11/09/2012

50 anos de Vaticano II: blog entrevista Gilbert Keith Chesterton.

Blog do Angueth – Sabemos que aggiornamento foi a palavra de ordem do Concílio Vaticano II. Esta palavra foi usada para indicar atualização, adaptação, conformação da Igreja aos novos tempos, aos tempos modernos, ao século XX. Este conceito fundamentou a afirmação, na melhor das hipóteses, ufanista de Paulo VI, que disse, ao fim do concílio: “A religião de Deus que se fez homem se encontrou com a religião (pois é uma religião) do homem que se faz Deus.” Sabemos também que em nome deste aggiornamento a Igreja foi varrida por um tsunami de proporções apocalípticas. O senhor, como grande católico e defensor da Igreja, como um erudito de primeira grandeza, como defensor fidei, certamente não se furtará a nos dar sua opinião sobre tão importante tema eclesial moderno. Would you please share your thoughts with us? (Desculpem-me, mas o homem é inglês!)

Chesterton – Embora não conheça este “Blog do Angueth”, nem saiba o que seja um blog, exceto talvez um parente distante de Frances, que tenha perdido um g em seu nome (Frances Blogg, esposa de Chesterton), reconheço que a pergunta é importante e que sua resposta é ainda mais importante.

A Igreja não pode mudar com os tempos; simplesmente porque os tempos não mudam. A Igreja pode apenas manter-se firme ao longo dos tempos, apodrecer e feder com os tempos. No mundo econômico e social em si nada há exceto aquele tipo de atividade que é chamada degeneração; o fenecimento das elevadas flores da liberdade e sua decomposição no solo aborígene da escravidão. Desse modo, o mundo está em grande medida no mesmo estágio que estava no começo da Idade das Trevas. E a Igreja tem o mesmo papel que teve no começo da Idade das Trevas; o de salvar toda a luz e liberdade que ela puder salvar, o de resistir a queda vertiginosa do mundo e o de esperar por dias melhores. Tal é o que uma Igreja real certamente faria; mas uma Igreja real poderia ser capaz de fazer mais. Poderia fazer das idades das trevas mais que um tempo de semear; poderia fazer delas o exato reverso das trevas. Poderia apresentar seu ideal mais humano, ao modo de um contraste tão súbito e atrativo à tendência desumana dos tempos, que inspirasse repentinamente os homens a uma das revoluções morais da história; de modo a que os homens ainda viventes não experimentassem a morte antes de terem visto a justiça retornar.

Não desejamos, como dizem os jornais, uma Igreja que mude com os tempos. Desejamos uma Igreja que mude o mundo. Desejamos que ela mova o mundo de muitas coisas em direção às quais ele agora se encaminha; por exemplo, o Estado Servil. É por este teste que a história realmente julgará qualquer igreja, seja ela a Igreja real ou não.

Blog do Angueth – Thank you very much!


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Nota do blog: Já escrevi aqui o que penso sobre as posições de Chesterton acerca do Concílio Vaticano II, tivesse ele vivido os tempos pós-conciliares. O texto acima apareceu num artigo do grande católico inglês, no jornal New Witness, sobre se a Igreja deve mudar com os tempos ou não. Para quem sabe ler, a conclusão sobre a posição dele em relação ao CVII é óbvia!

07/09/2012

50 anos de Vaticano II: DOM SABURIDO E AS BESTAS, COM APROVAÇÃO "NEOECLESIAL".


Nota do blog: As travessuras de Saburido seria um título muito apropriado para um livro infantil, não fossem suas travessuras muito sérias e não fosse este senhor um sucessor dos Apóstolos. Melhor seria falarmos das tragédias de Saburido ou dos escândalos (no sentido bíblico) de Saburido. Eu já escrevi aqui muito sobre este senhor (ver aqui, aqui e aqui). Marcos Paulo, autor do texto abaixo e leitor do blog, também já escreveu aqui sobre o tal bispo. Mais recentemente alguns leitores de Pernambuco estão escrevendo ao blog para protestar contra suas mais recentes declarações. É que agora o bispo está sendo também, além de outras coisas, bestial. Vejam, no trecho a seguir, que Chesterton acertadamente mostra que a tendência dos pagãos modernos (sim, pagão é o que o bispo é, na melhor das hipóteses) de borrar a diferença entre homem e animal (que é o que o bispo agora quer nos impingir) leva logicamente ao canibalismo, que pensávamos extinto nas sociedades civilizadas. Vamos ao trecho de Chesterton: 

"Assim, muitos de nossos amigos e conhecidos continuam a entreter um saudável preconceito contra o canibalismo. O momento em que este próximo passo na evolução ética será dado parece ainda distante. Mas a noção de que não há muita diferença entre os corpos de homens e de animais – de que não eles estão, de modo algum, distantes, mas muito próximos – é expressa em centenas de maneiras, como um tipo de comunismo cósmico. Podemos quase dizer que é expressa de todas as formas, exceto pelo canibalismo. Ela é expressa, no caso dos vegetarianos, na não colocação de partes de animais nos homens. É expressa quando se deixa um homem morrer como morre um cachorro, ou quando se considera mais patético a morte de um cachorro do que a de um homem. Alguns se inquietam sobre o que acontece com os corpos dos animais, como se estivessem certos de que um coelho se ressentisse em ser cozido, ou que uma ostra exigisse ser cremada. Alguns são ostensivamente indiferentes ao que acontece aos corpos dos homens; e negam toda a dignidade aos mortos e todo gesto de afeto aos vivos. Mas todos têm uma coisa em comum; consideram os corpos humano e bestial como coisas comuns. Pensam neles sob uma generalização comum; ou, na melhor das hipóteses, sob condições comparativas. Entre pessoas que chegaram a esta posição, a razão para desaprovar o canibalismo já se tornou muito vaga. Permanece como uma tradição e um instinto. Felizmente, graças a Deus, embora seja agora muito vaga, é ainda muito forte. Mas, embora o número dos mais ardentes pioneiros éticos que provavelmente começariam a comer missionários cozidos seja muito pequeno, o número daqueles dentre eles que conseguiriam explicar suas próprias razões reais para não fazê-lo é ainda menor."

