26/02/2018
Manuel Bandeira e a Morte
Canal do Blog no YouTube: https://www.youtube.com/user/nry17
24/02/2018
Resposta atrasada a um ateu anônimo
Quando recebo comentários de posts antigos, tenho o hábito
de ler os posts em questão e os outros comentários, já antigos. Deparei-me com
um comentário que merece ser respondido. O comentário está no post A
Neurociência Refuta o Livre-Arbítrio?.
Antes de irmos ao comentário, permitam-me indicar, aos
leitores interessados, alguns outros posts do blog sobre neurociência, que
listo a seguir: Diocese
de Belo Horizonte avisa: a neurociência agora substitui a Bíblia.; Neurocientista
(sic!) puxa orelha do blogueiro e ele responde.; e Leitora
esclarece seus pontos de vista: blog agradece.
Voltemos então ao comentário do anônimo. Ele diz:
“Caro
Antonio Emilio Angueth de Araujo, você acha mesmo que tem a resposta para tudo
recorrendo ao Deus. Mas quem cria a matéria que advém do nada, é o próprio
nada! é porque a matéria só pode existir advindo do seu contrario, e não porque
meros humanos acham que têm um Deus que se deu ao trabalho de nos dar a razão.
O nosso Deus são as leis que regem a matéria! O mundo não foi feito pra nós,
deixe-se de iludir com essas tretas. Nós podemos servir a matéria tentando
compreender-mo-nos para começar, e depois sim tentar compreender porque existe
a matéria.”
Esse comentário aparece depois de uma longa série de
comentários de leitores e de minhas respostas a eles. Os interessados podem
seguir a sequência das intervenções lá no post em questão.
Vocês podem notar, em primeiro lugar, a quantidade de
certezas que podem caber na cabeça de um idiota. Tais certezas irão garantir
que o indivíduo irá permanecer idiota pelo resto de seus dias.
O comentarista me pergunta: “você acha mesmo que tem a
resposta para tudo recorrendo ao Deus?”. Eu respondo: não, procuro respostas em
Deus somente para as questões fundamentais. Por exemplo, quando tenho que
escolher um dentista, recorro a outras fontes. Além disso, Deus não é uma coisa
arbitrária. Sua existência pode ser provada rigorosamente. E coisa certamente
curiosa para o anônimo: essa prova, em cinco vias, tem já 700 anos de idade e é
baseada em raciocínios aristotélicos que têm uns 25 séculos. O leitor está
atrasado de 7 séculos, na melhor das hipóteses, e de 25, na pior.
O comentarista continua: “Mas quem cria a matéria que advém
do nada, é o próprio nada!” O leitor aqui está perdido completamente e não sabe
o que diz. Aos leitores interessados nesse tópico, sugiro as primeiras páginas
da Filosofia Concreta de Mário Ferreira dos Santos. Veja só leitor anônimo, não
estou recorrendo a Deus para te refutar, e sim a um mero mortal que, aliás, já
morreu. Vocês verão como Mário parte do que ele chama ponto arquimédico, “cuja
certeza ultrapassa ao nosso conhecimento, independente de nós, e é ôntica e
ontologicamente verdadeira”. Esse ponto é a afirmação “alguma coisa há”. Daí
ele deduz “o nada absoluto, por ser impossível, nada pode”.
Pulo algumas frases idiotas e chego a: “O nosso Deus são as
leis que regem a matéria! O mundo não foi feito pra nós, deixe-se de iludir com
essas tretas”. Primeiramente, “nosso Deus” não, cara-pálida! Sei o suficiente
acerca da ciência para não fazer perguntas fundamentais a essa deusa de Augusto
Comte. É curioso também que o anônimo não quer se iludir “com tretas” e
acredita nos cientistas. Como suspeito que ele não entenda nada de ciência, ou de
leis da matéria, suponho que ele realmente acredite no que os cientistas falam
na televisão ou na Internet. Acredita em Richard Dawkins ou no Dráuzio Varella.
Se isso não é acreditar em tretas, não sei o que é.
A última frase do comentário é um mistério para mim.
Enfatizo a expressão “servir a matéria”. Sim, está certo, quem a tem como deusa, deve mesmo servi-la. Se
tivesse o leitor diante de mim, eu perguntaria: o que é a matéria, e ele teria
um colapso na minha frente.
