É incrível quão querida a glória de Deus se torna para aqueles que continuamente a procuram. A busca já lhes dá novos sentidos pelos quais podem encontrá-la, ao passo que o amor diariamente crescente aguça perpetuamente seu discernimento. “A terra está plena de Vossa glória”. Que alegria para um coração ardente de amor! Não basta que o Céu transborde e que a terra se encha com a bem-aventurada inundação de Sua glória. Nós de bom grado desejaríamos que não houvesse rincão na criação que não fosse repleto dela. Contudo, há um lugar onde esta glória parece frustrada, um lugar do qual não se eleva nenhuma planta da oração, nenhuma alegria da adoração, nenhum abençoado agradecimento, nenhuma aspiração do desejo. É a casa daqueles que foram julgados e foram condenados, e que por isso perderam Deus para sempre. segunda-feira, dezembro 19, 2011
Mensagem de Natal: um pensamento acerca do Inferno
É incrível quão querida a glória de Deus se torna para aqueles que continuamente a procuram. A busca já lhes dá novos sentidos pelos quais podem encontrá-la, ao passo que o amor diariamente crescente aguça perpetuamente seu discernimento. “A terra está plena de Vossa glória”. Que alegria para um coração ardente de amor! Não basta que o Céu transborde e que a terra se encha com a bem-aventurada inundação de Sua glória. Nós de bom grado desejaríamos que não houvesse rincão na criação que não fosse repleto dela. Contudo, há um lugar onde esta glória parece frustrada, um lugar do qual não se eleva nenhuma planta da oração, nenhuma alegria da adoração, nenhum abençoado agradecimento, nenhuma aspiração do desejo. É a casa daqueles que foram julgados e foram condenados, e que por isso perderam Deus para sempre.
quarta-feira, dezembro 22, 2010
O ESPÍRITO DE NATAL
Do livro A Coisa, 1929
G.K. Chesterton
Aventurei-me muito imprudentemente a escrever sobre o Espírito de Natal; e o assunto apresenta uma dificuldade preliminar sobre a qual devo ser franco. É curioso ver atualmente as pessoas falarem sobre “o espírito” de uma coisa. Há, por exemplo, um tipo particular de pedante que está sempre nos dando lição de moral a respeito os espírito do verdadeiro cristianismo. Tanto quanto posso compreender, ele diz o exato oposto do que ele pretende. Ele explica que devemos usar os nomes “cristão”, “cristianismo”, etc., para algo que possui o espírito que especialmente não é cristão; algo que é um tipo de combinação de otimismo infundado de um ateu americano com pacifismo de um hindu moderado. Da mesma forma, lemos muito sobre o Espírito de Natal no moderno jornalismo e mercantilismo; mas isto é um oposto do mesmo tipo. Longe de preservar a essência sem a aparência, preserva-se a aparência onde não pode haver a essência. É algo similar a tomar duas substâncias materiais, como o pinheiro e as bolas de natal, e espalhá-los por todos os enormes e frios hotéis cosmopolitas ou em torno de colunas dóricas de clubes impessoais repletos de cansados, cínicos e velhos cavalheiros; ou em qualquer outro lugar onde o real espírito de Natal tem a menor chance de estar. Mas há também outro modo em que a complexidade comercial moderna devora o coração de uma coisa, enquanto preserva sua casca pintada. E este é o sistema assaz elaborado de dependência da compra e venda, e, assim, do barulho e confusão; e da real desatenção com as novas coisas que poderiam ser feitas ao modo dos antigos Natais.
