terça-feira, novembro 28, 2006

Artigo meu no Mída Sem Máscara

Sairá amanhã, 29/11/2006, artigo meu no MSM intitulado "Software livre: um outro mundo é possível". Para quem quiser acessá-lo diretamento do MSM clique aqui. Ele vai reproduzido abaixo. As cartas recebidas por mim ou pelo MSM referentes a este artigo serão postadas também neste blog, à medida que forem sendo recebidas.

Este artigo poderia ter vários outros títulos. Fiz um exercício rápido e formulei os seguintes títulos alternativos:

Em que crêem os que crêem em software livre

Programadores do mundo, uni-vos

O striptease ideológico de Richard Stallman

Stallman, Marx e Engels: camaradas inseparáveis

O sr. Stallman aceita dinheiro do governo, não dos consumidores

Stallman: o guru do esquerdismo informático

O analfabetismo funcional do sr. Stallman

Os leitores podem escolher dentre estes ou até formular outros títulos. O que importa é que, a partir da análise do Manifesto GNU, pode-se perceber a fundamentação ideológica do movimento do software livre. Esse pessoal não é só contra Bill Gates. Eles são contra a economia de mercado como um todo.

Segue o artigo.



___________________________________________________________________

Resumo: Se o sr. Stallman ainda não foi convidado para participar do Fórum Social Mundial, tem tudo para ser convidado em breve.


Meu último artigo causou uma certa polêmica e alguns leitores irados se manifestaram na seção de cartas do Mídia Sem Máscara e também no meu blog. O que procurei ressaltar no artigo é que o custo da licença de um software não é seu único custo e que a escolha entre um software livre e um proprietário deve ser feita levando-se em conta o custo global, se é que ela seja feita unicamente sob o ponto de vista econômico.

As observações de vários leitores mostram, contudo, que essa escolha tem outras bases, além das econômicas. E são essas bases que gostaria de esclarecer aqui.

Vou usar uma técnica baseada no livro "O Imbecil Coletivo". [*] No capítulo "Idéias Vegetais" o autor nos ensina o seguinte: "Se Deus deu malícia aos suspicazes, não deixou os crédulos totalmente sem defesa. A credulidade mesma, quando praticada a sério e integralmente, é a melhor defesa: basta que você, ao crer no que alguém lhe diz, creia também nas conseqüências, que ele provavelmente não disse. Se estas conseqüências forem absurdas, a absurdidade delas logo saltará aos olhos, sem que você tenha tido o trabalho de procurá-la".

Assim, fui buscar na fonte os fundamentos do movimento do software livre. Existe um documento chamado Manifesto GNU, em que Richard Stallman descreve as bases desse movimento. O sr. Stallman é também o presidente da FSF (Free Software Foundation) e portanto, quando se fala de GNU, está-se falando também de FSF. Mencionei esse manifesto em resposta à carta de um leitor. Existe uma versão desse manifesto em português de Portugal, do qual tirarei todas as citações que faço abaixo.

Pode parecer fora de propósito ou até pejorativo o nome “movimento” que usei ao me referir à iniciativa de criação de software livre. Este não é, felizmente, o caso, pois a própria FSF coloca como sua principal função levar adiante a "missão mundial de preservar, proteger e promover a liberdade de uso, estudo, cópia, modificação e distribuição do software de computador..." Trata-se portanto, de um movimento mundial, uma missão.

Meu pressuposto é o de que quem usa o software livre pode muito bem não conhecer esse documento, mas quem defende esse tipo de software deve conhecê-lo e aceitar (ou pelo menos simpatizar com) seus pressupostos e suas conseqüências. E assim começo, crédulo, a leitura do documento. Desculpem-me se uso citações freqüentes do manifesto, mas isso é inevitável. É que as coisas que são ditas são tão inacreditáveis que a citação literal é imprescindível.

Há, no início, uma descrição do projeto GNU. Depois o sr. Stallman nos fala de sua regra de ouro, ou seja, "se eu gosto de um programa, eu devo compartilhá-lo com outras pessoas que gostam dele. Vendedores de software querem dividir os usuários e conquistá-los, fazendo com que cada usuário concorde em não compartilhar com os outros". Fala também de solidariedade com outros usuários e diz que "eu não posso, com consciência limpa [grifo meu], assinar um termo de compromisso de não-divulgação de informações ou um contrato de licença de software".

Aqui a discussão não é técnica nem econômica, é moral. A moralidade do sr. Stallman o proíbe de assinar contratos de uso exclusivo de software. De quebra ele nos alerta de que quem os assina deve ter a consciência pesada.

Mais adiante, ele explica que a razão que leva muitos programadores a desejarem ajudar o projeto GNU é que a comercialização de software requer "que eles se considerem em conflito com outros programadores de maneira geral em vez de considerá-los como camaradas” [grifo meu]. Ou seja, competidores econômicos são soldados de exércitos em conflito. Camaradas, hein? Já ouvi essa palavra antes.

Logo depois, vem o disparate: "O ato fundamental da amizade entre os programadores é o compartilhamento de programas; acordos comerciais usados hoje em dia tipicamente proíbem programadores de se tratarem uns aos outros como amigos". Se acordos comerciais, a base do capitalismo, impedem a amizade entre os homens, só o comunismo pode nos salvar.

Esses malvados acordos voluntários também são responsáveis pela falta "do sentimento de harmonia, que é impossível se nós usarmos software que não seja livre". O software livre não é somente responsável pelo bem-estar de seu computador, mas do seu.

Isso não é tudo. Mais à frente, temos a pérola: "Contratos que fazem as pessoas pagarem pelo uso de um programa, incluindo o licenciamento de cópias, sempre trazem um custo tremendo para a sociedade devido aos mecanismos obscuros [grifo meu] necessários para se determinar quanto (ou seja, por quais programas) uma pessoa tem que pagar. E somente a polícia do Estado tem poder para fazer com que todos obedeçam esses mecanismos". Os preços, principalmente nos EUA, como todos sabem, são formados por mecanismos obscuros. Além disso, é a polícia do Estado (quem sabe, CIA, FBI, Bush & cia.?) que controla o mecanismo dos preços em uma economia capitalista.

Eu não estou nem no meio do manifesto e os leitores devem ter notado que o sr. Stallman pode entender muito de software, mas de quase nada mais. Um indivíduo criado e educado nos EUA, tendo freqüentado e trabalhado no MIT, que acredita que o Estado é que controla obscuramente os preços num sistema capitalista é, de fato, uma calamidade mental.

Vou poupar os leitores de muito do que pensa o sr. Stallman, esse portento do software livre. Só digo que ele fala até de Kant e do imperativo categórico. Sugiro a todos que leiam esse genial documento, do princípio ao fim.

Pularei para o final do manifesto, onde esse senhor clama pela mão pesada do Estado, aquele mesmo que tem "aquela" polícia que determina os preços. Ele diz: "Suponha que todos os que compram um computador tenham que pagar X por cento do preço como um imposto do software. O governo daria este dinheiro a uma agência como a NSF para gastar em desenvolvimento de software". Que doçura a desse rapaz!

E isso ainda não é o clímax. Este vem ao final do documento e diz: "Nós já reduzimos bastante a quantidade de trabalho que a sociedade como um todo tem que realizar para a sua própria produtividade, mas somente um pouco disso se transformou em lazer para os trabalhadores porque muita atividade não-produtiva é necessária para se acompanhar a atividade produtiva. As principais causas disso são burocracia e medidas bitoladas contra a competição. O software livre irá reduzir grandemente estes desperdícios na área de produção de software. Nós temos que fazer isso, para que os ganhos técnicos em produtividade sejam transformados em menos trabalho para nós".

