou ilesa pelo Concílio Vaticano II, que quis alterar o Rosário, na pessoa do Papa João Paulo II, que adicionou mais um conjunto de cinco mistérios aos já existentes. O melhor texto sobre a razão pela qual não devemos rezar estes mistérios conciliares é do Guilherme Chenta: Por que "não" aos "Mistérios Luminosos"? 

Não são poucas as dificuldades que esperam aqueles que rezam o Rosário. Não falo das dificuldades práticas para incluirmos o Rosário dentro de nossos afazeres diários; estas não são pequenas. Falo da dificuldade da meditação de cada mistério; não só das muitas distrações que nos assaltam, mas da meditação em si. Pois bem, para enfrentar tais empecilhos, não conheço melhor método que o Rosário meditado de São Luís Maria Grignion de Montfort. Talvez tenha sido exatamente por isso que a recém-criada Editora São Francisco Xavier resolveu publicar a meditação de São Luís em formato Kindle, como seu primeiro lançamento. Este pequeno livro é um verdadeiro tratado sobre o Rosário; um guia completo de como reza-lo. Cada conta de cada mistério possui sua própria meditação e o devoto vai sendo conduzido por São Luís, de conta em conta, da Encarnação do Verbo, à Coroação de Nossa Senhora no Céu. 

Este livro é uma ótima aquisição para este mês de maio e, para quem já o tem, um ótimo presente para amigos e parentes. 

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

segunda-feira, maio 13, 2013

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

Sugiro a todos a leitura do documento Uma Visão do Mundo Baseada em Fátima, que se encontra no sítio homônimo. É um antídoto ao mundo moderno com suas falsidades e tentações. Sugiro ainda, para quem ainda não fez, a devoção dos cinco primeiros sábados, cuja explicação se encontra no documento acima.
 
Não devemos perder tempo, pois não sabemos quando será a Segunda Vinda de Nosso Senhor, como Ele mesmo nos adverte na Lectio da Missa de ontem (da Ascenção): Non est vestrum nosse tempora vel momenta, quae Pater posuit in sua potestate.

domingo, maio 12, 2013

FESTA DA ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Qui crediderit et baptizatus fuerit, salvus erit:
qui vero non crediderit, condemnabitur.

 A festa da Ascensão, diz S. Bernardo, "é a consumação, a coroa das outras solenidades e o termo glorioso da jornada terrestre do Filho de Deus".
 
Durante quarenta dias, permanecera Jesus no mundo, para fortalecer os seus discípulos na fé e os preparar para a vinda do Espírito Santo. Mas soou enfim a hora de se despedir daqueles que tanto amava. Ainda que de despedida, essa hora era contudo de grande alegria para o Mestre e os seus discípulos, assim como para a humanidade inteira. Alegria porque Jesus triunfou. Terminaram as humilhações, os sofrimentos. A coroa de espinhos e opróbrios se converte em coroa de honra, a Cruz ignominiosa, em trono de glória. Alegremo-nos porque o Salvador subiu ao céu para ali preparar-nos um lugar. Porque junto do trono de seu Pai, Jesus continua a interceder por nós e a cumprir a sua missão de Mediador entre Deus e os homens. Alegremo-nos ainda, porque a sua subida é o penhor da descida do Espírito Santo. "Se eu não for, o Espírito Santo não virá a vós".
 
Alegremo-nos, finalmente, porque este mesmo Jesus que hoje se esconde aos nossos olhares, descerá um dia, em toda a sua Majestade e todo o seu poder, para julgar os vivos e os mortos, e então os nossos olhos contemplarão extasiados a sua santa Humanidade, sem o receio, para sempre afastado, de uma nova separação.

terça-feira, maio 07, 2013

Sentenças de São Bernardo - VIII

1. Todos os justos são como árvores plantadas no tempo certo no meio da Igreja. Devem dar frutos permanentes de vida. Deve-se encontrar um lugar apropriado, com água que o fecunde e dê a seu tempo[Sl 1, 3] o fruto da vida. Há três correntes de água:[Sl. 1, 3] os incentivos das Escrituras, que com ameaças e promessas suscitam uma vontade digna no homem. Os carismas proporcionam a fecundidade de obras ao homem espiritual, superando sua animalidade, dotando-o de boas disposições, ensinando-o toda a verdade, [Jo 16, 13] proporcionando-lhe toda a fecundidade das obras. Por último, o orvalho das lágrimas, que brindam profusamente a perseverança, infiltrando-se com sua umidade nas artérias da intenção e dos propósitos, pra que não pereça a árvore da fidelidade. O que está plantado junto a essas correntes de água dará seu fruto todos os meses, e suas folhas curarão as gentes.[Apc 22, 2] 

2. Nem todos os ébrios se embriagam do mesmo modo. Há um vinho da maldade produzido pela uva da amargura.[Deut 32, 32] Sua origem remonta ao diabo, que deu de beber ao gênero humano a amargura do pecado e da morte. Com este vinho se embriagam os perversos, que se tornaram semelhante àquele. Há outro vinho da contrariedade, feito das videiras silvestres da condição humana, e se ofereceu a Nosso Senhor como vinagre[Jo 19, 29] da iniquidade, em lugar do vinho. Todo aquele que se embriaga com ele, não injustamente, mas por razão de seu pecado, comprovará que Deus padeceu por isto. Há um vinho da graça, que brota do ramo de mirra,[Cant 1, 13] isto é, da liberalidade do Criador. Este é o mosto que adormece os filhos do esposo e que se guarda em odres novos.[Mt 9,17]
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sábado, maio 04, 2013

São Francisco de Assis: o maior pecador do mundo!

Frei Rufino, um dos primeiros companheiros de São Francisco de Assis, teve uma visão da glória do santo no Céu, por sua humildade, que muito lhe impressionava. Ele fez então a seguinte pergunta ao santo: "Meu caro pai, eu vos suplico dizer-me na verdade que opinião tendes de vós mesmo". E o santo lhe disse: "Na verdade eu me considero o maior pecador do mundo e aquele que menos serve a Nosso Senhor." "Mas," replico Rufino, "como podeis dizer isso de verdade e em consciência, uma vez que muitos outros, como se pode ver claramente, cometem muitos pecados graves, dos quais, graças a Deus, estais isento?"

Ao que São Francisco respondeu: "Se Deus tivesse favorecido esses outros, dos quais fala, com tanta misericórdia como me favoreceu, estou certo de que, por maus que sejam agora, eles teriam sido muito mais reconhecidos pelos dons de Deus do que eu, e o serviriam muito melhor do que eu. E se meu Deus me abandonasse, eu cometeria mais maldades do que nenhum outro..."