Normalmente, se tudo fosse normal nos dias de hoje, seria um truísmo dizer que o Natal foi um festival familiar. Mas é agora possível (como tive a sorte ou má sorte de descobrir) ganhar a reputação de paradoxal por simplesmente afirmar que truísmos são verdadeiros. Neste caso, claro, a razão, a única razoável razão, foi religiosa. Tinha a ver com uma família feliz porque era consagrada à Sagrada Família. Mas é perfeitamente verdade que muitos homens viram o fato sem especialmente sentirem a razão. Quando dizemos que a raiz foi religiosa, não queremos dizer que Sam Weller estava concentrado em valores teológicos quando disse a Fat Boy para “por um pouco de Natal” em algum objeto, provavelmente comestível. Não queremos dizer que Fat Boy teve um êxtase de contemplação mística, como um monge ao ter uma visão. Não queremos dizer que Bob Cratchit defendia o ponche ao dizer que estava apenas observando o vinho quando este era amarelo; ou que Tiny Tim citou Timothy. Apenas queremos dizer que eles, incluindo o autor, teriam confessado humilde e entusiasticamente que havia alguém muito anterior ao Sr. Scrooge, que poderia ser considerado o Fundador da Festa. Mas, de qualquer forma, qualquer que seja a razão, todos teriam concordado sobre o resultado. A festa do Sr. Wardle centrava-se na família do Sr. Wardle; e, ainda assim, porque as românticas sombras do Sr. Winkle e do Sr. Snodgrass ameaçavam a dividi-la para a formação de outras famílias.[1]
O período natalino é doméstico; e por esta razão a maioria das pessoas se preparam para ele apertando-se em ônibus, esperando em filas, correndo pelos metrôs, comprimindo-se em casas de chá, e imaginando quando ou se vão chegar em casa algum dia. Não sei se alguns não desaparecem para sempre na seção de brinquedos ou simplesmente se deitam e morrem nas casas de chá; mas pelas suas aparências, isto é muito possível. Exatamente antes do grande festival do lar, toda a população parece ter se tornado desabrigada. É o supremo triunfo da civilização industrial que, nas enormes cidades que parecem ter casas em excesso, há uma desesperada falta de moradia. Muito tempo atrás, grande número de nossos pobres se tornaram nômades. Nós até confessamos o fato; pois falamos deles como árabes das ruas. Mas essa instituição doméstica, na sua presente fase irônica, foi além de tal anormalidade normal. A festa da família transformou tanto o rico quanto o pobre em vagabundos. Eles estão tão espalhados no confuso labirinto de nosso tráfego e de nosso comércio, que não podem, algumas vezes, sequer chegar a uma casa de chá; seria indelicado, claro, mencionar uma taverna. Eles têm dificuldade em se aglomerar em seus hotéis, quanto mais em se separar e chegar a suas casas. Tenho em mente o contrário da irreverência quando digo que o único ponto de semelhança entre eles e a família natalina arquetípica é que não há espaço para eles na estalagem.
Ora, o Natal é feito de um belo e intencional paradoxo; que o nascimento do desabrigado deve ser comemorado em todos os lares. Mas o outro tipo de paradoxo não é intencional e não é certamente belo. É mal o suficiente para que não possamos desnudar a tragédia da pobreza. É suficiente mal que o nascimento do desabrigado, celebrado no lar e no altar, deva às vezes coincidir com a morte de desabrigados em asilos e favelas. Mas não precisamos regozijar neste desassossego universal que atinge ricos e pobres igualmente; e me parece que nesta questão precisamos de uma reforma do moderno Natal.
Não emitirei outro brilho de paradoxo ao observar que o Natal ocorre no inverno.[2] Isto é, ele não é somente a festa dedicada à domesticidade, mas é colocada deliberadamente sob condições em que é muito mais desconfortável correr por aí do que ficar em casa. Mas sob as complicadas condições das modernas convenções e conveniências, surge este mais prático e mais desagradável tipo de paradoxo. As pessoas têm de correr para lá e para cá por umas poucas semanas, mesmo que seja para ficarem em casa por umas poucas horas. A velha e saudável idéia de tais festivais de inverno era esta: que as pessoas estando fechadas e sitiadas pelo clima se voltavam para seus próprios recursos; ou, em outras palavras, tinham a oportunidade de mostrar se havia algo em seu interior. Não é seguro que a reputação de nossos mais modernos e elegantes caça-prazeres sobreviveria ao teste. Algumas terríveis revelações seriam feitas de algumas figuras favoritas da sociedade, se elas fossem isoladas do poder da máquina e do dinheiro. Elas estão muito acostumadas a ter tudo nas mãos; e mesmo quando vão aos mais recentes bailes dançantes americanos, parece que só os músicos negros dançam. De qualquer forma, para a média da saudável humanidade acredito que este isolamento de todas estas conexões mecânicas seria um alento e um despertar. No presente, elas são sempre acusadas de meramente se divertirem; mas elas não estão fazendo algo tão nobre ou compatível à sua dignidade humana. Elas, em sua maioria, já não podem se divertir; estão acostumadas demais de que outros as divirtam.
O Natal deve ser criativo. Dizem-nos, mesmo os que o prezam mais, que ele é principalmente precioso para preservar antigos costumes e antiquados jogos. Ele é realmente valioso para ambos estes admiráveis propósitos. Mas no sentido a que estou me referindo, pode ser novamente possível torcer a verdade. Não é que o Natal real deva criar coisas antigas, mas coisas novas. Ele poderia, por exemplo, criar novos jogos, se as pessoas fossem realmente levadas a inventar seus próprios jogos. A maioria dos antigos jogos começava com o uso de ferramentas comuns ou peças do mobiliário. Assim, as próprias regras do tênis se baseiam na estrutura do antigo pátio de estalagem. Assim, acredita-se, as estacas do cricket foram originalmente somente as três pernas do tamborete de tirador de leite. Ora, poderíamos inventar novas coisas desse tipo, se lembrássemos quem é a mãe da invenção. Quão prazeroso seria começar um jogo em que marcássemos ponto por acertar o porta-guarda-chuva ou o carrinho porta-refeição, ou mesmo o hospedeiro ou a hospedeira; claro, com um projétil de material leve e macio. As crianças que têm sorte suficiente de ficarem sozinhas no berço inventam não somente jogos completos, mas dramas e histórias de vida completos; elas inventam línguas secretas; conduzem laboriosamente revistas de família. Este é o tipo de espírito criativo que queremos no mundo moderno; queremos tanto no sentido de desejar quanto no sentido de sentir a falta. Se o Natal pudesse se tornar mais doméstico, creio que haveria um vasto aumento do real espírito de Natal; do espírito da Criança. Mas entregando-nos a este sonho, devemos, uma vez mais, inverter a convenção corrente em uma espécie de paradoxo. É verdade, em certo sentido, que o Natal é o tempo em que as portas devam ser abertas. Mas eu mandaria fechar as portas no Natal, ou pelo menos um pouco antes do Natal; e então o mundo veria do que somos capazes.
