terça-feira, janeiro 23, 2007

Não tenho tanta fé para ser ateu: argumentos científicos

Depois de despachar pluralistas, relativistas, céticos e agnósticos usando apenas o papa-léguas (Lei da Não-Contradição), Geisler e Turek nos mostram como as verdades sobre a existência de Deus podem ser conhecidas, por meio dos mesmos processos que todas as outras verdades o são. (ver Não tenho tanta fé para ser ateu: argumentos lógicos)

Geisler e Turek nos dão uma aula básica sobre os processos de dedução e de indução. Esses são os processos que os seres racionais usam para conhecer a verdade. O processo de dedução está baseado na Lei da Não-Contradição e na Lei do Terceiro Excluído (ou uma coisa é ou não é). Por exemplo, Deus existe ou não existe. Ou Jesus ressuscitou ou não ressuscitou. Não há alternativas.

O processo de indução é o processo por meio do qual se tiram conclusões gerais de observações específicas. Se todas as vezes que soltamos objetos, os vemos cair no chão, concluímos que deve haver um princípio geral em funcionamento chamado gravidade. Sem o processo indutivo, podemos deduzir, logicamente, impecáveis inverdades. Por exemplo, o silogismo “Todos os homens são répteis quadrúpedes/ Zacarias é um homem/ Portanto, Zacarias é um réptil quadrúpede”, é logicamente válido, apesar de não verdadeiro.

O processo indutivo, por ser uma generalização, comporta algum grau de incerteza. Não podemos estar 100 por cento certos de que a gravidade fará todos os objetos caírem, pois, não observamos todos os objetos em queda. Da mesma forma, não podemos estar absolutamente certos de que todos os homens são mortais, pois, não vimos todos os homens morrerem. O processo indutivo nos dá uma certeza muito grande sobre as coisas e os fenômenos, mas não a certeza absoluta. Ele nos dá uma certeza acima de uma dúvida razoável, mas não acima de qualquer dúvida.

Quanto mais certeza indutiva tivermos sobre alguma coisa, menos fé precisamos para considerá-la verdade. Quanto menos certeza, mais fé. Precisamos de fé para acreditar na lei da gravidade, apesar de ser bem pequena, pois temos muita certeza indutiva. Isso se aplica tanto às coisas do universo material quanto à existência de Deus. Tal existência, segundo Geisler e Turek, deve ser considerada pelos mesmos processos indutivo e dedutivo, únicos que conhecemos, fora a revelação (que não depende de nós), para o alcance de qualquer verdade.

Quais são as evidências científicas de que o Deus bíblico criou o universo? Como este universo que conhecemos pode nos informar sobre se ele foi criado ou é eterno? Essas são as perguntas enfrentadas, primeiramente, por Geisler e Turek. O silogismo usado pelos autores é o seguinte:
Tudo que tem um início, tem uma causa;
O universo teve um início;
Portanto, o universo tem uma causa.

Bem, para um argumento ser verdadeiro ele deve ser logicamente válido e suas premissas devem ser verdadeiras. A primeira premissa é a Lei da Casualidade e negá-la será negar todo o edifício científico. Nem um grande cético com Hume fez isso.

Até o século XIX, tinha-se pouco conhecimento científico para se fundamentar a segunda premissa. Mas, atualmente, as evidências que a fundamentam são muito numerosas e precisas. Os autores apresentam a Segunda Lei da Termodinâmica, a expansão do Universo, a radiação do Big Bang e suas oscilações e a Teoria Geral da Relatividade, como evidências do início do Universo.

A Teoria do Big Bang é hoje uma teoria bastante bem fundamentada. No entanto, como ela evidencia o início do Universo, equivale a dizer, o início do tempo, do espaço e da matéria, ela pressupõe que tal universo foi criado do nada. Ora, isso é extremamente irritante para os cientistas materialistas ou panteístas. O próprio Einstein, que era panteísta, dizia que “Filosoficamente, a noção de um início para a presente ordem na natureza é repugnante ... Eu gostaria de achar uma saída para isso.” A saída que ele encontrou foi inventar um fator, pomposamente chamado de constante cosmológica, que um matemático russo mostrou ser um erro algébrico.

São tão grandes as evidências que corroboram a Teoria do Big Bang que Jostrow, um cientista auto-proclamado agnóstico, diz em seu livro God and the Astronomers (Deus e os Astrônomos): “Vemos agora que as evidências astronômicas apontam para a visão bíblica da origem do mundo. Os detalhes diferem, mas os elementos essenciais nas descrições astronômicas e bíblicas são os mesmos: uma seqüência de eventos que terminam no homem começou repentinamente num momento definido no tempo, numa explosão de luz e energia.”

Depois de tantas evidências, os autores se dizem com muito pouca fé para serem ateus.

A seguir, Geisler e Turek usam o Princípio Antrópico para corroborar a existência de um criador do universo. O silogismo usado é o seguinte:

Todo projeto pressupõe um projetista;
O Universo tem um projeto altamente sofisticado;
Portanto, o Universo tem um Projetista (Criador).

O Princípio Antrópico[1] diz que os valores observados de todas as constantes físicas e cosmológicas não são igualmente prováveis, mas elas têm valores que são exatamente os necessários para que existam lugares onde a vida pode surgir, num determinado momento da história do Universo.

