G.K. Chesterton
Tem aparecido em nossos dias uma classe particular de livros e artigos que sincera e solenemente penso que possa ser chamada a mais idiota que os homens já conheceram. São livros mais selvagens que os romances mais selvagens de cavalaria e mais enfadonhos do que o mais enfadonho tratado religioso. Ademais, os romances de cavalaria eram pelo menos sobre cavalaria; os tratados religiosos sobre religião. Mas esses livros são sobre nada; são sobre o que é chamado de Sucesso. Em qualquer livraria, em qualquer revista, você encontrará obras dizendo ao povo como ter sucesso. São livros mostrando aos homens como obter sucesso em tudo; eles são escritos por homens que não conseguem obter sucesso escrevendo livros. Para começar, não há certamente tal coisa chamada sucesso. Ou, se você desejar, não há nada que não seja bem sucedido. Que uma coisa seja bem sucedida apenas significa que ela é; um milionário é bem sucedido em ser milionário e um asno é bem sucedido em ser um asno. Qualquer vivente é bem sucedido em viver; qualquer falecido pode ter sido bem sucedido no suicídio. Mas, ignorando a má lógica e filosofia da frase, podemos considerar o sucesso, como os escritores fazem, no sentido ordinário de obter dinheiro ou uma posição na vida. Esses escritores afirmam que podem ensinar o homem comum a obter sucesso em seu negócio ou especulação – como, se ele é um construtor, ele pode obter sucesso como construtor; como, se ele é um corretor da bolsa, ele pode ser bem sucedido como corretor da bolsa. Eles afirmam que podem ensiná-lo como, se ele é um merceeiro, ele pode ser um dono de iate; como, se ele é um jornalista de décima categoria, ele pode se tornar um nobre; e como, se ele é um judeu alemão, ele pode se tornar um anglo-saxão. Esta é uma proposta do tipo comercial, e penso realmente que as pessoas que compram esses livros (se alguém os comprar realmente) têm um direito moral, se não legal, de exigir seu dinheiro de volta. Ninguém ousaria publicar um livro sobre eletricidade que não dissesse literalmente nada sobre eletricidade; ninguém ousaria publicar um artigo sobre botânica que demonstrasse que o autor não sabe qual extremidade de uma planta cresce debaixo da terra. Todavia, nosso mundo moderno está cheio de livros sobre Sucesso e pessoas bem sucedidas que não contêm literalmente nenhuma idéia e dificilmente algum sentido verbal.
É perfeitamente óbvio que em qualquer ocupação decente (tal como assentar tijolos e escrever livros) há somente dois modos (em qualquer sentido especial) de obter sucesso. Um deles é fazer um trabalho muito bom, o outro é trapacear. Ambos são muito simples e não exigem nenhuma explicação literária. Se você desejar dar um grande salto, ou você pula mais alto que qualquer um ou consegue, de alguma forma, fingir que você o fez. Se você quer ganhar no whist, ou você é um bom jogador de whist ou tem de jogar com cartas marcadas. Você pode desejar um livro sobre saltos; você pode desejar um livro sobre whist; você pode deseja um livro sobre como roubar no whist. Mas você não pode querer um livro sobre Sucesso. Você não pode querer especialmente um livro sobre o Sucesso como estes que você pode agora encontrar espalhados aos magotes nas livrarias. Você pode querer saltar ou jogar cartas; mas você não quer ler afirmações errantes que dizem que saltar é saltar e que os jogos são vencidos pelos vencedores. Se esses escritores, por exemplo, dissessem algo sobre ser bem sucedido no salto, eles diriam algo assim: “O saltador deve ter um claro objetivo à sua frente. Deve desejar ardentemente pular mais alto que outros homens que participam da mesma competição. Não deve deixar que o mais débil sentimento de misericórdia (vindo dos nojentos Little Englanders e Pro-Boers[1]) impeça-o de tentar fazer o melhor. Deve lembrar que uma competição de salto é claramente uma competição, e que, como Darwin gloriosamente demonstrou, O MAIS FRACO VAI PARA O PAREDÃO.” Este é o tipo de coisa que o livro diria, e que seria útil, sem dúvida, se isto fosse lido em voz baixa e tensa a um jovem a ponto de dar um salto. Se, por outro lado, o filósofo do Sucesso, em suas excursões intelectuais, esbarrasse em nosso outro caso, o do jogo de cartas, seu estimulante conselho seria: “No jogo de cartas, é muito necessário evitar o erro (comumente cometido por humanitários sentimentais e defensores do livre comércio) de permitir seu oponente ganhar o jogo. Você deve ranger os dentes, morder, ir e vencer. Os dias de idealismo e superstição acabaram. Vivemos num tempo de ciência e rude senso comum, e foi agora provado definitivamente que em qualquer jogo onde dois participam SE UM NÃO GANHA OU OUTRO SIM.” É tudo certamente muito emocionante; mas confesso que se eu fosse jogar cartas, eu preferiria ter algum pequeno e decente livro que me ensinasse as regras do jogo. Além das regras do jogo toda a questão fica sendo sobre o talento ou a desonestidade; e eu procuraria desenvolver uma das duas coisas – qual delas não sou eu que vou dizer.
Folheando uma revista popular, encontrei um estranho e divertido exemplo. Há um artigo intitulado “O Instinto que Faz Pessoas Ricas”. Ele é decorado na primeira página com um formidável retrato de Lord Rothschild. Há muitos métodos específicos, honestos e desonestos, que fazem as pessoas ricas; o único “instinto” que conheço que faz isso é aquele instinto que a teologia cristã cruamente descreve como “o pecado da avareza”. Isso, contudo, não vem ao caso. Desejo citar os seguintes incríveis parágrafos como uma parte do conselho típico de como ser bem sucedido. Ele é tão prático; ele deixa tão pouca dúvida sobre qual deve ser nosso próximo passo.
“O nome de Vanderbilt é sinônimo de riqueza obtida pela empresa moderna. ‘Cornelius’, o fundador da família, foi o primeiro dos grandes magnatas americanos do comércio. Ele começou como o filho pobre de um fazendeiro; terminou vinte vezes milionário.
“Ele tinha o instinto de ganhar dinheiro. Ele aproveitou suas oportunidades, oportunidades que lhe foram proporcionadas pela aplicação da máquina a vapor ao transporte oceânico, e pelo nascimento da locomoção ferroviária no subdesenvolvido, mas rico, Estados Unidos da América, e conseqüentemente, ele amealhou uma imensa fortuna.
“É certamente óbvio que não podemos seguir exatamente as pegadas desse grande monarca ferroviário. As oportunidades específicas que lhe apareceram não nos ocorrem. As circunstâncias mudaram. Mas, embora isso aconteça, ainda, em nossa própria esfera e em nossas próprias circunstâncias, podemos seguir seus métodos gerais; podemos aproveitar aquelas circunstâncias que nos são apresentadas, e nos proporcionar a justa oportunidade de sermos ricos.”
Em tal estranho discurso, vemos muito claramente o que está realmente no fundo desses artigos e livros. Não é apenas negócio, não é nem somente cinismo. É misticismo; o horrível misticismo do dinheiro. O escritor do trecho não tem a mais remota noção de como Vanderbilt ganhou seu dinheiro, ou como qualquer um pode ganhar o seu. Ele, de fato, conclui suas observações advogando algum esquema; mas este não tem nada a ver com Vanderbilt. Ele meramente desejou prostrar-se ante o mistério do milionário. Pois quando nós realmente adoramos algo, amamos não só sua clareza, mas sua obscuridade. Exultamo-nos com sua própria invisibilidade. Assim, por exemplo, quando um homem está apaixonado por uma mulher, ele sente um especial prazer no fato de que a mulher é insensata. Assim, novamente, o poeta muito devoto, celebrando seu Criador, sente prazer em dizer que "Deus age de forma misteriosa".[2] Ora, o autor do parágrafo que citei não parece ter tido nada a ver com um deus e não posso imaginar (pela sua extrema impraticabilidade) que ele tenha se apaixonado, algum dia, por uma mulher. Mas a coisa que ele adora – Vanderbilt – ele trata exatamente desta forma mística. Ele se regozija realmente do fato de que sua deidade, Vanderbilt, esconde dele um segredo. Com isso sua alma é tomada com um tipo de acesso de astúcia, um êxtase de poder sacerdotal, que o faz imaginar poder dizer à massa aquele terrível segredo que lhe é desconhecido.
Falando sobre o instinto que faz pessoas ricas, o mesmo escritor observa:
“Nos tempos antigos, sua existência era completamente compreendida. Os gregos o consagravam por meio da história de Midas, do “Toque de Ouro”. Aqui estava um homem que transformava tudo que tocava em ouro. Sua vida era um progresso dentre os ricos. Tudo que encontrava em seu caminho, ele transformava no precioso metal. ‘Uma lenda tola’, diziam os sabichões da era Vitoriana. ‘Uma verdade’ dizemos nós modernos. Todos conhecemos tais homens. Estamos sempre encontrando-os ou lendo sobre tais homens que transformam tudo que tocam em ouro. O sucesso segue suas pegadas. O caminho de suas vidas é infalivelmente para o alto. Eles não falham.”
Infelizmente, contudo, Midas pode falhar; ele falhou. Seu caminho não o levou infalivelmente para o alto. Ele morreu de fome porque tudo que ele tocava, um biscoito ou um sanduiche de presunto, virava ouro. Esse é o ponto central da história, embora o escritor tivesse de suprimi-lo deliberadamente, ao escrever tão proximamente a um retrato de Lord Rothschild. As antigas fábulas da humanidade são, de fato, incompreensivelmente sábias; mas não devemos corrigi-la no interesse do Sr. Vanderbilt. Não devemos apresentar o Rei Midas como exemplo de sucesso; ele foi um fracasso de um tipo dolorosamente raro. Ademais, ele tinha orelhas de burro. E também (como muitas outras pessoas ricas e proeminentes) ele empenhou-se em ocultar o fato. Foi seu barbeiro (se me lembro bem) quem teve de guardar segredo dessa peculiaridade; e ele, ao invés de se comportar como uma pessoa empreendedora da escola do sucesso-a-todo-custo e tentar chantagear o Rei Midas, foi sussurrar essa esplêndida pérola de escândalo social para os caniços, que se deliciaram enormemente. Conta-se também que eles sussurraram o fato enquanto os ventos os balançavam para lá e para cá. Olho reverentemente para o retrato de Lord Rothschild; leio reverentemente sobre as proezas de Vanderbilt. Sei que não posso transformar tudo que toco em ouro; mas também sei que nunca tentei, tendo eu a preferência por outras substâncias, como a grama e um bom vinho. Sei que essas pessoas foram certamente bem sucedidas em alguma coisa; que elas certamente ultrapassaram alguém; sei que elas foram reis num sentido que nenhum rei tinha sido antes; que elas criaram mercados e transpuseram continentes. Todavia, sempre me parece que há algum fato doméstico que estão escondendo, e algumas vezes penso ouvir do vento a risada e o sussurro dos caniços.
Pelo menos, esperemos que vivamos todos para ver esses livros absurdos sobre o Sucesso cobertos propriamente de escárnio e abandono. Eles não ensinam as pessoas a obterem o sucesso, mas ensinam-nas a serem esnobes; eles realmente difundem um tipo de má poesia do materialismo. Os puritanos estão sempre denunciando livros que inflamam a luxúria; o que diremos dos livros que inflamam as mais vis paixões da avareza e do orgulho? Cem anos atrás, tínhamos o ideal do Aprendiz Diligente;[3] era ensinado aos garotos que com parcimônia e trabalho eles todos se tornariam Lord Mayors.[4] Isso era falacioso, mas era viril, e continha um mínimo de verdade moral. Em nossa sociedade, temperança não evitará que um pobre enriqueça, mas pode ajudá-lo a se respeitar. Trabalho duro não o fará um homem rico, mas fá-lo-á um bom trabalhador. O Aprendiz Diligente sobe por meio de poucas e limitadas virtudes, mas ainda assim virtudes. Mas o que dizer do evangelho pregado pelo novo Aprendiz Diligente; o aprendiz que sobe não pelas suas virtudes, mas abertamente pelos seus vícios.
________________________________________________________
[1] Referência aos grupos que se opunham à expansão armada do Império Britânico e especialmente à Guerra dos Bôeres. A referência é irônica, pois o próprio Chesterton era um grande opositor desta guerra. (N. do T.)
[2] Referência a um poema de William Cowper (1731 – 1800) intitulado God moves in a mysterious way. (N. do T.)
[3] William Hogarth, pintor oitocentista inglês, pintou uma série de quadros com o título “Diligência e Ociosidade”. Esta série é um trabalho altamente moral. Retrata os destinos muito diferentes que tem o aprendiz diligente e o aprendiz ocioso. O ocioso é enforcado em Tyburn e o diligente casa com a filha de seu mestre e depois chega a ser Lord Mayor.
[4] Lord Mayor é o administrador da Cidade de Londres, ou seja, o centro histórico de Londres. (N. do T.)
12/08/2009
A falácia do sucesso
09/08/2009
Lições das missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XXII
Comento artigo do Pe. José Bortolini, n’O DOMINGO, de 26/07/2009. O Evangelho deste dia, na Missa de Paulo VI, é Jo 6, 1-15, o da multiplicação dos pães.
Pode-se falar muitas coisas deste milagre. Pode-se falar do pão material e do Pão espiritual. Pode-se notar como Jesus, depois de alimentar o povo com o pão material, diz (Jo 6, 35): “eu sou o pão da vida”. Ele mesmo quer que distingamos o pão da vida do Pão da Vida. Mas ele quer mais do que isso. Ele quer que percebamos que os dois pães são sobrenaturais. Que um e outro nos é dado por ele. Que não merecemos nem um nem outro e que eles são puro ato da graça de Deus.
Santo Agostinho, nos seus Comentários ao Evangelho de João, nos diz: “Deve-se ter em conta o que geralmente se diz, a saber: que Deus é de tal natureza que não nos é possível vê-Lo com nossos olhos, e que seus milagres, com os quais sustenta todo mundo e alimenta todas as criaturas, não chamam atenção, pela freqüência com que se repetem. Mas alguns milagres são escolhidos para serem feitos fora do curso e da ordem regular da natureza, não porque sejam maiores, mas porque acontecem menos freqüentemente, e assim são admirados mais por essa circunstância do que aqueles que acontecem diariamente. O milagre do governo de todo o mundo é realmente maior do que saciar cinco mil homens com cinco pães e, contudo, ninguém se admira desse governo. Mas os homens se admiram com o outro milagre, não porque é maior, mas porque é raro.”
Aí está. Santo Agostinho nos diz que Jesus conhecendo os homens como conhece, Ele usa de milagres menores, mas raros, que causam mais admiração que os milagres maiores, que ocorrem todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Deus nos alimenta diariamente tão milagrosamente quanto ele alimentou aquela pequena multidão. Deus nos alimenta por sua graça, por sua infinita compaixão, em uma palavra: por milagre.
Bem, isso e muito mais poderia ser dito dessa passagem do Evangelho. Mas o Pe. Bortolini escolhe nos brindar com uma pregação marxista de segunda categoria, quando ele fala desse Evangelho. Diz ele: “O gesto nobre desse menino muda completamente a visão acerca da fome da humanidade. Ela não é vencida com a compra e venda de alimento, mas num mutirão de partilha. A distribuição toma o lugar da concentração, a solidariedade vence o egoísmo.” Ou seja, Pe. Bortolini nos diz que Jesus está a nos ensinar sobre distribuição de bens de consumo numa sociedade complexa. E Ele está a favor do comunismo! Veja que a coisa não se resolve com a compra e venda de produtos, mas com sua distribuição gratuita. Todo mundo que pregou esse tipo de idéia, no caminho da consecução desse objetivo, matou algumas dezenas de milhões de pessoas, senão centenas de milhões, sem conseguir nada do que prometeram. Lenin, Stalin, Mao, Castro são alguns dos homens práticos que tentaram colocar os ideais do Pe. Bortolini em prática. Juntos mataram centenas de milhões de pessoas.
Certamente, Pe. Bortolini está pregando comunismo do púlpito da Igreja, como muitos outros padres hoje em dia. Não deixemos que esses hereges nos influenciem. A companhia desses padres, que enumerei acima, não os credencia a nos ensinar nada, muito menos a palavra de Deus.
_______________
Compre agora o livro, com este e todos os outros comentários, além de alguns apêndices complementares, clicando aqui. Se você quiser ler mais sobre este livro, clique aqui.
_______________
Pode-se falar muitas coisas deste milagre. Pode-se falar do pão material e do Pão espiritual. Pode-se notar como Jesus, depois de alimentar o povo com o pão material, diz (Jo 6, 35): “eu sou o pão da vida”. Ele mesmo quer que distingamos o pão da vida do Pão da Vida. Mas ele quer mais do que isso. Ele quer que percebamos que os dois pães são sobrenaturais. Que um e outro nos é dado por ele. Que não merecemos nem um nem outro e que eles são puro ato da graça de Deus.
Santo Agostinho, nos seus Comentários ao Evangelho de João, nos diz: “Deve-se ter em conta o que geralmente se diz, a saber: que Deus é de tal natureza que não nos é possível vê-Lo com nossos olhos, e que seus milagres, com os quais sustenta todo mundo e alimenta todas as criaturas, não chamam atenção, pela freqüência com que se repetem. Mas alguns milagres são escolhidos para serem feitos fora do curso e da ordem regular da natureza, não porque sejam maiores, mas porque acontecem menos freqüentemente, e assim são admirados mais por essa circunstância do que aqueles que acontecem diariamente. O milagre do governo de todo o mundo é realmente maior do que saciar cinco mil homens com cinco pães e, contudo, ninguém se admira desse governo. Mas os homens se admiram com o outro milagre, não porque é maior, mas porque é raro.”
Aí está. Santo Agostinho nos diz que Jesus conhecendo os homens como conhece, Ele usa de milagres menores, mas raros, que causam mais admiração que os milagres maiores, que ocorrem todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Deus nos alimenta diariamente tão milagrosamente quanto ele alimentou aquela pequena multidão. Deus nos alimenta por sua graça, por sua infinita compaixão, em uma palavra: por milagre.
Bem, isso e muito mais poderia ser dito dessa passagem do Evangelho. Mas o Pe. Bortolini escolhe nos brindar com uma pregação marxista de segunda categoria, quando ele fala desse Evangelho. Diz ele: “O gesto nobre desse menino muda completamente a visão acerca da fome da humanidade. Ela não é vencida com a compra e venda de alimento, mas num mutirão de partilha. A distribuição toma o lugar da concentração, a solidariedade vence o egoísmo.” Ou seja, Pe. Bortolini nos diz que Jesus está a nos ensinar sobre distribuição de bens de consumo numa sociedade complexa. E Ele está a favor do comunismo! Veja que a coisa não se resolve com a compra e venda de produtos, mas com sua distribuição gratuita. Todo mundo que pregou esse tipo de idéia, no caminho da consecução desse objetivo, matou algumas dezenas de milhões de pessoas, senão centenas de milhões, sem conseguir nada do que prometeram. Lenin, Stalin, Mao, Castro são alguns dos homens práticos que tentaram colocar os ideais do Pe. Bortolini em prática. Juntos mataram centenas de milhões de pessoas.
Certamente, Pe. Bortolini está pregando comunismo do púlpito da Igreja, como muitos outros padres hoje em dia. Não deixemos que esses hereges nos influenciem. A companhia desses padres, que enumerei acima, não os credencia a nos ensinar nada, muito menos a palavra de Deus.
_______________
Compre agora o livro, com este e todos os outros comentários, além de alguns apêndices complementares, clicando aqui. Se você quiser ler mais sobre este livro, clique aqui.
