01/02/2019
Vamos destruir o prof. Olavo de Carvalho
29/01/2019
Ministra Damares e a Teoria da Evolução
23/01/2019
O deslocamento da função magisterial depois do Concílio Vaticano II, por Romano Amerio - Parte VII
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VII – Do antigo Magistério ao novo e a unidade das heresias
32. Na Suma Teológica, a dispersão do um no múltiplo, no que
concerne à verdade, é bem delimitado e reconhecido: “Por onde devemos dizer,
que o objeto da infidelidade é a verdade primeira, como aquilo de que ela se
afasta; mas o seu objeto formal, como aquilo para o que se converte; é a
ciência falsa que ela segue, e por este lado se lhe diversificam as espécies.
Portanto, assim como a caridade é uma só, a que se une ao sumo bem; mas
diversos os vícios a ela opostos não só por buscarem bens temporais diversos,
afastando-se do sumo bem, mas, além disso, por causa das relações diversas
desordenadas, para com Deus; assim também é a fé uma virtude só, por unir-se à
verdade primeira única, ao passo que as espécies de infidelidade são muitas,
por seguirem os infiéis opiniões falsas diversas” (S. Th IIa IIae Q.10, Art. 5,
ad.1).
33. Mas hoje, aqueles que negam os artigos da fé professados
nas manhãs de domingo não se acusam mais em confissão! Ontem havia os arianos,
os donatistas, os sabelianos; em seguida os luteranos, os calvinistas, os
valdenses. Hoje, os hereges permanecem católicos (como os católicos) porque não
há mais o temor da contradição, o pudor de distinguir as coisas católicas das
não católicas. A contradição é uma coisa profunda; é mesmo a coisa mais
profunda do ser. O princípio da contradição é um dos primeiros princípios, e é
a coisa mais profunda do ser, pois está na relação mais estreita com o ser. Se
o ser é profundo, pois é o primeiro princípio, sua contradição, sua oposição é
igualmente profunda. Quando estamos em tal ordem de reflexão, estamos em níveis
profundos; não podemos ir mais fundo. Assim, dever-se-ia prestar atenção à
contradição, dever-se-ia teme-la, se horrorizar. Hoje em dia, a contradição não
aterroriza; vamos ao seu encontro, acolhemo-la, abraçamo-la. Tudo é o seu
contrário e os não-católicos são também católicos.
34. Santo Agostinho distingue três conceitos no ato da fé: “credere Deo, credere Deum, credere in Deum”.
Em relação a esses três aspectos do ato da fé cristã, como se situam, hoje, os
teólogos que controlam a opinião geral? Parece-me que o conceito que se
desvanece é aquele de Deus como coisa crida, credere Deum, isto é, que Deus,
como matéria de fé, se dissolve. Ao contrário, mesmo os teólogos modernos
sustentam o crer em Deus, isto é, confiar-se, por um movimento do espírito, à
vontade de Deus. Portanto, aqui o aspecto confiante da fé sobrevive, conceito este
mais próximo da ideia que os luteranos têm da fé “crendo nos aproximamos de
Deus”, como diz Santo Tomás de Aquino na Suma (S. Th. II-II, Q.2, a.2) “da fé
se encarrega a caridade”[1].
Mas se não creio Deus, não posso crer em Deus. De fato, se não creio na
existência de Deus, tal qual anunciado no símbolo Niceo-Constantinopolitano,
como poderia crer na força de sua Autoridade?
35. A decadência da Autoridade superior, na qual entretanto
todos devem crer, tem conduzido ao deslocamento da autoridade didática da
Igreja que, da Hierarquia do Magistério, é transferida à massa dos teólogos. É
a dissolução da Autoridade, pois crendo-a a fé é especificada, já que o motivo
da fé é “crer no que Deus disse”. De fato, se duvidamos da existência
providencial da Autoridade, não poderemos crer que as Sagradas Escrituras nela
se originam. E, de fato, hoje em dia as Sagradas Escrituras são lidas como um
gênero literário, análogas àquelas das tradições islâmicas, hinduístas, judias,
que não são mais que tradições humanas. Deus não são delas a causa; no máximo,
seu fruto, sua consequência. Todos os teólogos creem o que eles creem
unicamente em relação ao que suas argumentações ou suas opiniões autorizam a
crer: aí está toda sua autoridade. Não é mais a autoridade sobrenatural que se
revela e que leva a crer além da razão, mas uma autoridade argumentativa,
ponderada, cientificamente demonstrável.
