quinta-feira, junho 23, 2011

50 anos de Vaticano II: Bispo nega o dogma Extra Ecclesiam nulla sallus.

Ainda com as palavras da maravilhosa Sequentia da Missa de Corpus Christi nos meus ouvidos (Lauda, Sion, Salvatorem, ... Laudis thema specialis/Panis vivus et vitalis/Hódie proponitur ...), composta por Santo Tomás de Aquino, fico sabendo, por minha amiga Ana Maria (que já noticiou em seu blog), que Dom Luiz Bergozini, em palestra no dia 20 próximo passado, negou o dogma EXTRA ECCLESIAM NULLA SALLUS, promulgado pelo IV Concílio de Latrão, em 1215.

Por volta dos 16 min. da palestra o bispo afirma: “A gente não pode dizer que só se salvam aqueles que são católicos”.

Como já fez com Dom Anuar, este blog vai ajudar Dom Bergozini e lembrar-lhe as determinações do IV Concílio de Latrão, em relação ao dogma por ele “esquecido”.

Diz o texto do Concílio, primeiro em latim e depois em português:
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Una vero est fidelium universalis Ecclesia, extra quam nullus omnino salvatur, in qua idem ipse sacerdos est sacrificium Iesus Christus, cuius corpus et sanguis in sacramento altaris sub speciebus panis et vini veraciter continentur, transubstantiatis pane in corpus, et vino in sanguinem potestate divina: ut ad perficiendum mysterium unitatis accipiamus ipsi de suo, quod accepit ipse de nostro.

Ora, existe uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém se salva, e na qual o mesmo Jesus Cristo é sacerdote e sacrifício, cujo corpo e sangue são contidos verdadeiramente no sacramento do altar, sob as espécies do pão e do vinho, pois que, pelo poder divino, o pão é transubstanciado no corpo e o vinho no sangue; de modo que, para realizar plenamente o mistério da unidade, nós recebemos dele o que ele recebeu de nós.
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Portanto, o texto do Concílio coloca magistralmente em relevo a estreitíssima ligação entre o dogma da salvação e o sacramento da Eucaristia. Vejam onde tocam as afirmações do bispo Bergozini, vejam a gravidade de suas palavras.

Que Nossa Senhora olhe por todos nós!

8 comentários:

Ana Maria Nunes disse...

O povo tá achando que pq ele fala contra o aborto pode negar dogma.
Como se dogma já n fosse mais nosso obrigação acatar!

Renato disse...

"Como já fez com Dom Anuar, este blog vai ajudar Dom Bergozini e lembrar-lhe as determinações do IV Concílio de Latrão, em relação ao dogma por ele “esquecido”."

Prof. Angueth, o bispo vai dizer que ele está certo porque segue "o Concílio dos Concílios".

Essa é a desculpa de todos os sacerdotes modernistas de hoje. Se eles dizem besteiras, lá vem esse pessoal com os textos do Concílio Vaticano II na mão para justificar suas loucuras.

Renato Lima

Prof. Francisco Castro disse...

O Bispo não afirmou que se pode salvar em qualquer religião. Ele disse: Não só os católicos se salvam. E isto é correto se considerarmos que muitos e milhares morrem em ESTADO DE IGNORÂNCIA INVENCÍVEL e isto é também doutrina da Igreja. Aqueles que seguem sem culpa a sua própria consciência segundo a lei natural pertencem a alma da Igreja Católica. Assim como é correto afirmar que muitos dos ditos católicos e que fazem parte de seu corpo se perdem, por não cumprirem os mandamentos de Deus. Creio que deve se evitar lançar cada vez mais lenha na fogueira nesta crise pela qual está passando a Igreja. Este bispos é um dos menos progressistas no clero Brasileiro. Não creio que ele quis de forma alguma igualar a Igreja a todas as outras religiões. Apenas lembrou, que pode sim, se salvar, fora da catolicismo, até porque nem todos chegarão ao conhecimento dele. E Jesus mesmo afirmou que tinha outras ovelhas que não estavam em seu aprisco. Sejamos prudentes e evitemos com conclusões temerárias.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Prof. Francisco,
Salve Maria!

O bispo, lamentavelmente afirmou exatamente “que se pode salvar em qualquer religião”. E tudo que ele disse está muito longe do conceito de Ignorância Invencível.

Com efeito, ele disse o seguinte (um trecho um pouco mais longo de sua fala): “A verdade está em Jesus Cristo. Existem sementes de verdade nas outras religiões. A gente não pode dizer que se salvam apenas aqueles que são católicos. Pessoas não-católicas, pessoas que vivem corretamente, pessoas que praticam caridade, pessoas que são justas, estas são chamadas as sementes do Evangelho. Estas também podem ser salvas.”

