30/07/2018

Devoção aos santos: doutrina e prática

OBS: Este texto foi publicado na revista Verbum, Ano I, no. 2, em novembro de 2016.

Nada distingue mais os católicos dos outros cristãos que a Eucaristia (e todos os outros sacramentos) e a devoção aos santos (incluindo-se principalmente a devoção à Virgem Maria). O termo cristão designou, por quinze séculos, os católicos, a Igreja Universal fundada e alimentada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Com o advento do perverso e pervertido Lutero, cristão se tornou um termo equívoco. Há atualmente cerca de trinta mil denominações protestantes que usam o termo para se auto definirem. O grande católico inglês Hilaire Belloc, em seu livro As Grandes Heresias, argumenta que não existe o que se convencionou chamar de cristianismo. Existe a Igreja e seus inimigos. Aqui, não há como discordar de Belloc, embora dois outros ingleses escreveram sobre o tal cristianismo: C.S. Lewis escreveu um livro em que tenta explicar exatamente o que é o mero cristianismo (Mere Christianity). Paul Johnson escreveu a história da coisa (História do Cristianismo). Para Belloc, cristianismo fora da Igreja é heresia.

Assim, pois, a prática da devoção dos santos é um divisor de águas entre nós católicos e os hereges ditos cristãos. Importante será então tecermos algumas observações sobre essa prática católica milenar e a doutrina que a fundamenta. Comecemos, pois, por Nossa Senhora, nossa Mãe Santíssima.

Uma bela nota biográfica de Chesterton nos dá bem a ideia da importância da Mãe de Deus. No livro A Coisa, que é exatamente a Igreja Católica, Chesterton nos descreve talvez o momento mesmo de sua completa e definitiva conversão.



Os homens precisam de uma imagem, única, colorida e de claros contornos, uma imagem a ser trazida instantaneamente à imaginação, quando o que é católico precisa ser distinguido do que alega ser cristão ou mesmo do que é, em certo sentido, cristão. Dificilmente consigo lembrar uma ocasião em que a imagem de Nossa Senhora não se impusesse à minha imaginação de forma definitiva, à simples menção ou pensamento sobre essas coisas. Eu estava muito distante dessas coisas, e então com dúvidas sobre elas; e por isso, discutindo com o mundo sobre elas, e comigo mesmo contra elas; pois esta é a condição antes da conversão. Mas mesmo que a figura estivesse distante, ou fosse obscura e misteriosa, ou fosse um escândalo para meus contemporâneos, ou fosse um desafio para mim – nunca duvidei que esta figura fosse o símbolo da Fé; que ela incorporava, como um ser humano ainda somente humano, tudo o que A Coisa tinha a dizer para a humanidade. No momento em que me lembrava da Igreja Católica, lembrava-me dela; quando tentava esquecer a Igreja Católica, eu tentava esquecê-la; quando finalmente percebi o que era mais nobre que meu destino, o mais livre e o mais difícil de meus atos de liberdade, foi em frente à pequena imagem dela, dourada e muito brilhante, no porto de Brindisi, que eu prometi o que eu iria fazer, se eu retornasse ao meu próprio país. 

Vemos aí a ação da Medianeira de todas as Graças agindo na conversão de um ser humano, criado e alimentado numa igreja protestante, fundada por Henrique VIII e inspirada por sua amante, com quem queria se casar. Repitamos a frase principal da nota biográfica para que não haja dúvidas: “nunca duvidei que esta figura [Nossa Senhora] fosse o símbolo da Fé; que ela incorporava, como um ser humano ainda somente humano, tudo o que A Coisa [A Igreja] tinha a dizer para a humanidade.” Assim é que, toda vez que se quer atacar a Igreja, atacar a nossa Fé, ataca-se nossa Santíssima Mãe. Não é por outra razão que Pe. Frederick Faber, também advindo da igreja de Henrique VIII, diz muito claramente:

A devoção à Mãe de nosso Senhor não é um ornamento do sistema católico, uma beleza supérflua, nem mesmo um auxílio, dentre os muitos que podemos ou não empregar, mas é parte integral do cristianismo, e, sem ela, nossa religião não é, estritamente falando, cristã. Seria uma religião diferente da que Deus revelou. Nossa Senhora é uma lei distinta de Deus, um meio especial de graça, cuja importância ressalta do ódio instintivo que lhe tem a heresia.

Ressaltemos a frase que me parece crucial no texto de Faber: “Nossa Senhora é uma lei distinta de Deus”. Assim, o que todos os santos afirmam e o que a doutrina nos ensina é que, como Pe. Adolph Tanquerey expõe no seu Compêndio de Teologia Ascética e Mística:

A veneração à Virgem Santíssima deve ser maior que a que temos para com os anjos e santos, porque Ela, pela sua dignidade de Mãe de Deus, pelo seu múnus de Mediadora, pela sua santidade, sobrepuja todas as criaturas. E, assim, o seu culto, não obstante ser culto de dulia e não de latria, é chamado com razão de culto de hiperdulia, pois é superior ao que se tributa aos anjos e santos.

O culto de latria é o devido apenas a Deus, Uno e Trino; é o culto de adoração. O culto de dulia (que significa servidão) é o devido aos santos em geral; o culto de superdulia à Nossa Senhora. Assim, devemos ter para com Nossa Mãe a escravidão preconizada por São Luís Maria de Montfort. Não deixemos dúvidas neste ponto e afirmemos com Pe. Faber: a devoção à Virgem Maria não é opcional para nós católicos. Só sairemos do Purgatório pelas mãos de Maria, só entraremos no Reino dos Céus pelas mãos de Maria. É assim porque Deus quis, e ponto final.

Quanto aos santos em geral e ao nosso Anjo da Guarda em particular, nossa devoção nasce de maneira diversa. Pode ser que nossos pais nos tenham posto sob a guarda de algum santo em especial, pois era o santo de sua devoção. Pode ser que tenhamos nos afeiçoado a algum santo, ao longo de nossa vida, por razões diversas: algo que tenha nos tocado em suas vidas, alguma inspiração em nossas orações, a influência de algum padre, algum amigo ou algum escritor. Esses caminhos da vida mostram também a ação da graça que vem da Virgem Santíssima. A Igreja nos oferece um panteão amplíssimo de santos que preenchem todas as nossas necessidades e o calendário litúrgico nos possibilita rezar por todos eles, todos os dias do ano, prática recomendada pela Igreja, e muito salutar para a manutenção de nossa Fé.

O Concílio de Trento afirma, e com ele toda a Igreja, que:

Os corpos dos santos Mártires e dos demais que reinam com Cristo, que outrora foram membros de Cristo e templos do Espírito Santo, devem ser venerados pelos fiéis, pois os homens obtêm por seu intermédio muitos benefícios de Deus.

Além disso, o Concílio ordena que as imagens de Cristo, da Virgem Mãe de Deus e dos outros santos sejam colocadas e guardadas nas igrejas e se lhes rendam a honra e a reverência devidas, não porque se creia que nelas há alguma divindade ou virtude em vista da qual se lhes deva prestar culto ou pedir alguma coisa, ou pôr a confiança nelas, como faziam antigamente os gentios na adoração aos ídolos, mas porque a honra tributada a elas se refere aos que essas imagens representam; de tal maneira que pelas imagens que beijamos e ante as quais nos ajoelhamos, adoramos a Cristo e veneramos aos santos, cuja semelhança possuem. Essa é a essência do que sempre ensinou a Igreja a todos os católicos, ao longo dos séculos. É nisso que devemos acreditar e praticar, como nossos irmãos fizeram por mais de dois milênios.

Diante da crise tremenda por que passa a Igreja atualmente, vemos arrefecer, não surpreendentemente, o culto dos santos e da Virgem Santíssima. Quem ainda não observou que tiraram de nossas igrejas as imagens dos santos? Quem não vê nisso um vento frio de tendência protestante varrendo a Igreja? O jansenismo foi outra tendência protestante que atacou a Igreja nos séculos XVII e XVIII; seu alvo era a Eucaristia, pois afastava os fiéis deste sacramento por excesso de escrúpulos. As heresias deixam marcas na Fé, mesmo depois de contestadas e eventualmente vencidas.