Curtam agora mais um lance na vida do pagão Saburido! Chamo-o de pagão por pura caridade. Agradeço a Marcos Paulo o texto muito bem fundamentado.


Marcos Paulo

“Havendo perigo próximo para a fé, os prelados devem ser argüidos, até mesmo publicamente, pelos súditos”. (Sum. Teol.II-II.ª,XXXIII,IV,a.d.2)

Dom Saburido não para de nos surpreender. E, o faz com regularidade solar. Passemos em revista alguns dos seus “portentos”, não em ordem cronológica necessariamente.
 Após uma infeliz declaração de independência da “ciência” frente à Santa Igreja Católica em questões da vida:

A Igreja defende que o aborto deve ser evitado. Mas é claro que tem que ver as condições médicas. Se existe um risco muito grande, há um consenso nesse sentido, então é algo a se considerar[1]”(http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/04/10/urbana8_1.asp);

Após mobilizar o clero diocesano que comanda contra a dengue: “Arquidiocese renova parceria no combate à Dengue[2]”;
Após a capitulação diante da “gaystapo”, pois, nada fez contra a catilinária da ideologia gay em pleno território Católico, apologia da cultura gay na UNICAP[3], mesmo com idas e vindas de católicos zelosos ao Palácio Episcopal, pedindo sua intervenção[4];
Após participar da “Marcha contra a corrupção” (como é dado às marchas e movimentos este Bispo): "o evangelho é libertador e está para os homens[5]" (esse discurso é Teologia da Libertação em estado puro!);
Após participar da marcha “Grito dos excluídos”, juntamente com abortistas, petistas (desculpem o pleonasmo), comunistas...;[6]
Após cantar loas a um dos mais ferozes inimigos da Santa Igreja que é a Maçonaria[7], Dom Saburido adere agora ao famigerado movimento pela defesa dos animais (?);
A proposta é ridícula em si mesma. Já o fato de discutir isto já depõe contra os contendores, mas, como estamos no tempo do ridículo mesmo, vamos lá.
Eis o novo prodígio, em excertos[8]:

Integrantes do Pacto Pela Vida Animal, formado pela delegacia do meio ambiente e por ONG's que lutam contra os maus-tratos aos animais, se reuniram nesta quinta-feira (16) com o arcebisto de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, na Cúria Metropolitana da Igreja Católica, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife. 
E continua:

O objetivo do encontro foi pedir a ajuda do arcebispo para divulgar o Pacto e ajudá-lo a se transformar em projeto de lei. Para que isso aconteça, o grupo precisa reunir 64, 634 mil assinaturas de pessoas que apoiem a causa, o que corresponde a 1% do eleitorado pernambucano. Trinta mil  delas já foram recolhidas.
[...]Em resposta à solicitação dos integrantes do Pacto, Dom Fernando Saburido disse que vai reunir todo o clero na próxima terça-feira (21), repassar estas informações aos padres e pedir o apoio deles para a divulgação nas igrejas da diocese.

     O link para o site desta estrovenga é este aqui: http://www.pactopelavidaanimal.com.br/. Vão lá e vejam o que estes iluminados pregam.
Não resisto e copio um trechinho do que eles chamam de “documento de trabalho”:
Isto quer dizer, que a proteção e o bem-estar dos animais é um princípio tão importante, como garantir a proteção social, respeitar a diversidade e combater a discriminação, reconhecer a igualdade de gênero, proteger a vida e a saúde humana, impulsionar o desenvolvimento sustentável e proteger os vulneráveis.

Não grifei nada acima, pois tudo acima seria grifado. Chamo a atenção para o léxico utilizado. Está tudo lá. Toda a agenda, tudo bem engendrado. Os dentes da catraca estão todos bem posicionados e azeitados. Temos diversidade, igualdade de gênero, ecoterrorismo, gaystapismo, e, “proteger a vida e saúde humana”. Quer apostar que na linguagem deles isto significa abortismo?
Pois bem, um Bispo da Santa Igreja, Dom Saburido, comprometeu-se mobilizar os parócos para arregimentarem votos para esta empreitada ilógica e ideológica.
Façamos o inverso, procuremos estas entidades, que o jornal chama de Ong’s simplesmente, sem declinar os nomes, e peçamos apoio para campanhas contra o aborto e vejamos se haverá esta solicitude. Aposto um churrasco que não!
Ficam as perguntas:
a)    Desconhecerá Dom Saburido que estas suas atitudes só fazem minar a igreja que ele jurou morrer por ela?;
b)   Ignora que suas ações listadas supra, todas elas, são pautadas pela agenda globalista?;
c)    Que nesse caso a idéia aí, defesa dos animais, não é defesa alguma das bestas como criaturas de Deus, mas sim a inversão ontológica da escala valórica do ser?
d)   Ignora, por acaso, Dom Saburido que abortismo, gaysismo, igualdade de gênero, direitos animais são premissas de um mesmo silogismo?;
e)    Que isto não pode ser atribuído ao que o professor Olavo de Carvalho nomina de “Teoria da Mera Coincidência”?
É claro que um Bispo não é obrigado a saber de tudo, porém, não pode é não saber de nada. Como defensor mor da Igreja deve saber quem são os inimigos a combater e as armas por eles utilizadas. Para que existem, por exemplo, os consultores do Bispo. Seus padres.
Pois bem, o que o referido Bispo fez tem a chancela papal. Vamos aos fatos e as fontes.
Vejam lá no novo Catecismo, mais conhecido como o amarelo, das questões 2415 a 2416. Ao término de uma redação até então condizente com o magistério não corrompido pelo liberalismo, temos a “pérola”: “Pode-se amar os animais, porém não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas”.
 Esperar o que de um Catecismo redigido com a clave da ambigüidade?  
Amor aos animais? Amor com moderação? Comentar o quê, não é mesmo? Pelo que se lê na Sagrada Escritura, o pai Adão rejeitou as bestas por companhia. Pediu Eva a Deus. Uma redação destas e Bento XVI ainda nos fala de hermenêutica da continuidade? Só se for a continuidade no erro.
Mas, claro, as coisas podem piorar. E, podendo, piorarão, como predisse Murphy.
No Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, do amarelo, lemos um upgrade(?), do sétimo mandamento:

506. O que prescreve o sétimo mandamento?
O sétimo mandamento prescreve o respeito dos bens alheios, mediante a prática da justiça e da caridade, da temperança e da solidariedade. Em particular, exige o respeito das promessas e dos contractos estipulados; a reparação da injustiça cometida e a restituição do mal feito; o respeito pela integridade da criação mediante o uso prudente e moderado dos recursos minerais, vegetais e animais que há no universo, com especial atenção para com as espécies ameaçadas de extinção. 
507. Como é que o homem se deve comportar com os animais?
O homem deve tratar os animais, criaturas de Deus, com benevolência, evitando quer o amor excessivo para com eles, quer o seu uso indiscriminado, sobretudo para experimentações científicas efectuadas para lá dos limites razoáveis e com sofrimentos inúteis para os próprios animais. [...]
Não, o redator acima não foi Peter Singer, o filodoxo de Princeton, mas poderia ter sido. Um dos redatores foi o então Cardeal Ratzinger. Podemos ler ali que podemos amar as bestas, mas com moderação. É espantoso!
Leiamos agora, uma explicação do mesmo mandamento na pena de São Pio X, no Catecismo escrito por este, nominado “Catecismo Maior de São Pio X”:
431) Que nos proíbe o sétimo Mandamento: não furtar? O sétimo Mandamento: não furtar, proíbe tirar ou reter injustamente as coisas alheias, e causar dano ao próximo nos seus bens de qualquer outro modo.
432) Que quer dizer furtar? Furtar quer dizer: tirar injustamente as coisas alheias contra a vontade do dono, quando ele tem toda a razão e todo o direito de não querer ser privado do que lhe pertence.
433) Por que se proíbe o furtar? Porque se peca contra a justiça, e se faz injúria ao próximo, tirando e retendo, contra o seu direito e contra a sua vontade, o que lhe pertence.
434) Que são as coisas alheias? São todas as coisas que pertencem ao próximo, das quais tem a propriedade ou o uso, ou simplesmente as tem em depósito
Que diferença. Não adianta procurar amigo, não há ai “animais em extinção”, nem “amor moderado” para com as bestas. O que há, é a verdadeira tradução do sétimo mandamento como quis o Logos Divino. Não há invencionices, modernidades e liberalismos.
E não se venha falar de são Francisco de Assis, coisa alguma, e sua oração da “irmã lua”, “irmão sol”..., o que houve, nesse caso, foi uma tradução equivocada, fazendo crer que este grande santo era panteísta.
Voltemos a Dom Saburido. Dom Saburido é ambíguo como os documentos do Concílio Vaticano II e seguintes. No caso do Bispo não poderia dizer se a vacilação e vocabulário escorregadios são propositais ou não, como os são nos documentos conciliares.
Não quero fazer ilações que me imantem ao pecado, mas é muito difícil compreender como um Bispo tão solícito a campanhas seculares, que nada tem a ver com sua missão de pastor, muitas delas contrárias mesmo ao seu telos, seu múnus apostólico, não consiga enxergar que, se há uma “categoria” ameaçada, assassinada, caçada em todo o mundo, quase em extinção mesmo é a dos Católicos Apostólicos Romanos. Justamente aqueles contrários às idéias e ações que vem sendo implementadas por Dom Saburido. “Erguei-vos, Senhor, e julgai vossa própria causa”.



[1]Sobre a declaração acima, ele, por meio de nota diocesana veio a culpar os jornalistas que, segundo ele ainda, o teriam enganado com “perguntas repetitivas”(sic! ?) Sei! Porém, em entrevista ao site UOL, http://mais.uol.com.br/view/k77arz6psxw4/dom-fernando-saburido--pedofilia-aborto-e-divorcio-04023262E4910366?types=A, mais anticatólico que o capeta, ele repete em essência aquilo que disse ao diário de Pernambuco, e, não vi a mocinha que o entrevistou engalobá-lo com “perguntas-charada” coisa nenhuma. Ela foi sim objetiva. Dom Saburido é que foi conciliarista. Afinal, não quer desagradar ninguém[1].
[2]http://www.arquidioceseolindarecife.org/2012/03/arquidiocese-renova-parceria-no-combate-a-dengue/ Esta “ação”, é verdade, ocorreu em outras dioceses pelo Brasil afora. Embora importante isto é prioritário na vida da Igreja? Imagino a maioria dos “padres sem batina” dizendo na homilia que a culpa é do capitalismo.
[7]http://pazzebem.blogspot.com.br/2012/03/dom-fernando-e-condecorado-com-medalha.html; Disse PIO IX: “dirigem a sua criminosa conspiração contra esta Igreja romana”[...]Encíclica QUI PLURIBUS-1846.

03/09/2012

Palestra de lançamento "Todos os Caminhos Levam a Roma": assistam às 20h de hoje!


Broadcasting live with Ustream

Hoje é a festa de São Pio X e Chesterton fala sobre o grande Papa.


São Pio X morreu no dia 20 de agosto de 1914. No dia 29 de agosto do mesmo ano, Chesterton escreve um artigo no Illustrated London News intitulado “O Camponês que se Tornou Papa”. Abaixo os trechos mais significativos dessa homenagem que o futuro católico (sua conversão foi em 1922), então anglicano, presta ao grande Papa do Catecismo, ao Papa que identificou, analisou, desmascarou e anatematizou a monstruosa heresia do modernismo. Sabe-se que São Pio X morreu profundamente desgostoso pela guerra que apenas começava. No fundo, ele sabia o banho de sangue que se seguiria, ao qual Chesterton alude no final do artigo.

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Dentre as muitas expressões verdadeiras e tocantes de respeito pela tragédia do Vaticano [a morte de São Pio X], muitos comentaram sobre o fato de que o falecido Papa era por nascimento um camponês. Contudo, poucos ou ninguém, penso eu, tiraram desse fato sua mais interessante ou mesmo tremenda conclusão. Pois a verdade é que o velho papado é praticamente e única autoridade na Europa em que isto poderia ter acontecido. É o mais antigo, imensuravelmente o mais antigo, trono na Europa; e o único a que um camponês poderia ascender. Esta é a única monarquia eletiva no mundo; e aquela a qual qualquer camponês pode ainda ser eleito.