36. Uma questão na Suma de Santo Tomás (S. Th. IIa IIae,
q.5, a.3) pergunta se um herege, que nega um artigo da fé, pode ter uma fé esclarecida
sobre os outros artigos. A resposta é negativa, pois os artigos da fé são cridos,
pois que revelados por Deus e o homem não pode discernir um artigo do outro e
não pode rejeitar um e aceitar os outros, pois se ele assim procede, ele já
renegou o princípio da fé: todos os artigos da fé são cridos, “pois que revelados”.
Se se exclui um, pretende-se que este não é revelado e o princípio geral da fé,
que não está em nós, mas fora de nós, é lesado. Santo Tomás ensina constantemente
que a causa formal da fé é precisamente a veracidade de Deus.
37. Hoje o homem deseja crer somente naquilo que compreende:
a fé lança aqui suas raízes nos homens e os arrebata para onde eles devem
estar, em Deus, em Jesus Cristo, no Verbo revelador, como lembra o Apóstolo: “Se
te vanglorias, fica sabendo que não és tu que sustenta a raiz, mas a raiz a ti”
(Rom. 11, 18). Geralmente a significação do ato de fé é negligenciado. “Crer”
parece ser uma atitude psicológica arbitrária. De fato, “crer” supõe a imolação
do princípio supremo do homem: não poderíamos fazer maior sacrifício.
Sacrificar os sentidos é certamente meritório, mas sacrificar a inteligência,
que é a parte mais elevada do homem, isto é uma ação quase inacreditável:
somente se pode realiza-la por força da graça.
38. A arrogância da razão privada se manifesta na pretensão
de escolher: “Nesta coisa eu não creio, pois ela não parece nem razoável nem
possível, naquela outra, ao contrário, eu creio porque a considero razoável e
possível”. O herege se explica, como cada palavra, pela etimologia. “Heresia” é
uma palavra de origem grega, airùmai, que significa “eu tomo”. A heresia é uma “eleição”
das coisas a crer. Essa eleição se faz sobre a base do critério individual, enquanto
que os artigos da fé são todos cridos porque revelados, e isto é tudo!
39. O papel da teologia é de esclarecer e de bem articular o
que nós cremos. Por exemplo, se cremos na Imaculada Conceição, a teologia deve
explicar o conceito de “concepção”, ela deve, assim, trazer uma variedade de
esclarecimentos sobre todas as partes do dogma para que ele seja revelado na
sua totalidade e na sua profundidade. Ao contrário, os teólogos novidadeiros,
aqueles da nova evangelização, se fundamentam no princípio de que o que cremos
deve ser inteligível, deve ser racional, e para procurar esse elemento de
inteligibilidade, eles negam a substância da fé. De fato, pretender compreender
alguma coisa sobre o dogma da Imaculada Conceição é uma heresia. Compreender alguma
coisa, que é de si sobre-inteligível, não é possível. Se você pretende
compreendê-la, se pretende resolvê-la, você é um herege: você nega a ordem
sobrenatural, nega a ordem da fé.
20/01/2019
Comunhão de Lula na prisão e um livro de presente
19/01/2019
Evento do ISPA hoje, com minha participação.
EVENTO INAUGURAL GRATUÍTO DA SEDE DO ISPA!
O Instituto São Pedro de Alcântara te convida a participar do evento inaugural da sua sede física que ocorrerá no dia 19/01. Neste local daremos formações, cursos, palestras voltadas à Doutrina Social da Igreja (DSI) e outros temas.
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Viva Cristo Rei!
20/12/2018
18/12/2018
14/12/2018
Damares Alves, Jesus e Santa Maria Goretti
11/12/2018
Fernando Gabeira e os índios sem alma
06/12/2018
Modernismo - o machado na raiz de nossa fé
03/12/2018
São Francisco Xavier, rogai por nós!
