Comento aqui o texto de Pe. Paulo Bazaglia n’O Domingo de 7 de junho de 2009, Missa da Santíssima Trindade. O título do texto é “Trindade, Comunidade de Amor”.
Uma coisinha (que é muito importante) chama a atenção no texto. Comentando o Evangelho de Mateus – onde Jesus diz: “Ide, pois, ensinai a todos os povos, e batizai-os em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; e ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei.” – Pe. Bazaglia nos diz que é a força do Espírito “que nos permite recordar e atualizar hoje o que Jesus fez e falou há 2 mil anos .” Note a palavrinha atualizar que ele usa. Vamos a ela.
Jesus ordena aos discípulos que eles ensinem aos povos a observar tudo o que Ele mandou e os batizem. Note que Jesus não diz: “Ensinem os povos, e com o passar do tempo, à medida que vocês se tornem mais espertinhos, vocês podem inclusive atualizar o que eu ensinei para vocês. Como nós estamos aqui em Israel, sob o Império Romano e somos completamente ignorantes das coisas que virão, meu ensinamento poderá, no futuro, sofrer evolução. Faça isso sobretudo depois que um sujeito chamado Karl Marx viver. Ele trará importantes atualizações à minha doutrina.”
Bem, ainda bem que Pe. Bazaglia admite francamente que é necessário atualizações no que Jesus nos ensinou. Ele nos diz que até que é o Espírito “que nos permite atualizar o que Jesus falou há dois mil anos”.
E o que seria essa atualização? Bem, através dos comentários que tenho feito ao folheto Domingo, fica muito claro o que esses padres modernistas consideram como atualização das palavras de Jesus. Atualizar Jesus é vê-lo como um marxista avant la lettre.
Um padre que ao falar da Trindade tenta nos impingir seu submarxismo de ocasião é, no mínimo, dispensável. Para não perder a viagem, vejamos o que Santo Agostinho nos tem a dizer sobre a Trindade. Tomo aqui um texto curto do santo, que escreveu um longo tratado sobre a Trindade. Tomo-o de sua obra A Doutrina Cristã, seção B, Capítulo 5, Síntese Dogmática.
“O Pai, o Filho e o Espírito Santo, isto é, a própria Trindade, una e suprema realidade, é a única Coisa a ser fruída, bem comum de todos.[1] Se é que pode ser chamada Coisa e não, de preferência, a causa de todas as coisas – se também puder ser chamada causa. Não é fácil encontrar um nome que possa convir a tanta grandeza e servir para denominar de maneira adequada a Trindade. A não ser que se diga que é um só Deus, de quem, por que e para quem existem todas as coisas (Rm 11,36) Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são, cada um deles, Deus. E os três são um só Deus. Para si próprio, cada um deles é substância completa e, os três juntos, uma só substância. O Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo. O Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo. E o Espírito Santo não é o Pai nem o Filho. O Pai é só Pai, o Filho unicamente Filho, e o Espírito Santo unicamente Espírito Santo. Os três possuem a mesma eternidade, a mesma imutabilidade, a mesma majestade, o mesmo poder. No Pai está a unidade, no Filho está a igualdade e no Espírito Santo a harmonia entre a unidade e a igualdade. Esses três atributos são um só, por causa do Pai, todos iguais por causa do Filho e todos conexos por causa do Espírito Santo.”
Podemos ainda lembrar aqui do belíssimo Símbolo Quicumque, chamado de pseudo-atanasiano. Neste Símbolo há tudo em que se deve crer, mas há também uma extraordinária doutrina da Trindade, que é sobre o que Pe. Bazaglia nos tenta ensinar. Vamos ao Símbolo.
“Quem quer salvar-se, deve antes de tudo, professor a fé católica:
Pois se alguém a não professar; integral e inviolavelmente, é certo que se perderá por toda a eternidade.
I. A fé católica consiste, porém, em venerar um só Deus na Trindade, e a Trindade na unidade, sem confundir as pessoas, nem separar a substância; Pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; Mas uma é a divindade, igual a glória, co-eterna a majestade do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.
Qual o Pai, tal o Filho, tal o Espírito Santo; incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo; imenso é o Pai, imenso o Filho, imenso o Espírito Santo; Eterno é o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo.
E, no entanto, não há três eternos, mas um só eterno; Como não há três incriados, nem três imensos, mas um só incriado, e um só imenso; Assim também o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente; E, no entanto, não há três onipotentes, mas um só onipotente.
Como o Pai é Deus, assim o Filho é Deus, [e] o Espírito Santo é Deus; E, no entanto não há três deuses, mas um só Deus.
Como o Pai é Senhor, assim o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; E, no entanto não há três senhores, mas um só Senhor.
Porquanto, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada pessoa, tomada separadamente, é Deus e Senhor; assim também nos proíbe a religião católica dizer que são três deuses ou três senhores.
II. O Pai não foi feito por ninguém, nem criado, nem gerado.
O Filho é só do Pai; não feito, não criado, mas gerado.
O Espírito Santo é do Pai e do Filho; não feito, não criado, não gerado, mas procedente.
Há, pois, um só Pai, não três Pais; um só Filho, não três Filhos; um só Espírito Santo, não três Espíritos Santos.
E nesta Trindade nada existe de anterior ou posterior, nada de maior ou menor; mas todas as três pessoas são co-eternas e iguais, umas às outras; De sorte que, em tudo, como acima ficou dite, deve ser venerada a unidade na Trindade, e a Trindade na unidade.
Quem quer, portanto, salvar-se, assim deve crer a respeito da Santíssima Trindade.
III. Mas ainda é necessário, para a eterna salvação, crer fielmente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A retidão da fé consiste, pois, em crermos e confessarmos que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.
É Deus, porquanto gerado da substância do Pai antes dos séculos; homem, porquanto no tempo nasceu da substância de sua Mãe.
É Deus perfeito, e perfeito homem, por subsistir de alma racional e de carne humana;É igual ao Pai segundo a divindade, e menor que o Pai, segundo a humanidade.
Ainda que seja Deus e homem, todavia não há dois, mas um só Cristo; É um, não porque a Divindade se converta em carne, mas porque a humanidade foi recebida em Deus; É totalmente um, não por se confundir a substância, mas pela unidade de pessoa.
Assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim Deus e homem é um só Cristo,
O qual sofreu pela nossa salvação, desceu aos infernos, ao terceiro dia ressuscitou dos mortos, e à cuja chegada todos os homens devem ressuscitar com seus corpos, para dar contas de suas próprias ações; E aqueles que tiverem praticado o bem, irão para a vida eterna; mas os que tiverem feito o mal, irão para o fogo eterno.
Esta é a fé católica, e todo aquele que a não professar, com fidelidade e firmeza, não poderá salvar-se.”
Isso, condensadamente, é o que poderia nos ter ensinado o Pe. Bazaglia. Mas, suspeito, de que esse padre nunca tenha lido Santo Agostinho ou o Símbolo Quicumque. Ele parou ali no Capital de Marx e achou que isso bastava para ser católico.
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[1] Fruir, para Santo Agostinho, é “aderir a alguma coisa por amor a ela própria.” Utilizar ou usar se contrapõe a fruir, na concepção do santo, pois este termo significa “orientar o objeto de que se faz uso para obter o objeto ao qual se ama, caso tal objeto mereça ser amado.”
Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI, Parte XVII, Adendo III, Parte XVIII
08/06/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XIX
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Lições das Missas de Paulo VI
04/06/2009
Mais duas historinhas católicas: Ah! se a Vozes ainda fosse uma editora católica!
MAÇÃS E ROSAS DO CÉU
No ano de 304, no maior furor da perseguição movida por Diocleciano, u ma virgem cristã, chamada Dorotéia, foi conduzida ao tribunal do governador de Cesaréia, na Capadócia. Como não quis sacrificar aos deuses e aos ídolos pagãos, a esposa de Cristo teve de sofrer horrível martírio. Tranqüila no meio dos tormentos, disse ao juiz
- Apressa-te a fazer o que queres, e sejam os suplícios o caminho que me leve, ao celeste esposo. Amo-o e nada temo. Desejo os tormentos, pois são leves e passageiros, u ma vez que por eles chegamos às delícias do paraíso, onde há frutos e flores de maravilhosa formosura e suavidade que nunca murcham, fontes de águas vivas, onde os santos se desalteram na alegria eterna de Jesus Cristo.
Ao ouvir estas palavras o assessor do juiz, um letrado chamado Teófilo, dirigiu-se à Santa caçoando e rindo:
- Envia-me rosas e maçãs do jardim de teu esposo do paraíso quando lá chegares.
- Sim, eu as enviarei, respondeu a jovem.
Notemos que se estava em pleno inverno.
O verdugo apoderou-se da virgem e cortou-lhe a cabeça. Teófilo, chegando em casa, contou a pilhéria aos amigos entre zombarias e sarcasmos. De repente, porém, apareceu-lhe um menino de rara beleza, levando nas pregas de seu manto três magníficas maçãs e três rosas de e fragrância.
- Eis aqui, disse, o que a virgem enviou-lhe da parte de seu esposo do céu.
Teófilo, estupefato, tomou as maçãs e contemplando-as um instante, exclamou:
- Verdadeiramente, Jesus Cristo é Deus, o Deus que não engana.
Fazendo esta confissão, Teófilo selava a sua sentença de morte. Algumas horas depois, conduziram-no ao suplício, tornando-se mártir da mesma fé católica de que antes zombara.
HEROÍSMO DE UM ANCIÃO
S. Policarpo, um dos grandes heróis da Igreja Católica, era bispo de Esmirna e discípulo de S. João Evangelista. Foi um dia detido por um piquete de soldados, os quais recebeu e tratou com muita caridade, convidando-os a se assentarem à sua mesa para a ceia.
Pediu-lhes depois lhe dessem tempo para encomendar a Deus, a Igreja e seus perseguidores. Feita a sua oração, pôs-se a caminho com os soldados, que o maltrataram cruelmente durante toda a viagem, pagando com violências os benefícios que lhes fizera o santo bispo.
Conduzido à presença do governador, quis este convencê-lo que era melhor sacrificar aos deuses e salvar a vida do que deixar-se martirizar. Falou-lhe assim:
- Venerável ancião, amaldiçoa a Cristo e eu te porei em liberdade.
- Faz oitenta anos que sirvo a Jesus Cristo e dele só tenho recebido favores e benefícios; por que, pois, haveria de amaldiçoá-lo?
- Se as feras não te dilacerarem, insistiu o governado - serás queimado vivo.
- Bem se vê que desconheceis o fogo eterno do inferno, e por isso me ameaça com o tormento do fogo terreno e passageiro.
Condenado à fogueira, o fogo, em vez de queimá-lo, formou uma como grinalda ao redor dele, não lhe causando o menor dano.
Atravessaram-no então com a espada e, assim, terminou gloriosamente a sua vida terrena o heróico confessor de Jesus Cristo e defensor intemerato da Santa Igreja.
Ver Quando a Vozes ainda era uma editora católica
No ano de 304, no maior furor da perseguição movida por Diocleciano, u ma virgem cristã, chamada Dorotéia, foi conduzida ao tribunal do governador de Cesaréia, na Capadócia. Como não quis sacrificar aos deuses e aos ídolos pagãos, a esposa de Cristo teve de sofrer horrível martírio. Tranqüila no meio dos tormentos, disse ao juiz
- Apressa-te a fazer o que queres, e sejam os suplícios o caminho que me leve, ao celeste esposo. Amo-o e nada temo. Desejo os tormentos, pois são leves e passageiros, u ma vez que por eles chegamos às delícias do paraíso, onde há frutos e flores de maravilhosa formosura e suavidade que nunca murcham, fontes de águas vivas, onde os santos se desalteram na alegria eterna de Jesus Cristo.
Ao ouvir estas palavras o assessor do juiz, um letrado chamado Teófilo, dirigiu-se à Santa caçoando e rindo:
- Envia-me rosas e maçãs do jardim de teu esposo do paraíso quando lá chegares.
- Sim, eu as enviarei, respondeu a jovem.
Notemos que se estava em pleno inverno.
O verdugo apoderou-se da virgem e cortou-lhe a cabeça. Teófilo, chegando em casa, contou a pilhéria aos amigos entre zombarias e sarcasmos. De repente, porém, apareceu-lhe um menino de rara beleza, levando nas pregas de seu manto três magníficas maçãs e três rosas de e fragrância.
- Eis aqui, disse, o que a virgem enviou-lhe da parte de seu esposo do céu.
Teófilo, estupefato, tomou as maçãs e contemplando-as um instante, exclamou:
- Verdadeiramente, Jesus Cristo é Deus, o Deus que não engana.
Fazendo esta confissão, Teófilo selava a sua sentença de morte. Algumas horas depois, conduziram-no ao suplício, tornando-se mártir da mesma fé católica de que antes zombara.
HEROÍSMO DE UM ANCIÃO
S. Policarpo, um dos grandes heróis da Igreja Católica, era bispo de Esmirna e discípulo de S. João Evangelista. Foi um dia detido por um piquete de soldados, os quais recebeu e tratou com muita caridade, convidando-os a se assentarem à sua mesa para a ceia.
Pediu-lhes depois lhe dessem tempo para encomendar a Deus, a Igreja e seus perseguidores. Feita a sua oração, pôs-se a caminho com os soldados, que o maltrataram cruelmente durante toda a viagem, pagando com violências os benefícios que lhes fizera o santo bispo.
Conduzido à presença do governador, quis este convencê-lo que era melhor sacrificar aos deuses e salvar a vida do que deixar-se martirizar. Falou-lhe assim:
- Venerável ancião, amaldiçoa a Cristo e eu te porei em liberdade.
- Faz oitenta anos que sirvo a Jesus Cristo e dele só tenho recebido favores e benefícios; por que, pois, haveria de amaldiçoá-lo?
- Se as feras não te dilacerarem, insistiu o governado - serás queimado vivo.
- Bem se vê que desconheceis o fogo eterno do inferno, e por isso me ameaça com o tormento do fogo terreno e passageiro.
Condenado à fogueira, o fogo, em vez de queimá-lo, formou uma como grinalda ao redor dele, não lhe causando o menor dano.
Atravessaram-no então com a espada e, assim, terminou gloriosamente a sua vida terrena o heróico confessor de Jesus Cristo e defensor intemerato da Santa Igreja.
Ver Quando a Vozes ainda era uma editora católica
03/06/2009
Quando a Vozes ainda era uma editora católica
Caiu em minhas mãos um livro extraordinário. Intitula-se Tesouro de Exemplos (volume I) e seu autor é Pe. Francisco Alves. Foi publicado pela Vozes em 1958.
Pe. Francisco diz que “o propósito deste livro é oferecer a todos que têm a obrigação de educar a infância e a juventude um variado repertório de fatos verídicos ou verossímeis que, contados, movam seus ouvintes a julgar sãmente do seu valor moral e, por conseguinte, os disponham, à luz desses exemplos, a praticar o bem e evitar o mal.”
E os fatos narrados são extraordinários. Neste primeiro volume (não sei se há outros volumes) há 407 historinhas fabulosas. Apresento abaixo duas delas para o leitor ter uma idéia do conteúdo do livro.
Quem se interessar em fazer o downloado do livro clique aqui.
QUERO IR AONDE ESTÁ JESUS
Um pastor protestante, inclinado já ao catolicismo, foi um dia com sua filhinha em visita à capital da Inglaterra. A menina contava apenas cinco anos.
O pai levou-a primeiro a uma igreja católica e a atenção da pequena ficou muito tempo prêsa à lâmpada do Santíssimo.
- Papai, - disse - para que aquela lâmpadazinha?
- Filha, é para lembrar a presença de Jesus atrás daquela portinha dourada.
- Papai, eu quero ver Jesus!
- Filha, a porta está trancada e Ele está escondido debaixo de um véu, não o poderás ver.
- Ah! papai, quanto eu quisera ver Jesus! . . .
Saindo dali, entraram logo depois num templo protestante, onde não havia nem imagens, nem lâmpada nem sacrário.
- Papai, por que não há lâmpada aqui?
- Filhinha, é porque aqui não está Jesus.
Desde aquele dia a menina só falava na Igreja Católica. Nunca mais quis entrar num templo protestante, que para ela não tinha já nenhum atrativo. Perguntaram-lhe:
- Aonde queres ir, então?
- Quero ir aonde está Jesus.
O pastor ficou confundido e comovido. Compreendeu, como sua filha, que só se pode estar bem onde está Jesus. Havia de fazer-se católico, havia de abjurar sua seita e renunciar a uma renda de cem mil libras, de que vivia a sua família, e ver-se pobre de um dia para o outro.
Não obstante, pai e mãe se converteram ao catolicismo, dizendo com sua filha: "Queremos estar onde está Jesus"
O MEDO DO COROINHA
S. Pedro, chamado de Alcântara, pelo lugar onde nasceu (1499), entrou na Ordem dos Franciscanos com a idade de 16 anos. Foi um dos santos mais penitentes e favorecidos de Deus em seu tempo. S. Teresa de Ávila, que o conhecia de perto, conta-nos que S. Pedro passara 40 anos sem dormir mais de hora e meia por dia. O Santo não se deitava, mas ficava assentado com a cabeça encostada a um pau da parede. Essa foi a penitência
que mais sacrifícios lhe custou.Além disso, usava horríveis cilícios, passava às vezes três dias, e até oito, sem outro alimento que a Sagrada Comunhão. Em vista de tudo isso, não é de estranhar que se tenha elevado à mais alta contemplação, e Jesus o tenha favorecido com inefáveis carícias, mormente na missa e na sagrada comunhão.
Conta-se que, em certo convento, o coroinha, que ajudava na missa do Santo, era um menino inocente e bonzinho. Um dia, ao regressar a igreja, procurou o menino a sua mãe e disse-lhe:
- Mamãe, eu não quero mais ajudar à missa do Padre Pedro.
- Por que, meu filho, não hás de ajudar o Padre Pedro, que é um padre tão santo?
- Mamãe, ao ajudar-lhe a missa, várias vezes tenho visto um menino lindo, muito lindo, nas mãos dele; e, na hora da comunhão, ele come aquele menino. Mamãe, tenho medo que ele me coma também.
A mãe, que conhecia a santidade do Padre Pedro, compreendeu logo o mistério e disse:
- Não temas, meu filho; é o Menino Jesus que está na Hóstia . Que feliz és tu, que o vês com teus olhos inocentes!
Dali em diante o menino não teve mais medo e ajudava à missa do Santo com muito gosto e devoção.
Pe. Francisco diz que “o propósito deste livro é oferecer a todos que têm a obrigação de educar a infância e a juventude um variado repertório de fatos verídicos ou verossímeis que, contados, movam seus ouvintes a julgar sãmente do seu valor moral e, por conseguinte, os disponham, à luz desses exemplos, a praticar o bem e evitar o mal.”
E os fatos narrados são extraordinários. Neste primeiro volume (não sei se há outros volumes) há 407 historinhas fabulosas. Apresento abaixo duas delas para o leitor ter uma idéia do conteúdo do livro.
Quem se interessar em fazer o downloado do livro clique aqui.