E assim, um outro mundo é possível. Se esse sr. Stallman ainda não foi convidado para participar do Fórum Social Mundial, ele certamente vai ser em breve. Ele será anunciado como o camarada Stallman e cuidará do Departamento de Software da ONU, quando for instituído o governo mundial. Programadores, uni-vos!



[*] O Imbecil Coletivo, Editora Faculdade da Cidade, 2002. A nova edição desse livro, da É Realizações está danada de bonita!

53 comentários:

Cleber disse...

Olá prof. Antônio. Eu concordo com a sua crítica ao software livre como movimento ideológico, como posição política contra uma empresa (Microsoft) e seu viés anti-capitalista, embora acredito que há um certo exagero nesse ponto pois o movimento tem quase uns 20 anos e só recentemente começou a surgir grupos com essa visão deturpada.

Não irei comentar sobre os textos do Stallman, pois infelizmente ele é realmente confuso: ora mostra-se um libertário empedernido, ora tem o tal viés comunista (embora que eu saiba ele nunca criticou o livre-mercado).

Acredito que o questionamento que o software livre levanta é muito adequado e trata-se de saber se um código de programa deve ser livre tal qual uma fórmula matemática, um texto jornalístico ou um livro. O questionamento portanto não se refere a gratuidade, pois fórmulas matemáticas, textos jornalísticos e livros não são gratuítos ( possuem custo para atestar a autoria, custos sobre a reprodução e etc.). Uma fórmula matemática parece deslocada nesse grupo pois além de ser livre no sentido de liberdade de expressão também parece ser sempre gratuíta, mas essa impressão é aparente pois há alguns poucos casos em que fórmulas podem ser cobradas (ou compor o preço de algo que se utilize dessas fórmulas) como em sistemas criptográficos.

Como questão filosófica é muito interessante e pertinente pois ao se aceitar a concepção de software como algo livre como um livro ou uma fórmula seria tão imoral quanto quanto esconder os princípios da Mecânica de Newton ou vender máquinas a vapor envoltas em caixas pretas impedindo que se divulgue os princípios de Cantor. Em outros termos, estaríamos privando a humanidade de conhecimento o que é no mínimo anti-científico.

Economicamente também é ruim tornar os códigos de programa secretos pois tal medida impede a longo prazo a competitividade em um livre mercado. Obviamente, o livre acesso ao código também causa problemas como o desincentivo à pesquisa de novos programas devido aos altos custos em comparação com o custo de reprodução de um código-fonte. Mas claramente esse problema pode ser solucionado com a utilização de patentes ou copyrights ( em particular, eu defendo um sistema de copyright com algumas características específicas para o software).

Eu entendo os pontos que o senhor levantou, mas talvez o senhor devesse tê-los deixado um puco mais explícitos para evitar confusões. Eu acredito que o senhor concorde que seja relevante a discussão sobre a liberdade dos códigos de programa, mas seja contra a sua utilização como bandeira ideológica.

Joli disse...

Com software livre fiz meu mestrado, meu doutorado, ouço música, jogo...
E até agora não virei comunista.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Cleber,

Obrigado pela visita e pelo seu longo comentário.

O meu foco neste artigo foi analisar o documento inicial que, acredito, lançou o movimento do software livre.

Eu não me posicionei nem a favor, nem contra o software livre. Quando alguém quer fazer alguma coisa e disponibilizá-la para todo mundo, isso não tem nada de mais. Quando alguém quer forçar outras pessoas a fazerem o mesmo, aí sim a coisa complica.

Por exemplo, ser a favor do software livre, tudo bem. Defender que não haja copyright para software, aí não.

Quanto ao sr. Stallman, eu não o achei confuso não. Eu o entendi muito bem. Se ele, no futuro, renegar tudo que ele disse e formular outro documento que fundamente o movimento do software livre, aí eu vou retirar o que disse. Mas, por enquanto, não tenho outra opinião sobre ele a não ser que ele seja comunista.

Se é possível defender o movimento do software livre em bases diferentes daquelas usadas pelo sr. Stallman, eu não sei.

O importante é que se for possível, é imprescidível que apareça alguém para reformular as bases criadas pelo sr. Stallman.

Um abraço. Antonio Emilio.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Sr. Joli,

Parabéns pelo seu mestrado e parabéns pelo sr. não ter virado comunista.

Mas, a propósito, do que mesmo o sr. está falando?

Atenciosamente.

Antônio Emílio.

Psam disse...

Realmente, o software livre tem história: o próprio linux surgiu como uma versão do Unix 'mais acessível', coisa que não é mesmo (pelo menos para mim). O problema que é levantado é o seguinte: da maneira como pensam os seus defensores atuais, esse software é algo feito totalmente por camaradagem, sem custo, sem envolvimento econômico. É disso que fala o professor Antônio, que isso é absolutamente 'quimérico' (foi o que eu entendi). Concordo com um software, digamos, customizável. Ou seja, um que tenha um código em que você possa mexer depois depois de tê-lo comprado e voluntariamente, sem compartilhá-lo,respeite o direito de seu programador. Claro que 0,1% da população conseguiria fazer isso sem acabar com o sistema, mas a propriedade intelectual de quem o produziu estaria garantida nesse caso, coisa que não acontece no linux. E é essa a consequencia absurda: se um programador lança um produto de graça, como ele vai se sustentar? Daí acontece o que se falou num post: o "computador do Leviatã". Na minha opinião, nem todos os que acham interessante o código aberto(no sentido de um software comprado mas modificável) são esquerdistas. Mas todos os que acreditam no software gratuito são, porque é óbvio que isso é contra o mercado. Porém, muitos movimentos de código-aberto são comunistas: a história do concorrente do Internet Explorer é um exemplo, até ele sair o número de baixezas e absurdos que aconteceream foi enorme. Mas não tenho certeza de que todas as iniciativas nesse sentido serão como essa, e gostaria de uma resposta em relação a esse problema.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Psam,

Você não deixou seu nome, por isso lhe chamei de Psam (é como o blogger lhe identifica).

Não sei se entendi sua colocação, mas eu creio que, como eu disse no artigo, todo mundo que defende o software livre é, pelo menos, simpatizante do que diz o sr. Stallman, a menos que diga o contrário e justifique sua posição.

Atenciosamente,

Antonio Emilio A. Araujo

Augustine disse...

Como desenvolvedor de software, inclusive software "livre", posso dizer que o produto final nao e nada livre ou gratuito. E digo isto nao como usuario, mas, digamos, a partir de dentro do movimento de software "livre".

Ao contrario de um projeto de software "fechado", em um software "livre" e muito dificil se ter uma direcao definida, sofrendo dos problemas de qualquer outra coisa que se faca atraves de comites, se aceitando ideias que custarao caras no futuro em nome de uma democracia aonde ela tem pouco a oferecer.

E mais, o controle de qualidade e praticamente inexistente, frequentemente se reduzindo a um teste curto no computador do desenvolvedor.

O resultado e facil de se verificar: a gente supoe que nao importa que dispositivo seja conctado a um computador que roda o Windows ele sera identificado e suportado. Tente o mesmo com o Linux... O Office e de fato caro e tentei sua alternativa "livre", o Open Office: e bem semelhante ao produto da Microsoft, exceto quando termina sem o menor aviso. E facil de se compreender que estas dificuldades nao tem custo zero.