27/11/2018
Espiritismo: blog entrevista Chesterton
Nota:
O senhor Gilbert Keith Chesterton está muito ocupado no momento e não pode
conceder uma entrevista ao blog pessoalmente. Vali-me da prestimosa ajuda da
senhora Francis, esposa do eminente escritor inglês, que passou-lhe as
perguntas. Ele telegrafou diretamente ao responsável pelo blog com suas respostas
luminosas. Agradeço de público o auxílio da senhora Francis pela já conhecida
atenção com todos que, por um motivo ou outro, procuram orientações do gênio
inglês. Lembro-me com carinho e saudade dos deliciosos chás por ela preparados
em outras oportunidades em que me encontrei com o casal em sua residência. Vamos
à entrevista.
Blog
do Angueth – Penso que para começar, devo perguntar-lhe se o
senhor considera o espiritismo uma farsa, uma fraude.
Chesterton –
Não, em absoluto. Minha posição é de uma forte objeção ao espiritismo, não
porque ele seja fraudulento, mas porque ele é genuíno.
Blog
do Angueth – Senhor
Chesterton, não sei se o senhor sabe, mas o espiritismo é muito popular no
Brasil. Aqui a situação é, talvez, um pouco diferente, pois há um sincretismo
do espiritismo, digamos, inglês, com os cultos africanos. Um famoso escritor
brasileiro, Lima Barreto, muito ligado, por sua origem, aos extratos mais
pobres da sociedade, fez, recentemente uma observação, sobre a qual gostaria de
colher suas observações. Diz nosso escritor: “O padre, para o grosso do povo,
não se comunica no mal com a divindade; mas o médium, o feiticeiro, o macumbeiro,
se não a recebem em seus transes, recebem, entretanto, almas e espíritos que,
por já não serem mais da terra, estão mais perto de Deus e participam um pouco
da sua eterna e imensa sabedoria.”
Chesterton –
A marca especial do mundo moderno não é que ele seja cético, mas que ele é
dogmático sem saber. Ele diz, escarnecendo dos antigos devotos, que eles
acreditavam sem saber porque acreditavam.
Mas os modernos acreditam sem saber no
que acreditam – e sem nem mesmo saber que eles realmente acreditam. Eles
sempre têm um dogma inconsciente; e um dogma inconsciente é a definição de um
preconceito. Os espíritas agem segundo um dogma, que não podem declarar dogmaticamente
e, portanto, somente o assumem dogmaticamente. O que o espírita assume é praticamente
o seguinte: não somente a existência de espíritos, mas a inexistência de
espíritos maus. Em termos populares, os espíritas são otimistas em relação ao
mundo espiritual. A objeção real ao espiritismo é quase idêntica à sua
afirmação. A objeção é que ele coloca um homem sobre o controle de forças
espirituais, ou que ele o coloca em contato com o desconhecido. Ele supõe a
rendição espiritual do médium, o que é dúbio, mesmo que a influência seja boa,
e chocante, se ela for má. Ora, não é certamente auto-evidente, por tudo que
sabemos, que ela não possa ser má.
Blog
do Angueth – Sabemos que na Inglaterra o grande apóstolo do
espiritismo é Sir Arthur Conan Doyle, o grande criador de Sherlock Holmes. Sua
influência é extraordinária na popularização do espiritismo. Sabemos também que
ele faz uma distinção entre um espiritismo superior, o que ele professa, e um
inferior, aquele dos fenômenos materiais mais grosseiros que acontecem em sessões
espíritas: mesas e objetos se movendo. Sendo o senhor um grande admirador de
histórias de detetives, tendo mesmo escrito as extraordinárias aventuras do Pe.
Brown, o que o senhor tem a dizer-nos sobre Sir Doyle.
Chesterton –
O sucesso literário merecido de Sir Arthur Conan Doyle o faz, de fato, o grande
apóstolo do espiritismo. Explico minha discordância de suas ideias. Ele
concorda com os protestos contra os truques grotescos e mesmo degradantes das
sessões espíritas. Ele diz que mesas e cadeiras dançantes pertencem ao “plano
inferior”; que este não é seu interesse principal; que ele deseja aproximar-se
do espiritismo reverentemente, de considera-lo uma religião que pode nos
fornecer respostas aos grandes mistérios da vida e da morte. Penso que essa
distinção é muito valiosa quando completamente invertida. Uma cadeira ou mesa
que voa parece-me uma coisa genuinamente interessante. Tomemos, por exemplo,
qualquer mente racional de cem anos atrás, digamos aquela de Voltaire ou Gibbon,
que teria considerado uma mesa voadora não tanto meramente sobrenatural, mas
simplesmente impossível. Se é possível, algo sempre considerado uma lei da
natureza é quebrado. O materialismo, com todas as suas leis mecânicas da natureza
está acabado. Em resumo, uma mesa dançante não pode ser considerada um
incidente comum; e se ela ocorre (como parece ocorrer), é um incidente muito importante.