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Respostas a leitores
22/02/2018
Quaresma nos tempos atuais
21/02/2018
Lições das missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XXIX
Comento aqui, principalmente, os
artigos finais d’O DOMINGO de 18/02/2018. Um deles é do Pe. Paulo Bazaglia, o
outro de Izalene Tiene, que se intitula “leiga missionária na Amazônia”. Veremos
quem é essa senhora.
A Missa do último domingo é a do
1º domingo da Quaresma. A Quaresma é o Tempo litúrgico mais importante do ano
para nós católicos.
Na Missa de Sempre, o evangelho
desse domingo é Mt 4, 1-11, que descreve detalhadamente a tentação de Jesus no
deserto. Aquele diálogo que Ele mantém com o demônio. O interessante desse
diálogo é o quanto o demônio conhece as Sagradas Escrituras, uma das bases de
nossa fé. Neste trecho do evangelho está contido também todo o programa
demoníaco de tentação; estão ali tipificadas as principais tentações que nos
atingem diretamente.
Na Missa Nova, de Paulo VI, o
evangelho é Mc 1, 12-15, que descreve assim a tentação de Jesus: “Logo o
Espírito o impeliu para o deserto. Permaneceu no deserto quarenta dias, sendo
tentado por satanás; estava entre as feras, e os anjos o serviam”. Comparem os
leitores os dois evangelhos e verão qual dos dois é mais apropriado para o
início da Quaresma.
Bem, mas vamos ao folheto O Domingo
e aos artigos. Logo no início do folheto (na coluna à esquerda, logo abaixo de
um desenhozinho) estão os “Lembretes e sugestões para a Quaresma”. Aqui se
esperaria algumas sugestões salutares para a Quaresma, que é um tempo de
penitência, esmola e oração. São estas sugestões que têm me ocupado em vídeos
no YouTube e em vários posts do blog. Procuro, na medida do possível, chamar a
atenção dos católicos para a importância desse Tempo. Nas sugestões listadas no
folheto, eu destaco duas, para não cansar os leitores. A sugestão dois: “o
espaço celebrativo seja simples e despojado”. A ênfase aqui é “o espaço
celebrativo”. Imagino que tal espaço seja a Igreja! Mas vocês imaginem tal
sugestão sendo implementada em Notre Dame, Chartres ou em São Marcos, em
Veneza. Como despojar tais igrejas. Uma Igreja católica nunca pretendeu ser um
espaço despojado. Mas continuemos com a sugestão 3: “Dar destaque à cruz e ao
cartaz da Campanha da Fraternidade”. Quando é preciso sugerir a um pároco que
ele deve, em sua Igreja, dar destaque à Cruz de Nosso Senhor, é porque as
outras coisas de nossa fé já estão comprometidas em último grau. Recuso-me a
comentar sobre o cartaz da tal campanha.
Analisemos agora os artigos do
final do folheto. O primeiro se intitula “Deixar-se Conduzir” e é assinado por
Pe. Paulo Bazaglia. A parte mais significativa do artigo é seu início: “Jesus é
batizado por João e passa quarenta dias no deserto sendo tentado por satanás”.
Padre modernista falando de satanás é raro e uma ponta de esperança surge. Será
que o Pe. Bazaglia falará mesmo do demônio, de seu poder, de seu intento, de
suas artimanhas? A próxima frase já destrói toda a esperança, pois o padre
define o que ele pensa ser satanás: “Satanás representa todas as forças
contrárias ao projeto que Jesus vem realizar. Os projetos contrários ao projeto
de Deus são tentadores, com promessas maravilhosas pelo menor esforço”. Então,
caros leitores, para Pe. Bazaglia, o demônio são forças. Sabendo o que são os
padres modernistas e comunistas desse nosso Brasil, essas forças são políticas
e sociais contrárias ao PT. Na frase final, Pe. Bazaglia fecha o artigo com
chave de ouro: “O Senhor nos acompanha e nos dá forças para vencer as tentações
do poder, do prestígio e das riquezas; para fazer acontecer, hoje, as ações do
Reino”. Isso tudo, depois de Jesus ter dito que o Reino d’Ele não era daqui.
Vejam vocês que mensagem mais elevada para o primeiro domingo da Quaresma. Com
essa mensagem, aposto que todos os católicos saíram da Missa e foram se afiliar
ao PT.