No entanto, software "livre" e uma excelente maneira de se aprender a programar. E ainda que falte a qualidade de software "fechado", contribui para a competitividade. Ou seja, software "livre" nao e a panaceia que alguns pretendem, mas merece um lugar no mercado, mesmo que o rejeite.

Marcos disse...

Cleber:
As linguagens de programação, como o C++, são os "princípios de Cantor" do software. Basta pegar um livro na biblioteca pública e começar a aprender. Manter o código fechado é uma proteção à propriedade intelectual da empresa de software proprietário, pois o seu código-fonte é um dos seus maiores tesouros. Mantê-lo fechado é dizer aos seus concorrentes: "tente fazer melhor do que nós fazemos, mas do jeito que você souber". Isso é anti-competitivo?

Pedro disse...

Há quem reclame (e se sente sério) de que "poxa, eu queria tanto mexer no kernel...". Muito bem! Existe um meio muito simples para isso: faça uma linguagem de programação, monte um sistema operacional inteiro, torne-o viável e aí você poderá mexer no seu próprio. Mas exigir que uma empresa que trabalha e lucra com desenvolvimento de um código o libere para você por desencargo de consciência é demais. Se eu fizer um carro que gaste pouca gasolina e não divulgar a tecnologia do motor que pemite isso (para usar um exemplo estúpido), isso é anti-científico?

aldaberto coelho disse...

Realmente, uma grande bobagem o que o senhor escreveu. Para o Mídia sem Máscara publicar, só sendo uma grande bobagem mesmo

Pedro disse...

Senhor Aldaberto, o senhor é um idiota. Espero que o senhor não espere que eu prove ou dê motivos, porque não é essa a tônica de seu post. Aliás, nem costuma ser a dos mestres e gênios que costumam mandar cartas ao MSM.

Cleber disse...

Olá Pedro,

1- Os princípios de Carnot (desculpe, não se tratava de Cantor, minha memória embaralhou um pouco as letras e troquei o físico pelo matemático!) do software não é a linguagem de programação. São os algoritmos!! C++ é só uma linguagem que é muito adequada para representar os conceitos envolvidos em um programa. Da mesma maneira que os príncipios da da máquina a vapor não são puramente fórmulas matemáticas e sim os conceitos físicos representados por essas fórmulas. Logo, ainda que aceitasse que não fossem divulgados os códigos fontes em si, deveriam ser disponibilizados os algoritmos.

2- Utilizar do segredo para preservar da concorrência uma determinada tecnologia pode ser anti-científico sim. Se uma tecnologia é baseada em um avanço científico, digamos uma reinterpretação de uma técnica ou uma solução de um problema fundamental, não divulgar essa informação é anti-científico, pois a ciência não tem compromissos com o lucro de ninguém e sim apenas em atestar autoria e divulgar o conhecimento. É obvio que há um conflito de princípios fundamentais (entre os da ciência e do capitalista) nesse ponto dentro de nossa sociedade e uma das maneiras de apaziguar esse conflito é a utilização de patentes e copyright.

Além disso, ao longo da história, há vários casos nos quais a tecnologia precede a ciência em alguma descoberta. Ao inventor devemos dar os parabéns e lhe asegurar alguma compensação justa através de patentes. No entanto, permitir que ele tenha o uso exclusivo da tecnologia através de seu mascaramento é negar, ou ao menos atrasar, a possibilidade do desenvolvimento da ciência.

3- Sobre ser ou não anti-competitivo o uso do segredo para proteger o software. Acredito que seja um tática anti-competitiva e prejudique, a longo prazo, o livre-mercado a depender de alguns fatores: legalidade da engenharia reversa, facilidade da aplicação de engenharia reversa caso a mesma seja legal e ocultamento do algoritmo e interfaces do programa. Num ambiente em que a engenharia reversa seja ilegal, ou ainda que legal, seja extremamente dificultada por certos mecanismos (e.g. trusted computing) e haja ocultamento de algoritmos e interfaces do programa, os competidores irão se afunilar a algumas grandes empresas (oligopólio) e poderão concentrar-se em impedir o acesso ao mercado de novas empresas ao invés de atender as necessidades do consumidor. Esse cenário prejudica o desenvolvimento de novos empreendedores e portanto afeta o livre-mercado. Poderíamos deixar para governos que tratassem de regular o mercado coibindo a formação de oligopólios e monopólios, mas acho que uma medida menos dispendiosa e menos frágil à corrupção seria apenas exigir das empresas a divulgação, se não de seu código fonte, de seus algoritmos e padrões de interface (novamente, garantindo-lhes o direito de autoria).

Espero ter deixado o mais claro possível a minha opinião. Tenho consciência que ela um pouco limitada pois gostaria de ver os resultados de simulações de mercado em determinadas circuntâncias, o que infelizmente a nossa tecnologia atual não nos permite, entretanto eu considero que alguns princípios já seriam suficientes como o valor da ciência como um dos mais fundamentais em nossa sociedade. Em nenhum momento em minha argumentação acredito ter violado algum pricípio de uma sociedade capitalista que não tenha sido flexionado nas mais capitalistas das sociedades.

Abraços

cm disse...

Se hoje existe um computador em cada mesa, agradeçam ao Bill Gates por isso. Ele que criou a indústria de software que põe comida na mesa de boa parte da população humana, direta e indiretamente. Foi um passo importante na evolução da humanidade.

Ricardo Carvallho disse...

>O importante é que se for possível,
>é imprescidível que apareça alguém
>para reformular as bases criadas
>pelo sr. Stallman.

http://www.opensource.org é também anti-microsoft (Halloween Documents), mas isso não indica se alguém é esquerdista ou não.

Prefiro os produtos da Apple sob os produtos da Microsoft, por três motivos: sou usuário de longa data de sistemas Unix, até hoje a Microsoft nunca inovou em nada, nada mesmo, a inovação que ela faz é copiar, como a nova interface Aero do Vista que é uma Aqua da Apple preta, ou comprar quem tenha inovado e inserir o recurso no seu sistema e porque a Apple procura uma boa vivência com alguns projetos de Software livre, caso do FreeBSD, CUPS, Apache, entre outros, mas nada disso indica se eu sou esquerdista ou não (e eu não sou).

Professor o senhor bem que poderia criticar também o fato da Microsoft, Google (que é a dona deste serviço) e Yahoo! ajudarem a China comunista a censurar a Internet. Blogs que eu acompanho de funcionários da Microsoft são contra a atitude da empresa de ser conivente com isso.

O senhor também ignora completamente o fato de que há disputas internas no movimento software livre, você conhece Theo de Raadt, ele discorda da maneira Stallman de fazer as coisas pois acha que a GPL força a abertura de código o que tira a liberdade de usar para qualquer fim.
Se você olhar uma lista de desenvolvedores de algum projeto como Linux, Apache, vai notar como grande partes dos desenvolvedores trabalham em grandes empresas de software.
Em outro artigo seu você fala que a acusação de que a Microsoft é monopolista é falsa, mas essa não é uma discussão nova, vem desde os meios dos anos 90.

