22/09/2011

Leitor confuso funda mais uma religião.


O blog recebe um comentário ao post Como escolher a religião verdadeira?. O leitor, Paulo Luiz Mendonça, começa se admirando: “Por que religiões! Se Deus é um só.” Acho que a exclamação seria uma interrogação. Mesmo assim, a suposta pergunta tem tudo a ver com o comentário como um todo, pois o leitor acaba fundando mais uma religião ao final do texto, quando ele afirma: “Ser religioso não é só freqüentar templos e pagar dizimo, ser religioso e ser coerente consigo mesmo, ter amor ao próximo em toda sua plenitude, ser honesto, trabalhador e se esforçar para tirar da mente os defeitos incorrigíveis que há em todos nós seres humanos, defeitos estes que são individualismo, egoísmo, egocentrismo e muitos outros tipos de falhas que nos levam a uma serie de discórdia com nossos semelhantes.

Entre o início e o final do comentário, o leitor nos fala da Bíblia, de como ela é aceita ou não pelos povos do mundo. Ele também inventa uma religião chamada cristianismo e diz que ela tem 2,1 bilhões de seguidores; e por aí vai. Diz que “os seguidores da Bíblia” não conhecem os números sobre a difusão de sua aceitação e a “seguem simplesmente por que foram orientados a seguir”. Bem, felizmente nós católicos não estamos incluídos neste comentário, pois não somos seguidores da Bíblia, mas da Igreja.

O leitor talvez seja um protestante. Fala em ser coerente consigo mesmo como a base da religião. O que quererá ele dizer com isso? Para mim é um mistério insondável.

Ele também acha que ser religioso é se esforçar por vencer nossos defeitos incorrigíveis; aqui há uma pequena contradição em termos, mas passemos adiante. Ele não acha que nossos defeitos nos privarão do céu, ou nos levarão para o inferno. Não, ele acha apenas que eles nos levam a uma “série de discórdia com nossos semelhantes.” Não é legal a religião do Paulo Luiz Mendonça?

Paulo, você começa perguntando: Por que religiões? Ora, é porque existem muitos Paulos por aí, de miolo mole, que acha que é capaz de, sozinho, fundar uma religião só sua, em torno de conceitos que mais parecem espirros mentais. Converta-te ao catolicismo, caro leitor! Lá tu encontrarás todos os conceitos que te faltam para tornar possível alguma coerência em teu discurso. Além disso, tu encontrarás também a explicação de porque devemos amar o próximo, ser honestos, lutar contra nossos pecados. Saberás também que nossos defeitos não estão apenas em nossa mente, mas na nossa carne, na nossa alma. Saberás por fim, que Deus não é um, mas Uno e Trino. Descobrirás que o catolicismo é a única religião que salva, porque é a única que te pode perdoar os pecados, que nunca deixarás de cometer.

18/09/2011

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Estamos tendo a graça de fazermos, desde a primeira sexta-feira de setembro, a devoção das nove primeiras sextas-feiras do mês, com celebração da Missa Tridentina, aqui em Belo Horizonte. As celebrações acontecem na Capela do Colégio Monte Calvário, às 19h30, sendo que o padre atende confissões a partir das 19h. O endereço do colégio é Av. do Contorno, 9384 - Barro Preto (próximo ao Hospital Felício Rocho). Gostaria de convidar  a todos a seguir tal devoção, pois as promessas de Cristo são extraordinárias.

A mensageira do Nosso Senhor para as revelações relativas a esta devoção foi a extraordinária Santa Margarete (ou Margarida) Maria Alacoque, que na segunda metade do século XVII, no Mosteiro de Paray-le-Monial na França, mosteira da Congregação da Visitação, (fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal) tem visões de Nosso Senhor, durante as quais Ele lhe transmite a Sua mensagem ao mundo. Quem não conhece a história desta santa, pode conhecer um pouco dela assistindo o vídeo abaixo. Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós!

14/09/2011

Quansah Rama Hannukah Dam: um Natal na casa de Stanford Nutting

O que vocês verão no vídeo abaixo é um Natal politicamente correto, inclusivo, sem a comemoração do nascimento de ninguém; um simples feriado sem razão de ser. Claro que tudo é temperado pelo inimitável humor de Stanford Nutting, que agora nos apresenta sua família, com realce para seu sobrinho Tommy, que acaba de ser crismado; ele é uma figura! Divirtam-se!



12/09/2011

50 anos de Vaticano II: Simpósio Gaysista na PUC do Pernambuco

O leitor Manoel Carlos pede ao blog para denunciar que "haverá um simpósio gay na universidade católica de pernambuco". Denuncio também a criação de um novo direito, já que o simpósio tem como tema o "Direito Homoafetivo". Este direito surge de uma opção, o que é uma novidade e tanto no campo do Direito.

Aproveito para sugerir a todos a leitura de Goodbye, Good Men: How Liberals Brought Corruption into Catholic Church (Adeus aos Homens Bons: Como os Esquerdistas Trouxeram a Corrupção para dentro da Igreja Católica), de Michael S. Rose. O livro trata da infiltração orquestrada de gays nos seminários católicos dos EUA. Alguém ainda pode dizer que não entende os recentes escândalos sexuais na Igreja?

Mas a Igreja devastada pelo Vaticano II não cansa de inovar e agora abriga numa de suas instituições tal simpósio. O FratresInUnium já havia noticiado o fato, quando comentava sobre a impoluta figura do Bispo (que tristeza ter tal prelado como sucessor dos apóstolos! Santa Margarete Maria Alacoque, rogai por nós!)  de Olinda e Recife.