Assim, o nível de oxigênio, a transparência atmosférica à radiação do cosmos, a atração gravitacional Terra-Lua, o nível de dióxido de carbono e a gravidade são exatamente os que eles devem ser para que a vida seja possível na Terra. Qualquer variação, por menor que seja, destrói toda a vida do planeta. Para se ter uma idéia da complexidade e precisão do projeto do universo, uma variação de 0,00000000000000000000000000000000000001 por cento na força gravitacional tornaria impossível a vida na Terra.

Há muito mais constantes físicas que estão sintonizadas com a vida na Terra. Algumas delas são: a força centrífuga do movimento planetário, a taxa de expansão do Universo, a velocidade da luz, a rotação da Terra, a carga do elétron etc. O cientista prêmio Nobel Arno Penzias (co-descobridor da radiação de fundo, que é a radiação proveniente do Big Bang) diz: “A astronomia aponta-nos um evento único, um universo que foi criado do nada e delicadamente projetado para prover as condições exatas para suportar a vida. Excetuando-se a hipótese absurdamente improvável do acaso, as observações da ciência moderna parecem sugerir um plano subjacente ou, pode-se dizer, sobrenatural.”

Bem, diante de tal universo, o ateu precisa de muita fé para continuar ateu. Ele precisa acreditar que se você se depara com, por exemplo, um Rolex cravejado de diamante, você tem de acreditar que tal peça surgiu no universo por acaso, por um processo longo, em que a ação do vento, da chuva e da erosão resultou nesse objeto. Em síntese, não houve projeto nem projetista por trás do relógio.

Perante tudo isso, pode-se dizer, mais uma vez, em uníssono com os autores: não tenho tanta fé para ser ateu.

Com relação à vida, o que nos diz o ateu? Bem, que o mais primário ser vivo, a ameba unicelular, foi criado por geração espontânea (sem intervenção inteligente) e que daí até nós há uma linha evolucionária que passa por toda a cadeia biológica dos seres vivos.

Quanto de informação há numa ameba? Estimativas dão conta de que essa informação é equivalente a 1000 Enciclopédias Britânicas! Imagine que você esteja passeando por uma praia e veja uma mensagem escrita na areia: João ama Maria. Não há ninguém por perto. Se você é um ateu, terá de acreditar que o vento escreveu tal mensagem. Pois, se você concluir que é necessário a existência de um indivíduo (inteligência) para criar uma mensagem tão simples quanto essa, você estará em apuros com relação à ameba.

Há dois tipos possíveis de causa para a vida: ou inteligente ou natural. A vida é constituída de complexidade específica, ou seja, há informação subjacente à vida. Não se conhece outra causa de complexidade específica que não a inteligência.[2]

Basta de amebas! O que dizer da evolução dos seres vivos? Viemos mesmo da ameba (olha ela aí de novo!)? Quando falamos da evolução da ameba ao homem, estamos falando de macroevolução. Quando falamos da ameba sobrevivendo e se adaptando ao seu ambiente, estamos falando de microevolução. Desta temos evidências científicas bastante sólidas. Daquela não há nenhuma evidência. Ou seja, os evolucionistas consideram a macroevolução uma extrapolação natural da microevolução. Só que não há uma só evidência de que essa extrapolação seja verdadeira, como nos mostra Geisler e Turek. Mais especificamente, não há evidência alguma de evolução de uma espécie a outra. Por várias razões essa evolução é, inclusive, improvável. Se não por outras razões (e elas existem em grande número) pelo menos pela inviabilidade de espécies de transição. Elas não conseguiriam sobreviver, pois são sistemas irredutivelmente complexos.

Depois de mostrar que as causas naturais da vida são altamente improváveis, Geisler e Turek abordam a hipótese de uma inteligência por trás da criação da vida. Lembremos que há apenas duas causas para a vida: ou a natural ou a inteligente. Aqui eles rebatem as objeções mais comuns à criação inteligente da vida: de que ela não é ciência, de que ela se utiliza da falácia de preencher as lacunas do conhecimento com a existência de Deus, de que ela tem motivação religiosa.

A respeito da primeira objeção os autores demonstram que se a teoria da criação inteligente da vida não for ciência, tampouco o darwinismo o é. Ambos estão tentando descobrir coisas que aconteceram no passado e ambos são obrigados a usar princípios da ciência forense. A ciência forense difere da ciência empírica de diversas formas. Ela estuda o passado ao invés do presente, ela busca singularidades ao invés de regularidades, ela estuda fenômenos não repetíveis ao invés de repetíveis, ela estuda fenômenos cuja recriação é impossível, ela estuda como as coisas começaram e não como elas funcionam, ela é testada pela uniformidade e não pela repetição e, finalmente, ela procura a origem das coisas e não como elas operam. Assim, quando o darwinismo despreza, a princípio, o projeto inteligente da vida, ele está praticando ciência forense de má qualidade.

A respeito da segunda objeção (falácia do Deus das lacunas) os autores mostram que não há lacuna de conhecimento a respeito da criação da vida. O que há são evidências, muitas evidências, da criação inteligente.

Sobre a terceira objeção (motivação religiosa) os autores a desmontam observando que motivação religiosa não é argumento de impugnação.[3] O que dizer das motivações religiosas dos darwinistas? São elas motivo de impugnação de seus argumentos?

Então, se formos acreditar na criação do universo e da vida sem levarmos em conta um Criador, teremos de acreditar que:

O nada criou algo;
A ordem surgiu do caos;
A vida se originou da não-vida;
Novas formas de vida se originaram das preexistentes, a despeito das evidências em contrário.