Com o respeito que o seu título merece, me atrevo a fazer a analogia de que este artigo ficou como o trabalho da criança que copia e cola conteúdo pronto da internet, sem nem sequer ler o imprimiu. O senhor leu o Manifesto GNU e achou que simplesmente todo mundo concorda com ele, estou eu aqui para discordar dele, mas eu uso e apoio software livre.
No mídia sem máscara um "cabra" comparou um administrador de sistema de uma plataforma exótica (ele considera linux exôtico, imagine se soubesse que eu administro um servidor OpenBSD) como cabide de emprego pelo fato de existir poucos experts no assunto, bom o senhor tem um PhD, imagino que pouca gente tenha um PhD na área que o senhor tem e seja um expert no assunto, nem por isso posso considerar isso ou o pianista clássico da OSESP como aproveitadores de um cabide de emprego pois existem poucos 'experts no assunto', Eu realmente ia querer que o "cabra" lesse isso, mas creio que ele está sendo estimulado a criar pelo Mac OS X que usa software livre em diversas áras, mas ele prefere cuspir no prato que come.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Sr. Ricardo Carvalho,

O fato de eu analisar o manifesto GNU e denunciar a indigência mental do seu autor, não me obriga analisar outros documentos de outros apoiadores do software livre.

Se o sr. não concorda com o manifesto GNU e ainda assim apoia a idéia do software livre, o sr. poderá nos dizer o porquê. Mas use menos siglas e menos casos pessoais.

O sr. poderia ser mais claro no que quer dizer sobre a questão do monopólio da MS. O sr. diz que ela é uma questão antiga e que eu, por mencioná-la, estou copiando o que outras pessoas falaram. O que estou copiando? De quem?

O sr. me cobra uma censura à MS e seu apoio à China. E por que isso é lembrado justo quando eu critico o sr. Stallman? O sr. acha que sou idiota o suficiente para endeusar o Bill Gates? Onde o sr. leu isso em meu artigo?

Se o sr. quiser saber o que penso sobre grandes empresas em empresários e seus objetivos de conquistar o mundo o sr. pode acessar meu artigo sobre isso no MS.

Quanto aos meus títulos, o único que uso é o de professor. Eu tenho vários outros, mas todos eles são irrelevantes para minhas opiniões. O que é relevante aqui são minhas idéias e quem merece respeito sou eu e não meus títulos.

Atenciosamente

Ricardo Carvallho disse...

Quero pedir desculpas pelo meu uso de siglas, são costumes de usá-las para me referir a softwares, etc. E desculpas por qualquer incoveniência que eu causei.

Não, não disse que o senhor copiou ninguém. Em outro artigo o senhor disse que esquerdistas falam que a Microsoft (MS daqui para frente) usa de táticas monopolistas, mas isso não é algo que apenas que esquerdistas fazem, desde os anos 90 a MS usa de táticas como incluir seus produtos junto com o seu sistema operacional com o objetivo de mitigar a concorrência, antes do Windows 95, que incluia o Internet Explorer por padrão e sem opção de instalar ou não, ser lançado o Netscape era o navegador mais usado do mercado, antes de o Windows Media Player vir por padrão no Windows 98 o Real Player era o player de media mais usado e estes não são os únicos exemplos, isso também vale para outros produtos de outras empresas que cedo ou tarde deixaram de lucrar pois a MS incluia similares junto com o seu sistema, isso chega a ser um disparate visto que em palestras funcionários de alto escalão da MS sempre dizem que a empresa necessita de desenvolvedores independentes. Os próximos produtos já tem "alvo", empresas do setor de segurança que produzem anti-vírus domésticos já estão reclamando que a MS está dificultando o desenvolvimento de suas ferramentas na próxima versão do Windows a ser lançada em Janeiro, a única que não reclamou, a Sophos, não faz anti-vírus doméstico só para servidores de e-mail e ambientes corporativos.

>E por que isso é lembrado justo
>quando eu critico o sr. Stallman?
Só porque eu leio o MSM semanalmente apenas, se tivesse sido postado antes de quinta passada teria lembrado na quinta passada.

Quanto a minha defesa do Software livre eu discordo de Stallman nas bases, apesar de concordar com ele na idéia que o software (e o código) deve ser livre para qualquer uso, eu discordo que todo o software deva ter o código aberto como ele quer. Há uma sutileza na maneira de ele pensar na liberdade do código que eu abomino, A GPL (General Public License) de Stallman exige que qualquer modificação, adição ou correção seja liberada, você não pode adicionar código a um software GPL e fechar o código deste software, este código adcionado deve ser liberado sob a mesma licença que o trabalho anterior, isso força o desenvolvedor a nunca fechar o código a não ser que ele seja o detentor copyright do código, Stallman chama de isso de "forçar a liberdade", para mim é bem simples: se é por força não é liberdade, o que eu defendo é o uso de qualquer código para qualquer motivo, mudando a licença, disponibilizando ou não as modificações, como a Apple foi capaz, e existe um grupo de licenças quepermite isso é alicença BSD (Berkeley Software Distribution), que surgiu na Universidade da Califórnia em Berkeley, praticamente a base da Internet foi disponibilizada nesta licença, a parte que trata de redes (o stack TCP) no Windows NT (2000 e XP são versões do NT) foi baseado em um sistema livre chamado BSD, que há de mal nisso? Nada para mim, tudo para Stallman, Stallman não consegue ver o software livre como um modelo de negócios, eu consigo, e quero que seja dessa maneira, essa é uma das divisões que existe na comunidade de Software Livre, que não é um monólito político, há muitas visões dentro da comunidade.

O que os detratores do Software Livre fazem é dizer que os desenvolvedores e usuários de software livre são contra direitos autorais, etc. e tentam ligar a idéia de liberdade de software ao comunismo ao comunismo, como McCarthy quis ligar uma tradução da Bíblia ao comunismo (leia "Reminiscences of an Octogenarian" de Bruce Metzger), o comunismo morreu, foi vencido em todas as arenas, e na arena da tecnologia morreu pois o governo dos Estados Unidos não tratavam a informação como uma caixa preta como os soviéticos tratavam, os protocolos que o DARPA desenvolvia foram todos abertos para que empresas e indivíduos pudessem usar livremente, o DARPA podia ter explorado isso comercialmente, fechando o protocolo e fazendo disso um protocolo proprietário, Tim Berners-Lee podia ter explorado comercialmente o WWW que ele havia inventado, mas foi justamente o ato de liberar para uso que possibilitou uma nova maneira de fazer negócios que hoje se chama internet, que há de comunista nisso? O que há de errado em se querer que a informação seja livre?

Como respeito que sua pessoa merece.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Sr. Ricardo,

Eu não tenho a menor intenção de detratar o software livre, nem tampouco afirmar que quem utiliza o software livre seja comunista ou outra coisa qualquer.

O que eu fiz foi mostrar que o documento que fundamenta todo o movimento do software livre é comunista.

Que mal há em alguém desenvolver um código e o disponibilizá-lo? Nada em absoluto. O mal aparece quando alguém começa a querer forçar todo mundo a fazer isso.

Eu escrevi um pequeno texto, como resposta geral a todos os leitores que se manifestaram no MSM. O editor do site deve publicá-lo. Se ele não o fizer eu farei isso aqui no blog. Neste texto eu me alongo um pouco mais sobre propriedade intelectual. Digo ao sr. apenas que o conceito de propriedade não necessita nenhum adjetivo. Propriedade intelectual é simplesmente propriedade. Vamos aguardar o texto.

Obrigado pelo novo contato e pelo interesse na discussão.

Atenciosamente.

Antônio Emilio A. Araujo

Marcos disse...

Ao Cleber:

1 - "Algoritmo" é o que tu constrói sabendo uma linguagem de programação. Conceitos básicos e avançados de algoritmos podem ser aprendidos em cursos técnicos, faculdades, livros, etc. Mais do que isso, só vai depender da tua habilidade e talento em programar.

