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terça-feira, maio 26, 2020

Resposta do blog a um leitor corajoso (anônimo) que é do partido do coronavírus.

Escreve o meu admirador/odiador anônimo, num comentário ao post Podcasts do Angueth:

"Ninguém impôs nada. Pode sair de casa tranquilo, ir dar uma voltinha... Mas sabe que tem umas 5 comorbidades, né!? Aí finge que está obrigado a ficar em casa e fica incitando seus leitores a saírem para a morte. Típica covardia conservadora."

Dizem por aí que o ódio é mais fiel do que o amor. E isso é, de fato, verdade.

Meu caro odiador informa que ninguém está impondo nada às pessoas neste momento no Brasil. Acho que um de nós não está morando no país.

Depois ele parece ter obtido meu prontuário médico via STF, pois não só sabe que tenho morbidades, como as tenho em número de cinco. Talvez ele tenha comprado a conversinha de que gordura é doença. O gordo mais famoso do Brasil, Jô Soares, tem hoje 82 anos e meio de idade. Eu espero que o missivista chegue até esta provecta idade. 

Ele também talvez considere que velhice seja doença. 

Como aposentado que sou, não estou sentindo o mínimo desconforto de ficar em casa. Gosto muito da casa que Deus me deu e da família que Ele me permitiu construir. O que sinto falta é do convívio dos amigos, já que os inimigos me chegam até pelo meu blog. 

Mas o ponto alto é a "covardia conservadora". E essa tal coisa é "típica". Sim, os progressistas é que são corajosos, como o missivista que se esconde por trás do anonimato. Que doçura! 

Mas descubro também que ele me considera conservador! Meu Deus! Não sou conservador, por favor, meu caro inimigo! Sou católico apostólico romano, com a graça de Deus. Vá de retro, satanás!

quarta-feira, março 11, 2020

O tapa de Franscisco: leitor descorda do blog

Um leitor anônimo faz o seguinte comentário no post O tapa de Francisco:

  Mas de onde você concluiu que "O tapa veio para evitar que se beijasse a mão de um sacerdote" ????
  Eu até revi o vídeo aqui agora e não há qualquer menção dela, em sua linguagem corporal, que remeta a esta intenção.
  Claramente, ele se irritou pelo puxão dela em um momento em que ele já estava saindo dos cumprimentos.
  Admiro seu trabalho, mas sinceramente, este post fez um julgamento muito indevido.

Primeiramente, devo agradecer ao leitor sua admiração pelo meu trabalho.

A seguir, devo observar que, pelo número de sinais de interrogação usado, o leitor deve mesmo ter se irritado com minhas observações. Devo dizer que compreendo a irritação e que se tomássemos apenas o vídeo para tirarmos a conclusão que tirei no post em tela, realmente creio que o leitor estaria inteiramente correto. Se não conhecêssemos nada de Francisco, se não soubéssemos nada de seu papado, eu daria plena razão ao leitor.

Devo admitir também que minha opinião pode estar errada, que o Papa teria dado o tapa na fiel pelo puxão em sua batina. Como se a fiel, ao puxar a sua batina, não fosse beijar sua mão, antes de falar-lhe algo. Tudo isso pode muito bem ser verdade.

Mas conhecemos Francisco, ah! se conhecemos! Pergunta o leitor: "de onde você concluiu...", seguido de muitas interrogações. Respondo: não concluí só do vídeo, é claro. Concluí de tudo que conheço dele e mais ainda do vídeo abaixo, em que ele recusa explicitamente o beijo na mão, no Santuário de Loreto, em março de 2019.



Que Deus tenha misericórdia com o nosso Papa, e com todos nós!

segunda-feira, setembro 03, 2018

Pergunta antiga, que há muito deveria ser respondida.

Um leitor anônimo, no post UM MONGE E A SUA CURIOSIDADE, pergunta o seguinte:

Aproveitando o espaço dos comentários, gostaria de fazer uma pergunta sobre a santa doutrina católica./ Jesus Cristo morreu por muitos, isso ja é de conhecimento, mas infelizmente trocaram o "por muitos", e colocaram o "por todos" ,mas porque no Catecismo maior de São PIO X na pergunta: " 112) Se Jesus Cristo morreu pela salvação de todos, por que nem todos se salvam?
Jesus Cristo morreu por todos, mas nem todos se salvam, porque nem todos O reconhecem, nem todos seguem a sua lei, nem todos se servem dos meios de santificação 
que nos deixou." Gostaria de entender porque essa aparente contradiçao no catecismo maior. respondam nos comentarios ,por favor.

A diferença aqui é entre ato e potência. O sangue de Cristo é "em potência" suficiente para salvar todos nós. Mas o que está em potência precisa de algo em ato para se atualizar. O que é este ato? É exatamente o que expllica São Pio X, a nossa vontade, de reconhecê-Lo, de seguir Sua lei e de se servir dos meios de santificação. Assim, não há nenhuma contradição.

São Pio X, rogai por nós.

domingo, maio 20, 2018

Ainda a minha conversão: resposta a um leitor

Recebo um comentário ao post Insignificante história da minha conversão. O leitor se chama Eduardo e diz o seguinte:

Conversão também pela graça de Nossa Senhora, creio eu, mas estranha-me que dois pensadores diferentes como Olavo (modernista e perenialista) e Fedeli (tradicionalista) tenha influenciado o ilustre. Aliás, este sempre combateu os erros daquele.

Minha resposta é a seguinte.

1. Sim, toda conversão nos vem através de Nossa Senhora, a Medianeira de todas as graças, como, aliás eu faço constar na primeira frase do post. Estamos aqui de acordo.

2. A oposição Olavo X Orlando não é nova aqui no blog. Convido aos leitores a consultar, pelo menos, os seguintes post: Orlando Fedeli e eu, Olavo de Carvalho e euOlavo sobre Orlando, meus dois grandes professores, com seus respectivos comentários. Também não é novo que alguém se admire de meus mestres e das citação do blog; veja, por exemplo, Leitor não entende as citações tão ecléticas do blog. Blog responde. 

Parece que este modesto blogueiro tem a propriedade de causar espanto a alguns de seus leitores. O leitor Eduardo qualifica o Olavo de modernista e de perenialista. Imagino que o leitor esteja usando os termos nos seguintes sentidos: modernista com o sentido que São Pio X deu ao conjunto das heresias que ataca hoje a Igreja; e perenialista com o sentido de seguidor de Guénon e Schuon. 

Quem conhece a opinião do Olavo sobre as principais figuras do modernismo do século XX (Karl Rahner, Henri de Lubac, Yves Congar) e de muitos outros modernistas ilustres, sabe que não é verdade que ele seja modernista. Não estou defendendo o Olavo de nada, ele não precisa disso. Só estou registrando um fato.

Se ele for seguidor de Guénon e Schuon (admitamos por hipótese), ele é um péssimo perenialista. Não conheço ninguém que critique mais esses dois do que o Olavo. E ele não poupa palavras: embusteiro, enganador, confuso, trapaceiro, etc. Se ele estiver fazendo apostolado perenialista, temos o exemplo do pior apóstolo do mundo. 

Com relação ao Orlando Fedeli, Eduardo o chama de tradicionalista, termo que ele nunca aceitou lhe fosse dado. Quando alguém o chamava de católico tradicionalista e imediatamente respondia: eu sou católico apostólico romano, sem mais adições. 