Uma das formas mais eficientes de lutarmos contra todos os inimigos que nos atacam é praticarmos a devoção aos santos e a Maria Santíssima. Essa devoção e essa prática só depende de nós; não depende de nenhum bispo e, nem sequer, do Papa. Afervoremos, pois, nossa devoção. Façamos a nossa parte e sejamos abençoados pela Virgem Santa e pelos santos de nossa devoção.


25/07/2018

A Wikipédia e nós católicos

Eu consulto sempre a Wikipédia e a considero um instrumento valioso. Mas como sabemos que o mundo está em permanente guerra contra a Igreja, alguns cuidados são necessários. Outro dia, ouvi ou li um comentário do prof. William Bottazzini Resende com o qual eu concordo plenamente. Ele disse também consultar sempre a Wikipédia, mas observou que sua preferência é consultá-la sempre em outra língua. Tenho há muito esse costume. Na verdade, nunca a consulto em português. Vario, conforme o verbete, entre inglês, francês, espanhol e italiano. Descubro a cada dia que a Wikipédia em francês é usualmente muito mais completa que em outras línguas. 

Vou dar um exemplo de uma consulta recente que fiz, para tornar mais claro meu raciocínio. Estava lendo um esboço bibliográfico de José Geraldo Vieira (Impressões e Expressões, ed. Arcadia, 2016), onde consta a informação de que ele foi muito influenciado por um livro, lido na adolescência: O Coração, de Edmondo De Amicis. Livro influente na Itália no final do século XIX e início do século XX, com centenas de edições e traduções. Ainda hoje é editado no Brasil. Consta que esse livro influenciou gerações de escritores em todo o mundo. Bem, como nunca tinha ouvido falar do escritor, consultei a Wikipédia.

Uma informação relevante deste autor e deste livro só encontrei em francês e em italiano. Tanto em inglês quanto em português a informação está ausente. E qual é esta informação? Reproduzo abaixo o trecho em questão (no original e em tradução minha).

Em francês: "Des critiques littéraires considèrent que le Livre-Cœur est un ouvrage fortement inspiré par la morale maçonnique, dans lequel la religion catholique des Italiens est remplacée par la religion laïque de la Patrie, l’Église par l’État, le fidèle par le citoyen, les dix commandements par le Code civil, l’Évangile par la Constitution et les martyres par les héros [1]. En effet, De Amicis a été initié en franc-maçonnerie dans la loge Concordia de Montevideo, à l'obédience de la Grande Loge d'Uruguay[2]." 

Tradução: Os críticos literários consideram que O Coração é uma obra fortemente inspirada pela moral maçônica, na qual a religião católica dos italianos é substituída pela religião laica da Pátria, a Igreja pelo Estado, o fiel pelo cidadão, os dez mandamentos pelo Código Civil, o Evangelho pela Constituição e os mártires pelos heróis[1]. De fato, De Amicis foi iniciado na maçonaria na loja Concordia de Montevidéo, da Grande Loja do Uruguai[2].

Em italiano: "La sua iniziazione alla massoneria non viene considerata certa da alcuni storici, mentre altri lo ritengono iniziato alla Loggia Concordia di Montevideo, presieduta da D. Triani, presumibilmente all'Obbedienza della Gran Loggia dell'Uruguay[1]. Nel 1895 infatti, fu proprio De Amicis a pronunciare il saluto massone al torinese Giovanni Bovio, in occasione della rappresentazione teatrale del dramma San Paolo, a sua volta interpretato da un altro massone, l'attore Giovanni Emanuel. A tal proposito, alcuni critici sostengono che Cuore sia stato un libro di forte ispirazione massonica, dove si sostituiscono la religione cattolica degli italiani con la religione laicista della Patria, la Chiesa con lo Stato, il fedele col cittadino, i Comandamenti coi Codici, il Vangelo con lo Statuto, i martiri con gli eroi.[2]" 

Tradução: Sua iniciação na Maçonaria não é considerada certa por alguns historiadores, enquanto outros o consideram iniciado na Loja de Montevidéu, presidida por D. Triani, presumivelmente na Obediência da Grande Loja do Uruguai [1]. De fato, em 1895 foi De Amicis quem pronunciou a saudação maçônica a Giovanni Bovio, nascido em Turim, por ocasião da representação teatral do drama San Paolo, por sua vez interpretado por outro maçom, o ator Giovanni Emanuel. A esse respeito, alguns críticos argumentam que O Coração foi um livro de forte inspiração maçônica, substituindo a religião católica dos italianos pela religião laica da Pátria, a Igreja pelo Estado, o fiel pelo cidadão, os Mandamentos pelos Códigos, o Evangelho pelo Constituição, os mártires pelos heróis. [2]

Referências
1. Rosario F. Esposito, La Massoneria e l'Italia. Dal 1860 ai nostri giorni, Edizioni Paoline, Roma, 1979, p. 244 n.
2. Vittorio Gnocchini, L'Italia dei Liberi Muratori. Brevi biografie di Massoni famosi, Roma-Milano, Erasmo Edizioni-Mimesis, 2005, p. 93.

Vejam que há uma coincidência de informações, embora a versão italiana traga nuances diferentes. Em todas as versões, há ainda a informação de que De Amici foi membro do partido socialista.

Bem, tudo isso compõe o perfil do autor que qualquer católico deve saber antes de ler o livro (coisa que eu mesmo não fiz). Mas consta que o livro é muito sedutor, de um sentimentalismo exacerbado (segundo Carpeux, em sua História da Literatura Ocidental) o que torna a informação ainda mais relevantes ao leitor católico. 

Eis aqui um exemplo de como procuro consultar a Wikipédia que espero seja útil ao leitor do blog.

23/07/2018

Martírio cristão dos primeiros séculos, por Pe. Antonio Gallonio. Figura 3.



A. Mártir suspenso pelos polegares, com pesadas pedras atadas aos seus pés.

B. Cristãos pendurados sobre fogueiras acesas para sufocá-los; as vítimas são atingidas, ao mesmo tempo, com bastões.

19/07/2018

Martírio cristão dos primeiros séculos, por Pe. Antonio Gallonio. Figura 2.


A. Mártir suspenso pelos dois pés, com uma grande pedra no pescoço.

B. Algumas vezes os santos mártires, depois de serem cobertos de mel, eram amarrados a mastros fixados na terra, e assim expostos aos raios do sol para serem torturados pelas picadas de abelhas e moscas.

C. Mártir suspenso por um pé; uma das pernas dobrada ao joelho e mantida assim por um anel de ferro. Uma grande massa de ferro é ligada à outra perna.

10/07/2018

O martírio cristão dos primeiros séculos descrito pelo Pe. Antonio Gallonio

O Pe. Antonio Gallonio, do Oratório de São Felipe Neri escreveu, em 1591, o Tratado dos Instrumentos de Martírio: e diversos modos de suplício empregados pelos Pagãos Contra os Cristãos.

Eis um trecho da introdução à edição francesa, escrito por Claude Louis-Combet.

"O Tratado dos Instrumentos de Martírio, obra do oratoriano Antonio Gallonio, foi publicado em italiano em 1591, e imediatamente traduzido para o latim pelo próprio autor. A primeira edição francesa data de 1659. Este livro, muito popular, foi muitas vezes reeditado no curso dos séculos XVII e XVIII. Usamos aqui a tradução francesa modernizada publicada em 1904. A obra não foi reeditada na França depois desta data.

"Este Tratado que se apoia nos Atos de Martírio e sobre o testemunho de escritores contemporâneos às perseguições, se apresenta como um repertório exaustivo, minuciosamente documentado, dos diferentes modos de tortura aplicados aos cristãos dos primeiros séculos. Toda a arte do autor se concentra sobre os aparelhos e os procedimentos usados nos suplícios. Sem exageros, o horror nasce da objetividade imperturbável com que as coisas são descritas. O texto tem a frieza de uma enciclopédia e toda a aparência de um relatório de testemunhas. Fica-se sabendo, dessa forma, quais foram os refinamentos tecnológicos inventados pelos torturadores, desde a cruz, que foi o instrumento de sacrifício de Jesus até o touro de bronze e à série de grelhas e cavaletes. Tudo o que se pode saber sobre o evisceramento, a degola, as marcas de ferro, a extração da língua ou dos seios é aqui apresentado para a instrução dos fiéis sem comentários edificantes nem voos líricos. As gravuras de Tempesta, de soberbo talhe barroco, ilustram o Tratado de Gallonio que elas conduzem em seu rastro estético."