Aqui em Minas, numa propaganda de rádio da PUC, ouvimos um professor dando uma aula de história e dizendo mais ou menos o seguinte: "E então o iluminismo rompeu com as idéias antigas e modernizou o mundo...". Muito simbólico para a propaganda de uma PUC!!!! O iluminismo, vocês sabem (alguém já disse isso; não me lembro quem) foi aquele período com excesso de iluminadores e escassez de luz.

Os moderninhos dirão que isto não é culpa do Vaticano II, mas de um bispo desvairado. E eu respondo: Hum, hum!

10/09/2011

Uma crítica inconsistente a uma "crítica inconsistente".

Um leitor, de nome Kallel, escreve o seguinte comentário ao post Opondo-se à heresia austríaca:

Eu percebi que o texto, mais do que proferir uma crítica à escola Austríaca, critica os Pensadores dela pois são ataques à opinião particular de cada qual a respeito de assuntos como crença, espiritualidade, entre outros...como se todo ser humano que fosse a favor do aborto fosse também do 'eixo do mal'. Toda crítica é bem vinda, desde que tenha consistência argumentativa e que seja focada nas idéias acadêmicas. No caso do artigo, as críticas são aos indivíduos... parece preconceito!


Caro Kallel,

Quando se expõe uma heresia, como Christopher Ferrara faz no artigo citado, deve-se tratar das idéias dos heresiarcas que fundaram e alimentam a heresia. Deve-se analisar as idéias dos indivíduos proeminentes que influenciaram e influenciam todos os hereges que subscrevem a heresia. Isto foi exatamente o que fez Ferrara, com competência. Aliás, este autor lançou ano passado, um livro intitulado A Igreja e o Libertário, que trata justamente do tema da economia sob o ponto de vista da Igreja Católica. Ferrara não é um crítico qualquer!

Você parece considerar que a religião é uma questão de opinião e nada mais: “assuntos como crença, espiritualidade, entre outros...”. Ora, estes são os temas mais importantes que o homem pode enfrenta e em defesa dos quais todos os eventos do mundo são movidos. A questão da religião é a questão sobre o TODO. Chesterton já dizia, em Hereges, que:

Tendemos cada vez mais a discutir detalhes em arte, política e literatura. A opinião de um homem sobre os bondes tem importância; sua opinião sobre Botticelli tem importância; sua opinião sobre todas as coisas não tem importância. Ele pode se virar e explorar milhões de objetos, mas ele não deve encontrar aquele objeto estranho, o universo; porque se ele o fizer, ele terá uma religião, e estará perdido. Tudo tem importância, exceto o todo.

Você parece ser este tipo de homem que acha que há verdade na entomologia, mas não na religião.

Você diz que a crítica de Ferrara não é consistente, mas não apresenta prova nenhuma disso e, por isso, a sua crítica é inconsistente. Quanto às idéias acadêmicas, não sei do que você fala. Se for da Academia moderna, esqueça. Esta instituição já foi para o brejo há muito tempo. Quase podemos afirmar que só existe vitalidade intelectual atualmente fora da “academia”; dentro só há idéias mortas ou mortais.

Sua observação sobre o aborto é com efeito surpreendente. Quem é a favor do aborto pode não ser do “eixo do mal”, pode ser ingênuo, pode estar mal informado, pode acreditar em aquecimento global, em evolução, estas coisas que alguém acredita quando não tem capacidade de pensar. Mas esse indivíduo está muito próximo do “eixo do mal” e certamente sua ignorância não é invencível, pois ele é favorável ao assassinato de pessoas inocentes e indefesas no mais alto grau. É não só um assassino em potencial (e às vezes, real), mas um covarde, um verdadeiro pulha e um grande candidato a uma vaga no Inferno. Sim, ele pode ser simpático, bonitinho, engomadinho, intelectualzinho, academicozinho. Mas é, acima de tudo, um ser que não dá o mínimo valor às coisas mais importantes da vida.

04/09/2011

Chesterton versus Nietzsche: leitor sugere e blog acata.

Um leitor anônimo, que depois se identificou por email, sugere, por meio de um comentário ao post Há 80 anos, Chesterton “picava” Clarence Darrow em mil pedaços num debate atualíssimo, o seguinte: “Honraria mais Chesterton (e ele merece) se confrontado com Nietzsche, por exemplo. Melhoria o "nível" do debate. Fica a respeitosa sugestão.
 
Sugestão feita, sugestão aceita. Vou tentar listar abaixo alguns trechos de Chesterton em que ele debate com Nietzsche e seus discípulos. Uma palavra prévia: a honra é toda de Nietzsche, não de Chesterton.

Nietzsche morreu em 1900 e Chesterton começou a escrever profissionalmente um pouco depois disso. Assim, ele não poderia ter debatido diretamente com o filósofo alemão. Contudo, ele percebeu bem a natureza maligna de sua filosofia e a debateu com todos os seus defensores, principalmente Shaw e Wells, mas não só. Vamos aos poucos trechos que escolhi.

Em Hereges, no capítulo dedicado a Bernard Shaw, Chesterton diz, por exemplo:

“Um sentimento de superioridade nos mantém calmos e práticos; os meros fatos fariam nossos joelhos tremerem com temor religioso. É o fato de que cada instante de vida consciente é um prodígio inimaginável. É o fato de que cada face nas ruas tem a incrível imprevisibilidade de um conto de fadas. A coisa que impede um homem de perceber isso não é qualquer clareza mental ou experiência, é simplesmente o hábito das comparações pedantes e fastidiosas entre uma coisa e outra. O Sr. Shaw – do lado prático, um dos homens vivos mais humanos – é, neste sentido, desumano. Ele foi até mesmo infectado, em algum grau, com a principal fraqueza intelectual de seu novo mestre, Nietzsche: a estranha noção de que quanto maior e mais forte fosse um homem, mais ele desprezaria as outras coisas. Quanto maior e mais forte é um homem, mais ele se prostra diante de um molusco.”