Não posso deixar de lembrar, com um certo sorriso, que numa página anterior e mais controversa deste livro eu mencionei uma senhora que estremeceu com a idéia das coisas perpetradas por mim e pelos de minha religião por trás das portas. Mas minha memória está suavizada pela distância e pelo assunto presente, e sinto o oposto de uma controvérsia. Espero que aquela senhora, e todo o seu modo de pensar, tenha também a sabedoria de fechar suas portas; e, assim, que ela descubra que somente quando todas as portas estão fechadas é que a melhor coisa será encontrada lá dentro. Se eles forem puritanos, que professam uma religião baseada apenas na Bíblica, que eles sejam, uma vez, uma Família da Bíblia. Se eles forem pagãos, que não aceitam nada exceto a festa de inverno, que eles sejam, pelo menos, uma família em festa. A discordância ou desconforto de que os modernos críticos reclamam, não são devidos a que o fogo místico ainda queima, mas que ele já esfriou. É porque os frios fragmentos de uma coisa antigamente viva são desajeitadamente agrupados. Brinquedos de Natal estão dançando sem harmonia perante tios graves e pagãos que prefeririam estar jogando golfe. Mas isto não altera o fato de que eles poderiam se tornar mais brilhantes e mais inteligentes se soubessem como brincar com os brinquedos; e eles são muito aborrecidos com o golfe. Seu tédio é apenas o último produto mortal do processo mecânico dos esportes organizados e profissionais, naquele rígido mundo de rotina fora de casa. Quando eram crianças, por trás das portas da casa, é provável que quase nenhum deles tivesse sonhos acordados e dramas não escritos que pertencessem a eles como Hamlet pertenceu a Shakespeare ou Pickwick a Dickens. Quão mais excitante seria se Tio Henry, ao invés de descrever em detalhes todas as tacadas com que ele se livrou do banco de areia, dissesse francamente que ele estivera numa viagem ao fim do mundo e capturara a Grande Serpente do Mar. Quão mais intelectualmente verdadeira seria a conversa de Tio William se, ao invés de nos dizer de quanto ele reduziu seu handcap, ele pudesse ainda dizer com convicção que ele era o Rei das Ilhas Canguru, ou o Chefe dos Pele-Vermelhas. Essas coisas, saídas desde dentro, eram quase todas puro espírito humano; e não é normal que a inspiração delas deva ser tão completamente esmagada por coisas desde fora. Que não se suponha por um momento que eu também esteja dentre os tiranos da terra, que imporia meus próprios gostos, ou obrigaria todas as crianças a jogar meus próprios jogos. Não desrespeito o jogo de golfe; é um jogo admirável. Eu já o joguei; ou melhor, eu já brinquei com ele, o que é geralmente considerado o exato oposto de jogar. Deixemos evidentemente que os praticantes do golfe joguem golfe e mesmo os organizadores o organizem, se sua única concepção de um órgão é algo como um realejo.[3] Deixem-nos jogar golfe dia após dia; deixem-nos jogar golfe por trezentos e sessenta e quatro dias, e noites também, com bolas banhadas em tinta luminosa, a fim de serem vistas no escuro. Mas que exista uma noite que as coisas brilhem desde dentro: e um dia que os homens procurem por tudo que está enterrado em si mesmos, e descubram – no lugar onde ele está realmente escondido, por trás de portões trancados e janelas cerradas, por trás de portas três vezes trancadas e aferrolhadas – o espírito de liberdade.
[1] Sam Weller, Fat Boy, Wardle, Winkle e Snodgrass são personagens de Dickens nos Pickwicky Papers e Bob Cratchit, Tiny Tim e o Sr. Scrooge em Christmas Carol. (N. do T.)
[2] No hemisfério norte. (N. do T.)