Quais evidências seriam necessárias para nos convencer da criação inteligente do universo e da vida? Que tal isso:

O universo começou numa explosão a partir do nada;
Um universo com centenas de constantes físicas e cosmológicas, precisamente sintonizadas a fim de suportar a vida neste pequeníssimo planeta chamado Terra;
A vida que:
é observada aparecendo só a partir de vida preexistente;
consiste de milhares (até mesmo milhões) de volumes equivalentes de informação cujas complexidades específicas são empiricamente detectáveis;
muda ciclicamente e somente dentro de um certo âmbito;
não pode ser criada nem modificada gradualmente;
é isolada sob o ponto de vista molecular, ou seja, não há progressão ancestral em nível molecular;
deixa um registro fóssil que apresenta criaturas inteiramente formadas que surgem repentinamente, não se alteram e, então, desaparecem repentinamente.


E os autores concluem: essas são as razões porque os ateus têm muito mais fé do que nós.

Quanto ao argumento moral para a existência de Deus, ele em nada difere do argumento de C.S. Lewis, apresentado em Abolição do Homem.[4]

A longa resenha que agora termina tem seu tamanho justificado pela quase certeza de que a obra resenhada não será traduzida para o português. As editoras brasileiras não estão nem um pouco interessadas num livro que faz apologia do cristianismo, que mostra as evidências lógicas e científicas da existência de Deus e ainda mostra as falácias do ateísmo e do darwinismo. Isso é tudo o que a intelligentsia brasileira mais odeia. Quanto às editoras católicas/cristãs, elas só se ocupam, com honrosas exceções, de obras de Betos e Boffs da vida. Desta forma, fica-se pelo menos com a resenha da obra, para aqueles que não forem lê-la no original.

[1] A melhor referência que conheço sobre o Princípio Antrópico é o livro de J. D. Barrow e F. J. Frank intitulado The Anthropic Cosmological Principle, Oxford University Press, 1986.

[2] Há um brilhante ensaio de George Gilder na National Review, de 17 de julho de 2006, intitulado Evolution and Me, onde o autor aborda a evolução sob o ponto de vista da Teoria da Informação. O autor define o conceito de “irredutivelmente complexo”. Um sistema irredutivelmente complexo é aquele que não funciona a não ser que todos os seus componentes estejam presentes. O matemático Gregory Chaitain demonstrou que sistemas biológicos são irredutivelmente complexos. Esses sistemas estão, epistemologicamente, um degrau acima das leis físicas e químicas e não podem ser reduzidos a elas.

[3] Isso é bulverismo. Esse conceito é definido e comentado por C. S. Lewis num texto intitulado Bulverismo, ou os fundamentos do pensamento do século XX.

[4] Ver também Abolição do Homem e o triunfo da Natureza.

29 comentários:

Afonso Sampaio disse...

Senhor Antonio, recomndo este artigo aqui no the Times, sacaneando o darwinismo. Nele, Jeremy Klarkson diz, por exemplo:


"On the surface the human being appears to be a flawed design. Obviously our brains are magnificent and our thumbs enable us to use spanners. Something an elephant, for instance, cannot do.
However, there seems to be something wrong with our stomachs. It doesn’t matter how many pints of refreshing beer we cram into them, they always want just one more roast potato. And then, instead of ejecting all the excess fat, they feed it to our hearts and veins, and we end up all dead



No really. The thing about evolution is that each step along the way has a point. Cows developed udders so they could be plugged into milking machines. And humans developed the remote control television so they could spend more time sitting down.
Plainly, then, our stomachs are designed to demand food and feed fat to our arteries for a reason.


I don’t know what the reason might be but I suspect it may have something to do with global warming. Everything else does."

Pedro disse...

O darwinismo não é ciência, é cientificismo. Ciência é discussão, é hipótese, é interpretação aproximativa de um conjunto de fenômenos que acontecm com regularidade. Uma teoria científica não é provada porque um consenso a acha legal, e é esse o caso do evolucionismo, do aquecimento global etc. Mas os 'cientistas' evolucionistas são pagos pelo Estado, e um regime político socialista (ou em uma Universidade controlada por esquerdistas) falar em craicionismo é intolerável. Os socialistas 'científicos', Marx e Engels, aplicaram as leis de Darwin a nós, 'primatas evoluídos'. Engels (salvo engano), numa palestra na Ingalterra, disse que o marxismo é a aplicação da evolução à espécie humana. O evolucionimo teve mais de 150 anos para ser comprovado, e nunca foi encontrada uma espécie intermediária. Sempre aparecem duas, irredutíveis. O próprio Aristóteles já dizia que o cruzamento de duas espécies gera híbridos estéreis, jamais uma terceira. Mas a ciência não tem valor para os darwinistas. Eles têm o apoio estatal para impedir a discussão com o design inteligente, mesmo sem provas, e partem para falácias, ofensas e invenção de motivações psicológicas para qualquer que ouse criticar seu artigo de fé.

Anônimo disse...

Anti Software Livre e teísta fervoroso? Smells like a Bush lover.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Afonso,

Vou ler com muito gosto o artigo que você me sugere. Já morri de rir só da parte que você menciona.

Um abraço. Antonio Emilio.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caros Afonso e Pedro,

Estou soterrado com o argumento (será científico ou lógico?) do sr. Anônimo apresentou. Acho que Geisler e Turek não consiguiriam responder esse rapaz (ou rapariga).