“E agora me lembro que o Sr. H.G. Wells realmente escreveu um divertido romance sobre homens que tinham o tamanho de árvores; e que aqui, de novo, ele me parece ter sido vítima desse vago relativismo. “O Alimento dos Deuses” é, como na peça do Sr. Bernard Shaw, em essência um estudo da idéia do Super-homem. E se abre, penso eu, mesmo sob o véu de uma alegoria semi-pantomímica, ao mesmo ataque intelectual. Não se pode esperar que tenhamos qualquer consideração por uma grande criatura a não ser que se conforme, de alguma maneira, aos nossos padrões. Pois se ultrapassa nossos padrões de grandeza, não podemos sequer chamá-la de grande. Nietzsche resumiu tudo o que é interessante na idéia do Super-homem quando disse: ‘O homem é uma coisa que tem de ser superada.’ Mas a própria palavra “superada” implica a existência de um padrão a nós comum e a coisa nos superando. Se o Super-homem é mais másculo que os homens, estes vão, claro, deificá-lo mais cedo ou mais tarde, mesmo que aconteça que o matem primeiro. Mas se ele é simplesmente mais super-másculo, eles podem lhe ser indiferentes como o seriam com uma monstruosidade aparente e despropositada. Ele deve se submeter ao nosso teste mesmo que seja para nos apavorar. A mera força ou tamanho são, em si, um padrão; mas sozinhos nunca farão os homens pensar que um homem seja superior. Os gigantes, nos antigos e sábios contos de fadas, são canalhas. Super-homens, se não forem bons homens, são canalhas.”

“Sem dúvida há uma melhor e mais antiga forma de adoração do herói. Mas o herói antigo era um ser que, como Aquiles, era mais humano que a própria humanidade. O Super-homem de Nietzsche é frio e sem amigos. Aquiles gosta tão loucamente de seus amigos que massacra exércitos na agonia de seu luto. O triste César do Sr. Shaw diz no seu desolado orgulho, “Aquele que nunca teve esperança nunca pode se desesperar.” O Homem-Deus do passado responde de sua horrível colina, “Há dor semelhante à minha dor?[1] Um grande homem não é um homem tão forte que menospreze outro homem; é um homem tão forte que o preza mais. E quando Nietzsche diz, “Eu lhe dou um novo mandamento, ‘seja duro’”, ele estava, na realidade, dizendo, “Eu lhe dou um novo mandamento, ‘esteja morto’.” Sensibilidade é a definição da vida.”

“Essa fuga da brutal vivacidade e variedade dos homens comuns é, claro, uma coisa perfeitamente razoável e desculpável, desde que não se aspire a qualquer nível de superioridade. Quando ela chama a si mesma de aristocracia, esteticismo, ou uma superioridade em relação à burguesia é que sua fraqueza tem de ser justamente salientada. Fastio é o mais perdoável dos vícios; mas a mais imperdoável das virtudes. Nietzsche, que representa mais proeminentemente essa alegação pretensiosa de fastio, apresenta em algum lugar uma descrição – uma poderosa descrição no sentido puramente literário – do desgosto e desdém que o consome ao olhar pessoas comuns com seus rostos comuns, suas vozes comuns e suas mentes comuns. Como já disse, essa atitude é quase bela se pudermos considerá-la patética. A aristocracia de Nietzsche possui toda a sacralidade que pertence ao fraco. Quando nos faz sentir que não pode suportar os inumeráveis rostos, as incessantes vozes, a massacrante onipresença característica da multidão, ele terá a compreensão de qualquer um que tenha estado doente num trem ou cansado num ônibus. Todo homem odeia a humanidade quando se sente menos que um homem. Todo homem já teve seus olhos cegados pela humanidade como por uma neblina, já teve a humanidade em suas narinas como um fedor sufocante. Mas quando Nietzsche demonstra a incrível falta de bom-humor e de imaginação para nos instar que acreditemos que sua aristocracia é uma aristocracia de músculos fortes ou uma aristocracia de vontades fortes, é preciso enfatizar a verdade. É uma aristocracia de nervos fracos.”

No capítulo sobre a aristocracia e sua representação literária, Chesterton diz no mesmo livro, de forma esplêndida:

Se alguém deseja encontrar um argumento realmente efetivo, abrangente e permanente a favor da aristocracia, descrito de maneira correta e sincera, faça-o ler, não os modernos filósofos conservadores, nem mesmo Nietzsche, faço-o ler as Bow Bells Novelettes.[2] Nietzsche e as Bow Bells Novelettes têm obviamente o mesmo caráter; ambos adoram o homem alto, de bigodes crespos e corpo hercúleo, e ambos adoram-no de uma maneira algo feminina e histérica. Mesmo aqui, contudo, a novellete facilmente mantém sua superioridade filosófica, porque atribui ao homem forte aquelas virtudes que comumente lhe pertencem, tais como indolência, brandura, uma benevolência assaz despreocupada e um grande desgosto em ferir o mais fraco. Nietzsche, ao contrário, atribui ao homem forte aquele desdém para com a fraqueza que somente existe entre inválidos. Não é, contudo, dos méritos secundários do grande filósofo alemão, mas dos méritos primários das Bow Bells Novelletes que pretendo agora falar.” 