Essa coisa de usar rótulos e colá-los a pessoas é coisa muito comum entre nós, mas é sempre uma tentativa ingênua de se mostrar sabichão. Antes de rotular pessoas tão importantes quanto Olavo e Orlando, é preciso conhecer um pouco o pensamento de cada um, é preciso meditar sobre a complexidade da personalidade deles, é preciso ler o que escreveram e é preciso entender o drama humano que cada um de nós vive, depois da Queda. 

3. Para mim, nem Olavo nem Orlando são oráculos com nota de infalibilidade. Apesar da imensa admiração que tenho pelos dois, apesar da imensa dívida que tenho com os dois, não tenho a menor tendência a encarar qualquer palavra deles como uma ordem a ser cumprida. Já vivi demais, já li demais, para ser tão pueril, para ser tão simplista. 

4. Sobre os meios auxiliares de conversão, tenho uma história surpreendente de um amigo que se converteu lendo Leonardo Boff. Assim, não entendo a supresa do leitor de que eu tenha primeiramente me (re)convertido pelas mão de Olavo e Orlando que, convenhamos, são infinitamente superiores aos Boff's da vida.

Finalmente, agradeço ao Eduardo por me dar a oportunidade de elucidar, uma vez mais, esta questão, tão cara a alguns leitores, de Olavo X Orlando que, para muitos, se assemelha a uma partida de futebol.

sábado, fevereiro 24, 2018

Resposta atrasada a um ateu anônimo


Quando recebo comentários de posts antigos, tenho o hábito de ler os posts em questão e os outros comentários, já antigos. Deparei-me com um comentário que merece ser respondido. O comentário está no post A Neurociência Refuta o Livre-Arbítrio?.

Antes de irmos ao comentário, permitam-me indicar, aos leitores interessados, alguns outros posts do blog sobre neurociência, que listo a seguir: Diocese de Belo Horizonte avisa: a neurociência agora substitui a Bíblia.; Neurocientista (sic!) puxa orelha do blogueiro e ele responde.; e Leitora esclarece seus pontos de vista: blog agradece.


Voltemos então ao comentário do anônimo. Ele diz:

“Caro Antonio Emilio Angueth de Araujo, você acha mesmo que tem a resposta para tudo recorrendo ao Deus. Mas quem cria a matéria que advém do nada, é o próprio nada! é porque a matéria só pode existir advindo do seu contrario, e não porque meros humanos acham que têm um Deus que se deu ao trabalho de nos dar a razão. O nosso Deus são as leis que regem a matéria! O mundo não foi feito pra nós, deixe-se de iludir com essas tretas. Nós podemos servir a matéria tentando compreender-mo-nos para começar, e depois sim tentar compreender porque existe a matéria.”

Esse comentário aparece depois de uma longa série de comentários de leitores e de minhas respostas a eles. Os interessados podem seguir a sequência das intervenções lá no post em questão.

Vocês podem notar, em primeiro lugar, a quantidade de certezas que podem caber na cabeça de um idiota. Tais certezas irão garantir que o indivíduo irá permanecer idiota pelo resto de seus dias.

O comentarista me pergunta: “você acha mesmo que tem a resposta para tudo recorrendo ao Deus?”. Eu respondo: não, procuro respostas em Deus somente para as questões fundamentais. Por exemplo, quando tenho que escolher um dentista, recorro a outras fontes. Além disso, Deus não é uma coisa arbitrária. Sua existência pode ser provada rigorosamente. E coisa certamente curiosa para o anônimo: essa prova, em cinco vias, tem já 700 anos de idade e é baseada em raciocínios aristotélicos que têm uns 25 séculos. O leitor está atrasado de 7 séculos, na melhor das hipóteses, e de 25, na pior.

O comentarista continua: “Mas quem cria a matéria que advém do nada, é o próprio nada!” O leitor aqui está perdido completamente e não sabe o que diz. Aos leitores interessados nesse tópico, sugiro as primeiras páginas da Filosofia Concreta de Mário Ferreira dos Santos. Veja só leitor anônimo, não estou recorrendo a Deus para te refutar, e sim a um mero mortal que, aliás, já morreu. Vocês verão como Mário parte do que ele chama ponto arquimédico, “cuja certeza ultrapassa ao nosso conhecimento, independente de nós, e é ôntica e ontologicamente verdadeira”. Esse ponto é a afirmação “alguma coisa há”. Daí ele deduz “o nada absoluto, por ser impossível, nada pode”.

Pulo algumas frases idiotas e chego a: “O nosso Deus são as leis que regem a matéria! O mundo não foi feito pra nós, deixe-se de iludir com essas tretas”. Primeiramente, “nosso Deus” não, cara-pálida! Sei o suficiente acerca da ciência para não fazer perguntas fundamentais a essa deusa de Augusto Comte. É curioso também que o anônimo não quer se iludir “com tretas” e acredita nos cientistas. Como suspeito que ele não entenda nada de ciência, ou de leis da matéria, suponho que ele realmente acredite no que os cientistas falam na televisão ou na Internet. Acredita em Richard Dawkins ou no Dráuzio Varella. Se isso não é acreditar em tretas, não sei o que é.

A última frase do comentário é um mistério para mim. Enfatizo a expressão “servir a matéria”. Sim, está certo, quem a tem como deusa, deve mesmo servi-la. Se tivesse o leitor diante de mim, eu perguntaria: o que é a matéria, e ele teria um colapso na minha frente.



domingo, setembro 24, 2017

Resposta a um leitor anônimo

Confesso que não tenho muito ânimo para responder leitores anônimos, principalmente quando os comentários versam sobre coisas importantes. Não entendo porque se esconder quando se quer dar uma opinião ou perguntar alguma coisa.

Mas um leitor postou um comentário educado ao post Papa Francisco criou ontem a "ciência" do casamento e da família que talvez contenha dúvidas de outros leitores. Penso que seja uma boa oportunidade de elucidar.

Ele pergunta: "Caro Angueth, o termo ciência no sentido de conhecimento, estudo, busca do saber, não estaria aí muito bem aplicado? Há problema em criar um instituto para a ciência da família, ou seja, para o estudo, para o conhecimento da instituição familiar? E isso tanto no sentido teológico-espiritual quanto natural?"

Respondo que não há nenhum "problema" em criar institutos pontifícios. Além disso, o Papa Francisco está, neste ato, exercendo seu direito como Sumo Pontífie. Respondo também que a definição de ciência que o leitor apresenta é passável, dada a situação atual do fetiche da ciência moderna. Mas...

Bem, é preciso não ter lido nenhuma das declarações do Papa Francisco, é preciso não ter lido a Amoris Leticia, é preciso não ter lido a CORREÇÃO FILIAL ACERCA DE POSSÍVEIS HERESIAS (escrita em várias línguas, inclusive o espanhol) que católicos publicaram recentemente em relação a esta Encíclica, é preciso não ter a menor capacidade de análise, para acreditar que a substituição de um instituto antigo por um novo, com a substituição de seus antigos componentes, seja apenas uma demonstração do papa por seu apreço à busca do conhecimento. Além do mais, sobre o matrimônio e a família a Igreja já tem firmado dogmas que ultrapassam, e muito, qualquer conclusão científica. Lembremos que o casamento é um Sacramento criado por Nosso Senhor Jesus Cristo, que não faz sequer parte da Tradição. Assim qualquer ciência envolvida deverá ser para manter os dogmas!

