quarta-feira, março 25, 2015

Que raios de "liberal yankee" é este que desanca o capitlalismo?

Pois é, um leitor, recentemente, chamou Olavo de Carvalho de "liberal yankee" num comentário no blog. É um jargão comum de desqualificação das pessoas aqui neste nosso sofrido país. Quem pensa só por meio de slogans fica muito confortável em rotular quem quer que seja, sem se dar ao trabalho cuidadoso e penoso de analisar o pensamento das pessoas. 

Hoje li um artigo recentíssimo do tal "liberal yankee" em que ele desanca o capitalismo, mostrando o que ele se tornou na maior nação dita capitalista do mundo: os EUA. Sugiro ao leitor e aos leitores uma atenta leitura do artigo. Duas conclusões são possíveis: ou o "liberal yankee" surtou ou o jargão foi muito mal usado, como sói acontecer com os jargões.


domingo, março 22, 2015

Leitor não entende as citações tão ecléticas do blog. Blog responde.

Um leitor, de nome Sérgio, escreve ao blog o que se segue.

Prezado Prof. Angueth,
Gostaria de entender como o senhor consegue citar e recomendar ao mesmo tempo, pessoas de opiniões tão dispares e divergentes, vejamos:
- Cita e recomenda Dom Sarda e a leitura de seu livro "O liberalismo é Pecado" e ao mesmo tempo cita Olavo de Carvalho, um liberal ao estilo Yanke, tanto em política quanto em economia...
- Cita o professor Orlando Fedeli, o qual demonstrou a gnose guenoniana do referido Olavo...
- Cita Chesterton e Belloc que combateram o liberalismo com o distribuitismo, mas nada fala sobre essa corrente...
- Recomenda o padre Villa, mas sem as devidas ressalvas como o fato dele ser favorável a missa nova e nunca tê-la criticado, afora o sensacionalismo de alguns de seus livros e/ou de seus colaboradores vide: "A Mitra satânica de Bento XVI"...
- Elogia o padre Vieira, mas esquece que ele era sebastianista, um milenarista...
- E outros casos mais...
Obrigado.

Vou mencionar alguns dos “outros casos mais”. Cito Pascal, que teve fortíssimas simpatias jansenistas. Como não citar o autor de tais pensamentos:
- É preciso amar só a Deus e odiar só a si mesmo;
- Não somente nós não conhecemos a Deus senão por Jesus Cristo, mas não nos conhecemos a nós mesmos senão por Jesus Cristo; não conhecemos a vida, a morte senão por Jesus Cristo. Fora de Jesus Cristo não sabemos o que é nem nossa vida, nem nossa morte, nem Deus, nem nós mesmos;
- Quereis chegar à Fé e não sabeis o caminho. Quereis sarar da infidelidade e pedis os remédios para isso, aprendei daqueles que estiveram atados como vós e que apostam agora todo o seu bem. São pessoas que conhecem aquele caminho que gostaríeis de seguir e que foram curadas de um mal de que quereis sarar; segui a maneira pela qual eles começaram. Foi fazendo tudo como se acreditassem, tomando água benta, mandando rezar missas, etc.

Cito também C.S. Lewis, o cristão anglicano. Conheço muitas pessoas que se converteram ao catolicismo lendo este extraordinário anglicano.

Cito Nelson Rodrigues, um católico assumido, mas também autor de, por exemplo, “Bonitinha, mas Ordinária”. Esse católico foi o único grande intelectual brasileiro a reconhecer o valor essencial de Gustavo Corção, enquanto muitos outros católicos procuravam desacreditá-lo. Ele percebeu como poucos, o grande cataclismo que atingiu a Igreja no pós-Concílio Vaticano II. Quem lia suas crônicas podia acompanhar a surpreendente degradação interna da Igreja.

Cito Santo Afonso Maria de Ligório que, para escrever Glórias de Maria, se valeu de alguns dos evangelhos apócrifos para relatar alguns acontecimentos da vida de Nossa Mãe.

Cito Santo Agostinho, que foi platônico, e em cuja obra muitos agostinianos posteriores encontraram argumentos para desacreditar Santo Tomás e depois para lançar a Reforma, que cindiu toda a cristandade.

