quarta-feira, outubro 17, 2018

Show de manifestos pró-Haddad de reitores e "intelectuais".

Isso tudo me lembra os manifestos dos anos 1990 que apareceram contra a crítica corrosiva que Olavo de Carvalho fazia ao Imbecil Coletivo. Essa corja responde a argumentos com abaixo-assinados. A turminha se sente mais confortável quando junta, mas não apresenta nenhum argumento racional.

Entre os "intelectuais" deste atual manifesto, encontramos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Preta Gil, Dráuzio Varella, Casagrande, Juca Kfouri e quejandos. Com essa intelectualidade, não surpreende que a ignorância no Brasil esteja atingido níveis catastróficos. 

Ocorre que o Brasil foi salvo por um intelectual, este mesmo que foi alvos dos antigos manifestos. É um caso único no mundo. Um sujeito sozinho, perdido num amontoado gigantesco de livros, preocupado com assuntos aparentemente alheios à agitação do mundo, com sua obra de formiguinha, em vinte anos, constroi um ambiente em que é possível expulsar o PT da vida nacional. O PT comunista, abortista e ladrão. O Brasil de hoje é obra de um estudioso, que ainda vivo, poderá contemplar os resultados práticos de sua vasta erudição.

Sim, os "intelectuais" e reitores terão a sua hora. Estamos hoje ocupados em vencer o PT no cenário nacional. A luta na academia, embora já tenha começado, aumentará muito de nível. Esperem e verão. Essa gangue será varrida das cátedras e dos púlpitos. Atenção também padres e bispos hereges, vocês serão também varridos da história.

Manifesto dos "intelectuais" - clique aqui.

Manifesto dos reitores - clique aqui.

quinta-feira, outubro 11, 2018

A provável falsidade de autoria do decálogo de Lenin

Um leitor chama a atenção do blogueiro para o fato de que o decálogo de Lenin seja falso. Ou seja, que não tenha havido, na obra do indigitado, tal decálogo. O prof. Francisco Castro, de uma maneira delicada, tenta atrair a atenção do blogueiro para este fato dizendo: "Olá Professor, poderia citar o livro ou a fonte onde ele escreveu este decálogo? Obrigado." Veja que o professor não disse que o decálogo era falso, só pediu a referência. Talvez ele soubesse que era falso e só foi gentil. Talvez ele genuinamente quisesse saber a referência. De qualquer modo, agradeço-lhe o comentário.

Não me lembro onde, em 2005, encontrei o decálogo. Mas com a pergunta do prof. Castro, fui lá procurar a fonte. Encontrei uma tonelada de referências ao decálogo e também uma suspeita, bem fundamentada de que o decálogo surgiu da pena de outra pessoa. Assim, não encontrei a fonte e, por hora, tenho de admitir uma grande probabilidade de falsidade da autoria de tal texto.

Mas penso que Lenin subscreveria tal decálogo e ficaria satisfeito de que dele só soubéssemos tal decálogo. Pois que o comunismo é muito mais feio, muito mais cruel, muito mais mortífero do que o que está dito nesses dez mandamentos. 

Esses dez mandamentos são todos verdadeiramente comunistas. Mas há centenas de outros mandamentos, muito mais terríveis.

Considere este decreto: "A partir de 1o. de março de 1919, o direito de possuir mulheres entre 17 e 32 anos está abolido (...). Pelo presente contrato, nenhuma mulher pode ser doravante considerada como propriedade particular e todas as mulheres se tornam propriedade da nação".

Mas há mais. Comentando sobre os objetivos do comunismo, W. Cleon Skousen os classifica em 45 categorias ou itens, dos quais separei alguns poucos relacionados ao decálogo de autor desconhecido. Os números dos itens são os originais.

17. Assuma o controle as escolas. Use-as como correias transmissoras para o socialimso e para a propaganda do comunismo. Suavise o currículo. Assuma o controle das associações dos professores. Coloque a doutrina do partido nos livros-textos

18. Assuma o controle dos jornais dos estudantes.

19. Use as greves dos estudantes para fomentar protestos públicos contra programas e organizações que estão sob ataque comunista. (Nota: O sucesso desses objetivos, da perspectiva comunista, é óbvio. Há alguma dúvida sobre isso?)

20. Infliltrem-se na imprensa. Assuma o controle da crítica literária, da editoria, de posições de elaboração de políticas editoriais.

21. Assuma o controle de posições chave no rádio, TV e indústria cinematográfica.

22. Continue a campanha de descrédito da cultura americana pela degradação de todas as formas de expressão artística. Um comunista americano recebeu a ordem de "eliminar todas as belas esculturas de parques e edifícios", substituindo-as por estruturas desformes, feias e sem sentido.