_______________
Marcadores:
Concílio Vaticano II,
Lições das Missas de Paulo VI
04/08/2009
Hoje é dia de São João Maria Vianney
02/08/2009
MANIFESTO HUMANISTA – Um comentário à encíclica Caritas in veritate
Pe. Peter Scott, da FSSPX, trad. de Felipe Coelho
Por meio de seu Manifesto Comunista de 1848, Marx e Engels lançaram o moderno movimento socialista, que tirou a conclusão lógica dos princípios da Revolução Francesa e declarou que “a posse particular de propriedade produtiva é considerada inválida e imoral, ao passo que a posse de propriedade de consumo é permitida” (E. Cahill, S.J., The Framework of a Christian State [O modelo de um Estado cristão], p. 158). Pareceria ultrajante traçar um paralelo entre esse documento ateu, causa de revolução, guerras, assassinatos e sofrimentos sem conta, e a terceira encíclica do Papa[sic (N.doT.)] Bento XVI, Caritas in veritate, datada de 29 de junho de 2009. Contudo, um exame do texto demonstra que ele é verdadeiramente um manifesto de humanismo, levando à sua conclusão lógica os princípios da Revolução Francesa, rejeitando toda posse exclusiva e particular da verdade, pelos católicos e pelos demais, permitindo meramente que ela seja compartilhada e comunicada, isto é, consumida por todos em igual fraternidade e liberdade.
Como católicos, como podemos não ficar indignados com uma comparação dessas? Afinal de contas, o que pode parecer mais católico que o título “Caridade na verdade”, que é claramente modificado a partir da expressão usada por São Paulo, “para que não mais sejamos meninos flutuantes, e levados, ao sabor de todo vento de doutrina, pela malignidade dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro; mas praticando a verdade na caridade” (Ef. 4:14,15: note-se, porém, a transformação)? O que há de mais reassegurador que a recordação constante de que a caridade e a verdade não podem ser separadas, pois a “verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na « economia » da caridade, mas a caridade por sua vez há-de ser compreendida, confirmada e praticada sob a luz da verdade” (§2)? O que há de mais elevado que uma nova visão da questão social que vai além e mais alto do que a simples questão de “justiça” e “direitos” mencionada pelos Papas preconciliares, pois a “caridade está no coração da doutrina social da Igreja” (§2)? O que há de mais consolador que a afirmação de que “não existem duas tipologias de doutrina social, uma pré-conciliar e outra pós-conciliar, diversas entre si, mas um único ensinamento” (§12)! O que há de mais necessário que a recordação de que o homem precisa de Deus: “porque o desenvolvimento humano integral … requer uma visão transcendente da pessoa, tem necessidade de Deus” (§11).
NOVO CONCEITO DE CARIDADE
Contudo, a semelhança com o ensinamento católico não passa das palavras empregadas, palavras cujo significado é alterado radicalmente. O primeiro indício disto está contido no próprio título. A encíclica não é dirigida somente aos católicos, mas também a “todas as pessoas de boa vontade”. A compreensão e aceitação deste documento não é algo que requer a Fé Católica. Isso também aparece claramente na introdução, que não pretende delinear os princípios de uma ordem social católica, mas, em vez disso, o princípio do “desenvolvimento humano integral” para todos os homens, que é a caridade. Há, desde o início desta encíclica, um novo conceito de caridade, que “é a força propulsora principal que está por trás do autêntico desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira” (§1)! Claramente, o Papa não pode estar falando da virtude sobrenatural e infusa da caridade, pois isso seria afirmar que todos os homens estão no estado de graça santificante e que nenhum homem está em pecado mortal!
Não, a “caridade” sobre a qual ele escreve pertence a todos os homens: “Por ser um dom recebido por todos, a caridade-na-verdade é uma força que constroi a comunidade, unifica os homens sem impor barreiras nem limites.” (§34). Ele está se referindo ao novo conceito de caridade que ele elaborou em sua primeira encílica, Deus caritas est [N.doT: cf., do Autor, seu comentário à primeira encíclica de Bento XVI, em: http://www.fsspx-brasil.com.br/page 05-7.htm]. Nesta, Bento XVI explicou o “verdadeiro humanismo” da Igreja (Deus caritas est, §§ 9, 30), que pretende ensinar ao homem sua humanidade por meio da superação da distinção entre um amor próprio natural e um amor divino auto-sacrificante, pois “quanto mais os dois (eros e ágape) encontrarem uma unidade conveniente … na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral” (Ibid., §7). O amor é, conseqüentemente, “uma única realidade” (ibid., §8).
Não devemos mais falar de caridade sobrenatural como tal, mas devemos antes dizer que a caridade não conhece essas distinções mas engloba todo amor humano. Daí a definição de caridade na presente encíclica: “a caridade pode ser reconhecida como expressão autêntica de humanidade e como elemento de importância fundamental nas relações humanas” (§ 3). A caridade pertence, então, à humanidade toda, e é característica de todas as boas relações humanas. Isso é naturalismo puro, que equaciona os motivos natural e sobrenatural da caridade fundindo-os num só. Não há, em decorrência disso, nenhuma distinção a ser feita entre o papel sobrenatural da Igreja com respeito a seus próprios membros e um papel muito mais abrangente, mais universal e mais alto que ela tem para com a humanidade toda, e é este que o Papa proclama como sendo a finalidade última dela.
A FINALIDADE MAIS ALTA DA IGREJA
Baseando-se no Vaticano II (Gaudium et spes) e nas encíclicas do Papa Paulo VI (Populorum progressio) e João Paulo II (Sollicitudo rei socialis) sobre o mesmo assunto, ele declara que doravante a Igreja “está a serviço do mundo”—a gente se pergunta o que aconteceu com a declaração bem não-humanista de São João: “Se alguém ama o mundo, não há nele a caridade do Pai” (I Jo 2:15)—e que, conseqüentemente, no que quer que ela faça (e.g. obras de caridade, culto divino), ela “está engajada na promoção do desenvolvimento integral do homem. Ela tem um papel público que não se esgota nas suas atividades de assistência ou de educação, mas revela todas as suas energias a serviço da promoção do homem e da fraternidade universal…” (§11). O objetivo dela, que não se esgota nas suas atividades particulares, deve ser, portanto, o de levar adiante os princípios da Revolução Francesa, seguindo o ideal do naturalismo maçônico. Daí o papel fundamental dela no processo de globalização, como veremos.
NOVO CONCEITO DE VERDADE
A verdade é igualmente redefinida. Não deve mais ser considerada como a correspondência da mente com a realidade exterior e objetiva, e consequentemente como algo fixo, firme, absoluto e imutável. Pelo contrário, a verdade é por sua própria natureza uma comunicação ou partilha com outros, a tal ponto que a pessoa que se fecha em sua própria “verdade”, não importa quão objetiva ele considere que ela é, na realidade se fechou em suas opiniões subjetivas e é impossível que atinja a verdade, pela simples razão de que ele não é capaz de dialogar ou compartilhar opiniões com os outros. Eis a definição de verdade do Papa, fazendo um jogo com a expressão grega para [designar] o Verbo (de Deus): “Com efeito, a verdade é « lógos » que cria « diá-logos » e, conseqüentemente, comunicação e comunhão”. A verdade exige a comunicação com a verdade dos outros. A sentença imediatamente seguinte explica o que ele quer dizer com comunicação, a saber: se uma pessoa não está disposta a abrir mão de suas opiniões pessoais, ela não pode ter a verdade: “A verdade, fazendo sair os homens de suas opiniões e impressões subjetivas, permite-lhes ultrapassar determinações culturais e históricas para se encontrarem na avaliação do valor e substância das coisas” (§4). Sem tal partilha com os outros, não existe verdade, pois o homem está isolado em suas “opiniões subjetivas”. Note-se que não há distinção entre as convicções firmemente possuídas da Fé Católica e outras opiniões firmemente possuídas. Em ambos os casos, não pode haver verdade sem partilha mútua.
É por essa razão que “a missão a serviço da verdade é, para a Igreja, irrenunciável”, e com isso ele quer dizer que “a Igreja procura a verdade” (§9); sim, a missão da Igreja é procurar a verdade (e anunciá-la e reconhecê-la), não ensinar “a” verdade como algo já adquirido. Aqui está a explicação, dada no mesmo parágrafo, de por que o humanismo (= fidelidade ao homem) é a base da missão da Igreja a serviço da verdade: “A fidelidade ao homem exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade e da possibilidade de um desenvolvimento humano integral. É por isso que a Igreja procura a verdade”. Donde a declaração simplesmente extraordinária de que “A verdade liberta a caridade dos estrangulamentos … do fideísmo, que a priva de um horizonte humano e universal” (§3). O fideísmo, anteriormente um termo para indicar a heresia dos que negam o papel da razão, é aqui empregado como um termo pejorativo para descrever aqueles cujas convicções pessoais de Fé impedem que eles se entreguem ao diálogo, e que consequentemente não são capazes de alcançar a verdade, pois eles não têm o desenvolvimento humano necessário para compartilhar.
EVOLUÇÃO DA VERDADE
A contradição com o ensinamento pré-Vaticano II da Igreja é manifesta e óbvia, razão pela qual o Papa sente a necessidade de se justificar. Note-se que ele não nega que os Papas preconciliares dizem coisas diferentes, mas afirma, em vez disso, que “existe um único ensinamento, coerente e simultaneamente sempre novo” (§12). Ele prossegue explicando o que ele quer dizer com essa aparente (e, de fato, real) contradição: novo e antigo ao mesmo tempo. É a perfeita justificativa do liberal, que vive em contradição objetiva consigo mesmo, incoerente com suas próprias conclusões, encontrando a coerência noutra parte que não na verdade objetiva. “Coerência não significa um sistema fechado (entenda-se por isto um sistema de ensinamento tradicional, fechado ao diálogo com o que lhe é exterior): pelo contrário, significa fidelidade dinâmica a uma luz recebida”. A assim chamada continuidade com o passado está, consequentemente, não nos próprios ensinamentos, mas na “luz imutável” que situa os ensinamentos pós-conciliares “dentro da grande corrente da Tradição” (ibid.).
Aqui encontramos claramente declarado o ensinamento da evolução da verdade e da doutrina, tão essencial à heresia do modernismo e tão claramente condenado por São Pio X: “Pois entre os pontos principais da sua doutrina, contam também este, que deduzem da imanência vital: as fórmulas religiosas, para que realmente sejam tais e não só meras especulações da inteligência, precisam ser vitais e viver da mesma vida do sentimento religioso… Procede daí que tais fórmulas, para serem vitais, hão de ser e permanecer adaptadas tanto à fé quanto ao crente. Pelo que, se por qualquer motivo cessar essa adaptação, perdem sua primitiva significação e devem ser mudadas” (Pascendi, §13). Eis o julgamento de São Pio X sobre a evolução da verdade, que deve ser aplicado também à presente encíclica: “Deliram a ponto de perverter o eterno conceito de verdade e o verdadeiro significado da religião” (ibid.).
GLOBALIZAÇÃO
A novidade desta encíclica e seu principal foco prático é sem dúvida a globalização, definida como “a explosão da interdependência mundial” (§33). Em si mesmo, esse fenômeno é descrito pelo Papa como “nem bom nem mau” (§42). Todavia, ele nos encoraja a vê-lo como não somente um processo econômico predeterminado, mas antes a vê-lo num sentido positivo: “Não devemos ser vítimas dela, mas protagonistas” (ibid.). A gente pode se perguntar como é que essa dissolução de fronteiras, essa formação de um maçônico sistema governamental e econômico único, como é que essa destruição do que resta da Cristandade, com sua identidade religiosa e cultural, separada e distinta do paganismo e das religiões falsas, poderia de algum modo ser vista num sentido positivo. A resposta é que, se for abraçada num sentido humanista, essa globalização é uma oportunidade real para o diálogo necessário para o desenvolvimento humano integral, para a caridade na verdade. A globalização é, portanto, verdade: “A verdade da globalização enquanto processo e o seu critério ético fundamental provêm da unidade da família humana e do seu desenvolvimento no bem. Por isso é preciso um empenho sustentado para promover uma orientação cultural personalista e comunitária do processo de integração mundial que seja aberta à transcendência” (ibid.).
A globalização da humanidade é, consequentemente, necessária e boa, algo a “direcionar” e não condenar, desde que esteja centrada na pessoa humana e em sua comunidade, e permita alguma abertura a Deus pela liberdade religiosa. Daí a preocupação da encíclica com a ética da ecologia e o meio ambiente, o uso da energia e o crescimento populacional, a pobreza e o consumismo, a ajuda internacional e o turismo, a democracia e a liberdade religiosa.
DIÁLOGO = DESENVOLVIMENTO HUMANO
No entanto, acima de todas essas considerações está a irmandade universal da humanidade, por conta da qual o homem atingirá seu desenvolvimento humano somente na medida em que ele se relacionar com outros homens diversos. A religião é essencial para tornar conhecida ao homem essa realidade de as relações com os outros serem ao mesmo tempo aquilo que é mais humano nele e aquilo que é transcendente. Todas as religiões fazem isso, mas o cristianismo o faz particularmente bem, por conta de seu foco no amor. Aqui está o texto que a princípio pode parecer obscuro, mas, dado o que passou antes, é na realidade muito claro: “A revelação cristã da unidade do gênero humano pressupõe uma interpretação metafísica do ‘humanum’ na qual a relação seja elemento essencial. Também outras culturas e outras religiões ensinam a fraternidade e a paz, revestindo-se, por isso, de enorme importância para um desenvolvimento humano integral” (§ 55).
Claro que a única revelação cristã que diz respeito à unidade da raça humana é a universalidade do pecado original, suas feridas, e a tríplice concupiscência que dele deriva. Assim também, a natureza humana não é definida de jeito nenhum por relações com outros, mas, sim, por ter um corpo e uma alma imortal capaz de conhecer e amar a Deus, tal como Ele revelou a Si próprio pela Encarnação, e de condenação eterna pela recusa dessa revelação.
Note-se que em todo esse contexto naturalista, o “desenvolvimento humano integral”, que consiste no diálogo com os outros, substituiu a salvação eterna como o objetivo da religião. Quase não espanta que o mesmo parágrafo (55) condene “algumas tradições religiosas e culturais … que ossificam a sociedade em agrupamentos sociais rígidos”, e na mesma linha condene “o fundamentalismo religioso”, não porque é doutrinalmente falso, mas porque “impede o encontro entre as pessoas e a sua colaboração para o progresso da humanidade” (§ 56). Claramente, ele manifesta a intenção de incluir nesta condenação o catolicismo tradicional, com sua separação do espírito do mundo e recusa de dialogar com o erro, a heresia e o paganismo. Se prova ulterior disso fosse ainda necessária, ela se encontra imediatamente em seguida. Depois de declarar que a “razão tem sempre necessidade de ser purificada pela fé”—o que é certamente verdade, pois, sem a verdadeira Fé, a razão costumeiramente cai em erro—, ele prossegue traçando o seguinte paralelo horrendo e chocante: “A religião, por sua vez, precisa sempre ser purificada pela razão, para mostrar o seu rosto autenticamente humano. Qualquer ruptura deste diálogo implica um custo muito gravoso para o desenvolvimento da humanidade” (§ 56). Para nós, é inconcebível e blasfemo afirmar que a verdade divina da religião revelada pode ser corrigida pela falível razão humana. Mas se a verdade é diálogo e a religião não é senão um meio para o desenvolvimento humano integral, então a conclusão se segue logicamente. Mas onde isso deixa a verdadeira Fé e a religião católica? Como uma entre muitas opiniões pessoais.
Sigamos a lógica do Papa um passo adiante. O resultado final da redefinição da fé como diálogo e de religião como desenvolvimento humano é o culto do homem, que se torna ele próprio a finalidade última da fé e razão, da “caridade” e religião. Conseqüentemente, todos aqueles que trabalham pelo bem do homem estão a “corresponder ao projeto divino”, sejam eles crentes ou não! “O diálogo fecundo entre fé e razão … constitui o quadro mais apropriado para incentivar a colaboração fraterna entre crentes e não-crentes em seu compartilhado comprometimento para com a justiça e a paz da humanidade. …Daqui nasce o dever que os crentes têm de unir os seus esforços com todos os homens e mulheres de boa vontade (Se eles estivessem de boa vontade, por que recusam crer na revelação divina?), seguidores de outras religiões e não-crentes, para que este nosso mundo possa efetivamente corresponder ao projeto divino” (§ 57).
Destarte, a moralidade da ajuda internacional não se dá só por ser uma obra de misericórdia corporal, mas porque “oferece uma grande oportunidade para o encontro entre as culturas e os povos” (§ 59). Assim também, a do turismo internacional “capaz de promover verdadeiro conhecimento recíproco… Este gênero de turismo precisa aumentar” (§ 61).
GOVERNO MUNDIAL ÚNICO
A conclusão mais chocante e de mais longo alcance dessa promoção positiva da globalização, em nível humano e cultural ao mesmo tempo que econômico, é o pedido de uma autoridade internacional para a impor legalmente, para fazer valer de modo obrigatório o diálogo entre as economias, culturas, religiões e povos tal como promovido por esse humanismo integral. O Papa de fato pede “uma reforma da Organização das Nações Unidas, bem como das instituições econômicas e da finança internacional, para que seja possível uma real concretização do conceito de família de nações…, um ordenamento político, jurídico e econômico que incremente e guie a colaboração internacional para o desenvolvimento solidário de todos os povos… urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial… [que] deverá gozar de poder efetivo para garantir a todos a segurança…” (§ 67). Isso significa a perda da soberania nacional e de qualquer possibilidade de união entre a Igreja e o Estado. Isso significa o estabelecimento da ordem mundial única que a Maçonaria vem lutando há tanto tempo para alcançar. O Papa Leão XIII descreveu e condenou muito claramente o “propósito último” da Maçonaria, “especificamente, a completa derrubada de toda a ordem religiosa e política do mundo que o ensinamento cristão produziu, e a substituição por um novo estado de coisas de acordo com as suas ideias, das quais as fundações e leis devem ser obtidas do mero naturalismo.” (Humanum genus, §10).
A justificativa religiosa para uma nova ordem mundial, baseada na dignidade humana, fraternidade e igualdade, e levada a cabo pela democracia universal, claro que não é nova. Foi precisamente o sonho humanitário do movimento Sillon, condenado por São Pio X em 1910, por abraçar os princípios da Revolução Francesa.
“Tememos que ainda haja pior: o resultado desta promiscuidade (entenda-se: diálogo) em curso, o beneficiário desta ação social cosmopolita só poderá ser uma democracia que não será nem católica, nem protestante, nem judaica; será uma religião … mais universal do que a Igreja Católica, unindo todos os homens para tornarem-se enfim irmãos e camaradas no ‘Reino de Deus’. – ‘Não trabalhamos pela Igreja, trabalhamos pela humanidade.’ …Perguntamo-Nos, Veneráveis Irmãos, onde foi parar o catolicismo do Sillon? ….já não é mais do que um miserável afluente do grande movimento de apostasia organizada, em todos os países, para o estabelecimento de uma Igreja mundial que não terá nem dogmas, nem hierarquia, nem regra para o espírito, nem freio para as paixões, e que sob o pretexto de liberdade e de dignidade humana, restauraria no mundo … o reino da fraude e da violência legalizadas” (Notre Charge Apostolique, § 40).
Pode nosso julgamento do autoproclamado humanismo do Papa Bento XVI ser diferente? Se ao menos o pudesse. Se ao menos o humanismo dele que não exclui Deus pudesse ter menos de humanismo e mais de uma verdadeira religião centrada em Deus. Porém, não é esse o caso. Se por um lado o Papa condena um “humanismo que exclui Deus [como] … um humanismo desumano” (§ 78), por outro, o seu “humanismo aberto ao Absoluto” é um humanismo humano: isto é, uma filosofia de como o homem pode desenvolver o pleno potencial de sua natureza humana sem a ordem sobrenatural da revelação, graça, obediência e submissão à autoridade. É por essa razão que uma má consciência não é definida como aquela que recusa discernir a vontade de Deus e admitir a culpa por desobedecê-la. Ela é, ao invés disso, “uma consciência já incapaz de reconhecer o humano” (§ 75), consequência bem lógica para quem acredita que a revelação é quando “Deus revela o homem ao homem” (ibid.).