Nada na fala do bispo indica que ele estivesse discutindo o conceito de Ignorância Invencível que, como o senhor disse, faz parte da Doutrina da Igreja. “Não-católicos” pode significar protestantes, budistas, ateus, panteístas new age, etc.; nada há que configure nestes, a princípio, principalmente protestantes, ignorância invencível. Ou seja, os protestantes que forem caridosos e justos serão salvos, segundo o bispo.

Na encíclica “Quanto conficiamur moerore”, o Papa Pio IX, diz (Dz 2865-67): “Convém novamente recordar e repreender o gravíssimo erro, no qual se encontram lamentavelmente diversos católicos, que pensam que chegarão à vida eterna as pessoas que vivem nos erros e afastadas da verdadeira fé e da unidade católica. Essa opinião é decididamente contrária à doutrina católica. É conhecido por Nós e por vós que aqueles que ignoram invencivelmente a nossa santíssima religião e observam diligentemente a lei natural e os seus preceitos – impressos por Deus no coração de todos – e que, dispostos a obedecer a Deus .... [aqui o Papa repete a Doutrina de Sempre]. Mas é também conhecidíssimo o dogma católico, a saber, que ninguém pode se salvar fora da Igreja Católica e que não podem se obter a salvação eterna aqueles que são obstinadamente contumazes para com a autoridade e as definições da mesma Igreja.”

Portanto, a fala do bispo e a Doutrina da Igreja estão em desacordo; e não há imprudência alguma, nem tampouco conclusões temerárias aqui. Há apenas constatação.

Quanto a Dom Bergozini ser um dos bispos menos progressistas, como o senhor afirmou, não entrou, nem entrará em minhas considerações, quando se está diante de uma fragrante negação de um dogma da Igreja, que já é lenha para uma fogueira monumental. Entendo perfeitamente a posição de cautela que o senhor expressa em seu comentário, mas lamento não crer em sua eficácia diante da crise atual da Igreja.

Obrigado pela visita e pelo comentário.

Em JMJ.

Marcos disse...

Mas então, Prof. Angueth, veja o que o próprio sr. Arcebispo D. Anuar assevera a respeito do mesmíssimo dogma do Concílio IV Laterano (entrevista mui recente):

http://www.youtube.com/watch?v=Lf40OrusE-U&t=2m23s

[[[[http://www.youtube.com/watch?v=Lf40OrusE-U&t=2m23s]]]

Marcos disse...

"Nós não podemos nos fechar em uma única igreja e achar que só nós temos salvação" Dom Anuar Battisti, Arcebispos de Maringá.

Prof. Francisco Castro disse...

Concordo que o bispo deveria ter afirmado a questão de se estar em ignorância invencível e o mais importante da necessidade de uma vez conhecida a Igreja entrar nela e não se obstinar em recusa-la. Neste ponto estou de acordo. É preciso reforçar a necessidade da Igreja que Cristo quis. Mas também reconhecer que muitos não estação na igreja por não terem tido a oportunidade de conhecer a sua doutrina e também de compreendê-la; Nesta época de grande crise e divisão interna na Igreja o que teríamos a oferecer a um protestante convertido? Com sinceridade, em me sentiria numa situação difícil para explicar a atual situação da Igreja a um protestante que expressasse vontade de se converter. Como ele iria reagir a tanto discursos em contradição e até de bispos? Ignorância invencível também pode ser o resultado de um a sincera vontade de servir a Deus. São Paulo quando perseguiu a Igreja o fez em estado de ignorância invencível nesta forma. ele conhecia os cristãos e sua doutrina, mas por zelo a Deus e a lei do Antigo Testamento ele os perseguiu. Por isso, por causa de sua reta intenção, Jesus o quis para si. Rezemos para aqueles que desejam realmente fazer a vontade de Deus entrem na Igreja e rezemos pelas pessoas da Igreja a fim de que se convertam.

Luiz Fernando Dias Cabezudo disse...

Caro Prfessor Angueth. Salve a Virgem Santíssima.
Entendo que o conceito de ignorância invencível é maior do que simplesmente ausência da pregação evangélica. No meu modo de ver podem existir pessoas que foram nascidas e criadas em alguma outra religião que agora simplesmente não conseguem compreender o erro em que se encontram. Coloco aqui alguns casos de protestantes. Ora, estas pessoas tendo recebido fragmentos da doutrina cristã desejam em seu coração agradar a Deus. A estes eu chamo de Católicos Informais. De qualquer modo são sim Católicos e, portanto, a fala do Bispo, infelizmente, está sim bem errada. Ah! Antes que alguém queira alargar o sentido das minhas palavras e colocar aqui os criminosos do Estado Islâmico, por exemplo, lembro que a Lei Natural reza que todos os homens têm o direito à vida e que, portanto, ao não respeitar esta Lei eles se colocam fora dos princípios evangélicos e, consequentemente, fora da Igreja.