23. Controle a crítica artística e os diretores de museus. "Nosso plano é promover a arte feia, repulsiva e sem sentido".

24. Elimine todas as leis contra a obscenidade chamando-as de "censura" e uma violação da liberdade de expressão e da liberadade da imprensa.

25. Derrube os padrões culturais de moralidade pela promoção da pornografia e da obscenidade em livros, revistas, cinema, rádio e TV. (Nota: Esta é a agenda granmsciana da "longa marcha através das instituições" explicitamente declarada: tomada gradual dos "meios de comunicação" e o uso desses veículos para corrempor a cultura e enfraquecer a capacidade de resistência do indivíduo)

26. Apresente a homossexualidade, a degenerecência e a promiscuidade como "normal, natural e saudável". (Nota: Hoje, aqueles poucos que ainda tem a coragem de defender a moralidade pública são denunciados e viceralmente atacados.)

27. Infiltre-se nas igrejas e substitua a religião revelada pela religião "social". Desacredite a Bíblia e enfatize a necessidade da maturidade intelectual, que não necessita de uma muleta religiosa. (Nota: Isso tem sido realizado amplamente por meio da infiltração comunista do Conselho Nacional das Igrejas, no Judaísmo Reforma e Conservador e nos seminários católicos.)

28. Elimine a oração ou qualquer expressão religiosa nas escolas com a desculpa de que isso viola o princípio da "separação entre estado e igreja".

40. Desacredite a família como instituição. Encorage a promiscuidade e o divórcio fácil.

41. Enfatize a necessidade de educar as crianças longe da influência negativa dos pais. Atribua à influência supressora dos pais os preconceitos, os bloqueios mentais e o retardamento das crianças.

42. Crie a impressão de que a violência e a insurreição são aspectos legítimos da tradição americana; estudantes e grupos de interesse especial devem se levantar e usar sua "força unida" para resolver os problemas econômicos, políticos e sociais.

Para o bem de todos, devo dar a fonte de tais citações: Naked Comunism, de W. Cleon Skousen.

Assim, penso que Lenin preferiria que ficássemos com o decálogo. A coisa é muito mais feia, se aprofundarmos um pouco mais. O livro de Skousen é uma boa referência.

Repito o que disse no post anterior: Diga-me qual dos dois candidatos à presidência está completamente em acordo com o que vai acima.

quarta-feira, outubro 10, 2018

Recordar é viver: decálogo de Lenin, 1913

Em 29 de agosto de 2005, publiquei o decálo de Lenin. Reproduzo abaixo o texto. Diga-me qual dos dois candidatos à presidência está completamente em acordo com o que vai abaixo.


Decálogo de Lenin, 1913


1.. Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual;

2.. Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação de massa;

3.. Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais;

4.. Destrua a confiança do povo em seus líderes;

5.. Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas, tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo;

6.. Colabore para o esbanjamento do dinheiro público; coloque em descrédito a imagem do País, especialmente no exterior e provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação;

7.. Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do País;

8.. Promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não as coíbam;

9.. Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa socialista;

10.. Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa.

quinta-feira, outubro 04, 2018

Como votarei em Minas Gerais

Caros, alguns leitores me perguntam como votarei aqui em Minas. Será assim:

17600 Caio Bellote
1760 Coronel Felício
777 Dinis Pinheiro
310 Carlos Viana
30 Zema
17 Bolsonaro

A situação para o Senado é a mais importante em Minas. Temos de evitar que Dilma ganhe a vaga. Carlos Viana é o segundo colocado nas pesquisas e Dinis Pinheiro é apoiado pelo Bolsonaro.

São Francisco de Assis, rogai por nós!

quarta-feira, outubro 03, 2018

Recordar é viver: Candidatos, meu voto está à venda!

Em 22 de agosto de 2008, publiquei um post sobre minhas considerações sobre candidatos a cargos públicos. Republico-o agora, por razões óbvias.

Candidatos, meu voto está à venda!


Como todos sabem, época de eleição é um bom momento para vendermos o voto. Tentando dar um bom exemplo a meus filhos, estou eu aqui a anunciar que meu voto está à venda.

Acautelem-se, contudo, os candidatos afoitos. Meu voto é muito caro. Eu disse muito caro. Não é qualquer depósito em conta no exterior que vai levando meu voto. Não é qualquer mensalão que vai me enganar.