Não podemos deixar de nos perguntar se o Papa Leão XIII teria tido alguma premonição desta época quando escreveu, na versão original de sua prece de exorcismo a São Miguel Arcanjo: “Onde a Sé do Bem-aventurado Pedro e a Cátedra da Verdade foram estabelecidas para ser luz das nações, ali puseram eles o trono da abominação de sua impiedade, para que, uma vez golpeado o Pastor, pudessem também dispersar o rebanho. Portanto, ó vós, imbatível Líder, estai presente com o povo de Deus contra as impiedades espirituais que o atacam; e trazei a ele a vitória.”
Seguramente a oração e a penitência, o amor da Cruz e do sacrifício, o Rosário e os Sacramentos, verdadeiros meios sobrenaturais que são, são a única resposta possível a um tal manifesto público de humanismo, a uma tal aplicação radical dos princípios do igualitarismo e da fraternidade a ponto de fazer a verdade excluir a posse pessoal e particular da verdade, a ponto de fazer a caridade incluir necessariamente a expressão autêntica da humanidade e a irmandade universal do homem.
_____________
PARA CITAR ESTA TRADUÇÃO:
Pe. Peter R. SCOTT, da FSSPX, MANIFESTO HUMANISTA – Um comentário à encíclica Caritas in veritate, trad. br. por F. Coelho, São Paulo, julho de 2009, http://AciesOrdinata.wordpress.com/
FONTE DO ORIGINAL INGLÊS:
“HUMANIST MANIFESTO – A commentary on the encyclical Caritas in veritate”, http://angelqueen.org/forum/viewtopic.php?t=27026
Por meio de seu Manifesto Comunista de 1848, Marx e Engels lançaram o moderno movimento socialista, que tirou a conclusão lógica dos princípios da Revolução Francesa e declarou que “a posse particular de propriedade produtiva é considerada inválida e imoral, ao passo que a posse de propriedade de consumo é permitida” (E. Cahill, S.J., The Framework of a Christian State [O modelo de um Estado cristão], p. 158). Pareceria ultrajante traçar um paralelo entre esse documento ateu, causa de revolução, guerras, assassinatos e sofrimentos sem conta, e a terceira encíclica do Papa[sic (N.doT.)] Bento XVI, Caritas in veritate, datada de 29 de junho de 2009. Contudo, um exame do texto demonstra que ele é verdadeiramente um manifesto de humanismo, levando à sua conclusão lógica os princípios da Revolução Francesa, rejeitando toda posse exclusiva e particular da verdade, pelos católicos e pelos demais, permitindo meramente que ela seja compartilhada e comunicada, isto é, consumida por todos em igual fraternidade e liberdade.
Como católicos, como podemos não ficar indignados com uma comparação dessas? Afinal de contas, o que pode parecer mais católico que o título “Caridade na verdade”, que é claramente modificado a partir da expressão usada por São Paulo, “para que não mais sejamos meninos flutuantes, e levados, ao sabor de todo vento de doutrina, pela malignidade dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro; mas praticando a verdade na caridade” (Ef. 4:14,15: note-se, porém, a transformação)? O que há de mais reassegurador que a recordação constante de que a caridade e a verdade não podem ser separadas, pois a “verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na « economia » da caridade, mas a caridade por sua vez há-de ser compreendida, confirmada e praticada sob a luz da verdade” (§2)? O que há de mais elevado que uma nova visão da questão social que vai além e mais alto do que a simples questão de “justiça” e “direitos” mencionada pelos Papas preconciliares, pois a “caridade está no coração da doutrina social da Igreja” (§2)? O que há de mais consolador que a afirmação de que “não existem duas tipologias de doutrina social, uma pré-conciliar e outra pós-conciliar, diversas entre si, mas um único ensinamento” (§12)! O que há de mais necessário que a recordação de que o homem precisa de Deus: “porque o desenvolvimento humano integral … requer uma visão transcendente da pessoa, tem necessidade de Deus” (§11).
NOVO CONCEITO DE CARIDADE
Contudo, a semelhança com o ensinamento católico não passa das palavras empregadas, palavras cujo significado é alterado radicalmente. O primeiro indício disto está contido no próprio título. A encíclica não é dirigida somente aos católicos, mas também a “todas as pessoas de boa vontade”. A compreensão e aceitação deste documento não é algo que requer a Fé Católica. Isso também aparece claramente na introdução, que não pretende delinear os princípios de uma ordem social católica, mas, em vez disso, o princípio do “desenvolvimento humano integral” para todos os homens, que é a caridade. Há, desde o início desta encíclica, um novo conceito de caridade, que “é a força propulsora principal que está por trás do autêntico desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira” (§1)! Claramente, o Papa não pode estar falando da virtude sobrenatural e infusa da caridade, pois isso seria afirmar que todos os homens estão no estado de graça santificante e que nenhum homem está em pecado mortal!
Não, a “caridade” sobre a qual ele escreve pertence a todos os homens: “Por ser um dom recebido por todos, a caridade-na-verdade é uma força que constroi a comunidade, unifica os homens sem impor barreiras nem limites.” (§34). Ele está se referindo ao novo conceito de caridade que ele elaborou em sua primeira encílica, Deus caritas est [N.doT: cf., do Autor, seu comentário à primeira encíclica de Bento XVI, em: http://www.fsspx-brasil.com.br/page 05-7.htm]. Nesta, Bento XVI explicou o “verdadeiro humanismo” da Igreja (Deus caritas est, §§ 9, 30), que pretende ensinar ao homem sua humanidade por meio da superação da distinção entre um amor próprio natural e um amor divino auto-sacrificante, pois “quanto mais os dois (eros e ágape) encontrarem uma unidade conveniente … na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral” (Ibid., §7). O amor é, conseqüentemente, “uma única realidade” (ibid., §8).
Não devemos mais falar de caridade sobrenatural como tal, mas devemos antes dizer que a caridade não conhece essas distinções mas engloba todo amor humano. Daí a definição de caridade na presente encíclica: “a caridade pode ser reconhecida como expressão autêntica de humanidade e como elemento de importância fundamental nas relações humanas” (§ 3). A caridade pertence, então, à humanidade toda, e é característica de todas as boas relações humanas. Isso é naturalismo puro, que equaciona os motivos natural e sobrenatural da caridade fundindo-os num só. Não há, em decorrência disso, nenhuma distinção a ser feita entre o papel sobrenatural da Igreja com respeito a seus próprios membros e um papel muito mais abrangente, mais universal e mais alto que ela tem para com a humanidade toda, e é este que o Papa proclama como sendo a finalidade última dela.
A FINALIDADE MAIS ALTA DA IGREJA
Baseando-se no Vaticano II (Gaudium et spes) e nas encíclicas do Papa Paulo VI (Populorum progressio) e João Paulo II (Sollicitudo rei socialis) sobre o mesmo assunto, ele declara que doravante a Igreja “está a serviço do mundo”—a gente se pergunta o que aconteceu com a declaração bem não-humanista de São João: “Se alguém ama o mundo, não há nele a caridade do Pai” (I Jo 2:15)—e que, conseqüentemente, no que quer que ela faça (e.g. obras de caridade, culto divino), ela “está engajada na promoção do desenvolvimento integral do homem. Ela tem um papel público que não se esgota nas suas atividades de assistência ou de educação, mas revela todas as suas energias a serviço da promoção do homem e da fraternidade universal…” (§11). O objetivo dela, que não se esgota nas suas atividades particulares, deve ser, portanto, o de levar adiante os princípios da Revolução Francesa, seguindo o ideal do naturalismo maçônico. Daí o papel fundamental dela no processo de globalização, como veremos.
NOVO CONCEITO DE VERDADE
A verdade é igualmente redefinida. Não deve mais ser considerada como a correspondência da mente com a realidade exterior e objetiva, e consequentemente como algo fixo, firme, absoluto e imutável. Pelo contrário, a verdade é por sua própria natureza uma comunicação ou partilha com outros, a tal ponto que a pessoa que se fecha em sua própria “verdade”, não importa quão objetiva ele considere que ela é, na realidade se fechou em suas opiniões subjetivas e é impossível que atinja a verdade, pela simples razão de que ele não é capaz de dialogar ou compartilhar opiniões com os outros. Eis a definição de verdade do Papa, fazendo um jogo com a expressão grega para [designar] o Verbo (de Deus): “Com efeito, a verdade é « lógos » que cria « diá-logos » e, conseqüentemente, comunicação e comunhão”. A verdade exige a comunicação com a verdade dos outros. A sentença imediatamente seguinte explica o que ele quer dizer com comunicação, a saber: se uma pessoa não está disposta a abrir mão de suas opiniões pessoais, ela não pode ter a verdade: “A verdade, fazendo sair os homens de suas opiniões e impressões subjetivas, permite-lhes ultrapassar determinações culturais e históricas para se encontrarem na avaliação do valor e substância das coisas” (§4). Sem tal partilha com os outros, não existe verdade, pois o homem está isolado em suas “opiniões subjetivas”. Note-se que não há distinção entre as convicções firmemente possuídas da Fé Católica e outras opiniões firmemente possuídas. Em ambos os casos, não pode haver verdade sem partilha mútua.
É por essa razão que “a missão a serviço da verdade é, para a Igreja, irrenunciável”, e com isso ele quer dizer que “a Igreja procura a verdade” (§9); sim, a missão da Igreja é procurar a verdade (e anunciá-la e reconhecê-la), não ensinar “a” verdade como algo já adquirido. Aqui está a explicação, dada no mesmo parágrafo, de por que o humanismo (= fidelidade ao homem) é a base da missão da Igreja a serviço da verdade: “A fidelidade ao homem exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade e da possibilidade de um desenvolvimento humano integral. É por isso que a Igreja procura a verdade”. Donde a declaração simplesmente extraordinária de que “A verdade liberta a caridade dos estrangulamentos … do fideísmo, que a priva de um horizonte humano e universal” (§3). O fideísmo, anteriormente um termo para indicar a heresia dos que negam o papel da razão, é aqui empregado como um termo pejorativo para descrever aqueles cujas convicções pessoais de Fé impedem que eles se entreguem ao diálogo, e que consequentemente não são capazes de alcançar a verdade, pois eles não têm o desenvolvimento humano necessário para compartilhar.
EVOLUÇÃO DA VERDADE
A contradição com o ensinamento pré-Vaticano II da Igreja é manifesta e óbvia, razão pela qual o Papa sente a necessidade de se justificar. Note-se que ele não nega que os Papas preconciliares dizem coisas diferentes, mas afirma, em vez disso, que “existe um único ensinamento, coerente e simultaneamente sempre novo” (§12). Ele prossegue explicando o que ele quer dizer com essa aparente (e, de fato, real) contradição: novo e antigo ao mesmo tempo. É a perfeita justificativa do liberal, que vive em contradição objetiva consigo mesmo, incoerente com suas próprias conclusões, encontrando a coerência noutra parte que não na verdade objetiva. “Coerência não significa um sistema fechado (entenda-se por isto um sistema de ensinamento tradicional, fechado ao diálogo com o que lhe é exterior): pelo contrário, significa fidelidade dinâmica a uma luz recebida”. A assim chamada continuidade com o passado está, consequentemente, não nos próprios ensinamentos, mas na “luz imutável” que situa os ensinamentos pós-conciliares “dentro da grande corrente da Tradição” (ibid.).
Aqui encontramos claramente declarado o ensinamento da evolução da verdade e da doutrina, tão essencial à heresia do modernismo e tão claramente condenado por São Pio X: “Pois entre os pontos principais da sua doutrina, contam também este, que deduzem da imanência vital: as fórmulas religiosas, para que realmente sejam tais e não só meras especulações da inteligência, precisam ser vitais e viver da mesma vida do sentimento religioso… Procede daí que tais fórmulas, para serem vitais, hão de ser e permanecer adaptadas tanto à fé quanto ao crente. Pelo que, se por qualquer motivo cessar essa adaptação, perdem sua primitiva significação e devem ser mudadas” (Pascendi, §13). Eis o julgamento de São Pio X sobre a evolução da verdade, que deve ser aplicado também à presente encíclica: “Deliram a ponto de perverter o eterno conceito de verdade e o verdadeiro significado da religião” (ibid.).
GLOBALIZAÇÃO
A novidade desta encíclica e seu principal foco prático é sem dúvida a globalização, definida como “a explosão da interdependência mundial” (§33). Em si mesmo, esse fenômeno é descrito pelo Papa como “nem bom nem mau” (§42). Todavia, ele nos encoraja a vê-lo como não somente um processo econômico predeterminado, mas antes a vê-lo num sentido positivo: “Não devemos ser vítimas dela, mas protagonistas” (ibid.). A gente pode se perguntar como é que essa dissolução de fronteiras, essa formação de um maçônico sistema governamental e econômico único, como é que essa destruição do que resta da Cristandade, com sua identidade religiosa e cultural, separada e distinta do paganismo e das religiões falsas, poderia de algum modo ser vista num sentido positivo. A resposta é que, se for abraçada num sentido humanista, essa globalização é uma oportunidade real para o diálogo necessário para o desenvolvimento humano integral, para a caridade na verdade. A globalização é, portanto, verdade: “A verdade da globalização enquanto processo e o seu critério ético fundamental provêm da unidade da família humana e do seu desenvolvimento no bem. Por isso é preciso um empenho sustentado para promover uma orientação cultural personalista e comunitária do processo de integração mundial que seja aberta à transcendência” (ibid.).
A globalização da humanidade é, consequentemente, necessária e boa, algo a “direcionar” e não condenar, desde que esteja centrada na pessoa humana e em sua comunidade, e permita alguma abertura a Deus pela liberdade religiosa. Daí a preocupação da encíclica com a ética da ecologia e o meio ambiente, o uso da energia e o crescimento populacional, a pobreza e o consumismo, a ajuda internacional e o turismo, a democracia e a liberdade religiosa.
DIÁLOGO = DESENVOLVIMENTO HUMANO
No entanto, acima de todas essas considerações está a irmandade universal da humanidade, por conta da qual o homem atingirá seu desenvolvimento humano somente na medida em que ele se relacionar com outros homens diversos. A religião é essencial para tornar conhecida ao homem essa realidade de as relações com os outros serem ao mesmo tempo aquilo que é mais humano nele e aquilo que é transcendente. Todas as religiões fazem isso, mas o cristianismo o faz particularmente bem, por conta de seu foco no amor. Aqui está o texto que a princípio pode parecer obscuro, mas, dado o que passou antes, é na realidade muito claro: “A revelação cristã da unidade do gênero humano pressupõe uma interpretação metafísica do ‘humanum’ na qual a relação seja elemento essencial. Também outras culturas e outras religiões ensinam a fraternidade e a paz, revestindo-se, por isso, de enorme importância para um desenvolvimento humano integral” (§ 55).
Claro que a única revelação cristã que diz respeito à unidade da raça humana é a universalidade do pecado original, suas feridas, e a tríplice concupiscência que dele deriva. Assim também, a natureza humana não é definida de jeito nenhum por relações com outros, mas, sim, por ter um corpo e uma alma imortal capaz de conhecer e amar a Deus, tal como Ele revelou a Si próprio pela Encarnação, e de condenação eterna pela recusa dessa revelação.
Note-se que em todo esse contexto naturalista, o “desenvolvimento humano integral”, que consiste no diálogo com os outros, substituiu a salvação eterna como o objetivo da religião. Quase não espanta que o mesmo parágrafo (55) condene “algumas tradições religiosas e culturais … que ossificam a sociedade em agrupamentos sociais rígidos”, e na mesma linha condene “o fundamentalismo religioso”, não porque é doutrinalmente falso, mas porque “impede o encontro entre as pessoas e a sua colaboração para o progresso da humanidade” (§ 56). Claramente, ele manifesta a intenção de incluir nesta condenação o catolicismo tradicional, com sua separação do espírito do mundo e recusa de dialogar com o erro, a heresia e o paganismo. Se prova ulterior disso fosse ainda necessária, ela se encontra imediatamente em seguida. Depois de declarar que a “razão tem sempre necessidade de ser purificada pela fé”—o que é certamente verdade, pois, sem a verdadeira Fé, a razão costumeiramente cai em erro—, ele prossegue traçando o seguinte paralelo horrendo e chocante: “A religião, por sua vez, precisa sempre ser purificada pela razão, para mostrar o seu rosto autenticamente humano. Qualquer ruptura deste diálogo implica um custo muito gravoso para o desenvolvimento da humanidade” (§ 56). Para nós, é inconcebível e blasfemo afirmar que a verdade divina da religião revelada pode ser corrigida pela falível razão humana. Mas se a verdade é diálogo e a religião não é senão um meio para o desenvolvimento humano integral, então a conclusão se segue logicamente. Mas onde isso deixa a verdadeira Fé e a religião católica? Como uma entre muitas opiniões pessoais.
Sigamos a lógica do Papa um passo adiante. O resultado final da redefinição da fé como diálogo e de religião como desenvolvimento humano é o culto do homem, que se torna ele próprio a finalidade última da fé e razão, da “caridade” e religião. Conseqüentemente, todos aqueles que trabalham pelo bem do homem estão a “corresponder ao projeto divino”, sejam eles crentes ou não! “O diálogo fecundo entre fé e razão … constitui o quadro mais apropriado para incentivar a colaboração fraterna entre crentes e não-crentes em seu compartilhado comprometimento para com a justiça e a paz da humanidade. …Daqui nasce o dever que os crentes têm de unir os seus esforços com todos os homens e mulheres de boa vontade (Se eles estivessem de boa vontade, por que recusam crer na revelação divina?), seguidores de outras religiões e não-crentes, para que este nosso mundo possa efetivamente corresponder ao projeto divino” (§ 57).
Destarte, a moralidade da ajuda internacional não se dá só por ser uma obra de misericórdia corporal, mas porque “oferece uma grande oportunidade para o encontro entre as culturas e os povos” (§ 59). Assim também, a do turismo internacional “capaz de promover verdadeiro conhecimento recíproco… Este gênero de turismo precisa aumentar” (§ 61).
GOVERNO MUNDIAL ÚNICO
A conclusão mais chocante e de mais longo alcance dessa promoção positiva da globalização, em nível humano e cultural ao mesmo tempo que econômico, é o pedido de uma autoridade internacional para a impor legalmente, para fazer valer de modo obrigatório o diálogo entre as economias, culturas, religiões e povos tal como promovido por esse humanismo integral. O Papa de fato pede “uma reforma da Organização das Nações Unidas, bem como das instituições econômicas e da finança internacional, para que seja possível uma real concretização do conceito de família de nações…, um ordenamento político, jurídico e econômico que incremente e guie a colaboração internacional para o desenvolvimento solidário de todos os povos… urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial… [que] deverá gozar de poder efetivo para garantir a todos a segurança…” (§ 67). Isso significa a perda da soberania nacional e de qualquer possibilidade de união entre a Igreja e o Estado. Isso significa o estabelecimento da ordem mundial única que a Maçonaria vem lutando há tanto tempo para alcançar. O Papa Leão XIII descreveu e condenou muito claramente o “propósito último” da Maçonaria, “especificamente, a completa derrubada de toda a ordem religiosa e política do mundo que o ensinamento cristão produziu, e a substituição por um novo estado de coisas de acordo com as suas ideias, das quais as fundações e leis devem ser obtidas do mero naturalismo.” (Humanum genus, §10).
A justificativa religiosa para uma nova ordem mundial, baseada na dignidade humana, fraternidade e igualdade, e levada a cabo pela democracia universal, claro que não é nova. Foi precisamente o sonho humanitário do movimento Sillon, condenado por São Pio X em 1910, por abraçar os princípios da Revolução Francesa.
“Tememos que ainda haja pior: o resultado desta promiscuidade (entenda-se: diálogo) em curso, o beneficiário desta ação social cosmopolita só poderá ser uma democracia que não será nem católica, nem protestante, nem judaica; será uma religião … mais universal do que a Igreja Católica, unindo todos os homens para tornarem-se enfim irmãos e camaradas no ‘Reino de Deus’. – ‘Não trabalhamos pela Igreja, trabalhamos pela humanidade.’ …Perguntamo-Nos, Veneráveis Irmãos, onde foi parar o catolicismo do Sillon? ….já não é mais do que um miserável afluente do grande movimento de apostasia organizada, em todos os países, para o estabelecimento de uma Igreja mundial que não terá nem dogmas, nem hierarquia, nem regra para o espírito, nem freio para as paixões, e que sob o pretexto de liberdade e de dignidade humana, restauraria no mundo … o reino da fraude e da violência legalizadas” (Notre Charge Apostolique, § 40).