O leitor ainda pergunta: "Você não estaria já reagindo a algo como se fosse mal em si mesmo apenas pelo uso da palavra 'ciência', quando na verdade pode ser algo bom?"

Reajo mal sim, à palavra ciência, porque entendo bem o que ela significa no contexto atual das discussões. Cientificar coisas que pertencem à ordem moral é uma estratégia para desmontar o arcabouço moral cristão. Pois, os ideológos da ciência não sabem, ou não querem saber, ou estão mal-intencionados, que a moral pertence a uma outra ordem de conhecimento, muito acima do conhecimento científico. Para a mentalidade moderna, a única forma de conhecimento é a ciência. Isso nunca pode ser uma consideração de um católico. Ciência é um recorte tosco da realidade, enquanto Nosso Senhor Jesus Cristo é o Criador da realidade. Ele age através dela para nos ensinar, Ele a controla, Ele a domina; ela foi feita por Ele, que é o Verbo de Deus. Daí a minha suposta má "reação" ao tal novo instituto.

sexta-feira, abril 21, 2017

Falsificações da Ciência

Um leitor, Thiago, deixou um comentário sobre a postagem "Ainda a Libido Dominandi: mecânica e eletricidade 

Ele diz: "Não entendi a relevância dessa citação. Se a eletricidade foi usada como propaganda do materialismo no século XIX, não é mais hoje. Qual o ponto aqui? "

Acho a dúvida relevante. Para saná-la é preciso entender que a informação de que a ciência está sendo instrumentalizada pelos ateus é muito importante. Significa que a ciência está sendo usada para um propósito que não é dela. A verdadeira ciência não emite opiniões sobre a existência ou não de Deus, sobre a existência ou não de fenômenos sobrenaturais. Sobretudo, a ciência não tem nada a dizer sobre a moral. Isso tudo está fora do escopo da ciência; todo grande cientista sempre soube disso. São os ideólogos e ateus militantes que estão sequestrando a ciência (aqui e aqui).

O segundo ponto a considerar é que a ciência da eletricidade (e do magnetismo) tem sido usada até hoje para enganar. Quem nunca viu falar a respeito de água magnetizada, travesseiro e colchão magnético, etc. Quem já não viu alguém afirmar que é bom andar descalço para descarregar as energias do corpo. Quem já não se deparou com alguém falando de energia vital, aura, energia de vida, etc, num contexto completamente materialista. A ideia de que o ser humano é só uma concentração de energias diferentes e que através da manipulação destas é possível curar, aumentar a duração da vida, trazer felicidade, etc, é uma consequência de todo esse movimento iniciado há 200-300 anos. 

Entender isso é importante para enfrentarmos os falsificadores contemporâneos que falam da teoria da evolução como algo científico, do aquecimento global como fato comprovado, além, é claro, de todo o estabelecimento de uma ditadura médica que nos pretende determinar o que e como comer.

"O ponto aqui", Thiago, é este!

domingo, abril 09, 2017

Frequentar ou não frequentar, eis a questão

Um leitor me escreve dizendo morar longe de uma cidade onde há Missa Tridentina e que “não tenho frequentado missas modernistas e não tenho me comungado.” Além disso, ele afirma: “Se não desejo frequentar a missa moderna e consequentemente não posso me comungar numa missa modernista, estou em pecado?” Penso ser esta uma dúvida de muitos.

A Missa de Paulo VI, missa instituída depois do Concílio Vaticano II, também chamada de Rito Romano Ordinário, é uma missa católica válida. Nela há a Consagração da Hóstia e o Sacrifício de Nosso Senhor é celebrado validamente. Há muitíssimos abusos atualmente nas missas espalhadas por aí. Isso não tem nada a ver com a validade do Sacramento.

Outra coisa: devemos ir à Missa não por quaisquer desejos. Devemos ir à Missa porque é nossa obrigação para com Deus. Quando não havia em minha cidade a Missa Tridentina, eu frequentava as Missas modernas. Escolhia sempre o padre mais piedoso e a missa menos barulhenta; descobri que as primeiras missas do dia são menos barulhentas; é que quem faz barulho deve acordar mais tarde. Descobri também que os padres mais piedosos hoje em dia são os mais intelectualmente desapetrechados, aqueles que não absorveram, pela graça de Deus, as falsidades que são ensinadas hoje nos seminários. Esse tipo de padre fala pouco na homilia e não procura aparecer como astro da Missa.


Finalmente, você leitor pode e deve comungar na Missa moderna, se estiver em estado de graça. O que se deve evitar terminantemente é a comunhão na mão; se possível deve-se também recebê-la de joelhos. Repetindo: há a Consagração e o Sacramento é válido.

domingo, março 26, 2017

Catolicismo, vontade e sentimento.

Recebo de um leitor amigo (Flávio Dornelles) a seguinte pergunta. Na última palestra dissestes que o Catolicismo é a religião da vontade e não do sentimentalismo. Poderia em poucas palavras falar sobre a parte da vontade?

Todos nós temos sentimentos, que nos assaltam a todo momento. Mas o católico sabe que não devemos, e não podemos, ser governados por eles. Devemos ser governados pela razão, iluminada pela Fé. O que quer dizer isso? 

Que não devemos viver para alimentar nossos desejos sentimentais e nem nos medirmos pelo que sentimos; pelo que sentimos acerca dos outros, nem pelo que sentimos acerca de nós mesmos. Se ficarmos envoltos na neblina dos sentimentos, perdemos a noção da realidade, perdemos sobretudo a noção da ordenação dos bens e dos males. 

Por exemplo, o católico não assiste a Missa para se sentir bem, ou não faz caridade para se sentir bem, ou não reza o santo Terço para se sentir bem. Porque, pela razão e pela Fé, estas são nossas obrigações que devem ser feitas quer sintamos bem ou mal. 

O que faz com que não ajamos por sentimentos é o direcionamento de nossa vontade ao que dita a razão e a Fé. É a obediência ao que dita nossa inteligência.

A Igreja nunca pregou que nós estamos aqui na Terra para nos sentirmos bem, mas sempre disse que estamos aqui para nos salvar. Essas duas coisas estão, na maioria das vezes, em oposição. Por isso eu disse que o catolicismo é a Religião da realidade e não do prazer. É a Religião da alegria e não do prazer. E alegria é vontade direcionada Àquele que disse ser "a verdade, o caminho e a vida". Sentimento é pois um péssimo conselheiro para o católico.


domingo, março 22, 2015

Leitor não entende as citações tão ecléticas do blog. Blog responde.

Um leitor, de nome Sérgio, escreve ao blog o que se segue.

Prezado Prof. Angueth,
Gostaria de entender como o senhor consegue citar e recomendar ao mesmo tempo, pessoas de opiniões tão dispares e divergentes, vejamos:
- Cita e recomenda Dom Sarda e a leitura de seu livro "O liberalismo é Pecado" e ao mesmo tempo cita Olavo de Carvalho, um liberal ao estilo Yanke, tanto em política quanto em economia...
- Cita o professor Orlando Fedeli, o qual demonstrou a gnose guenoniana do referido Olavo...
- Cita Chesterton e Belloc que combateram o liberalismo com o distribuitismo, mas nada fala sobre essa corrente...
- Recomenda o padre Villa, mas sem as devidas ressalvas como o fato dele ser favorável a missa nova e nunca tê-la criticado, afora o sensacionalismo de alguns de seus livros e/ou de seus colaboradores vide: "A Mitra satânica de Bento XVI"...
- Elogia o padre Vieira, mas esquece que ele era sebastianista, um milenarista...
- E outros casos mais...
Obrigado.