[3] Barrel-organ em inglês. (N. do T.)
sábado, dezembro 18, 2010
TESOURO DE EXEMPLOS: DEUS RECOMPENSA OS SACRIFÍCIOS (Principalmente no Natal do Senhor)
Nota do blog: Depois do CVII, a Igreja já não prega (ou dificilmente prega) que o período de Natal é um período de penitências. Já não explica aos fiéis o significado da cor roxa dos paramentos do padre (se é que o padre usa tais paramentos). Esta historinha resgata esta verdade e nos dá esperança para que façamos nossos pedidos para Nosso Senhor; especialmente aquele pedido especial, para que Ele nasça em nossos corações no dia de Natal. Com este texto, este blog deseja a todos os seus leitores um feliz e santo Natal. Que o ano litúrgico que começou com este Advento seja um ano de conversão de todos ao catolicismo, de conversão de todos à única Igreja que salva.
Os sacrifícios escolhidos voluntàriamente fazem que Deus seja generoso e bom para conosco. Os pequenos presentes que lhe oferecemos espontaneamente exercem grande, irresistível poder sobre ele. Forçado então pela bondade do seu coração, Deus, que não se deixa vencer em generosidade, não se cansa de cumular de bênçãos aqueles que se mostram generosos para com ele.
A propósito o seguinte exemplo:
Num colégio de Friburgo, na Suíça, achava-se, poucos anos faz, uma menina que fazia extraordinários progressos nos estudos, e sentia-se feliz.
Certo dia, recebeu a superiora do Colégio uma carta do pai da criança, comunicando-lhe que, por dificuldades financeiras, não lhe era possível manter a filha no Colégio por mais tempo
Que fez a superiora? Mandou chamar a menina e disse-lhe:
-- Minha filha, uma notícia bem desagradável. Teu pai acaba de escrever-me que se acha em grandes dificuldades e que talvez seja obrigado a retirar-te do Colégio.
A menina, muito aflita, pôs-se a chorar e dizer:
-- Madre, que será de mim? Ajudai-me, Madre, ajudai-me! Dizei-me o que devo fazer.
-- Minha filha (disse a superiora muito comovida), tu podes modificar tudo isso. Sabes que dentro de algumas semanas teremos o santo Natal; sabes, igualmente, que até lá temos todos os dias a devoção ao Menino Jesus, não é?
-- Sim, Madre. . .
-- Pois bem; faze um fervoroso pedido diariamente ao Menino Jesus, para que ele te conserve aqui e oferece-lhe alguns pequenos sacrifícios. Verás que Jesus não rejeitará os teus pedidos.
- Sim, Madre, farei tudo para que Jesus me ouça, e peço também as vossas orações.
A menina, que tinha grande desejo de continuar seus estudos na companhia das Irmãs, cheia de confiança, sentou-se e escreveu ao Menino Jesus uma cartinha. Prometia não só orações fervorosas, mas fazia também o propósito de, por amor de Jesus, abster-se, todos os dias até o Natal, de queijo e frutas, de que gostava muito. E tudo isso para que Deus socorresse seu querido pai e ela pudesse continuar no Colégio.
No dia do Natal achou a superiora debaixo da imagem do Menino Jesus a cartinha da menina. Leu-a e ficou profundamente comovida.
Dois dias depois chegava uma carta do pai, que, entre outras coisas, dizia:
-- Madre, não sei como agradecer a Deus. De modo prodigioso e inesperado veio o auxílio do céu. Minha filha pode continuar aí.
Podemos imaginar a alegria de ambas, a aluna e a Superiora, vendo que a sua confiança em Deus não falhou.
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Mensagem de Natal de 2009: Por que o Verbo se encarnou?
Deus criou todas as coisas do nada, “mas apiedou-se mais do gênero humano do que dos demais seres existentes; não se contentou com criar os homens, conforme fizera a todos os animais irracionais da terra, mas criou-os à sua imagem, fazendo-nos partícipes do poder de seu próprio Verbo, como uma espécie de sombra do Verbo.” Isto nos diz Santo Atanásio, o santo que venceu Ário, o primeiro dos grandes heresiarcas que quase destruiu a Igreja.
O santo continua ainda dizendo: “Ora, Deus não apenas nos tirou do nada, mas pela graça do Verbo, fez-nos viver segundo Deus. Os homens, contudo, se desviaram dos bens eternos, e por instigação do diabo, voltaram-se para as coisas corruptíveis, tornando-se deste modo para si mesmos causa de morte.” Diz ainda: “Com a presença do Verbo, a corrupção natural não nos teria tocado.”