São 46 as gravuras de Tempesta. A seguir, vocês podem ver a primeira delas.

Planejo traduzir este Tratado, pouco a pouco, aqui no blog. Se encontrar editor interessado, quem sabe não teremos sua edição em português?


Legenda da fig. I

A. Mártires suspensos por um pé
B. Suspensos pelos dois pés
C. Elevados sobre a cruz, com a cabeça para cima
D. Pregados à cruz, com a cabeça para baixo
E. Pedurados pelos dois braços, com pesadíssimos objetos atados em seus pés
F. Mulheres cristãs peduradas pelo cabelo
G. Mártires pedurados por um braço, com enormes pesos atados em seus pés

25/06/2018

Sidney Silveira em BH para lançamento da Cosmogonia da Desordem!

O prof. Sidney Silveira estará em Belo Horizonte no próximo domingo, 1 de julho de 2018, para a palestra de lançamento de seu livro A Cosmogonia da Desordem. A palestra será no salão paroquial da Basílica de Nossa Senhora de Lourdes, na rua da Bahia 1596, às 11 horas. Será cobrada uma entrada simbólica de R$5,00. Os interessados poderão adquirir o livro no evento, ao preço ainda promocional. 

Todos estão convidados! Espero vocês lá!



15/06/2018

O que é a santidade?

OBS: Este texto foi publicado na revista Verbum, Ano I, no. 1, em julho de 2016.

Os santos são chamados também de justos e perfeitos nas Sagradas Escrituras e nas obras dos teólogos. Um terrível preceito nos é dado pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: “Estote ergo vos perfecti, sicut et Pater vester caelestis perfectus est” (Mt 5, 48). A tradução mais recomendável seria: “Sede pois perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito”. Muitas são as traduções que no lugar de perfeitos usam o termo “santos”. Do ponto de vista conceitual o termo é correto. Ninguém negará que santidade envolve perfeição. O que nos faz tremer é que Nosso Senhor quer que sejamos perfeitos como o Pai celeste. Essa tremenda responsabilidade nos faz exclamar com Bernanos: “Mas qual é o peso de nossas chances, para nós que aceitamos, de uma vez por todas, a assustadora presença do divino em cada instante de nossas pobres vidas?”

E contudo, a presença de santos, justos e perfeitos em toda a história do Povo de Deus, tanto na Velha Aliança quanto na Nova Aliança é, talvez, o maior milagre de Deus. Isto porque sabemos que não somos capazes de santidade por nós mesmos; seu peso seria insuportável para nossos fracos ombros. Todavia o desfile dos santos continua até hoje. Chesterton tem um modo saboroso de descrever esse desfile: “Um santo é um remédio porque é um antidoto. Na verdade, esta é a razão pela qual o santo é, não raro, um mártir; ele é confundido com um veneno, por ser um antidoto. Ele será encontrado geralmente restaurando a sanidade no mundo pelo exagero daquilo que o mundo negligencia, o que não é absolutamente o mesmo elemento em todas as épocas. Todavia, cada geração busca seu santo por instinto; e ele não é o que o povo quer, mas, ao contrário, o que o povo precisa. Este é o significado das palavras dirigidas aos primeiros santos, “Tu és o sal da terra”. Cristo não disse aos apóstolos que eles eram simplesmente pessoas excelentes, ou as únicas pessoas excelentes, mas que eram pessoas excepcionais; pessoas permanentemente incongruentes e incompatíveis; e o texto sobre o sal da terra é realmente agudo, sagaz e picante como o gosto de sal. Porque são pessoas excepcionais é que eles não devem perder sua excepcional qualidade; “Se o sal perde seu sabor, com que ele será salgado?” é uma questão muito mais penetrante do que qualquer mero lamento.”

O desfile dos santos que receberam a honra dos altares nos oferece todo tipo de homem e todo tipo de mulher; prostitutas, reis, rainhas, mendigos, eremitas, nobres, soldados, virgens, sábios, ignorantes, homens de saúde perfeita e longevos, homens frágeis e de vida curta, viúvas, escravos, escritores e analfabetos. E o mais curioso – e para nós o mais precioso – é que a santidade não dependeu no mais mínimo detalhe da condição temporal e vital de nenhum deles. Eles seriam santos em qualquer posição; São Luis seria santo como rei que foi, mas também como mendigo, se ele o fosse. Santa Maria do Egito seria santa se fosse uma rainha, e não uma prostituta convertida por Nossa Senhora. Como dizia Chesterton, a diversidade dos santos é maior que a dos criminosos. A santidade nos oferece o espetáculo da diversidade de caráter e comportamento como nenhum outro fenômeno humano. Podemos afirmar que só na santidade se encontra a verdadeira liberdade humana; é nela que podemos ver a fertilidade da unicidade de Deus na ordem da natureza. É como se na diversidade da santidade pudéssemos perscrutar a inconcebível fertilidade do Deus Uno.

O maior exemplo de santidade vem diretamente da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e é a luz maior que nos ilumina. Mas Ele está, embora tenha sido feito homem, ainda muito próximo de Deus, sendo o Próprio Deus. Ainda mantém aquela unicidade indecifrável, que esconde toda a diversidade. Daí a importância dos santos, da mais admirável diversidade, da mais impressionante humanidade. Os santos da Igreja são a continuação do trabalho de Nosso Senhor em Seu incessante chamamento a nós, miseráveis pecadores, a uma vida de perfeição. É como se seu exemplo tivesse de ser rebaixado para nos sentirmos chamados. Os santos provam que simples homens podem se aproximar do exemplo de Deus.

Meditando sobre a vida de Santa Catarina de Sena, nosso grande Gustavo Corção nos deixa valiosas observações sobre a santidade. Partindo do Introitus da Missa de Virgem não Mártir (Dilexisti) – dilexisti justitiam, et odisti iniquitatem – Corção nos diz: “o que nos ensinam os santos, com palavras e obras, é que não basta traçar na areia uma tênue linha que separe o bem do mal; e que é preciso, resolutamente, entre os céus e os infernos, erguer muralhas de ódio, e cavar abismos de amor”.

É preciso também explorar, com o grande católico brasileiro, a diferença entre o santo e o homem bom, naturalmente bom. Diz ele: “A diferença [entre os dois tipos de homens] é maior do que a semelhança. É enorme. Mesmo sem tentar a exploração mais profunda da misteriosa conversação entre uma alma e seu Criador, já poderemos apreciar, pelas manifestações exteriores e visíveis, pelas fisionomias, pelos gestos, a imensa distância que existe entre um quadro de virtudes naturais e a estrutura da alma dos perfeitos.”

E ele continua: “Nós que não somos santos, ai de nós, construímos e cultivamos nossas pequenas virtudes de um modo mesquinho, como o homem que, desejando agasalhar-se em pouco pano, encolhe-se nas dobras exíguas e trata de não fazer gestos muito amplos. (...) Tentando evitar os desequilíbrios mais fortes o que nos resta é sofrear cautelosamente os desejos. Foge-se assim às tentações abafando as aspirações. E vai-se pela vida afora, devagar, como o sujeito que anda às apalpadelas, no escuro, com medo das cadeiras.”

Eis então nosso caminho, de nós que mesquinhamente tentamos percorrer o caminho dos santos. Então “o homem honesto, simplesmente honesto, vai assim trilhando seu caminho, e conseguindo evitar os principais, ou mais visíveis pecados, sem ter nas costas a cruz do santo ódio. A menor detestação do mal equilibra-se com a menor dileção do bem.”

Mas isso não é santidade, pois nela, “ao contrário, o que logo se vê, com fulgurante evidência, é a dilatação da alma e o alargamento dos extremos. As virtudes, que no homem ainda sujeito às leis dos sentidos, ou mal libertado desse jugo, eram meras disposições facilmente abaláveis (faciles mobiles), e sem conexão orgânica, tornam-se, pela infusão da Caridade e pelo acréscimo dos dons, virtudes reais, forças verdadeiras, dificilmente abaláveis (difficiles mobiles) organicamente e harmoniosamente conexas. E, em lugar do tíbio e claudicante indivíduo que apenas consegue fazer algumas coisas boas, à custa de compromissos, demissões e pusilanimidades, vê-se então esta alma vivificada pela graça abrir as grandes asas das virtudes que nos pareciam opostas e paradoxais, erguer-se sem medo no largo voo dos albatrozes.”