QUERO IR AONDE ESTÁ JESUS
Um pastor protestante, inclinado já ao catolicismo, foi um dia com sua filhinha em visita à capital da Inglaterra. A menina contava apenas cinco anos.
O pai levou-a primeiro a uma igreja católica e a atenção da pequena ficou muito tempo prêsa à lâmpada do Santíssimo.
- Papai, - disse - para que aquela lâmpadazinha?
- Filha, é para lembrar a presença de Jesus atrás daquela portinha dourada.
- Papai, eu quero ver Jesus!
- Filha, a porta está trancada e Ele está escondido debaixo de um véu, não o poderás ver.
- Ah! papai, quanto eu quisera ver Jesus! . . .
Saindo dali, entraram logo depois num templo protestante, onde não havia nem imagens, nem lâmpada nem sacrário.
- Papai, por que não há lâmpada aqui?
- Filhinha, é porque aqui não está Jesus.
Desde aquele dia a menina só falava na Igreja Católica. Nunca mais quis entrar num templo protestante, que para ela não tinha já nenhum atrativo. Perguntaram-lhe:
- Aonde queres ir, então?
- Quero ir aonde está Jesus.
O pastor ficou confundido e comovido. Compreendeu, como sua filha, que só se pode estar bem onde está Jesus. Havia de fazer-se católico, havia de abjurar sua seita e renunciar a uma renda de cem mil libras, de que vivia a sua família, e ver-se pobre de um dia para o outro.
Não obstante, pai e mãe se converteram ao catolicismo, dizendo com sua filha: "Queremos estar onde está Jesus"
O MEDO DO COROINHA
S. Pedro, chamado de Alcântara, pelo lugar onde nasceu (1499), entrou na Ordem dos Franciscanos com a idade de 16 anos. Foi um dos santos mais penitentes e favorecidos de Deus em seu tempo. S. Teresa de Ávila, que o conhecia de perto, conta-nos que S. Pedro passara 40 anos sem dormir mais de hora e meia por dia. O Santo não se deitava, mas ficava assentado com a cabeça encostada a um pau da parede. Essa foi a penitência
que mais sacrifícios lhe custou.Além disso, usava horríveis cilícios, passava às vezes três dias, e até oito, sem outro alimento que a Sagrada Comunhão. Em vista de tudo isso, não é de estranhar que se tenha elevado à mais alta contemplação, e Jesus o tenha favorecido com inefáveis carícias, mormente na missa e na sagrada comunhão.
Conta-se que, em certo convento, o coroinha, que ajudava na missa do Santo, era um menino inocente e bonzinho. Um dia, ao regressar a igreja, procurou o menino a sua mãe e disse-lhe:
- Mamãe, eu não quero mais ajudar à missa do Padre Pedro.
- Por que, meu filho, não hás de ajudar o Padre Pedro, que é um padre tão santo?
- Mamãe, ao ajudar-lhe a missa, várias vezes tenho visto um menino lindo, muito lindo, nas mãos dele; e, na hora da comunhão, ele come aquele menino. Mamãe, tenho medo que ele me coma também.
A mãe, que conhecia a santidade do Padre Pedro, compreendeu logo o mistério e disse:
- Não temas, meu filho; é o Menino Jesus que está na Hóstia . Que feliz és tu, que o vês com teus olhos inocentes!
Dali em diante o menino não teve mais medo e ajudava à missa do Santo com muito gosto e devoção.
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A Vida dos Santos,
Tesouro de Exemplos
17/05/2009
O hedonismo diabólico de Omar Khayyam
Rubaiyat [1] é uma grande meditação sobre a morte. Meditação não, lamentação. Fosse meditação, este famoso poema poderia nos fazer algum bem. A escolha de Khayyam diante da morte é a mais desprezível e covarde: vinho e raparigas. Fosse meditação, nossa vida seria elevada e não degradada.
O homem depois da Queda, frente à fatalidade da morte, prefere uma queda maior.
Mais sábio é meditares sobre
Esta certeza: morrerás
E não sonharás mais, e os vermes
Ou os cães comerão teu cadáver[2] (quadra 34)
Em lugar de te abandonares
Nos braços desse irmão da Morte,
Bebe vinho! Para dormir
Terás, sabes, a eternidade. (quadra 35)
Este hedonismo é diabólico porque considera Deus um criador malicioso.
Senhor, ó Senhor, responde-nos!
Deste-nos olhos, permitiste
Que a beleza das criaturas
Perturbasse os nossos sentidos
Dotaste-nos da faculdade
De ser felizes, e pretendes
Todavia que renunciemos
A gozar dos bens deste mundo?
Mas isto é-nos mais impossível
Que virar, Senhor, uma taça
Para o chão, sem que se derrame
O líquido que ela contém. (quadra 112)
Nossa compulsão ao vinho, para Khayyam, é uma lei tão inexorável quanto a lei da gravidade. Não podemos resisti-la. E isso é culpa de Deus, que nos criou assim. Khayyam segue culpando Deus pela criação do mal, pura gnose de sotaque persa e puro hedonismo diabólico.
O Criador do Universo e das estrelas
Superou-se a si mesmo ao criar a dor
Bocas como rubis e cabeleiras
Embalsamadas, quantas sois na Terra? (quadra 36)
Estamos largados neste “vale de lágrimas” sem a menor chance de compreendermos nada. Deus é relapso, irresponsável, indiferente à nossa vida que oscila entre o bem e o mal. Assim, devemos beber vinho!
Retóricos e sábios
Morreram sem chegar
À conclusão nenhuma
Sobre o ser e o não-ser
Nós, ignaros, bebamos
O bom suco das uvas,
Deixando aos grandes homens
O regalo das passas. (quadra 58)
Disputam o bem e o mal
A primazia na Terra.
O Céu não é responsável
Pelas voltas do destino.
Não agradeças portanto
O Céu, nem tampouco o acuses ...
O Céu é indiferente
A tuas dores e alegrias. (quadra 51)
Deus é enganador. As coisas que Ele criou nos enganam. Isso foi exatamente o que a serpente disse a Eva no Paraíso, pouco antes do Pecado Original.
Só conhecemos da ventura o nome.
Nosso mais velho amigo é o vinho novo.
Afaga o único bem que não engana:
A urna cheia do sangue dos vinhedos. (quadra 61)
Se Deus é enganador e criador do mal, Khayyam recusa o perdão de Deus.
Podes perseguir-me incessante,
Ó imagem de outra ventura!
Podeis, ó vozes amorosas,
Modular os vossos encantos!
Olho só para o que eu escolhi.
Só escuto o que já me embalou.
Dizem-me: “Deus te perdoará.”
Recuso o perdão que não peço. (quadra 71)
E quem recusa Deus, perde a razão e o entendimento.
Falam de um Criador ...
Terá formado
Então os seres só para destruí-los?
Por que são feios?
Quem é o responsável?
Por que são belos?
Não compreendo nada. (quadra 76)
“Não compreendo nada”: é a voz do vinho, é a voz do nada!
Falam da estrada do Conhecimento ...
Uns dizem tê-la achado, outros procuram-na.
Mas um dia uma voz há de exclamar-lhes:
“Não há estrada nenhuma, nem vereda!” (quadra 77)
“Não há estrada nenhuma, nem vereda!”: é a voz do bêbado nos indicando o caminho.
A contradição é sempre companheira de quem despreza a razão. O apologista do vinho e das raparigas nos diz que é indiferente aos sentidos!
Se soubesses quão pouco me interesso
Pelos quatro elementos naturais
E pelas cinco faculdades do homem!
Certos sábios da Grécia – ao que me dizes
Eram capazes de propor um cento
De enigmas aos ouvintes.
É total
A minha indiferença a tal respeito
Traz-me vinho, toca o alaúde e que as suas notas
Suas modulações façam lembrar-me
A brisa que cicia nas ramagens
Das árvores, a brisa leve, leve,
Leve ...
A brisa que passa como nós! (quadra 98)
“Traz-me vinho”: como será que Khayyam saboreará este vinho? Com um dos cinco sentidos? “Toca o alaúde”: Khayyam escutará o som do alaúde com um dos cinco sentidos ou com algum outro que o vinho lhe tenha dotado? Este é o samba do persa bêbado.
Para terminar este pequeno comentário, vou mostrar um Khayyam cartesiano e kantiano avant la lettre.
O mundo será abolido,
Pois do nosso pensamento
É que a sua realidade
Depende exclusivamente. (última estrofe, quadra 102)
____________________________________________________________________
[2] Uso aqui a tradução de Manuel Bandeira, Ediouro, 2001.
10/05/2009
Missas Tridentinas em Belo Horizonte
Com a graça de Deus, estamos tendo a celebração da Missa de Sempre em Belo Horizonte todos os finais de semana. A partir do dia 04 de outubro de 2009, a Missa será celebrada num único local, descrito abaixo.
Todos os DOMINGOS do mês
LOCAL: Santa Missa Celebrada na Capela do Colégio Monte Calvário
HORÁRIO: 9h30 (Confissões a partir das 8h30)
ENDERÇO: Av. do Contorno, 9384 (perto do hospital Felicio Rocho) - Barro Preto
Acesse também o blog da Missa Tridentina em BH.
Todos os DOMINGOS do mês
LOCAL: Santa Missa Celebrada na Capela do Colégio Monte Calvário
HORÁRIO: 9h30 (Confissões a partir das 8h30)
ENDERÇO: Av. do Contorno, 9384 (perto do hospital Felicio Rocho) - Barro Preto
Acesse também o blog da Missa Tridentina em BH.
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Missa Tridentina pelo Brasil
01/05/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XVIII
Comento aqui o texto de Pe. Nilo Luza n’O Domingo de 26 de abril de 2009. O título do texto é “Comer e beber juntos”. Apesar da Missa desse domingo ser Lc 24, 35-48, Pe. Luza parece se referir a Lc 24, 25-35, mais especificamente aos versículos 30-31: “Aconteceu que, estando com eles [os discípulos de Emaús] à mesa, tomou o pão, benzeu-o, partiu e lho dava. Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no; mas ele desapareceu.”
A superficialidade do texto de Pe. Luza é extraordinária: “Jesus é reconhecido quando parte o pão. A comunhão eucarística se realiza quando o presidente da celebração parte a hóstia e a distribui aos participantes reunidos em assembléia. O Ressuscitado tem fome e quer partilhar o alimento com os seus. Comida é sinal de vida e comunhão. Jesus compara o reino de Deus a um banquete ...” [São meus os negritos.]
Onde, Pe. Luza, há essa comparação? Onde Jesus deixa entender que a Eucaristia (com letra maiúscula, Pe. Luza) é uma refeição. Leia o que vai a seguir, Pe. Luza, e se converta ao catolicismo.
“A doutrina católica designa a toda oração e a todo sacrifício uma finalidade quádrupla: latrêutica, eucarística, propiciatória e impetratória. Em outras palavras, todo sacrifício comporta a adoração, a ação de graças, a reparação e a petição. O fim propiciatório (ou de reparação) é próprio de nosso mundo depois do pecado original. Antes do pecado, nossos primeiros pais tinham o dever de adorar a Deus, de agradecer-Lhe e solicitar Suas graças, mas eles não tinham de modo algum a obrigação de reparar. Não tendo pecado, eles não tinham necessidade de fazer reparação para reconciliar-se com Deus. Não será mais o caso da humanidade pecadora que tem necessidade – mesmo que fosse apenas para que sua oração fosse ouvida por Deus – de reparação. Deixar de mencionar o caráter propriciatório da Missa [da Eucaristia] seria viver na ilusão de uma humanidade sem pecado. No paraíso terrestre, antes do pecado original, um sacrifício voltado unicamente para a adoração, a ação de graças e a petição teria sido possível. Depois do pecado original, é pura ilusão não acrescentar a propiciação aos outros três fins mencionados. Esse caráter essencialmente propiciatório já era mencionado no texto do Concílio de Trento. Ele também é confirmado nas próprias palavras da consagração do vinho: ‘... quo pro vobis et pro multis tradetur’ .” [Dai-nos a Missa de volta e a face da terra será renovada, SIM SIM NÃO NÃO, Ano XIII, no. 152, Jan.-Fev. 2007]
A frase “Jesus é reconhecido quando parte o pão” parece significar para Pe. Luza que o pão material é que faz com que os olhos dos discípulos sejam abertos. Que é a fome deles que levanta a venda que os impede de ver quem é Jesus. Que é a mística da mesa de refeição, tão festejada no texto, que faz tudo acontecer. Reduzindo a Eucaristia a uma refeição, Pe. Luza continua com todo tipo de tolice. Diz, por exemplo: “A mesa é forte símbolo de integração e convivência, de comunhão e fraternidade. Ao seu redor partilha-se comida, diálogo, amenidades, alegria, desconcentração ...” Sim, padre. Mas e daí? Será que Nosso Senhor Jesus Cristo sofreu morte de cruz em nome de nossas amenidades? O senhor percebe sua blasfêmia?
Quanto à passagem evangélica narrada em Lc 24, 30-31, mencionada acima, é instrutivo aprender, não com Pe. Luza, que parece desconhecer a doutrina católica em quase todos os seus aspectos, mas com Santo Agostinho, que diz: “Não estavam [os discípulos] tão cegos para não enxergar nada, mas algum obstáculo havia que os impedia de conhecer o que viam. Não porque Deus não podia transformar sua carne e aparecer diferente de como eles o haviam visto em outras ocasiões, já que também se transformou no monte Tabor antes de Sua Paixão, de tal modo que Seu rosto brilhava como o sol. Mas agora não acontece isso, pois não temos este impedimento de forma inconveniente, mas é Satanás, com a permissão de Cristo, que impede seus olhos de reconhecerem a Jesus. Até que chegou o mistério do Pão, dando a conhecer que quando se participa de Seu Corpo, desaparece o obstáculo oferecido pelo inimigo para que não se possa conhecer a Jesus Cristo.”
Vejam bem a que Pão está se referindo São Lucas em seu evangelho. É o Pão com letra maiúscula. O Pão que nos faz parte do Corpo de Cristo. O Pão que nos afasta de Satanás. Tomar pão por Pão é confundir acidente e essência. Claro que isso deve ser completamente incompreensível para Pe. Luza, mas deve ser completamente claro que quisermos ser católicos. Pouparei os leitores das piores partes do texto de Pe. Luza. Sim, há coisas piores lá. Há as “políticas de combate à fome”, há “os países submersos na miséria e na fome”, há enfim o submarxismo de sempre.
Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI, Parte XVII, Adendo III
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A superficialidade do texto de Pe. Luza é extraordinária: “Jesus é reconhecido quando parte o pão. A comunhão eucarística se realiza quando o presidente da celebração parte a hóstia e a distribui aos participantes reunidos em assembléia. O Ressuscitado tem fome e quer partilhar o alimento com os seus. Comida é sinal de vida e comunhão. Jesus compara o reino de Deus a um banquete ...” [São meus os negritos.]
Onde, Pe. Luza, há essa comparação? Onde Jesus deixa entender que a Eucaristia (com letra maiúscula, Pe. Luza) é uma refeição. Leia o que vai a seguir, Pe. Luza, e se converta ao catolicismo.
“A doutrina católica designa a toda oração e a todo sacrifício uma finalidade quádrupla: latrêutica, eucarística, propiciatória e impetratória. Em outras palavras, todo sacrifício comporta a adoração, a ação de graças, a reparação e a petição. O fim propiciatório (ou de reparação) é próprio de nosso mundo depois do pecado original. Antes do pecado, nossos primeiros pais tinham o dever de adorar a Deus, de agradecer-Lhe e solicitar Suas graças, mas eles não tinham de modo algum a obrigação de reparar. Não tendo pecado, eles não tinham necessidade de fazer reparação para reconciliar-se com Deus. Não será mais o caso da humanidade pecadora que tem necessidade – mesmo que fosse apenas para que sua oração fosse ouvida por Deus – de reparação. Deixar de mencionar o caráter propriciatório da Missa [da Eucaristia] seria viver na ilusão de uma humanidade sem pecado. No paraíso terrestre, antes do pecado original, um sacrifício voltado unicamente para a adoração, a ação de graças e a petição teria sido possível. Depois do pecado original, é pura ilusão não acrescentar a propiciação aos outros três fins mencionados. Esse caráter essencialmente propiciatório já era mencionado no texto do Concílio de Trento. Ele também é confirmado nas próprias palavras da consagração do vinho: ‘... quo pro vobis et pro multis tradetur’ .” [Dai-nos a Missa de volta e a face da terra será renovada, SIM SIM NÃO NÃO, Ano XIII, no. 152, Jan.-Fev. 2007]
A frase “Jesus é reconhecido quando parte o pão” parece significar para Pe. Luza que o pão material é que faz com que os olhos dos discípulos sejam abertos. Que é a fome deles que levanta a venda que os impede de ver quem é Jesus. Que é a mística da mesa de refeição, tão festejada no texto, que faz tudo acontecer. Reduzindo a Eucaristia a uma refeição, Pe. Luza continua com todo tipo de tolice. Diz, por exemplo: “A mesa é forte símbolo de integração e convivência, de comunhão e fraternidade. Ao seu redor partilha-se comida, diálogo, amenidades, alegria, desconcentração ...” Sim, padre. Mas e daí? Será que Nosso Senhor Jesus Cristo sofreu morte de cruz em nome de nossas amenidades? O senhor percebe sua blasfêmia?
Quanto à passagem evangélica narrada em Lc 24, 30-31, mencionada acima, é instrutivo aprender, não com Pe. Luza, que parece desconhecer a doutrina católica em quase todos os seus aspectos, mas com Santo Agostinho, que diz: “Não estavam [os discípulos] tão cegos para não enxergar nada, mas algum obstáculo havia que os impedia de conhecer o que viam. Não porque Deus não podia transformar sua carne e aparecer diferente de como eles o haviam visto em outras ocasiões, já que também se transformou no monte Tabor antes de Sua Paixão, de tal modo que Seu rosto brilhava como o sol. Mas agora não acontece isso, pois não temos este impedimento de forma inconveniente, mas é Satanás, com a permissão de Cristo, que impede seus olhos de reconhecerem a Jesus. Até que chegou o mistério do Pão, dando a conhecer que quando se participa de Seu Corpo, desaparece o obstáculo oferecido pelo inimigo para que não se possa conhecer a Jesus Cristo.”
Vejam bem a que Pão está se referindo São Lucas em seu evangelho. É o Pão com letra maiúscula. O Pão que nos faz parte do Corpo de Cristo. O Pão que nos afasta de Satanás. Tomar pão por Pão é confundir acidente e essência. Claro que isso deve ser completamente incompreensível para Pe. Luza, mas deve ser completamente claro que quisermos ser católicos. Pouparei os leitores das piores partes do texto de Pe. Luza. Sim, há coisas piores lá. Há as “políticas de combate à fome”, há “os países submersos na miséria e na fome”, há enfim o submarxismo de sempre.
Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI, Parte XVII, Adendo III
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Concílio Vaticano II,
Lições das Missas de Paulo VI
23/04/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano II – Adendo III
Em meus comentários sobre a Missa de Paulo VI, tenho evitado comentários litúrgicos, pois os considero muito mais complexos. Comento apenas as opiniões de padres da Igreja que demonstram a ignorância – na melhor das hipóteses – ou a malícia desses indivíduos que um dia receberam o Sacramento da Ordem. O catolicismo sabido e professado por todos os católicos de 50 anos atrás é desconhecido até pelos padres atuais. A situação é gravíssima, pois os católicos nominais de hoje estão professando uma religião diferente, muito parecida com algumas correntes do protestantismo, protestantismo que só pode ser definido como algo em oposição à Igreja, ou seja, algo que não é, ao invés de algo que é.
Não desejo começar uma série de comentários litúrgicos. Quem se interessar por esse tipo de assunto pode consultar muito boas fontes. Livros como Iota Unum e The Eternal Sacrifice: The Liturgy since Vatican II são exemplos de tais fontes. Há muitas outras boas fontes para esse assunto na Internet. Os sítios católicos que recomendo estão aí do lado esquerdo.
O que gostaria de mostrar neste post é como clérigos, agindo dentro da própria Igreja, fazem tão mal a ela e a seus fiéis. Fazem consciente ou inconscientemente? Isso eu não sei. Ninguém sabe. Por isso não podemos julgar as consciência, apenas os atos. Só Deus nos julgará integralmente.
Dirão os leitores que isso não é novidade, que sempre foi assim e que a Igreja sempre terá inimigos internos e externos. Concordo. Mas uma coisa é você ler sobre a heresia ariana, ou sobre os albigenses, outra coisa é vivenciar uma situação em que várias heresias antigas reaparecem como se fossem fenômenos novos, com toda a vitalidade de um recém nascido.
Se alguém quiser ter uma idéia das mudanças litúrgicas introduzidas pelo Concílio Vaticano II de uma forma concentrada, sem ter de ler todas as quase 800 páginas do Iota Unum, sem ter de se confundir com aspectos litúrgicos e teológicos complicados de um relatório Ottaviani, sem ter de ler livros tais como Do Liberalismo à Apostasia, basta que se compare a “Oração Universal”, do missal de Paulo VI, com “A Oração dos Fiéis”, do missal de São Pio V, que se reza na Sexta-Feira Santa.
Vamos comparar algumas partes das duas orações. Compararei apenas as partes cujas diferenças realcem pontos discordantes importantes. São meus os negritos. Meus eventuais comentários aparecem em itálico. A numeração das parte segue o Missal de Paulo VI.
1ª. parte
Missal de Paulo VI – Oremos, irmãos e irmãs caríssimos, pela santa Igreja de Deus: que o Senhor nosso Deus lhe dê a paz e a unidade, que ele (sic!) a proteja por toda a terra e nos conceda uma vida calma e tranqüila, para sua própria glória.
Missal de São Pio V – Oremos, irmãos caríssimos, pela santa Igreja de Deus, para que Deus, Nosso Senhor, se digne dar-lhe a paz, conservá-la em união e defendê-la por toda a terra, sujeitando-lhe os principados e potestades deste mundo, e nos conceda uma vida calma e tranqüila, para glorificarmos a Deus, Pai onipotente.
É muito significativo que a oração moderna não peça a Deus que sujeite à Igreja os principados e potestades deste mundo. Paulo nos diz (Ef. 6,12): “porque não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos malignos espalhados pelo ar.” O que significa isso? Significa que “não temos de lutar contra seres compostos de carne e sangue, mas contra os espíritos maus que são os dominadores deste mundo, isto é, do mundo perverso, imerso nas trevas do erro e do pecado” [Novo Testamento, Edições Paulinas, 1969, com comentários do Pontifício Instituto Bíblico de Roma]. A frase retirada é, portanto, muitíssimo importante, para quem acredita que os principados e potestades dominam o mundo. Peço permissão para citar um trecho de um post anterior, que vem bem a propósito de nosso assunto: “Um dos fatos mais incontestáveis do período pós-Vaticano II foi a reinterpretação que se deu da figura de Satanás, ou mesmo a pura descrença em relação ao maligno. O Pe. Grabriele Amorth, exorcista de Roma, responsável por mais de 20.000 exorcismos, em seu livro ‘Um Exorcista Conta-nos’, diz: ‘Erram completamente aqueles teólogos modernos que identificam Satanás com a idéia abstrata do mal: isto é heresia autêntica, ou seja, está em aberta oposição à Bíblia, à patrística, ao magistério da Igreja’. Diz ainda mais à frente, no mesmo capítulo: ‘Já os mais antigos Padres da Igreja, como por exemplo, Justino e Irineu expõem com clareza o pensamento cristão sobre o demônio e sobre o poder de expulsar, sendo seguidos por outros padres, entre os quais Tertuliano e Orígenes. Basta citar estes quatro autores para envergonhar tantos teólogos modernos que praticamente não acreditam nos demônios ou não falam absolutamente nada sobre eles.’ ” Aí está. A retirada da frase vale pela afirmação da descrença no maligno.
Há de se notar também a letra minúscula no ele, quando se refere a Deus. Isso não foi um erro de edição e é comum, pelo menos n’O Domingo, que uso como referência. Por fim, coisa de somenos importância é o tratamento politicamente correto, portanto deslavadamente comunista, da abertura da oração: “irmãos e irmãs”.
5ª. parte
Missal de Paulo VI – Oremos por nossos irmãos e irmãs que crêem em Cristo, para que o Senhor nosso Deus se digne reunir e conservar na unidade da sua Igreja todos os que vivem segundo a verdade. Deus eterno e todo-poderoso, que reunis o que está disperso e conservai o que está unido, velai sobre o rebanho do vosso Filho. Que a integridade da fé e os laços da caridade unam os que foram consagrados por um só batismo. Por Cristo, nosso Senhor.
Missal de São Pio V – Oremos também pelos hereges e cismáticos, para que Deus Nosso Senhor, os livre de todos os erros e se digne reconduzi-los à santa Madre Igreja Católica e Apostólica. Onipotente e eterno Deus, que salvais todos os homens e não quereis a perdição de ninguém, volvei os vossos olhos para as almas seduzidas pelos artifícios do demônio, para que, abandonando toda a maldade da heresia, se arrependam de seus erros e voltem à participação de vossa verdade. Por N.S.
Lendo a oração moderna, com sua linguagem melíflua, é impossível não lembrar do que Cristo nos ensinou: “Seja pois o vosso falar: Sim, sim, não, não, porque tudo que passa disso procede do maligno.” A oração moderna pede a unidade de “todos os que vivem segundo a verdade”. “E o que é a verdade”, perguntou Pilatos a Jesus. Lendo a oração antiga, vemos o que a Igreja sempre acreditou e pelo que ela sempre rezou: pela conversão dos hereges e cismáticos, nada mais, nada menos.
6ª. parte
Missal de Paulo VI – Oremos pelos judeus, aos quais o Senhor nosso Deus falou em primeiro lugar, a fim de que cresçam na fidelidade de sua aliança e no amor do seu nome. Deus eterno e todo-poderoso, que fizestes vossas promessas a Abraão e seus descendentes, escutai as preces de vossa Igreja. Que o povo da primitiva aliança mereça alcançar a plenitude da vossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.
Missal de São Pio V – Oremos também pelos obstinados judeus, para que Deus, Nosso Senhor, tire de seus corações o véu da cegueira, a fim de chegarem ao conhecimento de N.S. Jesus Cristo. Onipotente e eterno Deus, que em vossa misericórdia, não repelis nem mesmo a obstinação dos judeus, ouvi as preces que Vos fazemos pela cegueira deste povo, para que reconhecendo ele a Luz de vossa Verdade, que é o Cristo, seja livre de suas trevas. Pelo mesmo J.C.
O missal moderno reza para que os judeus sejam salvos, mesmo não aceitando Jesus, mesmo vivendo a antiga aliança. “Pois este é o cálice do meu sangue, do novo e eterno testamento – mistério de fé – que será derramado por vós e por muitos em remissão dos pecados.” A nova aliança é a aliança eterna. A antiga aliança termina aqui, no sangue de Jesus, que é o Agnus Dei. Ou se acredita nisso, ou não se é católico. Acreditar que a antiga aliança ainda tem a força da salvação é acreditar que a Paixão foi em vão, é pecado gravíssimo, é pura e perfeita heresia. O missal moderno cai em heresia? Quem sou eu para dizer! Isso é matéria seríssima e só deve ser tratada em alto nível. O que observo é que as palavras do missal dão a entender algo grave e só. Por outro lado, o missal antigo pede para que Deus tire dos corações do judeus a cegueira. Que cegueira? Aquela que os impediu, e ainda os impede, de ver em Jesus o Messias anunciado em todo o Velho Testamento. É uma oração de piedade e a única coisa que podemos fazer, pois queremos a salvação deles e de todos.
9ª. parte
Missal de Paulo VI – Oremos por todos os governantes: que o nosso Deus e Senhor, segundo sua vontade, lhes dirija o espírito e o coração para que todos possam gozar de verdadeira paz e liberdade. Deus eterno e todo-poderoso, que tendes na mão o coração do seres humanos e o direito dos povos, olhai com bondade aqueles que nos governam. Que por vossa graça se consolidem por toda a terra a segurança e a paz, a prosperidade das nações e a liberdade religiosa. Por Cristo, nosso Senhor.
Missal de São Pio V – Oremos por todos os governantes das nações, seus ministérios e domínios, a fim de que Deus e Senhor nosso lhes dirija as inteligência e os corações segundo a sua vontade para nossa perpétua paz. Onipotente e eterno Deus, em cujas mãos estão os poderes e os direitos de todos os povos: volvei vosso olhar de bondade para aqueles que nos governam, a fim de que, no mundo inteiro, permaneçam estáveis a integridade da religião e a segurança da pátria. Por N.S.
Aqui há coisas sutis e coisas escandalosas. Sutilmente a oração moderna pede a Deus prosperidade e liberdade. Isso é errado, claro. Primeiro porque não estamos aqui para ser prósperos. Estamos aqui tentando ser salvos. Depois, a oração por liberdade, o que significa? Se for liberdade de fazermos o que bem entendemos, a Igreja não pode orar por tal coisa. Se for a liberdade definida por Leão XIII na encíclica Libertas, aí sim. Infelizmente, suspeito que este não seja o caso da oração moderna, pois logo depois vem o escândalo, quando se reza pela liberdade religiosa. Se rezamos pela liberdade religiosa, estamos rezando para que Deus dê a todos a liberdade de escolher sua religião ao seu bel prazer. Isso significa que não acreditamos que só há salvação na Igreja Católica. Não há outra forma de entender isso.
Uma forma de não acreditar que a Igreja é o único caminho para a salvação de nossas almas é não acreditando em Jesus, como nosso Salvador. Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e o que ligares na terra ficará ligado nos céus; e o que desligares na terra ficará desligado nos céus.” Se acredito que Jesus é Deus e nosso Salvador, então só mesmo a loucura pode fazer alguém acreditar que haja salvação fora da Igreja católica. Não podemos pedir a Deus a liberdade religiosa, justamente porque assim estaremos pedindo a Deus a perdição das almas. Não podemos obrigar ninguém a ser católico, mas não podemos incluir em nossos pedidos a Deus que alguém não seja católico.
Há muitas outras coisas a ser observadas nas duas orações, mas este post já está muito longo. De qualquer forma, acredito ter comentado os pontos mais importantes.
Que Deus nos ilumine a todos para que possamos melhor servir ao Seu Filho e a sua Igreja e, com isso, consigamos nossa própria salvação.
Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI, Parte XVII
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Não desejo começar uma série de comentários litúrgicos. Quem se interessar por esse tipo de assunto pode consultar muito boas fontes. Livros como Iota Unum e The Eternal Sacrifice: The Liturgy since Vatican II são exemplos de tais fontes. Há muitas outras boas fontes para esse assunto na Internet. Os sítios católicos que recomendo estão aí do lado esquerdo.
O que gostaria de mostrar neste post é como clérigos, agindo dentro da própria Igreja, fazem tão mal a ela e a seus fiéis. Fazem consciente ou inconscientemente? Isso eu não sei. Ninguém sabe. Por isso não podemos julgar as consciência, apenas os atos. Só Deus nos julgará integralmente.
Dirão os leitores que isso não é novidade, que sempre foi assim e que a Igreja sempre terá inimigos internos e externos. Concordo. Mas uma coisa é você ler sobre a heresia ariana, ou sobre os albigenses, outra coisa é vivenciar uma situação em que várias heresias antigas reaparecem como se fossem fenômenos novos, com toda a vitalidade de um recém nascido.
Se alguém quiser ter uma idéia das mudanças litúrgicas introduzidas pelo Concílio Vaticano II de uma forma concentrada, sem ter de ler todas as quase 800 páginas do Iota Unum, sem ter de se confundir com aspectos litúrgicos e teológicos complicados de um relatório Ottaviani, sem ter de ler livros tais como Do Liberalismo à Apostasia, basta que se compare a “Oração Universal”, do missal de Paulo VI, com “A Oração dos Fiéis”, do missal de São Pio V, que se reza na Sexta-Feira Santa.
Vamos comparar algumas partes das duas orações. Compararei apenas as partes cujas diferenças realcem pontos discordantes importantes. São meus os negritos. Meus eventuais comentários aparecem em itálico. A numeração das parte segue o Missal de Paulo VI.
1ª. parte
Missal de Paulo VI – Oremos, irmãos e irmãs caríssimos, pela santa Igreja de Deus: que o Senhor nosso Deus lhe dê a paz e a unidade, que ele (sic!) a proteja por toda a terra e nos conceda uma vida calma e tranqüila, para sua própria glória.
Missal de São Pio V – Oremos, irmãos caríssimos, pela santa Igreja de Deus, para que Deus, Nosso Senhor, se digne dar-lhe a paz, conservá-la em união e defendê-la por toda a terra, sujeitando-lhe os principados e potestades deste mundo, e nos conceda uma vida calma e tranqüila, para glorificarmos a Deus, Pai onipotente.
É muito significativo que a oração moderna não peça a Deus que sujeite à Igreja os principados e potestades deste mundo. Paulo nos diz (Ef. 6,12): “porque não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos malignos espalhados pelo ar.” O que significa isso? Significa que “não temos de lutar contra seres compostos de carne e sangue, mas contra os espíritos maus que são os dominadores deste mundo, isto é, do mundo perverso, imerso nas trevas do erro e do pecado” [Novo Testamento, Edições Paulinas, 1969, com comentários do Pontifício Instituto Bíblico de Roma]. A frase retirada é, portanto, muitíssimo importante, para quem acredita que os principados e potestades dominam o mundo. Peço permissão para citar um trecho de um post anterior, que vem bem a propósito de nosso assunto: “Um dos fatos mais incontestáveis do período pós-Vaticano II foi a reinterpretação que se deu da figura de Satanás, ou mesmo a pura descrença em relação ao maligno. O Pe. Grabriele Amorth, exorcista de Roma, responsável por mais de 20.000 exorcismos, em seu livro ‘Um Exorcista Conta-nos’, diz: ‘Erram completamente aqueles teólogos modernos que identificam Satanás com a idéia abstrata do mal: isto é heresia autêntica, ou seja, está em aberta oposição à Bíblia, à patrística, ao magistério da Igreja’. Diz ainda mais à frente, no mesmo capítulo: ‘Já os mais antigos Padres da Igreja, como por exemplo, Justino e Irineu expõem com clareza o pensamento cristão sobre o demônio e sobre o poder de expulsar, sendo seguidos por outros padres, entre os quais Tertuliano e Orígenes. Basta citar estes quatro autores para envergonhar tantos teólogos modernos que praticamente não acreditam nos demônios ou não falam absolutamente nada sobre eles.’ ” Aí está. A retirada da frase vale pela afirmação da descrença no maligno.
Há de se notar também a letra minúscula no ele, quando se refere a Deus. Isso não foi um erro de edição e é comum, pelo menos n’O Domingo, que uso como referência. Por fim, coisa de somenos importância é o tratamento politicamente correto, portanto deslavadamente comunista, da abertura da oração: “irmãos e irmãs”.
5ª. parte
Missal de Paulo VI – Oremos por nossos irmãos e irmãs que crêem em Cristo, para que o Senhor nosso Deus se digne reunir e conservar na unidade da sua Igreja todos os que vivem segundo a verdade. Deus eterno e todo-poderoso, que reunis o que está disperso e conservai o que está unido, velai sobre o rebanho do vosso Filho. Que a integridade da fé e os laços da caridade unam os que foram consagrados por um só batismo. Por Cristo, nosso Senhor.
Missal de São Pio V – Oremos também pelos hereges e cismáticos, para que Deus Nosso Senhor, os livre de todos os erros e se digne reconduzi-los à santa Madre Igreja Católica e Apostólica. Onipotente e eterno Deus, que salvais todos os homens e não quereis a perdição de ninguém, volvei os vossos olhos para as almas seduzidas pelos artifícios do demônio, para que, abandonando toda a maldade da heresia, se arrependam de seus erros e voltem à participação de vossa verdade. Por N.S.
Lendo a oração moderna, com sua linguagem melíflua, é impossível não lembrar do que Cristo nos ensinou: “Seja pois o vosso falar: Sim, sim, não, não, porque tudo que passa disso procede do maligno.” A oração moderna pede a unidade de “todos os que vivem segundo a verdade”. “E o que é a verdade”, perguntou Pilatos a Jesus. Lendo a oração antiga, vemos o que a Igreja sempre acreditou e pelo que ela sempre rezou: pela conversão dos hereges e cismáticos, nada mais, nada menos.
6ª. parte
Missal de Paulo VI – Oremos pelos judeus, aos quais o Senhor nosso Deus falou em primeiro lugar, a fim de que cresçam na fidelidade de sua aliança e no amor do seu nome. Deus eterno e todo-poderoso, que fizestes vossas promessas a Abraão e seus descendentes, escutai as preces de vossa Igreja. Que o povo da primitiva aliança mereça alcançar a plenitude da vossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.
Missal de São Pio V – Oremos também pelos obstinados judeus, para que Deus, Nosso Senhor, tire de seus corações o véu da cegueira, a fim de chegarem ao conhecimento de N.S. Jesus Cristo. Onipotente e eterno Deus, que em vossa misericórdia, não repelis nem mesmo a obstinação dos judeus, ouvi as preces que Vos fazemos pela cegueira deste povo, para que reconhecendo ele a Luz de vossa Verdade, que é o Cristo, seja livre de suas trevas. Pelo mesmo J.C.
O missal moderno reza para que os judeus sejam salvos, mesmo não aceitando Jesus, mesmo vivendo a antiga aliança. “Pois este é o cálice do meu sangue, do novo e eterno testamento – mistério de fé – que será derramado por vós e por muitos em remissão dos pecados.” A nova aliança é a aliança eterna. A antiga aliança termina aqui, no sangue de Jesus, que é o Agnus Dei. Ou se acredita nisso, ou não se é católico. Acreditar que a antiga aliança ainda tem a força da salvação é acreditar que a Paixão foi em vão, é pecado gravíssimo, é pura e perfeita heresia. O missal moderno cai em heresia? Quem sou eu para dizer! Isso é matéria seríssima e só deve ser tratada em alto nível. O que observo é que as palavras do missal dão a entender algo grave e só. Por outro lado, o missal antigo pede para que Deus tire dos corações do judeus a cegueira. Que cegueira? Aquela que os impediu, e ainda os impede, de ver em Jesus o Messias anunciado em todo o Velho Testamento. É uma oração de piedade e a única coisa que podemos fazer, pois queremos a salvação deles e de todos.