Sou completamente incapaz de ver que uma mesa dançante, ou uma religião numa
mesa dançante, seja mais convincente do que uma religião de uma mesa mais
repousante e possivelmente mais útil. As coisas que reverencio, no céu e na
terra, são certas virtudes ou valores; e uma mesa não indica que ela possua essas
virtudes simplesmente por levantar suas pernas. A isto o espírita responderá
que ele não me pede para reverenciar a mesa, mas as revelações que vêm da mesa.
E, ignorante como sou de tais revelações, sei o suficiente delas para não reverenciá-las,
ou mesmo respeitá-las.
Blog
do Angueth – Sei que há duas objeções que são colocadas às suas
posições sobre o espiritismo. A primeira é que o senhor admitidamente nunca participou
de uma sessão espírita e, portanto, não tem autoridade de emitir opiniões a
respeito. Esta é, inclusive, a posição do próprio Sir Arthur Conan Doyle. A segunda
objeção, derivada a primeira, é a de que o senhor ignora o valor da comunicação
entre este mundo e o outro. Como o senhor responderia a essas duas objeções?
Chesterton –
Quanto à primeira objeção, é verdade que nunca participei de uma sessão
espírita, mas há muitas coisas que não presenciei, sobre as quais não tenho a
mais mínima intenção de parar de falar. Recuso-me de parar de falar sobre o
Cerco de Tróia. Recuso-me a ficar mudo em relação à Revolução Francesa. Não me
silenciarei sobre o assassinato de Júlio César. Se ninguém tem o direito de
julgar o espiritismo exceto um homem que já participou de uma sessão espírita,
os resultados, logicamente falando, são muito sérios: quase pareceria que
ninguém tivesse nenhum direito de julgar o cristianismo se não participasse se
sua primeira reunião em Pentecostes. O que seria temerário. Considero-me capaz
de formar minha opinião sobre o espiritismo sem ter visto espíritos, da mesma
forma que formo minha opinião sobre a Guerra Japonesa sem tê-la visto, ou minha
opinião sobre os milionários americanos sem (graças a Deus) ter visto um
milionário americano. Bem-aventurados aqueles que não viram e acreditaram: uma
passagem que alguns têm considerado uma profecia do moderno jornalismo. Respondo
à segunda objeção, dizendo que eu não ignoro o valor da comunicação entre este
mundo e o outro. Digo apenas que um princípio diferente liga a investigação
nesse campo espiritual, em relação à investigação de qualquer outro campo. Se
um homem põe uma isca no anzol para pegar um peixe, o peixe virá, mesmo se ele
declara não acreditar em peixes. Se um homem faz uma arapuca para passarinhos,
passarinhos serão pegos, mesmo se ele considera supersticioso acreditar em passarinhos.
Mas um homem não pode colocar iscas para almas. Um homem não pode construir
arapucas para capturar deuses. Todos a escolas de sábios sempre concordaram que
essa última captura depende, de algum modo, da fé de quem captura. Então, a coisa
se resume a isto: se você não tem fé nos espíritos, seu apelo é em vão; se você
tem, você precisa disto? Se você não acredita, você não pode apelar. Se você
acredita, você não apelará.
Obs: Para quem desejar ler outras entrevistas de Chesterton, favor acessar o marcador BLOG ENTREVISTA CHESTERTON
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Blog entrevista Chesterton
22/11/2018
O deslocamento da função magisterial depois do Concílio Vaticano II, por Romano Amerio - Parte VI
Para ler a parte I, clique aqui. Para ler a parte II, clique aqui. Para ler a parte III, clique aqui. Para ler a parte IV, clique aqui. Para ler a parte V, clique aqui.