Veja que exemplo de intrujice temos a oportunidade de presenciar. O camarada acha que dizer uma besteira dessas é participar da discussão.

Sr. Anônimo, se o sr. continuar lendo este e outros blogs semelhantes, o sr. tem uma chance de atingir, um dia, um nível acima da indigência mental.

Antonio Emilio.

Afonso Sampaio disse...

Senhor Afonso,
Lembra-se do fórum sapientia? Havia um membro, Vladimir Ulich Lenin, que abria tópicos, postava mensagens ofensivas, e tinha um estilo apocalíptico. Pediram para que o cara fosse tirado do fórum e suas mensagens deletadas. Olavo de Carvalho disse que as merdas dele eram um sinal dos tempos, e que se poderia fazer um estudo sociológico da mentalidade esquerdista pelos posts do camarada. Olavo faz a análise, vou também fazer a minha, pelo post do(a) petralha (deve ser) que já comentou:

1. Defesa do software livre: Bom, o linux tem realmente elementos comunistas (é sustentado pelo Estado, não há 'divisão de trabalho' entre seus programadores, os softwares são compartilhados, a propriedade é considerada 'injusta'). Como o senhor disse, os militantes software livre mostram a contaminação dos estudantes de exatas por essa ideologia.

2. Anticristianismo: Qualquer demonstração de fé que não seja hipócrita, ou que conceda ao materialismo seus 'direitos', é fundamentalista. Qualquer argumentação racional é fundamentalismo. Qualquer artigo com estudos científicos da origem do universo é fundamentalismo. Ciência é fundamentalismo. Lógica é fundamentalismo, opressão. O senhor tem que falar de Derrida. Aí seria 'contemporâneo'. Se quisesse genocídio de cristãos e ditadura cultural islâmica, seria 'tolerante'.

3.Politização: Brasileiro já é burro. Sem conseguir apreender idéias filosóficas, e sendo esquerdista, politiza tudo. Até o Jacques Maritain achava que rechaçava toda a filosofia de seu professor chamando-o de "direitista". Qualquer coisa que o camarada não goste já tem motivações políticas. Teísmo? Ah, é porque você é homem... ou gosta do Bush. Um facho de luz bate nas mentes incríveis dos militantes a cada opinião contrária. Gosta da rainha Elizabeth? Freud explica...

E, por que ódio do Bush? O cara está preocupado com o aquecimento global, com o plano de saúde público, em aumentar os impostos, com a educação...

Afonso Sampaio disse...

Outro artigo, sobre o totalitarismo nas escolas públicas, e outras intervenções estatais:

"Public school does not overcome diversity and somehow make people into one," he said. "It forces diverse people to fight for their values."

The institute, which rejects descriptions for itself such as "conservative" or "liberal," says it pursues the "principles of the American Revolution – individual liberty, limited government, the free market, and the rule of law."

"The Jeffersonian philosophy that animates Cato's work has increasingly come to be called 'libertarianism' or 'market liberalism.' It combines an appreciation for entrepreneurship, the market process, and lower taxes with strict respect for civil liberties and skepticism about the benefits of both the welfare state and foreign military adventurism."

Its study found over the last year only one state – Wyoming – did not have "divisive, values-laden school warfare." Eighteen states had wrestling matches over "intelligent design." In Dover, Pa., the dispute over a plan to have students read a statement that evolution is a theory ended up in federal court. It was not uncommon for townspeople to refuse to speak with those on the other side of the dispute, the report noted."

Pedro disse...

Um texto de Mortimer Adler, sobre as provas lógicas da existência de Deus:

"Ao contrário de Santo Tomás, Moisés Maimônides e Avicena, Adler não pretende lançar mão de artigos de fé ou de Escrituras Sagradas para empreender seu raciocínio. Às obras desses autores, Adler chama de teologia sacra. No entanto, mesmo Leibnitz, Descartes e demais autores que tentaram evitar se deixar influenciar pelas religiões ao pensar acerca de Deus – a chamada teologia natural – Adler crê que não obtiveram sucesso.

Adler apresenta sua obra como sendo pura teologia filosófica, completamente isenta de influências religiosas e artigos de fé.

A existência de Deus não pode ser provada simplesmente argumentando que o mundo precisa de um Criador?

Não.

As religiões ocidentais nos dizem que Deus criou o mundo. Mas tal é simplesmente um artigo de fé, sustentado por cristãos, judeus e muçulmanos. No entanto, um filósofo deve esquivar-se de aceitar esse artigo de fé como verdade comprovada.

A ciência, por outro lado, nada nos diz a respeito da criação do mundo. A teoria do Big Bang versa sobre a origem do mundo, mas do mundo que conhecemos. Isso significa que o Big Bang não explica a exniquilação do mundo, ou seja, a criação do mundo a partir do nada. ["Exniquilação" é um termo criado por Adler em contraposição a "aniquilação", ou seja, a redução de algo a nada]. A ciência não pode provar de que maneira aquela massa que explodiu foi criada, nem mesmo se havia o tempo antes dela.

A filosofia, portanto, tem duas alternativas: ou o mundo foi criado por uma agência criadora, ou o mundo sempre existiu e sempre existirá (posições assumidas por Santo Tomás e Kant, por exemplo). Como não devemos assumir justamente a opção que se deseja provar, devemos adotar a noção de que o mundo sempre existiu e sempre existirá, ou seja, o mundo tem uma existência perpétua.