“Todos devem ter notado nos mais recentes escritores a sobrevivência de um assaz dolorido modo de piedade. Eles não mais honram todos os homens, como São Paulo e outros democratas místicos. Não seria muito dizer que eles desprezam todos os homens; quase sempre (para fazê-los justiça) inclusive eles mesmos. Mas eles se apiedam, em certo sentido, de todos os homens, e particularmente daqueles que são dignos de piedade; atualmente eles estendem este sentimento quase desproporcionalmente a todos os animais. Essa compaixão pelos homens tem também a mancha de sua conexão histórica com a caridade cristã; e mesmo no caso dos animais, com o exemplo de muitos santos cristãos. Nada indica que um novo recuo de tais religiões sentimentais não libertará os homens até da obrigação de se apiedarem da dor do mundo. Não apenas Nietzsche, mas muitos neo-pagãos seguindo suas idéias, sugeriram tal insensibilidade como a mais alta pureza intelectual. E tendo lido muitos poemas modernos sobre o Homem do Futuro, feito de aço e iluminado com nada mais cálido do que o fogo verde, não tenho dificuldade de imaginar uma literatura que se orgulhasse de um desapego impiedoso e metálico. Então, talvez, fosse vagamente conjeturado que a última das virtudes cristãs morrera. Mas enquanto elas viveram, houve cristãos.”

Em seus 30 anos de The Illustrated London News, Chesterton frequentemente se referia a Nietzsche e seus asseclas, contra os quais ele sempre oferecia o senso comum tomista e a doutrina católica. Deixo aqui, para terminar, um trecho de um artigo no ILN, de 8 de março de 1924, intitulado Perseguição da Religião:

“É muito menor loucura esperar o fim do mundo para breve do que esperar o Super-homem para breve. Ainda assim, quantos evolucionistas fervorosos de nosso tempo escreveram seriamente como se o Super-homem fosse surgir na próxima semana? As coisas chegam realmente ao fim; e uma coisa projetada é geralmente reexaminada pelo projetista quando chega ao fim. Um homem que planta uma azaléia a vê florescer e fenecer e manifesta-se sobre o experimento; e não há nada irracional com um dia de julgamento, pressupondo um projeto. Mas não há nada no mundo a mostrar que uma azaléia por si mesma desenvolver-se-á em uma super-azaléia com todas as cores do arco-íris, apenas porque essa seria uma planta superior. O Super-homem foi apenas e tão somente um fantasma evocado do vazio pela imaginação de um louco; um homem literalmente louco chamado Nietzsche. Mesmo assim, quão vívida essa visão completamente absurda se tornou para muitos de nossa hesitante e débil geração! E a coisa mais estranha de todas é que tenham sido assim enfeitiçados alguns dos melhores cérebros.”


[1] Lamentações, 1:12. (N. do T.)
[2] Bow Bells Novelettes eram histórias curtas, melodramáticas, sensacionalistas e de grande sucesso, escritas por John Dicks para atingir a classe trabalhadora da Inglaterra vitoriana. (N. do T.)

26/08/2011

Chaucer versus Stevenson


Gilbert Keith Chesterton
The Illustrated London News, 8 de novembro de 1919

 
Nota inicial: Chesterton foi um dos críticos literários mais importantes das letras inglesas do início do século XX. Ele escreveu obras sobre Browning (1903), Dickens (1906 e 1911), Shaw (1909), Stevenson (1927), Chaucer (1932); escreveu também vários ensaios sobre a literatura vitoriana. Foi também um grande defensor da Idade Média, tendo escrito um livro sobre uma imaginária re-implantação dos valores e instituições medievais na Inglaterra vitoriana (A Volta de D. Quixote). As referências à Idade Média em suas obras são abundantes. Vislumbres de sua visão sobre esta época aparecem nas suas duas biografias mais famosas: a de São Francisco de Assis, de quem era devoto e a de Santo Tomás de Aquino. Vemos neste simples texto de jornal um gigante se levantando contra um minúsculo crítico, esmagando a pretensa e soberba crítica feita à Idade Média, crítica que se serviu de referências literárias muito caras a Chesterton. O grande escritor mostra que o crítico não conhece quem ele cita. Chesterton coloca as obras de Chaucer e Steveson na perspectiva escolhida pelo crítico e mostra o quanto os dois refletiam as visões de suas respectivas épocas e o quanto a época de Chaucer foi muito mais feliz e luminosa que a de Stevenson.


Algo que só pode ser considerado uma extraordinária explosão ocorreu no Daily News outro dia. Foi um protesto contra o crescente esclarecimento dos novos estudantes de História, que estão apresentando uma versão mais humana da Idade Média. O problema intitulou-se “Bons e Velhos Tempos” e começou com a denúncia do Deão da Catedral de São Paulo, Dr. Inge,[1] que dissera que as pessoas na era medieval foram provavelmente mais felizes ou alegres do que somos hoje. Alguns podem dizer que não seria difícil ser mais alegre que o Dr. Inge. Mas como considero que o Dr. Inge está errado em todo tipo de coisas, da Nova Teologia ao antigo ponto de vista oriental sobre o trabalho, divirto-me naturalmente quando ele está sendo especialmente caluniado por uma coisa sobre a qual ele está certo. O autor do artigo prossegue descrevendo suas impressões sobre a Idade Média, que são muito parecidas com as impressões de Catherine Morland[2] sobre “Os Mistérios de Udolpho”, cheios de gritos, correntes e escuridão. Ele diz que os trabalhadores eram servos; e invoca Stevenson para provar que os homens medievais estavam repletos de “um choroso medo da morte”. Finalmente, ele faz uma curiosa concessão, de que um solitário homem medieval pode ter sido feliz: “Miller, de Chaucer, pode ter sido feliz, mas, por outro lado, Miller era um bêbado.”