Aqueles que mais o admiravam, admiravam sua simplicidade e sanidade de um camponês. Aqueles que mais murmuravam contra ele, reclamavam da obstinação e relutância de um camponês. Mas por esta razão exatamente, está claro que a instituição representativa mais antiga da Europa está funcionando: quando todas as outras já sucumbiram.

O Papa nunca pretendeu ter um intelecto extraordinário; mas ele professava estar certo: e ele estava. Todos os ateus honestos, todos os calvinistas honestos, todos os homens honestos que dizem algo, ou acreditam ou negam algo, terá razão em agradecer suas estrelas (um hábito pagão) pelo camponês naquele elevado lugar. Ele matou a heresia que afirma que ter duas cabeças é melhor que ter uma; quando elas crescem no mesmo pescoço. Ele matou a ideia pragmática de comer o bolo e o ter ao mesmo tempo. Ele permitiu que se concordasse ou discordasse de seu credo; mas não que o adulterasse. É exatamente o que qualquer camponês de qualquer colina ou planície da face da terra faria. Mas há algo mais nele que não existe num camponês ordinário. Por todo este tempo ele chorou por nossas lágrimas; e partiu seu coração por nosso banho de sangue.
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São Pio X, rogai por nós!

31/08/2012

Omnes Viae Romam Ducunt: palestra pela Internet, dia 03 de setembro.

Para quem não assistiu à palestra que proferi em Belo Horizonte, dia 19 de agosto, agora poderá assistir a palestra que proferirei dia 03 de setembro, próxima segunda-feira, via Internet. 

Na segunda, colocarei um link no blog para o acompanhamento da palestra. Quem se interessar poderá também acessar o site da Editora Ecclesiae.



29/08/2012

A Revista Permanência: Deus lhe pague, Dom Lourenço!


Para nós católicos nada pode ser comparado no campo literário ao relançamento da Revista Permanência. O impacto que esta revista teve, na sua existência anterior, pode ser aquilatado pelo pungente depoimento do Pe. João Batista (em pdf ou no Fratres). Veja aí a influência da revista na formação do Pe. João Batista e de sua família. Veja aí como ela contribuiu como antídoto ao Concílio Vaticano II.


Pois bem, Dom Lourenço, filho de um dos fundadores da revista juntamente com Gustavo Corção, Júlio Fleichman, relança agora a revista e já podemos adquirir os números 264, 265 e 266. É material de altíssima qualidade e catolicidade. É coisa para agradecermos a Deus e para O suplicarmos as graças necessárias para que a equipe liderada por Dom Lourenço consiga levar o projeto adiante. Nunca precisamos tanto de antídotos ao CVII como agora. Nunca precisamos influenciar a mocidade tanto quanto agora. Nunca Nosso Senhor precisou tanto de nós como agora. E esta revista será um alimento saborosíssimo e substancioso para que possamos continuar a luta. Não deixem de comprar as revistas; elas são fundamentais.

23/08/2012

Revista de Teologia nas bancas do Brasil


Guia Prático de Teologia, este é o título da revista que está nas bancas de todo o Brasil. A revista foi lançada pela Editora Minuano. O editor é Joel Cardoso, que em seu editorial afirma:

É dentro desta tradição cultural, cristã e católica – que formou e que é a viga mestra da civilização ocidental – que nasce esta publicação com o simples objetivo de ser um canal a mais na transmissão do pensamento e da cultura cristã, por meio dos escritos de seus articulistas, clérigos ou leigos; profissionais das diversas áreas do conhecimento humano como a educação, o direito, a filosofia, as artes etc., mas que inseridos no mundo carregam em suas almas o esplendor, a beleza e a força da tradição cristã, a aplicam em seu viver e labor, e a transmitem com seu conhecimento.

Não existe hoje ideal mais nobre que o de reviver, restabelecer, reensinar, repisar, reinserir e defender os valores da Civilização Ocidental, que não são outros senão os da Igreja Católica. Fora desta civilização só há barbárie, crueldade e sangue. Nela o Sangue de Nosso Senhor vivifica e sobrenaturaliza os empreendimentos humanos, dando-lhes a transcendência e transformando-os em obras que o Altíssimo, dentro de Sua Sabedoria infinita, possa usar para o bem de todos.

Em seu primeiro número, ainda nas bancas, a revista conta com gente de peso; nada menos que Sávio Leaet de Barros Campos, Carlos Ramalhete, L. Jean Lauand, Márcio Reiser, Carlos Aurélio Mota de Souza, Gabriel Perissé e Robinson Malkones.

O segundo número trará o grande Gilbert Keith Chesterton. Aguardem!

22/08/2012

Padre Brown, com Alec Guinness, de 1954 e legendado!

Conta-se que Alec Guinness (o Obi-Wan Kenobi de Star Wars) converteu-se finalmente ao catolicismo depois de um incidente que aconteceu durante as filmagens do filme em que ele fez o papel de Pe. Brown, em 1954 (o filme que vocês podem assistir abaixo). 

Este filme foi filmado numa pequena vila da França. Num determinado dia, Guinness sai do set de filmagem e vai para casa com a batina de padre. Um menino, pensando ser ele um padre de verdade, pega a sua mão e o acompanha confiantemente. "Continuando meu caminho", ele disse, "eu refletia que uma Igreja que inspirava tal confiança numa criança, fazendo de seus padres, mesmo desconhecidos, tão facilmente acessíveis, não poderia ser tão conspiradora ou tão apavorante quanto tão frequentemente se dizia. Comecei a me livrar de meus preconceitos há muito aprendidos e absorvidos."

Foi o começo da conversão de Guinness da Igreja Anglicana para a Igreja Católica, mesmo itinerário que Chesterton fez três décadas antes.