VI – O novo “magistério” pastoral levou à dissolução da crença do povo cristão
28. É-nos possível, com trinta anos de distância,[1]
verificar até que ponto o movimento triunfou, uma vez que o povo cristão de
hoje crê nos artigos da fé segundo o modo disseminado por esses teólogos. Como
isso foi também mencionado em meu último ensaio (Zibaldone), enumerei uma série
de dogmas da fé que não são mais cridos pelo povo cristão, justamente porque são
rejeitados pela teologia moderna, o que faz com que não se creia mais hoje nos
dogmas de acordo com a fórmula de Nicéia. O que crê hoje o povo cristão a respeito
do inferno? Crê o que os teólogos debatem no Avvenire[2]
ou o que as imponentes emissões da Radio
Maria[3]
endossam calorosamente. Eles creem que o inferno não existe, ou que se existe,
é uma forma de punição que se atenua com o tempo e que, talvez, mesmo Judas não
esteja lá, pois no último momento de sua vida sua alma pôde se arrepender.
Assim, o inferno está provavelmente vazio – mas São Gregório Magno, numa de
suas homilias, dá por certo a danação de Herodes Agrippa (At. 12, 23). “Mas, no mesmo instante, o Anjo do Senhor o
atingiu, pois que ele não rendeu glória a Deus e, comido pelos vermes, expirou.”
29. O que creem hoje os cristãos sobre o Gênesis? Creem que
é um relato simbólico; hoje, todos os cristãos estão de acordo sobre este
ponto, destruindo assim um decreto da Pontifícia Comissão Bíblica de 1906, que
confirma com autoridade o caráter histórico do relato sagrado do Pentateuco. O
que pensam hoje os cristãos da Eucaristia? Que a Eucaristia não é a Presença
Real e individual do Corpo de Jesus Cristo, mas a presença real do povo
cristão, pois a nova teoria constrói o silogismo seguinte sobre essas
semelhanças: no sacramento da Eucaristia o Senhor está presente, mas o Senhor
que está presente é misticamente o povo cristão, então, o povo cristão está
presente na Eucaristia; a opinião comum hoje admite que a Eucaristia é o
sacramento da presença do Senhor, mas o Senhor que está presente é o próprio
povo cristão.
30. O que creem hoje os cristãos sobre a predestinação? Aqui
nos é necessário assinalar a deformação completa do conceito de predestinação,
pois que os teólogos modernos que falam ainda a compreendem como uma previsão
das coisas do homem, não como a determinação das coisas do homem por parte de
Deus. Esta é uma grave falsificação, pois a predestinação se ocupa de nosso fim
último e nosso fim último é a coisa mais importante que há. Se se falsifica o
fim último do homem, que resta do homem?
31. Acabamos, então, de ver que a prática que se iniciou
depois do Concílio se impôs, virando do avesso as opiniões gerais da cristandade.
Depois de trinta anos, podemos apenas constatar o sucesso desta tendência. A fé
católica despedaçou-se em mil opiniões sobre os Novissimi (as últimas coisas),[4]
em mil opiniões sobre a virgindade de Maria, em mil opiniões sobre a Presença
Real na Eucaristia, sobre os sacramentos, sobre a Igreja, sobre o primado de
Pedro e mesmo, sobre a Trindade. Não há nenhum artigo do Credo, o Símbolo da fé
que professamos a cada domingo na Missa, que não tenha sido despedaçado em uma
miríade de opiniões professadas, apesar de e contra a firmeza absoluta dos seus
artigos. Assim, o cristão perde a fé porque perde a unidade: não há fé se ela
não é UNA. Essa dispersão de opiniões significa a dissolução da fé.
[1]
Este ensaio de Romano Amerio foi escrito em 1996. (N. do T.)
[2] Jornal
diário fundado em 1968 para difundir as ideias do modernista do Concílio Vaticano
II. (N. do T.)
[3]
Conjunto internacional de rádios católicas, fundado em 1982. Também modernista
até a medula. (N. do T.)
19/11/2018
Ciência como método sistemático de dominação
15/11/2018
Santo Alberto Magno, rogai por nós!