E quanto à primeira causa? Não é necessário que o mundo tenha uma primeira causa que explique sua existência?

Não.

Se dissermos que, temporalmente, é necessário haver uma primeira causa não-causada que tenha colocado em marcha o movimento e a mudança do mundo, assumiríamos implicitamente que o tempo é limitado. Incorreríamos no erro anterior.

Se, por outro lado, argumentarmos que a primeira causa é superior, ou seja, está acima dos fenômenos naturais, sendo estes intrumentos na mão daquela, e não temporalmente anterior, também incorreríamos em erro. Não há no mundo natural nada que nos obrigue a considerá-lo como instrumental. Nada nele nos diz, além das próprias ciências naturais, que há um causador (ou hierarquia de causas) por detrás dele."

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Pedro,

Eu não conheço a obra de Adler sobre Deus. Pelo que li do artigo no link indicado, eu diria que:

1) a teoria do Big Bang determina um momento (está ambíguo, mas vá lá) para o início do tempo, do espaço e da energia. Ou seja, não é só a matéria que começa com o Bang inicial. É também o tempo que começa. Desta forma, a estória do universo eterno (sem início) pode até ser dedutivamente coerente, mas não é indutivamente possível. Eu sei que é possível pensar que há infinitos ciclos do Big Bang e que, assim, o universo teria vários começos e várias aniquilações, sendo assim esquisitamente eterno. Quanto a essa hipótese, não temos nenhuma evidência de sua validade. Temos, inclusive, a segunda lei da Termodinâmica que teria de ser revertida para que os Big Bangs sucessivos acontecessem. Melhor dizendo, para que os aniquilamentos prévios a cada Big Bang acontecessem.


2) é óbvio que vou ler o livro de Adler antes de fazer qualquer outro comentário, pois, discutir com o grande Mortmer Adler não é brincadeira. É muita areia para meu caminhãozinho.

3) tem um link muito interessante, de um filósofo católico americano que discute argumentos da existência de Deus. A Editora Quadrante publica um artigo sobre Tomás de Aquino e o Big Bang. Vale a pena consultar

Um abraço. Antônio Emílio.

Pedro disse...

Mortimer Adler é muita areia pro seu caminhãozinho? :D

Pelo que eu entendi do argumento dele (que está no Guia para o Pagão do século XX), não há prova lógica ou científica da exniquilação do universo, assim como não há prova que não houve exniquilação. Adler diz que acreditar ou não na origem do Universo pertence à esfera da fé. Aristóteles argumentou que o Universo não tem origem, mas sempre houve a matéria formada e influência divina sobre o Universo porque muitos filósofos(imagino que os atomistas)diziam que a matéria sem forma completa sempre exsitiu e nunca houve influência divina. São Boaventura imputa o erro a Aristóteles, mas comenta: é menor que o da afirmação oposta.

São Tomás de Aquino, salvo engano, diz que não se conclui da afirmação 'o universo não teve origem' que 'o universo é a causa de sua existência'. E, portanto, Deus é a causa de sua existência. Segundo Adler, de sua preservação.

***

Professor Antonio, o primeiro link não funciona. É para o mesmo site do segundo?

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Pedro,

Desculpe-me a falha.
O link é este.

Antonio Emilio

Pedro disse...

Professor Antonio,
Textos muito bons! Interessante, no segundo, como o autor comenta: "se era nada, como poderia flutuar?"

O melhor argumento sobre a existência de Deus é o de Leibniz. É melhor do que o de São Tomás(apesar de familiar a ele):


A êssência (possibilidade) do Ser Necessário é idêntica à Sua existência
O Ser Necessário é possível (não é auto-contraditório, como observava Santo Anselmo)
Logo, o Ser Necessário existe.


O que eu acho engraçado é que, pelo que eu vi, Leibniz fez esse argumento depois de ter conversado com Spinoza (que dizia que o cosmos era igual a Deus).

A aposta de Pascal (que ele elaborou depois de ter inaugurado estudo matemático da probabilidde), se não me engano, é
a seguinte:

Se não credes em Deus, e Deus não existe, nada vos acontecerá.

Se não credes em Deus, e Deus existe, estáis sob ameaça da condenação eterna.

Que considerais melhor: crer ou não crer?


Muito interessante. E Pascal fez várias obeservações matemáticas sobre essa aposta. É em grande parte devido à ele que podemos dizer que a chance dos elementos do universos estarem nessa condição é de uma em um trilhão de trilhões. Apostar no acaso é não crer.
Que considerais melhor?

Anônimo disse...

Soa pretensioso demais afirmar tais argumentos, sendo que a própria teoria do Big Bang possui diversas lacunas. Com base no (talvez?) pouco conhecimento que possuímos, construir diversos argumentos para a existência divina. Em muitas partes do texto, é notável a sensação de crença devido ao desconhecimento, o espanto frente ao inexplicável: “consiste de milhares (até mesmo milhões) de volumes equivalentes de informação cujas complexidades específicas são empiricamente detectáveis”.
No entanto, pressuponho a existência divina. O que me leva a acreditar no seu bondoso Deus cristão que ama, tem acessos de cólera, o qual o molde da imagem e semelhança foi feito o homem?
Por que não, então, um ser sim, superior, mas que abstrai e engloba todo o intelecto humano (como uma variação de “0,00000000000000000000000000000000000001”, desprezível de seu intelecto), pelo qual as desgraças e bem-aventuranças nossas nada signifiquem frente a uma consciência superior inalcançável pelas nossas limitações tão evidentes (alguém tem a coragem de duvidar que o ser humano uno é limitado)? Uma entidade “neutra” de criação/destruição, na qual nossas preces, choros e melindres não signifiquem nada. Algo similar à concepção da religião Brahmanista.