Pode nosso julgamento do autoproclamado humanismo do Papa Bento XVI ser diferente? Se ao menos o pudesse. Se ao menos o humanismo dele que não exclui Deus pudesse ter menos de humanismo e mais de uma verdadeira religião centrada em Deus. Porém, não é esse o caso. Se por um lado o Papa condena um “humanismo que exclui Deus [como] … um humanismo desumano” (§ 78), por outro, o seu “humanismo aberto ao Absoluto” é um humanismo humano: isto é, uma filosofia de como o homem pode desenvolver o pleno potencial de sua natureza humana sem a ordem sobrenatural da revelação, graça, obediência e submissão à autoridade. É por essa razão que uma má consciência não é definida como aquela que recusa discernir a vontade de Deus e admitir a culpa por desobedecê-la. Ela é, ao invés disso, “uma consciência já incapaz de reconhecer o humano” (§ 75), consequência bem lógica para quem acredita que a revelação é quando “Deus revela o homem ao homem” (ibid.).
Não podemos deixar de nos perguntar se o Papa Leão XIII teria tido alguma premonição desta época quando escreveu, na versão original de sua prece de exorcismo a São Miguel Arcanjo: “Onde a Sé do Bem-aventurado Pedro e a Cátedra da Verdade foram estabelecidas para ser luz das nações, ali puseram eles o trono da abominação de sua impiedade, para que, uma vez golpeado o Pastor, pudessem também dispersar o rebanho. Portanto, ó vós, imbatível Líder, estai presente com o povo de Deus contra as impiedades espirituais que o atacam; e trazei a ele a vitória.”
Seguramente a oração e a penitência, o amor da Cruz e do sacrifício, o Rosário e os Sacramentos, verdadeiros meios sobrenaturais que são, são a única resposta possível a um tal manifesto público de humanismo, a uma tal aplicação radical dos princípios do igualitarismo e da fraternidade a ponto de fazer a verdade excluir a posse pessoal e particular da verdade, a ponto de fazer a caridade incluir necessariamente a expressão autêntica da humanidade e a irmandade universal do homem.
_____________
PARA CITAR ESTA TRADUÇÃO:
Pe. Peter R. SCOTT, da FSSPX, MANIFESTO HUMANISTA – Um comentário à encíclica Caritas in veritate, trad. br. por F. Coelho, São Paulo, julho de 2009, http://AciesOrdinata.wordpress.com/
FONTE DO ORIGINAL INGLÊS:
“HUMANIST MANIFESTO – A commentary on the encyclical Caritas in veritate”, http://angelqueen.org/forum/viewtopic.php?t=27026
31/07/2009
Jornal Mineiro de Psiquiatria publica tradução deste blogueiro
Saiu na edição de julho de 2009, do Jornal Mineiro de Psiquiatria, uma tradução deste blogueiro de um artigo de Gene Callahan, sobre ciência e pseudo-ciência. Quem se interessar em ler o artigo, clique aqui.
29/07/2009
Um comercial da Igreja Católica: vale a pena assistir
Quem quiser fazer o download do arquivo clique aqui.
Nova Eclesia Dei se manifesta sobre a Missa Tridentina
Importantíssima a carta recebida pelo Sr. Carlos Eduardo Monteiro, católico de Piracicaba, assinada pelo Mons. Guido Pozzo, novo secretário da Eclesia Dei, sobre a celebração da Missa de Sempre. A carta é uma resposta ao Sr. Carlos Eduardo, que em abril deste ano, escreveu à Eclesia Dei a respeito da Missa Tridentina e o Motu Proprio Summorum Pontificum.
A carta-resposta está publicada no Site da Monfort. A pressão está aumentando sobre os modernistas. Deus continua olhando por nós!!
A carta-resposta está publicada no Site da Monfort. A pressão está aumentando sobre os modernistas. Deus continua olhando por nós!!
28/07/2009
A Superstição da Escola
Gilbert Keith Chesterton
É um erro supor que o avanço dos anos traga opiniões retrógradas. Em outras palavras, não é verdade que o aumento dos anos implique no aumento do reacionarismo. Algumas das dificuldades dos tempos recentes são devidas ao otimismo dos velhos revolucionários. Magníficos homens de idade como o revolucionário russo Peter Kropotkin, o poeta Walt Whitman e William Morris foram para o túmulo esperando a Utopia, ainda que não esperassem o Paraíso. Mas a falsidade, como tantas falsidades, é uma versão falsa de uma meia verdade. A verdade, ou meia verdade, não é que os homens devam aprender com a experiência a serem reacionários; mas que eles devam aprender com a experiência a esperarem reações. E quando digo reações, quero dizer reações; devo desculpar-me, na cultura atual, por usar a palavra em seu sentido correto.
Se um menino dispara uma arma, seja numa raposa, num proprietário de terras ou no soberano reinante, ele será repreendido segundo o valor relativo desses objetos. Mas se ele dispara uma arma pela primeira vez, é provável que ele não espere o coice da arma, que ele não espere o forte golpe que ela pode dar-lhe. Ele pode passar a vida atirando nesses e em objetos similares; mas ficará cada vez menos surpreso com coice; isto é, pela reação. Ele pode até dissuadir sua pequena irmã de seis anos de atirar com rifles pesados, usados para matar elefantes; e, assim, dará a impressão de que está se tornando um reacionário. O mesmo princípio se aplica no disparo das grandes armas da revolução. Não é o ideal do homem que muda; não é sua Utopia que se altera; o cínico que diz, “Você esquecerá todo o brilho da lua do idealismo quando envelhecer”, diz o exato oposto da verdade. As dúvidas que chegam com a idade não são sobre o ideal, mas sobre o real. E uma das coisas que é inegavelmente real é a reação; isto é, a probabilidade prática de alguma reversão de direção, e de nosso sucesso parcial em fazer o oposto do pretendido. O que a experiência realmente nos ensina é: que há algo na estrutura e no mecanismo da espécie humana, pelo qual o resultado da ação sobre ela é sempre inesperada, e quase sempre mais complicada do que antecipamos.
Esses são os empecilhos da sociologia; e um deles está relacionado com a Educação. Se você me pergunta se penso que a população, especialmente a sua parte pobre, deve ser reconhecida como composta de cidadãos que podem governar o estado, respondo, com uma voz de trovão, “Sim”. Se você me pergunta se penso que eles devam ter educação, no sentido de uma cultura ampla e uma familiaridade com os clássicos da história, respondo novamente, “Sim”. Mas há, na consecução desse propósito, um tipo de empecilho ou coice que só pode ser descoberto pela experiência e não aparece impresso em papel, como acontece com o coice de uma arma. Mesmo assim, ele é, neste momento crucial, uma parte precipuamente prática de política prática; e, apesar de estar sendo um problema há bastante tempo, ele tem sido, sob condições recentes, um pouco mais enfatizado (se me permitem colorir essas páginas serenas e imparciais com uma sugestão política) de forma a trazer para o front, tantos socialistas altamente respeitáveis e tantas autoridades sindicais tão amplamente respeitadas.
O empecilho é este: que os educados pensam excessivamente em educação. Devo adicionar que os meio-educados consideram a educação como o ideal supremo. Esse não é um fato que apareça na superfície do ideal ou plano social; é o tipo de coisa que só pode ser descoberto pela experiência. Quando disse que desejava que o sentimento popular encontrasse expressão política, falei sobre o sentimento popular, real e autóctone que pode ser encontrado nos meios de transporte de terceira classe, nas festas folclóricas, nas festas nos feriados; e especialmente, claro (para o mais rígido investigador social da verdade), nos bares. Pensei, e ainda penso, que essas pessoas estão certas num vasto número de coisas em que os líderes populares estão errados. O empecilho é que quando uma dessas pessoas começa a “aprimorar-se”, este é exatamente o momento em que começo a duvidar se aquilo é um aprimoramento. Esse indivíduo parece coletar com impressionante velocidade um número de superstições, das quais a mais cega e ignorante pode ser chamada de Superstição da Escola. Ele considera a Escola, não como uma instituição social normal, como o Lar, a Igreja, o Estado; mas como um tipo inteiramente supernormal e milagroso de fábrica moral, em que são fabricados, por mágica, os homens e as mulheres perfeitas. A essa idolatria da Escola ele está pronto a sacrificar o Lar, a História e a Humanidade, com todos seus instintos e possibilidades, imediatamente. A esse ídolo ele fará qualquer sacrifício, especialmente sacrifício humano. E no fundo da mente, especialmente da mente dos melhores homens desse tipo, há quase sempre uma de duas variantes da mesma concepção concentrada: ou “Se não fosse a Escola, eu não teria sido o grande homem que sou agora”, ou “Se eu tivesse freqüentado a Escola, eu seria maior ainda do que sou agora”. Que ninguém diga que estou zombando de pessoas que não tiveram educação; não zombo de sua “deseducação”, mas de sua educação. Que ninguém tome isso como um desprezo pelos meio-educados; desgosto da metade educada. Mas desgosto deles, não porque desgosto da educação, mas porque, dada a filosofia moderna ou a ausência dela, a educação está sendo voltada contra si própria, destruindo o próprio sentido de variedade e proporção que é o objeto da educação.
Ninguém que adora a educação aproveitou o máximo dela; ninguém que sacrifica tudo pela educação é sequer educado. Não preciso mencionar aqui os muitos exemplos recentes dessa monomania, que rapidamente se torna uma perseguição louca, como a absurda perseguição das pessoas que vivem em barcos. O que está errado é o desprezo de um princípio; e o princípio é que sem um gentil desprezo pela educação, nenhuma educação de um gentil-homem está completa.
Uso uma frase casual, casualmente; pois não me preocupo com o gentil-homem, mas com o cidadão. Contudo, há uma meia-verdade histórica no caso da aristocracia; que é, às vezes, um pouco mais fácil para o aristocrata ter esse último toque de cultura, que é uma superioridade em relação à cultura. Contudo, a verdade sobre a qual falo não tem nada a ver com qualquer cultura ou classe especial. Ela já pertenceu a um grande número de camponeses, especialmente quando eram poetas; é isso que dá um tipo de distinção natural a Robert Burns e aos poetas camponeses da Escócia. O poder que a produz mais eficazmente que qualquer linhagem de sangue ou raça é a religião; pois religião pode ser definida como aquilo que coloca em primeiro lugar as coisas primeiras. Robert Burns era justificadamente impaciente com a religião que herdou do calvinismo escocês; mas ele devia algo a essa herança. Sua consideração instintiva dos homens como homens veio de seus ancestrais que se preocupavam ainda mais com a religião do que com a educação. No momento que os homens se preocupam mais com a educação que com a religião, eles começam a se preocupar mais com a ambição do que com a educação. Não é mais um mundo em que as almas são todas iguais perante os céus, mas um mundo em que a mente de cada um é direcionada a atingir vantagens desiguais sobre os outros. Começa a ser pura vaidade ser educado, seja auto-educado ou educado pelo estado. A educação deve ser uma lanterna dada a um homem para explorar tudo, mas muito especialmente as coisas mais distantes dele. A educação tende a ser um holofote que está centrado em si mesmo. Alguns aprimoramentos podem ser feitos, colocando holofotes igualmente luminosos e talvez vulgares nas outras pessoas. Mas a cura final é desligar as luzes da ribalta e deixá-lo perceber as estrelas.
É um erro supor que o avanço dos anos traga opiniões retrógradas. Em outras palavras, não é verdade que o aumento dos anos implique no aumento do reacionarismo. Algumas das dificuldades dos tempos recentes são devidas ao otimismo dos velhos revolucionários. Magníficos homens de idade como o revolucionário russo Peter Kropotkin, o poeta Walt Whitman e William Morris foram para o túmulo esperando a Utopia, ainda que não esperassem o Paraíso. Mas a falsidade, como tantas falsidades, é uma versão falsa de uma meia verdade. A verdade, ou meia verdade, não é que os homens devam aprender com a experiência a serem reacionários; mas que eles devam aprender com a experiência a esperarem reações. E quando digo reações, quero dizer reações; devo desculpar-me, na cultura atual, por usar a palavra em seu sentido correto.
Se um menino dispara uma arma, seja numa raposa, num proprietário de terras ou no soberano reinante, ele será repreendido segundo o valor relativo desses objetos. Mas se ele dispara uma arma pela primeira vez, é provável que ele não espere o coice da arma, que ele não espere o forte golpe que ela pode dar-lhe. Ele pode passar a vida atirando nesses e em objetos similares; mas ficará cada vez menos surpreso com coice; isto é, pela reação. Ele pode até dissuadir sua pequena irmã de seis anos de atirar com rifles pesados, usados para matar elefantes; e, assim, dará a impressão de que está se tornando um reacionário. O mesmo princípio se aplica no disparo das grandes armas da revolução. Não é o ideal do homem que muda; não é sua Utopia que se altera; o cínico que diz, “Você esquecerá todo o brilho da lua do idealismo quando envelhecer”, diz o exato oposto da verdade. As dúvidas que chegam com a idade não são sobre o ideal, mas sobre o real. E uma das coisas que é inegavelmente real é a reação; isto é, a probabilidade prática de alguma reversão de direção, e de nosso sucesso parcial em fazer o oposto do pretendido. O que a experiência realmente nos ensina é: que há algo na estrutura e no mecanismo da espécie humana, pelo qual o resultado da ação sobre ela é sempre inesperada, e quase sempre mais complicada do que antecipamos.
Esses são os empecilhos da sociologia; e um deles está relacionado com a Educação. Se você me pergunta se penso que a população, especialmente a sua parte pobre, deve ser reconhecida como composta de cidadãos que podem governar o estado, respondo, com uma voz de trovão, “Sim”. Se você me pergunta se penso que eles devam ter educação, no sentido de uma cultura ampla e uma familiaridade com os clássicos da história, respondo novamente, “Sim”. Mas há, na consecução desse propósito, um tipo de empecilho ou coice que só pode ser descoberto pela experiência e não aparece impresso em papel, como acontece com o coice de uma arma. Mesmo assim, ele é, neste momento crucial, uma parte precipuamente prática de política prática; e, apesar de estar sendo um problema há bastante tempo, ele tem sido, sob condições recentes, um pouco mais enfatizado (se me permitem colorir essas páginas serenas e imparciais com uma sugestão política) de forma a trazer para o front, tantos socialistas altamente respeitáveis e tantas autoridades sindicais tão amplamente respeitadas.
O empecilho é este: que os educados pensam excessivamente em educação. Devo adicionar que os meio-educados consideram a educação como o ideal supremo. Esse não é um fato que apareça na superfície do ideal ou plano social; é o tipo de coisa que só pode ser descoberto pela experiência. Quando disse que desejava que o sentimento popular encontrasse expressão política, falei sobre o sentimento popular, real e autóctone que pode ser encontrado nos meios de transporte de terceira classe, nas festas folclóricas, nas festas nos feriados; e especialmente, claro (para o mais rígido investigador social da verdade), nos bares. Pensei, e ainda penso, que essas pessoas estão certas num vasto número de coisas em que os líderes populares estão errados. O empecilho é que quando uma dessas pessoas começa a “aprimorar-se”, este é exatamente o momento em que começo a duvidar se aquilo é um aprimoramento. Esse indivíduo parece coletar com impressionante velocidade um número de superstições, das quais a mais cega e ignorante pode ser chamada de Superstição da Escola. Ele considera a Escola, não como uma instituição social normal, como o Lar, a Igreja, o Estado; mas como um tipo inteiramente supernormal e milagroso de fábrica moral, em que são fabricados, por mágica, os homens e as mulheres perfeitas. A essa idolatria da Escola ele está pronto a sacrificar o Lar, a História e a Humanidade, com todos seus instintos e possibilidades, imediatamente. A esse ídolo ele fará qualquer sacrifício, especialmente sacrifício humano. E no fundo da mente, especialmente da mente dos melhores homens desse tipo, há quase sempre uma de duas variantes da mesma concepção concentrada: ou “Se não fosse a Escola, eu não teria sido o grande homem que sou agora”, ou “Se eu tivesse freqüentado a Escola, eu seria maior ainda do que sou agora”. Que ninguém diga que estou zombando de pessoas que não tiveram educação; não zombo de sua “deseducação”, mas de sua educação. Que ninguém tome isso como um desprezo pelos meio-educados; desgosto da metade educada. Mas desgosto deles, não porque desgosto da educação, mas porque, dada a filosofia moderna ou a ausência dela, a educação está sendo voltada contra si própria, destruindo o próprio sentido de variedade e proporção que é o objeto da educação.
Ninguém que adora a educação aproveitou o máximo dela; ninguém que sacrifica tudo pela educação é sequer educado. Não preciso mencionar aqui os muitos exemplos recentes dessa monomania, que rapidamente se torna uma perseguição louca, como a absurda perseguição das pessoas que vivem em barcos. O que está errado é o desprezo de um princípio; e o princípio é que sem um gentil desprezo pela educação, nenhuma educação de um gentil-homem está completa.
Uso uma frase casual, casualmente; pois não me preocupo com o gentil-homem, mas com o cidadão. Contudo, há uma meia-verdade histórica no caso da aristocracia; que é, às vezes, um pouco mais fácil para o aristocrata ter esse último toque de cultura, que é uma superioridade em relação à cultura. Contudo, a verdade sobre a qual falo não tem nada a ver com qualquer cultura ou classe especial. Ela já pertenceu a um grande número de camponeses, especialmente quando eram poetas; é isso que dá um tipo de distinção natural a Robert Burns e aos poetas camponeses da Escócia. O poder que a produz mais eficazmente que qualquer linhagem de sangue ou raça é a religião; pois religião pode ser definida como aquilo que coloca em primeiro lugar as coisas primeiras. Robert Burns era justificadamente impaciente com a religião que herdou do calvinismo escocês; mas ele devia algo a essa herança. Sua consideração instintiva dos homens como homens veio de seus ancestrais que se preocupavam ainda mais com a religião do que com a educação. No momento que os homens se preocupam mais com a educação que com a religião, eles começam a se preocupar mais com a ambição do que com a educação. Não é mais um mundo em que as almas são todas iguais perante os céus, mas um mundo em que a mente de cada um é direcionada a atingir vantagens desiguais sobre os outros. Começa a ser pura vaidade ser educado, seja auto-educado ou educado pelo estado. A educação deve ser uma lanterna dada a um homem para explorar tudo, mas muito especialmente as coisas mais distantes dele. A educação tende a ser um holofote que está centrado em si mesmo. Alguns aprimoramentos podem ser feitos, colocando holofotes igualmente luminosos e talvez vulgares nas outras pessoas. Mas a cura final é desligar as luzes da ribalta e deixá-lo perceber as estrelas.
25/07/2009
Lições das missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XXI
Nota Introdutória: Já disse aqui que o semanário O DOMINGO editado pela Editora Paulus tem pelo menos três folhetos semanais: “Semanário Litúrgico-Catequético”, “Celebração da Missa com Crianças” e “Culto Dominical”. Venho comentando, desde há dois anos, o primeiro folheto, principalmente, mas não só, os artigos finais que são, por suposto, catequéticos. Começo agora a comentar os outros dois folhetos, na medida em que vou encontrando neles os sinais de absurdos, heresias, ignorância e malícia relacionados à Igreja Católica.
Comento O DOMINGO: CULTO DOMINICAL de 12 e de 19/07/2009. Leio no folheto do dia 12, na seção LEMBRETES, na primeira página, logo abaixo de RITOS INICIAIS: “rezar pelos doentes da comunidade; no final da celebração, fazer o ‘envio’, a benção pode ser dada por pessoa idosa ...”. Fico imaginando o que será fazer o “envio”, assim entre aspas mesmo. Não sei porque mas, para mim, tal expressão tem ressonâncias espíritas, mágicas, encantatórias. Rezo para que não seja nada disso. Também não entendo a frase “a benção pode ser dada por pessoa idosa ...”. As reticências são do texto do folheto. O que tem a benção a ver com a idade, e o “envio” a ver com a benção? Ficam as dúvidas, para começar.