Não é por outra razão que inumeráveis santos recomendavam a leitura da vida dos santos, seus irmãos. São Bernardo, São Felipe Neri, São Francisco de Sales, Santo Afonso Maria de Ligório e muito outros nunca se cansaram em recomendar a leitura da vida dos santos como algo absolutamente necessário a todo católico, leigo ou religioso. Com o exemplo dos santos, tão humanamente semelhantes a nós, aprendemos a via entre as disposições faciles mobiles e as difficiles mobiles.

Os leitores objetarão que o pobre escriba não definiu o que seja santidade, e estarão corretos. Santidade é mistério, e a mente católica, como nenhuma outra, sabe aceitar os mistérios divinos, não como enigmas a serem decifrados, mas como uma seta a ser seguida e uma dádiva a ser desfrutada.

13/06/2018

Viva Santo Antônio!

Minha mãe me deu o nome de Antônio por uma promessa que fez ao santo, de quem era devota. Levava-me toda terça-feira em sua Igreja e me entregou ao grande santo. Agora, ele tem de carregar esse peso, coitado! Imagino que ele esteja ralhando com ela lá no Céu por essa carga em suas costas.
Mas eu peço: não desista de mim, Grande Santo Antônio!

05/06/2018

Na Itália, o novo ministro da Família diz: alegro-me por ser cristão.

Lorenzo Fontana, o novo ministro da Família, atrai o ódio das elites globalistas por suas posições pró-família tradicional. Mas isso não parece amendrotá-lo, segundo ele explicou numa carta publicada pelo jornal italiano Il Tempo.

"O ódio das elites não me amedronta. A fúria de certos ideológos relativistas ultrapassa as fronteiras da realidade, chegando a colocar em dúvida certas evidências flagrantes, que se encontram totalmente em nossa constituição.

"A República reconhece os direitos da família como sociedade natural fundada no casamento. Este será o princípio de minha ação ministerial.

"Nós afirmamos as coisas que pensamos ser normais, quase evidentes: que um país para crescer precisa de crianças, que mamãe se chama mamãe (e não progenitor no. 1), que papai se chama papai (e não progenitor no. 2)"

Em Il Tempo, o ministro da família defende, ponto por ponto, suas posições, ridicularizando as "reações de certos ambientes que fazem do relativismo sua bandeira". Ele não pretende se assustar pela "revolta das elites".

"Não tememos a ditadura do pensamento único", ele promete. "Vamos em frente, grandemente motivados, temos grandes projetos a realizar. Temos os ombros muito largos para resistir aos ataques gratuitos, para responder-lhes com a evidência dos fatos, com a força das ideias, e com a concretização das ações. Mas nunca lutar pela normalidade foi um ato tão heróico como é hoje em dia".

Lorenzo Fontana, em sua carta, cita, em seu auxílio, o grande papa São Pio X: "Eles vos chamarão de papistas, retrógrados, intransigentes, clericais: sejais confiantes!"

Em seguida, ele diz ter orgulho "de não ter medo" de se declarar "cristão" e de "ser pela vida".

29/05/2018

Nossa Senhora de Fátima e o Islã


Ano passado, escrevi um post sobre Nossa Senhora e o Islã, a propósito das eleições na França. Muitos, quando palestro sobre as aparições de Fátima, me perguntam sobre o Islã. Teria Nossa Senhora se esquecido do Islã. Não teria ela percebido a nossa situação atual? Por que ela falou apenas dos erros da Rússia e não de Maomé?

São questões interessantes que devem ser mais bem respondidas, por pessoas mais informadas e estudiosas que este modesto blogueiro. Contudo, quero citar aqui, duas análises, feitas em épocas muito diferentes, por dois personagens muitíssimo diferentes. No entanto, as análises são similares. 

A primeira, feita nos anos 1920, menos de uma década depois de Fátima, por Bertrand Russel, conhecido comunista (dentre outras coisas) inglês. Naquela década, ele visitou a Rússia, menina dos olhos de todos os fabianos, comunistas e simpatizantes europeus e americanos. Começava aí uma constante em toda a história de ocidentais simpatizantes que visitavam a Rússia: eles mentiam descaradamente sobre a situação lá existente. Suas descrições nos faziam pensar que o paraíso na terra tinha sido finalmente realizado. 

Pois bem, nessa década, Russel fez um paralelo entre Islã e comunismo. Tal paralelo é memorável, pois devemos nos lembrar de que o Islã estava reduzido a quase nada. Depois de séculos de ameaça islâmica sobre a Europa, aqueles eram tempos em que os muçulmanos não tinham a menor condição de ameaçar nossa civilização. Russel disse o seguinte:

O bolchevismo combina as características da Revolução Francesa e aquelas do surgimento do Islã... Marx ensinou que o comunismo está fatalmente predestinado a acontecer; isso produz um estado de espírito não muito diferente daquele dos primeiros sucessores de Maomé... Dentre as religiões, o bolchevismo deve ser considerado ao lado do islamismo, em contraposição ao cristianismo e ao budismo. Cristianismo e budismo são religiões primariamente pessoais, com doutrinas místicas e amor à contemplação. Islamismo e bolchevismo são religiões práticas, sociais e não espirituais, que desejam conquistar o império deste mundo. 

Vemos aqui que Nossa Senhora sabia muito bem que os erros da Rússia incluíam o Islã, pois ambos se ligavam ao príncipe deste mundo. Outra coisa interessante é que Russel considera o bolchevismo uma religião. Ele não deixa de ter razão.

Outra citação que quero reproduzir é a de Carlos, o Chacal. Sim, daquela figura nojenta, daquele terrorista. Ele escreveu um livro, em 2003, intitulado Islã Revolucionário, onde afirma:

Somente uma coalizão entre marxistas e muçulmanos pode destruir os EUA.

Para quem não entende como os governos socialistas/comunistas europeus estão promovendo a invasão islâmica da Europa e para quem ainda duvida que Nossa Senhora soubesse das coisas em 1917, ficam aqui as duas citações.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!


25/05/2018

O sucesso católico é a Cruz

Num mundo de celebridades em que vivemos, temos a impressão que nossa vida deve ser vivida em busca do sucesso. Nesta palavrinha está resumidamente o que a doutrina católica denomina as três concupscências: o mundo, a carne e o demônio. Fiz duas palestras sobre o assunto que estão no meu canal no Youtube (aqui e aqui).

Penso que todo católico, confrontado com o argumento de sucesso no mundo deve pensar sobre como a nossa Igreja começou. Ela começou com a Encarnação do Verbo e neste momento preciso o que ouvimos foi: ecce ancilla domini fiat mihi secundum verbum tuum. As palavras importantes, nesta resposta de Nossa Senhora ao Arcanjo São Gabriel, são ancilla e verbum tuum. Este é o exemplo máximo que devemos seguir em todos os momentos de nossas vidas: somos servos e devemos agir (e colocar nossas esperanças) segundo a vontade de Deus.

O sucesso católico é exatamente não nos afastarmos da posição de servo e nem nos rebelarmos contra a vontade de Deus. Não nos deve preocupar o que der errado segundo o mundo.

Um exemplo disso, muito tocante, foi o destino das carmelitas de Copiègne, durante a Revolução Francesa. Essa revolução, todos sabem, foi um "sucesso" segundo os critérios do mundo. Assim, ainda segundo o mundo, as carmelitas fracassaram, como fracassou Nosso Senhor na Cruz. Elas foram guilhotinadas, uma a uma. Mas o foram, mostrando ao mundo o que é ser católico. Morreram todas cantando o VENI CREATOR. Assistam abaixo as cenas finais do filme e entendam.