Vou mencionar alguns dos “outros casos mais”. Cito Pascal, que teve fortíssimas simpatias jansenistas. Como não citar o autor de tais pensamentos:
- É preciso amar só a Deus e odiar só a si mesmo;
- Não somente nós não conhecemos a Deus senão por Jesus Cristo, mas não nos conhecemos a nós mesmos senão por Jesus Cristo; não conhecemos a vida, a morte senão por Jesus Cristo. Fora de Jesus Cristo não sabemos o que é nem nossa vida, nem nossa morte, nem Deus, nem nós mesmos;
- Quereis chegar à Fé e não sabeis o caminho. Quereis sarar da infidelidade e pedis os remédios para isso, aprendei daqueles que estiveram atados como vós e que apostam agora todo o seu bem. São pessoas que conhecem aquele caminho que gostaríeis de seguir e que foram curadas de um mal de que quereis sarar; segui a maneira pela qual eles começaram. Foi fazendo tudo como se acreditassem, tomando água benta, mandando rezar missas, etc.

Cito também C.S. Lewis, o cristão anglicano. Conheço muitas pessoas que se converteram ao catolicismo lendo este extraordinário anglicano.

Cito Nelson Rodrigues, um católico assumido, mas também autor de, por exemplo, “Bonitinha, mas Ordinária”. Esse católico foi o único grande intelectual brasileiro a reconhecer o valor essencial de Gustavo Corção, enquanto muitos outros católicos procuravam desacreditá-lo. Ele percebeu como poucos, o grande cataclismo que atingiu a Igreja no pós-Concílio Vaticano II. Quem lia suas crônicas podia acompanhar a surpreendente degradação interna da Igreja.

Cito Santo Afonso Maria de Ligório que, para escrever Glórias de Maria, se valeu de alguns dos evangelhos apócrifos para relatar alguns acontecimentos da vida de Nossa Mãe.

Cito Santo Agostinho, que foi platônico, e em cuja obra muitos agostinianos posteriores encontraram argumentos para desacreditar Santo Tomás e depois para lançar a Reforma, que cindiu toda a cristandade.

Cito Santo Tomás que, em sua época, foi enormemente pressionado a abandonar aquele perigoso pagão que ele insistia em ler e citar, mas não só. Ele ousou até a entende-lo e a ensiná-lo para nós. Trata-se obviamente do grande Aristóteles, a quem Santo Tomás chamava de O Filósofo, como chamava São Paulo de O Apóstolo; e, horrores dos horrores, chamava Averróis, sim o árabe, de O Comentador de Aristóteles. O que pensaria o leitor Sérgio do nosso Santo Tomás, o Doutor Comum, se vivesse em sua época?

Sobre Olavo de Carvalho e minhas opiniões sobre ele, sugiro a leitura de Olavo de Carvalho e eu. Sobre o prof. Orlando, sugiro a leitura de Orlando Fedeli e eu. Quando da morte do prof. Orlando, que outro intelectual brasileiro, senão exatamente Olavo de Carvalho, fez uma pequena homenagem ao morto ilustre? Sim, a morte do prof. Orlando foi também comentada e sentida por Sidney Silveira.

Com relação a Pe. Villa, não faço nenhuma ressalva porque não a tenho. Se você tiver, você mesmo, Sérgio, faça-a onde você quiser. Apresente argumentos que provem que os símbolos da Mitra de Bento XVI não são como diz Pe. Villa, mas não tente desacreditar seu trabalho simplesmente chamando-o de sensacionalista. Lembro, como se isso fosse necessário, que ser favorável à Missa Nova não é pecado! Eu não sou, não assisto a Missa Nova, pela graça de Deus, mas não digo que quem a assista está em pecado!

Bem, de Chesterton e Belloc e suas ideias econômicas, leiam (leitores e leitor) meu artigo na última Chesterton Review em português intitulado Três Alqueires e uma Vaca. Não preciso dizer que já traduzi alguns livros de Chesterton que estão repletos de suas ideias econômicas. Começarei a traduzir, no mês que vem, um livro de Belloc sobre economia.

Bem, agora vem Pe. Vieira. Ai, meu Deus! Sérgio nos lembra que Pe. Vieira foi sebastianista. E daí, Sérgio? Você quer dizer que o Sermão da Quarta-feira de Cinzas está eivado de sebastianismo? Você quer dizer que os trinta sermões que ele fez sobre o Rosário são inadequados, deveriam ser proibidos, por causa do seu sebastianismo? O que você quer dizer?

Desafio você a me apontar a gnose dos artigos que cito de Olavo de Carvalho, o sebastianismo dos sermões que cito de Pe. Vieira, o anglicanismo dos trechos que cito e traduzo de C.S. Lewis e a pornografia no que cito de Nelson Rodrigues.

Aponto, para terminar, sua profunda ignorância do que pensa Olavo de Carvalho, chamando-o de liberal yankee. É típico nos críticos tupiniquins de Olavo demonstrar ignorância logo no começo de seus arremedos de argumento. Vá estudar um pouco mais a obra dele, depois tente algo além de papo-de-boteco sobre esse pensador.


Sugiro que você edite um Index Librorum Prohibitorum para orientar católicos ignorantes como este blogueiro.

quinta-feira, março 12, 2015

Leitor pergunta e o blog responde: como ser um estudante católico na universidade de hoje?

Defino-me como Católico Romano e Conservador-liberal, adotando o Liberalismo apenas em seu caráter estritamente econômico.

Gostaria de saber do senhor, como fazer para um jovem aluno nos dias de hoje exercer sua personalidade e suas convicções dentro de uma Faculdade? Estudo Direito e, tendo em vista o caráter Modernista, Positivista, Marxista, Relativista, enfim, dessas ideologias, como fazer para sair vivo e não ser amordaçado, marginalizado e até martirizado num ambiente desses?

Caro leitor, vou responder à pergunta que você me fez, mas antes respondo à que você não me fez. Você se define como católico conservador-liberal e diz adotar o liberalismo apenas em sua vertente econômica. Concedo que esta seria a melhor posição se a Igreja não tivesse uma Doutrina Social antiga e consistente sobre isso. Eu mesmo, um dia, adotei essa posição. Mas descobri que adotar o liberalismo em sua vertente econômica é aceitar os princípios básicos do liberalismo e isso, como já disse, é, no mínimo, pecado, como afirma Dom Sarda em seu livro Liberalismo é Pecado. Se você quiser ler algo mais moderno, leia o livro de Christopher Ferrara, The Church and the Libertarian: A Defense of the Catholic Church's Teaching on Man, Economy, and State. Leia também as Encíclicas de Leão XIII: Libertas e Rerum Novarum. De Pio XI, leia Quadragesimo Anno.

Bem, agora vamos à pergunta que você me fez. Ser um estudante católico na universidade de hoje é uma das coisas mais difíceis. Aliás, ser um estudante sério no Brasil já é uma tarefa hercúlea, em qualquer situação. Leia, por exemplo, A tragédia do estudante sério no Brasil, de Olavo de Carvalho, e você terá uma ideia da coisa.