Afonso Sampaio disse...

Sr. Anônimo,

O tema da divindade na religião bramanista nada tem a ver com sua mistificação. É simplesmente a realidade divina estruturalmente múltipla por não estar diferenciada.

Deus inacessível, indiferente e 'neutro' é a concepção divina gnóstica, na sua forma herética medieval, pelo jeito o seu 'pressuposto'.

Vá acusar o senhor Antonio de 'desconhecimento' e blasfemar contra o 'Deus cristão' na sua seita de New Age.

Anônimo disse...

Se não sei jogar bola, ainda sim posso perfeitamente criticar o Roque Júnior na zaga da seleção...
realmente não encontrei nada do gnosticismo (na sua forma herética mediaval? me mande um link) que seja parecido com o meu pensamento.
No entanto, percebo que os teístas fervorosos daqui odiariam saber que são tão ou mais radicais (e principalmente intolerantes) que os "vermelhos". Quando penso nisso fica difícil conter uma risada.
Não tive intenção de blasfemar contra o seu Deus cristão. Eu convivo com ele. Seja sincero: você convive com o meu?

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Afonso,

Fica difícil discutir questões complexas com pessoas anônimas. O rapaz ou a moça responde uma tentativa genuína de arrolar diversos fatos reais que apontam, todos, para a existência de Deus dizendo apenas que a teoria do Big Bang tem diversas lacunas. Será que só ele sabe disso?

Logo depois ele (ou ela) demonstra o que os autores do texto chamam de argumento do "Deus das lacunas". Ou seja, a velha estória de que os crentes preenchem as lacunas do conhecimento com a existência de Deus. Isso é uma arrematada besteira, pois, o que os autores fazem é preencher o que conhecemos com Deus que criou tudo. E a razão disso é que o que conhecemos apontam, acima de qualquer dúvida razoável, para a existência de Deus. Ou seja, para ficar mais claro ainda, não é o que desconhecemos que aponta para Deus, mas O QUE CONHECEMOS.

O nosso leitor anônimo parece estar muito preocupado com um Deus que tenha preferências e que fique bravo com o que fazemos de errado. Para um panteísta é, de fato, inconcebível um Deus que prefira o bem ao mal. Mas o Deus único e criador de tudo é assim mesmo. Muito diferente desse gás que a tudo preenche que parece ser o deus dos panteístas.

O sr. anônimo fala de Brahmanismo, mas acho mesmo que ele está falando de Budismo, que é um filho bastardo daquela religião ancestral, cujo deus é um gás que a tudo preenche. Esse gás não tem mesmo idéia de nada e não fica bravo com nada. Ele é um joguete em nossas mãos e podemos fazer o que quisermos. Eta deusinho conveniente!

Devemos também contar ao nosso leitor anônimo que o gnosticismo não é medieval, mas muito mais antigo. É uma força que está por trás de todos os movimentos totalitários modernos (ver Voegelin, por exemplo) e que tem um força contra qual só o cristianismo tem condições de lutar. Gnosticismo e panteísmo é a dupla conceitual favorita do demônio, pois, ela é muito sedutora. Todos que caíram nesse canto de sereia se acharam os mais moderninhos de todas as épocas. É claro que o demônio quer que a gente se sinta bem quando o servimos.

Sr. anônimo, o sr. diz que convive com meu Deus cristão. É bem ao contrário: Ele é convive com o sr. Ele te criou e agora tem de conviver com seu livre-arbítrio, que Ele garantirá até o fim dos tempos. Mas só até aí. Depois não!

Antônio Emílio.

Afonso Sampaio disse...

Senhor Antonio,

A observação sobre o budismo é muito interessante. Voegelin diz que o gnosticismo não é apenas uma heresia cristã, mas um produto de almas apodrecidas em várias religiões e mitologias. Imagino que houve um gnosticismo na mitologia grega, por exemplo, com os mistérios órficos (Orfeu é a alma, o inferno a que ele desce é o corpo, e ele tem de sair de lá). E que, no hinduísmo, com o budismo (a doutrina hindu sobre Buda é que ele é um demônio que veio enganar os que não se instruem nos Vedas). Os gnósticos sempre perverteram as palavras de Platão sobre a purificação da alma, e as de Aristóteles, sobre o Deus sem Providência. Aristóteles nada disse sobre a falta de caridade de Deus, que é como os gnósticos dizem, mas que falta a Deus o eros, a busca de possuir algo de que se é privado. E, de fato, a caridade era completamente fora da cultura grega.

Afonso Sampaio disse...

Senhor Antonio,

A observação sobre o budismo é muito interessante. Voegelin diz que o gnosticismo não é apenas uma heresia cristã, mas um produto de almas apodrecidas em várias religiões e mitologias. Imagino que houve um gnosticismo na mitologia grega, por exemplo, com os mistérios órficos (Orfeu é a alma, o inferno a que ele desce é o corpo, e ele tem de sair de lá). E que, no hinduísmo, com o budismo (a doutrina hindu sobre Buda é que ele é um demônio que veio enganar os que não se instruem nos Vedas). Os gnósticos sempre perverteram as palavras de Platão sobre a purificação da alma, e as de Aristóteles, sobre o Deus sem Providência. Aristóteles nada disse sobre a falta de caridade de Deus, que é como os gnósticos dizem, mas que falta a Deus o eros, a busca de possuir algo de que se é privado. E, de fato, a caridade era completamente fora da cultura grega.

