sexta-feira, setembro 21, 2018

O deslocamento da função magisterial depois do Concílio Vaticano II, por Romano Amerio - Parte II


II – Negação da sobrenaturalidade da fé

4. O deslocamento da autoridade de que gostaríamos de falar é um dos movimentos de inspiração racionalista, humanista e naturalista dos mais enraizados. Seu grande princípio: as verdades da fé têm sua origem na atividade do intelecto humano.

5. Na doutrina tradicional, a fé excede a razão; segundo a doutrina da Igreja Católica, para crer deve-se sair da esfera da razão, ir além da razão, pois o que está além da razão lhe é extrínseco. Estar no exterior não significa estar em oposição; significa, sobretudo, que é um complemento, um auxílio necessário e é justamente por isso que está fora. Ao contrário, segundo a doutrina moderna, a fé é uma forma de razão, isto é, que ela é algo que lhe é intrínseco. Isto significa que para crer não é necessário de sair da esfera da razão.

6. A função do Magistério da Igreja é de inculcar no espírito dos fiéis as convicções sobrenaturais: aprender, se ligar, aderir. A palavra “ensinar” significa “agir de modo que alguém saiba o que não sabia”. Além do mais, a função do Magistério é também apologética, pois o mestre deve defender o que ensina. Deve defender alegando seja os motivos oferecidos pela autoridade bíblica, portanto os motivos de ordem sobrenatural, ou ainda os motivos de ordem natural. Em terceiro lugar, ensinar uma coisa significa também fazê-la ser retida pelos espíritos aos quais é ensinada, pois o mestre deve garantir que o seu ensinamento não seja nem perdido nem modificado.

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sexta-feira, setembro 14, 2018

O deslocamento da função magisterial depois do Concílio Vaticano II, por Romano Amerio - Parte I

Texto de Romano Amerio, de 1996, publicado no Courrier de Rome, em janeiro de 2018

Introdução

1. Chamado a dar minha contribuição ao Congresso Teológico Si Si No No, gostaria de desenvolver este princípio: a crise da Igreja Católica é uma crise devida ao deslocamento da autoridade magisterial que, da autoridade do Magistério universal é transferida à autoridade dos teólogos. Deslocamento que foi rapidamente sentido, pois nos anos imediatamente pós-concílio a reação foi rápida, e nesses últimos 30 anos a maioria dos teólogos conseguiu o que reivindicava então e se propunha a realizar: isto é, que os próprios teólogos fossem reconhecidos como participantes do ofício didático da Igreja. Tenho entre meus documentos muitos recortes de jornal, numerosas provas que a coisa era sentida como um perigo.

I - Das origens da crise: a equivocidade dos textos do Concílio

2. O Concílio -- deve-se dizer -- afirmou sobre este ponto a doutrina perene da Igreja. Mas o perigo se anunciou imediatamante depois. De fato, aqui, não se deve esquecer o grande princípio metódico dos inovadores, bispos e experts conciliares. Estes últimos introduziram sub-repticiamente nos textos propostos ao Vaticano II as expressões ambíguas que reservaram a si, depois da publicação dos textos, o direito de interpretar segundo um sentido inovador. Eis a estratégia perpetrada, e perpetada explicitamente, pelos modernistas. A este propósito há uma declaração muito importante -- contida também no Iota Unum -- do dominicano holandês: "As ideias que nos eram caras, nós as exprimimos diplomaticamente, mas depois do Concílio tiraremos as conclusões implícitas". O que equivale dizer: utilizamos uma linguagem diplomática, isto é, dupla, na qual a letra é formada em vista à hermenêutica, aclarando ou obscurecendo as ideias que nos interessam ou que nos convenham.

3. Formaram-se assim os documentos conciliares que, supondo uma hermenêutica laxista e frágil, iriam reforçar as sentenças inovadoras. Sem esquecer que o escândalo principal e radical, que se deve atribuir a João XXIII, devido a que ele consentiu que os observadores protestantes não só assistissem aos trabalhos das comissões, mas que eles com elas cooperassem, a tal ponto que certos textos do Concílio não são somente elaborações de teólogos e bispos, mas de teólogos protestantes.

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terça-feira, setembro 11, 2018

Corção em sol menor

Lendo o extraordinário livro de Corção, Conversas em Sol Menor, recolho dois trechos que reverberaram em minh'alma. 

Falando se sua fase astronômica, ele diz: "O leitor talvez não conheça a espécie de exultação que vem do exercício da exatidão. Forma humilde da verdade, o décimo do segundo de arco tem um fascínio esportivo, poético e moral. Medir é um modo de possuir, além de ser um modo de conhecer; e também um modo de se comprometer".

Mais a frente, falando de sua fase de escritor, diz: "Como pode o escritor ser escritor se não tiver o gosto supremo das mais finas exatidões".

Tendo sentido o fascínio da exatidão, por dever profissional, aprecio muitíssimo essa impressionante definição: "forma humilde da verdade". Quem se preocupa com a exatidão, inclusive da linguagem está envolvido no exercício mais humilde da verdade.

Ai de mim, como diria Corção, que só conheci esse grande escritor já velho e, ai do Brasil, que até hoje o despreza!

terça-feira, setembro 04, 2018

Mais sobre a profecia do Prof. Olavo acerca da pedofilia.