Não existe nenhuma "mágica" para implementar algoritmos. São técnicas que programadores vão desenvolvendo em si ao longo da experiência que só adquirirão se programarem por tempo suficiente. Pode-se chegar aos mesmos resultados por algoritmos diferentes. Aquele que tiver mais talento e habilidade fará da melhor forma.

Por isso, o que tu propõe como uma alternativa "moderada" é um completo absurdo. Tu acha que uma empresa de software deva comunalizar o diferencial que a torna especial e a faz prosperar e gerar riqueza para si, seus funcionários e seu país simplesmente por que tu supõe que isso seja algo "imoral". Francamente, essa proposta -- assim como essa tua noção de "moralidade" -- não está diferindo em absolutamente nada do que o "reverendo" Stallman defende.

2 - Não é anti-científico, nem anti-competitivo. Por acaso a patente da Fraunhoffer sobre o formato MP3 impediu o progresso da música digital? Por acaso impediu que outras empresas criassem o seu próprio formato de arquivo de música compactado? É só ver quantos formatos diferentes foram criados, todos impulsionados pela competição: AAC, WMV, VQF, e até o "livre" OGG, entre vários outros. Se não quiser pagar royalties à Fraunhoffer para utilizar o MP3 comercialmente, crie o seu próprio formato e enfrente o mercado. "Só" vai depender do teu talento e habilidade. Não acha incentivador? Enquanto a patente não expirar, assim será.

3 - A tua "imaculada" Ciência ("que não tem compromisso com o lucro") já está casada com o Capitalismo faz tempo, e foi ele o principal catalizador do progresso dela nesses últimos 300 e poucos anos.

Por fim, peço uma gentileza: Não polua o debate com palpites pessoais. E não pague mico tentando parecer uma pessoa "centrada", que sabe entender um lado e outro lado, nem tente nos confundir com conceitos acadêmicos equivocados. Isso não funcionou!

Saudações.

Psam disse...

Vou fazer um comentário que pode parecer idiota, mas foi o que eu entendi:
O software gratuito e o de código aberto, apesar de não serem sinônimos e não funcionarem da mesma maneira, em muitos casos partem de uma mesma estratégia de mercado e têm uma mesma base ideológica; no entanto, no caso do código aberto, existem opiniões contrastanes entre seus desenvolvedores, e se há programas de código aberto que são uma iniciativa esquerdista (como o navegador concorrente do Internet Explorer), há outros que não são.

Meu comentário está correto? E, se estiver, quais softwares de código aberto não são baseados no Manifesto de Stallman?

Pedro disse...

Marcos,
O Cleber está falando que se um pesquisador desenvolve uma tecnologia ou uma aplicação dela e não a divulga, ele está sendo anti-científico, e diz exatamente que o pesquisador vai ter copyrights e patentes para garantir seu direito. Mas, quanto ao cara ser forçado a divulgar o 'código' do que desenvolveu, isso varia e muito. No caso de uma descoberta, por exemplo, de um composto químico, é claro que ele vai ter de dizer o processo que o levou ao composto e como fazê-lo novamente (imagino).

Cleber,
Não é assim que uma indústria de software funciona. Dizer que o programador tem que ser forçado a tornar o código aberto é absurdo, e falar que a ciência e capitalismo têm um conflito que só o Estado pode resolver é mais ainda.

Ricardo de Carvalho,
Essa reclamação de que o Internet Explorer deveria vir separado do Windows é velha e absolutamente sem sentido. O navegador é uma extensão do Explorer (seria como exigir que uma parte do Windows Explorer viesse separada do Windows), a temível MS deixa você instalar outro navegador e é possível desinstalá-lo sim, com dificuldade (já que é uma parte do sistema).

Ah, gostaria de que quem acha que o professor Antônio apóia Bill Gates desse uma olhada no blog e visse as suas respostas a quem já afirmou isso.

Ricardo Carvallho disse...

> (como o navegador concorrente do
> Internet Explorer)
O Firefox não é nada esquerdista, ele é baseado no velho Netscape, que tinha o objetivo de lucrar com o produto, que teve o código liberado pela Netscape e assim é desenvolvido até hoje por desenvolvedores pagos ou não. Além do mais existem N alternativas ao Internet Explorer: Opera no Windows, Safari no Mac OS X e outras mais.

O Software, aberto ou não, não vem com uma agenda política que você como usuário deve ser obrigado a obedecer. Um exemplo, o sendmail, que é um software livre, usado na maioria dos provedores de acesso para envio de e-mail (com exceção do hotmail que não usa este tipo de acesso a software) foi escrito originalmente por um homossexual: Eric Allman, que ainda trabalha no seu desenvolvimento. Se ele quisesse usar seu software para fins políticos ele poderia fazer adições na licença exigindo que ninguém falasse algo que fosse contra sua escolha sexual, isto faria o software deixar de ser livre já que vai contra a liberdade de usar o software para qualquer fim, mas ele não está aí com isso, as primeiras versões do sendmail foram publicadas na mesma licença que a atual no começo dos anos 80, o manifesto GNU foi escrito no ano de 85, este é um dos softwares que não estão sob a ideologia do senhor Stallman, grandes empresas incluem o Sendmail como padrão em seus sistemas (IBM, Sun e Apple) e um bocado de empregos são gerados porque tem gente trabalhando com o Sendmail (eu inclusive). Outro software livre publicado que tem o objetivo de ser apolítico ao máximo é o OpenBSD, nas linhas gerais do projeto isso fica bem claro. Mas mesmo os softwares da FSF (Free Software Foundation) não carregam carga política consigo, a Apple não é obrigada a abandonar os seus direitos autorais, pois Stallman acha isso imoral, para usar o gcc (GNU Compiler Collection, se eu não me engano, compilador C usado por padrão no ambiente Mac OS X). A única coisa que a Apple tem de fazer é liberar qualquer adição ao código do compilador que fizer, eu considero isso imoral, mas isso não é de jeito nenhum exclusividade da FSF, a Microsoft (MS) tem um programa chamado Shared Source que permite você usar o código de alguns softwares dela com a condição de que qualquer modificação que você realizar no código deve ser publicada, isso não tem nada de esquerdista, o objetivo destas cláusulas de licença são diferentes para a FSF e para a MS, mas estão lá, para mim se as duas fossem livres de verdade elas iriam permitir o uso do código sem este tipo de restrição, como o Sendmail e o OpenBSD permitem, mas não o fazem.

> Essa reclamação de que o Internet
> Explorer deveria vir separado do
> Windows é velha e absolutamente
> sem sentido.

Até a versão 3.11 do Windows o Internet Explorer não era parte do sistema, eu só citei que incluir este recurso no Windows 95 teve o objetivo de mitigar o uso do Netscape, o navegador mais usado à época e que isso é uma tática monopolista, o Google começou a fazer algo semelhante com o Orkut, incluir o Google Talk junto com o serviço para mitigar o uso do MSN Messenger que é disparado o serviço de mensagens instantâneas mais usado no Brasil, e eu nem estou fazendo caso de o Internet Explorer vir separado do sistema, não sou anti-microsoft os usuários linux são, e eu não uso Linux, mas a briga deles com a Microsoft vem de que ambos, os usuários Linux e a Microsoft, queriam fazer de seus respectivos sistemas uma plataforma franca que fosse usado para tudo em todos os lugares, de video-games a supercomputadores, ambos, a comunidade linux e a Microsoft, falharam de maneira espetacular, no mundo dos celulares por exemplo linux e windows juntos não chegam nem na metade do número de usuários do Symbiam e em outros lugares um domina onde o outro quer dominar, a Microsoft por exemplo domino os computadores domésticos e o linux tem um desempenho pífio nesta área, o linux roda em mais da metade dos 500 computadores mais rápidos do mundo e o windows não aparece em nenhum (procure por Top 50 na internet para ver a porcentagem de sistemas usados neste tipo de computador). Além disso no próximo Windows: o Vista, o navegador de internet não estará mais junto com o navegador de arquivos por motivo de segurança e nãopor reclamação de ninguém, se bem que eu ainda me lembro de gente reclamando nos idos de 95 que juntar os dois deixaria o navegador exposto a vírus e worms, a Microsoft fingiu que não ouviu, deu no que deu.