Você terá de passar por um processo de desintoxicação de ideias erradas que lhe foram impostas pela incultura atual. Esse processo é doloroso e te transformará num cara esquisitão, solitário. Poucos colegas se aproximarão e os amigos minguarão. Seus familiares também reagirão de modo, às vezes, não muito amistoso. Prepare-se então, pelo menos inicialmente, para uma vida de eremita.
Depois disso, você terá de ter uma vida de estudos muito mais rígida que seus colegas, terá de estudar 24 horas por dia, 7 dias por semana, pela vida inteira. Esse não é só um objetivo, mas um projeto de vida, uma espécie de vocação. Qualquer coisa menos que isso, te levará de volta à incultura geral, pois seguir o curso do rio é muito fácil, seguir a manada de imbecis é uma coisa muito confortável, se você não tiver a companhia de verdadeiros intelectuais, de todas as épocas, de todos os matizes.
Espero que a resposta não te desestimule e que você consiga boiar no mar de lama, relativamente imune à sujeira geral.

Um último conselho: não queira exercer sua personalidade e convicções na universidade, por que ela não merece. Procure apenas não se enlamear e se te perguntarem o que você pensa, fale a verdade, como todo católico é obrigado a fazer. Com o tempo alguns se aproximarão e te ouvirão. A estes, dê seu testemunho.


Que Deus e a Mãe d’Ele te iluminem.

quarta-feira, março 11, 2015

Sobre o Pe. Luigi Villa

Alguns leitores me perguntam sobre o Pe. Luigi Villa, preocupados com os trabalhos do padre italiano sobre os Papas conciliares, principalmente Paulo VI e João Paulo II, já comentados no blog. Ofereço aqui um depoimento de uma pessoa muito mais abalizada que este modesto blogueiro: Alicia von Hildebrand, esposa do grande filósofo católico Dietrich von Hildebrand. Leiam seu depoimento aqui.

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Somos pó: resposta a uma leitora.

A leitora Moniza pergunta:

Caro Prof. Angueth,
"Quanto tenho vivido? Como vivi? Quan­to posso viver? Como é bem que viva?"
Estou um pouco confusa sobre os quatro pontos que o Padre Antônio Vieira pede que levemos em consideração todos os dias poderia me explicar o significado de cada uma dessas perguntas? Como devo pensar e meditar cada uma delas?

Cara Moniza,
Salve Maria!

Quem sou eu para comentar Pe. Vieira! Preciso lê-lo todo ainda, principalmente seus 30 sermões sobre o Rosário, dos quais li só o primeiro.

Mas essas quatro perguntas fundamentam o que se chama o "exame de consciência" que todo católico deve fazer todos os dias da vida, além da meditação da própria morte. Aliás, este sermão nada mais é que uma grande meditação sobre nossa própria morte. As quatro perguntas podem ser resumidas numa só: o que tenho feito de minha vida e o que terei para mostrar quando, morto, passar pelo Julgamento Particular, na presença do Altíssimo, cara a cara com Ele. Temor e tremor, estes são os sentimentos de quem vive à espera de tão momentoso encontro.

Como diz Bernanos: "Mas qual é o peso de nossas chances, para nós que aceitamos, de uma vez por todas, a assustadora presença do divino em cada instante de nossas pobres vidas?"

Essa é a situação precária que todo católico vive. Com a virtude da Esperança sempre presente, mas com a presença das três concupiscências a nos desviar sempre de nosso maior objetivo. Somos pó e tudo que há de bom em nós vem de Deus. A única coisa que produzimos por nós mesmos é o pecado. Eis a precariedade de nossa situação.


Ad Iesum per Mariam.

sábado, fevereiro 14, 2015

Resposta ao nutricionista (será?) que não sabe ler

Aprendi com Olavo de Carvalho, entre outras muitíssimas coisas, que os debatedores idiotas mostram sua idiotice no momento em que abrem a boca. Seu conselho é: leia-os com atenção, com respeito, e depois é só seguir os seus raciocínios para descobrir as inconsistências abundantes no que escrevem, falam e gritam. Em geral, não sabem escrever, nem falar; e se gritam, bem, aí não dá para escutar.

Escrevi um post sobre a frutose, não a substância em si, mas sobre o uso de pesquisas ditas científicas para enganar e gerar políticas restritivas que geralmente atingem os tais industriais capitalistas, cujo único objetivo é destruir a humanidade, como todos sabem.

Bem, depois da história, a área mais repleta desses ideólogos travestidos de cientistas é a nutrição (inclui-se aqui a busca de substâncias maléficas à saúde e a tal de epidemiologia, que serve tão bem ao mal uso que dela fazem). Se quiserem ter uma ideia da coisa, há um estudo muito bom sobre isso aqui.

Pois é, mas um leitor me envia o seguinte comentário ao post da frutose:

Nessa vc podia ficar calado, não tem conhecimento de nutrição para falar essas coisas. Sim, a frutose aumenta a glicose no sangue, liberando insulina, e assim aumentando a massa gorda (até mais que a gordura saturada).

O “nessa vc podia ficar calado”, na verdade o correto é “nesta”, o leitor prova de imediato que não leu o que escrevi e que está usando o argumento “ad hominem”, como fazem os que não sabem e não podem discutir. O indivíduo quis dizer que como, ele pensa, não entendo nada de nutrição, eu deveria ficar calado, vendo os cientificistas nos enganarem. No post, eu não discuto a ciência da bioquímica (pois nutrição não é ciência), mas o uso indevido que dela fazem alguns. A isso o indigitado não responde e ainda por cima pretende me dar uma aula de bioquímica. Eu pergunto, o que tem isso a ver com o que eu escrevi? Significa que o comentarista apoia o estudo e suas conclusões? Afirma que é possível tirar tanta conclusão estatística com a mirrada amostragem estudada? Aviso ao bobão: de estatística eu entendo um pouquinho. Aliás, recomendo fortemente aos interessados a leitura do extraordinário livro How to lie with estatistics. Voltando ao assunto: será que o rapaz (ou garota) que não sabe ler está afirmando que devemos limitar o uso da frutose em alimentos industrializados?

Tudo isso fica como conjectura, pois o espertinho quis mesmo foi atacar minha presumível ignorância a respeito da bioquímica de alimentos, da qual nada comentei e da qual, devo dar razão a ele, não entendo nada.


São assim os militantes anti-qualquer coisa; como não têm argumentos, usam o velho esquema da erística de Schopenhauer, da qual, devo dizer novamente, conheço alguma coisinha.

sexta-feira, outubro 31, 2014

Leitora anônima se orgulha do dia da mulher!

Recebi um comentário, no post Dia 8 de março: o que comemorar?, de uma anônima (imagino que seja mulher!) que não publicarei, mas que responderei brevemente aqui.
 
Ela diz:
 
“Professor, é com muito orgulho que comemoro o dia da mulher. Agradeço todas as conquistas obtidas por outras mulheres ao longo da história que me permitiram hoje ter liberdade para escolher como me vestir, agir ou estudar.
“A luxuria e a crueldade obviamente são inerentes ao ser humano e não ao paganismo ou à mulher. Muitos mataram e torturam em nome de Deus e da moral, queimando "bruxas". Hoje, muitos continuam a fazer isso por meio do discurso.”
 