Jason Leonard, 37 anos, considerado pelas autoridades inglesas um perigoso pedófilo, foi condenado em 2013 a 32 meses de prisão fechada por posse de imagens pedo-pornográficas. Um tribunal o proibiu igualmente de viajar para fora do país.


Mas Jason impetrou recurso para que a justiça britânica levantasse a proibição, por se considerar vítima de discriminação, noticia o The Mirror.

Para a estupefação da corte, Jason Leonard comparou a situação dos pedófilos à dos “dos judeus e dos homossexuais durante a II Guerra Mundial”.

Durante a audiência, esse pedófilo declarou que a idade de sua “companhia ideal” se situaria entre “12 e 14 anos”. E que é por isso que ele deseja poder viajar a países em que a maioridade sexual é mais baixa, com a Tailândia, a Espanha ou a França.

Quando o juiz lhe perguntou a que idade ele situava a maioridade sexual, o pedófilo assumido declarou que uma “criança numa idade em que seja capaz de falar, está numa idade capaz de ter relações sexuais”.

O juiz lhe perguntou também sua opinião sobre o estupro, mas ele se recusou a responder à questão.

Quanto ao advogado de Jason Leonard, ele declarou que a decisão da justiça de proibir seu cliente de viajar para fora da Inglaterra “era completamente desproporcional, pois nada há nos registros criminais de seu cliente que prova que ele teve relações sexuais com uma criança. A única coisa que ele já fez foi baixar, na Internet, pornografia infantil”.

O tribunal se recusou, todavia, a levantar a interdição, lembrando que Jason Leonard está “profundamente perturbado com um comportamento abertamente pedófilo”.

Um oficial da polícia britânica comentou esse caso: “Ele é único. Nos meus últimos dez anos de serviço, jamais cruzei com um delinquente sexual que reconhecesse abertamente suas tendências pedófilas. Isso é justamente a razão porque que se assume que ele se tornou excepcionalmente perigoso. O senhor Leonard exprimiu seu desejo de deixar o país, pois ele pensa que a polícia, o sistema judiciário e o governo de nosso país perseguem os pedófilos. Ele está convencido disso. Ele compara isso à perseguição aos homossexuais de 40 anos atrás. Está persuadido de que a pedofilia será um dia aceita da mesma maneira que a homossexualidade”.

Sobre este último ponto, à vista da degradação moral de nossa sociedade, é provável que o futuro dê razão a Jason Leonard.

Para acessar o artigo orginal, em francês, clique aqui.

segunda-feira, setembro 03, 2018

Pergunta antiga, que há muito deveria ser respondida.

Um leitor anônimo, no post UM MONGE E A SUA CURIOSIDADE, pergunta o seguinte:

Aproveitando o espaço dos comentários, gostaria de fazer uma pergunta sobre a santa doutrina católica./ Jesus Cristo morreu por muitos, isso ja é de conhecimento, mas infelizmente trocaram o "por muitos", e colocaram o "por todos" ,mas porque no Catecismo maior de São PIO X na pergunta: " 112) Se Jesus Cristo morreu pela salvação de todos, por que nem todos se salvam?
Jesus Cristo morreu por todos, mas nem todos se salvam, porque nem todos O reconhecem, nem todos seguem a sua lei, nem todos se servem dos meios de santificação 
que nos deixou." Gostaria de entender porque essa aparente contradiçao no catecismo maior. respondam nos comentarios ,por favor.

A diferença aqui é entre ato e potência. O sangue de Cristo é "em potência" suficiente para salvar todos nós. Mas o que está em potência precisa de algo em ato para se atualizar. O que é este ato? É exatamente o que expllica São Pio X, a nossa vontade, de reconhecê-Lo, de seguir Sua lei e de se servir dos meios de santificação. Assim, não há nenhuma contradição.

São Pio X, rogai por nós.

Paço de São Cristovão, 1840


A imagem pode conter: céu, atividades ao ar livre e natureza


ALÉM DA CINZA
Brasil que já não existe, 
Pois morreu em desengano,
Vive em nossa alma triste 
Impávido, soberano.
SIDNEY SILVEIRA

Essa quadrinha é a minha singela homenagem ao muito que se perdeu hoje no incêndio do Museu da Quinta da Boa Vista.
A propósito, há tempos perdi todas as esperanças no Brasil; se continuo a trabalhar no meu âmbito restrito é porque a solidão moral me impele a tanto.
Por paradoxal que pareça, essa humana desesperança faz com que eu me sinta infinitamente livre.

Faço minhas as palavras do prof. Sidney Silveira.

quarta-feira, agosto 22, 2018

Mais uma profecia do Prof. Olavo que se realiza, infelizmente!

Há uns dez anos, ouvi o prof. Olavo profetizando que a pedofilia seria admitida como coisa normal em 20 anos. Ele errou! Levou só dez anos. A França acaba de descriminalizar a pedofilia.


Clique aqui para ir para a reportagem.


Seguindo a profecia, ele disse que o passo seguinte seria criminalizar todo o comportamento contra a pedofilia. Aguardemos!