A arte de não ler é muito importante. Consiste em não se interessar por aquilo que esteja ocupando a atenção do grande público num dado momento. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema está causando grande alvoroço, deve-se lembrar que quem escreve para tolos sempre encontra um grande público. A condição prévia para ler bons livros é não ler os maus, pois a vida é curta. Arthur Schopenhauer, 1851
Todo homem deveria ter lido boa literatura o bastante para saber quando está lendo má literatura, e continuar a lê-la. Deveria ter tido aquilo que corretamente se chama uma educação liberal, para conhecer os propósitos mais elevados a que a linguagem humana já foi posta. Mas o objetivo de uma educação liberal é torná-lo liberal, e não apenas torná-lo exigente. Ele deveria ser capaz de reconhecer as ideias que foram esclarecidas e codificadas pelas palavras dos grandes homens quando aparecem, de modo mais fragmentário, nas palavras dos homens comuns. Mas, se perdeu todo o interesse pelas palavras dos homens comuns, teria sido muito melhor não ter sido educado. Seria como dizer que aprendeu a valsar com tanto esmero que já não sabe andar, ou que foi tão perfeitamente treinado para cantar que já não sabe falar. O fruto mais alto do interesse pela literatura é um interesse mais fino pela vida; e a má literatura, tanto quanto a boa, pode lançar luz sobre a vida, se aprendemos a distinguir a luz das trevas. E há muitíssimas outras razões para ler livros além do fato de serem bons livros. É bom suportar os tolos com alegria; e ainda melhor divertir-se com os tolos às gargalhadas. Chesterton, 1920
Eis aí duas opiniões, duas visões, duas metafísicas, dois mundos. Dois humores; o primeiro do sarcasmo; o segundo da alegria. Schopenhauer é pessimista: a vida é curta, não podemos desperdiçá-la com lixo.
Chesterton exerce a gratidão: a vida é um presente e até os tolos fazem parte do espetáculo. Divirtamo-nos com eles ao invés de suportá-los. O gorducho Chesterton é leve porque se apoia numa sã visão de mundo.
Schopenhauer é um aristocrata, Chesterton um homem do povo; não à toa, ele é chamado o apóstolo do senso comum.
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