Cito Santo Tomás que, em sua época, foi enormemente pressionado a abandonar aquele perigoso pagão que ele insistia em ler e citar, mas não só. Ele ousou até a entende-lo e a ensiná-lo para nós. Trata-se obviamente do grande Aristóteles, a quem Santo Tomás chamava de O Filósofo, como chamava São Paulo de O Apóstolo; e, horrores dos horrores, chamava Averróis, sim o árabe, de O Comentador de Aristóteles. O que pensaria o leitor Sérgio do nosso Santo Tomás, o Doutor Comum, se vivesse em sua época?

Sobre Olavo de Carvalho e minhas opiniões sobre ele, sugiro a leitura de Olavo de Carvalho e eu. Sobre o prof. Orlando, sugiro a leitura de Orlando Fedeli e eu. Quando da morte do prof. Orlando, que outro intelectual brasileiro, senão exatamente Olavo de Carvalho, fez uma pequena homenagem ao morto ilustre? Sim, a morte do prof. Orlando foi também comentada e sentida por Sidney Silveira.

Com relação a Pe. Villa, não faço nenhuma ressalva porque não a tenho. Se você tiver, você mesmo, Sérgio, faça-a onde você quiser. Apresente argumentos que provem que os símbolos da Mitra de Bento XVI não são como diz Pe. Villa, mas não tente desacreditar seu trabalho simplesmente chamando-o de sensacionalista. Lembro, como se isso fosse necessário, que ser favorável à Missa Nova não é pecado! Eu não sou, não assisto a Missa Nova, pela graça de Deus, mas não digo que quem a assista está em pecado!

Bem, de Chesterton e Belloc e suas ideias econômicas, leiam (leitores e leitor) meu artigo na última Chesterton Review em português intitulado Três Alqueires e uma Vaca. Não preciso dizer que já traduzi alguns livros de Chesterton que estão repletos de suas ideias econômicas. Começarei a traduzir, no mês que vem, um livro de Belloc sobre economia.

Bem, agora vem Pe. Vieira. Ai, meu Deus! Sérgio nos lembra que Pe. Vieira foi sebastianista. E daí, Sérgio? Você quer dizer que o Sermão da Quarta-feira de Cinzas está eivado de sebastianismo? Você quer dizer que os trinta sermões que ele fez sobre o Rosário são inadequados, deveriam ser proibidos, por causa do seu sebastianismo? O que você quer dizer?

Desafio você a me apontar a gnose dos artigos que cito de Olavo de Carvalho, o sebastianismo dos sermões que cito de Pe. Vieira, o anglicanismo dos trechos que cito e traduzo de C.S. Lewis e a pornografia no que cito de Nelson Rodrigues.

Aponto, para terminar, sua profunda ignorância do que pensa Olavo de Carvalho, chamando-o de liberal yankee. É típico nos críticos tupiniquins de Olavo demonstrar ignorância logo no começo de seus arremedos de argumento. Vá estudar um pouco mais a obra dele, depois tente algo além de papo-de-boteco sobre esse pensador.


Sugiro que você edite um Index Librorum Prohibitorum para orientar católicos ignorantes como este blogueiro.

terça-feira, março 17, 2015

Nossa Senhora e as universidades

Recebo, do Dr. Ricardo Dip, um comentário que tenho de compartilhar com todos os leitores. O comentário já foi publicado no post Leitor pergunta e o blog responde: como ser um estudante católico na universidade de hoje? Segue o comentário.

Queria contar algo. Conto como ouvi. Mas ouvi de José Pedro Galvão de Sousa, o que não é pouco. E ele o ouvira de um dos partícipes do que segue, a quem conferia prudente crédito intelectual e moral.

Disse um sacerdote espanhol que, perguntando a Nossa Senhora qual meio tinham os pais para prevenir a perda da Fé dos filhos na Universidade, ensinou-lhe a Mãe Santíssima que deveriam os pais rezar diariamente o Terço com a intenção expressa de atar seus filhos ao Imaculado Coração. E que, nesse caso, não perderiam os filhos a Fé ao frequentar a Universidade.