Meu voto irá para o candidato que depositar na Caixa .... de correio lá de casa, uma declaração assinada e com firma reconhecida, com as seguintes afirmações (que devem também constar da propaganda do candidato no rádio e na televisão):

1. O fundamento moral de minhas ações de candidato eleito serão os Dez Mandamentos da Lei de Deus.

2. Caridade é virtude individual. Quando o governo se mete a fazer caridade com o dinheiro público é sinal de vagabundo pondo a mão no salário do trabalhador.

3. Todo cidadão tem o direito de defender a si e a sua família de criminosos e assassinos, inclusive com arma em punho. Porte de arma para o cidadão comum é fundamento da democracia.

4. Todo cidadão tem o direito a educar seus filhos segundo seus próprios valores. Educar o filho em casa é um direito básico da cidadania.

5. A escola, pública ou privada, não tem o direito de doutrinar nossos filhos. Eles têm o direito de receber uma educação baseada na verdade e nos valores da Civilização Ocidental.

6. Lugar de criminoso é na cadeia e cadeia não é colônia de férias.

7. Crimes hediondos devem ser punidos com a pena de morte.

8. ONG significa Organização Não Governamental, portanto nada de dinheiro público financiando esse tipo de organização.

9. Sou a favor de “programas de redução da mortalidade infantil”, por isso sou contra o aborto.

10. Sou favorável à “preservação das espécies em extinção”, por isso sou contra a matança generalizada de cristãos em países comunistas e islâmicos.

Esse é o preço mínimo que estou cobrando dos candidatos que desejarem o meu voto. Se quiserem pagar mais, podem adicionar itens ao decálogo acima. Por exemplo, quem afirmar que existem verdades absolutas, pois ninguém consegue negar isso sem uma afirmação autocontraditória, ganha muitos pontos no meu conceito. Quem fizer algum comentário a respeito da prova tomista, em cinco vias, da existência de Deus, ganha minha mais profunda admiração. Mas basta o decálogo, para ser um candidato de minha predileção.

segunda-feira, outubro 01, 2018

O deslocamento da função magisterial depois do Concílio Vaticano II, por Romano Amerio - Parte III


III – O Papa abdica de sua função magisterial na medida em que não prega mais a fé sobrenatural 

7. Na época do Concílio, estava-se consciente de que a virtude didática lembrada aqui estava em vias de se dissolver na incerteza, como demonstra a declaração autorizada do Cardeal Heenan, Primaz da Igreja da Inglaterra, que numa das primeiras sessões do Concílio se exprimia assim: “Hoje, na Igreja, não há mais o ensinamento dos bispos; estes não são mais a referência na Igreja. O único ponto sobre o qual se atualiza a função magisterial da Igreja é o Soberano Pontífice”. Isto é, onde não há mais pessoas ensinando, todos ensinam; e onde não há mais uma verdade ensinada, ensina-se uma multidão de opiniões. 

8. Mas essa declaração do Primaz da Inglaterra, há trinta anos de distância, parece bem otimista, pois hoje, a função magisterial não se exerce nem mais pelo Pontificado. Se, como vimos, o Magistério é a manifestação da Palavra divina depositada na Igreja, que a Igreja tem por missão e dever de ensinar e pregar, essa manifestação da Palavra divina no Pontificado atual tem estado ausente ou, ao menos, em declínio: eu não teria escrito 57 glosas sobre o documento Tertio Millenio Adveniente se o Santo Padre tivesse sempre ensinado e manifestado a Palavra divina que é, ela, o verdadeiro “Magistério vivo” na Igreja, e se ele não tivesse, de boa vontade, deixado de exprimir diretamente e claramente a verdade da maneira explícita. 

9. Mas eu redigi justamente essas glosas porque o Santo Padre não prega aos fiéis, no exercício pleno de seu magistério, auxílio que eles esperam do Magistério Supremo; ele fala, mas não manifesta aquilo que deveria manifestar. Assim, é preciso dizer, mesmo nos documentos mais importantes, cada palavra do Papa não é mais o Magistério, mas, doravante e muito frequentemente, ela não é mais que a expressão de visões, de pensamento, de considerações difundidas na Igreja: o que quero dizer precisamente é que o Papa, em suas alocuções, reflete todo um sistema de pensamento que é aquele em que o homem de hoje se compraz. 