Com o pecado de Adão e Eva, contra os homens se desencadearam a corrupção e
a morte com toda a sua força, não podendo eles contar mais com a presença do Verbo. Com a expulsão do Paraíso, caímos na morte. Depois da Queda, “os homens contudo não se detiveram em certos limites, mas avançando pouco a pouco, ultrapassaram finalmente qualquer medida”, nos diz Atanásio. “Difundiram-se adultérios e roubos e toda a terra se encheu de morticínios e rapinas. ... todos rivalizaram em iniqüidade.”Continua o santo: “Seria incoerente que a palavra de Deus mentisse no caso de que, promulgada com toda a certeza a lei de morte para o homem transgressor do preceito [não comer da árvore do bem e do mal], este não morresse após a transgressão, mas ficasse sem efeito a sentença divina. Deus não seria verídico, se após ter declarado que haveríamos de morrer, de fato, não morrêssemos. Por outro lado, não convinha que, uma vez criados, seres racionais e partícipes do próprio Verbo perecessem e, corrompidos, voltassem ao nada. Então, o que faria Deus, que é bom, uma vez que seres racionais pereciam e as obras divinas se precipitavam na ruína? (...) Era preferível não ser, do que ser e perecer por abandono.”
Este o dilema do Criador, nas palavras do grande santo que venceu o arianismo. Diz mais: “Por conseguinte, não convinha deixar os homens serem arrebatados pela corrupção, por ser isto impróprio e indigno da bondade de Deus. Por esta razão, o Verbo de Deus incorpóreo, incorruptível, imaterial veio a nossa terra, embora dela não estivesse longe anteriormente. De fato, ele não abandou parte alguma da criação, mas tudo enche, permanecendo, contudo, unido ao Pai. Mas, vem por condescendência, favorecendo-nos com sua filantropia e manifestação.”
Quando então, neste Natal, contemplarmos aquele Menino Deus na manjedoura, tenhamos consciência do momento extraordinário em que o Verbo se encarnou, para nos recuperar da Queda, da corrupção, da morte. Mas como é que o Verbo encarnado pode nos recuperar a incorruptibilidade? Responde Santo Atanásio: “O Verbo, portanto, compreendia que a corrupção dos homens de forma alguma poderia ser destruída, a não ser pela morte. Mas, era impossível que o Verbo morresse por se imortal, ele, do Pai o Filho. Por isso, assume corpo mortal, a fim de que este, partícipe do Verbo, superior a tudo, seja capaz de morrer por todos, e graças ao Verbo que nele habita, permaneça incorruptível e doravante faça cessar em todos a corrupção, pela graça da ressurreição. Por conseguinte, qual sacrifício e vítima imaculada, oferece à morte o corpo que assumiu, e logo faz desaparecer a morte de todos os corpos idênticos ao seu, através da oferta de vítima correspondente. (...) Com efeito, pelo sacrifício de seu próprio corpo, ele pôs termo à lei que pesava sobre nós, renovou-nos o princípio da vida, deu-nos a esperança da ressurreição.”
Assim, Queda, Natal, Paixão e Ressurreição é toda a história de Amor de Deus para conosco. É isto exatamente que devemos festejar neste Natal: Deus nos ama e enviou seu Filho para nos resgatar. O poder do Pecado Original que pesava sobre nós pode ser vencido se colocarmos em prática as palavras de Seu Filho e se participarmos da Sua Vida que jorra através dos Sacramentos da Igreja. Com isso, voltaremos um dia ao Paraíso, à incorruptibilidade, à contemplação beatífica de Deus.
A todos os leitores deste blog, desejo um Santo Natal, no seio da Igreja Católica, fora da qual não há Salvação.
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Uma terrível mensagem de Natal: SE ELE NÃO TIVESSE VINDO
Gustavo Corção
“Se Eu não tivesse vindo e não lhes tivesse dirigido a palavra,
eles não teriam pecado; mas agora não há desculpas
para o pecado deles” (Jo. XV, 2).
Estas palavras terríveis ditas por Jesus na noite da Ceia, devem ser lidas e meditadas com especial atenção nos atuais tempos litúrgicos, para bem apreendermos o nexo entre a Natividade e a Paixão, e sobretudo para aprendermos um vislumbre das dimensões trágicas da vinda de Jesus para a nossa Salvação. Costumamos pensar que Jesus recém-nascido trouxe ao mundo, para nos salvar, uma atmosfera com perfumes dos céus e cânticos dos anjos; costumamos associar a idéia de Natal à de um socorro da divina misericórdia, pousado no regaço da Virgem Santíssima e todo feito de delicadezas e fragrâncias; ora, é Ele mesmo, no momento supremo em que nos ensinará na última estação o segredo de Sua vinda. E diz-nos estas palavras das quais inferimos que, se não se pode dizer sem absurdo e blasfêmias que Ele nos trouxe o pecado, pode-se entretanto dizer que, a este mundo já marcado pelo pecado mal definido, cinzento, misturado ao bem de um modo desordenado, Jesus trouxe a Ordem que discrimina mal e bem, e trouxe aos homens, com preço e condição da Salvação, um sentimento mais agudo, uma responsabilidade abismal. Essa iluminação moral, que nos mostra que todo mal é uma ofensa a Deus, já estava anunciada nos clamores proféticos, mas o mundo inteiro, na confusão da cinzenta mistura muito vagamente sentia a Vontade de Deus contrariada. De uma maneira cósmica, nas catástrofes, nos incêndios e nas inundações, tinham uma vaga intuição de que os elementos irritados traduziam a irritação de uma alta instância. Mas esse vago panteísmo mais eclipsava do que elucidava o transcendental contraste do bem e do mal, e principalmente a noção de pecado pessoal cometido contra um Deus pessoal.