É de pasmar que com tantas conquistas uma mulher se esconda atrás do anonimato para se dizer orgulhosa do dia da mulher. Leitora anônima, será que dentre todos os direitos da mulher se esconde a covardia? Mas ela se mostra completamente doutrinada nas mentiras que se conta sobre a Inquisição e a caça às bruxas (ela coloca a palavra entre aspas como se elas não existissem!).
 
Depois ela finge que leu o post, ou se leu não entendeu, ao dizer que a luxúria e a crueldade são inerentes ao ser humano. Ela está a ensinar a um católico acerca do Pecado Original, vejam só que empáfia! É claro que eu não disse que a crueldade e a luxúria é obra do paganismo, pois li o Gênesis e, com a graça de Deus, entendi bem o recado. Eu disse apenas que o paganismo faz desses dois pecados um sistema, tanto o paganismo anterior quanto o atual.
 
Bastava a essa moça ler um pouquinho mais, além das besteiras que lê, para se informar de como a situação da mulher melhorou na Idade Média, em relação à antiguidade, e piorou muito a partir da Renascença, desembocando no que é hoje. Para não esgotar as energias mentais da leitora, sugiro que ela leia um texto curto, escrito por uma pesquisadora, grande historiadora, que não tinha motivos para enaltecer o sistema medieval católico, pois era protestante. Refiro-me ao texto Mulher sem Alma, de Regine Pernoud. Lá a orgulhosa e anônima leitora encontrará informações históricas precisas que poderão até causar-lhe uma exaustão mental: por exemplo, a mulher (inclusive e principalmente as casadas) medieval votava e exercia profissões das mais variadas (professora, médica, boticária, estucadora, tintureira, copista, miniaturista, encadernadora, etc.) Saberá ainda que foi na Renascença, esta época pintada pelas mentiras históricas clássicas como da liberdade e emancipação, que a mulher começou a ser considerada inferior ao homem. De lá para cá, com o iluminismo e a Revolução Industrial a situação piorou muito e só o catolicismo pode salvar a mulher do naufrágio completo.
 
Pois é, a leitora ainda me dá uma “lição” quando diz: “Não cabe mais a pessoas conscientes pensar que a mulher é uma "santa" ou um "víbora", pois esse pensamento maniqueísta não explica a complexidade que nós- humanos- possuímos.”
Viram como ela me chama de maniqueísta? Ai, ai, ai! Será que ela já leu alguma sobre o maniqueísmo, meu Deus? Ela acha que maniqueísmo é um sistema que classifica as pessoas entre santas e víboras e levanta contra esse “sistema” a complexidade dos seres humanos. Meu Deus!, quanta ignorância numa só frase (ou duas)! É incrível como as heresias antigas conseguem ter sobrevida na atualidade! Viva o profeta persa Mani! À leitora sugiro uma leitura de maior fôlego do que a que sugeri acima: lei Santo Agostinho contra os maniqueístas. Leia Santo Ireneu contra os hereges. Leia As Grandes Heresias, de Hilaire Belloc.
Vou poupar os leitores das asneiras mais candentes que a leitora consigna no comentário, razão pela qual não o publico.

terça-feira, junho 17, 2014

Teoria da conspiração ou as três concupiscências: blog responde a um leitor.


Não aguento mais teorias da conspiração. Não aguento mais ouvir falar em Nova Ordem Mundial, Escola de Frankfurt, Estratégia Gramsciana, etc. Qual o poder real de milionários de fraque e cartola, reunidos em hotéis 5 estrelas para decidirem o destino do planeta? Ou de membros de seitas secretas, vestindo túnicas e capuz cônico perfurado nos olhos e nariz? Por que os serviços de inteligência dos EUA não identificam NUNCA os milhares de agentes do serviço secreto russo (antiga KGB) infiltrados aqui no ocidente? Estarão só preocupados com revolucionários wasp’s, barbudinhos, loiros, de olhos azuis? Onde estão os serviços de inteligência europeus? Decadência cultural, perda da moral e da religiosidade? Culpa de intelectuais gramscianos infiltrados nas escolas, nas igrejas, mídia, e outras instituições? Mas e a NOSSA RESPONSABILIDADE? Por que deixamos que tudo isso acontecesse? Não seria mais culpa de nosso conformismo e espírito consumista/hedonista, que se difundiu POR TODO O PLANETA? A Igreja está sendo pervertida desde dentro? Por que deixamos? Vá em uma reunião da Torcida Organizada do Flamengo ou do Coríntias, e fale mal do time. Você será, literalmente picado e jogado na privada. Por que não fizemos o mesmo? “Ora, para que brigar? Vamos conversar! E além disso, hoje tem churrasco lá em casa.” Ou “Preciso cuidar dos detalhes de minha próxima viagem para a Disney...” - Robson di Cola

Caro Robson,
 
Não estou certo de ter entendido seu comentário. Entendo sua indignação, sua estupefação, mas se entendi seu raciocínio, penso que você erra muito o alvo. A pergunta “Culpa de intelectuais gramscianos infiltrados nas escolas, nas igrejas, mídia, e outras instituições? Mas e a NOSSA RESPONSABILIDADE?” mostra a confusão que você está fazendo. A doutrinação cultural determina o que pensamos e fazemos, inclusive o que consideramos ser ou não nossa responsabilidade.
 
Outra coisa: “o espírito consumista/hedonista” se difunde pelo planeta justamente por causa da “Glamourização da confusão, idealização da perversão e romantização da rebelião metafísica”, postos em termos mais gerais.
 
Só há uma arma contra tudo isso e ela é exatamente a Igreja Católica Apostólica Romana.
 
São João nos adverte: Omne quod est in mundo concupiscentia carnis esta et concupiscentia oculorum e supervia vitae [Tudo o que há no mundo é concupiscência da cara, concupiscência dos olhos e soberba da vida.] (1 Jo 2, 16). É por estes meios que o espírito consumista/hedonista entra em nossos corações. Utilizando-se outras palavras, artigo de Jeffrey Nyquist nos adverte contra isso.
 
A Sagrada Doutrina Católica (Ver Compêndio de Teologia Ascética e Mística, Pe. Adolph Tanquerey, Cap. II, §193-209) nos ensina que
  • a concupiscência da carne é o amor desordenado dos prazeres dos sentidos,
  • a concupiscência dos olhos se compõe da curiosidade doentia e do amor desordenado dos bens da terra,
  • e a soberba da vida (também chamada de concupiscência do espírito) é uma depravação profunda, pois por meio dela, o homem, entregue a si mesmo, considera-se como o seu próprio Deus, pelo excesso de seu amor próprio.
Aqui, a terceira concupiscência é exatamente o que Nyquist chama de rebelião metafísica, uma revolta contra Deus; é o non serviam de Lúcifer.
 
Então, caro Robson, a conspiração está sendo urdida desde há muito tempo. Os poderes do mundo, detidos por quem quer que seja, no fundo são detidos por quem primeiro disse o non serviam a Deus. O Pecado Original, causa das três concupiscências, nos expõe perigosamente a este poderoso inimigo e só Nosso Senhor e Sua Mãe Santíssima pode dele nos proteger.

domingo, maio 04, 2014

Como vou convencer a minha esposa a se converter?

 Um leitor escreve ao blog perguntando (ver comentário ao post Lição de um Cura Medieval):
Como vou convencer a minha esposa a se converter se os padres aqui do Gutierrez pouco estão a serviço dos fiéis? Ela aprendeu desde pequena a não gostar da Igreja e cada vez que um fato desse ocorre ela me olha com cara de "não disse?"
 
