17/09/2026

Um Caminho de Esperança: primeiras e rápidas impressões.

Um novo documento foi publicado pelo Vaticano e foi elaborado por três discatérios: Doutrina da Fé, Para a Promoção da Unidade Cristã e Para o Diálogo Interreligioso. O documento tem o caráter de uma Nota e é intitulado Um Caminho de Esperança. É um documento comemorativo dos 50 anos da Declaração Nostra Aetate, que trata da relação da Igreja com as religiões não cristãs. Essa declaração foi proclamada por Paulo VI e é parte dos documentos oficiais do Concílio Vaticano II.

O Papa Leão XIV apenas autorizou a publicação da Nota, depois de uma audiência com os três discatérios, de 22 de junho de 2026. Essa nota tem uma autoridade mínima, segundo os próprios critérios do Vaticano II (Lumen Gentium 25).

A Nostra Aetate é o mais curto dos documentos conciliares, contudo um dos mais explosivos. A Nota é muito mais extensa, com aquela extensão gelatinosa, típica dos documentos papais pós-conciliares. Mas é mais clara em demolir conceitualmente o dogma: extra ecclesiam nula salus.Faz isso, curiosamente, mudando de assunto.

A finalidade da Igreja, no seu relacionamento com os que estão fora dela, foi sempre a conversão; os conversos haveriam de ser incorporados à Igreja, Corpo Místico de Jesus Cristo, pelo batismo. A Nota afirma a unicidade de Cristo, nunca a necessidade da Igreja. Os fins que ela atribui ao diálogo são: uma sociedade fraterna capaz de aceitar as diferenças e a coexistência pacífica; a justiça, a paz e a proteção da criação; a dignidade humana, a paz social e o cuidado da criação; a paz e a amizade como frutos maduros do encontro. Nenhum desses fins tem o caráter sobrenatural. "Conversão", "batismo" e "incorporação" não ocorrem no documento; "salvação" ocorre uma única vez, e dentro de uma negação. A missão evagelizadora da Igreja se resume agora a fins exclusivamente naturais.

A Nota comemora a Nostra Aetate e, ao comemorá-la, atualiza-a. A Declaração de 1965 reconhecia nas religiões não cristãs "um raio daquela Verdade que ilumina todos os homens" (NA 2) — fórmula que o tradicionalismo contestou, e com razões, mas que ao menos era teológica. A Nota não a retoma. Em seu lugar propõe uma agenda: mudanças geopolíticas e ecológicas, a aldeia global e a paz social. Uma pergunta comum mantém aberta a questão da verdade; uma agenda comum dispensa totalmente a discussão.

A Igreja, como o Brasil, não é para amadores. Que Nossa Senhora tenha piedade de nós!


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