quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Dependência de Maria

Pe. Frederick William Faber 

Nota: Pe. Faber deixou, com sua morte, uma quantidade enorme de notas manuscritas de diversas ordens. Umas faziam parte de trabalhos mais extensos que não puderam ser completados, outras eram pequenos artigos não revisados. Algumas outras parecem ser anotações para algum sermão ou conferência. Dois anos depois de sua morte, elas foram organizadas e selecionadas para serem publicadas em livro e formam dois volumes de cerca de 400 páginas cada um. Aqui eu traduzo uma dessas notas, sobre o assunto favorito desse grande padre oratoriano: Maria. Ela data da Quaresma de 1856. Mesmo as notas incompletas desse grande devoto de Maria valem mais que muitos livros modernos sobre a Mãe de Deus.


I. Nosso Senhor é nosso exemplo e nosso Redentor.
1. Daí a necessidade de estudar os quatro Evangelhos como nossa regra de vida.
2. Nessas coisas que parecem as menos adequadas à Sua Divindade, Ele parece ser o maior de nossos exemplos.
3. E essas coisas estão principalmente sob os títulos de humilhação e submissão.
4. Exemplos: Os quarenta dias no deserto; Sua permanência no templo aos doze anos de idade. Seleciono esses exemplos como os que, na superfície, são os menos imitáveis.
5. Mas acima de tudo, a maior parte daqueles trinta e três anos dados a Maria, trinta do total de trinta e três, e muito dos outros três. 
II. Sua dependência de Maria.
1. Ele esperou seu consentimento para Sua Encarnação, e determinou o momento por causa dela.
2. Sua infância com o uso da razão, ainda assim dependendo dela.
3. Ele parece ter deixado os negócios de Seu Pai ao retornar do templo para Nazaré.
4. Por dezoito anos, Ele foi simplesmente sujeito a ela.
5. A tradição de que Ele pediu-lhe permissão para iniciar Seu Ministério, e novamente para enfrentar a Sua Paixão.
6. A seu pedido, Ele antecipou Seu tempo de obrar milagres.
7. Ele perpetuou essa dependência na Igreja ao transferi-la a nós por meio de São João.
III. Nossa dependência de Maria.
1. Sua posição em relação a nós é assim simplesmente a que era em relação a Ele.
2. Toda verdadeira devoção a ela não é nada senão dependência dela.
3. Essa dependência é baseada na;
a) Crença em seu poder;
b) Confiança em seu amor.
4. Todas as coisas boas que falham, falham porque não possuem nelas o suficiente de Maria.
5. Devemos colocar as coisas em suas mãos, e nos voltar a ela pelos resultados.
6. Ela deve estar incrustrada em nossas vidas, como estava no ministério da Igreja.
7. Santidade é impossível para nós sem Maria – pois, Deus criou um sistema consistente, e ela é parte dele, por vontade d’Ele.
Ah, se nós nos lançássemos mais do que fazemos sobre Maria, com todo o peso de nosso amor, com todo o peso de nossas necessidades! Ela está amando cada um de nós neste exato momento, com um amor insuperável. Nenhum amigo, nenhum parente, nenhum santo, nenhum anjo foi para nós o que ela tem sido. É maravilhoso o que ela nos tem feito sem nenhum pedido nosso. Mais maravilhoso ainda é o que ela tem feito com o pouco que lhe pedimos. Mas o mais maravilhoso de tudo é o que ela pode fazer e fará, se pedirmos mais, acreditarmos mais, confiarmos mais. Ah, nós que chamamos a terra de nosso desterro, e o céu, nossa casa, e Maria o Rainha do Céu, como então não percebermos que não pode haver celestial predisposição que não esteja repleta de lealdade à grande Rainha?

2 comentários:

Pedro de Lima disse...

Me parece que o padre Faber, assim como São Luís de Montfort, não foram lá muito perfeitos em retratar o papel de Maria, a retórica deles foi bastante inadequada, sob certos aspectos. Me parece que quem soube, do meu conhecimento, elaborar uma linguagem adequada ao assunto, embora não tenha o abordado muito diretamente, foi o Sr. Chesterton, em especial no livro Hereges, meu favorito dele. Ali está a chave para elaborar uma apologética decente em torno da questão. Certos sedevacantistas que eu leio procuram citar textos bíblicos, o que supõe uma descompactação que eles não sabem fazer; outros citam milagres, o que não funciona quase nada para quem não os presenciou, apenas irrita. São Luís Montfort declarou que escrevia o Tratado para camponeses pobres que não necessitavam fé, e nesse sentido ele usou uma bela retórica, mas como ele não ignorava que o livro receberia ampla divulgação tempos depois, o seu esforço precisa de alguma ajuda nos tempos atuais.

Antônio Emílio Angueth de Araújo disse...

Resposta ao Pedro de Lima aqui.