14/11/2018
13/11/2018
O deslocamento da função magisterial depois do Concílio Vaticano II, por Romano Amerio - Parte V
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V – O deslocamento do Magistério leva à dissolução da
unidade da fé na multiplicidade de opiniões
21. O princípio da autoridade do Soberano Pontífice resulta
de que sua palavra é vicarial da Palavra divina, ela exprime a lei moral
decorrente da Encarnação do Verbo. As verdades que vibram nas Encíclicas de
João Paulo II são as verdades centrais. E acima de todas essas verdades há a
verdade fundamental do cristianismo: isto é, que Deus se revela hic et nunc, aqui e não lá, agora e não
antes. Contudo, hoje em dia, esta verdade primordial é colocada em dúvida, como
lemos na Carta Apostólica Tertio
Millennio Adveniente; em seus parágrafos se desenvolve a
doutrina que afirma que “o cristianismo é a resposta à aspiração que se eleva
de todas as religiões: do budismo, do hinduísmo, do islamismo”. Mas o
cristianismo não é uma resposta a essas religiões, (“Não entregues senhor – disse
a rainha Ester – o teu cetro àqueles [deuses] que não são nada, para que não
escarneçam de nossa ruína”, Est 14,11) porque o cristianismo e a Palavra divina
revelada somente ao povo eleito, num tempo determinado, num lugar determinado,
como canta o salmo 147,20: “Non fecit
taliter omni nationi [Não fez assim a todas as nações]”.
22. Deus, potência absoluta, pode salvar todo homem sem
batismo, mas por potência ordenada,[1]
não o pode, pois a salvação sem batismo não faz parte do sistema, da economia
desejada por Deus. A salvação dos não batizados é excepcional, é
extra-sistemática, pois ela não pertence ao sistema que é centrado em Cristo e
na concepção trinitária de Deus. Mas quando se diz: o homem se salva sem a
graça, sem o batismo, apenas pela virtude de suas obras de homem religioso,
bom, piedoso, justo, entra-se no sistema pelagiano. O sistema pelagiano tem
merecido bastante atenção da parte dos teólogos modernos, porque o mundo se
impregna do espírito pelagiano.
23. A fase final da síntese mostra que a decadência da
autoridade do Magistério episcopal, abandonando a autoridade aos teólogos, gira
em torno de uma autoridade individual, em torno do desenvolvimento que o Papa
dá a suas opiniões privadas, em detrimento da Doutrina universal e da Tradição.
Mas há uma outra coisa ainda mais aflitiva; há uma segunda realidade, mais
universal, mais impalpável; causada pela demissão do Magistério episcopal, que se
estende ao mundo inteiro ante à arrogância de opiniões teológicas as mais disparatadas,
as mais variadas e as mais ricas.
24. Opiniões disparatadas, pois chamamos disparatadas o que
difere, em alguma coisa, do essencial. Variadas, porque chama-se variada o que
difere, em alguma coisa, do acidental. Duas coisas disparatadas são duas coisas
de gênero diferente; duas coisas variadas são duas coisas que podem pertencer a
um mesmo gênero. O mesmo se aplica às opiniões teológicas que pululam nesses
últimos trinta anos, no mundo católico pós-conciliar. Elas diferem da doutrina una
e santa porque, quando são do mesmo gênero, elas se distanciam segundo os
acidentes. Elas, mais frequentemente, não são do mesmo gênero; isto é, elas não
têm a mesma raiz sobrenatural que faz a doutrina católica um unicum. Em terceiro lugar, finalmente,
eu digo; opiniões teológicas ricas, no sentido em que os mesmos teólogos falam
de riqueza do pensamento teológico quando muitas outras mentalidades se
misturam à mentalidade de nossa fé; a mentalidade de fés estrangeiras tais
como: protestante, hebraica, budista, islâmica, animista.
25. Fazendo convergir os olhares para essa trilogia de opiniões
variadas, disparatadas e ricas, num certo sentido, podemos dizer que hoje a
doutrina da fé não é mais uma única. A unidade da Igreja deveria ser
essencialmente teórica, doutrinal, pois se trata de coisas do intelecto, se
trata da atividade teórica, não de uma unidade de gabinetes ou de indumentária.
Ademais, o Santo Padre sustenta que existe uma unidade moral nas diversas
religiões, todas ordenadas à salvação, de forma que todas as religiões e todas
as culturas são “idealmente” uma só, sem que haja unidade doutrinal. Elas
confessam assim que são doutrinariamente disparatadas: é nos detalhes que se
encontram as diferenças teóricas.