Mas o segundo artigo é mais
interessante. Ele tem como título “CAMPANHA DA FRATERNIDADE”, em caixa alta
mesmo! Ele é assinado por uma leiga da Amazônia. Poxa!, que humildade assinar o
artigo como leiga da Amazônia; é a senhora Izalene Tiene. Confesso logo que
nunca tinha ouvido falar dela e logo fui ao Google. Ah!, mas que surpresa! Dona
Izalene Tiene, antes de ser uma humilde leiga da Amazônia foi simplesmente
prefeita de Campinas. Adivinhem o partido da Dona Izalene? Quem falou PT levou
o prêmio. Se vocês fizerem o mesmo que eu, descobrirão a quantidade de
processos que há contra a administração dela e também que suas contas não foram
aprovadas pelo legislativo de São Paulo. Será que ela fugiu lá para a Amazônia?
Não dá para saber, mas o que é surpreendente é que o folheto O Domingo tenha
escolhido justo ela para o artigo de abertura da campanha no semanário. O
artigo é um ajuntamento de jargões sobre a violência contra as mulheres. Não
vale ser lido de modo algum. É daqueles artigos em que o autor é mais
interessante do que o que ele escreve.
Como conclusão, podemos dizer que
os fiéis que receberam e leram o folheto no primeiro domingo de Quaresma,
aprenderam que satanás é uma força contrária ao projeto do PT e que uma grande
apoiadora da Campanha da Fraternidade de 2018 é uma ex-prefeita, agora leiga na
Amazônia, que é, senão corrupta, pelo menos suspeita de corrupção na prefeitura
de uma das maiores e mais importantes cidades do país.
Não poderíamos desejar mais no
início da Quaresma.
Marcadores:
Lições das Missas de Paulo VI
19/02/2018
Tempo da Quaresma: vídeo no canal do YouTube do Blog do Angueth
18/02/2018
Volto ao semanário O Domingo
Creio ter escrito meu último comentário sobre o semanário litúrgico da CNBB, O Domingo, nos idos de setembro
de 2009. Lá se vão quase dez anos.
Lancei um
livro com a coletânea dos posts, em 2011. Na época, considerei que minha
missão estava cumprida. O prefácio do livro explica a que missão estou me
referindo.
Volto agora ao semanário por
alguns motivos. O primeiro, é que existe hoje uma nova juventude católica, mais
conservadora, mais falante e mais combativa. Meu propósito é, por meio de meus
comentários do que diz o semanário, ajudar a desmascarar quem trabalha pela
destruição da Igreja. Precisamos desmoralizar esses pseudo-católicos que atentam
contra a base de nossa doutrina e de nossa fé, sejam eles padres ou leigos. O
semanário é um ótimo local para encontrarmos tal plêiade de gente.
Em segundo lugar, tentarei, com
esses novos comentários, esclarecer melhor o que falo no prefácio do citado livro:
Pode-se objetar ainda (e alguém já o fez de fato) que
o título do livro é indevido [Lições das Missas de Paulo VI]. Afinal, os
comentários se referem ao folheto que é distribuído na Missa e não à própria
Missa, à liturgia em si. Bem, embora haja apenas um comentário
predominantemente litúrgico neste livro, o folheto O DOMINGO é um fenômeno
inseparável da Missa Nova, da Missa de Paulo VI. É um fenômeno impensável numa
Missa Tridentina, pois lex orandi, lex
credenti. Assim, os textos escandalosos d’O DOMINGO estão em consonância
com a atmosfera protestantizante da Missa de Paulo VI. Eu diria até que são
adornos inseparáveis desta liturgia, que trouxe para a Igreja a grande tragédia
atual.
Eu não penso que o problema atual
da Igreja seja a infiltração comunista. Ou pelo menos, esse problema não é o
fundamental. Penso que o problema principal (talvez, matriz e facilitadora da
infiltração comunista) seja a Missa Nova, a mudança do rito. Quem conheça a
estratégia usada por Cranmer na Inglaterra, não pode deixar de concordar
comigo. Michael Davies, na introdução de seu livro Cranmer’s Godly Order (que
foi traduzido recentemente pela Editora Permanência) diz: a intensão do livro é mostrar “pelo exame do Prayer Book de Thomas Cranmer, quanto a
fé do povo católico pode se alterar simplesmente pela mudança da liturgia. (...)
O modo como rezamos reflete e, em larga medida, decide o que acreditamos.”
Cranmer conseguiu destruir o
catolicismo na Inglaterra do século XVI por meio de alterações no Missal usado
pelo povo. E notem: muitos séculos antes de Marx!