 

20/08/2012

A vida de São Policarpo

Proferi palestra sobre a vida de São Policarpo, no Colégio Monte Calvário (BH), dia 29 de julho passado, logo após a Missa Tridentina. O vídeo da palestra vai abaixo.

 

16/08/2012

Leitora esclarece seus pontos de vista: blog agradece.

Post de referência: Neurocientista (sic!) puxa orelha do blogueiro e ele responde.


Prezado Professor Antônio,
Desculpe-me, a intenção não era ofender. Mesmo porque a discussão aqui é teórica e não pessoal, ou seja não haveria motivo de ofensa. Mas novamente desculpe-me. Fiquei feliz que você respondeu aos meus comentários e tenha certeza que li sua resposta atentamente.
Não vou criar mais atritos ou defender qualquer ponto de vista, contudo como meio democrático que é a internet, gostaria de direito da treplica para esclarecer melhor meus comentários.
A razão do meu tom no comentário anterior foi em virtude de como seu post pode chegar a população. Não necessariamente o que você escreveu, mas como as pessoas podem interpretar.As Neurociências estão na moda e alguns acreditam que ela possa responder a qualquer coisa. Mas isto é uma inverdade, primeiro porque não há verdades absolutas na ciência e segundo que um bom discernimento cabe em qualquer lugar.
Acho (disse eu acho, isto não quer dizer que é uma ordem e nem uma verdade absoluta, ok?) que você enquanto formador de opiniões deveria dialogar entre os pontos de vista que escreve em seus textos. Por isso sugeri que você procurasse outras referências. Não significa que você precise concordar com o outro ponto de vista e sim que é interessante informar as pessoas que leem seus textos. Novamente, só uma opinião, afinal aqui é um espaço de discussão, certo?!
                Não sou contra palmadas, limites ou qualquer outro tipo de coisa citada em sua resposta ou nos comentários, só acredito que as coisas devem ser interpretadas com parcimônia e discernimento. O que eu disse não são verdades absolutas e sim resultados de alguns estudos, ok!?
Sobre a discussão da Psicologia UFMG: não me interessa se é a melhor ou a pior, o importante para mim é o trabalho ético fazendo o meu melhor que posso. Agora tem muita coisa sendo feita na Psicologia da UFMG que é de qualidade e isto vai além das neurociências. Eu mesma admiro o pessoal da Psi. Social; mesmo não sendo a minha área aprendi a conviver e respeitar as diferenças. Isto é cristão.
                Percebi que ao longo da discussão foi muito julgada pelos meu colegas católicos, mas não se preocupem nenhuma pedra me atingiu. Fiquei só um pouco desapontada afinal gostaria de ter instigado uma discussão sobre religião e neurociências e não sobre a minha pessoa ou mesmo a Psicologia da UFMG.
Novamente independente do meu lattes ou do lattes de qualquer outro estou sempre aberta a discussões, pois são elas que me fazem crescer e ampliar meus horizontes.

Cara Annelise,
Não me ofendi com nada do que você disse. Entendi que você estava discutindo meus argumentos acerca das declarações de Dom Walmor. Seu lattes, ou de qualquer outro interlocutor, me interessa muito pouco. Só recorro a ele quando falo com quem argumenta usando títulos acadêmicos: você começa seu comentário se dizendo neurocientista. Não foi minha intenção ofendê-la e se o fiz, desculpo-me publicamente.
Não conheço a Psicologia da UFMG e não posso analisar o que ocorre lá, detalhadamente. Tenho minhas ideias sobre a universidade de um modo geral, inclusive sobre a Escola em que eu trabalho. Estas ideias estão espalhadas aqui no blog. Reconheço que elas são muito pessimistas sobre o futuro desta instituição.
Se você não é contra palmadas e reprimendas, certamente também deve ter se assustado com as considerações de Dom Walmor sobre as mais recentes descobertas da neurociência: “só elogios até oito anos de idade”. Foi sobre isto que comentei naquele post anterior.
De qualquer forma, Annelise, eu agradeço novamente seu interesse em meu blog e também estas suas palavras de esclarecimento adicional. Os comentários dos leitores, exceto se muito ofensivos ou mal educados (e eles existem aos montões!) são todos publicados e alguns, como os seus, pela sua importância são respondidos em posts individuais.
Espero que o blog continue a merecer sua leitura e não hesite em postar comentários quando julgar conveniente, como católica ou como neurocientista. Desejo-lhe também sucesso em seu mestrado!

14/08/2012

Purgatório: Segunda visão - Parte III (O ensinamento de Santa Catarina de Genova - I)


Pe. Faber

Leia também:


Não antes que a alma, sem culpa de pecado mortal, mas ainda com o débito para com Deus da pena temporal, seja libertada deste mundo e julgada, ela pode perceber que está confirmada na graça e na caridade. É então incapaz de pecar e também acumular méritos; e está destinada, por um eterno e imutável decreto, a entrar um dia como rainha no reino dos Bem-Aventurados, a ver, amar e desfrutar de Deus, a Fonte perpétua de toda a felicidade.

Neste instante, todos os pecados da vida passada são apresentados à alma, sejam mortais ou veniais, mesmo que tenham sido remidos durante a vida por contrição e pelo Sacramento da Penitência. Mas depois dessa visão transitória e instantânea, a alma não mais se lembra deles. As palavras da Santa são: “A causa do Purgatório, que essas almas têm em si mesmas, elas veem uma vez por todas na passagem desta vida para outra, e em nenhum outro momento.” A razão dessa exibição dos pecados, ela nos ensina, é possibilitar à alma, naquele momento, por um ato – não mais realmente meritório, mas ainda assim um ato real da vontade – detestar todos os seus pecados uma vez mais, e especialmente aqueles pecados veniais pelos quais ela não teve nenhuma contrição durante a vida, ou por causa de fraqueza de coração, ou por causa de uma morte súbita. Isto porque é estritamente verdade que nenhum pecado é perdoado sem um ato formal de detestação dele.