 Este é seguramente o exemplo mais infeliz que o crítico poderia escolher para provar sua tese. Terá ele lido algo de Chaucer? Sustentará ele seriamente que todos em Chaucer são completamente miseráveis, exceto Miller? O Cavaleiro, o Cura, a Prioresa, para não dizer o Monge e a Esposa de Bath, eram todos completamente miseráveis, ou mesmo excepcionalmente miseráveis? Ou o Cavaleiro, o Cura e a Prioresa eram todos bêbados? São o Cozinheiro e o Capitão-de-mar mais sinistros em Stevenson? Fico feliz tanto em dizer que gastei muito tempo glorificando Stevenson, quanto em afirmar que não gastei tempo algum polemizando com o Dr. Inge. Sinto-me estranho tanto em opor-me àquele quanto em apoiar este. Mas como uma simples questão de fato histórico, parece-me muito claro que, se Stevenson realmente falou isto como uma crítica geral à Idade Média, Stevenson estava inteiramente errado. Sugerir que os homens medievais estavam enfraquecidos pelo medo da morte (em qualquer sentido não varonil) não é apenas inconsistente com os fatos sobre eles, mas é inconsistente com todas as outras acusações contra eles. O crítico que condena nossos infelizes pais fala, ao mesmo tempo, sobre luta e escravidão; geralmente expande esta crítica a uma visão de guerra universal; insiste que aqueles homens sangravam por estéreis votos de superstição e lutavam uns com os outros por fantásticas questões de etiqueta; zomba de seus esportes por terem sido rudes e perigosos, e de sua religião, por ter sido militante e repleta de mártires; reclama igualmente da frívola mortalidade das competições e da fanática mortalidade das cruzadas; e então ele resume tudo, num movimento de sublime consistência, dizendo que aqueles homens eram fracos que temiam a morte.

A verdade é que a alegria de Stevenson foi muito mais louvável que a alegria de Chaucer; precisamente porque Chaucer viveu num mundo muito mais alegre, e vinha de uma tradição muito mais alegre. Stevenson viveu num mundo mais mórbido, e vinha de uma tradição muito mais mórbida. Terá o crítico, que fala sobre as trevas da Idade Média, considerado seriamente pelo que os antepassados imediatos de Stevenson substituíram aquelas trevas? Deveremos nós dançar com prazer ante a emancipação que substituiu a triste figura da Prioresa pela alegre figura de Thrawn Janet?[3] Os Homens Felizes de Gordon Darnaway[4] eram mais felizes que os Homens Felizes de Robin Hood? Foi uma grande glória para Stevenson que ele não tenha sido esmagado pelo credo calvinista de seus antepassados, ou pela ausência de credo ainda mais vazia e fatalista de seus contemporâneos. Mas qualquer um com uma percepção de tais coisas sentirá que a sanidade de Stevenson foi uma luta; ao passo que em Chaucer a sanidade era um estado. A sanidade de Stevenson era realmente peculiar a Stevenson; sendo parcialmente uma esplêndida reação da sanidade moral contra a insanidade física. A sanidade de Chaucer era a sanidade da época de Chaucer. Pois a Idade Média, como tudo o mais, teve seus altos e baixos; e as coisas não iam tão bem quando os feitos de São Luis estavam sendo escritos como quanto quando eles estavam sendo realizados. Nosso severo crítico, contudo, não se perturba por nenhuma dessas sutis distinções; ele as denomina, com um abrangente sarcasmo, “Os Bons e Velhos Tempos”, e parece supor que admiramos tudo, de Vortingern[5] a Valois.[6] As idéias de Stevenson são, todavia, uma questão mais interessante; e penso ser óbvio que elas foram, neste caso, tão individuais quanto um pesadelo. A noção de Stevenson sobre o medievalismo é que era uma ilusão. Foi uma ilusão muito artística; porque ele era um grande artista. Mas lemos nela seu próprio puritanismo imaginativo, pois este era o único entusiasmo teológico que ele jamais conheceu. Ele iluminou os grandes edifícios góticos com uma espécie de luz infernal que luzia desde baixo, tal que as sombras eram caprichosas, mas falsas. Ele projetou um luar calvinista sobre as ruínas católicas.

O resto é mera questão de História; e ninguém tem de se meter a fim de impedir que a História seja aprimoradamente escrita. É tão falso descrever uma cidade medieval, e dizer que os trabalhadores eram servos, quanto dizer que os arautos eram padres, ou que os monges eram cavaleiros, ou que os arcos eram armas de fogo. Isto simplesmente não é factual; desconhece toda a história dos contratos, das guildas, do crescimento das cidades muradas; de metade dos mais formidáveis fatos da Idade Média. Havia servos na Idade Média; mas a servidão era simplesmente resquício do estado servil da antiguidade pagã. A peculiar realização do medievalismo não foi a servidão, mas a dissolução da servidão. Mas os artesãos das cooperativas não eram servos, em nenhum sentido ou por qualquer argumento. Eles eram sindicalistas comerciais, cujos sindicatos eram mais ricos, mais responsáveis, mais reconhecidos pelo Estado, e mais respeitados como contribuintes da cultura, do que são hoje nossos próprios sindicatos. Eles exigiam um bom pagamento, como fazem os nossos sindicatos; eles também exigiam um bom trabalho do artesão, o que os nossos sindicatos não conseguem fazer.

Esta saudável visão da idade das guildas não é romântica; é realista. A visão sombria de tal época é que é romântica. Um mundo contendo nada mais que caça às bruxas e barões maldosos seria um lugar ruim de se viver; mas ninguém nele viveu. Um mundo de guildas e camponeses gradualmente emancipados era um lugar, longe do perfeito, para se viver; tinha defeitos reais que podem ser discutidos de forma justa, incluindo seus méritos. Mas este era um mundo real; e será necessário mais que um grito tardio dos Bons e Velhos Tempos da rainha Vitória para impedir que uma nova geração considere aquele mundo real verdadeiramente interessante.