Aliás, a primeira duvida é sobre o CULTO propriamente dito. Procurei rapidamente no Denzinger (Edições Loyola, 2007) e nada achei. Todos sabemos que o Vaticano II fundou uma nova era (quase digo uma nova igreja) de participação dos leigos na Liturgia. As palavras dos documentos desse concílio são tão dúbias que podem conter qualquer interpretação. Suspeito que seja por aí que haja o tal CULTO dominical, que tem, para mim, ressonâncias protestantes.
Outra dúvida que assalta-me é a seguinte: quem assiste ao CULTO fica dispensado de assistir à missa? Ou seja, o culto tem validade de Missa?
Há três personagens no teatro do culto: animador, ministro, leitor e assembléia. Não há nem Oração Eucarística nem Consagração. Há o famigerado artigo final; só um.
Tanto o artigo do folheto do dia 12 quando o do dia 19 falam de uma tal 12ª Interclesial, cujo tema é “A Liturgia e o Grito da Amazônia”. O artigo do dia 12 é assinado por Irmã Penha Carpanedo (Congregação Pias Discípulas do Divino Mestre e da Rede Celebra) e o artigo do dia 19 é assinado por Valdecir Luiz Cordeiro (Articulador arquidiocesano da 12º Interclesial de CEB’s).
Pelo que li a respeito, a Interclesial é algo como a Internacional Comunista da Igreja do Vaticano II, no Brasil. Mas, o que são as CEB’s? Leio noutro texto, este no Semanário Litúrgico-Catequético de 12 de julho: “As CEB’s surgiram no Nordeste do Brasil na década de 1960. O Concílio Vaticano II (1962-1965) e sua posterior releitura em Medellín (1968) abriram caminho para que se multiplicassem rapidamente.” Portanto as CEB’s, como a Missa Nova, são filhas diletas do CVII. Nelas há mais comunistas, agitadores, revolucionários do que em qualquer partido comunista. Há mais disso nas CEB’s que no governo Lula.
Ah! Também ficamos sabendo das releituras do CVII. Saibam que nenhum concílio da Igreja jamais admitiu releituras. Imaginem alguém afirmando que depois da releitura do Concílio de Nicéia, Ário foi canonizado e Santo Atanásio foi excomungado? Ou, depois uma grande releitura do Concílio de Trento, Lutero foi considerado um grande exegeta bíblico. Repito: nenhum concílio jamais admitiu nenhuma releitura, pois o que estava escrito não permitia outro entendimento.
O Sr. Valdecir Cordeiro nos conta que, em 1972, “em Santarém é escrita a carta de nascimento da Igreja da Amazônia.” Pois vejam que há uma coisa chamada Igreja da Amazônia. Ela deve ter algo com a Igreja Católica Apostólica Romana, pois, na frase seguinte o Sr. Cordeiro nos diz que “os bispos manifestaram claramente e ‘sua crença e sua esperança no futuro da região’.” Antigamente, pelas informações que tenho, os bispos tinham crença em Deus e a esperança da vida eterna. Parece que o CVII mudou isso também.
A Irmã Penha nos informa que: “Se as CEB’s primam por unir liturgia e vida, trazendo para dentro das celebrações, como memórias pascais, os sinais de vida e de morte presentes no cenário sócio-político e no cotidiano da vida, as celebrações do 12º Intereclesial integrarão, especialmente, o gemido da terra e o anseio da criação inteira por libertação (cf. Romanos 8, 18-23).” Vejam vocês que as CEB’s trazem para dentro das celebrações o cenário sócio-político. Ou seja, ao lado da leitura das Cartas de Paulo, por exemplo, um manifesto de João Pedro Stédile. Ao lado do Evangelho, uma manifestação indigenista. Ao lado da Oração Eucarística, uma oração que venha “do ventre da terra”. Aliás, este é o lema do 12º Intereclesial: “Do ventre da terra o grito que vem da Amazônia”. Nada mais justo: temos a Igreja da Amazônia e sua liturgia que, como diz a irmã, assume o “grande resgate realizado pelo Concílio Vaticano II.”
Mas notem que a irmã cita a carta aos Romanos. O que diz Paulo naqueles versículos assinalados? Diz: “Efetivamente, eu tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória vindoura, que se manifestará em nós. Pelo que este mundo criado espera ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. De fato, o mundo criado foi sujeito à vaidade, não por seu querer, mas pelo daquele que o sujeitou com a esperança de que também o mundo criado será livre da sujeição à corrupção, para participar da liberdade gloriosa dos filhos de Deus. Porque sabemos que todas as criaturas gemem e estão como que com dores de parto até agora. E não só elas, mas também nós mesmos, que temos as primícias do Espírito; também nós gememos dentro de nós mesmos, esperando a adoção de filhos de Deus, a redenção do nosso corpo.” [Os negritos são meus.]
Parece que a irmã está procurando apoio em Paulo. Coitadinha! Vou transcrever aqui, na esperança de que a irmã aprenda algo da exegese católica, o que diz o Pontifício Instituto Bíblico desta passagem: “A criação, tendo recebido o homem como seu rei, foi humilhada por causa da condenação de Adão, que atingiu também toda a natureza. Sujeito à vaidade, isto é, à força da destruição, à lei da morte e a contínuas mudanças. A manifestação dos filhos de Deus se dará no fim dos tempos.”
O que Paulo fala é o seguinte, irmã Penha: nossos sofrimentos aqui são infinitamente menores que as delícias do Paraíso. Este mundo está sujeito à corrupção, não pelo querer de Quem o criou, mas pelo Pecado Original. Não adianta consertar este mundo, ele será sempre lugar da corrupção, da vaidade. Somente no fim dos tempos é que teremos, nós os que temos a esperança da Redenção, nossos corpos tirados da corrupção e a nós devolvidos, pelos méritos de NSJC. O que tem isso a ver com “o gemido da terra e o anseio da criação inteira por libertação”? A senhora está querendo dizer que as árvores da Amazônia anseiam por libertação? A senhora está querendo dizer que a terra geme, ou isso é só uma metáfora? A senhora está querendo ensinar para os fiéis católicos que é possível a libertação aqui e agora? A senhora acredita que a Redenção é para este mundo? Suspeito de que a senhora seja panteísta. Suspeito que a senhora seja uma daquelas que abraça árvores. Suspeito que a senhora ache que isso está ligadíssimo com a Igreja Católica. Tenho a informar-lhe de que isso é heresia pura e simples. Nada há de católico nisso.
De qualquer forma, Jesus nos alertou em relação aos falsos profetas e nos ensinou como identificá-los: “Não pode a boa árvore dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto, será cortada e lançada ao fogo. Portanto, por seus frutos é que conhecereis os homens. Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus.” As CEB’s e esses Intereclesiais são, assumidamente, frutos do CVII. Irmã Penha e o Sr. Cordeiro também.
1. Para fazer download do livro com os primeiros 19 posts sobre a Missa de Paulo VI (e algumas coisas mais) clique aqui.
2. Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI, Parte XVII, Adendo III, Parte XVIII, Parte XIX
_____________
Compre agora o livro, com este e todos os outros comentários, além de alguns apêndices complementares, clicando aqui. Se você quiser ler mais sobre este livro, clique aqui.
_____________
Comento O DOMINGO: CULTO DOMINICAL de 12 e de 19/07/2009. Leio no folheto do dia 12, na seção LEMBRETES, na primeira página, logo abaixo de RITOS INICIAIS: “rezar pelos doentes da comunidade; no final da celebração, fazer o ‘envio’, a benção pode ser dada por pessoa idosa ...”. Fico imaginando o que será fazer o “envio”, assim entre aspas mesmo. Não sei porque mas, para mim, tal expressão tem ressonâncias espíritas, mágicas, encantatórias. Rezo para que não seja nada disso. Também não entendo a frase “a benção pode ser dada por pessoa idosa ...”. As reticências são do texto do folheto. O que tem a benção a ver com a idade, e o “envio” a ver com a benção? Ficam as dúvidas, para começar.
Aliás, a primeira duvida é sobre o CULTO propriamente dito. Procurei rapidamente no Denzinger (Edições Loyola, 2007) e nada achei. Todos sabemos que o Vaticano II fundou uma nova era (quase digo uma nova igreja) de participação dos leigos na Liturgia. As palavras dos documentos desse concílio são tão dúbias que podem conter qualquer interpretação. Suspeito que seja por aí que haja o tal CULTO dominical, que tem, para mim, ressonâncias protestantes.
Outra dúvida que assalta-me é a seguinte: quem assiste ao CULTO fica dispensado de assistir à missa? Ou seja, o culto tem validade de Missa?
Há três personagens no teatro do culto: animador, ministro, leitor e assembléia. Não há nem Oração Eucarística nem Consagração. Há o famigerado artigo final; só um.
Tanto o artigo do folheto do dia 12 quando o do dia 19 falam de uma tal 12ª Interclesial, cujo tema é “A Liturgia e o Grito da Amazônia”. O artigo do dia 12 é assinado por Irmã Penha Carpanedo (Congregação Pias Discípulas do Divino Mestre e da Rede Celebra) e o artigo do dia 19 é assinado por Valdecir Luiz Cordeiro (Articulador arquidiocesano da 12º Interclesial de CEB’s).
Pelo que li a respeito, a Interclesial é algo como a Internacional Comunista da Igreja do Vaticano II, no Brasil. Mas, o que são as CEB’s? Leio noutro texto, este no Semanário Litúrgico-Catequético de 12 de julho: “As CEB’s surgiram no Nordeste do Brasil na década de 1960. O Concílio Vaticano II (1962-1965) e sua posterior releitura em Medellín (1968) abriram caminho para que se multiplicassem rapidamente.” Portanto as CEB’s, como a Missa Nova, são filhas diletas do CVII. Nelas há mais comunistas, agitadores, revolucionários do que em qualquer partido comunista. Há mais disso nas CEB’s que no governo Lula.
Ah! Também ficamos sabendo das releituras do CVII. Saibam que nenhum concílio da Igreja jamais admitiu releituras. Imaginem alguém afirmando que depois da releitura do Concílio de Nicéia, Ário foi canonizado e Santo Atanásio foi excomungado? Ou, depois uma grande releitura do Concílio de Trento, Lutero foi considerado um grande exegeta bíblico. Repito: nenhum concílio jamais admitiu nenhuma releitura, pois o que estava escrito não permitia outro entendimento.
O Sr. Valdecir Cordeiro nos conta que, em 1972, “em Santarém é escrita a carta de nascimento da Igreja da Amazônia.” Pois vejam que há uma coisa chamada Igreja da Amazônia. Ela deve ter algo com a Igreja Católica Apostólica Romana, pois, na frase seguinte o Sr. Cordeiro nos diz que “os bispos manifestaram claramente e ‘sua crença e sua esperança no futuro da região’.” Antigamente, pelas informações que tenho, os bispos tinham crença em Deus e a esperança da vida eterna. Parece que o CVII mudou isso também.
A Irmã Penha nos informa que: “Se as CEB’s primam por unir liturgia e vida, trazendo para dentro das celebrações, como memórias pascais, os sinais de vida e de morte presentes no cenário sócio-político e no cotidiano da vida, as celebrações do 12º Intereclesial integrarão, especialmente, o gemido da terra e o anseio da criação inteira por libertação (cf. Romanos 8, 18-23).” Vejam vocês que as CEB’s trazem para dentro das celebrações o cenário sócio-político. Ou seja, ao lado da leitura das Cartas de Paulo, por exemplo, um manifesto de João Pedro Stédile. Ao lado do Evangelho, uma manifestação indigenista. Ao lado da Oração Eucarística, uma oração que venha “do ventre da terra”. Aliás, este é o lema do 12º Intereclesial: “Do ventre da terra o grito que vem da Amazônia”. Nada mais justo: temos a Igreja da Amazônia e sua liturgia que, como diz a irmã, assume o “grande resgate realizado pelo Concílio Vaticano II.”
Mas notem que a irmã cita a carta aos Romanos. O que diz Paulo naqueles versículos assinalados? Diz: “Efetivamente, eu tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória vindoura, que se manifestará em nós. Pelo que este mundo criado espera ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. De fato, o mundo criado foi sujeito à vaidade, não por seu querer, mas pelo daquele que o sujeitou com a esperança de que também o mundo criado será livre da sujeição à corrupção, para participar da liberdade gloriosa dos filhos de Deus. Porque sabemos que todas as criaturas gemem e estão como que com dores de parto até agora. E não só elas, mas também nós mesmos, que temos as primícias do Espírito; também nós gememos dentro de nós mesmos, esperando a adoção de filhos de Deus, a redenção do nosso corpo.” [Os negritos são meus.]
Parece que a irmã está procurando apoio em Paulo. Coitadinha! Vou transcrever aqui, na esperança de que a irmã aprenda algo da exegese católica, o que diz o Pontifício Instituto Bíblico desta passagem: “A criação, tendo recebido o homem como seu rei, foi humilhada por causa da condenação de Adão, que atingiu também toda a natureza. Sujeito à vaidade, isto é, à força da destruição, à lei da morte e a contínuas mudanças. A manifestação dos filhos de Deus se dará no fim dos tempos.”
O que Paulo fala é o seguinte, irmã Penha: nossos sofrimentos aqui são infinitamente menores que as delícias do Paraíso. Este mundo está sujeito à corrupção, não pelo querer de Quem o criou, mas pelo Pecado Original. Não adianta consertar este mundo, ele será sempre lugar da corrupção, da vaidade. Somente no fim dos tempos é que teremos, nós os que temos a esperança da Redenção, nossos corpos tirados da corrupção e a nós devolvidos, pelos méritos de NSJC. O que tem isso a ver com “o gemido da terra e o anseio da criação inteira por libertação”? A senhora está querendo dizer que as árvores da Amazônia anseiam por libertação? A senhora está querendo dizer que a terra geme, ou isso é só uma metáfora? A senhora está querendo ensinar para os fiéis católicos que é possível a libertação aqui e agora? A senhora acredita que a Redenção é para este mundo? Suspeito de que a senhora seja panteísta. Suspeito que a senhora seja uma daquelas que abraça árvores. Suspeito que a senhora ache que isso está ligadíssimo com a Igreja Católica. Tenho a informar-lhe de que isso é heresia pura e simples. Nada há de católico nisso.
De qualquer forma, Jesus nos alertou em relação aos falsos profetas e nos ensinou como identificá-los: “Não pode a boa árvore dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto, será cortada e lançada ao fogo. Portanto, por seus frutos é que conhecereis os homens. Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus.” As CEB’s e esses Intereclesiais são, assumidamente, frutos do CVII. Irmã Penha e o Sr. Cordeiro também.
1. Para fazer download do livro com os primeiros 19 posts sobre a Missa de Paulo VI (e algumas coisas mais) clique aqui.
2. Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI, Parte XVII, Adendo III, Parte XVIII, Parte XIX
_____________
Compre agora o livro, com este e todos os outros comentários, além de alguns apêndices complementares, clicando aqui. Se você quiser ler mais sobre este livro, clique aqui.
_____________
Marcadores:
Concílio Vaticano II,
Lições das Missas de Paulo VI
20/07/2009
Lições da Missa de Paulo VI: comentários de um católico perplexo
Caros leitores, compilei todas as "Lições das Missas Dominicais Pós-Vaticano II", além de alguns comentários sobre missas não-dominicais e alguns outros comentários pertinentes, e formei um pequeno livro intitulado "Lições da Missa de Paulo VI: comentários de um católico perplexo". Disponilizo-o a quem se interessar, em formato PDF. Para fazer o download clique aqui.
Marcadores:
Lições das Missas de Paulo VI
19/07/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XX
Comento o texto de Pe. Paulo Bazaglia n’O Domingo de 12 de julho de 2009. O título do texto é “Livres para a missão”.
O Evangelho é o Mc 6, 7-13: “Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. (...) Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsaram muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.”
O texto do Pe. Bazaglia diz: “Gratuidade e liberdade são as duas características básicas da evangelização. Na ânsia de pregar o evangelho, por vezes o anúncio se converteu em imposição de doutrinas, quando Jesus nunca impôs nem pediu que os discípulos impusessem nada. Os missionários de Jesus não impõem ensinamentos, mas propõem livremente ao mundo a experiência concreta do que significa ser seguidor de Jesus Cristo.” [Os negritos são meus.]
Pregar o Evangelho, que é a missão de todos os evangelizadores, é ensinar qual é o caminho da Salvação. João Batista pregou a vinda de Cristo: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. Dizia ainda: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir à ira que vos ameaça? (...) O machado já está posto à raiz das árvores. Toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, será cortada e lançada no fogo.” João Batista estava impondo alguma coisa? Não, ele não estava impondo nada. Mas uma coisa que ele também não estava fazendo era “propor livremente ao mundo a experiência concreta ...”.
Vamos ver uma das muitas passagens do Evangelho em que Jesus prega. Vejamos se Ele está propondo “livremente ao mundo a experiência concreta”: “Não julgueis que vim trazer paz a terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora da sua sogra. E os inimigos do homem serão os seus próprios domésticos. O que ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e o que ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. O que não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. O que se prende à sua vida perdê-la-á; e o que perder a sua vida por meu amor, achá-la-á.” Jesus não está impondo nada, não é mesmo? Jesus está dizendo, de forma terrível, que só há um caminho na vida de quem quer a salvação de sua alma. Não se pode dizer que, como quer Pe. Bazaglia, Jesus “propõem livremente ao mundo”. Quem traz a espada a terra, está querendo lutar para a salvação das almas, não está querendo propor livremente coisíssima nenhuma.
Portanto, que fique claro: a missão de pregar o Evangelho está muito longe de ser o que o Pe. Bazaglia pensa que ela é. Além disso, no trecho transcrito vê-se a noção de liberdade usada de duas formas. A primeira é quando o padre diz que a liberdade é uma das características básicas da evangelização. Ora, precisamos perguntar: o que ele quer dizer com isso? Que o pregador há de ter liberdade para pregar? Que o ouvinte há de ter liberdade para aceitar ou não a pregação? Ou que devemos ser indiferentes se o ouvinte aceita ou não nossa pregação? Depois ele diz que os missionários de Jesus devem propor livremente ao mundo ... Novamente fica a dúvida. Propor livremente é propor sem esperança de que a proposição seja aceita ou é considerar que mesmo assim, estaremos todos salvos ao final dos tempos?
Por trás desse trecho, se esconde, todos já devem ter percebido, o veneno do relativismo religioso do Vaticano II. Propomos nosso catolicismo, mas quem não o aceitar pode ficar tranqüilo, pois no final tudo estará bem. Todos os caminhos levam a Deus, não é assim Pe. Bazaglia?
O que dizer da alusão do Pe. Bazaglia à “ânsia de pregar o evangelho” e à “imposição de doutrinas”? Quando foi isso, padre? Não pense que nós desconheçamos a respeito do que o senhor está falando. A sua mente, padre, é povoada de coisas terríveis: a Idade Média, a Inquisição, as Cruzadas, O Sillabus de Pio IX, o Lamentabili de São Pio X etc. Essa Igreja medieval que existia antes do Concílio Vaticano II é a que tinha “ânsia de pregar o evangelho”, que “impunha doutrinas”. A nova igreja – ainda bem que o senhor admite que vocês fundaram uma nova igreja – não impõe nada, só propõe. Quem quiser aceitar, muito que bem. Quem não quiser, não precisa se preocupar. Essa é a sua lição para nós, padre, bem o sabemos!
Mais adiante no texto, encontramos um comentário sobre a unção dos enfermos: “A unção com óleo, que desde o início se fazia nos enfermos, para além de um rito sacramental, expressa todo o amor de missionários que doam a própria vida pela vida do mundo.”
O sacramento da Unção dos Enfermos tem origem em Tg 5, 14-15: “Está entre vós algum enfermo? Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam orações sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor; a oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o aliviará; se estiver com pecados, ser-lhe-ão perdoados.” Diz o “Decreto para os armênios” (DZ 1310): os sacramentos “não apenas contêm em si a graça, como também a comunicam a quem os recebe dignamente”. Sacramento é poder de Deus exercido e comunicado, em Seu Nome, pelo Bispo ou padre. Nada há, além disso. Não é amor de missionários, é amor de Deus. Não é amor de Deus ao mundo, é amor de Deus a nós.
Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI, Parte XVII, Adendo III, Parte XVIII, Parte XIX
___________________
Compre agora o livro, com este e todos os outros comentários, além de alguns apêndices complementares, clicando aqui. Se você quiser ler mais sobre este livro, clique aqui.
___________________
O Evangelho é o Mc 6, 7-13: “Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. (...) Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsaram muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.”
O texto do Pe. Bazaglia diz: “Gratuidade e liberdade são as duas características básicas da evangelização. Na ânsia de pregar o evangelho, por vezes o anúncio se converteu em imposição de doutrinas, quando Jesus nunca impôs nem pediu que os discípulos impusessem nada. Os missionários de Jesus não impõem ensinamentos, mas propõem livremente ao mundo a experiência concreta do que significa ser seguidor de Jesus Cristo.” [Os negritos são meus.]
Pregar o Evangelho, que é a missão de todos os evangelizadores, é ensinar qual é o caminho da Salvação. João Batista pregou a vinda de Cristo: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. Dizia ainda: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir à ira que vos ameaça? (...) O machado já está posto à raiz das árvores. Toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, será cortada e lançada no fogo.” João Batista estava impondo alguma coisa? Não, ele não estava impondo nada. Mas uma coisa que ele também não estava fazendo era “propor livremente ao mundo a experiência concreta ...”.
Vamos ver uma das muitas passagens do Evangelho em que Jesus prega. Vejamos se Ele está propondo “livremente ao mundo a experiência concreta”: “Não julgueis que vim trazer paz a terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora da sua sogra. E os inimigos do homem serão os seus próprios domésticos. O que ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e o que ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. O que não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. O que se prende à sua vida perdê-la-á; e o que perder a sua vida por meu amor, achá-la-á.” Jesus não está impondo nada, não é mesmo? Jesus está dizendo, de forma terrível, que só há um caminho na vida de quem quer a salvação de sua alma. Não se pode dizer que, como quer Pe. Bazaglia, Jesus “propõem livremente ao mundo”. Quem traz a espada a terra, está querendo lutar para a salvação das almas, não está querendo propor livremente coisíssima nenhuma.
Portanto, que fique claro: a missão de pregar o Evangelho está muito longe de ser o que o Pe. Bazaglia pensa que ela é. Além disso, no trecho transcrito vê-se a noção de liberdade usada de duas formas. A primeira é quando o padre diz que a liberdade é uma das características básicas da evangelização. Ora, precisamos perguntar: o que ele quer dizer com isso? Que o pregador há de ter liberdade para pregar? Que o ouvinte há de ter liberdade para aceitar ou não a pregação? Ou que devemos ser indiferentes se o ouvinte aceita ou não nossa pregação? Depois ele diz que os missionários de Jesus devem propor livremente ao mundo ... Novamente fica a dúvida. Propor livremente é propor sem esperança de que a proposição seja aceita ou é considerar que mesmo assim, estaremos todos salvos ao final dos tempos?
Por trás desse trecho, se esconde, todos já devem ter percebido, o veneno do relativismo religioso do Vaticano II. Propomos nosso catolicismo, mas quem não o aceitar pode ficar tranqüilo, pois no final tudo estará bem. Todos os caminhos levam a Deus, não é assim Pe. Bazaglia?
O que dizer da alusão do Pe. Bazaglia à “ânsia de pregar o evangelho” e à “imposição de doutrinas”? Quando foi isso, padre? Não pense que nós desconheçamos a respeito do que o senhor está falando. A sua mente, padre, é povoada de coisas terríveis: a Idade Média, a Inquisição, as Cruzadas, O Sillabus de Pio IX, o Lamentabili de São Pio X etc. Essa Igreja medieval que existia antes do Concílio Vaticano II é a que tinha “ânsia de pregar o evangelho”, que “impunha doutrinas”. A nova igreja – ainda bem que o senhor admite que vocês fundaram uma nova igreja – não impõe nada, só propõe. Quem quiser aceitar, muito que bem. Quem não quiser, não precisa se preocupar. Essa é a sua lição para nós, padre, bem o sabemos!
Mais adiante no texto, encontramos um comentário sobre a unção dos enfermos: “A unção com óleo, que desde o início se fazia nos enfermos, para além de um rito sacramental, expressa todo o amor de missionários que doam a própria vida pela vida do mundo.”
O sacramento da Unção dos Enfermos tem origem em Tg 5, 14-15: “Está entre vós algum enfermo? Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam orações sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor; a oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o aliviará; se estiver com pecados, ser-lhe-ão perdoados.” Diz o “Decreto para os armênios” (DZ 1310): os sacramentos “não apenas contêm em si a graça, como também a comunicam a quem os recebe dignamente”. Sacramento é poder de Deus exercido e comunicado, em Seu Nome, pelo Bispo ou padre. Nada há, além disso. Não é amor de missionários, é amor de Deus. Não é amor de Deus ao mundo, é amor de Deus a nós.
Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI, Parte XVII, Adendo III, Parte XVIII, Parte XIX
___________________
Compre agora o livro, com este e todos os outros comentários, além de alguns apêndices complementares, clicando aqui. Se você quiser ler mais sobre este livro, clique aqui.
___________________
Marcadores:
Concílio Vaticano II,
Lições das Missas de Paulo VI
18/07/2009
CAMPANHA NACIONAL UM BUQUÊ DE ROSÁRIOS PELA MISSA TRIDENTINA
Está terminada a Campanha Nacional Um Buquê de Rosários pela Missa Tridentina, realizada pelo website Missa Tridentina [http://www.missatridentina.com.br] . O resultado foi de 9012 terços. Agora, a equipe do site convida seus leitores a contribuirem para que este buquê seja enviado ao maior número de bispos possível. Participe!
Maiores informações, acesse www.missatridentina.com.br
Maiores informações, acesse www.missatridentina.com.br
16/07/2009
Semanário Litúrgico O DOMINGO
Este blog sofisticou-se tremendamente. Dispõe agora não só do nosso conhecido “Semanário Litúrgico-Catequético O DOMINGO”, mas também do folheto “Celebração da Missa com Crianças O DOMINGO” e “Semanário Litúrgico para Celebração da Palavra: Culto Dominical – O DOMINGO”.
A impressão que dá é que esses folhetos reproduzem-se como coelhos e este pobre blogueiro agora os adquire com antecedência – sim, muito espertamente eu descobri que posso ir a uma livraria da Editora Paulus e comprá-los aos magotes. Preparem-se para a emocionante viagem aos folhetos dominicais da Igreja Católica pós-CVII.
Alguma coisa já se pode notar de estarrecedor: o que vem a ser CULTO DOMINICAL, para merecer um folheto específico? Lembro-me que, na minha infância, uma tia minha, que era protestante, dizia que ia ao culto dominical em sua igreja. Pela passada d’olhos que dei, deve ser muito parecido mesmo com um culto protestante. Não tem Consagração, mas tem comunhão. Não tem padre celebrando. O celebrante é o tal ministro, que no final da celebração dá a benção em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ah!, sim, há os famigerados textos (digamos, opinativos) que conseguem, meu Deus!, ser piores que os do Semanário Litúrgico-Catequético. Aguardem os comentários deste blog a respeito dessa família de folhetos que não para de crescer.
Outra notícia que dou é que organizei os comentários que fiz sobre as Missas de Paulo VI, sobre os livros da Coleção Patrística da Editora Paulus e sobre exegese bíblica. Compre agora o livro clicando aqui. Se você quiser ler mais sobre este livro, clique aqui.
A impressão que dá é que esses folhetos reproduzem-se como coelhos e este pobre blogueiro agora os adquire com antecedência – sim, muito espertamente eu descobri que posso ir a uma livraria da Editora Paulus e comprá-los aos magotes. Preparem-se para a emocionante viagem aos folhetos dominicais da Igreja Católica pós-CVII.
Alguma coisa já se pode notar de estarrecedor: o que vem a ser CULTO DOMINICAL, para merecer um folheto específico? Lembro-me que, na minha infância, uma tia minha, que era protestante, dizia que ia ao culto dominical em sua igreja. Pela passada d’olhos que dei, deve ser muito parecido mesmo com um culto protestante. Não tem Consagração, mas tem comunhão. Não tem padre celebrando. O celebrante é o tal ministro, que no final da celebração dá a benção em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ah!, sim, há os famigerados textos (digamos, opinativos) que conseguem, meu Deus!, ser piores que os do Semanário Litúrgico-Catequético. Aguardem os comentários deste blog a respeito dessa família de folhetos que não para de crescer.
Outra notícia que dou é que organizei os comentários que fiz sobre as Missas de Paulo VI, sobre os livros da Coleção Patrística da Editora Paulus e sobre exegese bíblica. Compre agora o livro clicando aqui. Se você quiser ler mais sobre este livro, clique aqui.
Marcadores:
Concílio Vaticano II
09/07/2009
Economia e catolicismo
A última encíclica de Bento XVI, por tratar equivocadamente de assuntos econômicos, fez surgir certa estupefação geral sobre como a Igreja, em seu Magistério Ordinário trata a questão econômica. De um lado há a Teologia da Libertação, que fez tão mal aos católicos neste aspecto, e de outro há o liberalismo, que não é apenas uma teoria econômica, mas todo um sistema de visão de mundo, que faz com que, hoje, muito poucos de nós católicos saibamos como tratar assuntos econômicos sob a ótica do catolicismo.
Acho que há cinco documentos preciosos sobre economia e catolicismo e um site que devemos consultar. Os dois primeiros documentos são as encíclicas Rerum novarum e Quadragesimo anno. Os três outros documentos são livros: um de Chesterton (The outline of sanity), um de Belloc (The servile state) e o outro de Corção sobre Chesterton (Três alqueires e uma vaca), na sua parte final. Irei traduzir os dois primeiros livros, se Deus me der essa oportunidade.
O site é o anti-liberal Contraimpugnantes que tem extraordinários textos de Sidney Silveira e Carlos Nougué criticando dura, mas justamente, o liberalismo econômico e nos dando uma perspectiva católica da economia.
Aqui no blog, talvez valesse a pena dar uma olhada na série de posts sobre o ensinamento tradicional da Igreja sobre economia: Corporação Cristã: a verdadeira Escola de Salamanca - Parte VII (cito o último dos artigos porque ele contém os links para os outros).
Ser católico nunca foi fácil e agora não é exceção. Para desmontar falácias temos de estudar muito, mas sobretudo rezar muito para que o Espírito Santo nos ilumine.
Santo Tomás de Aquino, rogai por nós.
Acho que há cinco documentos preciosos sobre economia e catolicismo e um site que devemos consultar. Os dois primeiros documentos são as encíclicas Rerum novarum e Quadragesimo anno. Os três outros documentos são livros: um de Chesterton (The outline of sanity), um de Belloc (The servile state) e o outro de Corção sobre Chesterton (Três alqueires e uma vaca), na sua parte final. Irei traduzir os dois primeiros livros, se Deus me der essa oportunidade.
O site é o anti-liberal Contraimpugnantes que tem extraordinários textos de Sidney Silveira e Carlos Nougué criticando dura, mas justamente, o liberalismo econômico e nos dando uma perspectiva católica da economia.
Aqui no blog, talvez valesse a pena dar uma olhada na série de posts sobre o ensinamento tradicional da Igreja sobre economia: Corporação Cristã: a verdadeira Escola de Salamanca - Parte VII (cito o último dos artigos porque ele contém os links para os outros).
Ser católico nunca foi fácil e agora não é exceção. Para desmontar falácias temos de estudar muito, mas sobretudo rezar muito para que o Espírito Santo nos ilumine.
Santo Tomás de Aquino, rogai por nós.
Marcadores:
Economia e Catolicismo
08/07/2009
Caritas in veritate: que Deus olhe por nós!
Ai, meu Deus! Foi com grande peso no coração que li, muito rapidamente, a Caritas in veritate.
Meu primeiro impulso foi ficar calado, mudo. Mas alguns leitores me perguntam sobre a encíclica. O que dizer? Que ela mostra com clareza a profunda crise que a Igreja atravessa. Que ela mostra com clareza o quanto o modernismo foi deletério para a Igreja. O quanto ele continua sendo um instrumento do demônio.
Bento XVI diz: “Passados outros vinte anos, exprimo a minha convicção de que a Populorum progressio merece ser considerada como « a Rerum novarum da época contemporânea », que ilumina o caminho da humanidade em vias de unificação.”
Meu Deus! Como comparar a Rerum Novarum com a Populorum progressio? Façam apenas um exercício. Procurem quantas vezes ocorre a palavra comunismo na Populorum progressio. Ela foi escrita em 1967, quando o mundo já sabia de todo o poder assassínio do comunismo. Quando ele já tinha matado milhões de pessoas no mundo em tempos de paz. Compare com a Rerum Novarum e sua devastadora condenação do comunismo, que naquela época (1891) estava ainda em potência, e não em ato.
Depois de escolher a encíclica de Paulo VI em detrimento a de Leão XIII como modelo, a coisa desandou muito. Aliás, já na destinação da carta, é dito AOS HOMENS DE BOA VONTADE, coisa totalmente estranha à Tradição da Igreja, que virou moda depois do Concílio Vaticano II. Diga-se que essa destinação não aparece nem na Deus caritas est e nem na Spe salvi.
Daí para a defesa da liberdade religiosa foi um pulo. Todo o parágrafo 29 é sobre o tema. Sinto dizer, mas defender a liberdade religiosa é de duas uma: ou não se acredita que a Igreja é o único caminho da salvação, ou se está defendendo que as pessoas tenham a liberdade de perder suas almas.
Depois vem todo um interminável equívoco sobre economia, ambientalismo e, finalmente, para pasmo geral, a defesa de um governo mundial “o governo da globalização deve ser de tipo subsidiário, articulado segundo vários e diferenciados níveis que colaborem reciprocamente. A globalização tem necessidade, sem dúvida, de autoridade, enquanto põe o problema de um bem comum global a alcançar; mas tal autoridade deverá ser organizada de modo subsidiário e poliárquico[138], seja para não lesar a liberdade, seja para resultar concretamente eficaz.”
Há também coisas altamente confusas e até contraditórias, como esta: “Segundo os crentes, o mundo não é fruto do acaso nem da necessidade, mas de um projeto de Deus. Daqui nasce o dever que os crentes têm de unir os seus esforços com todos os homens e mulheres de boa vontade de outras religiões ou não crentes, para que este nosso mundo corresponda efetivamente ao projeto divino: viver como uma família, sob o olhar do seu Criador.”
Nossa Senhora, auxílio dos cristãos, rogai por nós!
Meu primeiro impulso foi ficar calado, mudo. Mas alguns leitores me perguntam sobre a encíclica. O que dizer? Que ela mostra com clareza a profunda crise que a Igreja atravessa. Que ela mostra com clareza o quanto o modernismo foi deletério para a Igreja. O quanto ele continua sendo um instrumento do demônio.
Bento XVI diz: “Passados outros vinte anos, exprimo a minha convicção de que a Populorum progressio merece ser considerada como « a Rerum novarum da época contemporânea », que ilumina o caminho da humanidade em vias de unificação.”
Meu Deus! Como comparar a Rerum Novarum com a Populorum progressio? Façam apenas um exercício. Procurem quantas vezes ocorre a palavra comunismo na Populorum progressio. Ela foi escrita em 1967, quando o mundo já sabia de todo o poder assassínio do comunismo. Quando ele já tinha matado milhões de pessoas no mundo em tempos de paz. Compare com a Rerum Novarum e sua devastadora condenação do comunismo, que naquela época (1891) estava ainda em potência, e não em ato.
Depois de escolher a encíclica de Paulo VI em detrimento a de Leão XIII como modelo, a coisa desandou muito. Aliás, já na destinação da carta, é dito AOS HOMENS DE BOA VONTADE, coisa totalmente estranha à Tradição da Igreja, que virou moda depois do Concílio Vaticano II. Diga-se que essa destinação não aparece nem na Deus caritas est e nem na Spe salvi.
Daí para a defesa da liberdade religiosa foi um pulo. Todo o parágrafo 29 é sobre o tema. Sinto dizer, mas defender a liberdade religiosa é de duas uma: ou não se acredita que a Igreja é o único caminho da salvação, ou se está defendendo que as pessoas tenham a liberdade de perder suas almas.
Depois vem todo um interminável equívoco sobre economia, ambientalismo e, finalmente, para pasmo geral, a defesa de um governo mundial “o governo da globalização deve ser de tipo subsidiário, articulado segundo vários e diferenciados níveis que colaborem reciprocamente. A globalização tem necessidade, sem dúvida, de autoridade, enquanto põe o problema de um bem comum global a alcançar; mas tal autoridade deverá ser organizada de modo subsidiário e poliárquico[138], seja para não lesar a liberdade, seja para resultar concretamente eficaz.”
Há também coisas altamente confusas e até contraditórias, como esta: “Segundo os crentes, o mundo não é fruto do acaso nem da necessidade, mas de um projeto de Deus. Daqui nasce o dever que os crentes têm de unir os seus esforços com todos os homens e mulheres de boa vontade de outras religiões ou não crentes, para que este nosso mundo corresponda efetivamente ao projeto divino: viver como uma família, sob o olhar do seu Criador.”
Nossa Senhora, auxílio dos cristãos, rogai por nós!
03/07/2009
Motu Proprio, Limeira, verdades e mentiras
Um anônimo coloca um comentário (em caixa alta) no post Católicos da Diocese de Limeira apóiam o Papa. Por conter equívocos de várias ordens, vai merecer uma resposta geral. Diz o anônimo:
“EU PENSO QUE TODAS ESSAS BRIGAS PELA INTERNET SÃO DESCENESSÁRIAS. NO CASO LIMEIRA FIQUEI SABENDO QUE SÃO APENAS ALGUMAS PESSOAS QUE FAZEM ESSA AGITAÇÃO. DA FORMA QUE DIZEM, DÁ A IMPRESSAO DE QUE O POVO DA DIOCESE ESTÁ PEDINDO ESSA MISSA, E NA VERDADE NÃO É.”
Você ficou sabendo como? Você é de Limeira? Você verificou a situação lá ou ouviu alguém falar, ou pior, “internetar”?
Ele continua: DEPOIS, SERIA BOM ESTUDAR MELHOR E MAIS ATENTAMENTE O MOTU PROPRIO DO PAPA, E VER QUE ELE AFIRMA QUE A FORMA ORDINÁRIA DE SE CELEBRAR A MISSA É A DO MISSAL DE PAULO VI, MAS QUE A OUTRA PODE SER CELEBRADA.
Vamos estudar o Motu Proprio. Ele diz, em seu artigo 5º, §1º:
“Em paróquias onde um grupo de fiéis aderidos à prévia tradição litúrgica existe de maneira estável, que o pároco aceite seus pedidos para a celebração da Santa Missa de acordo ao rito do Missal Romano publicado em 1962. Que o pároco vigie que o bem destes fiéis esteja harmoniosamente reconciliado com o cuidado pastoral ordinário da paróquia, sob o governo do Bispo e segundo o Canon 392, evitando discórdias e promovendo a unidade de toda a Igreja.”
Mais adiante, no art. 7, o documento diz:
“Art. 7. Onde um grupo de fiéis laicos, mencionados no art. 5§1 não obtém o que solicita do pároco, deve informar ao Bispo diocesano do fato. Ao Bispo lhe solicita seriamente aceder a seu desejo. Se não puder prover este tipo de celebração, que o assunto seja referido à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.”
Ou seja, lendo o documento, depreendemos: Se existe um grupo de católicos querendo a Missa no Rito Romano Tridentino, não é matéria para aprovação ou não. Se a coisa não se resolver com o Bispo, a Ecclesia Dei deve ser acionada, para que haja a Missa e não para resolver se ela vai existir ou não!
Continua: É LAMENTÁVEL QUE MUITOS GRUPOS CAEM EM UMA POSTURA TÃO RADICAL,
Radical se diz de quem vai à raiz do problema. Nisso você tem razão: o bravo pessoal de Limeira foi à raiz do problema. Eles têm direito de ter a Missa Tridentina lá.