A infiltração comunista na Igreja
é um fenômeno real, planejado com muita antecedência e com anuência de toda a
alta cúpula da Igreja. O evento principal nessa história de horror foi o acordode Metz, que proibiu o Concílio Vaticano II de condenar, ou mesmo sequer
mencionar, o comunismo em seus documentos. Eu sei e reconheço tudo isso. Mas
isso não seria possível, ou pelo menos tão fácil, sem a mudança litúrgica.
Assim, como muitos hoje, de vários
modos, e utilizando várias plataformas, estão condenando tão veementemente o
comunismo dentro da Igreja, mas não, pelo menos explicitamente, a mudança
litúrgica, sinto-me no dever de trabalhar modestamente no campo litúrgico,
messe esta tão carente de operários.
Volto então aos comentários d’O
Domingo e de suas absurdidades na esperança de alertar os católicos das ideias
distorcidas e, por vezes, heréticas, ali propugnadas, fruto da mudança profunda da fé católica promovida pela mudança do rito da Missa.
Farei isso de duas formas: ora
por escrito, aqui no blog, ora com vídeos no canal do blog no YouTube.
Marcadores:
Lições das Missas de Paulo VI
15/02/2018
A Imitação de Cristo, uma leitura eminentemente quaresmal
14/02/2018
Memento, homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris.
Leitura absolutamente fundamental para hoje, quarta-feira de cinzas, é o sermão do Pe. Antônio Vieira.
10/02/2018
Quaresma 2018 - Palestra de preparação e outros materiais.
Apresento abaixo algumas sugestões para práticas e meditações para a Quaresma de 2018. São coisas já publicadas no blog, mas não custa repetir.
Começo por duas palestras que fiz sobre as mortificações cristãs.
Desejo também apresentar dez sugestões de leituras proveitosas para este período do ano, que é essencial para toda a vida católica.
1. Imitação de Cristo;
2. Glórias de Maria, de Santo Afonso;
3. Filotéia: introdução à vida devota, de São Francisco de Sales;
4. A Prática do Amor a Jesus Cristo, de Santo Afonso;
5. História de Uma Alma, Santa Teresinha do Menino Jesus;
6. A Alma de Todo Apostolado, de Dom Jean-Baptiste Chautard;
7. Tratado da Verdadeira Devoção a Virgem Santíssima, São Luiz de Montfort;
8. O Inferno, de Monsenhor de Segúr;
9. Meditações sobre os Principais Mistérios da Virgem Santíssima Senhora Nossa, Pe. Manuel Bernardes;
10. Tratado da Oração e da Meditação, São Pedro de Alcântara.
Finalmente, convido os leitores a visitarem o marcador "Quaresma" do blog.
Santa Quaresma a todos vocês!
06/02/2018
O mundo das redes sociais e dos celulares.
31/01/2018
Olavo menciona meu livro "Lições das Missas de Paulo VI", dentre outros, em vídeo no Facebook!
Obrigado, professor, pela menção"!
https://www.facebook.com/roxane.carvalho/videos/10215019781872470/?fref=mentions
Para saber mais sobre o livro, clique aqui.
https://www.facebook.com/roxane.carvalho/videos/10215019781872470/?fref=mentions
Para saber mais sobre o livro, clique aqui.
10/01/2018
Amoris Leaticia contra Humanae Vitae
Desde o início, estava claro que Amoris Leaticia do Papa Francisco fazia parte do esforço dos modernistas para alcaçarem o que fora impossível nos anos 1960: fazer a Igreja aceitar os pressupostos da contracepção, que vão contra o Magistério autêntico da Igreja, reafirmado nas encíclicas de Jõao Paulo II, Familiaris Consortio e Veritatis Splendor. O Magistério da Igreja afirma que existe um "elo profundo e maravilhoso entre o amor da união conjugal e a procriação, de modo que qualquer ato de contracepção que separa o significado unitivo do procriativo na união conjugal é intrinsicamente errado em qualquer situação".
É o que afirma o Prof. Seifert, numa resposta que dá ao Padre Maurizio Chiodi, que defendeu as afirmações da Amoris Leaticia contra as posições Magisteriais da Humanae Vitae, numa conferência em 14 de dezembro de 2017, na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, intitulada "Releitura da Humanae Vitae à luz da Amoris Leaticia".