Este é meu último post aqui, estou perdendo um tempo danado com isso, vou preparar um e-mail explicando o que é software livre, de onde ele vem e quais são suas divisões e enviar ao professor, espero começar em 3 dias, depois da minha prova de mecânica estatística.

Até mais.

Marcos disse...

O Ricardo Carvallho comete diversos equívocos em seu discurso, mas gostaria de destacar apenas um: a Netscape não queria lucrar com o Navigator, que foi dado de graça desde o seu lançamento. A Netscape queria lucrar é com a venda de SERVIDORES web, cuja demanda aumentaria ao dar o navegador [lei dos complementos na Economia: comoditização de preços dos complementos (navegadores) aumenta a demanda pelo produto (web servers)].

Tudo ia bem para o plano da Netscape, até o Apache Server (esse tão famoso Software "Livre" responsável por cerca de 70% das páginas web) surgir.

A Netscape não teve como concorrer com o preço "ZERO" do Apache, minguou, fracassou, e por fim liberou os fontes do Navigator (que hoje servem ao Firefox)

Portanto, culpar o Internet Explorer pelo fracasso da Netscape não passa de falácia e bode expiatório da "comunidade".

Saudações.

Ricardo Carvallho disse...

marcos
Se eu errei quero que você cite todos os meus erros e não um apenas, talvez tenha de fato errado e todos nesta discussão merecem saber onde eu errei, não para desacreditar ninguém, mas paraelucidar a questão.
Eu discordo de você, a Netscape fez diversas ações contra a Microsoft pois esta incluiu o Internet Explorer no sistema operacional que vendia, mas a Netscape nunca fez ação alguma contra a Sun, Microsoft, Red Hat ou qualquer outra companhia por incluir servidores Web junto com o sistema, se eu seguir a sua lógica eu terei esta situação: a companhia não fez caso algum de ver concorrentes incluir tecnologia que podia minar sua lucratividade e fez um estardalhaço por um produto de onde ela nem queria tirar lucro.
É o mesmo que afirmar que a Microsoft não quer tirar lucro do uso Internet Explorer por ser um software gratuito, se fosse assim a Microsoft não teria gastado dinheiro em 1995 para convencer os usuários a mudar do Navigator para o Internet Explorernuma campanha de marketing que foi altamente eficaz. Dá pra comparar a idéia de que software só pode dar lucratividade se for vendido com o bulionismo, riqueza só existe se existir ouro, apesar disso eu acredito que os softwares mais lucrativos são os que são vendidos, não vejo como um jogo pode lucrar sendo dado de graça, foi Adam Smith quem escreveu uma bela obra refutando o bulionismo, e o seu filho, o mercantilismo.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caros discutidores,

Eu quero agradecer a todos que, discordando ou concordando com minhas idéias, têm discutido o assunto em alto nível.

Quero dizer que me sinto honrado com as discussões que estão se processando em meu blog, algumas das quais os discutidores se mostram muito mais entendidos que eu no assunto técnico específico.

Parabéns a todos e, por favor, continue a discussão.

Cordialmente,

Antonio Emilio.

Pedro disse...

Ricardo de Carvalho,
Eu digo que esse navegador de código-aberto é esquerdista porque quase todos os que o defendem têm um discurso contra a MS que é esquerdista, e elogios tão emocionais e idiotas a ele que na maioria das vezes tem algum argumento esquerdista no meio. Para você ter uma idéia: ele não é o navegador mais rápido, não consome poucos recursos, não é o mais seguro, não é o mais customizável, não é o único com addons e a MS não 'roubou' o símbolo do RSS Feed dele.

Ricardo Carvallho disse...

Os detalhes do ícone de RSS estão aqui. O que alguns te falam que foi "roubo", e já me encheram o saco com isso também pois o Opera, o navegador que eu uso, usa o mesmo ícone, foi na verdade uma ação para facilitar a vida dos usuários e desensenvolvedores em que ambas as partes participaram com o mesmo objetivo. Tem gente que realmente pensa que o objetivo de alguns projetos por aí afora é lutar a Microsoft...
Comecei a carta que eu tento explicar algo sobre o movimento de software livre, eu vou publicar ela aqui como um comentário em alguns (espero 4 ou 5) dias, o conteúdo dela será sobre software livre e propriedade intelectual principalmente, fazendo alguns comentários sobre software livre e seus diversos tipos de usos em ambientes comerciais.

Marcos disse...

Ricardo Carvallho,

não há o que discordar, pois eu não emiti opinião alguma. São _FATOS_.

Você está se enganando historicamente: a Netscape somente entrou com recursos na justiça após ser fagocitada pela AOL/Time Warner, em 1998. Antes disso, ela era uma empresa independente que o que mais importava para ela era lucrar com um Web Server, e quanto mais se comoditizavam os navegadores (mesmo que fossem de 'concorrentes'), melhor para ela, pois assim ela vendia mais servers. Isto foi assim desde o início (verifique). Tanto foi que resolveram abrir os fontes do Navigator, mesmo quando este ainda dominava 70% do mercado de browsers!

A mesma lei econômica dos complementos (que você quis ignorar) vale para o Windows: se o Internet Explorer é dado 'de graça' com o sistema operacional, o custo de um PC para aquele cidadão que quer navegar na Internet cai, e assim vende-se mais licenças de Windows, lucrando-se indiretamente.

Quanto aos teus outros erros, não convém ficar citando um por um. O professor já os descartou de forma sensata pois não tinham nada a ver com o assunto.

O nosso foco principal aqui é o alinhamento esquerdista existente no discurso da Free Software Foundation. Por mais que se tenha tentado poluir a discussão com dialéticas confusas, _ninguém_ até agora conseguiu refutar isto.

Saudações,

Pedro disse...

Marcos, só uma pergunta:
Como a Fundação que ficou com o código da Netscape ganha dinheiro com seu navegador 'gratuito'? Também é com servidores ou ela é sustentada pelo Google?

Marcos disse...

Pedro, a Mozilla é uma fundação sem fins lucrativos e é sustentada através de doações e vendas de artigos (camisetas, etc) no site. A AOL, por exemplo, já doou US$2mi.

Portanto, ela não gera dinheiro diretamente com venda de softwares.

De maneira semelhante, a Free Software Foundation recebe fundos da mesma forma.

Ricardo Carvalho disse...

marcos,

Entendi. Eu estava errado mesmo, obrigado por explicar. Só não entendi a outra explicação que você me deu, o fato de o Internet Explorer vir junto com o Windows faz o preço do hardware (PC) baixar? Como isso?

A carta que eu prometi já era, ela ficou muito grande para entrar nesta discussão e eu tenho de estudar para uma prova substituta, então vou colocar as partes dela pertinentes a discussão.