10. Uma doutrina privada é a elaboração própria de um indivíduo, mas não se trata disso aqui: trata-se de doutrinas que são difundidas e que se tornaram preponderantes numa grande parte da teologia. Lê-se assim na Tertio Millenio: “Cristo é o cumprimento do anelo de todas as religiões do mundo, constituindo por isso mesmo o seu único e definitivo ponto de chegada.” (N. 6); e ainda ...o encontro do cristianismo com aquelas antiquíssimas formas de religiosidade, que significativamente são caracterizadas por uma orientação monoteísta.” (N. 38), e ainda, “[Para o diálogo inter-religioso] deverão ter lugar proeminente os hebreus e os muçulmanos” (N. 53).  E na Ut Unum Sint: “... a infalibilidade do Papa é uma verdade da Igreja à qual não se pode renunciar. Mas deverá se conceber uma nova forma de interpretá-la.1 Então, mesmo as manifestações do Papa assumiram um caráter estranho à função magisterial suprema. Quando o Papa não manifesta a Palavra divina que lhe é confiada e que ele tem a obrigação de manifestar, ele exprime suas visões pessoais na acepção mais elevada; mas ele não exprime a Palavra de Deus. Nos encontramos assim diante da manifestação da decadência do Magistério ordinário da Igreja. O Papa deve guardar e manifestar o Depósito da Fé, da Revelação divina, mas ele não o manifesta senão escassamente. Desde o instante em que o Papa abdica da realização de seu principal dever, uma grande crise ocorre na Igreja, pois é o seu centro que é atingido. Mas não existe nenhum órgão corretor superior ao Pontífice: de fato, o Primado do Pontífice romano é um dos dogmas fundamentais, pode-se dizer, da Igreja. 


CONTINUA...

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1 Não encontrei tal trecho nem na versão em português nem na versão em francês. (N. do T.)

quinta-feira, setembro 27, 2018

Palestra sobre Chesterton


Palestra a ser ministrada pelo Prof. Angueth, na ocasião do lançamento do livro "Chesterton: O Pensador Completo", recém publicado pelas Edições Cristo Rei. 

Dia e horário: 30/09/18 - 10:30 às 12:30

Local: Igreja Nossa Senhora do Carmo - Belo Horizonte - MG

Palestra promovida pelo Instituto São Pedro de Alcântara.

terça-feira, setembro 25, 2018

Acordo entre Vaticano e PC Chinês: surpresa que não deveria surpreender!

Converso com padres e leigos sobre a última etapa da submissão da Igreja ao comunismo e todos parecem surpresos. Penso que não há nada a surpreender. Desde que o Concílo Vaticano II decidiu não condenar o comunismo como erro, tudo o mais já estava embutido, só aguardando o futuro para se desenrolar.

Alguém que queira acompanhar o desenvolvimento, a maneira mais rápida é ler dois documentos (entre muitos). O primeiro deles é de fevereiro de 1984, escrito por Jean Buridan e publicado pela revista Itinéraires. Descreve o passo-a-passo do famigerado acordo de Metz.

O segundo foi escrito por Danièle e Pierre de Villemarest, intitulado Le KGB au coeur du Vatican, livro publicado pelas Éditions de Paris, em 2006. Este estudo vai desde a tomada de poder de Lenin e inclui uma vasta gama de informação das tramas da KGB para invadir o Vaticano, em suas várias camadas, desde os anos 1920.

Os papas que orquestraram o acordo de Metz estão prestes a subir aos altares da Igreja! Nenhum católico bem informado pode, em sã consciência se surpreender com isso. Toda a história está muito bem documentada para quem quiser ver.

Se Nosso Senhor e Sua Mãe não derem jeito na situação, a coisa ainda vai piorar.

Que Deus tenha piedade de nós.

sexta-feira, setembro 21, 2018

O deslocamento da função magisterial depois do Concílio Vaticano II, por Romano Amerio - Parte II


II – Negação da sobrenaturalidade da fé

4. O deslocamento da autoridade de que gostaríamos de falar é um dos movimentos de inspiração racionalista, humanista e naturalista dos mais enraizados. Seu grande princípio: as verdades da fé têm sua origem na atividade do intelecto humano.

5. Na doutrina tradicional, a fé excede a razão; segundo a doutrina da Igreja Católica, para crer deve-se sair da esfera da razão, ir além da razão, pois o que está além da razão lhe é extrínseco. Estar no exterior não significa estar em oposição; significa, sobretudo, que é um complemento, um auxílio necessário e é justamente por isso que está fora. Ao contrário, segundo a doutrina moderna, a fé é uma forma de razão, isto é, que ela é algo que lhe é intrínseco. Isto significa que para crer não é necessário de sair da esfera da razão.