9ª. parte
Missal de Paulo VI – Oremos por todos os governantes: que o nosso Deus e Senhor, segundo sua vontade, lhes dirija o espírito e o coração para que todos possam gozar de verdadeira paz e liberdade. Deus eterno e todo-poderoso, que tendes na mão o coração do seres humanos e o direito dos povos, olhai com bondade aqueles que nos governam. Que por vossa graça se consolidem por toda a terra a segurança e a paz, a prosperidade das nações e a liberdade religiosa. Por Cristo, nosso Senhor.
Missal de São Pio V – Oremos por todos os governantes das nações, seus ministérios e domínios, a fim de que Deus e Senhor nosso lhes dirija as inteligência e os corações segundo a sua vontade para nossa perpétua paz. Onipotente e eterno Deus, em cujas mãos estão os poderes e os direitos de todos os povos: volvei vosso olhar de bondade para aqueles que nos governam, a fim de que, no mundo inteiro, permaneçam estáveis a integridade da religião e a segurança da pátria. Por N.S.
Aqui há coisas sutis e coisas escandalosas. Sutilmente a oração moderna pede a Deus prosperidade e liberdade. Isso é errado, claro. Primeiro porque não estamos aqui para ser prósperos. Estamos aqui tentando ser salvos. Depois, a oração por liberdade, o que significa? Se for liberdade de fazermos o que bem entendemos, a Igreja não pode orar por tal coisa. Se for a liberdade definida por Leão XIII na encíclica Libertas, aí sim. Infelizmente, suspeito que este não seja o caso da oração moderna, pois logo depois vem o escândalo, quando se reza pela liberdade religiosa. Se rezamos pela liberdade religiosa, estamos rezando para que Deus dê a todos a liberdade de escolher sua religião ao seu bel prazer. Isso significa que não acreditamos que só há salvação na Igreja Católica. Não há outra forma de entender isso.
Uma forma de não acreditar que a Igreja é o único caminho para a salvação de nossas almas é não acreditando em Jesus, como nosso Salvador. Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e o que ligares na terra ficará ligado nos céus; e o que desligares na terra ficará desligado nos céus.” Se acredito que Jesus é Deus e nosso Salvador, então só mesmo a loucura pode fazer alguém acreditar que haja salvação fora da Igreja católica. Não podemos pedir a Deus a liberdade religiosa, justamente porque assim estaremos pedindo a Deus a perdição das almas. Não podemos obrigar ninguém a ser católico, mas não podemos incluir em nossos pedidos a Deus que alguém não seja católico.
Há muitas outras coisas a ser observadas nas duas orações, mas este post já está muito longo. De qualquer forma, acredito ter comentado os pontos mais importantes.
Que Deus nos ilumine a todos para que possamos melhor servir ao Seu Filho e a sua Igreja e, com isso, consigamos nossa própria salvação.
Para ver outros comentários sobre a Missa nova, clique: Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI, Parte VII, Parte VIII, Parte IX, Parte X, Parte XI, Parte XII, Parte XIII, Parte XIV, Parte XV, Parte XVI, Parte XVII
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Lições das Missas de Paulo VI
20/04/2009
Missa Tridentina em Belo Horizonte
Domingo que vem, 26/04/2009, teremos uma Missa segundo o Rito Romano Extraórdinário (Rito de São Pio V), celebrada na Capela do Colégio Monte Calvário, às 10h30. O endereço do colégio é Av. do Contorno, 9384 - Barro Preto (próximo ao Hospital Felício Rocho).
15/04/2009
Lições das Missas dominicais pós-Vaticano – Parte XVII
Estamos no domingo de Páscoa e o Evangelho, na Missa de Paulo VI, é Jo. 20, 1-9. Maria Madalena descobre o sepulcro de Jesus vazio, avisa Pedro e João. Estes saem correndo para verificar a informação de Maria Madalena e João chega primeiro. Ele espera Pedro que entra primeiro e vê os sinais da Ressurreição.
A Catena Aurea nos apresenta comentários belíssimos de vários comentadores do Evangelho de João. Dentre estes se destacam os comentários de Santo Agostinho e de São João Crisóstomo e São Gregório Magno.
Os comentários do Pontifício Instituto Bíblico do meu Novo Testamento, Edições Paulinas, 1970, diz: “O evangelista tenciona narrar a aparição de Jesus ressuscitado a Maria Madalena e por isso não fala das outras piedosas mulheres, tendo presente apenas a sua protagonista. Vendo Maria que o sepulcro estava vazio, corre sem demora a avisar o chefe dos apóstolos. A curiosidade, mas ainda mais a afeição para como o Mestre, aceleraram o passo dos dois apóstolos, Pedro e João. Este, porém, ainda que tivesse precedido a Pedro, por deferência para com ele, não entrou no sepulcro, deixando-lhe a honra de ali penetrar por primeiro.”
No Semanário Liturgico-Catequético “O Domingo”, Pe. Paulo Bazaglia tem idéias completamente diferentes tanto dos Padres, quanto do Pontifício Instituto Bíblico. Este padre, pasmem os leitores, nos diz: “Bem diferente é a atitude de Simão Pedro, que perde a corrida e, pior, não alcança a fé – gerada pelo amor.”
Veja que coisa! Pedro e João estavam apostando corrida. Talvez eles estivessem treinando para alguma olimpíada hebraica! João ganhou. Sabem por quê? Porque Pe. Bazaglia tenta contrapor João – o amor – a Pedro – resistência em aceitar Jesus. E o amor venceu! Já viram metáfora mais indecente e blasfema que esta? A isto reduziram a catequese católica.
Além de afirmar que Pedro não alcança a fé, esse padre nos diz: “Ocorre que no Evangelho de João, Simão Pedro, salvo raras exceções, representa a dificuldade e a resistência em aceitar Jesus do jeito que ele (sic!) é, sem pretender que o Mestre seja como o discípulo (cf. 13, 6-8 e 18, 17ss).”
A figura de Pedro, a pedra angular, o primeiro Papa preocupa nosso catequista. Porque ele resiste a Jesus no lava-pés, porque ele O nega três vezes. O que Pe. Bazaglia quer é diminuir a importância de Pedro como cabeça da Igreja e, de quebra, diminuir a importância do Papa. Ora, isso é de uma malícia e ignorância tremenda.
Vou colocar Chesterton (desculpe-me por isto!) para responder Pe. Bazaglia: “Quando Cristo, num momento simbólico, estava estabelecendo Sua grande sociedade, Ele escolheu para sua pedra fundamental não o brilhante Paulo, nem o místico João, mas um embusteiro, um arrogante, um covarde – em uma palavra, um homem. E sobre aquela pedra Ele construiu Sua Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Todos os impérios e reinos fracassaram, por causa dessa inerente e contínua fraqueza: eles foram fundados sobre homens fortes. Mas essa coisa única, a Igreja Cristã histórica, foi fundada sobre um homem fraco, e por esta razão é indestrutível. Pois nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco.”
Pe. Bazaglia, isto é que o senhor deveria ensinar em sua catequese: a Igreja foi fundada sobre um homem fraco, como todos nós, incluindo o senhor. Esta Igreja é indestrutível porque este homem fraco tem a proteção de Cristo, porque o Papa é o representante Dele aqui no rio da história. Pedro entrou primeiro no sepulcro vazio, porque João – o amor, o místico, o discípulo muito amado – aceitava a liderança de Pedro.
Quanto a Pedro não ter alcançado a fé, eu pergunto: o senhor estaria disposto a passar pelo que Pedro passou, incluindo sua crucificação em Roma, pela fé que o senhor tem em N.S.J.C.?
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A Catena Aurea nos apresenta comentários belíssimos de vários comentadores do Evangelho de João. Dentre estes se destacam os comentários de Santo Agostinho e de São João Crisóstomo e São Gregório Magno.
Os comentários do Pontifício Instituto Bíblico do meu Novo Testamento, Edições Paulinas, 1970, diz: “O evangelista tenciona narrar a aparição de Jesus ressuscitado a Maria Madalena e por isso não fala das outras piedosas mulheres, tendo presente apenas a sua protagonista. Vendo Maria que o sepulcro estava vazio, corre sem demora a avisar o chefe dos apóstolos. A curiosidade, mas ainda mais a afeição para como o Mestre, aceleraram o passo dos dois apóstolos, Pedro e João. Este, porém, ainda que tivesse precedido a Pedro, por deferência para com ele, não entrou no sepulcro, deixando-lhe a honra de ali penetrar por primeiro.”
No Semanário Liturgico-Catequético “O Domingo”, Pe. Paulo Bazaglia tem idéias completamente diferentes tanto dos Padres, quanto do Pontifício Instituto Bíblico. Este padre, pasmem os leitores, nos diz: “Bem diferente é a atitude de Simão Pedro, que perde a corrida e, pior, não alcança a fé – gerada pelo amor.”
Veja que coisa! Pedro e João estavam apostando corrida. Talvez eles estivessem treinando para alguma olimpíada hebraica! João ganhou. Sabem por quê? Porque Pe. Bazaglia tenta contrapor João – o amor – a Pedro – resistência em aceitar Jesus. E o amor venceu! Já viram metáfora mais indecente e blasfema que esta? A isto reduziram a catequese católica.
Além de afirmar que Pedro não alcança a fé, esse padre nos diz: “Ocorre que no Evangelho de João, Simão Pedro, salvo raras exceções, representa a dificuldade e a resistência em aceitar Jesus do jeito que ele (sic!) é, sem pretender que o Mestre seja como o discípulo (cf. 13, 6-8 e 18, 17ss).”
A figura de Pedro, a pedra angular, o primeiro Papa preocupa nosso catequista. Porque ele resiste a Jesus no lava-pés, porque ele O nega três vezes. O que Pe. Bazaglia quer é diminuir a importância de Pedro como cabeça da Igreja e, de quebra, diminuir a importância do Papa. Ora, isso é de uma malícia e ignorância tremenda.
Vou colocar Chesterton (desculpe-me por isto!) para responder Pe. Bazaglia: “Quando Cristo, num momento simbólico, estava estabelecendo Sua grande sociedade, Ele escolheu para sua pedra fundamental não o brilhante Paulo, nem o místico João, mas um embusteiro, um arrogante, um covarde – em uma palavra, um homem. E sobre aquela pedra Ele construiu Sua Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Todos os impérios e reinos fracassaram, por causa dessa inerente e contínua fraqueza: eles foram fundados sobre homens fortes. Mas essa coisa única, a Igreja Cristã histórica, foi fundada sobre um homem fraco, e por esta razão é indestrutível. Pois nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco.”
Pe. Bazaglia, isto é que o senhor deveria ensinar em sua catequese: a Igreja foi fundada sobre um homem fraco, como todos nós, incluindo o senhor. Esta Igreja é indestrutível porque este homem fraco tem a proteção de Cristo, porque o Papa é o representante Dele aqui no rio da história. Pedro entrou primeiro no sepulcro vazio, porque João – o amor, o místico, o discípulo muito amado – aceitava a liderança de Pedro.
Quanto a Pedro não ter alcançado a fé, eu pergunto: o senhor estaria disposto a passar pelo que Pedro passou, incluindo sua crucificação em Roma, pela fé que o senhor tem em N.S.J.C.?
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10/04/2009
Um Buquê de Rosários pela Missa Tridentina
Este blog está apoiando esta campanha nacional do site Missa Tridentina. Ela tem como objetivo oferecer aos Bispos do Brasil um buquê de Rosários pela implantação da Forma Extraordinária do Rito Romano em todas as paróquias do Brasil.
Sancta Dei Génitrix, Auxilium Christianórum, ora pro nobis.
Sancta Dei Génitrix, Auxilium Christianórum, ora pro nobis.
09/04/2009
Com os boffs para fora
Os leitores do blog – e ele tem alguns! – devem saber que tenho duas péssimas manias: a de ler e comentar do semanário litúrgico-catequético “O Domingo” e a de ler e comentar alguns dos artigos de “frei” Beto. Já alertei a todos que isso faz mal à saúde mental e pode afastar permanentemente os incautos do catolicismo.
Leonardo Boff nunca li. Leio às vezes alguns comentários sobre esse herege, como o que se encontra no artigo Surrealismo na teologia da libertação. O autor cita um trecho de um artigo do tal herege: “A questão teológica de base que até agora não acabamos de responder é: como anunciar de maneira crível um Deus que é um Pai bondoso em um mundo abarrotado de miseráveis?”
O baixo nível intelectual desse sujeito é tremendo. Ele não sabe o que é teologia, pois considera que anunciar Deus ao povo é uma questão teológica. Esta questão não é teológica e sim catequética.
Diz Étienne Gilson, em seu livro “O filósofo e a teologia”, que o catecismo em que ele estudou (edição de 1885 da diocese de Meaux) dizia:
“-- Qual a primeira verdade na qual devemos crer?
A primeira verdade em que devemos crer é que existe um Deus e que não pode haver mais do que um só.
-- Por que você acredita que há um Deus?
Eu creio que há um Deus porque ele próprio nos revelou sua existência.
-- A razão também não lhe diz que existe um Deus?
Sim, a razão também nos diz que há um Deus, porque se não houvesse Deus, o céu e a terra também não existiriam.”
Essa é a forma de anunciar Deus ao povo; seja ele sofrido, miserável, pobre, rico, feliz, doente, saudável etc. Deus existe porque Ele mesmo assim nos revelou. Esse é também o que nos diz, por exemplo, o Segundo Catecismo da Doutrina Cristã, escrito em 1903 e até hoje, inexplicavelmente, editado pela não-católica Editora Vozes.
Que fique claro um primeiro ponto: Boff não sabe o Catecismo da Igreja.
A segunda confusão de Boff – não sei se ele é confuso sem notar ou por conveniência – é mais interessante, pois revela claramente o caráter do herege. É o problema do mal no mundo que confunde esse indigente intelectual. Sobre isso, há uma passagem muito interessante no livro de Belloc, As Grandes Heresias,[1] quando ele fala da heresia albigense, uma das mais furiosas, odientas e perigosas heresias com que já se defrontou a Igreja Católica. Ele diz:
“Para responder esta importante questão, devemos considerar a principal verdade da Igreja Católica, que pode ser resumidamente colocada da seguinte forma: “A Igreja Católica é fundada no reconhecimento da dor e da morte.” Na sua forma mais completa a sentença pode ser escrita ‘A Igreja Católica está radicada no reconhecimento do sofrimento e da mortalidade, problemas cuja solução ela alega possuir.’ Esse problema é geralmente conhecido como ‘O Problema do Mal’.
“Como podemos considerar o glorioso destino do homem, o céu como seu objetivo e seu Criador infinitamente bom e onipotente quando nos encontramos sujeitos ao sofrimento e à morte?
“Quase toda pessoa jovem e inocente está, mesmo que superficialmente, consciente desse problema. O grau de consciência depende das situações da vida de cada um; quão cedo se enfrentou uma perda por morte ou quão cedo adveio uma grande dor física ou mental. Mas cedo ou tarde todo ser humano que pensa alguma coisa, qualquer um que não seja idiota, enfrenta o ‘Problema do Mal’; e quando observamos a raça humana tentando desvendar o significado do universo, ou aceitando a Revelação, ou seguindo religiões e filosofias falsas e deturpadas, nós encontramos os homens sempre preocupados com aquela insistente questão: ‘Por que sofremos? Por que devemos morrer?’
“Muitas soluções para o enigma torturante foram propostas. A mais simples e básica é não enfrentar o enigma; desviar os olhos do sofrimento e da morte; fingir que eles não existem, ou, quando eles se impõem sobre nós tão insistentemente que não podemos manter o fingimento, esconder então nossos sentimentos. Faz parte também desse péssimo método de tratar o problema o não mencionar o mal e o sofrimento e tentar esquecê-los o máximo possível.
“Uma solução menos básica, mas igualmente desprezível intelectualmente, é dizer que não há problema, pois, somos todos parte de uma coisa morta e sem sentido, sem nenhum Deus criador: é o mesmo que dizer que não há realidade no certo e errado e na concepção da beatitude ou da miséria.
“Outra forma mais nobre de solução do enigma, que foi a favorita da sofisticada civilização pagã da qual viemos – a forma dos grandes romanos e dos grandes gregos – é o estoicismo. Ele pode vulgarmente ser considerado ‘A filosofia do sofrer sorrindo’. Tem sido chamado por alguns acadêmicos ‘A permanente religião da humanidade’, mas ele não é nada disso; pois o estoicismo não é absolutamente uma religião. Ele tem pelo menos a nobreza de encarar os fatos, mas não propõe nenhuma solução. É completamente negativo.
“Profunda, mas desesperada, é a solução encontrada na Ásia – da qual o grande exemplo é o Budismo: a filosofia que chama o indivíduo de ilusão nos desafia a nos livrarmos do desejo para alcançar a imortalidade, e almeja a submersão na vida impessoal do universo.
“A solução católica todos nós conhecemos. Não que a Igreja Católica tenha proposto uma solução completa para o mistério do mal, pois nunca foi nem a alegação nem a função da Igreja explicar a natureza integral de todas as coisas, e sim salvar almas. Mas a Igreja Católica tem, para esse problema particular, uma resposta definitiva no interior de seu campo de ação. Ela diz, em primeiro lugar, que a natureza humana é imortal e feita para a beatitude; em segundo lugar, que a mortalidade e a dor são o resultado da Queda do homem, ou seja, da sua rebelião contra a vontade de Deus. Diz que desde a queda nossa vida mortal é um sofrimento e um teste em que, conforme nosso comportamento, recuperaremos (mas através dos méritos de nosso Salvador) a imortal beatitude que perdemos.”
No fundo, Boff é um maniqueu, talvez um cátaro. Pois os cátaros ainda existem hoje em dia em grande quantidade.
Eu sei que mesmo o texto de Belloc é muito elevado intelectualmente para esse herege. Não fosse isso, eu sugeriria a ele a leitura da questão disputada De Malo, de Santo Tomás de Aquino, ou mesmo o livro De Libero Arbitrio de Santo Agostinho.
Que fique claro um segundo ponto: Boff não conhece a Doutrina católica.
Falta ainda chamar a atenção dos leitores para a profunda soberba da afirmação de Boff. Será que ele acha que anunciar Deus a “um mundo abarrotado de miseráveis” é um problema moderno? Será que acha que ele o descobriu? Será que ele nunca leu os Evangelhos, onde Jesus prega o Reino de Deus exatamente a “um mundo abarrotado de miseráveis”?
Vou lembrar aqui apenas uma passagem do Evangelho. Judas Iscariotes pegunta a Jesus se Marta não deveria vender o caro bálsamo que ela estava passando nos pés de Jesus e dar o dinheiro aos miseráveis. E o Evangelho de São João ainda observa: “Disse isso, não porque tivesse pena dos pobres, mas porque era ladrão, e tendo a bolsa, tirava para si i que se lançava na mesma.” Qual a resposta de Jesus? Ele diz: “Deixai-a, para que ela o faça para o dia de minha sepultura. Pobres sempre os terão entre vós, porém a Mim nem sempre tereis.”