Como eu já disse qualquer tipo de software, com algumas poucas exceções, não vem com bagagem política junto, você não é obrigado a compartilhar da religião, posicionamento ideológico ou gosto do criador do software. Isso todos já sabem. O que acusam de ser esquerdista no software livre é o meio de tratar da propriedade intelectual. Mas esta política é exatamente a mesma de todo o tipo de software, o escritor original é o detentor do código e só ele pode fazer exceções aos termos da licença do referido software, o que muda entre um software livre e um proprietário é maneira de tratar o usuário, no livre não há licenciamento, publicando o seu código os usuários são tão donos do código quanto você e a única limitação que ele tem é a de não alterar a licença do software a não ser que a licença permita e outra limitação ao desenvolvedor, a de que mesmo parando de liberar o software sob uma licença livre ele não vá perseguir quem distribua as versões liberadas sob uma licença livre, licenças que não autorizam o fechamento do código são a GPL (General Public License) da FSF, a MPL (Mozilla Public License) da fundação Mozilla, a CPL (Common POublic License) da IBM e a APSL (Apple Public Source License) da Apple, e licenças que autorizam: a BSD (Berkeley Software Distribution) da Universidade da Califórnia em Berkely e a APL (Apache License) da fundação Apache. Como eu disse se a licença não permite o fechamento do código o único jeito de obter este fechamento é pedir ao dono (o detentor do direito autoral) do código, o mesmo vale para software não-livre, que geralmente não vem com o código, se você pedir e a Adobe aceitar você pode usar o código do Photoshop desde que obedeça as limitações que lhe serão impostas pela Adobe pelo uso deste software, os diversos programas de Shared Source, como os da Microsoft e da Sun, permitem o uso de código sob algumas restrições. Não há nada de diferente nesse tipo de licenciamento em relação ao chamado software proprietário.

Há coisas que devem ser levadas em conta quando se fala de software livre, quando Stallman falar algo, por exemplo contra o uso de patentes de software, deve se levar alguns fatores em conta: Stallman não é um papa (e para muitos ele é hoje algo indesejado) e que a comunidade de usuários e desenvolvedores não é uma igreja que tenha um livre sagrado (como o Manifesto GNU que foi discutido no artigo).

Só por que Stallman escreveu algo esquerdista, e ele é bem esquerdista, entrem na página oficial dele para confirmar, a comunidade de software livre é esquerdista por inteiro é para mim tão estranho quanto o discurso dos terceiro-mundistas que falam de "capitalismo internacional", ignorando completamente que existem empresas competindo no mercado e que elas tem a intenção de lucrar e nada da balela de exploração que todos vocês já estão acostumados.

Bom é isso, eu estou pronto para tentar responder dúvidas na medida que meus estudos permitirem.

Ricardo Carvalho disse...

Este texto acima está errado:
Não há nada de diferente nesse tipo de licenciamento em relação ao chamado software proprietário.

O certo é:
Não há nada de diferente entre software livre e o chamado software proprietário no que diz respeito a propriedade intelectual.

desculpem pelo incoveniente.

Pedro disse...

Ricardo de Carvalho,
Ninguém aqui falou que todos os que defendem o software livre concordam com o Stallman. O que se disse é que se a base desse movimento é um manifesto lançado por esse Richard, uma empresa que lançasse o seu software teria de fazer outro manifesto se não concordar com ele.
Porém, há mesmo licenças que não seguem o estilo GPL, como a BSD, que trabalha em computadores da Apple; e a do Apache. Bom, há também o código PHP, que é gratuito mas tem uma série de iniciativas para funcionar melhor no Windows. São softwares livres que não vão 'forçar a liberdade' de proprietários. É importante notar então que o documento analisado pelo professor Antônio Emílio não fundamenta todo o movimento, essa é minha opinião.

A propósito: é claro que a FSF é comunista; e o linux também.

Marcos Ludwig disse...

Não, Ricardo, eu considerei o PC como sendo um conjunto de hardware e software. Ou seja, me referi ao custo total. Portanto, isto faz baixar o preço do conjunto inteiro, e não o do hardware.

Para uma melhor referência, sugiro a leitura deste ótimo texto do Joel Spolsky.

Grato pela compreensão e pelo espaço cedido pelo Araújo. Saudações,
Marcos Ludwig

Afonso Sampaio disse...

Software gratuito é uma iniciativa comunista, e eu não a defendo, assim como o linux. Mas não adianta dizer que o uso de copyrigths para os desenvolvedores de software ia resolver alguma coisa. O copyright não é uma característica do mercado, mas estatal. Se eu compro um produto qualquer, como um programa em Cd-Rom ou um CD, eu tenho o direito sobre o que adquiri: meu direito de propriedade é o de madar as músicas pela internet, por exemplo. Já o o copyright é um segundo direito de propriedade, que não apenas se soma, mas viola o primeiro. Infelizmente, os que costumam criticar esse mecanismo fazem isso enquanto defendem, como Richard Stallman, a socialização do software ou de outras mercadorias. Não concordo com isso, e também lamento que o nome do outro mecanismo diferente do copyright seja copy...left.

Marcos, espero que não me chame de leninista de novo...

Marcos disse...

Não, não vou te chamar de leninista, Afonso. :-)

Mas infelizmente você se equivoca novamente. Copyright não viola direito algum.

O que existe é uma ignorância (proposital, embora talvez seja inconsciente) do consumidor sobre até onde vão os limites dos direitos que adquire ao comprar uma obra autoral. E estes direitos, por exemplo, não contemplam a ação de "mandar as músicas pela internet" deliberadamente.

Richard Stallman concorda contigo quanto a isto, e utiliza de um expediente dialético para esconder as inconsistências de sua lógica: ele mistura um discurso pseudomoralista de que o copyright infringe a liberdade de "compartilharmos" com os amigos as obras que adquirimos.

Nas palavras ditas por ele no documentário Revolution OS: "Para ter o sistema proprietário, você tem que assinar uma promessa de que você não irá compartilhá-lo com ninguém. E para mim isto é essencialmente uma promessa para ser uma pessoa má, para trair o resto do mundo, te cortando da sociedade de uma comunidade cooperativa".

[ Perceba o tom exagerado e declaradamente subjetivo do discurso nos grifos que fiz. ]

Esse discurso é cruel e covarde. Basta repeti-lo a qualquer pessoa alheia ao desenvolvimento de atividades intelectuais e com sua mente em estado puro quanto a qualquer opinião a respeito, e está feito o estrago -- Stallman captura o interlocutor pela emoção, e não pela razão -- uma característica típica do esquerdismo.

Dentro da concepção de Stallman, "compartilhar" uma obra intelectual que você compra significa simplesmente entregar uma cópia dela para cada amigo seu. Stallman e toda a corja do "maoísmo digital" faz questão de esquecer um detalhe: você pode muito bem compartilhar as obras de outras formas, seja emprestando o seu computador para o amigo utilizar o software, seja chamando-o para escutar o CD ou assistir o DVD na sua casa, a partir das mídias originais.

Afonso, você ainda disse: "O copyright não é uma característica do mercado, mas estatal". Isso é um absurdo. Se você compra um produto sob leis de copyright, você implicitamente concorda com um contrato. Se você não concordasse, você não compraria. É uma relação de livre escolha entre você e o vendedor. Isto é mercado. Quando o Estado impõe regras nesta relação, aí sim, se torna uma característica estatal.

Saudações,
Marcos Ludwig.

Ricardo Carvalho disse...

> Software gratuito é uma iniciativa comunista.

Por que? Comunismo, até onde eu sei significa que existe uma "propriedade comum" dos "meio de produção"*, no que o software gratuito ajuda com isso? Até onde sei acontece o contrário, alguns softwares gratuitos ajudam com o desenvolvimento do mercado, sendo esta ou não a intenção do autor.