6. A função do Magistério da Igreja é de inculcar no espírito dos fiéis as convicções sobrenaturais: aprender, se ligar, aderir. A palavra “ensinar” significa “agir de modo que alguém saiba o que não sabia”. Além do mais, a função do Magistério é também apologética, pois o mestre deve defender o que ensina. Deve defender alegando seja os motivos oferecidos pela autoridade bíblica, portanto os motivos de ordem sobrenatural, ou ainda os motivos de ordem natural. Em terceiro lugar, ensinar uma coisa significa também fazê-la ser retida pelos espíritos aos quais é ensinada, pois o mestre deve garantir que o seu ensinamento não seja nem perdido nem modificado.

CONTINUA...

sexta-feira, setembro 14, 2018

O deslocamento da função magisterial depois do Concílio Vaticano II, por Romano Amerio - Parte I

Texto de Romano Amerio, de 1996, publicado no Courrier de Rome, em janeiro de 2018

Introdução

1. Chamado a dar minha contribuição ao Congresso Teológico Si Si No No, gostaria de desenvolver este princípio: a crise da Igreja Católica é uma crise devida ao deslocamento da autoridade magisterial que, da autoridade do Magistério universal é transferida à autoridade dos teólogos. Deslocamento que foi rapidamente sentido, pois nos anos imediatamente pós-concílio a reação foi rápida, e nesses últimos 30 anos a maioria dos teólogos conseguiu o que reivindicava então e se propunha a realizar: isto é, que os próprios teólogos fossem reconhecidos como participantes do ofício didático da Igreja. Tenho entre meus documentos muitos recortes de jornal, numerosas provas que a coisa era sentida como um perigo.

I - Das origens da crise: a equivocidade dos textos do Concílio

2. O Concílio -- deve-se dizer -- afirmou sobre este ponto a doutrina perene da Igreja. Mas o perigo se anunciou imediatamante depois. De fato, aqui, não se deve esquecer o grande princípio metódico dos inovadores, bispos e experts conciliares. Estes últimos introduziram sub-repticiamente nos textos propostos ao Vaticano II as expressões ambíguas que reservaram a si, depois da publicação dos textos, o direito de interpretar segundo um sentido inovador. Eis a estratégia perpetrada, e perpetada explicitamente, pelos modernistas. A este propósito há uma declaração muito importante -- contida também no Iota Unum -- do dominicano holandês: "As ideias que nos eram caras, nós as exprimimos diplomaticamente, mas depois do Concílio tiraremos as conclusões implícitas". O que equivale dizer: utilizamos uma linguagem diplomática, isto é, dupla, na qual a letra é formada em vista à hermenêutica, aclarando ou obscurecendo as ideias que nos interessam ou que nos convenham.

3. Formaram-se assim os documentos conciliares que, supondo uma hermenêutica laxista e frágil, iriam reforçar as sentenças inovadoras. Sem esquecer que o escândalo principal e radical, que se deve atribuir a João XXIII, devido a que ele consentiu que os observadores protestantes não só assistissem aos trabalhos das comissões, mas que eles com elas cooperassem, a tal ponto que certos textos do Concílio não são somente elaborações de teólogos e bispos, mas de teólogos protestantes.

CONTINUA...

terça-feira, setembro 11, 2018

Corção em sol menor

Lendo o extraordinário livro de Corção, Conversas em Sol Menor, recolho dois trechos que reverberaram em minh'alma. 

Falando se sua fase astronômica, ele diz: "O leitor talvez não conheça a espécie de exultação que vem do exercício da exatidão. Forma humilde da verdade, o décimo do segundo de arco tem um fascínio esportivo, poético e moral. Medir é um modo de possuir, além de ser um modo de conhecer; e também um modo de se comprometer".

Mais a frente, falando de sua fase de escritor, diz: "Como pode o escritor ser escritor se não tiver o gosto supremo das mais finas exatidões".

Tendo sentido o fascínio da exatidão, por dever profissional, aprecio muitíssimo essa impressionante definição: "forma humilde da verdade". Quem se preocupa com a exatidão, inclusive da linguagem está envolvido no exercício mais humilde da verdade.

Ai de mim, como diria Corção, que só conheci esse grande escritor já velho e, ai do Brasil, que até hoje o despreza!

terça-feira, setembro 04, 2018

Mais sobre a profecia do Prof. Olavo acerca da pedofilia.

Jason Leonard, 37 anos, considerado pelas autoridades inglesas um perigoso pedófilo, foi condenado em 2013 a 32 meses de prisão fechada por posse de imagens pedo-pornográficas. Um tribunal o proibiu igualmente de viajar para fora do país.


Mas Jason impetrou recurso para que a justiça britânica levantasse a proibição, por se considerar vítima de discriminação, noticia o The Mirror.