“Disse isso, não porque tinha pena dos pobres ...” Esta verdade se aplica também aos boffs da vida. Eles querem é usá-los para seus interesses de reforma do mundo, de revolta contra Deus. A mesma revolta que fez Adão e Eva pecarem. É o pecado original sempre nos rondando e nos lembrando da Queda. Ponhamos pois os boffs para fora.
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[1] Segundo D. Lourenço me informou, a tradução que fiz deste livro já está quase pronta. Assim que a edição ficar pronta, anuncio a todos neste blog.
Leonardo Boff nunca li. Leio às vezes alguns comentários sobre esse herege, como o que se encontra no artigo Surrealismo na teologia da libertação. O autor cita um trecho de um artigo do tal herege: “A questão teológica de base que até agora não acabamos de responder é: como anunciar de maneira crível um Deus que é um Pai bondoso em um mundo abarrotado de miseráveis?”
O baixo nível intelectual desse sujeito é tremendo. Ele não sabe o que é teologia, pois considera que anunciar Deus ao povo é uma questão teológica. Esta questão não é teológica e sim catequética.
Diz Étienne Gilson, em seu livro “O filósofo e a teologia”, que o catecismo em que ele estudou (edição de 1885 da diocese de Meaux) dizia:
“-- Qual a primeira verdade na qual devemos crer?
A primeira verdade em que devemos crer é que existe um Deus e que não pode haver mais do que um só.
-- Por que você acredita que há um Deus?
Eu creio que há um Deus porque ele próprio nos revelou sua existência.
-- A razão também não lhe diz que existe um Deus?
Sim, a razão também nos diz que há um Deus, porque se não houvesse Deus, o céu e a terra também não existiriam.”
Essa é a forma de anunciar Deus ao povo; seja ele sofrido, miserável, pobre, rico, feliz, doente, saudável etc. Deus existe porque Ele mesmo assim nos revelou. Esse é também o que nos diz, por exemplo, o Segundo Catecismo da Doutrina Cristã, escrito em 1903 e até hoje, inexplicavelmente, editado pela não-católica Editora Vozes.
Que fique claro um primeiro ponto: Boff não sabe o Catecismo da Igreja.
A segunda confusão de Boff – não sei se ele é confuso sem notar ou por conveniência – é mais interessante, pois revela claramente o caráter do herege. É o problema do mal no mundo que confunde esse indigente intelectual. Sobre isso, há uma passagem muito interessante no livro de Belloc, As Grandes Heresias,[1] quando ele fala da heresia albigense, uma das mais furiosas, odientas e perigosas heresias com que já se defrontou a Igreja Católica. Ele diz:
“Para responder esta importante questão, devemos considerar a principal verdade da Igreja Católica, que pode ser resumidamente colocada da seguinte forma: “A Igreja Católica é fundada no reconhecimento da dor e da morte.” Na sua forma mais completa a sentença pode ser escrita ‘A Igreja Católica está radicada no reconhecimento do sofrimento e da mortalidade, problemas cuja solução ela alega possuir.’ Esse problema é geralmente conhecido como ‘O Problema do Mal’.
“Como podemos considerar o glorioso destino do homem, o céu como seu objetivo e seu Criador infinitamente bom e onipotente quando nos encontramos sujeitos ao sofrimento e à morte?
“Quase toda pessoa jovem e inocente está, mesmo que superficialmente, consciente desse problema. O grau de consciência depende das situações da vida de cada um; quão cedo se enfrentou uma perda por morte ou quão cedo adveio uma grande dor física ou mental. Mas cedo ou tarde todo ser humano que pensa alguma coisa, qualquer um que não seja idiota, enfrenta o ‘Problema do Mal’; e quando observamos a raça humana tentando desvendar o significado do universo, ou aceitando a Revelação, ou seguindo religiões e filosofias falsas e deturpadas, nós encontramos os homens sempre preocupados com aquela insistente questão: ‘Por que sofremos? Por que devemos morrer?’
“Muitas soluções para o enigma torturante foram propostas. A mais simples e básica é não enfrentar o enigma; desviar os olhos do sofrimento e da morte; fingir que eles não existem, ou, quando eles se impõem sobre nós tão insistentemente que não podemos manter o fingimento, esconder então nossos sentimentos. Faz parte também desse péssimo método de tratar o problema o não mencionar o mal e o sofrimento e tentar esquecê-los o máximo possível.
“Uma solução menos básica, mas igualmente desprezível intelectualmente, é dizer que não há problema, pois, somos todos parte de uma coisa morta e sem sentido, sem nenhum Deus criador: é o mesmo que dizer que não há realidade no certo e errado e na concepção da beatitude ou da miséria.
“Outra forma mais nobre de solução do enigma, que foi a favorita da sofisticada civilização pagã da qual viemos – a forma dos grandes romanos e dos grandes gregos – é o estoicismo. Ele pode vulgarmente ser considerado ‘A filosofia do sofrer sorrindo’. Tem sido chamado por alguns acadêmicos ‘A permanente religião da humanidade’, mas ele não é nada disso; pois o estoicismo não é absolutamente uma religião. Ele tem pelo menos a nobreza de encarar os fatos, mas não propõe nenhuma solução. É completamente negativo.
“Profunda, mas desesperada, é a solução encontrada na Ásia – da qual o grande exemplo é o Budismo: a filosofia que chama o indivíduo de ilusão nos desafia a nos livrarmos do desejo para alcançar a imortalidade, e almeja a submersão na vida impessoal do universo.
“A solução católica todos nós conhecemos. Não que a Igreja Católica tenha proposto uma solução completa para o mistério do mal, pois nunca foi nem a alegação nem a função da Igreja explicar a natureza integral de todas as coisas, e sim salvar almas. Mas a Igreja Católica tem, para esse problema particular, uma resposta definitiva no interior de seu campo de ação. Ela diz, em primeiro lugar, que a natureza humana é imortal e feita para a beatitude; em segundo lugar, que a mortalidade e a dor são o resultado da Queda do homem, ou seja, da sua rebelião contra a vontade de Deus. Diz que desde a queda nossa vida mortal é um sofrimento e um teste em que, conforme nosso comportamento, recuperaremos (mas através dos méritos de nosso Salvador) a imortal beatitude que perdemos.”
No fundo, Boff é um maniqueu, talvez um cátaro. Pois os cátaros ainda existem hoje em dia em grande quantidade.
Eu sei que mesmo o texto de Belloc é muito elevado intelectualmente para esse herege. Não fosse isso, eu sugeriria a ele a leitura da questão disputada De Malo, de Santo Tomás de Aquino, ou mesmo o livro De Libero Arbitrio de Santo Agostinho.
Que fique claro um segundo ponto: Boff não conhece a Doutrina católica.
Falta ainda chamar a atenção dos leitores para a profunda soberba da afirmação de Boff. Será que ele acha que anunciar Deus a “um mundo abarrotado de miseráveis” é um problema moderno? Será que acha que ele o descobriu? Será que ele nunca leu os Evangelhos, onde Jesus prega o Reino de Deus exatamente a “um mundo abarrotado de miseráveis”?
Vou lembrar aqui apenas uma passagem do Evangelho. Judas Iscariotes pegunta a Jesus se Marta não deveria vender o caro bálsamo que ela estava passando nos pés de Jesus e dar o dinheiro aos miseráveis. E o Evangelho de São João ainda observa: “Disse isso, não porque tivesse pena dos pobres, mas porque era ladrão, e tendo a bolsa, tirava para si i que se lançava na mesma.” Qual a resposta de Jesus? Ele diz: “Deixai-a, para que ela o faça para o dia de minha sepultura. Pobres sempre os terão entre vós, porém a Mim nem sempre tereis.”
“Disse isso, não porque tinha pena dos pobres ...” Esta verdade se aplica também aos boffs da vida. Eles querem é usá-los para seus interesses de reforma do mundo, de revolta contra Deus. A mesma revolta que fez Adão e Eva pecarem. É o pecado original sempre nos rondando e nos lembrando da Queda. Ponhamos pois os boffs para fora.
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[1] Segundo D. Lourenço me informou, a tradução que fiz deste livro já está quase pronta. Assim que a edição ficar pronta, anuncio a todos neste blog.
28/03/2009
Um visão do mundo baseado em Fátima
Acabo de ler um folheto, recebido em uma missa, com este título. É coisa preciosíssima que recomendo a todos. Ele está disponível na Internet. Recomendo sobretudo duas cartas da Irmã Lúcia que se encontram ao final do folheto, sobre o terço. Não resisto a citar duas passagens das cartas:
"[O terço] é oração trinitária, sim, porque Maria foi o primeiro Templo vivo da Santíssima Trindade: 'O Espírito Santo decerá sobre Vós, -- O Pai Vos cobrirá com a Sua sombra, -- E o Filho, que de Vós nascer, será chamado o Filho do Altíssimo' ". Maria é o primeiro Sacrário vivo onde o Pai encerrou o Seu Verbo.
"Quanto à repetição das Ave-Marias, não é como querem fazer crer que seja uma coisa antiquada. Todas as coisas que existem e foram criadas por Deus, se mantêm e conservam por meio da repetição, continuada sempre, dos mesmos atos. E ainda a ninguém ocorreu chamar antiquado o sol, lua, estrelas, aves e plantas etc., porque giram, vivem e brotam sempre do mesmo modo! E são bem mais antigos que a reza do Terço! Para Deus, nada é antigo. São João diz que os Bem-aventurados, no Céu,cantam um cântico novo, repetindo sempre; Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus dos Exércitos! É novo porque, na luz de Deus, tudo aparece com novo brilho!"
Nossa Senhora, sede da sabedoria, rogai por nós.
"[O terço] é oração trinitária, sim, porque Maria foi o primeiro Templo vivo da Santíssima Trindade: 'O Espírito Santo decerá sobre Vós, -- O Pai Vos cobrirá com a Sua sombra, -- E o Filho, que de Vós nascer, será chamado o Filho do Altíssimo' ". Maria é o primeiro Sacrário vivo onde o Pai encerrou o Seu Verbo.
"Quanto à repetição das Ave-Marias, não é como querem fazer crer que seja uma coisa antiquada. Todas as coisas que existem e foram criadas por Deus, se mantêm e conservam por meio da repetição, continuada sempre, dos mesmos atos. E ainda a ninguém ocorreu chamar antiquado o sol, lua, estrelas, aves e plantas etc., porque giram, vivem e brotam sempre do mesmo modo! E são bem mais antigos que a reza do Terço! Para Deus, nada é antigo. São João diz que os Bem-aventurados, no Céu,cantam um cântico novo, repetindo sempre; Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus dos Exércitos! É novo porque, na luz de Deus, tudo aparece com novo brilho!"
Nossa Senhora, sede da sabedoria, rogai por nós.
19/03/2009
19 de março: dia de São José
O papa do Rosário, Leão XIII, escreveu também uma Encíclica sobre a devoção a São José: QUAMQUAM PLURIES (eis o link em espanhol). Coincidentemente ou não, essa Encíclica foi publicada em 15 de agosto de 1889, dia da Assunção de Nossa Senhora.
Nessa Encíclica, Leão XIII anexa, ao final, a ORAÇÃO A SÃO JOSÉ, que todo Missal da Missa Tridentina contem.
Nunca estivemos tão precisados do “Guarda providente da Divina Família”. Nunca um papa precisou tanto daquele que protegeu o Menino Jesus e que agora precisa proteger “a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue”. Que São José proteja e ajude Bento XVI.
Vamos à oração.
ORAÇÃO A SÃO JOSÉ
A vós, S. José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio de Vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o Vosso patrocínio. Por este laço sagrado de caridade que Vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente Vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo conquistou com seu Sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o Vosso auxílio e poder.
Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda adversidade. Amparai a cada um de nós com o Vosso constante patrocínio a fim de que, a Vosso exemplo e sustentados por Vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança.
Amém.
Nessa Encíclica, Leão XIII anexa, ao final, a ORAÇÃO A SÃO JOSÉ, que todo Missal da Missa Tridentina contem.
Nunca estivemos tão precisados do “Guarda providente da Divina Família”. Nunca um papa precisou tanto daquele que protegeu o Menino Jesus e que agora precisa proteger “a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue”. Que São José proteja e ajude Bento XVI.
Vamos à oração.
ORAÇÃO A SÃO JOSÉ
A vós, S. José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio de Vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o Vosso patrocínio. Por este laço sagrado de caridade que Vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente Vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo conquistou com seu Sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o Vosso auxílio e poder.
Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda adversidade. Amparai a cada um de nós com o Vosso constante patrocínio a fim de que, a Vosso exemplo e sustentados por Vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança.
Amém.
18/03/2009
Sowell volta ao Mídia Sem Máscara
17/03/2009
Arquidiocese de Olinda e Recife responde ao L'Osservatore Romano
A respeito do artigo intitulado “Dalla parte della bambina brasiliana” e publicado no L´OSSERVATORE ROMANO no dia 15 de março, nós, abaixo assinados, declaramos:
1. O fato não aconteceu em Recife, como diz o artigo, mas sim na cidade de Alagoinha (Diocese de Pesqueira).
2. Todos nós – começando pelo pároco de Alagoinha (abaixo assinado) - tratamos a menina grávida e sua família com toda caridade e doçura. O Pároco, fazendo uso de sua solicitude pastoral, ao saber da notícia em sua residência, dirigiu-se de imediato à casa da família, onde se encontrou com a criança para lhe prestar apoio e acompanhamento, diante da grave e difícil situação em que a menina se encontrava. E esta atitude se deu durante todos os dias, desde Alagoinha até Recife, onde aconteceu o triste desfecho do aborto de dois inocentes. Portanto, fica evidente e inequívoco que ninguém pensou em primeiro lugar em “excomunhão”. Usamos todos os meios ao nosso alcance para evitar o aborto e assim salvar as TRÊS vidas. O Pároco acompanhou pessoalmente o Conselho Tutelar da cidade em todas as iniciativas que visassem o bem da criança e de seus dois filhos. No hospital, em visitas diárias, demonstrou atitudes de carinho e atenção que deram a entender tanto à criança quanto à sua mãe que não estavam sozinhas, mas que a Igreja, ali representada pelo Pároco local, lhes garantia a assistência necessária e a certeza de que tudo seria feito pelo bem da menina e para salvar seus dois filhos.
3. Depois que a menina foi transferida para um hospital da cidade do Recife, tentamos usar todos os meios legais para evitar o aborto. A Igreja em momento algum se fez omissa no hospital. O Pároco da menina realizou visitas diárias ao hospital, deslocando-se da cidade que dista 230 km de Recife, sem medir esforço algum para que tanto a criança quanto a mãe sentissem a presença de Jesus Bom Pastor que vai ao encontro das ovelhas que mais precisam de atenção. De tal sorte que o caso foi tratado com toda atenção devida da parte da Igreja e não “obrigativamente” como diz o artigo.
4. Não concordamos com a afirmação de que “a decisão é árdua… para a própria lei moral”. Nossa Santa Igreja continua a proclamar que a lei moral é claríssima: nunca é lícito eliminar a vida de um inocente para salvar outra vida. Os fatos objetivos são estes: há médicos que explicitamente declaram que praticam e continuarão a praticar o aborto, enquanto outros declaram com a mesma firmeza que jamais praticarão o aborto. Eis a declaração escrita e assinada por um médico católico brasileiro: “(…) Como médico obstetra durante 50 anos, formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, e ex chefe da Clínica Obstétrica do Hospital do Andaraí, onde servi 35 anos até minha aposentadoria, para dedicar-me ao Diaconato, e tendo realizado 4.524 (quatro mil quinhentos e vinte e quatro) partos, muitos de menores de idade, nunca precisei recorrer ao aborto para “salvar vidas”, assim como todos os meus colegas íntegros e honestos em sua profissão e cumpridores de seu juramento hipocrático. (…)”.
5. É falsa a afirmação de que o fato foi divulgado nos jornais somente porque o Arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunhão. Basta ver que o caso veio a público em Alagoinha na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, o Arcebispo se pronunciou na imprensa no dia 03 de março e o aborto se deu no dia 4 de março. Seria demasiado imaginar que a imprensa brasileira, diante de um fato de tamanha gravidade, tenha silenciado nesse intervalo de seis dias. Assim sendo, a notícia da menina (“Carmen”) grávida já estava divulgada nos jornais antes da consumação do aborto. Somente então, interrogado pelos jornalistas, no dia 3 de março (terça-feira), o Arcebispo mencionou o cânon 1398. Estamos convictos de que a divulgação desta penalidade medicinal (a excomunhão) fará bem a muitos católicos, levando-os a evitar este pecado gravíssimo. O silêncio da Igreja seria muito prejudicial, sobretudo ao constatar-se que no mundo inteiro estão acontecendo cinqüenta milhões de abortos cada ano e só no Brasil um milhão de vidas inocentes são ceifadas. O silêncio pode ser interpretado como conivência ou cumplicidade. Se algum médico tem “consciência perplexa” antes de praticar um aborto (o que nos parece extremamente improvável) ele – se é católico e deseja observar a lei de Deus - deve consultar um diretor espiritual.
6. O artigo é, em outras palavras, uma direta afronta à defesa pela vida das três crianças feita veementemente por Dom José Cardoso Sobrinho e demonstra quanto o autor não tem bases e informações necessárias para falar sobre o assunto, por total desconhecimento dos detalhes do fato. O texto pode ser interpretado como uma apologia ao aborto, contrariando o Magistério da Igreja. Os médicos abortistas não estiveram na encruzilhada moral sustentada pelo texto, ao contrário, eles praticaram o aborto com total consciência e em coerência com o que acreditam e o que ensinam. O hospital que realizou o aborto na menininha é um dos que sempre realizam este procedimento em nosso Estado, sob o manto da “legalidade”. Os médicos que atuaram como carrascos dos gêmeos declararam e continuam declarando na mídia nacional que fizeram o que já estavam acostumados a fazer “com muito orgulho”. Um deles, inclusive, declarou que: “Já fui, então, excomungado várias vezes”.
7. O autor arvorou-se do direito de falar sobre o que não conhecia, e o que é pior, sequer deu-se ao trabalho de conversar anteriormente com o seu irmão no episcopado e, por esta atitude imprudente, está causando verdadeiro tumulto junto aos fiéis católicos do Brasil que estão acreditando ter Dom José Cardoso Sobrinho sido precipitado em seus pronunciamentos. Ao invés de consultar o seu irmão no episcopado, preferiu acreditar na nossa imprensa declaradamente anticlerical.