Depois dessa visão momentânea dos pecados e de sua destestação, a alma percebe em si mesma suas (dos pecados) más consequências e “legados malignos”, que formam o que os santos chamam de “impedimentos para a visão de Deus”. “A ferrugem do pecado”, ela diz, “é o impedimento, e o fogo passa a consumir a ferrugem; e como uma coisa que está coberta não consegue corresponder à reverberação dos raios do sol, assim se a cobertura é consumida, a coisa é finalmente exposta ao sol.” É assim que o Purgatório esgota, na alma, o débito (reatus) do pecado venial, e também o débito da pena temporal pelos pecados mortais já remidos. Esta última afirmação, meus leitores perceberão, não está, como alguns pensaram, em desacordo com o ensinamento de Suarez e outros escolásticos, que mantêm que não há mancha deixada na alma pelo pecado que exija uma ação de limpeza daquele fogo. A santa fala em todo o tratado como se o Purgatório fosse não tanto um lugar de limpeza de manchas, mas de pagamento de débitos.

DESEJO DE PURIFICAÇÃO

Tão logo a alma se percebe aceita por Deus e constituída em herdeira do Paraíso, mas incapaz, por causa desse impedimento, de tomar imediata possessão de sua herança, ele desenvolve um intenso desejo de se livrar desse impedimento, dessa dupla obrigação de culpa e pena. Mas sabendo que apenas o Purgatório pode consumir essas obrigações, e que é exatamente com esse objetivo que Deus condena a alma a esse fogo, ela deseja suportar essa pena. “A alma separada do corpo (estas são as próprias palavras da santa), não encontrando em si mesma toda a pureza necessária, e vendo em si esse impedimento que não pode ser tirado exceto pelo Purgatório, imediatamente nele se joga com uma vontade firme. Ora, se a alma não considerasse o Purgatório uma instância apropriada para a remoção desse impedimento, surgiria imediatamente em seu interior um inferno muito pior que o Purgatório, visto que ela perceberia que esse impedimento não a permitiria aproximar-se de Deus, que é seu fim último. Por conseguinte, se a alma pudesse encontrar outro purgatório mais cruel, em que ela pudesse se livrar mais rapidamente desse impedimento, ela velozmente nele se precipitaria, por causa da impetuosidade do seu amor por Deus.”

Mas isso não é tudo. No capítulo seguinte a santa continua a ensinar que se a alma, trabalhando sob esse impedimento, fosse livre para escolher entre acender imediatamente da situação em que se encontra para o Paraíso, e descer para sofrer no Purgatório, ela escolheria sofrer, embora os sofrimentos sejam quase tão terríveis quanto aqueles do Inferno. Estas são suas palavras: “Acerca da enorme importância do Purgatório nenhuma língua pode dizer, nenhuma mente conceber. Pelo que vi, suas penas são quase como se fossem as do Inferno; e, mesmo assim, vejo também que a alma que percebe em si o mais tênue defeito ou partícula de imperfeição preferiria se lançar em milhares de infernos a se encontrar na presença de Divina Majestade com esse defeito à mostra; e portanto, percebendo que o Purgatório está ordenado a tirar essas imperfeições, ela de imediato se lança nele e parece, pelo que vejo de sua compostura, considerar que tal lugar é de grande misericórdia, pois permite que ela se livre desse impedimento.”

PENA DE DANO

Quando a alma justa chega ao Purgatório, perdendo de vista tudo o mais, vê diante dela apenas duas coisas: o extremo sofrimento e a extrema alegria. Uma dor tremenda é causada pelo conhecimento de que Deus a ama como um amor infinito, que Ele é o Principal Bem, que Ele considera a alma como Sua filha, e que Ele a predestinou a desfrutar d’Ele para sempre em companhia dos Bem-Aventurados; e, assim, a alma O ama com uma caridade pura e perfeita. Ao mesmo tempo, ela percebe que não pode vê-Lo ou desfrutá-Lo ainda, embora anseie isso tão intensamente; e sua aflição aumenta ainda mais com a incerteza de quando terminará seu exílio, longe de seu Senhor e do Paraíso. Essa é a pena de dano do Purgatório, da qual a santa diz que é “uma pena tão extrema que nenhuma língua pode descrevê-la, nenhuma inteligência conceber a menor porção dela. Embora Deus em Sua bondade me mostrasse uma pequena centelha dela, não consigo expressá-la com minha língua de modo algum.”

Ela compara a pena de dano ao anseio por um pedaço de pão. “Se em todo o mundo houvesse apenas um pedaço de pão que fosse capaz de satisfazer a fome de todas as criaturas, quem ficaria saciado apenas por contemplá-lo, quais seriam os sentimentos de um homem que possuísse, por natureza, o instinto de comer, quando saudável; quais, repito, seriam seus sentimentos se não fosse nem capaz de comer, nem estivesse doente ou a beira da morte? Sua fome seria sempre crescente e, sabendo que nada havia exceto aquele pedaço para satisfazê-lo e ainda assim não sendo capaz de consegui-lo, ele permaneceria em insuportável tortura.” Essa semelhança, contudo, nos mostra tão somente uma sombra do que a alma realmente sofre. Ela é continuamente arrastada por um imperceptível e violento amor por Deus, único que pode satisfazê-la. Essa violência cresce incessantemente enquanto a alma faminta fica privada de seu Divino Objeto, pelo qual ela se mostra indescritivelmente voraz; e sua tortura continuaria assim também aumentando, não fosse mitigada pela esperança – ou antes, pela certeza de que está cada vez mais perto da eterna felicidade. Nas palavras do profeta, o sofredor sabe que “verá o fruto do que sua alma trabalhou e ficará satisfeito.” (Is. 53:13).

08/08/2012

Neurocientista (sic!) puxa orelha do blogueiro e ele responde.



Prezado,
 Sou neurocientista E católica. Acredito que você teve uma interpretação equivocada e está dizendo grandes besteiras. 
Mas vamos aos fatos de uma forma bem simples: crianças pequenas aprendem mais facilmente quando a informação passada vem na forma POSITIVA e não NEGATIVA. Isto não significa que as crianças não precisem de limites, mas influencia em como os limites serão estabelecidos, certo!?
Troque o "isto não pode" por "faça desta outra maneira", por exemplo.
 Outra coisa, já foi demonstrado cientificamente que o estilo parental mais eficiente é o autoritativo e não o autoritário. Você já escutou/pesquisou sobre o assunto!?!?
 Acredito que você como (de alguma maneira) formador de opiniões deveria se inteirar melhor do assunto e MELHORAR SUAS FONTES de busca antes de escrever/falar palavras ao vento.
 Caso tenha interesse estou a disposição para discutirmos o assunto do ponto de vista de uma neurocientista católica e sensata.
 Att. Annelise


Cara Annelise,
Salve Maria!