26. Unidade da fé: cada um entre nós deve ter a certeza a priori de pensar que tudo o que pensam
os outros cristãos do mundo, e tudo que pensaram através de todos os séculos, é
idêntico ao que se crê. Devo ter a certeza a
priori de crer tudo o que crê outro cristão sem verificar o que este outro
cristão professa. No meu Iota
Unum, falando da infalibilidade, eu disse também que cada cristão,
quando anuncia uma verdade da fé, é infalível. Por exemplo: o Santo Padre
anunciou infalivelmente que a Virgem Maria é isenta do pecado original, então
quando repito o anúncio do Soberano Pontífice, sou infalível, não posso, pois,
temer enganar-me. Esta doutrina põe em evidência a univocidade da doutrina da fé:
“univocidade” por causa de tantas vozes, de milhões de vozes, de uma miríade de
homens, que professam e sempre professaram a única doutrina do Verbo engendrado
pelo pensamento do Pai. “Ninguém jamais
viu a Deus; o Unigênito, que está no seio do Pai, ele mesmo é que o deu a
conhecer.” (Jo 1, 18)
27. A fé que é, por natureza, una e unívoca, se tornou hoje
aquela dos carismáticos, que não é aquela dos neocatecúmenos, que não é aquela
do cardeal Ratzinger, que não é aquela do cardeal Martini e que não é aquela do
Papa. E cada um vai ao rádio, à televisão, escreve nas revistas e livros e dá
testemunho de sua fé “particular”. Todos esses testemunhos, todas essas manifestações
de fé, têm em comum certa relação com a fé católica; essas são as opiniões em
torno da fé católica e dissidentes da fé católica. Podemos ainda dizer que
esses teólogos são católicos?
[1]
(...) dizemos que Deus pode, por potência absoluta, tudo o que é atribuído ao
seu poder, em si mesmo considerado. E isto abrange tudo o que tem natureza de
ser, como vimos4. Dizemos, porém, que Deus pode, por potência ordenada o que a
esta é atribuído, enquanto executora da ordem da vontade justa. Por onde,
devemos concluir, que, pela potência absoluta, Deus pode fazer coisas diversas
das que previu e preordenou que haveria de fazer. Não é possível, porém, faça
coisas diversas das que previu e predeterminou que haveria de fazer. Pois, o
seu próprio fazer está sujeito à presciência e à preordenação; não porém o seu
poder, que lhe é natural. Por onde, Deus faz o que quer; porém, o que pode não
é porque o queira, mas, porque está na sua natureza. (Sto. Tomás de Aquino,
Suma Teológica, I Parte, Q. 25, Art. 5, Respondeo,
1a. objeção) (N. do T.)
10/11/2018
Encíclica Quanta Cura e Machado de Assis
A Encíclica Quanta Cura, de 8 de dezembro de 1864, é uma das encíclicas mais importantes do século XIX. O Papa Pio IX condena, na encíclica e no Syllabus que lhe seguiu, os erros de seu tempo que, infelizmente, são os de nosso tempo, agravados pela crise da Igreja, depois do Concílio Vaticano II. Lembremos aqui as palavras do Cardeal Ratzinger:
“Se se deseja emitir um diagnóstico global sobre este texto [Gaudium et Spes] poder-se-ia dizer que significa uma revisão do Syllabus de Pio IX, uma espécie de anti-Syllabus.
(…)
Contentemo-nos aqui com a comprovação de que o documento desempenha o papel de um anti-Syllabus, e, em conseqüência, expressa a intenção de uma reconciliação oficial da Igreja com a nova época estabelecida a partir do ano de 1789.” (Cardeal Joseph Ratzinger, Teoria dos Princípios Teológicos, Editorial Herder, Barcelona, 1985, pág. 457-458).
Pois bem, descubro agora uma crônica de Machado de Assis, de 7 de fevereiro de 1865, em que o escritor dá conta da publicação da encíclica. Mostra como ela foi importante para a época e como ele pessoalmente via o Papa Pio IX, profetizando, inclusive, uma futura canonização desse papa. Ao final, nos dá uma amostra de como a encíclica foi recebida por parte do clero brasileiro.
Fiquemos com Machado e sua crônica.
Não levantarei mão das
coisas do mundo político, sem dar os meus parabéns ao Cruzeiro do Brasil, cuja
alma naturalmente nada agora de júbilo com a publicação da encíclica de Pio IX.
Sinto não ter à mão o
número de domingo, que ainda não li, mas que há de estar impagável, mais do que
costuma.
Não sei se tenho crédito
no espírito do Cruzeiro do Brasil; tenha ou não tenha, não guardarei para mim
uma profecia que me está a saltar da pena: Pio IX há de ser canonizado um dia.