Recife-PE, 16 de março de 2009
Pe. Edson Rodrigues (Pároco de Alagoinha-PE - Diocese de Pesqueira)
Mons. Edvaldo Bezerra da Silva (Vigário Geral - Arquidiocese de Olinda e Recife
Pe. Moisés Ferreira de Lima (Reitor do Seminário Arquidiocesano)
Dr. Márcio Miranda (Advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife)
Fonte: Tradição Católica
1. O fato não aconteceu em Recife, como diz o artigo, mas sim na cidade de Alagoinha (Diocese de Pesqueira).
2. Todos nós – começando pelo pároco de Alagoinha (abaixo assinado) - tratamos a menina grávida e sua família com toda caridade e doçura. O Pároco, fazendo uso de sua solicitude pastoral, ao saber da notícia em sua residência, dirigiu-se de imediato à casa da família, onde se encontrou com a criança para lhe prestar apoio e acompanhamento, diante da grave e difícil situação em que a menina se encontrava. E esta atitude se deu durante todos os dias, desde Alagoinha até Recife, onde aconteceu o triste desfecho do aborto de dois inocentes. Portanto, fica evidente e inequívoco que ninguém pensou em primeiro lugar em “excomunhão”. Usamos todos os meios ao nosso alcance para evitar o aborto e assim salvar as TRÊS vidas. O Pároco acompanhou pessoalmente o Conselho Tutelar da cidade em todas as iniciativas que visassem o bem da criança e de seus dois filhos. No hospital, em visitas diárias, demonstrou atitudes de carinho e atenção que deram a entender tanto à criança quanto à sua mãe que não estavam sozinhas, mas que a Igreja, ali representada pelo Pároco local, lhes garantia a assistência necessária e a certeza de que tudo seria feito pelo bem da menina e para salvar seus dois filhos.
3. Depois que a menina foi transferida para um hospital da cidade do Recife, tentamos usar todos os meios legais para evitar o aborto. A Igreja em momento algum se fez omissa no hospital. O Pároco da menina realizou visitas diárias ao hospital, deslocando-se da cidade que dista 230 km de Recife, sem medir esforço algum para que tanto a criança quanto a mãe sentissem a presença de Jesus Bom Pastor que vai ao encontro das ovelhas que mais precisam de atenção. De tal sorte que o caso foi tratado com toda atenção devida da parte da Igreja e não “obrigativamente” como diz o artigo.
4. Não concordamos com a afirmação de que “a decisão é árdua… para a própria lei moral”. Nossa Santa Igreja continua a proclamar que a lei moral é claríssima: nunca é lícito eliminar a vida de um inocente para salvar outra vida. Os fatos objetivos são estes: há médicos que explicitamente declaram que praticam e continuarão a praticar o aborto, enquanto outros declaram com a mesma firmeza que jamais praticarão o aborto. Eis a declaração escrita e assinada por um médico católico brasileiro: “(…) Como médico obstetra durante 50 anos, formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, e ex chefe da Clínica Obstétrica do Hospital do Andaraí, onde servi 35 anos até minha aposentadoria, para dedicar-me ao Diaconato, e tendo realizado 4.524 (quatro mil quinhentos e vinte e quatro) partos, muitos de menores de idade, nunca precisei recorrer ao aborto para “salvar vidas”, assim como todos os meus colegas íntegros e honestos em sua profissão e cumpridores de seu juramento hipocrático. (…)”.
5. É falsa a afirmação de que o fato foi divulgado nos jornais somente porque o Arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunhão. Basta ver que o caso veio a público em Alagoinha na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, o Arcebispo se pronunciou na imprensa no dia 03 de março e o aborto se deu no dia 4 de março. Seria demasiado imaginar que a imprensa brasileira, diante de um fato de tamanha gravidade, tenha silenciado nesse intervalo de seis dias. Assim sendo, a notícia da menina (“Carmen”) grávida já estava divulgada nos jornais antes da consumação do aborto. Somente então, interrogado pelos jornalistas, no dia 3 de março (terça-feira), o Arcebispo mencionou o cânon 1398. Estamos convictos de que a divulgação desta penalidade medicinal (a excomunhão) fará bem a muitos católicos, levando-os a evitar este pecado gravíssimo. O silêncio da Igreja seria muito prejudicial, sobretudo ao constatar-se que no mundo inteiro estão acontecendo cinqüenta milhões de abortos cada ano e só no Brasil um milhão de vidas inocentes são ceifadas. O silêncio pode ser interpretado como conivência ou cumplicidade. Se algum médico tem “consciência perplexa” antes de praticar um aborto (o que nos parece extremamente improvável) ele – se é católico e deseja observar a lei de Deus - deve consultar um diretor espiritual.
6. O artigo é, em outras palavras, uma direta afronta à defesa pela vida das três crianças feita veementemente por Dom José Cardoso Sobrinho e demonstra quanto o autor não tem bases e informações necessárias para falar sobre o assunto, por total desconhecimento dos detalhes do fato. O texto pode ser interpretado como uma apologia ao aborto, contrariando o Magistério da Igreja. Os médicos abortistas não estiveram na encruzilhada moral sustentada pelo texto, ao contrário, eles praticaram o aborto com total consciência e em coerência com o que acreditam e o que ensinam. O hospital que realizou o aborto na menininha é um dos que sempre realizam este procedimento em nosso Estado, sob o manto da “legalidade”. Os médicos que atuaram como carrascos dos gêmeos declararam e continuam declarando na mídia nacional que fizeram o que já estavam acostumados a fazer “com muito orgulho”. Um deles, inclusive, declarou que: “Já fui, então, excomungado várias vezes”.
7. O autor arvorou-se do direito de falar sobre o que não conhecia, e o que é pior, sequer deu-se ao trabalho de conversar anteriormente com o seu irmão no episcopado e, por esta atitude imprudente, está causando verdadeiro tumulto junto aos fiéis católicos do Brasil que estão acreditando ter Dom José Cardoso Sobrinho sido precipitado em seus pronunciamentos. Ao invés de consultar o seu irmão no episcopado, preferiu acreditar na nossa imprensa declaradamente anticlerical.
Recife-PE, 16 de março de 2009
Pe. Edson Rodrigues (Pároco de Alagoinha-PE - Diocese de Pesqueira)
Mons. Edvaldo Bezerra da Silva (Vigário Geral - Arquidiocese de Olinda e Recife
Pe. Moisés Ferreira de Lima (Reitor do Seminário Arquidiocesano)
Dr. Márcio Miranda (Advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife)
Fonte: Tradição Católica
Os direitos dos embriões, das tartarugas e dos cadáveres
No Estado de Minas de hoje, 17 de março, sob o título “Ossos na Internet” fico sabendo o seguinte:
“O diretor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Amaury Caiafa, aceitou ontem o pedido de desculpas de seis estudantes de medicina que posaram para fotos e se divertiram com ossos humanos do laboratório de anatomia. A direção do ICB considerou um ato de boa vontade a apresentação espontânea dos universitários e, por isso, a punição se restringiu a uma advertência verbal.
“As fotografias que registram a brincadeira foram postadas na internet e chegaram ao conhecimento da UFJF na sexta-feira. Por causa da atitude antecipada dos envolvidos, não foi necessária sindicância para identificar os envolvidos. O processo também poderia resultar na expulsão dos alunos. O caso foi considerado encerrado pela UFJF.”
Mais a frente, o reportagem nos informa:
“O chefe do departamento de morfologia do ICB, Henrique Guilherme de Castro Teixeira, participou do encontro em que os universitários apresentaram suas desculpas formais. Responsável pelo laboratório de anatomia, ele explicou que, ainda nos primeiros dias de aulas, os alunos dos cursos da área de saúde são alertados quanto à importância de uma conduta respeitosa diante dos cadáveres.”
E ainda que:
“O artigo 212 do Código Penal considera crime o desrespeito ao cadáver ou suas cinzas, com pena de um a três anos, além de multa.”
Muito oportuno que venhamos saber dos direitos dos cadáveres. As tartarugas parecem ser protegidas por leis duríssimas. Mate uma tartaruguinha e veja o que acontece com você.
Os alunos da UFJF estariam arriscando uma excomunhão, Oh! perdão, uma expulsão, caso não se arrependessem e confessassem o crime. Como confessaram arrependidos, o bispo do departamento, Oh! desculpem-me, o chefe do departamento os desculpou e encerrou o caso.
Mas, fico aqui a perguntar, com Dom Lourenço Fleichman, não há quem chore pelas criancinhas?
“O diretor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Amaury Caiafa, aceitou ontem o pedido de desculpas de seis estudantes de medicina que posaram para fotos e se divertiram com ossos humanos do laboratório de anatomia. A direção do ICB considerou um ato de boa vontade a apresentação espontânea dos universitários e, por isso, a punição se restringiu a uma advertência verbal.
“As fotografias que registram a brincadeira foram postadas na internet e chegaram ao conhecimento da UFJF na sexta-feira. Por causa da atitude antecipada dos envolvidos, não foi necessária sindicância para identificar os envolvidos. O processo também poderia resultar na expulsão dos alunos. O caso foi considerado encerrado pela UFJF.”
Mais a frente, o reportagem nos informa:
“O chefe do departamento de morfologia do ICB, Henrique Guilherme de Castro Teixeira, participou do encontro em que os universitários apresentaram suas desculpas formais. Responsável pelo laboratório de anatomia, ele explicou que, ainda nos primeiros dias de aulas, os alunos dos cursos da área de saúde são alertados quanto à importância de uma conduta respeitosa diante dos cadáveres.”
E ainda que:
“O artigo 212 do Código Penal considera crime o desrespeito ao cadáver ou suas cinzas, com pena de um a três anos, além de multa.”
Muito oportuno que venhamos saber dos direitos dos cadáveres. As tartarugas parecem ser protegidas por leis duríssimas. Mate uma tartaruguinha e veja o que acontece com você.
Os alunos da UFJF estariam arriscando uma excomunhão, Oh! perdão, uma expulsão, caso não se arrependessem e confessassem o crime. Como confessaram arrependidos, o bispo do departamento, Oh! desculpem-me, o chefe do departamento os desculpou e encerrou o caso.
Mas, fico aqui a perguntar, com Dom Lourenço Fleichman, não há quem chore pelas criancinhas?
14/03/2009
“Frei” abortista
Sou obrigado a repetir neste blog uma frase muito sábia de Pe. Leonel Franca: “Agitar idéias é mais grave do que mobilizar exércitos. O soldado pode semear os horrores da força bruta, mas tem uma hora em que seu braço cansa e a espada torna à cinta ou se enferruja e se consome com o tempo. A idéia, uma vez desembainhada, é arma sempre ativa, que não volta ao estojo nem se embota com o tempo”.
“Frei” Beto faz da agitação de idéias sua profissão. Veja o que ele diz na edição de quinta-feira, 12 de março de 2009, do Estado de Minas, num artigo intitulado “Direito ao Aborto”:
“Ao longo da história, a Igreja Católica nunca chegou a uma posição unânime e definitiva quanto ao aborto. Oscilou entre condená-lo radicalmente ou admiti-lo em certas fases da gravidez. Atrás dessa diferença de opiniões situa-se a discussão sobre qual o momento em que o feto pode ser considerado ser humano. Até hoje, nem a ciência nem a teologia têm a resposta exata. A questão permanece em aberto.
“Santo Agostinho (séc. 4) admite que só a partir de 40 dias depois da fecundação se pode falar em pessoa. Santo Tomás de Aquino (séc. 13) reafirma não reconhecer como humano o embrião que ainda não completou 40 dias, quando então lhe é infundida a ‘alma racional’.”
O mal contido nestes dois parágrafos é incalculável. Todo o artigo é eivado de malícia, mas estes dois parágrafos são especiais, pela autoridade teológica desses dois santos.
Imaginem vocês uma jovem católica, medianamente culta, que está grávida. Imaginem também que ela seja solteira e que esteja sofrendo pressão da família, do namorado, das amigas, para abortar. Ela resiste, pois a Lei Natural diz, em seu íntimo, o que é certo e o que é errado. Além disso, ela imagina que a Igreja seja contra o aborto. Ela lembra que já ouviu falar nas missas (aquelas modernas e barulhentas) que a Igreja luta pela vida. Lembra até de uma Campanha da Fraternidade, que apesar de não usar uma vez sequer a palavra aborto, dizia que a Igreja defendia a vida “em todas as suas fases”. Pode ser que ela já tenha até ouvido falar da posição do papa João Paulo II e de algum escrito dele.
Aí então, ela pega o jornal e lê o artigo de “Frei” Beto. Nele, esse individuo malicioso está dizendo que a Igreja nem sempre foi contra o aborto: “oscilou em condená-lo ou admiti-lo em certas fases da gravidez”. Não só isso. Ela fica sabendo também que os dois mais eminentes teólogos da Igreja também não condenaram o aborto. Era disso que ela precisava para se justificar perante si mesma e perante a sociedade para fazer o aborto. Tomem muito cuidado: o artigo de “Frei” Beto é abortivo.
A técnica desse “frei” é apurada. Ele sabe que se disser apenas mentiras, será fácil refutá-lo. Por isso, mistura algumas verdades com muitas mentiras. Antes de refutá-lo quanto a Santo Agostinho e Santo Tomás é bom saber algo sobre a posição da Igreja quanto ao aborto.
Existe um documento intitulado “Didaqué: Instrução dos Doze Apóstolos” (in Padres Apostólicos, Ed. Paulus, 3ª edição, 2002) que é considerado por muitos o primeiro catecismo católico e uma síntese da pregação dos apóstolos depois da morte de nosso Salvador. A data provável desse documento é o final do século I. Estamos falando de um documento escrito antes de 70 anos da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nele se lê: “Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique magia, nem feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido.”
Esta é a prova documental de que os apóstolos pregaram contra o aborto. Mas o que aconteceu de lá para cá? Será que a Igreja “oscilou” em sua posição? Será que ela, alguma vez, defendeu o aborto, como “frei” Beto quer que acreditemos?
Reproduzo aqui o parágrafo 7 da Declaração sobre o Aborto Provocado, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé:
“E no decorrer da história, os Padres da Igreja, bem como os seus Pastores e os seus Doutores, ensinaram a mesma doutrina, sem que as diferentes opiniões acerca do momento da infusão da alma espiritual tenham introduzido uma dúvida sobre a ilegitimidade do aborto. É certo que, na altura da Idade Média em que era opinião geral não estar a alma espiritual presente no corpo senão passadas as primeiras semanas, se fazia uma distinção quanto à espécie do pecado e à gravidade das sanções penais. Excelentes autores houve que admitiram, para esse primeiro período, soluções casuísticas mais suaves do que aquelas que eles davam para o concernente aos períodos seguintes da gravidez. Mas, jamais se negou, mesmo então, que o aborto provocado, mesmo nos primeiros dias da concepção fosse objetivamente falta grave. Uma tal condenação foi, de fato, unânime. Dentre os muitos documentos, bastará recordar apenas alguns. Assim: o primeiro Concílio de Mogúncia, em 847, confirma as penas estabelecidas por Concílios precedentes contra o aborto; e determina que seja imposta a penitência mais rigorosa às mulheres « que matarem as suas crianças ou que provocarem a eliminação do fruto concebido no próprio seio »[9]. O Decreto de Graciano cita estas palavras do Papa Estêvão V: « É homicida aquele que fizer perecer, mediante o aborto, o que tinha sido concebido »[10]. Santo Tomás, Doutor comum da Igreja, ensina que o aborto é um pecado grave contrário à lei natural [11]. Nos tempos da Renascença, o Papa Sisto V condena o aborto com a maior severidade [12]. Um século mais tarde, Inocêncio XI reprova as proposições de alguns canonistas « laxistas », que pretendiam desculpar o aborto provocado antes do momento em que certos autores fixavam dar-se a animação espiritual do novo ser [13]. Nos nossos dias, os últimos Pontífices Romanos proclamaram, com a maior clareza, a mesma doutrina. Assim: Pio XI respondeu explicitamente às mais graves objeções;[14] Pio XII excluiu claramente todo e qualquer aborto direto, ou seja, aquele que é intentado como um fim ou como um meio para o fim;[15] João XXIII recordou o ensinamento dos Padres sobre o caráter sagrado da vida, « a qual, desde o seu início, exige a ação de Deus criador » [16]. E bem recentemente, ainda, o II Concílio do Vaticano, presidido pelo Santo Padre Paulo VI, condenou muito severamente o aborto: « A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis » [17]. O mesmo Santo Padre Paulo VI, ao falar, por diversas vezes, deste assunto, não teve receio de declarar que a doutrina da Igreja « não mudou; e mais, que ela é imutável »[18].”
Vemos assim a continuidade da posição apostólica na história da Igreja, com relação ao aborto. Em nenhum momento a Igreja “oscilou” na condenação do aborto, como diz o “frei” velhaco. Santo Tomás, apesar de acreditar, influenciado por Aristóteles, que a alma só se infundia no embrião 40 dias depois da concepção, condenava veementemente o aborto, como contrário a Lei Natural. Essa mentira sobre a posição de Santo Tomás é tão velha que a encontramos no site Newadvent, numa coleção de perguntas e respostas, de 1993, sobre várias mentiras correntes sobre o catolicismo, a maioria delas espalhadas por protestantes.
Ah! Mas e quanto a Santo Agostinho? Essa estória de dizer que Santo Agostinho era favorável ao aborto é muito velha. A questão é complexa e nestas questões complexas os maliciosos estão sempre preparados para nos confundir. Vou traduzir aqui um trecho de um post do blog On the Contrary. Neste post, o blogueiro está se referindo a uma discussão havida na eleição de Obama, em que Nanci Pelosi (o Sarney deles) afirma sobre Santo Agostinho o mesmo que este frei de meia tigela. O blogueiro faz uma citação de um trecho do livro “Santo Agostinho através dos tempos: uma enciclopédia”. Vamos ao trecho:
“Agostinho aceitava a distinção entre fetos ‘formados’ e ‘não-formados’ encontrada na versão da Septuaginta do Êxodo 21:22-23. Enquanto o texto em hebreu admitia uma compensação no caso de um homem ferir uma mulher grávida de tal forma que cause o aborto, e uma pena adicional se maior dano for causado, a versão da Septuaginta traduziu ‘dano’ como ‘forma’, introduzindo uma distinção entre um feto ‘formado’ e um feto ‘não-formado’. A confusão na tradução está fundamentada na distinção aristotélica entre o feto antes e depois de sua suposta ‘animação’ (aos quarenta dias de gravidez para o sexo masculino e noventa, para o feminino). Segundo a Septuaginta, o aborto de um feto ‘animado’ era punido com a pena capital.
“Agostinho desaprovava o aborto tanto de fetos ‘animados’ quando ‘não-animados’, mas distinguia os dois. O feto ‘não-animado’ morria antes de viver, enquanto o feto ‘animado’ morria depois de nascer (De Nuptiis et Concupiscentiis, c.15).”
Referindo-se explicitamente à esta passagem da obra de Santo Agostinho, a Declaração sobre o Aborto Provocado, citada acima, diz: “Por vezes esta crueldade libidinosa, ou esta libidinagem cruel vão até ao ponto de arranjarem venenos que tornam as pessoas estéreis. E se o resultado desejado não é alcançado desse modo, a mãe extingue a vida e expele o feto que estava nas suas entranhas; de tal maneira que o filho morre antes de ter vivido; de sorte que, se o filho já vivia no seio materno, ele é matado antes de nascer (P.L. 44, 423-424: CSEL 42, 230.” Vemos aqui a concepção de Santo Agostinho sobre o momento da infusão da alma no feto. Mas onde está sua aprovação do cometimento do aborto?