Obrigado pela visita ao blog e pelo comentário (não muito educado!), que pelas suas supostas credenciais é autoritário, ou seja, de uma autoridade no assunto que decide usá-la com firmeza.

Eu, como você já deve suspeitar, não sou neurocientista, mas sou católico, como você.

Quando trato com um cientista, e que fala do alto de seu saber, assim como você, vou logo à plataforma Lattes para saber com quem falo. Não ligo a mínima para o Lattes quando estou em discussão normal, pois discussões se travam em torno de argumentos, não de titulações acadêmicas. Mas você mostrou logo suas credenciais e aí não há escapatória!

Encontrei nove Annelise’s doutoras (e portanto cientistas): uma doutora em Ciências da Linguagem; duas doutoras em Engenharia (Metalúrgica e Minas); uma bolsista de produtividade em Química; uma doutora em Química; uma doutora em Sociologia e Antropologia; uma doutora em Saúde Pública; uma doutora em Medicina Veterinária; e a última doutora em Biociências e Biotecnologia. Li o pequeno resumo do perfil de cada uma e não encontrei ninguém na área de neurociências.

Continuando no Lattes, pesquisei também o banco de dados de “Demais Pesquisadores (Mestres, Graduandos, Estudantes, Técnicos, etc.)” e acho que achei você, Annelise! Acho que você é da UFMG, a minha instituição! Seu perfil nos informa que você é mestranda em Neurociências. Parabéns e boa sorte! Mas você ainda tem muito caminho pela frente para se tornar uma cientista, Annelise. Vá com calma e com humildade.

Bem, mas você disse que: “Mas vamos aos fatos de uma forma bem simples: crianças pequenas aprendem mais facilmente quando a informação passada vem na forma POSITIVA e não NEGATIVA. Isto não significa que as crianças não precisem de limites, mas influencia em como os limites serão estabelecidos, certo!? Troque o ‘isto não pode’ por ‘faça desta outra maneira’, por exemplo.”

Gostei da “forma bem simples”, pois mostra que você sabe tratar com crianças. Gostei também das maiúsculas. Lembrei-me que Chesterton tem alguns textos memoráveis sobre o uso de letras grandes pela mídia impressa (veja um deles aqui) e uma das observações do gênio inglês talvez se aplique a seu texto. Ele dizia que “Os editores usam esse alfabeto gigante ao tratar com os leitores, pela mesma exata razão que pais e professoras usam um alfabeto gigante similar ao ensinar as crianças a soletrar.”

Mas vamos aos fatos, Annelise, aos fatos! Eu criei dois filhos e sempre fiz isto que você chama de “fato”, embora não seja neurocientista. Aliás, o ser humano normal sempre faz isso, sem precisar de neurociência. Às vezes dava certo. Muitas vezes não. Pois, criança pequena, às vezes, Annelise, não tem a capacidade de compreensão das situações corriqueiras. Aí o “faça desta outra maneira” não funciona e aí, Annelise, quem detém a autoridade deve exercê-la integralmente. E aí, Annelise, uma palmada, um castigo ou uma repreensão mais forte são as únicas maneiras de solucionar o impasse e educar nosso rebento. Bem mais tarde, quando a criança não for mais pequenininha, a coisa muda de figura. O entendimento do mundo já está mais amadurecido na cabecinha dela e então um nível de diálogo mais avançado já é bem mais possível. Aí, e só aí, entra, como norma geral, o “faça desta outra maneira”. Antigamente, Annelise, quando não existia a neurociência, e quando o homem ainda utilizava o senso comum que Deus lhe deu (homem sensato, como você chama a si mesma!), as coisas se passavam assim. Excetuando-se os desequilibrados, pais amorosos (e católicos) sempre abordam os filhos com amor e carinho, mesmo quando têm de usar da autoridade máxima!

O que me espantou nas afirmações de Dom Walmor foi que ele disse o seguinte: “que a neurociência afirma que ‘até os oito anos cabem somente elogios’.” Veja, Annelise, nem o seu “faça de outra maneira” é sugerido: “somente elogios” é a nova lei da neurociência, segundo o arcebispo. E isto é uma grandíssima besteira! Não só besteira, mas mentira! Não só mentira, mas uma má sugestão. Não só má sugestão, mas uma receita para o fracasso. Não só receita para o fracasso, mas um desrespeito das Sagradas Escrituras e da lei de Deus! Este foi o assunto de meu post.

Mas você se dispõe a discutir o assunto. Qual assunto? Não quero discutir com você neurociência, da qual não dependi para criar meus filhos, graças a Deus, e da qual nada conheço. Mas quero muito sua opinião sobre os versículos das Sagradas Escrituras que eu citei. Agora, Annelise, não me venha com embromação. Quero que você interprete as Sagradas Escrituras sob o ponto de vista do “faça desta outra maneira”. Defenda o seu lado neurocientista contra o seu lado católico!

Para finalizar (falo agora para a Annelise católica), quando faço meu exame de consciência, antes de me confessar, leio as obrigações que os pais têm para com os filhos, relativas ao quarto mandamento da Lei de Deus. Uma delas é: “Deixei de discipliná-los quando necessitassem de tal?” Deixar de fazer isto é pecado contra o quarto mandamento, Annelise. Disciplinar é algo muito autoritário, como é autoritário promulgar os Dez Mandamentos. Deus e Moisés não eram neurocientistas!

06/08/2012

Sidney Silveira pede ajuda!

Todos que, como eu, se beneficiam permanentemente dos textos do ContraImpugnantes e dos livros da Sétimo Selo e do Instituto Angelicum, e que puderem ajudar, estão convocados! 