Como tem acontecido neste pontificado, o Papa não responde às perguntas feitas por cardeais ou fiéis católicos, (por exemplo, as Dubia ou a Correction Filialis), mas escolhe alguns auxiliares para fazê-lo. Pe. Chiode parece responder, com essa conferência, duas questões das Dubia. E a resposta é: Não há, na realidade, nenhuma ação que seja intrinsicamente má em todas as circunstâncias.
Estamos diante da, talvez, mais grave crise da Igreja, que parece querer aceitar integralmente os princípios da revolta Luterana.
Vale a pena ler o texto (em inglês) do prof. Seifert.
Não foi por falta de aviso que chegamos à atual situação. Lembremos, por exemplo, de Fátima e La Sallete. Nossa Senhora reclamava, em La Sallet, que o "braço de Meu Filho" está muito pesado, e dizia que Ela não estava conseguindo mais segurá-lo.
Que Ela se digne ainda a nos protejer!
09/12/2017
Cristo é o remédio para todos os males!
Nós que vivemos em meio a panteístas abraçadores de árvores, que andam descalços e vão a cachoeiras para se livrarem de energias negativas, sabemos que isto, ao contrário do que nos falam, é a mais antiga forma da adoração da natureza. O texto abaixo é uma bela reação católica a tudo isso e uma extraordinária meditação para o Advento 20017.
Advento, 2017
dezembro 8, 2017 - lorenamcutlak
“Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou…”
“O meu misticismo é não querer saber.
É viver e não pensar nisso.”
Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos”, poemas VI e XXX, respectivamente.
*
Estive relendo Alberto Caeiro, um dos poetas da minha adolescência; e dessa vez com mais interesse do que antes.
Em menina, uns quinze anos atrás, ele não era das minhas leituras mais intensas; nunca me demorei nos seus poemas, que por motivos então obscuros me pareciam “sem sal”. Meu favorito, no universo pessoano, sempre foi o ortônimo.
Hoje Caeiro me chama particularmente a atenção, e o leio com um misto de tédio e angústia, por reconhecer que ainda há muito do que ele diz sedimentado no que eu sou. E ao mesmo tempo percebo, com clareza renovada, que era mesmo inevitável que me tornasse cristã.
Querer a docilidade das plantas, mas não como uma entrega abnegada ao que tiver de ser e vir, antes como quem se fecha à possibilidade de sofrer: é isso, no fundo, o sensacionismo de Caeiro. O olhar de quem busca ver na flor somente a flor e no sol somente o sol, recusando obstinadamente reflexões e metáforas, é tão nítido quanto limitado. Reduzir a vida ao que nos chega de forma bruta pelos sentidos, ser apenas o que se é a cada momento, ir sendo, sem pensar, ir sendo…
Medo, um medo enorme de sofrer. Mas eu nunca entendi que se pudesse desejar a serenidade das pedras. Já na adolescência aquilo me parecia excessivamente morno e, em seu fundamento, irreal. Mesmo quando maravilhada pelo som e pelo ritmo tão envolventes daquelas palavras, era claro que estava diante de uma tentativa de fuga.
A filosofia de Caeiro é apenas um exemplo entre tantos de como os homens tentam driblar a dor por meio de racionalizações fajutas. E é inevitável que seja uma filosofia anti-cristã, pois a religião da cruz, antes de ser religião, antes de tornar-se credo, veio ao mundo justamente como a radicalização da dor: o Deus chagado, humilhado, crucificado, que levou ao extremo em sua própria carne todas as mágoas de que humanamente nos queixamos e nos deu testemunhar Sua Dor para nos ensinar a vivenciar a nossa.
Nunca será diferente: sempre vai doer. Em todos nós. De todos os modos possíveis. Essa é a realidade da experiência humana, e modificá-la não é uma questão de imitar a passividade das folhinhas trêmulas das árvores. Nem é o caso, na verdade, de “modificá-la”. Podemos alterar a fachada do edifício, mas os alicerces vão muito além de nossos pueris sensacionismos.
A única resposta razoável para o problema do mal é o Cristo, e está aí, à guisa de demonstração, a literatura de Dostoiévski. Os males que nos sucedem são fundamentalmente de dois tipos: os que nos acometem pessoalmente e os que acometem aqueles que amamos. Todas – repito: todas – as chagas da humanidade estão contempladas no sofrimento e morte de cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e na dor imensurável de sua Mãe Santíssima.