“Se Eu não tivesse vindo...” diz-nos Jesus na hora da Paixão não se teria realizado o plano eterno de Deus: o de oferecer aos homens um alvo, um blanco, contra o qual, nitidamente, com inacreditável ferocidade se concentrasse a maldade difusa para que o cinzento desse lugar ao claro-escuro, e o bem fosse chamado bem, e o mal, mal. “Se o mundo vos odeia, sabei que a Mim Me odiou primeiro”. E também: “Aquele que me odeia, odeia também meu Pai”.
Então, retornando pela terceira vez a terrível declaração de Jesus, diríamos que o Natal, Sua vinda, foi também a vinda do ódio mais consciente, mais nítido e mais cruel. Mas para que a humanidade pudesse abrir os olhos para essa consciência do mal como ofensa a Deus, como ódio a Deus, o Pai inventou esse recurso extremo de se tornar acessível às mãos dos homens: “Se és Deus, adivinha quem Te bateu!” Coroara de espinhos: “Salve o Rei dos Judeus!”.
E assim, por Sua vinda e por Sua Paixão, Jesus trouxe a Ordem que da ao mal o nome de mal, e ao bem o nome de bem.
“Agora já não poderão esquivar-se: Se Eu não tivesse vindo, e não lhes tivesse falado, eles não teriam pecado; mas agora o pecado que cometem, chama-se pecado, sem subterfúgios, sem pseudônimos”.
Por isso, quis o Pai, desde o princípio, que a Religião de nosso perdão fosse a Religião que por isso mesmo dá ao pecado o nome de pecado. Mas também, se na divina invenção todos os homens que se levantam contra Deus, contra Sua Vontade, contra Sua Lei são participantes da flagelação de Jesus, este com a sua bofetada, aquele com sua martelada nos pregos da cruz, aquele outro com o escarro na Santa Face, sim, sim, se a humanidade inteira, agora sem desculpas, tem participação de verdugo na Paixão, também está incluída na invenção de Deus os santos recursos que oferecem a todos os homens a participação de vítima, a participação de sacrifício oferecido ao Pai.
Na verdade, na verdade, não sei como pode um coração humano, sem estalar de dor, suportar a lembrança da profundidade de seu pecado, e a lembrança da altura de sua esperança. Nem entendo como é possível pensar na Ceia do Senhor como um ameno e festivo encontro de onde os padres e bispos tiram modelo para brincadeirinhas mais ou menos sexuadas entre jovens! Nem entendo a frivolidade com que se mexeu e remexeu no Santo Sacrifício da Missa para agradar aos heréticos, aos frívolos e aos anormais.
* * *
Uma das características de nosso tempo é justamente aquele cinzento informe, desordenado, anárquico, onde bem não é bem e mal não é mal, ou tanto faz como tanto fez. Este estado de toda uma civilização é o estuário de erros trazidos e acumulados por séculos de Revolução contra Deus, contra a Igreja, para a reconquista do ameno charco inconseqüente, que era o mundo depois do Pecado, e antes da Vinda de Cristo.
“Se não fosse minha vinda...” O Demônio para bem persegui-la, conhece melhor a Sagrada Doutrina às avessas do que os bispos modernistas ou simplesmente modernos que querem fazer da Igreja uma barraca atraente, agradável, divertida. Essa Igreja persegue Jesus pela degradação, pela inflação, pela vulgarização a fim de que, com seu apagamento, se apaguem da memória dos homens aquelas palavras: “Se Eu não tivesse vindo...” e então voltava ao mundo a mistura de mal e bem, e o tranqüilo esquecimento de Deus.
E nessa direção que trabalham todos os ditos progressistas que se esforçam por fazer da Igreja um circo, um cassino, um lupanar qualquer coisa onde possam agradar aos homens, até o desprezo de Deus.
Artigo tirado do site da Permanênca
terça-feira, dezembro 18, 2007
Mensagem de Natal de 2007
“não entendo nada, mas aqui vai uma perguntinha: porque nós andamos por aqui sem saber o que estamos a fazer? não sabemos de nada, não entendemos nada,e esse tal de cristo ,nunca aparece por aqui para que agente possa dar-lhe um bom dia perguntar se ele está bem lá onde ele anda. deixou agente sozinhos por aqui e quer que agente esteja sempre rezar gostaria muito de uma explicação. vós que sabeis de tudo explique. obrigada”
A ironia da leitora trai seu mais profundo desespero e é a esse desespero que eu quero responder. A resposta será a mensagem do Natal 2007 aos leitores deste blog. O texto da mensagem é de C.S. Lewis e é parte do capítulo 5 de seu extraordinário “Mero Cristianismo”, edições Quadrante. Atente bem leitora para os últimos parágrafos deste belíssimo texto de Lewis. Recomendo também o texto de Gustavo Corção intitulado Se Ele não tivesse vindo.