Termino o post lembrando de um sermão do Pe. Antônio Vieira, de 1643, no dia de Todos os Santos. Diz Vieira:

A mais poderosa inclinação humana e o mais poderoso apetite do homem é desejar ser. Bem nos conhecia este natural o demônio, quando esta foi a primeira pedra sobre que fundou a ruína a nossos primeiros pais. A primeira coisa que lhe disse é que lhe prometeu foi que seriam: Eritis (Gen 3, 5), e este eritis foi o que destruiu o mundo. Não está o erro em desejarem os homens ser, mas está em não desejarem ser o que importa. Uns desejam ser ricos, outros desejam ser nobres, outros desejam ser sábios, outros desejam ser poderosos, outros desejam ser conhecidos e afamados, e quase todos desejam tudo isto, e todos erram. Só uma coisa devem os homens desejar ser, que é ser santos. Assim emedou Deus o sereis do demônio com outro sereis, dizendo: Santi eritis, quia Ego santus sum (Vós sereis santos, porque Eu sou santo, Lev 11, 45). O demônio disse: Sereis como Deus, sendo sábios; e Deus disse: sereis como Deus sendo santos. E vai tanto de um sereis a outro sereis, que o sereis do demônio não só nos tirou o ser como Deus, mas tirou-nos também o ser, porque nos tirou o ser santos, e o sereis de Deus, exortando-nos a ser santos, como ele é, não só nos restitui o ser como Deus, senão também o ser.

20/05/2018

Ainda a minha conversão: resposta a um leitor

Recebo um comentário ao post Insignificante história da minha conversão. O leitor se chama Eduardo e diz o seguinte:

Conversão também pela graça de Nossa Senhora, creio eu, mas estranha-me que dois pensadores diferentes como Olavo (modernista e perenialista) e Fedeli (tradicionalista) tenha influenciado o ilustre. Aliás, este sempre combateu os erros daquele.

Minha resposta é a seguinte.

1. Sim, toda conversão nos vem através de Nossa Senhora, a Medianeira de todas as graças, como, aliás eu faço constar na primeira frase do post. Estamos aqui de acordo.

2. A oposição Olavo X Orlando não é nova aqui no blog. Convido aos leitores a consultar, pelo menos, os seguintes post: Orlando Fedeli e eu, Olavo de Carvalho e euOlavo sobre Orlando, meus dois grandes professores, com seus respectivos comentários. Também não é novo que alguém se admire de meus mestres e das citação do blog; veja, por exemplo, Leitor não entende as citações tão ecléticas do blog. Blog responde. 

Parece que este modesto blogueiro tem a propriedade de causar espanto a alguns de seus leitores. O leitor Eduardo qualifica o Olavo de modernista e de perenialista. Imagino que o leitor esteja usando os termos nos seguintes sentidos: modernista com o sentido que São Pio X deu ao conjunto das heresias que ataca hoje a Igreja; e perenialista com o sentido de seguidor de Guénon e Schuon. 

Quem conhece a opinião do Olavo sobre as principais figuras do modernismo do século XX (Karl Rahner, Henri de Lubac, Yves Congar) e de muitos outros modernistas ilustres, sabe que não é verdade que ele seja modernista. Não estou defendendo o Olavo de nada, ele não precisa disso. Só estou registrando um fato.

Se ele for seguidor de Guénon e Schuon (admitamos por hipótese), ele é um péssimo perenialista. Não conheço ninguém que critique mais esses dois do que o Olavo. E ele não poupa palavras: embusteiro, enganador, confuso, trapaceiro, etc. Se ele estiver fazendo apostolado perenialista, temos o exemplo do pior apóstolo do mundo. 

Com relação ao Orlando Fedeli, Eduardo o chama de tradicionalista, termo que ele nunca aceitou lhe fosse dado. Quando alguém o chamava de católico tradicionalista e imediatamente respondia: eu sou católico apostólico romano, sem mais adições. 

Essa coisa de usar rótulos e colá-los a pessoas é coisa muito comum entre nós, mas é sempre uma tentativa ingênua de se mostrar sabichão. Antes de rotular pessoas tão importantes quanto Olavo e Orlando, é preciso conhecer um pouco o pensamento de cada um, é preciso meditar sobre a complexidade da personalidade deles, é preciso ler o que escreveram e é preciso entender o drama humano que cada um de nós vive, depois da Queda. 

3. Para mim, nem Olavo nem Orlando são oráculos com nota de infalibilidade. Apesar da imensa admiração que tenho pelos dois, apesar da imensa dívida que tenho com os dois, não tenho a menor tendência a encarar qualquer palavra deles como uma ordem a ser cumprida. Já vivi demais, já li demais, para ser tão pueril, para ser tão simplista. 

4. Sobre os meios auxiliares de conversão, tenho uma história surpreendente de um amigo que se converteu lendo Leonardo Boff. Assim, não entendo a supresa do leitor de que eu tenha primeiramente me (re)convertido pelas mão de Olavo e Orlando que, convenhamos, são infinitamente superiores aos Boff's da vida.

Finalmente, agradeço ao Eduardo por me dar a oportunidade de elucidar, uma vez mais, esta questão, tão cara a alguns leitores, de Olavo X Orlando que, para muitos, se assemelha a uma partida de futebol.

17/05/2018

Santo Tomás nos dias de hoje: A Cosmogonia da Desordem.

Há cinco anos, anunciei no blog o lançamento de um livro de Sidney Silveira. Bem, por vários motivos o livro só saiu agora e tem tudo para nos ensinar sobre o mundo atual, pelos olhos de Santo Tomás de Aquino.

Quem quiser adquirir o livro vá à loja do CDB: https://loja.centrodombosco.org/cosmogonia_da_desordem

Há a modalidade de Registro Módico que barateia o preço do frete.

Não deixem de comprar!

15/05/2018

Lições das missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XXXVI


Comento aqui o artigo final d’O DOMINGO de 06/05/2018, 6º. Domingo de Páscoa, do Pe. Nilo Luza.

O Evangelho é Jo 15, 9-17. O comentário de Pe. Luza se concentra, acertadamente, no seguinte mandamento de Jesus: Hoc est preceptum meum, ut diligatis invicem, sicut dilexi vos (O meu preceito é este: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei).

O Pe. Luza usa aqui uma estratégia protestante, o livre exame das Escrituras, e me sai com esta: “Jesus supera o mandamento antigo de amar ‘como a si mesmo’, propondo aos discípulos amar ‘como eu vos amei’.” Aqui vemos Jesus o revolucionário, o transformador; Ele que disse muitas vezes que só estava cumprindo a vontade Pai que O enviou.

Em Mc, 12, 28-31, Jesus, respondendo aos escribas, enumera os principais mandamentos da lei de Deus. Ele diz que primeiro está este: “Ouve, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor, e amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as suas forças”. O segundo, segundo Jesus é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. E ainda aduz: “Não há mandamento maior que estes”.

Como pode que tendo dito isto, Jesus em outro momento teria superado o mandamento antigo? Passará pela cabeça de alguém fazer uma leitura tão torta das palavras de Nosso Senhor? Digo, além do Pe. Luza? Como pode Jesus ter dito que não há outro mandamento como aqueles e depois ter promulgado outro, superando os outros dois?

O que eu teria dito, se estivesse no lugar do Pe. Luza? Seria o seguinte.

Jesus foi um grande professor e ele sabia que uma das técnicas mais básicas do ensino é a repetição do mesmo conceito várias vezes e por vários ângulos, por meio de várias abordagens. O aluno capta assim todos os aspectos do conceito ou do objeto em análise. Sabendo como sabia de nossas limitações, Ele não cansa de se repetir. No Evangelho em questão, Ele tenta ensinar-nos como nos tornar amigo d’Ele e expressa de outra forma os dois mandamentos que Ele considerava os maiores. E Ele usa um poder de síntese extraordinário. Sabendo que Deus nos ama no mais alto grau (como todo o Seu Ser) e que Ele quer que O amemos com todo o nosso ser (coração, alma, entendimento e forças) e que devemos amar uns aos outros como nós nos amamos (pois nos amamos com todo o nosso ser), Jesus resume magistralmente tudo isso com o seu “ut diligatis invicem, sicut dilexi vos”.

Jesus, com isso, está apenas repetindo, por outra perspectiva, de outra maneira, com outras expressões, a mesma coisa que Ele disse no outro Evangelho. Mas, poderia ser diferente? Jesus poderia mudar de opinião, conforme esteja falando aos escribas ou aos apóstolos? Só mesmo um deformador como Pe. Luza pode pensar assim.

Para finalizar, lembro ao Pe. Luza (porque espero que ele já tenha lido), Mt 5, 17. Aqui Jesus parece responder diretamente ao Pe. Luza: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas; não os vim destruir, mas sim para os cumprir”. Jesus que supera, Jesus que transforma, uma ova!