Sim, o papel de Maria na pedagogia da cruz é central. Quantas vezes nos sentimos feridos, não tanto em nossa integridade pessoal, mas em nosso senso de justiça, diante do mal feito a outrem? E quando esse outro é a pessoa que mais amamos no mundo – existe dor maior?
Jesus e Maria, juntos, nos dão a medida máxima da dor humana e nos mostram por que, e como, suportá-la. É uma lição dificílima, por mais didático que seja o exemplo. Mas está tudo aí – tudo aquilo de que Alberto Caeiro foge como se fosse o próprio diabo (e não é?); está tudo aí, para quem tiver olhos, não apenas os olhos da face, mas aqueles olhos metafóricos, produtos da maturação do espírito, que nos ajudam a tatear os caminhos misteriosos da Criação.
Deus quis, sim, que o conhecêssemos, e não apenas enquanto ente maravilhoso e inabarcável, mas de um modo que, para nós, haver Deus fizesse sentido… Ele Se nos mostrou tão perfeita e inegavelmente Deus – doendo, humanamente doendo – , que o único modo de não O ver desde então é fechar os olhos e “não pensar nisso”.
Essa reflexão meio críptica, meio literária, é meu modo de desejar um feliz Advento aos amigos, especialmente aos que se desejariam mortos por dentro como Alberto Caeiro, julgando haver nisso algum tipo de felicidade.
Que o Menino Jesus nasça no coração de cada um de nós e retifique nossos caminhos.
30/11/2017
Eu, Sidney Silveira e Carlo Nougué com Allan dos Santos no Terça Livre
29/11/2017
Hangout no Terça Livre, hoje 29 de novembro.
Hoje, às 21 horas, Hangout no Terça Livre sobre o tema "É proibido proibir?". O Hangout contará com a participação dos professores Sidney Silveira, Carlos Nougué e Antonio Angueth.
Os três professores escreveram tratados de defesa da fé que abrirão a tradução do latim para o português do Index Librorum Prohibitorum de 1564. Adquira os livros em: https://editora.centrodombosco.org/
23/11/2017
13/10/2017
Michelet, Lutero e a loucura moderna.
Os historiadores normalmente consideram que a pseudo-reforma
de Lutero foi a origem da Revolução Francesa. Hilaire Belloc também considera
que o comunismo é filho de Lutero. Abaixo transcrevo dois trechos da introdução
da obra de Jules Michelet, o grande historiador francês, sobre Lutero: Mémoires de Luther, écrits par lui-même,
traduits et mis en ordre par M. Michelet.
Michelet é descendente de huguenotes e seu credo ético,
político e religioso, chamado de curioso, é descrito pela Wikipedia (até por
ela, meu Deus!) como: uma mistura de sentimentalismo, de comunismo, de anti-sacerdotalismo,
apoiado pelos argumentos mais excêntricos e de uma boa parte de eloquência.
No primeiro trecho abaixo, Michelet confirma que Lutero é
pai da Revolução e do liberalismo. Vejamos.
Não é então inexato
dizer que Lutero foi o restaurador da liberdade para os séculos seguintes. Se a negou em teoria, ele a fundou na
prática. Se ele não a fez, pelo menos marcou corajosamente seu nome na grande revolução que legaliza, na Europa,
o direito do livre-exame. Este é o
primeiro direito da inteligência humana, ao qual todos os outros estão
ligados. Se os exercemos hoje em tal plenitude, é a ele, em grande parte, que
devemos. Não podemos pensar, falar, escrever sem que esse imenso benefício de libertação
intelectual se renove a cada instante. As linhas mesmas que aqui escrevo, a
quem devo o poder de publicá-las, senão ao libertador do pensamento moderno?
[Negritos meus]
No segundo trecho, que é anterior ao primeiro, ele diz o
seguinte.
Qualquer simpatia que
possa inspirar essa amável e poderosa personalidade de Lutero, ela não deve
influenciar nosso julgamento sobre a doutrina que ensina, sobre as consequências
que dela se extrai necessariamente. Esse homem que fez da liberdade um uso tão
enérgico, ressuscitou a teoria agostiniana do aniquilamento da liberdade. Ele imolou o livre arbítrio à graça, o
homem a Deus, a moral a um tipo de fatalidade providencial.[Negritos
meus]
Meu Deus! Se a teoria é tão condenável, como a prática pode
ser tão recomendável. Se com essa teoria, que nega o livro arbítrio, se funda “o
primeiro direito da inteligência humana”, que direito é esse? Infelizmente,
toda a loucura moderna deriva dessa e de outras contradições que já estão
arraigadas na mentalidade do mundo.