Para a estupefação da corte, Jason Leonard comparou a situação dos pedófilos à dos “dos judeus e dos homossexuais durante a II Guerra Mundial”.

Durante a audiência, esse pedófilo declarou que a idade de sua “companhia ideal” se situaria entre “12 e 14 anos”. E que é por isso que ele deseja poder viajar a países em que a maioridade sexual é mais baixa, com a Tailândia, a Espanha ou a França.

Quando o juiz lhe perguntou a que idade ele situava a maioridade sexual, o pedófilo assumido declarou que uma “criança numa idade em que seja capaz de falar, está numa idade capaz de ter relações sexuais”.

O juiz lhe perguntou também sua opinião sobre o estupro, mas ele se recusou a responder à questão.

Quanto ao advogado de Jason Leonard, ele declarou que a decisão da justiça de proibir seu cliente de viajar para fora da Inglaterra “era completamente desproporcional, pois nada há nos registros criminais de seu cliente que prova que ele teve relações sexuais com uma criança. A única coisa que ele já fez foi baixar, na Internet, pornografia infantil”.

O tribunal se recusou, todavia, a levantar a interdição, lembrando que Jason Leonard está “profundamente perturbado com um comportamento abertamente pedófilo”.

Um oficial da polícia britânica comentou esse caso: “Ele é único. Nos meus últimos dez anos de serviço, jamais cruzei com um delinquente sexual que reconhecesse abertamente suas tendências pedófilas. Isso é justamente a razão porque que se assume que ele se tornou excepcionalmente perigoso. O senhor Leonard exprimiu seu desejo de deixar o país, pois ele pensa que a polícia, o sistema judiciário e o governo de nosso país perseguem os pedófilos. Ele está convencido disso. Ele compara isso à perseguição aos homossexuais de 40 anos atrás. Está persuadido de que a pedofilia será um dia aceita da mesma maneira que a homossexualidade”.

Sobre este último ponto, à vista da degradação moral de nossa sociedade, é provável que o futuro dê razão a Jason Leonard.

Para acessar o artigo orginal, em francês, clique aqui.

segunda-feira, setembro 03, 2018

Pergunta antiga, que há muito deveria ser respondida.

Um leitor anônimo, no post UM MONGE E A SUA CURIOSIDADE, pergunta o seguinte:

Aproveitando o espaço dos comentários, gostaria de fazer uma pergunta sobre a santa doutrina católica./ Jesus Cristo morreu por muitos, isso ja é de conhecimento, mas infelizmente trocaram o "por muitos", e colocaram o "por todos" ,mas porque no Catecismo maior de São PIO X na pergunta: " 112) Se Jesus Cristo morreu pela salvação de todos, por que nem todos se salvam?
Jesus Cristo morreu por todos, mas nem todos se salvam, porque nem todos O reconhecem, nem todos seguem a sua lei, nem todos se servem dos meios de santificação 
que nos deixou." Gostaria de entender porque essa aparente contradiçao no catecismo maior. respondam nos comentarios ,por favor.

A diferença aqui é entre ato e potência. O sangue de Cristo é "em potência" suficiente para salvar todos nós. Mas o que está em potência precisa de algo em ato para se atualizar. O que é este ato? É exatamente o que expllica São Pio X, a nossa vontade, de reconhecê-Lo, de seguir Sua lei e de se servir dos meios de santificação. Assim, não há nenhuma contradição.

São Pio X, rogai por nós.

Paço de São Cristovão, 1840


A imagem pode conter: céu, atividades ao ar livre e natureza


ALÉM DA CINZA
Brasil que já não existe, 
Pois morreu em desengano,
Vive em nossa alma triste 
Impávido, soberano.
SIDNEY SILVEIRA

Essa quadrinha é a minha singela homenagem ao muito que se perdeu hoje no incêndio do Museu da Quinta da Boa Vista.
A propósito, há tempos perdi todas as esperanças no Brasil; se continuo a trabalhar no meu âmbito restrito é porque a solidão moral me impele a tanto.
Por paradoxal que pareça, essa humana desesperança faz com que eu me sinta infinitamente livre.

Faço minhas as palavras do prof. Sidney Silveira.

quarta-feira, agosto 22, 2018

Mais uma profecia do Prof. Olavo que se realiza, infelizmente!

Há uns dez anos, ouvi o prof. Olavo profetizando que a pedofilia seria admitida como coisa normal em 20 anos. Ele errou! Levou só dez anos. A França acaba de descriminalizar a pedofilia.


Clique aqui para ir para a reportagem.