07/05/2018

Insignificante história de minha conversão

Certa vez, num post do blog, um leitor amigo puxou minha língua e me estimulou a contar como foi minha (re) conversão à Igreja de Cristo, aquela que é (e não "subisiste" na) Igreja Católica. Não sei se pode ser relevante para os leitores do blog. Se não for, esqueçam e passem à frente. Se for, agradeço a Deus e a Sua Mãe por isso. Aí vai o pequeno texto.


Minha conversão nada tem de especial, além da manifestação da graça de Deus e a interseção da Virgem Santíssima.

Eu fui muito católico na adolescência. Lembro-me muito bem os sentimentos que tinha. Eram o de uma alma devota. Mas aí o mundo interveio, eu pensei que tinha ficado muito esperto, que tinha atingido um nível muito acima daqueles católicos bobocas.

Daí, quando entrei na universidade, descobri que esta instituição poderia me explicar tudinho que eu pensava ter encontrado na Igreja Católica. Não percebia que ficava cada vez mais burro.

Daí veio o esquerdismo, a liberdade total, o relativismo moral, o espiritualismo oriental, o rosacrucianismo, o espiritismo, etc. Quando tudo estava escurecido, quando via meus filhos crescerem tão idiotas como eu, e longe de Deus, me apareceu Olavo de Carvalho e me salvou do esquerdismo. Quando eu estava já me aproximando da Igreja, Orlando Fedeli me jogou definitivamente dentro da Igreja de Cristo.

Daí para cá muita gente me foi mandada pela Santíssima Virgem Senhora Nossa para me ajudar. Comecei a ficar menos burro e pude conversar com Sócrates, Platão e Aristóteles. Comecei a conversar com Santo Tomás, com Santa Catarina de Sena e Santo Afonso Maria de Ligório.

Comecei sobretudo a conversar com Chesterton, meu amigo e protetor de minha mente sempre muito mais fraca que a dele. Ele chamou também Belloc para me ajudar. Com eles vieram muita gente. Hoje estou com a casa cheia, sendo eu o mais modesto dos habitantes.

É mais ou menos isso. Nada de mais, nada de extraordinário, exceto minhas companhias atuais. Estas sim, são extraordinárias.

04/05/2018

O Marie, ô Mère chérie, garde au coeur des Français la foi des anciens jours!

No sábado passado, 28 de abril, milhares de franceses se reuniram em 107 lugares diferentes para rezar o Rosário nas Fronteiras. Ao longo de toda a França, um exército em oração implorou ao Céu a proteção da França face à múltiplos flagelos - invasão migratória, islamização, mundialismo, decadência, cultura da morte - que se abatem sobre ela.

Nas praias, em diques, nas colinas montanhosas, nas florestas, nos santuários, nas capelas, nas igrejas, diante de monumentos, nos átrios das igrejas, os católicos de todas as idades compreenderam a importância de recorrer à oração para tenter merecer pela França os socorros de Deus e da Santíssima Virgem Maria.

Em Paris, até os poloneses lotaram as igrejas para rezar por estas intenções. Poloneses que, em outubro de 2017, reuniram um milhão de católicos na fronteira do país, que rezaram o terço pedindo a proteção da Virgem Santíssima.

Algumas fotos do Rosário nas Fronteiras.







Para acessar o artigo original do Midias-Presse Info, clique aqui.

30/04/2018

Lições das missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XXXV


Comento aqui o artigo final d’O DOMINGO de 29/04/2018, 5º. Domingo de Páscoa, do Pe. Paulo Bazaglia.

O Evangelho que merece seu comentário é Jo 15, 1-8. Jesus diz: Ego sum vitis vera, et Pater meus agricola est (Eu sou a verdadeira videira, e meu Pai é o agricultor). Este evangelho é prenhe de significado, pois a metáfora é aqui portentosa. É um evangelho também terrível para padres como Pe. Bazaglia. Padres modernistas não gostam do, na melhor das hipóteses, ou não acreditam no Inferno. Mas vamos ver como se sai o nosso padre no comentário que ele faz.

No primeiro parágrafo de seu comentário (intitulado Permanecer em Jesus) ele denomina os profetas do Antigo Testamento de trabalhadores. Ele coloca a palavra entre aspas, como que acanhado... As aspas talvez denotem um objetivo oculto. Chamar os profetas de trabalhadores não é incorreto, na sã perspectiva de que eles eram trabalhadores da vinha do Senhor. Penso que nenhum deles se furtaria a se definir como tal. Mas as aspas traem uma significação bem malandra do padre, uma ligação com tal partido atual do nosso triste Brasil. Será que o padre está querendo ligar os profetas, digamos Daniel, Isaias, com Dilma, Lula, Dirceu, etc? Sei não!

Ah!, mas tem coisa mais interessante. O padre, a certa altura, desfigura vergonhosamente a palavra do Senhor. Ele diz: “Permanecer unidos a ele não para cortar pessoas de nossa vida, como se fôssemos os ramos bons e os outros fossem os ramos destinados ao fogo.” Que história é essa? Quem interpretaria assim a palavra de Nosso Senhor? Nosso Senhor está dizendo que ele é a videira, e nós os ramos. Ele diz que enquanto permanecermos ligados à videira, não seremos cortados. Mas se nós nos desligarmos da videira, morreremos. Um ramo da videira (cada um de nós) não tem o poder de cortar outros ramos e Deus não cortará os ramos vivificados com a seiva do Senhor. Jesus está dizendo que os ramos destinados ao fogo (do Inferno) serão aqueles que optarem por se desligar. O Inferno é opção nossa. Deus apenas aceita essa opção. Que conversinha fiada é essa de nós cortarmos os ramos? Isso só pode passar pela cabeça de Pe. Bazaglia.

Outra coisinha que o padre se esqueceu, muito convenientemente, de mencionar. Estar ligado à videira é também, e principalmente, estar ligado à Cruz de Nosso Senhor, pois Sua seiva é alimento de vida eterna, que não existe senão aos pés da Cruz. Muito bonitinho falar em “permanecer firmes no testemunho da misericórdia e do amor incondicional”, como faz o padre Bazaglia. Mas que tal lembrar que esse amor incondicional é exatamente o amor à Cruz de Nosso Senhor? A Igreja desse padre é a Igreja do amor e da misericórdia sem a Cruz e o sofrimento. Mas isso só significa o caminho fácil para o Inferno. Amor e misericórdia sem a Cruz é o lema de uma igreja sem Deus, ou melhor, uma igreja com um deus imanente, um deus panteísta, um deus do “faça amor, não faça a guerra”.

Para terminar, lembremos-nos de um diálogo entre a alma e Jesus, na Imitação de Cristo. A alma está tentando entender o que significa o “renuncia-te a ti mesmo” e pergunta a Jesus: “Senhor, em que devo renunciar-me, e quantas vezes?” Jesus responde: “Sempre e a toda hora, tanto no muito como no pouco. Nada excetuo, mas quero te achar despojado de tudo”. Ele ainda diz: tu deves renunciar a ti mesmo “oferecendo-se em cotidiano sacrifício a Deus, sem o que não há nem pode haver união deliciosa comigo”.

Aí está! Estar ligado ao tronco da videira, estar em “união deliciosa” com Ele significa renunciar-se a si mesmo. Nada mais, nada menos, viu padre Bazaglia?


20/04/2018

Rosário para salvar a França: 28 de abril de 2018


Quando Nossa Senhora nos ensinou a rezar o terço, ficou claro que ele era uma arma de guerra. A revelação feita a São Domingos foi durante a grande ameaça dos cátaros, ou albigenses, que tomaram de assalto grande parte da Igreja ao sul da França com essa heresia maniqueísta, pacifista, ecologista e abortista. E isso nos séculos X e XI e XII.

Nossa Mãe sempre considerou o terço como uma arma contra o demônio; tanto arma pessoal de luta contra as tentações, quanto arma da comunidade, contra os ataques organizados contra a fé. Recentemente, em maio 1955 (mês de Maria), Pe. Petrus Pavlicek conseguiu, numa extraordinária cruzada do Rosário, a desocupação da Áustria pelas tropas soviéticas. Segundo o historiador Siegfried Berr "a questão do motivo de os soviéticos finalmente decidirem abandonar a posição militar no leste austríaco, na primavera de 1955, e de concordarem com a desocupação negociada, tem preocupado os historiadores desde então". E é bom que fiquem mesmo preocupados, pois isso foi obra de Nossa Senhora. (Ver Revista Permanência, no.272, páginas 115-119)

Agora, "la fille aînée de l'Eglise Catholic" (a filha primogênita da Igreja Católica) irá recorrer a essa arma poderosa para salvar-se de seus inúmeros inimigos: os intelectuais, decendentes dos revolucionários de 1789, a invasão islâmica, os poderes globalistas representados por Emmanuel Macron, etc.