Diz ainda o documento do Vaticano: “Esta Declaração deixa expressamente de parte o problema do momento de infusão da alma espiritual. Sobre este ponto não há tradição unânime e os autores acham-se ainda divididos. Para alguns, ela dá-se a partir do primeiro momento da concepção; para outros, ela não poderia preceder ao menos a nidificação. Não compete à ciência dirimir a favor de uns ou de outros, porque a existência de uma alma imortal não entra no seu domínio. Trata-se de uma discussão filosófica, da qual a nossa posição moral permanece independente, por dois motivos: 1° no caso de se supor uma animação tardia, estamos já perante uma vida humana, em qualquer hipótese, (biologicamente verificável); vida humana que prepara e requer esta alma, com a qual se completa a natureza recebida dos pais; 2° por outro lado, basta que esta presença da alma seja provável (e o contrário nunca se conseguirá demonstrá-lo) para que o tirar-lhe a vida equivalha a aceitar o risco de matar um homem, não apenas em expectativa, mas já provido da sua alma.”
O artigo de “frei” Beto contém ainda muita agitação perigosa de idéias. Dou apenas mais um exemplo da malícia do “frei”. Ele diz: “Roma é contra o aborto por considerá-lo supressão voluntária de uma vida humana. Princípio que nem sempre a Igreja aplicou com igual rigor a outras esferas, pois defende o direito de países adotarem a pena de morte ...”.
“Frei” Beto se espanta por sermos contrários ao aborto e a favor da pena de morte. Cito aqui trecho do artigo Pela pena de morte:
“Raciocínio torto esse, totalmente ‘nonsense’. Somos a favor de punir bandidos, e não inocentes que nunca fizeram nada. Esse raciocínio é o equivalente a dizer: ‘quem é contra prender uma criança durante 10 anos numa cela, não pode ser a favor de prender um criminoso por 10 anos numa cadeia’.
“A tese contrária é verdadeira ‘Quem é a favor do aborto não pode ser contra a pena de morte’. Se alguém defende o assassinato de uma criança inocente, não poderá ser contra a execução de um bandido. Infelizmente, hoje em dia, há várias pessoas que são favoráveis ao assassinato intra-uterino (aborto) e são contra a pena de morte. É o cúmulo do ‘nonsense’.”
Termino por aqui um post já ficou muito longo. Posso garantir aos leitores que não me deu nenhum prazer escrevê-lo.
“Frei” Beto faz da agitação de idéias sua profissão. Veja o que ele diz na edição de quinta-feira, 12 de março de 2009, do Estado de Minas, num artigo intitulado “Direito ao Aborto”:
“Ao longo da história, a Igreja Católica nunca chegou a uma posição unânime e definitiva quanto ao aborto. Oscilou entre condená-lo radicalmente ou admiti-lo em certas fases da gravidez. Atrás dessa diferença de opiniões situa-se a discussão sobre qual o momento em que o feto pode ser considerado ser humano. Até hoje, nem a ciência nem a teologia têm a resposta exata. A questão permanece em aberto.
“Santo Agostinho (séc. 4) admite que só a partir de 40 dias depois da fecundação se pode falar em pessoa. Santo Tomás de Aquino (séc. 13) reafirma não reconhecer como humano o embrião que ainda não completou 40 dias, quando então lhe é infundida a ‘alma racional’.”
O mal contido nestes dois parágrafos é incalculável. Todo o artigo é eivado de malícia, mas estes dois parágrafos são especiais, pela autoridade teológica desses dois santos.
Imaginem vocês uma jovem católica, medianamente culta, que está grávida. Imaginem também que ela seja solteira e que esteja sofrendo pressão da família, do namorado, das amigas, para abortar. Ela resiste, pois a Lei Natural diz, em seu íntimo, o que é certo e o que é errado. Além disso, ela imagina que a Igreja seja contra o aborto. Ela lembra que já ouviu falar nas missas (aquelas modernas e barulhentas) que a Igreja luta pela vida. Lembra até de uma Campanha da Fraternidade, que apesar de não usar uma vez sequer a palavra aborto, dizia que a Igreja defendia a vida “em todas as suas fases”. Pode ser que ela já tenha até ouvido falar da posição do papa João Paulo II e de algum escrito dele.
Aí então, ela pega o jornal e lê o artigo de “Frei” Beto. Nele, esse individuo malicioso está dizendo que a Igreja nem sempre foi contra o aborto: “oscilou em condená-lo ou admiti-lo em certas fases da gravidez”. Não só isso. Ela fica sabendo também que os dois mais eminentes teólogos da Igreja também não condenaram o aborto. Era disso que ela precisava para se justificar perante si mesma e perante a sociedade para fazer o aborto. Tomem muito cuidado: o artigo de “Frei” Beto é abortivo.
A técnica desse “frei” é apurada. Ele sabe que se disser apenas mentiras, será fácil refutá-lo. Por isso, mistura algumas verdades com muitas mentiras. Antes de refutá-lo quanto a Santo Agostinho e Santo Tomás é bom saber algo sobre a posição da Igreja quanto ao aborto.
Existe um documento intitulado “Didaqué: Instrução dos Doze Apóstolos” (in Padres Apostólicos, Ed. Paulus, 3ª edição, 2002) que é considerado por muitos o primeiro catecismo católico e uma síntese da pregação dos apóstolos depois da morte de nosso Salvador. A data provável desse documento é o final do século I. Estamos falando de um documento escrito antes de 70 anos da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nele se lê: “Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique magia, nem feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido.”
Esta é a prova documental de que os apóstolos pregaram contra o aborto. Mas o que aconteceu de lá para cá? Será que a Igreja “oscilou” em sua posição? Será que ela, alguma vez, defendeu o aborto, como “frei” Beto quer que acreditemos?
Reproduzo aqui o parágrafo 7 da Declaração sobre o Aborto Provocado, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé:
“E no decorrer da história, os Padres da Igreja, bem como os seus Pastores e os seus Doutores, ensinaram a mesma doutrina, sem que as diferentes opiniões acerca do momento da infusão da alma espiritual tenham introduzido uma dúvida sobre a ilegitimidade do aborto. É certo que, na altura da Idade Média em que era opinião geral não estar a alma espiritual presente no corpo senão passadas as primeiras semanas, se fazia uma distinção quanto à espécie do pecado e à gravidade das sanções penais. Excelentes autores houve que admitiram, para esse primeiro período, soluções casuísticas mais suaves do que aquelas que eles davam para o concernente aos períodos seguintes da gravidez. Mas, jamais se negou, mesmo então, que o aborto provocado, mesmo nos primeiros dias da concepção fosse objetivamente falta grave. Uma tal condenação foi, de fato, unânime. Dentre os muitos documentos, bastará recordar apenas alguns. Assim: o primeiro Concílio de Mogúncia, em 847, confirma as penas estabelecidas por Concílios precedentes contra o aborto; e determina que seja imposta a penitência mais rigorosa às mulheres « que matarem as suas crianças ou que provocarem a eliminação do fruto concebido no próprio seio »[9]. O Decreto de Graciano cita estas palavras do Papa Estêvão V: « É homicida aquele que fizer perecer, mediante o aborto, o que tinha sido concebido »[10]. Santo Tomás, Doutor comum da Igreja, ensina que o aborto é um pecado grave contrário à lei natural [11]. Nos tempos da Renascença, o Papa Sisto V condena o aborto com a maior severidade [12]. Um século mais tarde, Inocêncio XI reprova as proposições de alguns canonistas « laxistas », que pretendiam desculpar o aborto provocado antes do momento em que certos autores fixavam dar-se a animação espiritual do novo ser [13]. Nos nossos dias, os últimos Pontífices Romanos proclamaram, com a maior clareza, a mesma doutrina. Assim: Pio XI respondeu explicitamente às mais graves objeções;[14] Pio XII excluiu claramente todo e qualquer aborto direto, ou seja, aquele que é intentado como um fim ou como um meio para o fim;[15] João XXIII recordou o ensinamento dos Padres sobre o caráter sagrado da vida, « a qual, desde o seu início, exige a ação de Deus criador » [16]. E bem recentemente, ainda, o II Concílio do Vaticano, presidido pelo Santo Padre Paulo VI, condenou muito severamente o aborto: « A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis » [17]. O mesmo Santo Padre Paulo VI, ao falar, por diversas vezes, deste assunto, não teve receio de declarar que a doutrina da Igreja « não mudou; e mais, que ela é imutável »[18].”
Vemos assim a continuidade da posição apostólica na história da Igreja, com relação ao aborto. Em nenhum momento a Igreja “oscilou” na condenação do aborto, como diz o “frei” velhaco. Santo Tomás, apesar de acreditar, influenciado por Aristóteles, que a alma só se infundia no embrião 40 dias depois da concepção, condenava veementemente o aborto, como contrário a Lei Natural. Essa mentira sobre a posição de Santo Tomás é tão velha que a encontramos no site Newadvent, numa coleção de perguntas e respostas, de 1993, sobre várias mentiras correntes sobre o catolicismo, a maioria delas espalhadas por protestantes.
Ah! Mas e quanto a Santo Agostinho? Essa estória de dizer que Santo Agostinho era favorável ao aborto é muito velha. A questão é complexa e nestas questões complexas os maliciosos estão sempre preparados para nos confundir. Vou traduzir aqui um trecho de um post do blog On the Contrary. Neste post, o blogueiro está se referindo a uma discussão havida na eleição de Obama, em que Nanci Pelosi (o Sarney deles) afirma sobre Santo Agostinho o mesmo que este frei de meia tigela. O blogueiro faz uma citação de um trecho do livro “Santo Agostinho através dos tempos: uma enciclopédia”. Vamos ao trecho:
“Agostinho aceitava a distinção entre fetos ‘formados’ e ‘não-formados’ encontrada na versão da Septuaginta do Êxodo 21:22-23. Enquanto o texto em hebreu admitia uma compensação no caso de um homem ferir uma mulher grávida de tal forma que cause o aborto, e uma pena adicional se maior dano for causado, a versão da Septuaginta traduziu ‘dano’ como ‘forma’, introduzindo uma distinção entre um feto ‘formado’ e um feto ‘não-formado’. A confusão na tradução está fundamentada na distinção aristotélica entre o feto antes e depois de sua suposta ‘animação’ (aos quarenta dias de gravidez para o sexo masculino e noventa, para o feminino). Segundo a Septuaginta, o aborto de um feto ‘animado’ era punido com a pena capital.
“Agostinho desaprovava o aborto tanto de fetos ‘animados’ quando ‘não-animados’, mas distinguia os dois. O feto ‘não-animado’ morria antes de viver, enquanto o feto ‘animado’ morria depois de nascer (De Nuptiis et Concupiscentiis, c.15).”
Referindo-se explicitamente à esta passagem da obra de Santo Agostinho, a Declaração sobre o Aborto Provocado, citada acima, diz: “Por vezes esta crueldade libidinosa, ou esta libidinagem cruel vão até ao ponto de arranjarem venenos que tornam as pessoas estéreis. E se o resultado desejado não é alcançado desse modo, a mãe extingue a vida e expele o feto que estava nas suas entranhas; de tal maneira que o filho morre antes de ter vivido; de sorte que, se o filho já vivia no seio materno, ele é matado antes de nascer (P.L. 44, 423-424: CSEL 42, 230.” Vemos aqui a concepção de Santo Agostinho sobre o momento da infusão da alma no feto. Mas onde está sua aprovação do cometimento do aborto?
Diz ainda o documento do Vaticano: “Esta Declaração deixa expressamente de parte o problema do momento de infusão da alma espiritual. Sobre este ponto não há tradição unânime e os autores acham-se ainda divididos. Para alguns, ela dá-se a partir do primeiro momento da concepção; para outros, ela não poderia preceder ao menos a nidificação. Não compete à ciência dirimir a favor de uns ou de outros, porque a existência de uma alma imortal não entra no seu domínio. Trata-se de uma discussão filosófica, da qual a nossa posição moral permanece independente, por dois motivos: 1° no caso de se supor uma animação tardia, estamos já perante uma vida humana, em qualquer hipótese, (biologicamente verificável); vida humana que prepara e requer esta alma, com a qual se completa a natureza recebida dos pais; 2° por outro lado, basta que esta presença da alma seja provável (e o contrário nunca se conseguirá demonstrá-lo) para que o tirar-lhe a vida equivalha a aceitar o risco de matar um homem, não apenas em expectativa, mas já provido da sua alma.”
O artigo de “frei” Beto contém ainda muita agitação perigosa de idéias. Dou apenas mais um exemplo da malícia do “frei”. Ele diz: “Roma é contra o aborto por considerá-lo supressão voluntária de uma vida humana. Princípio que nem sempre a Igreja aplicou com igual rigor a outras esferas, pois defende o direito de países adotarem a pena de morte ...”.
“Frei” Beto se espanta por sermos contrários ao aborto e a favor da pena de morte. Cito aqui trecho do artigo Pela pena de morte:
“Raciocínio torto esse, totalmente ‘nonsense’. Somos a favor de punir bandidos, e não inocentes que nunca fizeram nada. Esse raciocínio é o equivalente a dizer: ‘quem é contra prender uma criança durante 10 anos numa cela, não pode ser a favor de prender um criminoso por 10 anos numa cadeia’.
“A tese contrária é verdadeira ‘Quem é a favor do aborto não pode ser contra a pena de morte’. Se alguém defende o assassinato de uma criança inocente, não poderá ser contra a execução de um bandido. Infelizmente, hoje em dia, há várias pessoas que são favoráveis ao assassinato intra-uterino (aborto) e são contra a pena de morte. É o cúmulo do ‘nonsense’.”
Termino por aqui um post já ficou muito longo. Posso garantir aos leitores que não me deu nenhum prazer escrevê-lo.
09/03/2009
Católicos da Diocese de Limeira apóiam o Papa
Vale a pena visitar o site de alguns católicos de Limeira: aqui.
São católicos que defrontam com as mesmas dificuldades que qualquer verdadeiro católico na atualidade. Eles reafirmam seu apoio ao Papa Bento XVI e descrevem as dificuldades em se conseguir um padre em sua diocese que celebre a Missa de Sempre. Aqui em Belo Horizonte não é diferente. Há uma oposição muda ao moto proprio do papa, liberando a Missa de São Pio V. Nenhum bispo ou arcebispo quer obedecer ao Papa neste aspecto (e em alguns outros).
Essa guerra a Bento XVI vai se tornar cada vez mais pública, pois o papa não parece querer retroceder. Ele parece disposto a restaurar a Igreja de Cristo, na forma como ela sempre foi até a década de 1960, antes do Concílio Vaticano II. Os lobos vão ter de sair da toca e mostrar a cara. Por enquanto, em relação à Missa de Sempre, eles estão agindo nos bastidores! Os bravos católicos de Limeira estão protestando, e com toda a razão.
São católicos que defrontam com as mesmas dificuldades que qualquer verdadeiro católico na atualidade. Eles reafirmam seu apoio ao Papa Bento XVI e descrevem as dificuldades em se conseguir um padre em sua diocese que celebre a Missa de Sempre. Aqui em Belo Horizonte não é diferente. Há uma oposição muda ao moto proprio do papa, liberando a Missa de São Pio V. Nenhum bispo ou arcebispo quer obedecer ao Papa neste aspecto (e em alguns outros).
Essa guerra a Bento XVI vai se tornar cada vez mais pública, pois o papa não parece querer retroceder. Ele parece disposto a restaurar a Igreja de Cristo, na forma como ela sempre foi até a década de 1960, antes do Concílio Vaticano II. Os lobos vão ter de sair da toca e mostrar a cara. Por enquanto, em relação à Missa de Sempre, eles estão agindo nos bastidores! Os bravos católicos de Limeira estão protestando, e com toda a razão.
08/03/2009
Entrevista do Estado de Minas com Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Recife e Olinda (8 de março de 2009)
Notas: 1. Esses dias de turbulência para a Igreja servem para revelar os verdadeiros bispos, ou seja, aqueles que são os reais sucessores dos apóstolos. Dom Aldo e Dom José estão certamente entre estes.
2. Lembremos que Dom José é sucessor, na arquidiocese, de Dom Hélder. Não custa lembrar o que sobre ele dizia Nelson Rodrigues: clique aqui e aqui. Imagine o que Dom José não sofreu e sofre por ser sucessor desse apóstata.
3. Dom Lourenço Fleishman escreve sobre Dom José. É, entre outras coisas, uma resposta ao post de Reinaldo Azevedo, sobre o caso. Sem mencionar o nome do famoso blogueiro, Dom Lourenço rebate o post de forma admirável. Sou admirador de Reinaldo por variadas razões, mas não esqueço nunca de que suas posições liberais mancham suas análises quando o assunto é religião Católica. Como todos sabem, liberalismo não combina com catolicismo, pois afinal, liberalismo é pecado.
O que o senhor achou da declaração do presidente, lamentando o comportamento conservador da Igreja e que, nesse caso, a medicina está mais correta que a Igreja?
Gostaria de lembrar que existem realidades divinas que precisam ser conservadas. E para isso, os padres e bispos têm que ser conservadores. Sugiro ao senhor presidente, antes de se pronunciar sobre assuntos de ordem teológica, ouvir um teólogo.
O senhor imaginava que o seu posicionamento poderia gerar uma polêmica de repercussão internacional?
Não poderia prever essa polêmica. Mas estou tranquilo. Acho que foi uma providência divina para chamar a atenção para a gravidade da situação. Não há nada que justifique um aborto. Abortar é um crime mais grave que um homicídio.
A mãe da menina e os médicos serão mesmo excomungados?
Quando falei na excomunhão, não quis dizer que era eu quem iria excomungar. Isso está no código canônico da Igreja que diz que aquele que comente um aborto está excomungado. Mas não existe pecado sem perdão. Quem reconhecer que errou e demonstrar arrependimento será aceito na Igreja novamente.
2. Lembremos que Dom José é sucessor, na arquidiocese, de Dom Hélder. Não custa lembrar o que sobre ele dizia Nelson Rodrigues: clique aqui e aqui. Imagine o que Dom José não sofreu e sofre por ser sucessor desse apóstata.
3. Dom Lourenço Fleishman escreve sobre Dom José. É, entre outras coisas, uma resposta ao post de Reinaldo Azevedo, sobre o caso. Sem mencionar o nome do famoso blogueiro, Dom Lourenço rebate o post de forma admirável. Sou admirador de Reinaldo por variadas razões, mas não esqueço nunca de que suas posições liberais mancham suas análises quando o assunto é religião Católica. Como todos sabem, liberalismo não combina com catolicismo, pois afinal, liberalismo é pecado.
O que o senhor achou da declaração do presidente, lamentando o comportamento conservador da Igreja e que, nesse caso, a medicina está mais correta que a Igreja?
Gostaria de lembrar que existem realidades divinas que precisam ser conservadas. E para isso, os padres e bispos têm que ser conservadores. Sugiro ao senhor presidente, antes de se pronunciar sobre assuntos de ordem teológica, ouvir um teólogo.