Seguindo a profecia, ele disse que o passo seguinte seria criminalizar todo o comportamento contra a pedofilia. Aguardemos!

segunda-feira, agosto 20, 2018

Os Santos da Reforma



 O título acima se refere, obviamente, ao exército de santos que Nosso Senhor nos enviou na época da chamada “reforma”, ou o movimento que Lutero iniciou em 1517 e que completa agora 500 anos. Segundo Pe. Rivaux, em seu Tratado de História Eclesiástica: “Lutero, destruindo toda a subordinação à autoridade eclesiástica, proclamando a independência absoluta do espírito, abolindo todas as ideias de abstinência, de mortificação e de penitência, reuniu em suas mãos todo o poder que o inferno tinha na terra.” Palavras terríveis as do Pe. Rivaux; mais terríveis ainda por serem a mais pura verdade. Do ponto de vista espiritual, esquecendo por hora os aspectos históricos, o poder infernal varreu toda a Civilização Ocidental e criou uma situação que não iria ser resolvida jamais. Esse poder ainda devasta o mundo, hoje, com muito mais sofisticação que anteriormente.

Sabemos que o inferno só age com a autorização de Deus, e alguns consideram a Reforma Protestante como um castigo para a Igreja, pelo seu estado lastimável logo no término da Idade Média. Mas como aconteceu com a Queda, depois da qual Deus nos mandou um exército de Profetas e depois Seu próprio Filho, Ele não se esqueceu de seu povo, e nos mandou muitos, muitíssimos santos para salvar o que podia ser salvo da antiga cristandade unida.

Precisávamos mesmo desse exército de santidade, pois o ataque protestante foi diferente de todos até então desferidos contra a Igreja de Cristo. Os ataques anteriores eram heresias e movimentos heréticos em que era possível explorar seus conteúdos, debate-los, defini-los e, enfim, condená-los. Mas o movimento protestante produziu, segundo Belloc[1], “uma pletora de heresias”, não uma heresia. E essas heresias possuíam uma atmosfera comum, ainda segundo Belloc, que prolongava e espalhava uma atmosfera moral muito específica e que conhecemos como protestantismo. As antigas heresias disputavam e rivalizavam-se com a Igreja então existente; o protestantismo propunha dissolver a Igreja Católica. Hoje sabemos o sucesso que esse movimento infernal está logrando.

Chesterton diz, em sua biografia de Santo Tomás, que “cada geração busca seu santo por instinto; e ele não é o que o povo quer, mas, ao contrário, o que o povo precisa.” Isto certamente se aplica a cada santo que Nosso Senhor nos enviou naquele século XVI. Veja-se, por exemplo, esta lista certamente incompleta: Santo Inácio de Loyola (1491-1556), São Francisco Xavier (1506-1552), São Carlos Borromeu (1538-1584), São Francisco de Sales (1567-1622), Santa Teresa D’Ávila (1515-1582), São Francisco Borja (1510-572), São Pedro de Alcântara (1499-1562), Santo Estanislau Kotska (1550-1568), Santo Aloísio Gonzaga (1568-1591), São Felipe Neri (1515-1595), Santa Joana Francisca de Chantal (1572-1641), Santa Maria Madalena de Pazzi (1566-1607), São João de Deus (1495-1550), São Pedro Canísio (1521-1597), São João da Cruz (1542-1591) São Pio V (1504-1565).

O ano de 1550 vê quase todos estes santos vivos (três deles nasceriam pouco depois). Do recém-nascido Santo Estanislau ao quase falecido São João de Deus e os ainda por nascer São Francisco de Sales, Santa Joana e Santo Aloísio. Há documentação abundante da incorruptibilidade dos corpos dos seguintes santos[2]: São Francisco Xavier, São João de Deus, Santa Teresa D’Ávila, Santo Estanislau Kotska, São Carlos Borromeu, São João da Cruz, São Felipe Neri, Santa Maria Madalena de Pazzi, São Francisco de Sales, Santa Joana Francisca de Chantal e São Pio V.

A importância de cada um desses santos é matéria de avaliação pessoal no que tange a devoção pessoal, mas não há como negar que, no plano histórico mais geral, e também no plano sobrenatural, alguns foram mais importantes que outros, na preservação da Fé Católica onde foi possível fazê-lo. O evento central para a preservação da fé foi obviamente o Concílio de Trento. O nome de São Carlos Borromeu está indelevelmente ligado a esse concílio. Ele foi o responsável direto pela elaboração e publicação do Catecismo do Concílio de Trento, conhecido como Catecismo Romano. Quem conhece esse catecismo sabe quão monumental ele é e quão fundamental ele foi para a verdadeira reforma da Igreja. O trabalho desse santo em sua diocese, como bispo, foi também extraordinário.