Aduz: DANDO A IPRESSÃO DE QUE O VATICANO II É COISA DO DIABO OU ALGO ASSIM DO MAL. NADA DISSO. PRA QUERER A MISSA DE SEMPRE SERÁ QUE É PRECISO SER INIMIGO DA IGREJA DO VATICANO II, APOIADA PELO PAPA, E AINDA MAIS SERÁ QUE É PRECISO DEPRECIAR TANTO ASSIM A IMAGEM DE NOSSOS BISPOS E SACERDOTES SÓ PORQUE NÃO SE IDENTIFICAM MUITO COM A FORMA ANTIGA DE SE CELEBRAR E PREFEREM A FORMA ORDINÁRIA, SEGUNDO O SANTO PADRE?
Deixa eu te dizer o que o Papa realmente pensa da Missa Nova. Ele não pode dizer isso que vai abaixo como Papa, mas disse como Cardeal, e está em seu livro “Lembranças de Minha Vida”, edições Paulinas. Falando sobre o Missal de Paulo VI, diz: “Mas fiquei consternado pela proibição do missal antigo, pois algo semelhante nunca tinha acontecido em toda a história da liturgia. Tinha-se a impressão de que isso era uma coisa perfeitamente normal. (...) Mas a verdade histórica é outra. (...) Muitos de seus sucessores [de Pio V] tinham novamente trabalho esse Missal [Missale Romanum], sem jamais opor um missal novo a um anterior. (...) Porém, a proibição agora decretada, do missal que se tinha desenvolvido continuamente através de todos os séculos, desde os manuais para os sacramentos na Igreja antiga, causou na história da liturgia uma ruptura cujas conseqüências só podiam ser trágicas. Uma revisão do missal tinha sentido e tinha sido determinada com razão pelo Concílio. Mas agora aconteceu mais: o edifício antigo foi derrubado e construiu-se outro. (...) Estou convencido de que a crise da Igreja, pela qual passamos hoje, é causada em grande parte pela decadência da liturgia, que às vezes até é concebida de uma maneira etsi Deus non daretur [como se Deus não existisse], isto é, que nela não importa mais se Deus existe e se ele nos fala e nos escuta. Aí a comunidade ainda celebra somente a si mesma, mas isso não vale a pena.” [Os negritos são meus.]
Leia isso, amigo anônimo e pare de falar sobre coisas que você não conhece. A posição de Bento XVI é muito clara com relação à Missa de Paulo VI. O texto acima não deixa nenhuma dúvida. Vou resumir para você: a Missa de Paulo VI é concebida etsi Deus non daretur e isso não vale a pena.
Ele agora fica bravo: GENTE, VAM0S PARAR COM ISSO... A ÉPOCA DE CAÇA ÀS BRUXAR JÁ FOI.
Enquanto houver bruxas, a época da caça às bruxas não pode passar!
De novo Limeira: LÁ EM LIMEIRA POR QUE NÃO SE REUNIR COM OS PADRES E BISPOS E DISCUTIR ISSO. COM CERTEZA HAVERIA UMA SOLUÇÃO MENOS TRAUMÁTICA...
Lá em Limeira ... Portanto, você não é de Limeira. Você sabe o que ocorreu lá? Se houve reunião? Não seja leviano, rapaz!
Fala bobagem: A IGREJA ACOLHE TODOS. É UM MESMO RITO, CELEBRADO DE MANEIRA DIFERENTE. É O MESMO RITO ROMANO, CONFORME O PAPA.
Conforme o Papa: a Missa de Paulo VI não vale a pena.
Fala sem saber: AS DUAS SÃO RIQUÍCIMAS EM TUDO O QUE SÃO COMO ATUALIZAÇÃO DO MEMORIAL DA PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO DO SENHOR.
A Missa Tridentina celebra o Sacrifício da Cruz, o memorial fica por conta da Missa Nova. Uma é rica, a outra é pobre. E note que não estou afirmando que a Missa de Paulo VI não seja válida. É apenas infinitamente mais pobre.
Quando quiser falar sobre uma coisa, amigo, procure se informar primeiro, para que não se cometa leviandade. Que Deus te abençoe.
“EU PENSO QUE TODAS ESSAS BRIGAS PELA INTERNET SÃO DESCENESSÁRIAS. NO CASO LIMEIRA FIQUEI SABENDO QUE SÃO APENAS ALGUMAS PESSOAS QUE FAZEM ESSA AGITAÇÃO. DA FORMA QUE DIZEM, DÁ A IMPRESSAO DE QUE O POVO DA DIOCESE ESTÁ PEDINDO ESSA MISSA, E NA VERDADE NÃO É.”
Você ficou sabendo como? Você é de Limeira? Você verificou a situação lá ou ouviu alguém falar, ou pior, “internetar”?
Ele continua: DEPOIS, SERIA BOM ESTUDAR MELHOR E MAIS ATENTAMENTE O MOTU PROPRIO DO PAPA, E VER QUE ELE AFIRMA QUE A FORMA ORDINÁRIA DE SE CELEBRAR A MISSA É A DO MISSAL DE PAULO VI, MAS QUE A OUTRA PODE SER CELEBRADA.
Vamos estudar o Motu Proprio. Ele diz, em seu artigo 5º, §1º:
“Em paróquias onde um grupo de fiéis aderidos à prévia tradição litúrgica existe de maneira estável, que o pároco aceite seus pedidos para a celebração da Santa Missa de acordo ao rito do Missal Romano publicado em 1962. Que o pároco vigie que o bem destes fiéis esteja harmoniosamente reconciliado com o cuidado pastoral ordinário da paróquia, sob o governo do Bispo e segundo o Canon 392, evitando discórdias e promovendo a unidade de toda a Igreja.”
Mais adiante, no art. 7, o documento diz:
“Art. 7. Onde um grupo de fiéis laicos, mencionados no art. 5§1 não obtém o que solicita do pároco, deve informar ao Bispo diocesano do fato. Ao Bispo lhe solicita seriamente aceder a seu desejo. Se não puder prover este tipo de celebração, que o assunto seja referido à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.”
Ou seja, lendo o documento, depreendemos: Se existe um grupo de católicos querendo a Missa no Rito Romano Tridentino, não é matéria para aprovação ou não. Se a coisa não se resolver com o Bispo, a Ecclesia Dei deve ser acionada, para que haja a Missa e não para resolver se ela vai existir ou não!
Continua: É LAMENTÁVEL QUE MUITOS GRUPOS CAEM EM UMA POSTURA TÃO RADICAL,
Radical se diz de quem vai à raiz do problema. Nisso você tem razão: o bravo pessoal de Limeira foi à raiz do problema. Eles têm direito de ter a Missa Tridentina lá.
Aduz: DANDO A IPRESSÃO DE QUE O VATICANO II É COISA DO DIABO OU ALGO ASSIM DO MAL. NADA DISSO. PRA QUERER A MISSA DE SEMPRE SERÁ QUE É PRECISO SER INIMIGO DA IGREJA DO VATICANO II, APOIADA PELO PAPA, E AINDA MAIS SERÁ QUE É PRECISO DEPRECIAR TANTO ASSIM A IMAGEM DE NOSSOS BISPOS E SACERDOTES SÓ PORQUE NÃO SE IDENTIFICAM MUITO COM A FORMA ANTIGA DE SE CELEBRAR E PREFEREM A FORMA ORDINÁRIA, SEGUNDO O SANTO PADRE?
Deixa eu te dizer o que o Papa realmente pensa da Missa Nova. Ele não pode dizer isso que vai abaixo como Papa, mas disse como Cardeal, e está em seu livro “Lembranças de Minha Vida”, edições Paulinas. Falando sobre o Missal de Paulo VI, diz: “Mas fiquei consternado pela proibição do missal antigo, pois algo semelhante nunca tinha acontecido em toda a história da liturgia. Tinha-se a impressão de que isso era uma coisa perfeitamente normal. (...) Mas a verdade histórica é outra. (...) Muitos de seus sucessores [de Pio V] tinham novamente trabalho esse Missal [Missale Romanum], sem jamais opor um missal novo a um anterior. (...) Porém, a proibição agora decretada, do missal que se tinha desenvolvido continuamente através de todos os séculos, desde os manuais para os sacramentos na Igreja antiga, causou na história da liturgia uma ruptura cujas conseqüências só podiam ser trágicas. Uma revisão do missal tinha sentido e tinha sido determinada com razão pelo Concílio. Mas agora aconteceu mais: o edifício antigo foi derrubado e construiu-se outro. (...) Estou convencido de que a crise da Igreja, pela qual passamos hoje, é causada em grande parte pela decadência da liturgia, que às vezes até é concebida de uma maneira etsi Deus non daretur [como se Deus não existisse], isto é, que nela não importa mais se Deus existe e se ele nos fala e nos escuta. Aí a comunidade ainda celebra somente a si mesma, mas isso não vale a pena.” [Os negritos são meus.]
Leia isso, amigo anônimo e pare de falar sobre coisas que você não conhece. A posição de Bento XVI é muito clara com relação à Missa de Paulo VI. O texto acima não deixa nenhuma dúvida. Vou resumir para você: a Missa de Paulo VI é concebida etsi Deus non daretur e isso não vale a pena.
Ele agora fica bravo: GENTE, VAM0S PARAR COM ISSO... A ÉPOCA DE CAÇA ÀS BRUXAR JÁ FOI.
Enquanto houver bruxas, a época da caça às bruxas não pode passar!
De novo Limeira: LÁ EM LIMEIRA POR QUE NÃO SE REUNIR COM OS PADRES E BISPOS E DISCUTIR ISSO. COM CERTEZA HAVERIA UMA SOLUÇÃO MENOS TRAUMÁTICA...
Lá em Limeira ... Portanto, você não é de Limeira. Você sabe o que ocorreu lá? Se houve reunião? Não seja leviano, rapaz!
Fala bobagem: A IGREJA ACOLHE TODOS. É UM MESMO RITO, CELEBRADO DE MANEIRA DIFERENTE. É O MESMO RITO ROMANO, CONFORME O PAPA.
Conforme o Papa: a Missa de Paulo VI não vale a pena.
Fala sem saber: AS DUAS SÃO RIQUÍCIMAS EM TUDO O QUE SÃO COMO ATUALIZAÇÃO DO MEMORIAL DA PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO DO SENHOR.
A Missa Tridentina celebra o Sacrifício da Cruz, o memorial fica por conta da Missa Nova. Uma é rica, a outra é pobre. E note que não estou afirmando que a Missa de Paulo VI não seja válida. É apenas infinitamente mais pobre.
Quando quiser falar sobre uma coisa, amigo, procure se informar primeiro, para que não se cometa leviandade. Que Deus te abençoe.
02/07/2009
A malícia diabólica do Estado de Minas
Uma chamada de capa do Estado de Minas de hoje, 2 de julho de 2009, diz: “Graças a Deus: Papa destitui arcebispo de Olinda e Recife”. Em letras pequenas ainda se diz: “Religioso que provocou polêmica internacional ao excomungar o médico e a mãe de menina de 9 anos submetida a aborto após ser estuprada pelo padrasto.”
Na capa, duas mentiras deslavadas. Primeiramente, o Papa não destituiu dom José – coisa que fica clara na matéria dentro do caderno, na página 10 – e, em segundo lugar, dom José não excomungou ninguém, apenas avisou a todos os envolvidos – e não somente ao médico e a mãe da menina – que eles estavam automaticamente excomungados.
Na matéria interna, procurando difamar dom José, o jornal presta um tributo ao seu arcebispado. Vejam o que eles dizem dele.
“Bem antes disso [do episódio recente], outros assuntos controversos fizeram a fama de conservador e autoritário de dom José. Em 1989, sob a orientação do Vaticano, fechou o Seminário Nordeste II e o Instituto Teológico do Recife (Iter), entidades fundadas por dom Hélder e consideradas referências para a formação teológica de leigos e religiosos. Na época, houve uma marcha de padres e seminaristas pelas ruas do Recife para protestar contra o encerramento do curso.” [negritos meus]
Neste episódio, dom José seguiu as orientações do Vaticano e fechou o seminário. Parabéns, dom José!
“Outro momento controverso de dom José foi quando decidiu afastar da Paróquia do Morro da Conceição o padre Reginaldo Veloso, que era seguidor da Teologia da Libertação (movimento de tendência socialista voltado para os mais pobres). Quando o padre Reginaldo foi afastado, os moradores do morro ocuparam a paróquia por quase um mês. Suspenso por dom José, o religioso ficou impossibilitado de exercer o sacerdócio e abandonou a batina.”
Bento XVI acaba de condenar padres que pensam que o estabelecimento da tal justiça social é sua função. Portanto, parabéns dom José, por se opor à teologia da deformação!
“Outro momento controverso de dom José foi quando decidiu afastar da Paróquia do Morro da Conceição o padre Reginaldo Veloso, que era seguidor da Teologia da Libertação (movimento de tendência socialista voltado para os mais pobres). Quando o padre Reginaldo foi afastado, os moradores do morro ocuparam a paróquia por quase um mês. Suspenso por dom José, o religioso ficou impossibilitado de exercer o sacerdócio e abandonou a batina.”
Que bem para a Igreja foi tal padre ter deixado a batina! Aliás, deixar a batina é apenas uma expressão arcaica hoje, pois esse tipo de padre já não usava batina. Ele deixou foi a Casa Paroquial. Assim, parabéns, dom José, por ter afastado um herege da Igreja!
“Em 2004, o arcebispo também foi alvo de críticas, principalmente no meio político, quando negou a hóstia para a então prefeita de Olinda, Luciana Santos (PCdoB), que acompanhava uma procissão, alegando que ela era comunista.”
Que injustiça, dom José! O senhor “alegou” que alguém do PCdoB era comunista? Que absurdo! Parabéns, dom José, por ter evitado um atentado contra a Presença Real na Hóstia Consagrada!
Por tudo que o Estado de Minas nos informa, enfim, Olinda e Recife tiveram um arcebispo católico, depois de o herege dom Helder Câmara ter tentado arrasar a Igreja daquelas cidades.
Que Deus te ilumine dom José e que o senhor continue sendo uma influência benéfica para seu sucessor. Espero ser merecedor de suas bênçãos apostólicas.
Na capa, duas mentiras deslavadas. Primeiramente, o Papa não destituiu dom José – coisa que fica clara na matéria dentro do caderno, na página 10 – e, em segundo lugar, dom José não excomungou ninguém, apenas avisou a todos os envolvidos – e não somente ao médico e a mãe da menina – que eles estavam automaticamente excomungados.
Na matéria interna, procurando difamar dom José, o jornal presta um tributo ao seu arcebispado. Vejam o que eles dizem dele.
“Bem antes disso [do episódio recente], outros assuntos controversos fizeram a fama de conservador e autoritário de dom José. Em 1989, sob a orientação do Vaticano, fechou o Seminário Nordeste II e o Instituto Teológico do Recife (Iter), entidades fundadas por dom Hélder e consideradas referências para a formação teológica de leigos e religiosos. Na época, houve uma marcha de padres e seminaristas pelas ruas do Recife para protestar contra o encerramento do curso.” [negritos meus]
Neste episódio, dom José seguiu as orientações do Vaticano e fechou o seminário. Parabéns, dom José!
“Outro momento controverso de dom José foi quando decidiu afastar da Paróquia do Morro da Conceição o padre Reginaldo Veloso, que era seguidor da Teologia da Libertação (movimento de tendência socialista voltado para os mais pobres). Quando o padre Reginaldo foi afastado, os moradores do morro ocuparam a paróquia por quase um mês. Suspenso por dom José, o religioso ficou impossibilitado de exercer o sacerdócio e abandonou a batina.”
Bento XVI acaba de condenar padres que pensam que o estabelecimento da tal justiça social é sua função. Portanto, parabéns dom José, por se opor à teologia da deformação!
“Outro momento controverso de dom José foi quando decidiu afastar da Paróquia do Morro da Conceição o padre Reginaldo Veloso, que era seguidor da Teologia da Libertação (movimento de tendência socialista voltado para os mais pobres). Quando o padre Reginaldo foi afastado, os moradores do morro ocuparam a paróquia por quase um mês. Suspenso por dom José, o religioso ficou impossibilitado de exercer o sacerdócio e abandonou a batina.”
Que bem para a Igreja foi tal padre ter deixado a batina! Aliás, deixar a batina é apenas uma expressão arcaica hoje, pois esse tipo de padre já não usava batina. Ele deixou foi a Casa Paroquial. Assim, parabéns, dom José, por ter afastado um herege da Igreja!
“Em 2004, o arcebispo também foi alvo de críticas, principalmente no meio político, quando negou a hóstia para a então prefeita de Olinda, Luciana Santos (PCdoB), que acompanhava uma procissão, alegando que ela era comunista.”
Que injustiça, dom José! O senhor “alegou” que alguém do PCdoB era comunista? Que absurdo! Parabéns, dom José, por ter evitado um atentado contra a Presença Real na Hóstia Consagrada!
Por tudo que o Estado de Minas nos informa, enfim, Olinda e Recife tiveram um arcebispo católico, depois de o herege dom Helder Câmara ter tentado arrasar a Igreja daquelas cidades.
Que Deus te ilumine dom José e que o senhor continue sendo uma influência benéfica para seu sucessor. Espero ser merecedor de suas bênçãos apostólicas.
01/07/2009
Terá Bento XVI falado ex-cathedra?
Algum tempo atrás, publiquei um artigo no MidiaSemMáscara tratando da condenação, em dois momentos distintos – uma como cardeal e outra como Papa – que Bento XVI fez à Teologia da Libertação, esta deformação, este câncer, que trouxe para o seio da Igreja a idéia de que o Reino de Deus é o governo marxista mundial que um dia ainda instituiremos. Papa Bento se insurge contra esse movimento diabólico como intelectual que é, tanto em seu livro “Introdução ao Cristianismo”, quanto na Encíclica Spe Salvi. Reproduzo o artigo mais abaixo, já que me é impossível fornecer um link.
Leio agora no FratresInUnum, que o Papa Bento XVI disse, aos cerca de 14 mil peregrinos reunidos na praça de São Pedro para a audiência geral, que “Depois do Concílio Vaticano II se produziu aqui e ali a impressão de que a missão do sacerdote em nosso tempo fosse qualquer coisa de mais urgente” que o anúncio da Palavra e a administração dos sacramentos, porque houve quem pensasse “que se devesse em primeiro lugar construir uma sociedade diferente, que o principal dever fosse o de construir, antes de tudo, a justiça social”. “Anúncio e poder, isto é, Palavra e sacramento”, são “os dois pilares fundamentais do serviço sacerdotal, para além de suas possíveis e múltiplas configurações” sem os quais “se torna muito difícil compreender a identidade do presbítero e de seu ministério na Igreja”.
Jesus disse: “O vosso falar seja SIM SIM NÃO NÃO; porque tudo o que passa disso vem do Maligno” (Mt 5, 37). Papa Bento XVI seguiu precisamente este preceito.
Considero que aqui o Papa fala como Vigário de Cristo e não como intelectual. O ocupante do trono, e herdeiro, de São Pedro fala sobre o sacerdócio, sobre o poder de quem recebeu Sacramento da Ordem. É precípua matéria de fé. O Papa fala sem rodeios. O que ele diz é: o dever do sacerdote é o anúncio da palavra de Deus e a distribuição do sacramento; anúncio e poder. Isso está em total concordância com tudo que a Igreja sempre falou, com o Depósito da Fé, com a Tradição.
Não sou teólogo e meus conhecimentos sobre Teologia são mínimos. Mas se Bento XVI não falou ex-cathedra, passou perto!
Rezemos pelo Papa. Peçamos que ele viva mais alguns anos e que continue seu caminho de restauração da verdadeira Igreja de Cristo.
________________________________________________________________
Cardeal e Papa Condenam a Teologia da Libertação
O cardeal a que me refiro no título é Joseph Ratzinger e o papa é Bento XVI. Um e outro condenaram veementemente a Teologia da Libertação em dois documentos importantes.