12/10/2017
Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!
11/10/2017
Católicos, é isso que somos?
PAUL EHRLICH - DEFENSOR DO CONTROLE POPULACIONAL
"Cada pessoa que se adiciona à população exige mais recursos."
EM 1968, EHRLICH ESCREVEU UM LIVRO, AGORA DESACREDITADO, "A BOMBA POPULACIONAL"
"A escala do empreendimento humano já é excessivamente grande."
ELE QUER UMA REDUÇÃO DE 80% DA POPULAÇÃO MUNDIAL
"Qual é o número sustentável? Entre 1,5 a 2 bilhões de pessoas que poderíamos sustentar no planeta Terra."
ELE APOIA CONTRACEPÇÃO, ESTERILIZAÇÃO E ABORTO
"Todo ser humano que é sexualmente ativo e heterossexual tem acesso a métodos anticoncepcionais modernos e, em último caso, ao aborto. E todo mundo que se opõe a isso é extremamente anti-ético. Sei que algumas pessoas discordam de mim: eles estão errados!"
EHRLICH FOI CONVIDADO A APRESENTAR UMA CONFERÊNCIA NO VATICANO SOBRE EXTINÇÃO BIOLÓGICA
"Para as novas gerações, para quem está chegando agora, parar imediatamente é a resposta."
CATÓLICOS, ISSO NÃO É O QUE SOMOS.
EVENTO ONLINE URGENTE: 17 A 19 DE OUTUBRO
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE CONTROLE POPULACIONAL
03/10/2017
O velhinho de Virgínia e o terror que causa.
Nunca ninguém foi tão odiado no Brasil quanto é Olavo de Carvalho. Chesterton dizia dos santos algo que se aplica a Olavo: os santos aparecem sempre para dizer coisas extremamente desconfortáveis, mas necessárias, para seus contemporâneos. Aos bobalhões de plantão advirto que não considero Olavo um santo, embora como católico ele esteja certamente consciente da admoestação de Nosso Senhor: Sêde santo, como meu Pai é Santo!
Mas Olavo fala tudo que é desconfortável, tudo que é imensamente impróprio, embora verdadeiro. Que nós somos um país periférico, culturalmente em extinção, que nossos intelectuais não sabem nada (lembrem de Sócrates!), que as discussões públicas são todas inúteis, que nosso horizonte cultural não passa de nosso umbigo, que não há mais produção intelectual e cultural no país, que nossa literatura morreu, que nossa filosofia morreu no berço, que nosso destino está definitivamente comprometido, que não há nada a fazer na esfera pública, por enquanto, etc.
Além disso, esse malvado velhinho, dominou tanto as discussões no Brasil, desde o lançamento do Imbecil Coletivo, que não há ninguém atualmente que não se refira a algum pensamento do Olavo para a discussão de qualquer coisa. Poucos se dão conta disso. Não há discussão séria no Brasil que não se apoie em algum artigo, livro, aula ou ideia do Olavo. Os bandidos sempre escondem a referência, mas no fundo se baseiam em algo dele. Os honestos o citam e são apedrejados. Podem pegar qualquer área: política, filosofia, sociologia, direito, religião, etc. Olavo tem alguma coisa a dizer de tudo isso; não só dizer, mas apresentar uma visão que jamais se viu no Brasil.
Não temos sequer uma ideia da magnitude do Olavo, porque não há quem possa discutir com ele, não há quem seja capaz de fazer uma análise de conjunto de sua obra. Haverá no futuro? Bem, esperemos que sim. Por enquanto há os que o odeiam, e há os que o estudam, o amam, como se ama um grande professor.
Mas o que mais irrita os nossos pseudo-intelectuais, além da sombra do velhinho que os apavora, é a horda de alunos que ele está formando e que já participa do debate cultural. Cada intelectual inépto tem um olavinho no seu pé. Ah! isso deve ser mesmo insuportável, pois um simples olavinho é mais capaz, em qualquer discussão, que um consagrado e titulado suposto intelectual. Mas como é possível esse miserável velhinho conseguir tal feito? Pois é, isso é insuportável.
O velhinho de Virgínia continua diariamente ensinando, analisando situações, criando uma geração de destemidos pensadores que um dia, quem sabe?, mudará o Brasil.
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