Os papas, de certo tempo
para cá, entraram mais raramente para a lista dos santos. Todos os primeiros
pontífices, entretanto, gozam dessa honra. Será uma espécie de censura póstuma?
Não quero investigar este ponto. Insisto, porém, na crença de que Pio IX há de
receber a coroa dos eleitos. É principalmente aos bispos de Roma que se aplicam
estas palavras: muitos serão os chamados e poucos os escolhidos.
Que o santo padre merece
da parte dos fiéis mais do que respeito, adoração, isso é o que me parece
incontestável No meio dos perigos que o cercam, tendo contra si as potências,
ameaçado de perder os últimos pedaços de terra, o débil velho não se assusta;
toma friamente a pena e lança contra o espírito moderno a mais peremptória
condenação. É positivamente arriscar a tiara.
Não sei que farão os
nossos bispos com a encíclica. A encíclica é a condenação dos princípios
fundamentais da nossa organização política. Quero crer que estenderão um véu
sobre esse documento: acredito igualmente que as folhas de Pernambuco vão
publicar brevemente um artigo de monsenhor Pinto de Campos em oposição à
encíclica — a menos que monsenhor Pinto de Campos não esteja tão disposto a
aceitá-la, que desista para sempre de ser deputado, — o que não me parece
provável.
25/10/2018
Três tragédias atuais e simultâneas
Estou acompanhando, como muito interesse e preocupação,
três crises ou tragédias atuais. A primeira, mais próxima, é a eleição no
Brasil e o prospecto da fraude no segundo turno. A perspectiva da fraude das
urnas é absolutamente aterradora, pois nos lançará numa situação de caos
político cujo desfecho ninguém tem sequer a coragem de imaginar.
A segunda é a situação
americana das "mid-terms elections", eleições de meio de mandato
presidencial. É tradição americana que a Câmara e o Senado seja renovado dois
anos depois de eleito o presidente. É também tradição americana que esta
renovação se dê com integrantes do partido oposto ao do presidente. Seria então
a vez do Partido Democrata assumir a maioria em ambas as instâncias
legislativas. Ocorre que dado o sucesso do Presidente Trump e sua agenda
conservadora, o Partido Democrata, que é simplesmente o partido comunista de
lá, está desesperado. Lá como aqui, o discurso é o mesmo: Trump é fascista,
violento, destruidor da pátria, contra as mulheres e os homossexuais, etc. Lá
como aqui, a central da mentira (hoje chamada fake news) está em seu funcionamento
máximo. Assassinato de reputações, perseguições de personalidades políticas em
suas casas e em lugares públicos, cusparadas, ameaças e tudo o mais. Lá como
aqui, os comunistas do Partido Democrata querem e vão fazer o diabo para ganhar
as eleições. E agora, com recursos que só Deus sabe de onde veem, organizam
uma invasão da fronteira dos EUA com milhares de pessoas vindas da América
Central e de várias partes do mundo, para forçar Trump a reagir à invasão e,
sabe Deus como, evitar a passagem dessa multidão. Querem forçar Trump a usar a
força militar. Seria uma tragédia de grandes proporções, justo antes das
"mid-terms elections".
A terceira grande crise ou
tragédia é o Sínodo de Roma, que provavelmente irá "normalizar" a
ideia da homossexualidade na doutrina católica. Digo normalizar porque penso
que não haverá alteração da doutrina da Igreja, mas apenas a liberação dos
bispos e padres da Igreja a encararem a agenda LGBT como uma agenda aceitável
no corpo da Igreja. Casamento gay, comunhão para os LGBT's, etc, serão coisas
normais no futuro. Isso tudo acontecerá, a menos que alguma interferência
direta de Nosso Senhor Jesus Cristo não acontecer. Estaremos vivendo então no
reino do Anticristo.
Assisto tudo isso com apreensão
e me apego ao meu Terço, arma mortal contra o demônio, que Nossa Senhora nos
ensinou a usar. Que Ela olhe para nós e tenha pena do povo de Seu Filho.
22/10/2018
Uma marca modesta, mas significativa!
Este blog foi criado em 11/08/2005. Nasceu sem a menor pretenção e tem me dado muito prazer. Ocorre que ele atingiu esta semana a marca de 1 milhão de visualizações. Registro o fato para agradecer aos leitores que ainda parecem se interessar pelo trabalho do blog.
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