O cardeal escreve, em 2000, um prefácio ao seu livro (uma re-edição de um livro escrito na década de 1960) Introdução ao Cristianismo. No aspecto político, eu diria que a introdução vale mais que o livro. Claro que no aspecto doutrinal o livro é muito bom e a introdução, dispensável.
O papa escreve em 2007, uma encíclica intitulada SPE SALVI.
Tratemos pois, em primeiro lugar, do prefácio ao livro “Introdução ao Cristianismo”. Diz o cardeal que desde a publicação do livro na década de 1960, muita coisa aconteceu no mundo. Ele toma dois anos em particular para comentar os eventos mais importantes dos últimos trinta anos do século XX: 1968 e 1989. Em 1989 ele vê o ano em que o ciclo da esperança materialista termina e lamenta as tragédias que essa esperança trouxe ao mundo. Ele diz: “No fundo, a doutrina marxista da salvação, se bem que dividida em variantes diversas de instrumentalização, era vista como o único roteiro para o futuro, baseado em motivação ética e, ao mesmo tempo , em conformidade com a visão científica do mundo.” O papa retomará esse tema na encíclica e o desenvolverá mais profundamente. O cardeal considera assim que 1989 é o ano que simboliza o fracasso histórico da “doutrina marxista da salvação”.
Mas, que salvação seria essa? A que nos levaria ao reino de Deus dos Evangelhos? Não. O cardeal responde logo abaixo: “Quem faz Marx o filósofo da teologia aceita a primazia dos elementos político e econômico que passam a ser as verdadeiras forças da salvação.”
E, perguntariam os leitores, quem fez de Marx o filósofo da Teologia? O cardeal responde: “Durante mais de uma década, a teologia da libertação parecia indicar a nova direção na qual a fé haveria de tornar-se novamente formadora do mundo porque se unia de uma nova maneira como as descobertas do momento histórico”. Depois de reconhecer os problemas econômicos e sociais da América Latina e do papel social da Igreja onde quer que ela esteja, o cardeal diz que a Igreja, em nome de seu papel social, escolheu seu guia: “Mas de que maneira [a Igreja cumpriria seu papel]? Pareceu então ser Marx o grande guia”. E ainda aduz: “Cabia agora a ele o papel que, no século XIII, tinha sido de Aristóteles; sua filosofia pré-cristã [e portanto ‘pagã’] precisou ser batizada para que a fé e a razão pudessem encontrar a sua relação correta.”
Mas qual seria o problema de aceitar Marx? Não poderíamos batizá-lo, como fez Santo Tomás com Aristóteles. O cardeal afasta essa possibilidade quando diz: “Mas quem aceita Marx (em qualquer uma das variantes neomarxistas) como o representante de uma razão universal não adota simplesmente uma filosofia, uma visão da origem e do sentido da existência, assume sobretudo uma prática [o que significa que] (...) a salvação do ser humano é realizada pela política e pela economia, que determinam a face do futuro.” O que é isso senão, de forma integral e acabada, a Teologia da Libertação?
Para dissipar alguma dúvida que ainda possa restar, o cardeal claramente diz: “Vejo o problema verdadeiro e mais profundo das teologias da libertação na ausência de fato da idéia de Deus, o que acabou afetando naturalmente de modo decisivo também a figura de Cristo (fato ao qual já aludimos anteriormente). Não que se tenha negado a existência de Deus – de modo algum. Ele apenas era dispensável na ‘realidade’ que exigia toda a atenção. Carecia de função”.
Até aqui o cardeal fala como um teólogo. O pastor, que ele era e é, fala o seguinte: “Mas Deus é ‘prático’, Ele não é um mero fecho teórico qualquer para a visão do mundo, servindo eventualmente de consolo, diante do qual se estaca ou se passa simplesmente adiante. (...) Quando Deus é deixado de lado, tudo parece inicialmente continuar como antes. (...) Mas tudo muda no momento em que a mensagem de que Deus estaria morto passa a ser realmente percebida, fulminando o coração dos homens.” Como não concluir, com o cardeal, que a Teologia da Libertação é a teologia do Deus morto?
Na encíclica SPE SALVI quem fala é o papa, com toda a sua autoridade e pastoralidade. Mesmo assim, ele é incisivo qual tinha sido o cardeal Ratzinger. Já no item 4 da encíclica, cujo assunto é a esperança cristã verdadeira, ele não deixa dúvidas sobre o Magistério Ordinário da Igreja: “O cristianismo não tinha trazido uma mensagem sócio-revolucionária semelhante à de Espártaco que tinha fracassado após lutas cruentas. Jesus não era Espártaco, não era um guerreiro em luta por uma libertação política, como Barrabás ou Bar-Kochba. Aquilo que Jesus – Ele mesmo morto na cruz – tinha trazido era algo de totalmente distinto: o encontro com o Senhor de todos os senhores, o encontro com o Deus vivo e, deste modo, o encontro com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o mundo. (...) Em virtude do Batismo, [os cristãos] tinham sido regenerados, tinham bebido do mesmo Espírito e recebiam conjuntamente, um ao lado do outro, o Corpo do Senhor. Apesar de as estruturas externas permanecerem as mesmas, isto transformava a sociedade a partir de dentro. Se a Carta aos Hebreus diz que os cristãos não têm aqui neste mundo uma morada permanente, mas procuram a futura (cf. Heb 11, 13-14; Fil 3,20), isto não significa de modo algum adiar para uma perspectiva futura: a sociedade presente é reconhecida pelos cristãos como uma sociedade imprópria; eles pertencem a uma sociedade nova, rumo à qual caminham e que, na sua peregrinação, é antecipada.”[as ênfases são minhas].
Como a esperança cristã (aquela que “atrai o futuro para dentro do presente, que muda o presente e que faz o presente ser tocado pela realidade futura, fazendo com que as coisas futuras derramem-se naquelas presentes e as presentes nas futuras”), uma virtude teologal, foi rebaixada a uma “esperança marxista da salvação”, já identificada pelo cardeal Ratzinger? O papa identifica o final do século XVIII como o início desse rebaixamento. Além da Revolução Francesa, ele cita uma obra de Kant, em que o filósofo defende como sendo um movimento evolutivo importante a passagem da “fé eclesiástica” para a “fé religiosa”. Diz o papa: “O ‘reino de Deus’, de que falara Jesus, recebeu aqui uma nova definição e assumiu também uma nova presença: existe, por assim dizer, uma nova ‘expectativa imediata’: o ‘reino de Deus’ chega onda a ‘fé eclesiástica’ é superada e substituída pela ‘fé religiosa’, ou seja, pela mera fé racional”.
A revolução de 1789 prepara, segundo o papa, outra revolução: a proletária. Marx então aparece como o teórico que irá propor um “novo e grande passo”, um passo “definitivo da história rumo à salvação, rumo àquilo que Kant tinha qualificado com o ‘reino de Deus’.” Mais a frente o papa diz, “o progresso rumo ao melhor, rumo ao mundo definitivamente bom, já não vem simplesmente da ciência, mas da política – de uma política pensada cientificamente, que sabe reconhecer a estrutura da história e da sociedade, indicando assim a estrada da revolução, da mudança de todas as coisas”. E conclui: “Assim, a esperança bíblica do reino de Deus foi substituída pela esperança do reino do homem, pela esperança de um mundo melhor que seria o verdadeiro ‘reino de Deus’.” Como não lembrar aqui do slogan “Um outro mundo é possível” ?
Matar Deus e reduzir a esperança bíblica à mera esperança do reino do homem, essas são as características principais da Teologia da Libertação, segundo Ratzinger e Bento XVI.
Como pastor, o papa ainda continua a nos orientar quando às questões relativas aos problemas humanos que a espúria teologia não consegue resolver. Ele diz: “Devemos – é verdade – fazer tudo para superar o sofrimento, mas eliminá-lo completamente do mundo não entra nas nossas possibilidades, simplesmente porque não podemos desfazer-nos da nossa finitude e porque nenhum de nós é capaz de eliminar o poder do mal, da culpa que – como constatávamos – é fonte contínua de sofrimento.” Fala ainda mais pastoralmente: “Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor. ”
Assim, temos duas análises sobre a Teologia da Libertação, ambas completamente coincidentes. Uma de um grande intelectual, o cardeal Ratzinger, e outra do Papa Bento XVI. Os católicos temos assim não só a fundamentação teológica e filosófica para refutar a Teologia da Libertação, mas também a fundamentação doutrinária do Magistério Ordinário da Igreja. Seja por honestidade intelectual, que toca a todos, seja por observação ao Magistério da Igreja, que toca especialmente aos católicos, devemos não só refutar, mas lutar contra esse arremedo de teologia.
Abusos doutrinários, teológicos, litúrgicos e lógicos vêm sendo cometidos há quase quatro décadas dentro da Igreja Católica, particularmente no Brasil. É bom ver que alguém quer por a casa em ordem, sobretudo porque essa Casa, foi Deus quem fundou. É bom ver, ainda mais, que esse alguém é o representante do Chefe Supremo da Casa.[1]
__________________________________________________________________
[1] Ver, sobre este mesmo assunto: Antídotos contra a Teologia da Libertação e Lições das Missas Dominicais pós-Concílio Vaticano II
Leio agora no FratresInUnum, que o Papa Bento XVI disse, aos cerca de 14 mil peregrinos reunidos na praça de São Pedro para a audiência geral, que “Depois do Concílio Vaticano II se produziu aqui e ali a impressão de que a missão do sacerdote em nosso tempo fosse qualquer coisa de mais urgente” que o anúncio da Palavra e a administração dos sacramentos, porque houve quem pensasse “que se devesse em primeiro lugar construir uma sociedade diferente, que o principal dever fosse o de construir, antes de tudo, a justiça social”. “Anúncio e poder, isto é, Palavra e sacramento”, são “os dois pilares fundamentais do serviço sacerdotal, para além de suas possíveis e múltiplas configurações” sem os quais “se torna muito difícil compreender a identidade do presbítero e de seu ministério na Igreja”.
Jesus disse: “O vosso falar seja SIM SIM NÃO NÃO; porque tudo o que passa disso vem do Maligno” (Mt 5, 37). Papa Bento XVI seguiu precisamente este preceito.
Considero que aqui o Papa fala como Vigário de Cristo e não como intelectual. O ocupante do trono, e herdeiro, de São Pedro fala sobre o sacerdócio, sobre o poder de quem recebeu Sacramento da Ordem. É precípua matéria de fé. O Papa fala sem rodeios. O que ele diz é: o dever do sacerdote é o anúncio da palavra de Deus e a distribuição do sacramento; anúncio e poder. Isso está em total concordância com tudo que a Igreja sempre falou, com o Depósito da Fé, com a Tradição.
Não sou teólogo e meus conhecimentos sobre Teologia são mínimos. Mas se Bento XVI não falou ex-cathedra, passou perto!
Rezemos pelo Papa. Peçamos que ele viva mais alguns anos e que continue seu caminho de restauração da verdadeira Igreja de Cristo.
________________________________________________________________
Cardeal e Papa Condenam a Teologia da Libertação
O cardeal a que me refiro no título é Joseph Ratzinger e o papa é Bento XVI. Um e outro condenaram veementemente a Teologia da Libertação em dois documentos importantes.
O cardeal escreve, em 2000, um prefácio ao seu livro (uma re-edição de um livro escrito na década de 1960) Introdução ao Cristianismo. No aspecto político, eu diria que a introdução vale mais que o livro. Claro que no aspecto doutrinal o livro é muito bom e a introdução, dispensável.
O papa escreve em 2007, uma encíclica intitulada SPE SALVI.
Tratemos pois, em primeiro lugar, do prefácio ao livro “Introdução ao Cristianismo”. Diz o cardeal que desde a publicação do livro na década de 1960, muita coisa aconteceu no mundo. Ele toma dois anos em particular para comentar os eventos mais importantes dos últimos trinta anos do século XX: 1968 e 1989. Em 1989 ele vê o ano em que o ciclo da esperança materialista termina e lamenta as tragédias que essa esperança trouxe ao mundo. Ele diz: “No fundo, a doutrina marxista da salvação, se bem que dividida em variantes diversas de instrumentalização, era vista como o único roteiro para o futuro, baseado em motivação ética e, ao mesmo tempo , em conformidade com a visão científica do mundo.” O papa retomará esse tema na encíclica e o desenvolverá mais profundamente. O cardeal considera assim que 1989 é o ano que simboliza o fracasso histórico da “doutrina marxista da salvação”.
Mas, que salvação seria essa? A que nos levaria ao reino de Deus dos Evangelhos? Não. O cardeal responde logo abaixo: “Quem faz Marx o filósofo da teologia aceita a primazia dos elementos político e econômico que passam a ser as verdadeiras forças da salvação.”
E, perguntariam os leitores, quem fez de Marx o filósofo da Teologia? O cardeal responde: “Durante mais de uma década, a teologia da libertação parecia indicar a nova direção na qual a fé haveria de tornar-se novamente formadora do mundo porque se unia de uma nova maneira como as descobertas do momento histórico”. Depois de reconhecer os problemas econômicos e sociais da América Latina e do papel social da Igreja onde quer que ela esteja, o cardeal diz que a Igreja, em nome de seu papel social, escolheu seu guia: “Mas de que maneira [a Igreja cumpriria seu papel]? Pareceu então ser Marx o grande guia”. E ainda aduz: “Cabia agora a ele o papel que, no século XIII, tinha sido de Aristóteles; sua filosofia pré-cristã [e portanto ‘pagã’] precisou ser batizada para que a fé e a razão pudessem encontrar a sua relação correta.”
Mas qual seria o problema de aceitar Marx? Não poderíamos batizá-lo, como fez Santo Tomás com Aristóteles. O cardeal afasta essa possibilidade quando diz: “Mas quem aceita Marx (em qualquer uma das variantes neomarxistas) como o representante de uma razão universal não adota simplesmente uma filosofia, uma visão da origem e do sentido da existência, assume sobretudo uma prática [o que significa que] (...) a salvação do ser humano é realizada pela política e pela economia, que determinam a face do futuro.” O que é isso senão, de forma integral e acabada, a Teologia da Libertação?
Para dissipar alguma dúvida que ainda possa restar, o cardeal claramente diz: “Vejo o problema verdadeiro e mais profundo das teologias da libertação na ausência de fato da idéia de Deus, o que acabou afetando naturalmente de modo decisivo também a figura de Cristo (fato ao qual já aludimos anteriormente). Não que se tenha negado a existência de Deus – de modo algum. Ele apenas era dispensável na ‘realidade’ que exigia toda a atenção. Carecia de função”.
Até aqui o cardeal fala como um teólogo. O pastor, que ele era e é, fala o seguinte: “Mas Deus é ‘prático’, Ele não é um mero fecho teórico qualquer para a visão do mundo, servindo eventualmente de consolo, diante do qual se estaca ou se passa simplesmente adiante. (...) Quando Deus é deixado de lado, tudo parece inicialmente continuar como antes. (...) Mas tudo muda no momento em que a mensagem de que Deus estaria morto passa a ser realmente percebida, fulminando o coração dos homens.” Como não concluir, com o cardeal, que a Teologia da Libertação é a teologia do Deus morto?
Na encíclica SPE SALVI quem fala é o papa, com toda a sua autoridade e pastoralidade. Mesmo assim, ele é incisivo qual tinha sido o cardeal Ratzinger. Já no item 4 da encíclica, cujo assunto é a esperança cristã verdadeira, ele não deixa dúvidas sobre o Magistério Ordinário da Igreja: “O cristianismo não tinha trazido uma mensagem sócio-revolucionária semelhante à de Espártaco que tinha fracassado após lutas cruentas. Jesus não era Espártaco, não era um guerreiro em luta por uma libertação política, como Barrabás ou Bar-Kochba. Aquilo que Jesus – Ele mesmo morto na cruz – tinha trazido era algo de totalmente distinto: o encontro com o Senhor de todos os senhores, o encontro com o Deus vivo e, deste modo, o encontro com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o mundo. (...) Em virtude do Batismo, [os cristãos] tinham sido regenerados, tinham bebido do mesmo Espírito e recebiam conjuntamente, um ao lado do outro, o Corpo do Senhor. Apesar de as estruturas externas permanecerem as mesmas, isto transformava a sociedade a partir de dentro. Se a Carta aos Hebreus diz que os cristãos não têm aqui neste mundo uma morada permanente, mas procuram a futura (cf. Heb 11, 13-14; Fil 3,20), isto não significa de modo algum adiar para uma perspectiva futura: a sociedade presente é reconhecida pelos cristãos como uma sociedade imprópria; eles pertencem a uma sociedade nova, rumo à qual caminham e que, na sua peregrinação, é antecipada.”[as ênfases são minhas].
Como a esperança cristã (aquela que “atrai o futuro para dentro do presente, que muda o presente e que faz o presente ser tocado pela realidade futura, fazendo com que as coisas futuras derramem-se naquelas presentes e as presentes nas futuras”), uma virtude teologal, foi rebaixada a uma “esperança marxista da salvação”, já identificada pelo cardeal Ratzinger? O papa identifica o final do século XVIII como o início desse rebaixamento. Além da Revolução Francesa, ele cita uma obra de Kant, em que o filósofo defende como sendo um movimento evolutivo importante a passagem da “fé eclesiástica” para a “fé religiosa”. Diz o papa: “O ‘reino de Deus’, de que falara Jesus, recebeu aqui uma nova definição e assumiu também uma nova presença: existe, por assim dizer, uma nova ‘expectativa imediata’: o ‘reino de Deus’ chega onda a ‘fé eclesiástica’ é superada e substituída pela ‘fé religiosa’, ou seja, pela mera fé racional”.
A revolução de 1789 prepara, segundo o papa, outra revolução: a proletária. Marx então aparece como o teórico que irá propor um “novo e grande passo”, um passo “definitivo da história rumo à salvação, rumo àquilo que Kant tinha qualificado com o ‘reino de Deus’.” Mais a frente o papa diz, “o progresso rumo ao melhor, rumo ao mundo definitivamente bom, já não vem simplesmente da ciência, mas da política – de uma política pensada cientificamente, que sabe reconhecer a estrutura da história e da sociedade, indicando assim a estrada da revolução, da mudança de todas as coisas”. E conclui: “Assim, a esperança bíblica do reino de Deus foi substituída pela esperança do reino do homem, pela esperança de um mundo melhor que seria o verdadeiro ‘reino de Deus’.” Como não lembrar aqui do slogan “Um outro mundo é possível” ?
Matar Deus e reduzir a esperança bíblica à mera esperança do reino do homem, essas são as características principais da Teologia da Libertação, segundo Ratzinger e Bento XVI.
Como pastor, o papa ainda continua a nos orientar quando às questões relativas aos problemas humanos que a espúria teologia não consegue resolver. Ele diz: “Devemos – é verdade – fazer tudo para superar o sofrimento, mas eliminá-lo completamente do mundo não entra nas nossas possibilidades, simplesmente porque não podemos desfazer-nos da nossa finitude e porque nenhum de nós é capaz de eliminar o poder do mal, da culpa que – como constatávamos – é fonte contínua de sofrimento.” Fala ainda mais pastoralmente: “Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor. ”
Assim, temos duas análises sobre a Teologia da Libertação, ambas completamente coincidentes. Uma de um grande intelectual, o cardeal Ratzinger, e outra do Papa Bento XVI. Os católicos temos assim não só a fundamentação teológica e filosófica para refutar a Teologia da Libertação, mas também a fundamentação doutrinária do Magistério Ordinário da Igreja. Seja por honestidade intelectual, que toca a todos, seja por observação ao Magistério da Igreja, que toca especialmente aos católicos, devemos não só refutar, mas lutar contra esse arremedo de teologia.
Abusos doutrinários, teológicos, litúrgicos e lógicos vêm sendo cometidos há quase quatro décadas dentro da Igreja Católica, particularmente no Brasil. É bom ver que alguém quer por a casa em ordem, sobretudo porque essa Casa, foi Deus quem fundou. É bom ver, ainda mais, que esse alguém é o representante do Chefe Supremo da Casa.[1]
__________________________________________________________________
[1] Ver, sobre este mesmo assunto: Antídotos contra a Teologia da Libertação e Lições das Missas Dominicais pós-Concílio Vaticano II
Assinar:
Postagens (Atom)