Seguindo o exemplo da Polônia, haverá a reza do Rosário nas fronteiras da França. Várias cidades já confirmaram a participação.



Que "la fille aînée de l'Eglise Catholic" obtenha os favores de Nossa Senhora em sua luta contra o príncipe deste mundo.

Saint Denis et Sainte Jeanne d'Arc, priez pour votre France!


17/04/2018

Somos todos comunistas!




Vejam vocês, a nata da direita americana, incluindo Donald Trump, está usando regularmente o termo "mccartismo". Esse termo foi cunhado pela KGB para desmoralizar Joseph McCarthy, bravo senador americano que identificou pelo menos 50 agentes comunistas dentro da administração americana no pós-guerra. 

Na época, o termo foi usado para calar tanto o senador quanto seus apoiadores. Quem quiser saber mais quem foi Joe McCarthy deve consultar a obra prima de M. Stanton Evans: Blacklisted by History.

Sobre a atual direita usando o termo cunhado pela KGB, leiam o artigo de Diana West: A Short, Communist History of "McCarthyism"

Sobre a infiltração comunista nos altos escalões do governo americano desde a década de 1930 (até hoje) leia o livro de Diana West: American Betrayal.

Agora, os últimos parágrafos do artigo de Diane West.

O "mccartismo", não a subversão comunista, foi vencido.

Assim, hoje, em todo o espectro político, continuamos a condenar o velho e mal "mccartismo", tendo esquecido tudo sobre a subversão comunista.

Imagino se virá o dia em que os conservadores, pelo menos, perceberão que quando condenam o "mccartismo", eles estão colocando em Stalin um rosto grande e feliz, onde quer que ele esteja queimando.

14/04/2018

Uma “palavra difícil” anunciada na Praça de São Pedro



 Artigo publicado pelo OnePeterFive, escrito por Paul Badde


O credo cristão é um desafio que começa com a alegação de que Deus se tornou Homem e prossegue com a crença no fato de Sua Ressurreição dos mortos no sepulcro. Não surpreende que os hereges eclesiásticos, desde o princípio, tentaram suavizar esta afirmação e atenuá-la.

Não foram os hereges, contudo, mas sim alguns equivocados teólogos modernos que finalmente tiveram sucesso em adaptar a completa imposição do Credo às nossas mentes limitadas. A noção grega de Kerygma – é, de fato, uma palavra difícil – tem um papel chave que tem, contudo, permanecido, em grande parte, desconhecido dos fiéis. Kerygma significa “proclamação”, “anúncio” e também “homilia”. Foi essa noção que essencialmente ajudou alguns a reinterpretarem a antiga Fé Pascal de modo a fazer crer que afinal Cristo não ressurgiu dos mortos num corpo físico, mas, ao invés, Ele ressurgiu na proclamação da Ressurreição, feita e difundida por Seus discípulos. A Ressurreição dos mortos pelo Filho de Deus Encarnado se torna, então, de fato, uma ressurreição na, e através da, homilia. A diferença é extremamente tênue e diáfana, e certamente essa especulação não era somente uma ideia idiota incomum. Não se deve esquecer que aqueles mesmos medrosos apóstolos – todos eles (exceto São João) fugiram antes da morte de Jesus – começaram, três dias depois de Sua morte, a falar, inesperada e subitamente, com muita coragem, sobre Jesus como o Messias ressurreto.

Portanto, caso alguém venha a encontrar os “ossos de Jesus” em algum lugar em Jerusalém, isso não abalaria minimamente a “Fé Pascal” do grande teólogo protestante Rudolf Bultmann, como ele próprio disse certa vez. Mais tarde, o Kerygma se tornou o núcleo do dogma da teologia moderna, tanto protestante quanto católica, numa espécie de realização ecumênica. Não adiantou que Romano Guardini, já em 1937, em sua obra maior O Senhor, tenha rejeitado clara e decididamente essa alegação. Hoje, todavia, não há quase nenhum padre ou bispo que não tenha sido infectado levemente por essa grave alegação, para não ser ridicularizado por seus irmãos por causa de sua suposta fé infantil e ignorante.

Essa alegação kerygmática dominante levou, especialmente na Alemanha, a uma situação tal que os poucos fiéis que ainda vão à Igreja têm dificuldade de entender que padres e bispos, de fato, não acreditam mais, de forma integral, no que a profissão de Fé de Nicéia afirmou explicitamente no ano de 325. São Paulo, contudo, muito provavelmente consideraria essa negação a maior heresia de todas, não desde fora, mas desde dentro da Igreja. E agora ela aparece na Praça de São Pedro.

Como assim? Ora, na quarta-feira, 28 de março de 2018, o Papa Francisco numa introdução ao Triduum Pascal, com suas celebrações, quando ele casualmente instruía os peregrinos de todos os cantos da terra, falando de improviso, afirmou que a Páscoa “não termina” com os habituais rituais daquele particular domingo. Pois, “ele é onde a jornada começa, a jornada da missão, do anúncio: Cristo ressurgiu. E esse anúncio (proclamação), a que o Triduum leva, nos preparando para acolhê-lo, é o centro de nossa fé e de nossa esperança; é o núcleo, é a mensagem, é – aqui a palavra difícil, que diz tudo – o kerygma que continuamente evangeliza a Igreja e com o qual ela, por sua vez, é convidada a evangelizar.”

Assim falou o papa. Deus o abençoe. Mas não temos de acreditar nisso. Graças a Deus. Podemos ainda confiantemente acreditar, como criancinhas, que não é a proclamação verbal, mas o fato da própria Ressurreição corporal de Jesus que é realmente o centro e o núcleo de nossa Fé e de nossa esperança.

12/04/2018

Gaudete et Exsultate: outro escândalo do Papa Francisco


Na mais recente Exortação Apostólica, o Papa Francisco afirma, entre outras coisas, o seguinte.

1. Ordens contemplativas afastadas do mundo são insalubres;

2. A Igreja nem sempre tem todas as resposta e não deve dizer às pessoas como viver suas vidas;

3. A doutrina católica está sujeita a diferentes interpretações dependendo das circunstâncias;

4. A doutrina católica não é monolítica, mas aberta a dúvidas;

5. Forte adesão à doutrina e à disciplia católica é pelagianismo, ou seja heresia;

6. Aqueles que resitem, i.e, àquilo que Francisco quer, sucumbiram às forças do mal;

7. Aqueles que dizem que tudo é possível com o auxílio da graça são realmente pelagianos;

8. Mesmo com o auxílio da graça é impossível "para o fraco" respeitar a lei moral dados seus limites "concretos"; somente um progresso gradual é possível. Isso, além de luteranismo claro, é também o pelagianismo que o Papa condena;

9. Adesão à doutrina e disciplina católica é aridez pelagiana que rejeita o "espírito";

10. Católicos tradicionais são crueis pelagianos curadores de um museu religioso que rejeita o "espírito";

11. Tentativas de limitar a imigração mulçulmana é equivalente ao aborto;

12. E mais.

Ferrara ainda cita dois autores: Roberto de Mattei e São Roberto Belarmino. De Mattei ela lembra o seguinte: "Precisamos ter coragem de dizer: Santo Padre, o senhor é o primeiro responsável pela confusão que existe hoje na Igreja. Santo Padre, o senhor é o primeiro responsável pelas heresias que circulam hoje na Igreja."

De São Roberto Belarmino ela cita o De Controversiis: sobre o Pontífice Romano. São Belarmino diz: "Portanto, tal como é legítimo resistir a um Pontífice que invade um corpo, é também legítimo resistir-lhe quando invande as almas ou perturba um estado, e ainda mais se ele tentar destruir a Igreja. Digo que é legítimo resistir-lhe, não fazendo o que ele ordena e impedindo-o para frustrar seu intento."

Paro por aqui, sugerindo a leitura do artigo do Ferrara.