O senhor imaginava que o seu posicionamento poderia gerar uma polêmica de repercussão internacional?
Não poderia prever essa polêmica. Mas estou tranquilo. Acho que foi uma providência divina para chamar a atenção para a gravidade da situação. Não há nada que justifique um aborto. Abortar é um crime mais grave que um homicídio.
A mãe da menina e os médicos serão mesmo excomungados?
Quando falei na excomunhão, não quis dizer que era eu quem iria excomungar. Isso está no código canônico da Igreja que diz que aquele que comente um aborto está excomungado. Mas não existe pecado sem perdão. Quem reconhecer que errou e demonstrar arrependimento será aceito na Igreja novamente.
07/03/2009
Apoio a Dom Aldo Pagotto

Este blog apóia Dom Aldo Pagotto em seu ato de suspensão do Padre Luiz Couto. Este bispo agiu verdadeiramente como sucessor dos apóstolos e nós pedimos sua benção apostólica, ao mesmo tempo em que o colocamos em nossas orações diárias. Quem quiser apoiá-lo mande um e-mail para cillopagotto@arquidiocesepb.org.br.
7 de março, Santo Tomás de Aquino, C. Dr. + 1274
Nota: Seguem trechos da monumental biografia de Santo Tomás, de Chesterton (Ediouro, 3ª Ed., 2003). Comprem e leiam o livro. É um dos livros fundamentais para os católicos atuais.
Santo Tomás de Aquino, rogai por nós.
Entre os estudantes (de Santo Alberto Magno) que lotavam as salas de conferência, havia um aluno que s
e destacava por sua estatura gigantesca e sólida, um aluno que não conseguir sobressair por qualquer outra coisa ou se recusava a fazê-lo. Ele falava tão pouco nos debates que os colegas começaram a supor que, além de “calado” ele era também “embotado”. Seja como for, não demorou muito para que o deixassem de lado da forma mais horrível e assim mesmo sua estatura imponente começou a ser apenas motivo de escárnio. Apelidaram-no de Boi Mudo. Era objeto não só de zombaria, mas de piedade. Um estudante de bom coração ficou com tanta pena dele que tentou ajudá-lo a fazer as lições, repassando os elementos de lógica com se estivesse repassando o alfabeto numa cartilha. O tolo lhe agradeceu com uma patética polidez, e o filantropo continuou a lição até encontrar uma passagem sobre a qual ele mesmo tinha algumas dúvidas – e sua interpretação, para dizer a verdade, era errada. O tolo, diante disso, mostrando-se muito embaraçado e perturbado, indicou uma possível solução que mostrou se a correta. O estudante benevolente ficou olhando, como se estivesse diante de um monstro, para aquela combinação de ignorância e inteligência, e estranhos murmúrios começaram a percorrer as escolas.
(...)
Alberto Magno encarregava Tomás de realizar pequenas tarefas, de anotação ou de exposição, depois de convencê-lo a deixar de lado seu embaraço para poder participar ao menos de um debate. Alberto era um senhor bastante perspicaz que estudara os hábitos de animais que não o unicórnio e a salamandra. Ele estudara muitos espécimes da mais monstruosa monstruosidade, aquela que se chama homem. Conhecia os sinais e marcas do tipo de homem que Tomás era, o tipo de homem que é, sem o saber, uma espécie de monstro entre os homens. Alberto era um mestre bom demais para não perceber que o tolo nem sempre é um tolo. Ele soube, e se divertiu com isso, que aquele tolo recebera dos colegas o apelido de Boi Mudo. Tudo isso era muito natural, mas não retira o sabor de algo estranho e simbólico acerca da extraordinária ênfase com que Tomás falou quando finalmente o fez. Porque, na época, Tomás de Aquino ainda era conhecido apenas como um aluno obscuro e obstinadamente apático em meio a muitos alunos mais brilhantes e promissores, quando Alberto quebrou o silêncio com sua famosa profecia: “Vocês o chamam de Boi Mudo, e eu lhes digo que esse Boi Mudo vai mugir tão alto que seu mugido vai tomar conta do mundo.”
(...)
Mas, sobre sua verdadeira sua verdadeira vida de santidade, ele mantinha um grande segredo. Esse segredo na verdade costuma acompanhar a santidade, porque o santo tem um horror abissal a fazer as vezes do fariseu. (...) Certamente o mundo conhece muito menos histórias semelhantes [de milagres] sobre Santo Tomás do que as de muitos santos igualmente sinceros e modestos.
A verdade é que, no que diz respeito a todas essas coisas, na vida e na morte, há uma espécie de enorme calma cercando Santo Tomás. Ele era uma daquelas coisas grandes que ocupam pouco espaço.
(...)
Parece certo que Tomás teve de fato uma espécie de vida secundária e misteriosa, o duplo divino do que é chamado de vida dupla. Alguém parece ter surpreendido algo do tipo de milagre solitário que as pessoas modernas ligadas ao sobrenatural chamam de levitação. (...) Ninguém sabe, imagino eu, que tempestade espiritual de exaltação ou de agonia provoca essa convulsão na matéria ou no espaço, mas trata-se de algo que quase com certeza acontece. (...) Mas é provável que a revelação mais representativa desse lado de sua vida possa estar na celebrada história do milagre do crucifixo, quando, na imobilidade da igreja de São Domingos em Nápoles, uma voz falou a partir do Cristo esculpido e disse ao frade ajoelhado que ele escrevera coisas corretas, e lhe ofereceu a escolha de uma recompensa entre todas as coisas do mundo.
Creio que nem todos apreciam o sentido dessa história particular ao vê-lo aplicado a esse santo em particular. É uma velha história, na medida em que é simplesmente como se oferecessem a um devoto da solidão ou da simplicidade a oportunidade de escolher todos os prêmios da vida. (...) Tomás não era alguém que não queria nada, pois tinha um enorme interesse por tudo. Sua resposta à escolha em questão não seria tão inevitável nem simples como alguns poderiam supor. (...) Ninguém supõe que Tomás de Aquino, ao receber de Deus a oferta para escolher entre todas as dádivas de Deus, pudesse pedir mil libras, a coroa da Sicília ou um raro vinho grego. Mas ele poderia ter pedido coisas que de fato queria; e era um homem que podia querer coisas, tal como quis o manuscrito perdido de São Crisóstomo. Tomás poderia ter pedido a solução de uma antiga dificuldade, o segredo de uma nova ciência, o vislumbre da mente intuitiva inconcebível dos anjos ou qualquer outra coisa dentre as inúmeras que de fato teriam satisfeito seu amplo e viril apetite pela própria vastidão e variedade do universo. (...) Trata-se do flamejante pano de fundo do ser mutidimensional que confere a força particular, e mesmo uma espécie de surpresa, à resposta de Santo Tomás quando ele finalmente levantou a cabeça e falou com aquela ousadia quase próxima da blasfêmia, que é a irmã da humildade de sua religião: “Quero a ti mesmo”.
Ou, para acrescentar a ironia final e esmagadora da história, tão peculiarmente cristã para os que podem de fato compreendê-la, alguns amenizam um pouco a ousadia, ao insistir que ele disse: “Apenas a ti mesmo”.
Santo Tomás de Aquino, rogai por nós.
Entre os estudantes (de Santo Alberto Magno) que lotavam as salas de conferência, havia um aluno que s
e destacava por sua estatura gigantesca e sólida, um aluno que não conseguir sobressair por qualquer outra coisa ou se recusava a fazê-lo. Ele falava tão pouco nos debates que os colegas começaram a supor que, além de “calado” ele era também “embotado”. Seja como for, não demorou muito para que o deixassem de lado da forma mais horrível e assim mesmo sua estatura imponente começou a ser apenas motivo de escárnio. Apelidaram-no de Boi Mudo. Era objeto não só de zombaria, mas de piedade. Um estudante de bom coração ficou com tanta pena dele que tentou ajudá-lo a fazer as lições, repassando os elementos de lógica com se estivesse repassando o alfabeto numa cartilha. O tolo lhe agradeceu com uma patética polidez, e o filantropo continuou a lição até encontrar uma passagem sobre a qual ele mesmo tinha algumas dúvidas – e sua interpretação, para dizer a verdade, era errada. O tolo, diante disso, mostrando-se muito embaraçado e perturbado, indicou uma possível solução que mostrou se a correta. O estudante benevolente ficou olhando, como se estivesse diante de um monstro, para aquela combinação de ignorância e inteligência, e estranhos murmúrios começaram a percorrer as escolas.(...)
Alberto Magno encarregava Tomás de realizar pequenas tarefas, de anotação ou de exposição, depois de convencê-lo a deixar de lado seu embaraço para poder participar ao menos de um debate. Alberto era um senhor bastante perspicaz que estudara os hábitos de animais que não o unicórnio e a salamandra. Ele estudara muitos espécimes da mais monstruosa monstruosidade, aquela que se chama homem. Conhecia os sinais e marcas do tipo de homem que Tomás era, o tipo de homem que é, sem o saber, uma espécie de monstro entre os homens. Alberto era um mestre bom demais para não perceber que o tolo nem sempre é um tolo. Ele soube, e se divertiu com isso, que aquele tolo recebera dos colegas o apelido de Boi Mudo. Tudo isso era muito natural, mas não retira o sabor de algo estranho e simbólico acerca da extraordinária ênfase com que Tomás falou quando finalmente o fez. Porque, na época, Tomás de Aquino ainda era conhecido apenas como um aluno obscuro e obstinadamente apático em meio a muitos alunos mais brilhantes e promissores, quando Alberto quebrou o silêncio com sua famosa profecia: “Vocês o chamam de Boi Mudo, e eu lhes digo que esse Boi Mudo vai mugir tão alto que seu mugido vai tomar conta do mundo.”
(...)
Mas, sobre sua verdadeira sua verdadeira vida de santidade, ele mantinha um grande segredo. Esse segredo na verdade costuma acompanhar a santidade, porque o santo tem um horror abissal a fazer as vezes do fariseu. (...) Certamente o mundo conhece muito menos histórias semelhantes [de milagres] sobre Santo Tomás do que as de muitos santos igualmente sinceros e modestos.
A verdade é que, no que diz respeito a todas essas coisas, na vida e na morte, há uma espécie de enorme calma cercando Santo Tomás. Ele era uma daquelas coisas grandes que ocupam pouco espaço.
(...)
Parece certo que Tomás teve de fato uma espécie de vida secundária e misteriosa, o duplo divino do que é chamado de vida dupla. Alguém parece ter surpreendido algo do tipo de milagre solitário que as pessoas modernas ligadas ao sobrenatural chamam de levitação. (...) Ninguém sabe, imagino eu, que tempestade espiritual de exaltação ou de agonia provoca essa convulsão na matéria ou no espaço, mas trata-se de algo que quase com certeza acontece. (...) Mas é provável que a revelação mais representativa desse lado de sua vida possa estar na celebrada história do milagre do crucifixo, quando, na imobilidade da igreja de São Domingos em Nápoles, uma voz falou a partir do Cristo esculpido e disse ao frade ajoelhado que ele escrevera coisas corretas, e lhe ofereceu a escolha de uma recompensa entre todas as coisas do mundo.
Creio que nem todos apreciam o sentido dessa história particular ao vê-lo aplicado a esse santo em particular. É uma velha história, na medida em que é simplesmente como se oferecessem a um devoto da solidão ou da simplicidade a oportunidade de escolher todos os prêmios da vida. (...) Tomás não era alguém que não queria nada, pois tinha um enorme interesse por tudo. Sua resposta à escolha em questão não seria tão inevitável nem simples como alguns poderiam supor. (...) Ninguém supõe que Tomás de Aquino, ao receber de Deus a oferta para escolher entre todas as dádivas de Deus, pudesse pedir mil libras, a coroa da Sicília ou um raro vinho grego. Mas ele poderia ter pedido coisas que de fato queria; e era um homem que podia querer coisas, tal como quis o manuscrito perdido de São Crisóstomo. Tomás poderia ter pedido a solução de uma antiga dificuldade, o segredo de uma nova ciência, o vislumbre da mente intuitiva inconcebível dos anjos ou qualquer outra coisa dentre as inúmeras que de fato teriam satisfeito seu amplo e viril apetite pela própria vastidão e variedade do universo. (...) Trata-se do flamejante pano de fundo do ser mutidimensional que confere a força particular, e mesmo uma espécie de surpresa, à resposta de Santo Tomás quando ele finalmente levantou a cabeça e falou com aquela ousadia quase próxima da blasfêmia, que é a irmã da humildade de sua religião: “Quero a ti mesmo”.
Ou, para acrescentar a ironia final e esmagadora da história, tão peculiarmente cristã para os que podem de fato compreendê-la, alguns amenizam um pouco a ousadia, ao insistir que ele disse: “Apenas a ti mesmo”.
05/03/2009
Ufa! “Frei” Beto, finalmente, confessa não ser católico
O comunistóide “Frei” Beto, homem de confiança e admirador dessa candura de pessoa que é Fidel Castro, declara com todas as letras, hoje, no Estado de Minas, que não é católico. Isso é muito bom, pois, há algum tempo comentei aqui que ele teria sido convidado a falar num retiro de carmelitas. Da próxima vez, as pobres carmelitas podem querer convidar algum católico.
Esse “frei” deixou de ser católico há tanto tempo (nem sei se algum dia o foi) que não deve nem ter percebido que fez tal confissão pública. Vocês sabem, ele sequer reconhece quando despreza, nega ou escarnece a doutrina que diz professar.
Assim, este senhor diz o seguinte, em seu artigo de hoje, intitulado Mão Invisível:
“Desde criança, tenho, como todo mundo, meus medos. Já foram maiores: medo de ver meu pai bravo, de ser obrigado a comer jiló, de tirar zero na prova de matemática. Medo, sob a ditadura, de me ver abordado por uma viatura policial. Medo, sob a chuva capixaba, de que meu barraco na favela, erguido à beira de um precipício, fosse levado pelas águas.
“Hoje, coleciono outros medos. Um deles, medo da mão invisível do Mercado. Aliás, do que é invisível só não temo Deus. Temo bactérias e extraterrestres. As primeiras, combato com antibióticos – termo inapropriado, pois significa “contra a vida” e, no entanto, os inoculamos para favorecê-la.” (Negritos são meus)
Não sugiro a ninguém que leia o artigo, pois é uma coleção de imbecilidades sobre o malvado mercado.
Vejam que ele diz ter medo de ditadura. Mentira, pois, ele ajudou muito a ditadura de Fidel. Ele teme alguns tipos de ditadura.
Sobre invisibilidades, veja que ele coloca a invisibilidade de Deus no mesmo nível que a invisibilidade das bactérias. Bem, digamos que isso nos coloca absolutamente sem palavras. Um sujeito que não sabe distinguir a invisibilidade circunstancial de um micróbio (basta usar um microscópio para vê-lo) e a invisibilidade ontológica de Deus...
Mas a confissão de não católico ele faz quando diz que não teme a Deus. Podemos chamar muitos santos para nos ajudar a falar do temor de Deus. Podemos recorrer às Escrituras, por exemplo, Eco 1, 16-40. Mas chamemos Santo Agostinho para nos iluminar:
“Antes de toda e qualquer coisa, é preciso converter-se pelo temor de Deus para conhecer-lhe a vontade, para saber o que ele nos ordena buscar ou rejeitar. Necessário é que este temor incuta o pensamento de nossa mortalidade e da futura morte e fixe no lenho da cruz todos os movimentos de soberba, como se nossas carnes estivessem atravessadas pelos cravos.” (A Doutrina Cristã, 2ª ed., Editora Paulus, 2007) (Negritos são meus)
Notem que Santo Agostinho fala que nós nos convertemos pelo temor de Deus. Quem não o tem, não é católico, não se converteu ou já se apostasiou.
A curiosidade da confissão de “frei” Beto é que, hoje em dia, tem muita gente que se diz católico e que defende o aborto, a eutanásia, o casamento gay etc. Claro está que essa gente não é católica. Mas um pretenso católico se confessar não católico por negar uma exigência doutrinária tão elementar é, de fato, uma coisa extraordinária.
Que fique então registrado: “frei” Beto não teme a Deus e, portanto, não é católico.
Esse “frei” deixou de ser católico há tanto tempo (nem sei se algum dia o foi) que não deve nem ter percebido que fez tal confissão pública. Vocês sabem, ele sequer reconhece quando despreza, nega ou escarnece a doutrina que diz professar.
Assim, este senhor diz o seguinte, em seu artigo de hoje, intitulado Mão Invisível:
“Desde criança, tenho, como todo mundo, meus medos. Já foram maiores: medo de ver meu pai bravo, de ser obrigado a comer jiló, de tirar zero na prova de matemática. Medo, sob a ditadura, de me ver abordado por uma viatura policial. Medo, sob a chuva capixaba, de que meu barraco na favela, erguido à beira de um precipício, fosse levado pelas águas.
“Hoje, coleciono outros medos. Um deles, medo da mão invisível do Mercado. Aliás, do que é invisível só não temo Deus. Temo bactérias e extraterrestres. As primeiras, combato com antibióticos – termo inapropriado, pois significa “contra a vida” e, no entanto, os inoculamos para favorecê-la.” (Negritos são meus)
Não sugiro a ninguém que leia o artigo, pois é uma coleção de imbecilidades sobre o malvado mercado.
Vejam que ele diz ter medo de ditadura. Mentira, pois, ele ajudou muito a ditadura de Fidel. Ele teme alguns tipos de ditadura.
Sobre invisibilidades, veja que ele coloca a invisibilidade de Deus no mesmo nível que a invisibilidade das bactérias. Bem, digamos que isso nos coloca absolutamente sem palavras. Um sujeito que não sabe distinguir a invisibilidade circunstancial de um micróbio (basta usar um microscópio para vê-lo) e a invisibilidade ontológica de Deus...
Mas a confissão de não católico ele faz quando diz que não teme a Deus. Podemos chamar muitos santos para nos ajudar a falar do temor de Deus. Podemos recorrer às Escrituras, por exemplo, Eco 1, 16-40. Mas chamemos Santo Agostinho para nos iluminar:
“Antes de toda e qualquer coisa, é preciso converter-se pelo temor de Deus para conhecer-lhe a vontade, para saber o que ele nos ordena buscar ou rejeitar. Necessário é que este temor incuta o pensamento de nossa mortalidade e da futura morte e fixe no lenho da cruz todos os movimentos de soberba, como se nossas carnes estivessem atravessadas pelos cravos.” (A Doutrina Cristã, 2ª ed., Editora Paulus, 2007) (Negritos são meus)
Notem que Santo Agostinho fala que nós nos convertemos pelo temor de Deus. Quem não o tem, não é católico, não se converteu ou já se apostasiou.
A curiosidade da confissão de “frei” Beto é que, hoje em dia, tem muita gente que se diz católico e que defende o aborto, a eutanásia, o casamento gay etc. Claro está que essa gente não é católica. Mas um pretenso católico se confessar não católico por negar uma exigência doutrinária tão elementar é, de fato, uma coisa extraordinária.
Que fique então registrado: “frei” Beto não teme a Deus e, portanto, não é católico.
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