[1] William Ralph Inge (1860-1954) foi um prelado anglicano, deão da Catedral de São Paulo, em Londres, de 1911 a 1934. Seu pessimismo lhe valeu o título de “Deão Soturno”. (Nota da edição da Ignatius Press das obras escolhidas de Chesterton)
[2] Ingênua heroína de “Abadia de Northanger”, obra de Jane Austen, que gostava de romances góticos de terror, tal como “Os Mistérios de Udolpho”, de Ann Radcliffe. (Nota da edição da Ignatius Press das obras escolhidas de Chesterton)
[3] A Prioresa é a personagem mais vívida e amante da vida da obra Canterbury Tales, de Chaucer. Thrawn Janet é uma velha feia, com ares de bruxa, que dá título a um conto de Stevenson; possuída pelo demônio, ela se enforca. (Nota da edição da Ignatius Press das obras escolhidas de Chesterton)
[4] Ver The Merry Men and Other Tales, de Stevenson. (Nota da edição da Ignatius Press das obras escolhidas de Chesterton)
[5] Guerreiro do século V, líder dos antigos britânicos. (N. do T.)
[6] Casa real francesa, ramo da dinastia capetinga. Reinou na França do século XIV ao século XV (N. do T.)

23/08/2011

Resposta Católica: mais um padre despreza as idéias católicas.


O site Resposta Católica recebe mais e-mails de um padre (Eduardo Beltramini) possesso com a ousadia de se criar um repositório de obras católicas. Numa resposta ao anúncio do site, ele responde docemente:
___
“seus emails nao me interessam de modo algum
suas ideias me sao despreziveis
por favor retire meu email de sua lista
poupe-me de ter de bloquear seus emails, para nao dizer: poupe-me de manda-los imediatamente para o lixo”
****

O padre ou não sabe ler, ou não entende o que lê. No site, não há idéias do criador do site. Há textos e obras de fontes católicas, de santos e santas, de padres e teólogos. A maior parte desse material constitui doutrina firme e assentada, que todo católico não só deve, como tem de conhecer, para melhor professar a Fé católica.

Em resposta ao e-mail do criador do site – “Revdmo Pe. Eduardo Beltramini, Muito obrigado por suas palavras caridosas e paternais. Deus o abençoe, sempre! Salve Maria.” – o padre responde:
___
“nada reverendissimo, nada caridoso, nada paternal
nada debochado, nada dissimulado
e da sua parte, nada atencioso: se nao compreendeu, seus emails nao me interessam em nada
sem nenhuma bencao, sem usar o nome de deus segundo os meus interesses próprios”
****

Na resposta o padre se revela totalmente. Revela-se, despudoradamente, sem caridade e nada paternal. Padre, esta é realmente a impressão que nos passam os padres moderninhos de hoje, os “padres de passeata” de Nelson Rodrigues. 

O padre também repele a benção de Deus, desejada pelo criador do site: "sem nenhuma benção". O que dizer desse padre, no coração do qual não há caridade, onde não chega a benção de Deus (pois que é repelida), onde não encontra morada  nenhum sentimento de paternidade para com os fiéis? 

Sobra-nos rezarmos por ele e pelos fiéis que estão sob sua orientação pastoral e doutrinária.

17/08/2011

O homem que foi quinta-feira; um vídeo imperdível.



No vídeo abaixo, vocês encontrarão um trecho de um dos mais interessantes livros de Chesterton. É de se perguntar qual de seus livros não é interessante? O policial filósofo fala por Chesterton desde um ponto de vista tomista, analisando o poder destrutivo da filosofia moderna, que é muito mais deletéria que o crime com que os policiais normais se defrontam diariamente, e muitas vezes a origem destes. Note que Chesterton dá à filosofia uma organização de sociedade secreta, com um círculo externo e um círculo interno. Esta alusão é prenhe de significados e uma verdade quase sempre ocultada, escamoteada, ou simplesmente desconhecida de muitos. Chesterton claramente estava consciente do poder das organizações secretas nas origens das idéias filosóficas modernas. 

A tradução das falas foi feita pelo leitor do blog e meu amigo Wendy; sim, o protestador (protestante?) Wendy, que é um rapaz cujo futuro é clara e inexoravelmente o catolicismo. O blog agradece penhoradamente!






Assistam outros vídeos legendados dentro do projeto do blog.

12/08/2011

Crônicas de Gustavo Corção em pleno século XXI! Quem diria!?

Surpresa agradabilíssima ver um livro de crônicas do grande Corção publicado em pleno 2010 (Coleção Melhores Crônicas: Gustavo Corção, Editora Global). A seleção das crônicas e o prefácio da edição foram feitos por Luiz Paulo Horta, que desde 2008, leio em sua biografia no final do livro, é membro da ABL. 

No livro, (re)encontramos crônicas que são verdadeiras aulas de catecismo e doutrina católica: Advento, A Primazia do Espiritual, Quaresma, As Duas Vontades, Ressuscitou!, Precisa-se de uma Catarina de Sena, Rue du Bac, A Civilização do Prazer, Quinta-Feira Santa, Marcos de Eternidade, De Profundis, Credo in unum Deum, Morte e Mortificação, E Nós nos Gloriamos na Cruz. Há algumas crônicas que poderíamos classificar como chestertonianas, como Vênus e Natal Interior. Há crônicas de muito lirismo, algumas de crítica literária e musical; há algumas extraídas do grande livro de Corção, O Desconcerto do Mundo, que Manuel Bandeira saudou como digno de Prêmio Nobel, como o texto Machado de Assis e o Eclesiastes (aqui e aqui).

