domingo, agosto 09, 2009

Lições das missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XXII

Comento artigo do Pe. José Bortolini, n’O DOMINGO, de 26/07/2009. O Evangelho deste dia, na Missa de Paulo VI, é Jo 6, 1-15, o da multiplicação dos pães.

Pode-se falar muitas coisas deste milagre. Pode-se falar do pão material e do Pão espiritual. Pode-se notar como Jesus, depois de alimentar o povo com o pão material, diz (Jo 6, 35): “eu sou o pão da vida”. Ele mesmo quer que distingamos o pão da vida do Pão da Vida. Mas ele quer mais do que isso. Ele quer que percebamos que os dois pães são sobrenaturais. Que um e outro nos é dado por ele. Que não merecemos nem um nem outro e que eles são puro ato da graça de Deus.

Santo Agostinho, nos seus Comentários ao Evangelho de João, nos diz: “Deve-se ter em conta o que geralmente se diz, a saber: que Deus é de tal natureza que não nos é possível vê-Lo com nossos olhos, e que seus milagres, com os quais sustenta todo mundo e alimenta todas as criaturas, não chamam atenção, pela freqüência com que se repetem. Mas alguns milagres são escolhidos para serem feitos fora do curso e da ordem regular da natureza, não porque sejam maiores, mas porque acontecem menos freqüentemente, e assim são admirados mais por essa circunstância do que aqueles que acontecem diariamente. O milagre do governo de todo o mundo é realmente maior do que saciar cinco mil homens com cinco pães e, contudo, ninguém se admira desse governo. Mas os homens se admiram com o outro milagre, não porque é maior, mas porque é raro.”

Aí está. Santo Agostinho nos diz que Jesus conhecendo os homens como conhece, Ele usa de milagres menores, mas raros, que causam mais admiração que os milagres maiores, que ocorrem todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Deus nos alimenta diariamente tão milagrosamente quanto ele alimentou aquela pequena multidão. Deus nos alimenta por sua graça, por sua infinita compaixão, em uma palavra: por milagre.

Bem, isso e muito mais poderia ser dito dessa passagem do Evangelho. Mas o Pe. Bortolini escolhe nos brindar com uma pregação marxista de segunda categoria, quando ele fala desse Evangelho. Diz ele: “O gesto nobre desse menino muda completamente a visão acerca da fome da humanidade. Ela não é vencida com a compra e venda de alimento, mas num mutirão de partilha. A distribuição toma o lugar da concentração, a solidariedade vence o egoísmo.” Ou seja, Pe. Bortolini nos diz que Jesus está a nos ensinar sobre distribuição de bens de consumo numa sociedade complexa. E Ele está a favor do comunismo! Veja que a coisa não se resolve com a compra e venda de produtos, mas com sua distribuição gratuita. Todo mundo que pregou esse tipo de idéia, no caminho da consecução desse objetivo, matou algumas dezenas de milhões de pessoas, senão centenas de milhões, sem conseguir nada do que prometeram. Lenin, Stalin, Mao, Castro são alguns dos homens práticos que tentaram colocar os ideais do Pe. Bortolini em prática. Juntos mataram centenas de milhões de pessoas.

Certamente, Pe. Bortolini está pregando comunismo do púlpito da Igreja, como muitos outros padres hoje em dia. Não deixemos que esses hereges nos influenciem. A companhia desses padres, que enumerei acima, não os credencia a nos ensinar nada, muito menos a palavra de Deus.


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3 comentários:

Rodrigo disse...

Professor, porque não há mais em seu blog a sessão de artigos do Thomas Sowell?

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Rodrigo,

Os links que eu estava usando eram todos antigos, pois o banco de dados do MSM foi todo modificado e os links apontava para ele.

Estou planejando organizar um PDF com todos os artigos de Sowell que eu traduzi para o MSM (quase 200) e disponibilizá-los para download. Assim que me sobrar um pouquinho de tempo farei isso.

Um abraço. Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Luiz disse...

Este mesmo padre participou da coordenação editorial da Bíblia de Jerusalém da editora Paulus!

Atualmente uso uma bíblia do Pontifício Instituto Bíblico, da década de 60, a melhor que tenho! A minha versão do Pe. Matos Soares já é aggiornata!