Faço algumas sugestões, em ordem de importância.
 
1. Reze, reze e reze a Nossa Senhora para a conversão de sua esposa. Hoje é dia de Santa Mônica, que converteu o marido e o filho, o grande Santo Agostinho, com suas orações. Assim, repito, reze, reze e reze, pois a graça da conversão nos é trazida pela Mãe de Deus.
 
2. Você tem de conhecer a Igreja, sua história principalmente, para ensinar à sua esposa. Só se ama aquilo que se conhece e você tem de apresentar à sua esposa, pelo menos estar preparado para apresentar, a verdadeira Igreja de Cristo, cujo Magistério atual, numa frase de Roberto de Mattei [1] "cessou de reafirmar com clareza a verdade católica", muitas vezes confundindo todo o seu ensinamento. Ninguém que deixe de perceber a profundidade da crise atual da Igreja terá algo a dizer sobre a Igreja Verdadeira. Portanto, estude, estude e estude.
 
3. Você deve apresentar a Igreja à sua esposa através de você mesmo; seja um católico verdadeiro. Demonstre que você tem as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Demonstre a ela o quão doce é viver ao lado de um católico verdadeiro, cheio de pecados, mas pronto "para uma resposta vitoriosa a todo aquele que vos perguntar acerca da esperança que vos anima", como nos ensina São Pedro, nosso primeiro Papa. Torne conhecidos dela seus períodos de orações diárias. Quando você for confessar, avise a ela. Em seus períodos de penitências e jejuns, comente com ela o que você está fazendo. Nos dias dos santos de sua devoção, comente com ela sobre a vida deles. Quando discutindo problemas cotidianos, apresente-lhe o ponto de vista católico.
 
4. Você tem de dizer à sua esposa que, exceto em momentos muito breves da história da Igreja, se colocarmos a condição de um clero santo para nos convertermos, nunca o faremos. O que você deve dizer à sua esposa é que apesar do clero pecador (pecador público, pois particular qualquer um de nós o é), a Igreja é Santa, pois sua cabeça é Nosso Senhor, e por isso ela tem mais de dois milênios de vida. Tem uma história que conto de memória, para você reconta-la à sua esposa. Um cardeal da Igreja quando ficou sabendo que Napoleão tinha planos de destruir a Igreja, mandou-lhe um recado: se toda a sucessão de bispos e papas não conseguiu destruir a Igreja, não seria ele que conseguiria.
 
Que Santa Mônica rogue por todos nós!
 
 
___________________
[1] Apologia da Tradição, trad. Celso Vidigal e Paulo Henrique Chaves, ed. Ambientes & Costumes, São Paulo, 2013.

domingo, março 30, 2014

Leitor pergunta se sou herege ou favorecedor de hereges: blog responde.

O sr. virou herege ou pelo menos favorecedor dos hereges?
“Aquele que ousasse afirmar que o Pontífice teria errado nesta ou naquela canonização, e que este ou aquele santo por ele canonizado não deveria ser honrado com culto de dulia, qualificaríamos, senão como herético, entretanto como temerário; como causador de escândalo a toda a Igreja; como injuriador dos santos como favorecedor dos hereges que negam a autoridade da Igreja na canonização dos santos; como tendo sabor de heresia, uma vez que ele abriria caminho para que os infiéis ridicularizassem os fiéis; como defensor de uma preposição errônea e como sujeito a penas gravíssimas.” (Papa Bento XIV - De Servorum Dei Beatificatione)
 
Um “bondoso” católico anônimo, certamente preocupado com a salvação da alma deste pobre blogueiro, deixou o comentário acima no post O dilema que a canonização de João Paulo II.
 
Logo que li o comentário lembrei-me de súbito de um texto de Chesterton: O Ressurgimento da Filosofia – Por quê?. Vale a pena ler o texto todo, mas aqui reproduzo o primeiro parágrafo: “O melhor motivo para o ressurgimento da filosofia é que a menos que um homem tenha uma filosofia, certas coisas horríveis acontecerão a ele. Ele será prático; ele será progressista; ele cultivará a eficiência; ele acreditará na evolução; ele realizará o trabalho dele mais próximo e imediato; ele se devotará a feitos, não a palavras. Assim, atingido por rajadas e mais rajadas de estupidez cega e destino aleatório, ele caminhará trôpego para uma morte miserável, sem nenhum conforto, exceto uma série de slogans; tais como esses que cataloguei acima.” [Os negritos são meus.]
 
O corajoso anônimo cita o documento de um papa do século XVIII e, presumivelmente, quer aplica-lo ao nosso século XXI. Bem, perguntemos, para começar: será que o anônimo desconhece que a Igreja do século XXI é completamente diferente da do século XVIII? Será que desconhece o furação que a atingiu no início da década de 1960 e que se chamou Concílio Vaticano II? Será que rajadas de estupidez já o cegaram?
 
Pois imaginemos uma pequena conversa entre nós e o Santo Padre Bento XIV, sobre o estado atual da Igreja. Imaginemos que o informássemos, de início, que a Missa que ele sempre celebrou, que todos antes dele celebraram, tinha sido mudada, mas mudada COMPLETAMENTE, e que hoje mais parece um culto protestante. Imaginemos sua surpresa e profunda tristeza.
 
Mas imaginemos mais; imaginemos que o informássemos que os rituais de TODOS os Sacramentos da Igreja mudaram, que hoje os fiéis tomam as Hóstias Consagradas em suas mãos e não se ajoelham para comungar. Que não há mais o Index Librorum Prohibitorum, que os Papas agora celebram rituais com protestantes, budistas, índios, etc. Que toda a legislação acerca das indulgências foi alterada e que, finalmente, para não cansar demais o Santo Padre, que todo o Processo de Canonização foi também alterado profundamente, chegando a se dispensar o Advogado do Diabo e também milagres dos futuros “santos”. Não mencionaríamos a mudança da Vulgata (elevada pelo Concílio Tridentino a texto oficial das Escrituras Sagradas), dos encontros de Assis, do Santo Ofício ser dirigido por um Cardeal que põe em dúvida, por escrito, vários Dogmas da Igreja, etc. Claro que não mostraríamos ao Santo Padre o livro de Luigi Villa sobre João Paulo II.
 
Então, quando Bento XIV fala sobre canonização, fala sobre uma decisão papal fundamentada num processo absolutamente diferente do que existe atualmente. Só um louco varrido afirmaria que as palavras de Bento XIV se aplicam ao processo de canonização atual. Assim, nenhuma canonização poderá mudar os fatos e atos que conhecemos de JPII. Se ele for, de fato, canonizado, tal ato não poderá ser infalível, porque vai contra a razão humana, no mínimo! Temerário será prestar culto de dulia ao futuro “santo”.

sábado, fevereiro 22, 2014

Leitor pede conselhos.

Leitor escreve o seguinte comentário ao post Leitor insiste, blog explica.:
Sou um católico pouco praticante, mas que de um ano para cá estou me sentindo compelido a ser mais participativo para com a igreja, sobretudo depois da posse deste novo "papa". Mas estou em um estágio de semi-analfabetismo funcional do ponto de vista dos dogmas da nossa igreja, e estou tentando entender alguns pontos que me perturbam. O primeiro deles é a relação entre o capital e a igreja: O que os santos textos nos ensinam em relação ao capital? Por que o comunismo vai contra nossas ideologias? Até que ponto devo buscar um crescimento financeiro? Quando uma vontade de realizar um feito pessoal (uma viagem de lazer, adquirir um bem "melhor" do que o necessário) se torna perigosa? 
 