08/04/2018

Bispo emérito escolhe Barrabás!


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Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau, escolheu ontem Barrabás! Repete-se a escolha de dois milênios atrás, ainda durante a oitava da Páscoa. As faixas dizem bem a quem o bispo respeita: o comunismo (CUT) e as abortistas (Marcha Mundial das Mulheres). Se há ainda algum bispo católico no Brasil, agora é a hora de se levantar contra essa blasfêmia. Se ninguém aparecer, devemos chegar à conclusão de que o catolicismo desapareceu do episcopado brasileiro. Nenhuma consideração fraternal, doutrinária ou teológica pode impedir um bispo, um sucessor dos apóstolos, de corrigir publicamente esse bispo escandaloso. Não fazer essa correção é falta gravíssima! 

Se os senhores querem defender Nosso Senhor Jesus Cristo, agora é o momento, senhores Bispos do Brasil!



Apostolado Católico Atualmente

06/04/2018

Blog discorda, respeitosamente, do Cardeal Burke

Num post do Fratres, ficamos sabendo a posição do Cardeal Burke sobre a "situação intolerável" da Igreja sob o papado de Francisco. Palavras fortes, consoante com a situação gravíssima da Igreja perante afirmações do pontífice sobre a imortalidade da alma e sobre a existência do Inferno. Aqui não há nenhuma questão delicada de teologia, não há aquele embate de ideias que deixa perplexo o fiel. Não há que se consultar a Suma Teológica, nem Santo Afonso, nem aquelas discussões medievais infindáveis. 

As afirmações do papa atacam o centro de nossa fé. Se a alma desaparece depois da morte, se não há o Inferno, duas coisas podem ser deduzidas: a Redenção não existe e Nosso Senhor é o maior mentiroso da história. O papa não diz só que Jesus não é Deus, como os arianos, mas que Ele é mentiroso, um charlatão!

Mas o que o blog discorda do Cardeal Burke é o seguinte (palavras do Cardeal): "Primeiro, o fiel ou pastor deve expressar a sua crítica em privado, para que o Pontífice possa se emendar. Se o Papa se nega a corrigir o seu modo gravemente deficiente de ensinar e agir, a crítica deve ser feita pública, porque dela depende o bem da Igreja e do mundo." Ora, Cardeal, não esperava ouvir isso, logo do senhor, que enviou ao Papa, junto a outros três cardeais, os Dubia, e ficou sem nenhuma resposta. O senhor também viu um grupo de fiéis e prelados enviar aquele documento sobre as ideias heréticas do papa, expressas na Amoris Leticia. Ambas as correções em privado ficaram sem respostas. Por isso mesmo, tais documentos foram divulgados. Isso devia convencê-lo da inutilidade desse modo de ação, para com o atual pontífice. 

Agora é preciso afirmações públicas de prelados que ainda não perderam a fé para que o rebanho não seja entregue aos lobos. A situação agora é de uma crise sem precedentes e é preciso salvar o que ainda pode ser salvo.

A situação é grave e comportará muitos riscos. Mas estamos num naufrágio e precisamos salvar quem está afogando. Qualquer coisa é melhor que nada.

Que Nossa Senhora nos ilumine, Ela que nunca nos abandonou em situações de crise!

05/04/2018

Edição Extra das Lições

Comento aqui uma afirmação que poderia estar num artigo final d’O DOMINGO, panfleto revolucionário distribuídos nas Missas de Paulo VI. Ela poderia ter sido dita pelos padres Nilo Luza, Paulo Bazaglia, ou mesmo pela nossa missionária da Amazônia, ex-prefeita de Campinas pelo PT, a Sra. Izalene Tiene. Poderia ter sido escrita em qualquer domingo, mas principalmente na Semana Santa.

Eis a frase: “Quem se aglomerava em torno de Jesus para ouvir as suas palavras? O povo. E quem O crucificou? Os escribas, os fariseus, os doutores da lei, o governo romano, os príncipes dos sacerdotes”.

Podemos imaginar uma sequência de um dos padres mencionados, ou outros: “Pois Jesus veio com um projeto para os pobres, para os desvalidos, e não para os poderosos. Veio para desafiar a ordem estabelecida, veio para fundar um reino de justiça e de paz social, fundamentado na dignidade da pessoa humana”. Esta frase imaginária seria um bom complemento da frase inicial, que é verdadeira. Já-já revelo o seu indigitado autor.

Eu responderia à frase real perguntando o seguinte: e o povo todo gritando “Barrabás, Barrabás”? Houve uma consulta popular feita por Pilatos; houve a expressão da democracia direta. Sim, Pilatos poderia ter salvado Jesus. Mas ele era um democrata (como o são todos os padres modernistas) avant la lettre: afinal, a voz do povo é a voz de Deus, ou não é? E o que dizer de Iscarites, que vendeu Jesus por trinta dinheiros. Era também príncipe, era também poderoso, era doutor da lei? O que dizer de José de Arimatéia, que ouvia Jesus, era um dos seus discípulos, mas não era do povo? Esse padre está tentando nos enganar, como fazem os Luzas e Bazaglias da vida! É tão asqueroso quanto estes.

Hugues Felicité Robert de Lamennais.PNG
Mas a surpresa toda vem agora. Esse padre, esse revolucionário, falou isso em 1834, antes do manifesto comunista, antes do apogeu de Marx, pouco mais de trinta anos depois da Revolução Francesa. Seu nome? Esse infeliz é Felicité de Lamennais, o fundador do catolicismo liberal. Ele publicou essa frase em seu livro, estrondoso sucesso, e referência de todos os modernistas, Paroles d’un Croyant. Sim de um croyant, crente, não de um católico. Crente num deus que não existe, num deus construído conforme suas convicções, como o deus de Lutero.

Lamennais era também homossexual e, aos 33 anos, teve uma relação amorosa com um jovem, Harry Moorman, estudante de 13 anos, em Londres. Hoje, isso seria considerado pedofilia! A relação foi tão tórrida que Lamennais queria levar Harry, à força, para Paris, mas desistiu do intento por aconselhamento do Padre Carron. Será que existe uma relação mais estreita entre catolicismo liberal e homossexualismo? Será que Lamennais foi precursor de outros “movimentos” que também hoje infestam a Igreja? Não sei. Mas fica a observação.

O mal não é definitivamente o comunismo, mas o liberalismo. Eis a minha modesta opinião.

03/04/2018

Lições das missas dominicais pós-Vaticano II– Parte XXXIV


Comento aqui o artigo final d’O DOMINGO de 01/04/2018, Domingo de Páscoa, do Pe. Paulo Bazaglia. Pe. Bazaglia é já nosso conhecido nestes comentários. Está sempre presente com suas ideias distorcidas.

O Evangelho que merece seu comentário é Jo 20, 1-9. Maria Madalena vai avisar os apóstolos João e Pedro que o sepulcro está vazio. Eles correm, para verificar.

O artigo do Pe. Bazaglia é intitulado Sinais da Ressurreição, título muito apropriado! Além de platitudes, ele insiste numa ideia antiga, que ele não cansa de repetir. Desta vez, ele a expressa da seguinte forma: “A corrida dos dois discípulos ao sepulcro é a corrida simbólica da fé, e quem chega primeiro é o Discípulo Amado. Chega antes quem ama e vive a relação do amor e da amizade com Jesus. É o último a ver os sinais, mas o primeiro a acreditar.” É impressionante como num trecho tão curto cabe tanta besteira!

Primeiro, parece que João e Pedro apostam uma corrida até o sepulcro, cada um tentando ganhar. Um novo, o outro velho e o novo ganha a corrida. Mas não ganha porque é mais novo, mas porque ama. De quebra, insinua-se aqui que Pedro, o primeiro papa, não amava Jesus, não vivia a relação do amor e da amizade com Jesus. Depois, o padre denomina essa corrida a “corrida simbólica da fé”. Eu a denominaria a corrida simbólica da dúvida, da estupefação, da surpresa, mas não da fé. Só depois, no final da passagem é que se informa: “ele viu e acreditou”. Além disso, o evangelista nos diz: “eles não haviam compreendido a escritura”.

Mas como essa ideia distorcida do Pe. Bazaglia é antiga, eu já a comentei aqui, no Domingo da Páscoa de 2009, na parte XVII destes comentários. Quem se interessar pode ler o antigo comentário aqui.