O livro ganharia muito se o Sr. Horta o tivesse acrescido de informações bibliográficas e de um pequeno estudo crítico do Corção cronista. A maioria das crônicas vem sem data e local da publicação original, o que dificulta, para o leitor recente de Corção, a apreensão das circunstâncias sob as quais o cronista escrevia. 

No prefácio, o Sr. Horta não consegue esconder sua admiração pelo grande lutador católico e pelo grande escritor, mesmo que esta admiração venha mitigada por críticas às suas posições políticas pós-64 e às sua posições teológico-doutrinais pós-CVII. Já o título do prefácio revela, talvez, o elevado lugar que o Sr. Horta reserva para Corção; Sinal de Contradição. 

Mas é exatamente no pequeno texto do prefácio, que o selecionador, e prefaciador, se mostra em confusão, ou mesmo em contradição. Não sei se o Sr. Horta é católico, mas suponho que sim. Sendo católico e um intelectual, membro da mais alta academia literária do país, ele nos surpreende por sua ingenuidade, na melhor das hipóteses, e aparente desconhecimento da gravíssima crise atual da Igreja, que já era anunciada e profundamente sentida por Corção. Ele diz, por exemplo: “João XXIII queria o aggiornamento da Igreja, uma Igreja que prestasse mais atenção aos ventos da modernidade, que se inserisse na vida de todos os dias. E isso de fato aconteceu; já não conseguimos pensar a Igreja sem o Vaticano II, com a sua valorização dos leigos, a reforma da liturgia que acabou com a missa em latim, e assim por diante.” Alguém que conhece minimamente o pensamento de Corção, não consegue deixar de imaginar o que ele diria acerca de tal comentário. O Sr. Horta subscreve certamente as idéias modernistas, condenadas pelo Papa São Pio X como a síntese de todas as heresias. Se ele não consegue pensar a Igreja sem o Vaticano II, é porque ele não consegue pensar a Igreja de forma nenhuma, pois há uma notícia que tem de ser dada ao prefaciador: a Igreja começou uns dois milênios antes desse concílio. Ora, dizer que o concílio “acabou com a missa em latim”, sem dizer, no mínimo, algo sobre o Summorum Pontificum, em pleno ano de 2010, é, desculpem-me a expressão, de lascar! Suponho também que a valorização dos leigos seja o aparecimento dos famigerados ministros da Eucaristia, da Comunhão da mão e de pé, das leituras feitas por leigos e leigas, etc. Isto não tem nada de catolicismo verdadeiro, é preciso dizer. 

O Sr. Horta continua: “No nosso cenário brasileiro, Alceu Amoroso Lima empunhou decididamente a bandeira dos ‘otimistas’, E, desde então, é difícil achar quem ainda sustente a tese de que o Vaticano II foi uma ameaça aos alicerces da Igreja.” É de se perguntar como um “imortal” pode ser tão ... (estou procurando uma palavra mais cordial) ... tão ... vá lá! desconhecedor de uma Fé que ele parece professar? Onde vive o Sr. Horta? Que paróquia freqüenta? Meu Deus! Será que ele já ouviu falar de Michael Davies, de Romano Amério, do cardeal Ottaviani, de Gherardini? Será que ele tem acompanhado as declarações atuais, ao menos, do episcopado brasileiro? (Vejam aqui e aqui, por exemplo.) Não sabe ele que mesmo Roma admite haver muitos, muitos bispos hereges? (Vejam aqui). Não terá o Sr. Horta lido Nelson Rodrigues, outro grande cronistas brasileiro, sobre Alceu Amoroso Lima, D. Hélder Câmara e os padres de passeata, que poucos anos depois do concílio já surgiam no cenário eclesiástico? Será que o Sr. Horta nunca leu Mt 7, 15-20? De um simples leigo católico pode-se desculpar um desconhecimento deste; não de uma intelectual, membro da Academia Brasileira de Letras. 

De qualquer forma, o livro com as crônicas de Corção vale pela lembrança do grande católico, do grande escritor e do grande chestertoniano brasileiro. O Sr. Horta e a Editora Global prestam, neste sentido, um serviço à memória do grande cronista e aos seus leitores, já antigos e os mais recentes.

09/08/2011

Resposta Católica colhe mais uma homenagem: padre comunista não gosta do site!

Um padre, de nome Frans Verhelle, escreve para o Resposta Católica o seguinte: “Os textos sobre a Teologia da Libertação ofendem muito. Esta "resposta católica" continua dividir nossa igreja. Falta de objetividade e ética. O site não é a resposta dos católicos mas de alguns católicos que negam a reforma do Concilio Vaticano II.” 

Coitadinho do padre, ele ficou ofendidinho. Quer dizer, ele, que subscreve a teologia da embromação, pode ofender Nosso Senhor Jesus Cristo permanentemente, mais ai de quem atacar esse câncer espiritual! O administrador do site, e meu amigo, respondeu muito bem ao padre comunista, dizendo: “Desnecessário dizer que discordamos radicalmente. A Teologia da Libertação foi condenada pela Igreja. Mais: está excomungado o católico que for comunista. Há um decreto da Santa Sé expresso nesse sentido.” O padre ainda, em sua tréplica, afirmou que não era comunista. 