“Cristo levou a cabo a rendição e a humilhação perfeitas: perfeitas porque era Deus, rendição e humilhação porque era homem. Ora, a fé cristã diz-nos que, se de alguma forma participarmos da humilhação e dos sofrimentos de Cristo, participaremos também da sua vitória sobre a morte e encontraremos, após o fim dos nossos dias, uma vida nova na qual nos tornaremos criaturas perfeitas e perfeitamente felizes.
“Isto significa algo muito mais importante do que simplesmente tentarmos seguir os ensinamentos de Jesus. As pessoas perguntam muitas vezes quando acontecerá o ‘próximo passo’ na evolução, o passo em direção a alguma coisa para além do humano. Mas, do ponto de vista cristão, esse passo já foi dado. Em Cristo, surgiu uma nova espécie de homem, e resta agora que o novo tipo de vida que se iniciou com Ele nos seja transmitido.
“Há três coisas que fazem a vida de Cristo chegar até nós: o Batismo, a Fé e esse mistério que diferentes grupos cristãos designam com nomes diferentes – a Sagrada Comunhão, a Missa, a Ceia do Senhor.
“Quanto a mim, confesso que não consigo entender por que precisamente essas três coisas – o Batismo, a Fé e a Sagrada Comunhão – deveriam ser os canais de propagação da nova vida; como aliás, se não mo tivessem explicado, também não teria compreendido nuca a conexão que há entre determinado prazer físico e o aparecimento de um novo ser humano sobre a terra.
“Mas não pense o leitor que eu esteja afirmando que o Batismo, a Fé e a Sagrada Comunhão são meios que venham a substituir os seus esforços pessoais por imitar Cristo. Você recebeu a vida natural dos seus pais, mas isso não significa que continuará a dispor dela se não fizer nada por preservá-la; pode perdê-la por negligência ou lançá-la for apelo suicídio. Tem de alimentá-la e cuidar dela, sem nunca perder de vista que não é você quem dá essa vida a si próprio, mas apenas conserva algo que lhe foi entregue por outras pessoas. Da mesma forma, um cristão pode vir a perder a vida de Cristo que lhe foi dada, e tem de esforçar-se por preservá-la, sem nunca esquecer que nem sequer o melhor cristão do mundo tem essa vida por si mesmo; apenas alimenta ou protege uma vida que nunca poderia ter adquirido graças aos seus próprios esforços.
“Por isso, o cristão está numa situação diferente da de outros homens que também se esforçam por ser bons. Estes esperam agradar a Deus, se é que ele existe, pelo seu bom comportamento; e, se pensam que Ele não existe, esperam pelo menos merecer a aprovação dos homens bons. Já o cristão reconhece que todo o bem que faz procede da vida de Cristo que traz dentro de si. Sabe que Deus não nos ama por sermos bons, mas que nos fará bons porque nos ama.
“Quero deixar bem claro que, quando os cristãos dizem que a vida de Cristo está neles, não se referem apenas a alguma operação mental ou moral. Quando proclamam que estão ‘em Cristo’ ou que Cristo está ‘neles’, não querem dizer simplesmente que pensam em Cristo ou procuram imitá-lo. Querem dizer que Cristo está ‘realmente’ atuando através deles; que toda a massa dos cristãos é o organismo físico através do qual Cristo atua; que eles são – nós somos – os dedos de Cristo e os seus músculos, as células do seu corpo.”
“Bem, na verdade os cristãos crêem que Ele desembarcará uma segunda vez com todo o seu poderio; só não sabemos quando. Mas podemos muito bem adivinhar por que está atrasando sua vinda; é que deseja dar-nos a oportunidade de aderir livremente a Ele.
“Sim, Deus voltará em triunfo. Só não sei se as pessoas que exigem dEle uma intervenção aberta e direta no nosso mundo realmente compreendem o que isso significará, quando acontecer. Porque, quando acontecer, significará o fim do mundo. No momento em que o autor de uma peça de teatro sobe ao palco, é porque a peça terminou.
“Hoje, agora, este momento: esta é a hora para escolhermos o lado certo. Deus ainda se mantém oculto justamente para nos dar essa oportunidade. Não o fará para sempre. Devemos aceitá-lo ou rejeitá-lo.”
Que o Altíssimo nos faça merecedores dessa nova vida que seu Divino Filho veio nos trazer. É o que eu desejo a todos os leitores deste blog.
domingo, dezembro 17, 2006
Mensagens de Natal em prosa e em verso
Esta é a forma deste blog felicitar a todos os seus leitores.