Filipe disse...

Caro Antônio Emílio,

o post e a discussão são muito interessantes. Pena que eu não li isto antes de escrever meu último post.

Parece-me que existe, além dos argumentos apresentados e da fé, mais alguma coisa que aponta para Deus e que ainda não foi mencionada. O logos é Deus, afirma João. Há algo nisso que me parece intuitivamente verdadeiro, mas eu ainda não sei explicar muito bem. O que vc acha?

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Filipe,

Você menciona o Evangelho de São João e cita o logos. Acho que aí já estamos na parte mais íntima da fé cristã. Nada há que aponte mais para Deus do que isso.

Os argumentos de Geisler e Turek que comento são argumentos apologéticos, normalmente apresentados àqueles que estão indecisos. Para os que tem fé, esses argumentos são prescidíveis. Mas lembre-se: a fé é uma graça de Deus. Temos que pedí-la sempre em nossas orações.

Um abraço. Antônio Emílio.

Pierre disse...

Causalidade -> Sucessão necessária de fatos.

Não implica mecanismo.

Tudo que tem inicío tem um causa pois sempre presenciamos um fato prévio. A noção de causalidade tem sentido na física newtoniana e no bom senso no dia-a-dia. Não é uma lei universal.

Constantes universais são meramente empíricas. O fato de que estes valores possibilitem a existência de vida (princípio antrópico) não implica que ele seja determinado por um "ser que queira que a vida exista".

Só porque nosso mundo se compreende por criação em mãos humanas, certos fatos são independentes de criação. Não precisa existir um criados para o nosso acaso.

Se declarar ateu também é fé, porém, antes de ser ateu, há a dúvida de se afirmar algo a respeito da criação, de qual alguns autores desviam sem escrúpulos.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Pierre,

Diga-me quando a Física abandonou a casualidade. Você diz que esse conceito só é válido na Física newtoniana. É isso mesmo que você diz? Estou curioso.

Antonio Emilio.

Afonso Sampaio disse...

Quam abandonou a causalidade foi Hume, um filósofo que me parece ter uma disfunção psicológica. A sua 'refutação' maravilhosa é que a causa é apenas uma construção mental a partir de percepções empíricas dispersas. Há o exemplo da bola de bilhar: você vê uma, vê ela bater em outra, vê a outra mover-se e constrói a 'causa'. Fico me perguntando qual a causa da alienação de Hume, mas após ver o seu estudo das religiões meio Joseph Campbell (todas são iguais, eu não tenho instrumentos para dizer qual é melhor), de ter dito que a Bíblia deveria ser queimada porque não é um livro de matemática e que segundeo ele só tem 'ilusão' e da negação de Hume da existência de Hume, estou chegando à conclusão que ele era meio doido mesmo...


A propósito: eu tenho umas críticas às segunda e primeira leis de Newton, senhor Antonio, e o peço para dizer se são sustentáveis.


Sobre a segunda: ela já tinha sido formulada em termos semelhantes por Aristóteles, 1900 anos antes: (o deslocamento de um corpo é diretamente proporcional à força aplicada e inversamente proporcional à massa do corpo). Por que Newton ficou com a fama de tê-la descoberto?

Sobre a primeira: se o movimento uniforme não é um fenômeno natural e há apenas velocidades próximas, por que ele é estudado na Física? Ele é apenas uma idealização, e os movimentos, segundo Newton, 'tendem' a eles. Bom, os corpos em movimento não poderiam também tender a... bem... saltitar? rodar? cantar axé music?

Além disso, movimento é, por definição, mutação. Uma movimento uniforme é um conceito contraditório, e sua medição viria com uma impressão de quem recebe a informação do estado do movimento. Mas um movimento uniforme não tem estados, então...

Pedro disse...

Será um estruturalista? Um desconstrucionista? Ou pior: um universitário brasileiro imitando estruturalistas e desconstrucionistas? Não sei, mas Pierre tem um estilo impressionante! Deve estar aprendendo com o Emir Sader a infestar um texto pequeno de adulterações.Faço umas observações:

"Causalidade -> Sucessão necessária de fatos."

O homem é bom no conceito de causalidade. Tanto que nem sabe distinguir a necessidade da necessidade hipotética.

"Tudo que tem inicío tem um causa pois sempre presenciamos um fato prévio."


"A noção de causalidade tem sentido na física newtoniana e no bom senso no dia-a-dia. Não é uma lei universal"

A densidade do rapaz é fantástica. Uma coisa é dizer que nem tudo tem uma explicação mecânica, mas daí dizer que a causa não é uma lei universal, e é assim na Física Newtoniana? Será que a Física de Aristóteles foi mudada sem aviso? Será que o guru Fritjof Capra fez uma refutação genial desse conceito ultrapassado? Será que os princípios de todas as ciências (e não só da Física) foram atacados pelos iluminados da ONU?

