sexta-feira, maio 25, 2018

O sucesso católico é a Cruz

Num mundo de celebridades em que vivemos, temos a impressão que nossa vida deve ser vivida em busca do sucesso. Nesta palavrinha está resumidamente o que a doutrina católica denomina as três concupscências: o mundo, a carne e o demônio. Fiz duas palestras sobre o assunto que estão no meu canal no Youtube (aqui e aqui).

Penso que todo católico, confrontado com o argumento de sucesso no mundo deve pensar sobre como a nossa Igreja começou. Ela começou com a Encarnação do Verbo e neste momento preciso o que ouvimos foi: ecce ancilla domini fiat mihi secundum verbum tuum. As palavras importantes, nesta resposta de Nossa Senhora ao Arcanjo São Gabriel, são ancilla e verbum tuum. Este é o exemplo máximo que devemos seguir em todos os momentos de nossas vidas: somos servos e devemos agir (e colocar nossas esperanças) segundo a vontade de Deus.

O sucesso católico é exatamente não nos afastarmos da posição de servo e nem nos rebelarmos contra a vontade de Deus. Não nos deve preocupar o que der errado segundo o mundo.

Um exemplo disso, muito tocante, foi o destino das carmelitas de Copiègne, durante a Revolução Francesa. Essa revolução, todos sabem, foi um "sucesso" segundo os critérios do mundo. Assim, ainda segundo o mundo, as carmelitas fracassaram, como fracassou Nosso Senhor na Cruz. Elas foram guilhotinadas, uma a uma. Mas o foram, mostrando ao mundo o que é ser católico. Morreram todas cantando o VENI CREATOR. Assistam abaixo as cenas finais do filme e entendam.





Termino o post lembrando de um sermão do Pe. Antônio Vieira, de 1643, no dia de Todos os Santos. Diz Vieira:

A mais poderosa inclinação humana e o mais poderoso apetite do homem é desejar ser. Bem nos conhecia este natural o demônio, quando esta foi a primeira pedra sobre que fundou a ruína a nossos primeiros pais. A primeira coisa que lhe disse é que lhe prometeu foi que seriam: Eritis (Gen 3, 5), e este eritis foi o que destruiu o mundo. Não está o erro em desejarem os homens ser, mas está em não desejarem ser o que importa. Uns desejam ser ricos, outros desejam ser nobres, outros desejam ser sábios, outros desejam ser poderosos, outros desejam ser conhecidos e afamados, e quase todos desejam tudo isto, e todos erram. Só uma coisa devem os homens desejar ser, que é ser santos. Assim emedou Deus o sereis do demônio com outro sereis, dizendo: Santi eritis, quia Ego santus sum (Vós sereis santos, porque Eu sou santo, Lev 11, 45). O demônio disse: Sereis como Deus, sendo sábios; e Deus disse: sereis como Deus sendo santos. E vai tanto de um sereis a outro sereis, que o sereis do demônio não só nos tirou o ser como Deus, mas tirou-nos também o ser, porque nos tirou o ser santos, e o sereis de Deus, exortando-nos a ser santos, como ele é, não só nos restitui o ser como Deus, senão também o ser.

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