quarta-feira, dezembro 23, 2009

Mensagem de Natal de 2009: Por que o Verbo se encarnou?

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós. (Jo 1, 14)


Deus criou todas as coisas do nada, “mas apiedou-se mais do gênero humano do que dos demais seres existentes; não se contentou com criar os homens, conforme fizera a todos os animais irracionais da terra, mas criou-os à sua imagem, fazendo-nos partícipes do poder de seu próprio Verbo, como uma espécie de sombra do Verbo.” Isto nos diz Santo Atanásio, o santo que venceu Ário, o primeiro dos grandes heresiarcas que quase destruiu a Igreja.

O santo continua ainda dizendo: “Ora, Deus não apenas nos tirou do nada, mas pela graça do Verbo, fez-nos viver segundo Deus. Os homens, contudo, se desviaram dos bens eternos, e por instigação do diabo, voltaram-se para as coisas corruptíveis, tornando-se deste modo para si mesmos causa de morte.” Diz ainda: “Com a presença do Verbo, a corrupção natural não nos teria tocado.”

Com o pecado de Adão e Eva, contra os homens se desencadearam a corrupção e a morte com toda a sua força, não podendo eles contar mais com a presença do Verbo. Com a expulsão do Paraíso, caímos na morte. Depois da Queda, “os homens contudo não se detiveram em certos limites, mas avançando pouco a pouco, ultrapassaram finalmente qualquer medida”, nos diz Atanásio. “Difundiram-se adultérios e roubos e toda a terra se encheu de morticínios e rapinas. ... todos rivalizaram em iniqüidade.”

Continua o santo: “Seria incoerente que a palavra de Deus mentisse no caso de que, promulgada com toda a certeza a lei de morte para o homem transgressor do preceito [não comer da árvore do bem e do mal], este não morresse após a transgressão, mas ficasse sem efeito a sentença divina. Deus não seria verídico, se após ter declarado que haveríamos de morrer, de fato, não morrêssemos. Por outro lado, não convinha que, uma vez criados, seres racionais e partícipes do próprio Verbo perecessem e, corrompidos, voltassem ao nada. Então, o que faria Deus, que é bom, uma vez que seres racionais pereciam e as obras divinas se precipitavam na ruína? (...) Era preferível não ser, do que ser e perecer por abandono.”

Este o dilema do Criador, nas palavras do grande santo que venceu o arianismo. Diz mais: “Por conseguinte, não convinha deixar os homens serem arrebatados pela corrupção, por ser isto impróprio e indigno da bondade de Deus. Por esta razão, o Verbo de Deus incorpóreo, incorruptível, imaterial veio a nossa terra, embora dela não estivesse longe anteriormente. De fato, ele não abandou parte alguma da criação, mas tudo enche, permanecendo, contudo, unido ao Pai. Mas, vem por condescendência, favorecendo-nos com sua filantropia e manifestação.”

Quando então, neste Natal, contemplarmos aquele Menino Deus na manjedoura, tenhamos consciência do momento extraordinário em que o Verbo se encarnou, para nos recuperar da Queda, da corrupção, da morte. Mas como é que o Verbo encarnado pode nos recuperar a incorruptibilidade? Responde Santo Atanásio: “O Verbo, portanto, compreendia que a corrupção dos homens de forma alguma poderia ser destruída, a não ser pela morte. Mas, era impossível que o Verbo morresse por se imortal, ele, do Pai o Filho. Por isso, assume corpo mortal, a fim de que este, partícipe do Verbo, superior a tudo, seja capaz de morrer por todos, e graças ao Verbo que nele habita, permaneça incorruptível e doravante faça cessar em todos a corrupção, pela graça da ressurreição. Por conseguinte, qual sacrifício e vítima imaculada, oferece à morte o corpo que assumiu, e logo faz desaparecer a morte de todos os corpos idênticos ao seu, através da oferta de vítima correspondente. (...) Com efeito, pelo sacrifício de seu próprio corpo, ele pôs termo à lei que pesava sobre nós, renovou-nos o princípio da vida, deu-nos a esperança da ressurreição.”

Assim, Queda, Natal, Paixão e Ressurreição é toda a história de Amor de Deus para conosco. É isto exatamente que devemos festejar neste Natal: Deus nos ama e enviou seu Filho para nos resgatar. O poder do Pecado Original que pesava sobre nós pode ser vencido se colocarmos em prática as palavras de Seu Filho e se participarmos da Sua Vida que jorra através dos Sacramentos da Igreja. Com isso, voltaremos um dia ao Paraíso, à incorruptibilidade, à contemplação beatífica de Deus.

A todos os leitores deste blog, desejo um Santo Natal, no seio da Igreja Católica, fora da qual não há Salvação.

3 comentários:

Sandra Sabella disse...

Que as palavras do seu apostolado neste blog frutifiquem em graças e bençãos para você e os seus entes queridos hoje e sempre em Jesus e Maria.

Grata, senhor Antônio Araújo, por instruir-me na Verdade.

asahi disse...

FELIZ NATAL A TI,ANTONIO,E AOS VISITANTES DO BLOG.

Que NS Jesus Cristo e NS de Fátima os abençõe e os guie.

Flavio.

Anônimo disse...

Um feliz e Santo Natal a todos os seguidores e visitantes deste blog.

J. Reis