"Constantes universais são meramente empíricas. "

Claro. Eu tenho uma proposta para o Pierre. Veja uma centena de estudantes brasileiros de Sociologia. Depois disso, omita a Inteligência (isso não será difícil para você), e só baseado nas informações empíricas, ache umaconstante universal. Todos têm a barba por fazer? Não, só uns quinze. Todos são disléxicos? Não, só uns setenta. Todos são semi-analfabetos? Só uns cinquenta. Pode ficar um ano com percpções empíricas, e a empresa vai fazer água.


"O fato de que estes valores possibilitem a existência de vida (princípio antrópico) não implica que ele seja determinado por um "ser que queira que a vida exista"."

Não apenas possibilitam, mas a articulação de condições é tão surpreendente que só um ateu ou um louco poderia falar mal de quem a cita. Não implica que essa articulação seja a vontade de um ser que queira que a vida exista? Claro que não, Pierre. Remete à existência, não de um Criador Inteligente, mas do... é... Steven Spielberg. Com certeza.

"Só porque nosso mundo se compreende por criação em mãos humanas, certos fatos são independentes de criação. Não precisa existir um criados para o nosso acaso."

Esse trecho é uma pérola. Tentei ver do que ele estava falando, mas Pierre deve se orgulhar de escrever textos obscuros. Deve ser influência de seu xará Pierre Bourdieu. Talvez estivesse dizendo que o ser humano projeta em 'Deus' seus próprios valores que ele deveria reabsorver (teoria imbecil dos alunos esquerdistas de Hegel), mas não quer dizer nada. As palavras de Bourdieu:

"Asondições associadas numa classe particular de condições de existência produzem o habitus, um sistema de disposições duráveis e transferíveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, quer dizer, como princípios que geram e organizam práticas e representações que podem ser adaptadas objetivamente aos seus resultados sem pressupor um fim objetivo consciente ou um domínio expresso das operações necessário para o atingir, objetivamente 'regulador' e 'regulado' sem ser de qualquer forma o produto de obediência a regras, e, assim, que pode ser orquestrado coletivamente sem ser o produto da ação organizatória de um maestro."

Claro que esse texto, também, não quer dizer nada.

"Se declarar ateu também é fé, porém, antes de ser ateu, há a dúvida de se afirmar algo a respeito da criação, de qual alguns autores desviam sem escrúpulos. "

Dúvidas da criação de que alguns autores se desviam? Ele está acusando alguém, mas quem? Antonio Emilio, os autores do livro, os religiosos? Que dúvidas? Provavelmente, devem ser os profundos argumentos ateus "eu tenho dúvidas por que eu não sinto ... eu só vou me convencer quando eu sentir" e aquelas porcarias psicológicas com que eles 'refutam' as provas lógicas da existência de Deus.

Por isso concordo com a exibição de revistas sobre Dawkins, Mourão e outros 'cientistas' junto com a Caras. A densidade intelectual é bem parecida.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Afonso,

Sobre seus questionamentos sobre Newton e Galileu há dois textos memoráveis do Olavo, dando apoio às suas idéias.

Seguem os links

http://www.olavodecarvalho.org/semana/060615jb.html

http://www.olavodecarvalho.org/textos/boutroux.htm

Antonio Emilio.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Pedro,

Estou traduzindo, a passos de tartaruga, uma crítica de Michael Novak sobre três livros de autores ateus, um dos quais Dawkins, que será oportunamente postado neste blog. É um texto extraordinário.

Um abraço. Antonio Emilio.

Edgar disse...

Prof Antonio,

Enquanto discutia/debatia com um amigo, após mostrar que necessariamente há de existir uma primeira Causa, ele refutou o argumento dizendo que "sim, de fato há uma primeira causa, mas nada se sabe da natureza dessa primeira causa, por que tem que ser Deus?". Deus e a primeira causa são "inícios", mas por que a primeira causa tem que ser onipotente? Por que ela tem que ser onisciente? Por que tem que ser [i]Pessoa[/i]?

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Edgar,

Vou dar-lhe duas sugestões para ajudar a responder as suas perguntas. Antes disso, porém, alerto-o para o fato de que suas perguntas não têm respostas breves. Quem as faz, se estiver mesmo interessado em saber a resposta, deve ter paciência. Digo isso porque, geralmente, em discussões superficiais, essas perguntas nos são feitas apenas para calar a nossa boca. Nosso interlocutor está pouco se importando com nossa resposta.

Se for esse o caso de seu interlocutor, esqueça a discussão! Caso não seja esse o caso, ou caso você esteja de fato interessado no assunto, você deve procurar a resposta em livros muito mais profundos do que o de Geisler e Turek. Isso por duas razões: primeiro porque esse fabuloso livro foi escrito com preocupações apologéticas definidas, segundo porque os autores sendo protestantes não são herdeiros, assim me parece, de, por exemplo, Santo Tomás de Aquino e da escolástica.

Pois bem, vamos às sugestões. A primeira é a Filosofia Concreta de Mário Ferreira dos Santos. A segunda é a Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, pelo menos as primeiras questões.

Sem um tipo de estudo desses, apenas a Fé Católica pode nos ensinar sobre o Deus misericordioso e Criador do Céu e da Terra.

Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Edgar disse...

Prof Antonio,

Muito obrigado pelas sugestões. Nunca ouvi falar desse Mário nem de sua Filosofia Concreta, mas, pelo que acabo de pesquisar sobre ele, parece que é muito bom. Agradeço-te novamente e sempre que eu tiver qualquer dúvida espero poder contar com sua ajuda. :) . Até.