Vemos aqui justamente um católico sendo impelido na direção da Igreja justamente por causa da crise, por causa, na expressão do leitor, do novo papa, entre aspas. É o que eu falava no post em questão.
 
A você caro leitor tenho a dizer que o que te compele é graça de Deus. Responda a ela com obediência e presteza, pois desprezar a graça de Deus é um grave pecado.
 
Sobre as dúvidas quanto ao capital e ao comunismo, você talvez possa ler o marcador Economia e Catolicismo do blog. Ainda no blog, você pode ler um belo texto de São Francisco de Sales sobre o espírito de pobreza. Leia, se puder, todo o livro Filotéia. Você certamente aprenderá que o problema com o dinheiro não é tê-lo, mas deixar que ele nos domine. São Paulo recomenda a Timóteo o que ensinar a este respeito (1Tm 7-10; 17-19): (7) Nada trouxemos para o mundo e nada dele podemos levar. (8) Quando, porém, temos o que comer e o que vestir, com isso nos contentaremos. (9) Mas aqueles que querem enriquecer caem em tentações, em laços e em muitas cobiças insensatas e nocivas, que mergulham os homens na perdição e na ruína. (10) Com efeito a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro, na qual, espasmando, alguns desviaram-se da fé, atormentando-se com muitas aflições. (17) Aos ricos deste século recomenda que não sejam altivos, nem ponham a esperança em riquezas incertas, mas em Deus, que nos dá todas as coisas com abundância, para delas usarmos; (18) recomenda que pratiquem o bem, que se enriqueçam de boas obras, que sejam generosos, liberais, (19) acumulando assim um excelente capital para o futuro, para alcançarem a verdadeira vida.
 
Há ainda uma perspectiva diferente a esta questão. Esta perspectiva é a da devoção à Sagrada Humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aqui, caro leitor, adentramos no ambiente do devocionário católico, naquele manancial inesgotável de delícias e consolações divinas. Pe. Faber, em texto sobre esta devoção, diz: O amor efetivo faz-nos ver a imagem viva de Jesus, representando em nossa própria vida os estados, mistério e virtudes da Sua. Trazemos exteriormente essa imagem pela contínua mortificação, diminuindo e apertando o conforto corporal, regulando os sentidos, derrubando as exigências extravagantes do mundo e da sociedade, pela ciosa moderação dos afetos e dos prazeres inocentes, e pela perpétua repressão de toda vaidade e arrogância. Nossa vida interior é conforme à de Jesus pela liberdade de espírito que significa o desapego das criaturas e a conformidade à sua vontade. Nossas ações exteriores trazem a estampa divina quando procedemos como se fôssemos membros seus, quando fazemos todas as ações em seu nome e segundo as suas inspirações.
 
Neste pequeno trecho, você encontrará temas para meditações infindáveis sobre como “apertar o conforto corporal”, “regular os sentidos”, “derrubar as exigências extravagantes do mundo e da sociedade”.
 
Algumas sugestões finais que dou a todo católico “não praticante” ou "pouco praticante":
1. Vá a Missa todos os domingos e dias de guarda; se possível, prefira a Missa Tridentina;
2. Confesse pelo menos uma vez por mês, ou quando cometer pecado mortal;
3. Comungue sempre que esteja em estado de graça;
4. Reze o Rosário (os três terços, não quatro!) de preferência, se não puder, reze o Terço todos os dias. Lembre-se, a devoção a Nossa Senhora não é opcional!
5. Leia a vida dos santos, diariamente, e reze pedindo sua intercessão.
 
Escreva-me quando quiser e que Nossa Senhora te ilumine!
 

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Leitor insiste, blog explica.

O anônimo anterior, ou será outro?, comenta, no post em que lhe respondo, o seguinte:
 
Eu estava imaginando, professor, é alguém que, desejando ser católico, lesse todas essas informações. Essa pessoa não teria motivos ou segurança para aderir ao catolicismo, principalmente se lesse todas as tendências que existem dentro da Igreja Católica. O seu trabalho parece-me muito necessário se fosse do tipo "lavar roupa suja em casa". Mas ele lava a roupa publicamente e, com isso, leva inquietação aos que estão em fase de observação para escolher entre o catolicismo e outras alternativas.
 
Já escrevi muito sobre a religião verdadeira e como escolhê-la. Uma coisa que eu aprendi é que, apesar da crise da Igreja, uma das formas mais eficazes de converter uma pessoa é exatamente falando-lhe da crise, da Igreja verdadeira e da falsa, da Igreja e da outra, como dizia o grande Gustavo Corção. Foi assim com meus filhos, foi assim com pessoas que dão testemunho de conversão, mesmo com tantos problemas na Igreja. Atualmente, o trabalho missionário não pode deixar de lado a monumental crise da Santa Igreja. Temos de mostrar quem, embora com a missão específica de falar pela Igreja de Sempre, está traindo Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje em dia, qualquer lugar é lugar de missão, pois a Igreja está em processo acelerado de destruição em todos os lugares. 
 
Se temos um Papa que dá explicações à ONU publicamente, temos de publicamente dizer que ele está errado! Que aquela turma de comunistas profissionais, de globalistas de plantão, de totalitários empedernidos, de bárbaros por convicção, de abortistas e anticristãos, não podem e não devem ser considerados sequer nossos interlocutores; no máximo pecadores que o Papa deve tentar converter. É preciso que os que “estão em fase de observação” observem que na Igreja alguém está defendendo o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor, que na Igreja há ainda guerreiros verdadeiros, que pegarão inclusive em armas convencionais, se preciso for, para defender a Igreja, guerreiros que não a defendem apenas com palavras açucaradas de falsa humildade.
 
A conversão terá de ser em direção à Igreja Verdadeira, ou não será conversão verdadeira. Qualquer conversão que se efetivar na igreja do Vaticano II, não será ainda conversão verdadeira. Um convertido que considerar a Missa como uma simples ceia, não se converteu ainda, não está ainda desfrutando da Preciosa Redenção que o Filho de Deus veio nos trazer. Um convertido que tomar a Hóstia consagrada em suas mãos está cometendo uma falha grave. Os que “estão em fase de observação” precisam saber que há algumas pessoas na Igreja que sabem disso e falam sobre isso. Um convertido modernista que pensar que o Inferno é apenas uma metáfora, não está ainda convertido e está, na verdade, correndo um sério risco de ir para lá. E por que ele pensaria assim do Inferno? Ora, porque a igreja do Vaticano II não fala mais do Inferno, não acredita mais no Inferno, segundo o depoimento de um inúmeros padres; e quando fala é como metáfora.
 
Só uma última observação: não existe alternativa ao catolicismo; aqui não existe liberdade, pois só a Igreja salva. Isto é coisa que os que “estão em fase de observação” nunca ouvem da Igreja modernista. É preciso que alguns falem. É minha mais firme convicção de que falar sobre os problemas da Igreja exerce forte atração naqueles que estão prestes a se converter. É por isso que continuarei meu trabalho!