Belloc destaca, em sua obra sobre a Reforma[3], dois santos que ele denomina de “elementos subsidiários de defesa” da Fé: Santo Inácio de Loiola e São Filipe Neri. São Filipe Neri participou ativamente da reforma do clero e de seus costumes, exatamente no centro da cristandade: Roma. O apóstolo de Roma, com seus exemplos, sua piedade, sua imensa capacidade intelectual, seu amor a Deus e a Nossa Senhora e seus milagres, foi uma motivação extraordinária para a reforma dos costumes e para o terror dos inimigos da Igreja. Além disso, ele teve uma participação central num acontecimento que poderia ter levado a França para o lado dos protestantes. Henrique IV, antes calvinista, tinha abjurado a heresia e se convertido ao catolicismo. No caos das guerras religiosas, ele voltou ao calvinismo. Mais uma vez, ele quis voltar à antiga religião, mas o papa Clemente VIII, com apoio dos cardeais, negou ao rei a absolvição. São Filipe, consciente do que estava acontecendo e prevendo a apostasia da França, fez jejuns e orações extraordinárias e pediu ao Cardeal Barônio, seu filho espiritual e confessor do papa, que o acompanhasse nesses exercícios espirituais. Depois de três dias de práticas espirituais, disse ao cardeal: “Hoje o papa te pedirá para ouvi-lo em confissão, antes de lhe dares a absolvição, dizei-lhe: O Pai Filipe ordenou-me que negasse a V. Santidade a absolvição e lhe declarasse que não continuarei a servir-te de confessor se não concederes absolvição ao rei da França.” Assim Barônio fez. Clemente VIII, impressionado com essa declaração, pediu a absolvição com a promessa de cumprir o pedido de São Filipe. Isso salvou a França para a Fé.

Embora o século XVI tenha presenciado o surgimento de numerosas ordens religiosas (mais um sinal da interferência de Deus para salvar seu povo escolhido), tais como os teatinos, os capuchinhos, os recoletos, os oratorianos, etc, nenhuma foi mais instrumental naquele momento que a ordem criada por Santo Inácio, a Companhia de Jesus. A importância dessa ordem pode ser aquilatada pela quantidade e qualidade dos inimigos que ela suscitou, principalmente dentro da Igreja. Santo Inácio, como militar, deu à sua ordem uma organização militar, uma disciplina militar. E nas guerras religiosas, esse regimento de santos homens lutaram no front mais destituído de soldados; nas fileiras do conhecimento, da retidão pessoal e do ensino. Os jesuítas, como se chamaram os soldados de Santo Inácio, forneceram à Igreja as melhores armas para esse front da guerra. Eles consolidaram um poderoso método de ensino que foi preservado por séculos e que educou toda a Europa católica, consolidando as decisões do Concílio de Trento e formando inumeráveis gerações católicas em todo o mundo. Somos católicos hoje, nós habitantes da América do Sul, por causa dos jesuítas. Quando se espalharam pelo mundo, eles ganharam incontáveis almas para o reino de Nosso Senhor. Um deles, o fabuloso São Francisco Xavier batizou, segundo avaliações da época, mais de um milhão de pessoas na Índia e por onde ele passou. Isso é tão extraordinário quando seus milagres, incluindo várias ressurreições.

Como não falar também do livro que Santo Inácio escreveu, delineando seus Exercícios Espirituais, a base da meditação católica. O cardeal Newman diz desse livro que: “Se há alguma obra que faça bem conhecer a comunhão íntima dos membros da Igreja Católica, com seu Deus e Salvador, é certamente esta”. O papa Paulo III, em 1548, aprovou a obra de Santo Inácio, nestes termos: “Conhecendo que esses Exercícios são cheios de piedade e santidade, muito úteis e salutares à santificação e adiantamento dos fiéis, nós o aprovamos, louvamos e confirmamos no todo e em suas partes: Quoad onmia et singula in eis contenda”. São Francisco de Sales dizia que essa obra tinha salvado tantas almas quantas letras encerrava.

Não é obviamente um mero acaso que São Filipe Neri e Santo Inácio de Loiola foram singularizados por Belloc no processo da Contra-Reforma.

Que todos eles roguem a Deus por nós.



[1] As Grandes Heresias, Hilaire Belloc, trad. Antônio Emílio Angueth de Araújo, Ed. Permanência, 2009.
[2] Ver, por exemplo, The Incorruptibles, Joan Carrol Cruz, Tan Books, 1977.
[3] How The Reformation Happened, Hilaire Belloc, Tan Books, 1992.