O trabalho do Sidney é hercúleo e seu coração está fraco. Estamos vivendo tempos negros para o catolicismo e não podemos perder nossos melhores guerreiros, ou pelo menos não podemos perdê-los por questões financeiras, que são as menos importantes. Sobretudo não podemos perdê-los por falta de caridade!

Mas lembremos que tão importante quanto doações financeiras são as nossas orações cotidianas; não esqueçamos pois de incluir o nome do Sidney nas intenções de nossos Terços ou Rosários cotidianos. 

E que Deus olhe por sua Igreja e seus defensores!

São Pedro e São Paulo: os dois pilares da Igreja.


SÃO PEDRO, APÓSTOLO

Nasceu em Betsaida, cidade da Galiléia. Seu pai chamava-se Jonas, nome que por singular coincidências significa "pomba". Em certo sentido, todos os Papas são filhos da pomba, porque na eleição dos mesmos influi o Espírito Santo. E S. Pedro havia de ser o primeiro Papa.

Tinha ele um irmão chamado André, e dois primos, Tiago e João, filhos de Zebedeu e pescadores, como eles, no lago de Tiberíades. Casara-se Pedro em Cafarnaum, porto famoso daquele lago, e vivia muito bem com os seus. Prova disso é que Jesus, sem dúvida a pedido de Pedro, curou-lhe a sogra. Não só era bom esposo, mas - coisa menos frequente - era também bom genro.

Um dia entrou Jesus na barca de Pedro e seus companheiros e mandou que remassem para o alto mar e lançassem as redes.

- Mestre, (disse Pedro), trabalhamos a noite inteira e não pegamos nem um peixinho; mas, já que assim o queres, em teu nome lançarei as redes.

A pesca foi tão abundante que Pedro se lançou aos pés de Jesus, suplicando:_ - Afasta-te de mim, Senhor; eu não sou mais que um miserável pescador.

- Tem confiança e segue-me. De hoje em diante serás pescador de homens.

E Pedro, abandonando tudo, seguiu, prontamente a Jesus. Cristo distinguiu-o muito e prometeu-lhe que o faria seu Vigário e chefe supremo da Igreja. Pedro, por sua vez, foi o primeiro a afirmar categoricamente que  Jesus era o Filho de Deus.

Durante a última ceia, Pedro mostrou-se excessivamente confiado nas próprias forças. Jesus, porém, disse a ele e aos outros que, quando o vissem preso e maltratado, todos o abandonariam. Pedro replicou impetuosamente: - Ainda que todos te abandonem, eu não te abandonarei.

Nosso Senhor repreendeu-o suavemente, porque sabia que o ardoroso Apóstolo o havia de negar três vezes. E assim foi. Mas Pedro, segundo contam os antigos, chorou tanto esse pecado, que as lágrimas abriram dois sulcos em suas faces.

Depois da Ressurreição foi por Jesus Cristo nomeado solenemente Chefe supremo da lgreja, que governou até à morte.

Em Jerusalém, o rei mandou prendê-lo para, depois da páscoa, dar-lhe a morte. Mas, ouvindo as preces dos fiéis pelo primeiro Pontífice, enviou Deus um anjo à prisão e o Apóstolo foi libertado.

Depois de ter estado em Antioquia, fixou Pedro a sua sede em Roma, de onde governava toda a Igreja.

Quando Nero decretou a primeira perseguição contra os cristãos, S. Pedro foi encerrado na prisão Mamertina, onde permaneceu vários meses em companhia de S. Paulo.

A 29 de junho do ano 67, o príncipe dos apóstolos foi crucificado sobre uma colina às margens do rio Tibre. Pediu e obteve que o pregassem na cruz de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer da mesma forma que seu divino Mestre. No lugar do glorioso martírio de S. Pedro levanta-se hoje o Vaticano, onde reside o seu sucessor, o Papa. 


DIALOGO COM SÃO PAULO 

Jesus Cristo diz de si mesmo: "Eu sou a luz do mundo". Nos lábios seus e nos lábios de seus apóstolos, em poucos anos, viu o mundo a formosura dessa luz e ficou envolvido em seus raios. 

Duvidais? Interrogai S. Paulo, o gigante da verdade e do amor, o apóstolo que não descansa, a boca que não cala, as mãos que não desmaiam, o coração que nunca se apaga. Aí o tendes: interrogai-o.

- Santo Apóstolo, donde vens?
- Da Grécia.
- Percorreste a Arábia?
- Toda.
- Estiveste na Ásia?
.- Cheguei às suas praias mais remotas.
- E visitaste Atenas?
- Falei no Areópago, bem como nas ruas de Corinto, de Tessalonica e Éfeso.
- Pensas em ir a Roma?
- Até lá chegarei. Tenho ardentes desejos de avistar-me com os césares do mundo.
- Estiveste na prisão?
- Muitas vezes.
- Sofreste naufrágios?
- Três vezes me vi nos abismos do mar.
- Estiveste em perigo de morte?
- Em muitos; a cada passo.
- Sofreste fome?
- Sim.
- Frio?
- Também.
- Ódios e calúnias?
- lsso, toda a vida; prego a verdade e não me crêem; prego o amor e odeiam-me.
- Santo Apóstolo, descansa!
- Não posso.
- Modera tuas energias.
- Tudo me parece pouco.
- És incompreensível.
- Sou  a lógica, a lógica da verdade, a lógica do amor.

O Apóstolo cala-se um instante. Pensa. Levanta a cabeça e prossegue:

- Vi o meu divino Mestre. Conheci-o na estrada de Damasco. Compreendi que é a verdade, a luz. Levo-o no coração: é um fogo que me abrasa. Levo-o nos lábios: é uma luz que me guia e me arrebata. Poucos anos faz que andamos pelo mundo, eu e os demais Apóstolos, pregando a sua doutrina, anunciando a sua lei. Erguei os olhos e vede: a fé tem sido pregada em todo o universo. Jesus Cristo conquista toda a terra, porque Ele é a luz, é o sol da verdade.Viva Jesus Cristo!

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Tesouro de Exemplos, Pe. Francisco Alves, Editora Vozes (quando ainda católica!).