Aí está. Nossa Senhora está preocupada com nossas universidades, como qualquer boa mãe se preocuparia com seus filhos correndo perigo de qualquer tipo. Note que o conselho da Mãe de Deus é muito simples e é bastante característico dela. Aliás, este foi o conselho que ela deu aos Papas por meio dos pastorezinhos de Fátima: refira tudo ao meu Coração Imaculado. É como se ela nos dissesse: faça isso e deixe o resto comigo! Foi o que ela disse nas Bodas de Caná: faça tudo o que Ele disser. Ela está a nos dizer: faça tudo o que Ele quer que vocês façam. Ele quer que tudo se refira ao meu Coração Imaculado!

Agradeço a Dr. Ricardo por essa extraordinária revelação de Nossa Mãe aos que são escravos da intelectualidade moderna.

Ad Iesum per Mariam.

quinta-feira, março 12, 2015

Leitor pergunta e o blog responde: como ser um estudante católico na universidade de hoje?

Defino-me como Católico Romano e Conservador-liberal, adotando o Liberalismo apenas em seu caráter estritamente econômico.

Gostaria de saber do senhor, como fazer para um jovem aluno nos dias de hoje exercer sua personalidade e suas convicções dentro de uma Faculdade? Estudo Direito e, tendo em vista o caráter Modernista, Positivista, Marxista, Relativista, enfim, dessas ideologias, como fazer para sair vivo e não ser amordaçado, marginalizado e até martirizado num ambiente desses?

Caro leitor, vou responder à pergunta que você me fez, mas antes respondo à que você não me fez. Você se define como católico conservador-liberal e diz adotar o liberalismo apenas em sua vertente econômica. Concedo que esta seria a melhor posição se a Igreja não tivesse uma Doutrina Social antiga e consistente sobre isso. Eu mesmo, um dia, adotei essa posição. Mas descobri que adotar o liberalismo em sua vertente econômica é aceitar os princípios básicos do liberalismo e isso, como já disse, é, no mínimo, pecado, como afirma Dom Sarda em seu livro Liberalismo é Pecado. Se você quiser ler algo mais moderno, leia o livro de Christopher Ferrara, The Church and the Libertarian: A Defense of the Catholic Church's Teaching on Man, Economy, and State. Leia também as Encíclicas de Leão XIII: Libertas e Rerum Novarum. De Pio XI, leia Quadragesimo Anno.

Bem, agora vamos à pergunta que você me fez. Ser um estudante católico na universidade de hoje é uma das coisas mais difíceis. Aliás, ser um estudante sério no Brasil já é uma tarefa hercúlea, em qualquer situação. Leia, por exemplo, A tragédia do estudante sério no Brasil, de Olavo de Carvalho, e você terá uma ideia da coisa.

Você terá de passar por um processo de desintoxicação de ideias erradas que lhe foram impostas pela incultura atual. Esse processo é doloroso e te transformará num cara esquisitão, solitário. Poucos colegas se aproximarão e os amigos minguarão. Seus familiares também reagirão de modo, às vezes, não muito amistoso. Prepare-se então, pelo menos inicialmente, para uma vida de eremita.
Depois disso, você terá de ter uma vida de estudos muito mais rígida que seus colegas, terá de estudar 24 horas por dia, 7 dias por semana, pela vida inteira. Esse não é só um objetivo, mas um projeto de vida, uma espécie de vocação. Qualquer coisa menos que isso, te levará de volta à incultura geral, pois seguir o curso do rio é muito fácil, seguir a manada de imbecis é uma coisa muito confortável, se você não tiver a companhia de verdadeiros intelectuais, de todas as épocas, de todos os matizes.
Espero que a resposta não te desestimule e que você consiga boiar no mar de lama, relativamente imune à sujeira geral.

Um último conselho: não queira exercer sua personalidade e convicções na universidade, por que ela não merece. Procure apenas não se enlamear e se te perguntarem o que você pensa, fale a verdade, como todo católico é obrigado a fazer. Com o tempo alguns se aproximarão e te ouvirão. A estes, dê seu testemunho.