FELIZ NATAL
Por que celebrar o Natal
Olavo de Carvalho
25 de dezembro de 2003
Só existe um motivo para celebrar o Natal, mas esse motivo é tão amplamente ignorado que as festas natalinas devem ser consideradas uma superstição em sentido estrito, a repetição ritualizada de uma conduta habitual que já não tem significado nenhum e na qual, portanto, cada um está livre para projetar as fantasias bobas que bem entenda.
Jesus Cristo, encarnação do Verbo Divino, ou inteligência de Deus, veio ao mundo para oferecer-se como vítima sacrificial única e definitiva, encerrando um ciclo histórico que durava desde as origens da humanidade e que era regido essencialmente pela Lei do Sacrifício (v. Ananda Coomaraswamy, A Lei do Sacrifício, e René Girard, O Bode Expiatório).
A Lei do Sacrifício é inerente à estrutura da existência cósmica. Só Deus tem a plenitude do ser, e o que quer que exista sem ser Deus tem uma existência precária, fundada num débito ontológico insanável, que na escala da alma humana se manifesta como culpa.
A Lei do Sacrifício não pode ser suspensa e jamais o foi.
O que Nosso Senhor Jesus Cristo fez foi cumpri-la toda de uma vez, instituindo em lugar do Sacrifício a Eucaristia, que é a recordação do ato sacrificial definitivo. A recordação passa então a ter o valor de uma repetição sem necessidade de novas vítimas.
Antes as vítimas se somavam: 1 + 1 + 1 + 1...
Agora a vítima única se multiplica por si mesma no ato da Eucaristia: 1 x 1 x 1 x 1...
Façam as contas e compreenderão por que o Natal deve ser celebrado.
O problema é que o fim de um ciclo histórico não traz necessariamente, para as gerações seguintes, a consciência da mutação ocorrida.
Essa consciência deve ser reconquistada e retransmitida de geração em geração, e na sociedade moderna essa transmissão cessou já faz algum tempo. Pouquíssimas pessoas têm uma consciência clara do que ganharam com o Natal. A maioria, mesmo quando recebe presentes, não sabe que eles apenas simbolizam um ganho muito maior que já foi obtido 2003 anos atrás.
Esse ganho pode ser explicado em poucas palavras:
Todo homem, pelo simples fato de existir, é atormentado pela culpa e vive num constante discurso interior de acusação e defesa, que produz medo, ódio, inveja, ciúme, busca obsessiva de aprovação. Esses sentimentos tornam o homem vulnerável às palavras más, às acusações e insinuações que lhe chegam de seus semelhantes, da cultura ambiente ou de seu próprio interior. O conjunto dessas acusações e insinuações é o espírito demoníaco, que em razão da culpa mesma tem poder incalculável sobre o ser humano. Em busca de proteção contra esse poder, o homem se submete aos maus e aos intrigantes, isto é, aos representantes do próprio espírito demoníaco, acreditando que aqueles que podem feri-lo devem também poder ajudá-lo. Com isso ele se torna a vítima sacrificial, o bode expiatório num grotesco ritual simulado.
Cristo adverte-nos que esse sacrifício é inútil, desnecessário e pecaminoso. Não existe no mundo um poder ou autoridade habilitado a exigir vítimas. Deus Pai só exigiu uma, e Ele mesmo a forneceu. Quem quer que, depois disso, se sinta culpado, não deve se oferecer como vítima sacrificial perante altar nenhum. Deve apenas recordar-se do sacrifício de Cristo e alegrar-se. Isso é tudo.
Muitas pessoas até sabem que as coisas são assim, mas entendem isso somente do ponto de vista religioso formal, sem tirar desse conhecimento as conseqüências práticas de ordem psicológica, que são portentosas:
Aquele que se ofereceu para ser sacrificado em nosso lugar não é um cobrador de dívidas nem um acusador, mas um salvador. Ele nada pede, apenas oferece. E em troca aceita uma palavrinha, um sorriso, uma intenção inexpressa, qualquer coisa, pois não é irritadiço nem orgulhoso: é manso e humilde.
Se, sabendo disso, você ainda é vulnerável aos olhares acusadores e às palavras venenosas, se ainda sente ante os intrigantes e os maldosos um pouco de temor reverencial e tenta aplacá-los com mostras de submissão para que eles não o exponham à vergonha ou não o castiguem de algum outro modo, é porque ainda não compreendeu o sentido do Natal.
Esse sentido é simples e direto: os maus e intrigantes não têm mais nenhuma autoridade sobre você. Não baixe a cabeça perante eles, não consinta que suas fraquezas sejam exploradas pela malícia do mundo.
Jesus Cristo já pagou a sua dívida.
É por isso que comemoramos o Natal.
Canto de Natal
Manuel Bandeira
O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.
Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.