Ora, comunista é o que ele é, e quem diz isto é o Papa Bento XVI, em seu livro Introdução ao Cristianismo. Ele diz, no prefácio da obra, que a teologia da libertação adotou Marx como guia. E diz ainda: “Quem aceita Marx como o representante de uma razão universal não adota simplesmente uma filosofia, uma visão da origem e do sentido da existência, assume sobretudo uma prática.” Bento XVI ainda diz que não é que a teologia da libertação negue a existência de Deus, mas que ela O torna dispensável, e acrescenta: “Quando Deus é deixado de lado, tudo parece inicialmente continuar como antes. (...) Mas tudo muda no momento em que a mensagem de que Deus estaria morto passa a ser realmente percebida.” Leia mais sobre o que o papa disse aqui

O padre ainda fala em ética, querendo dizer certamente ética marxista, aquela que matou 100 milhões de pessoas no mundo, EM TEMPO DE PAZ. Esta ética, nós negamos sim senhor. Mas veja, padre, que nós não negamos a reforma do CVII, como o senhor afirma. Nós vemos todos os dias seus resultados: bispos hereges afirmando que fora da Igreja há salvação, negando a Presença Real Eucarística; bispos e padres subscrevendo totalmente as lutas dos gaysistas, dos comunistas sem-isso, sem-aquilo; padres e bispos apoiando a agenda comunista geral de partidos e governo; padres e bispos promovendo, enfim, a descatolização do Brasil e do mundo. Isto tudo é fruto do CVII, e infelizmente nós acompanhamos tudo isso, com o coração mortificado.  

É completamente compreensível que o senhor não tenha gostado do Resposta Católica, pois lá se encontram obras que aludem, que se referem, que defendem o repositório da verdadeira doutrina da Igreja de Sempre e o senhor está do outro lado, subscrevendo uma ou várias heresias ao mesmo tempo. É claro que o senhor não apreciará os livros de Santo Afonso Maria de Ligório, sobre o que é ser padre, sobre a devoção a Mãe Santíssima; tampouco apreciará São Francisco de Sales tratar da Introdução à Vida Devota, porque sua devoção é a Marx, e seu livro de cabeceira é o Capital. O senhor não apreciará a Imitação de Cristo, pois Marx O substituiu em sua alma corrompida pelo comunismo. Que dirá de Santa Teresa D’Ávila, Santa Catarina de Sena, São João da Cruz, para citar alguns, que se mortificavam diariamente até tirar sangue de seus corpos, por amor a Jesus Cristo? Isto deve ser nojento, primitivo, medieval, para o senhor tão moderno, tão CVII, tão comunista! Afinal, estamos aqui na Terra para nos sentirmos bem, para "experenciarmos" Jesus, para sermos bem tratados, para evitarmos a todo custo o sofrimento. Depois que nós morrermos, como não existe Inferno, outra invenção medieval muito antipática, iremos todos banquetear no Céu, porque Deus é um “banana” que vai perdoar todas as nossas faltas. 

Penso que o administrador do Resposta Católica deve se orgulhar do repúdio recebido do senhor. Afinal, Nosso Senhor prometeu algo relativo a um prêmio para os que sofrerem em Sua defesa.

04/08/2011

Há 80 anos, Chesterton “picava” Clarence Darrow em mil pedaços num debate atualíssimo.

O debate que vocês assistirão abaixo é a reconstrução de um que realmente aconteceu em Nova York, em 1931. A reconstrução foi feita por Dale Ahlquist a partir de relatos do mesmo (não há dele transcrição conhecida) e de textos de Chesterton que tratam dos mesmos assuntos que animaram o debate. Ele é atual porque o agnosticismo é o mesmo – e tem muitos representantes na intelectualidade atual – a doutrina católica é a mesma e, sobretudo, porque “o elo perdido de Darwin continua perdido”, como nos lembra o grande escritor inglês.

Clarence Seward Darrow (1857 – 1938) foi um advogado americano, eminente membro a ACLU (American Civil Liberty Union) – organização esquerdista, pró-gaysista, anti-religiosa e principalmente anti-católica – conhecido por sua espirituosidade e agnosticismo. Darrow era, então, muito famoso por ter sido o advogado de defesa de John Thomas Scopes, um professor secundário de biologia do estado de Tennessee, estado que o processou, em 1925, por ensinar a Teoria da Evolução, violando a Lei Butler, válida para aquele estado. O caso foi um evento rumoroso, pois proporcionou uma discussão pública sobre os limites da ciência na controvérsia criação-evolução. O julgamento ocorreu numa pequena cidade, Dayton, que teve seus 15 minutos de glória. Scopes foi considerado culpado, mas o veredito foi derrubado baseado em questões técnicas. Darrow estava então na crista da onda!

Chesterton, em seus vários textos jornalísticos e em seus ensaios, fala muito sobre os eventos de Dayton. Veja, por exemplo, Por que sou católico, QUEM SÃO OS CONSPIRADORES?, O objetivo religioso da educação.

Hoje, podemos imaginar um debate destes entre Chesterton e um Richard Dawkins, um Daniel Dennet (estes são de nível intelectual muito inferior ao de Darrow). O picadinho seria o mesmo.






Vejam outros vídeos legendados de Chesterton aqui.

02/08/2011

Nunca é demais lembrar o que é ser católico! Pe. Faber nos ajuda.

"Convém acostumar-vos a considerar o Evangelho sob o seu verdadeiro ponto de vista e saber que a nossa religião é toda de sofrimento, de mortificação, de sacrifício, de amor consumidor, de zelo que se esquece a si mesmo, e de união que se crucifica. Numa palavra, é a religião da Cruz e do Crucificado. Compenetrai-vos bem dessa verdade, que tanto repugna à natureza, de que a abnegação lhe constitui a essência, e que a abnegação deve ser diária, não somente para que possamos ser perfeitos, mas ainda para que possamos ser discípulos de nosso amado Senhor."