Que Deus e a Mãe d’Ele te iluminem.

quarta-feira, março 11, 2015

Sobre o Pe. Luigi Villa

Alguns leitores me perguntam sobre o Pe. Luigi Villa, preocupados com os trabalhos do padre italiano sobre os Papas conciliares, principalmente Paulo VI e João Paulo II, já comentados no blog. Ofereço aqui um depoimento de uma pessoa muito mais abalizada que este modesto blogueiro: Alicia von Hildebrand, esposa do grande filósofo católico Dietrich von Hildebrand. Leiam seu depoimento aqui.

terça-feira, março 10, 2015

Os católicos não somos nem de direita nem de esquerda

Nestes dias tumultuados no Brasil, muita coisa está se passando sob as denominações de direita e esquerda, como se elas diferenciassem as pessoas substancialmente. Não diferenciam! A confusão que o Concílio Vaticano II introduziu na Igreja faz as pessoas pensarem que todo o católico deve ser de direita, ou de esquerda, segundo uns e outros. Há quem afirme até que o liberalismo é algo de direita, opondo-se ao marxismo que seria de esquerda. Há muitos que tentam nos provar que liberalismo é algo aceitável dentro do catolicismo. Não é, e o Papa Leão XIII já provou isso em pelo menos duas Encíclicas; Libertas e Rerum Novarum. Ademais, Dom Sarda y Salvani já mostrou, com todas as letras que "Liberalismo é Pecado"!

Mas quero compartilhar com os leitores um texto muito elucidativo do Prof. Orlando Fedeli: Direitas e Esquerdas. Prof. Orlando explica direitinho toda a coisa e porque direitistas e esquerdistas são irmãos siameses. Não somos nem de direita nem de esquerda, somos católicos!


sábado, fevereiro 28, 2015

A primeira frase da Metafísica e a humildade cristã: meditação quaresmal.

Diz a primeira frase da Metafísica de Aristóteles: todos os homens têm, por natureza, o desejo de conhecer. Santo Tomás de Aquino explica, em seu Comentário à Metafísica, esta primeira frase de Aristóteles.

   Há três razões para isso. A primeira é que cada coisa naturalmente deseja sua própria perfeição. Assim, a matéria deseja a forma, como todas as coisas imperfeitas desejam sua perfeição. Portanto, como o intelecto, pelo qual o homem é o que é, considerado em si mesmo é todas as coisas potencialmente, transforma-se realmente nelas somente por meio do conhecimento. Então, cada homem deseja o conhecimento tão como a matéria deseja a forma.
   A segunda razão é que cada coisa tem uma inclinação natural à desempenhar sua própria operação, como algo quente se inclina naturalmente a aquecer, e algo pesado a ser movido para baixo. Ora, a operação própria do homem como homem é compreender, e por isso ele difere de todas as outras coisas.
   A terceira razão é que é desejável por todas as coisas estarem unidas às suas fontes. (...) Ora, é somente por seu intelecto que o homem se torna unido às substâncias separadas, que são a fonte do intelecto humano e com as quais o intelecto humano se relaciona como algo imperfeito a algo perfeito. É por essa razão, também, que a felicidade última do homem consiste nessa união.

Mas já dizia São Paulo (1 Cor 8,1): “a ciência infla de orgulho”. Então, como lutar contra o orgulho, que é o dever de todo cristão, se possuímos esse desejo natural de conhecer? A resposta está na Imitação de Cristo, e é a única resposta que nos afasta de uma das três concupiscências, a concupiscência dos olhos. No capítulo “Do humilde pensar de si mesmo”, de Kempis nos ensina:

1.      Todo homem tem desejo natural de saber; mas que aproveitará a ciência, sem o temo de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros, mas se descuida de si mesmo. Aquele que se conhece bem despreza-se e não se compraz em humanos louvores. Se eu soubesse quanto há no mundo, porém me faltasse a caridade, de que me serviria perante Deus, que me há de julgar segundo minhas obras?
2.      Renuncia ao desordenado desejo de saber, porque nele há muita distração e ilusão. Os letrados gostam de ser vistos e tidos como sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. As muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus.



Temos o desejo natural de saber para nos aproximarmos de Deus. Se o operar desse desejo, pela desordem do Pecado Original, nos afasta d’Ele, que nos aproveita a ciência? Essa é uma boa meditação quaresmal.