*eu ainda não sei o que um comunista define como "meio de produção", uma vez eu perguntei a um dito comunista se uma fábrica de panetone caseiro seria meio de produção, ele pensou e disse que não, mas eu retruquei que se produz algo lá e perguntei como um meio que produz não era um meio de produção. Ele falou para mim ler "O Capital", eu nem não me dei ao trabalho de fazê-lo. Eu também não sei o que é "propriedade comum", para mim existem apenas dois tipos que são a propriedade privada e a propriedade pública (ou domínio público).

Afonso Sampaio disse...

Marcos,
O direito de propriedade de quem faz uma mercadoria não vale para as possíveis cópias que o seu comprador fizer dessa mercadoria com seus próprios recursos. No caso do CD, a produtora fez o próprio CD e não a música que eu mandaria pela internet, não tendo sobre a última o primeiro direito de propriedade.

Não estou defendendo a pirataria, nem a falência de produtoras: o que eu disse é que o copyright é uma característica estatal, exatamente porque são os legisladores que o adicionam a uma mercadoria para não deixar, por exemplo, uma empresa falir. É uma proteção ao produtor, na minha opinião. E você sabe que regime mais protege o produtor...

O lucro com as cópias feitas pelo comprador seria pirataria. Nesse caso, eu defendo alguma legislação.

Eu não concordo com o Stallman, e espero que ele não concorde comigo, porque eu não acho que os softwares devam ser forçados a ser compartilhados. Se um cara resolver fazer um e compartilhar, aí eu não sei...

Você aceita um copyright num contrato, mas ele continua sendo característica estatal. Você a aceita, mas ela ainda viola seu direito.

Ricardo de Carvalho,
Software gratuito é uma iniciativa comunista a não ser que o desenvolvedor faça isso por acordo com uma empresa de hardware, por ódio à Microsoft, para treinar
ou para... compartilhar. Ou então, vai se sustentar nos impostos.

Propriedade comum é mais ou menos nenhuma para quem não está na nomenklatura e toda para quem está.

Pedro disse...

Saiu na Veja:

"Computador para Todos acabou em pirataria 18/11/2006 14:14
O Computador para Todos, criado há um ano pelo governo para facilitar a compra de máquinas pelas classes C e D, estimulou a pirataria ao obrigar o uso do software Linux nos computadores.

É o que mostra um estudo feito pelo Ipsos para a Associação Brasileira das Empresas de Software, que será divulgado na terça-feira: 73% dos que compraram o produto trocaram o Linux pelo Windows (na maioria das vezes pirata) em no máximo um mês. "

Impressionante a qualidade do linux... É por isso que eu digo que esse sistema não foi feito para o consumidor, mas para gurus.

Marcos disse...

Afonso, existe uma clara confusão nos teus conceitos. Talvez numa tentativa de manter coerência entre suas crenças pessoais e algumas verdades aqui discutidas, inconscientemente você distorce os significados.

É compreensível, então, que você chame isto de meramente uma opinião pessoal e, assim sendo, é inútil continuar debatendo no terreno da subjetividade.

Saudações,
Marcos Ludwig

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caros debatedores,

A propriedade intelectual não é um tipo de propriedade diferente. A própria adjetivação de propriedade é um truque para nos desviar do conceito fundamental.

Coloquei num post no blog um trecho do livro de Luis Pazos onde ele decifra a origem remota das primeiras propriedades. Elas eram os instrumentos construídos pelos homens primitivos. Ora, instrumentos são o exatamente os softwares modernos. Portanto, quem adjetiva a palavra propriedade já caiu na malha esquerdista, mesmo que não se ache esquerdista ou que tenha horror ao esquerdismo. Aliás, esta técnica de nos prender em conceitos esquerdista sem darmos conta, é uma técnica gramsciana das mais eficazes.

Quanto ao fato de a propriedade intelectual ter uma dependência com o Estado, isso não é nada surpreendente. Pois, toda a propriedade tem alguma coisa a ver com o Estado. Se não por outras razões, porque o Estado é quem garante (ou não) o direito à propriedade. Todo conservador deveria saber disso.

Como diz Luis Pazos "a propriedade é a liberdade de usar, vender ou consumir um bem". Veja que aí não se diz "copiar" um bem e depois vender a cópia (ou desfrutar da cópia de outra maneira).

Um abraço a todos.

Antonio Emilio.

Afonso Sampaio disse...

Marcos,

"Afonso, existe uma clara confusão nos teus conceitos."

Em quais?

"Talvez numa tentativa de manter coerência entre suas crenças pessoais e algumas verdades aqui discutidas, inconscientemente você distorce os significados."

Bem psicanalítico. Mas não sei de qual parte do texto você concluiu isso.

"é inútil continuar debatendo no terreno da subjetividade."

Vou argumentar mais.

Antônio,

"A propriedade intelectual não é um tipo de propriedade diferente. "

Eu disse que a propriedade de uma mercadoria que eu comprar (como um CD) não é de quem o fez, e que, sem a medida estatal, o mesmo se diria de uma cópia que eu fizesse. Ou seja, que a mercadoria seria de minha propriedade nos dois casos.

"Quanto ao fato de a propriedade intelectual ter uma dependência com o Estado, isso não é nada surpreendente. Pois, toda a propriedade tem alguma coisa a ver com o Estado. Se não por outras razões, porque o Estado é quem garante (ou não) o direito à propriedade. "

(Se os empresários entendessem isso, não puxariam tanto o saco do PT...).
O copyright é uma ferrmenta estatal. Não é por isso que eu pediria pelo fim da dependência da propriedade às instituições que a garantem.

""a propriedade é a liberdade de usar, vender ou consumir um bem". Veja que aí não se diz "copiar" um bem e depois vender a cópia (ou desfrutar da cópia de outra maneira)."

A propriedade da cópia é de quem fez o a mercadoria copiada. Mas isso só é assim porque quem a fez tem a propriedade intelectual. Eu não nego essa propriedade, apenas digo que ela viola a de quem comprou a mercadoria. Não é porque ela é adjetivada, ou porque é diferente, mas porque a cópia que alguém faz não é dele.

Além disso, o copyright é característico da falta de confiança em uma sociedade, pois quem vende não confia em quem compra e desse modo usa uma medida estatal para proteger sua mercadoria. Isso pode terminar em abusos, e já houve alguns.

Bom, a confiança mútua é uma das bases do capitalismo. Isso não é uma opinião, e não é inútil dizer isso.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Marcos,

Acho que você matou o problema. Está-se confundindo mídia com informação e não se quer admitir que informação tem dono. É como se ela surgisse do ar, sem mais nem menos.

Confunde-se confiança com apropriação ilegal de propriedade. No capitalismo a única confiança que se exige é no cumprimento do contrato, nada mais. E o contrato é voluntário. Ninguém obriga ninguém a comprar um determinado software proprietário. Se se compra, aí tem de se cumprir o contrato. It is that simple!

Antônio Emílio A Araujo.

Afonso Sampaio disse...

Antonio,

A confiança de que eu estou falando é a que haveria num contrato sem uma ferramenta do Estado. Não para que o comprador se apropriasse da informação, mas porque o vendedor confiaria nele, sem se proteger de uma cópia.

Pedro disse...

Da Internet Week:

07/04/2006 15:05

"Uma empresa Russa de segurança anunciou nesta sexta-feira que encontrou um vírus que pode infectar PCs rodando tanto o Windows como o Linux.

Chamado como "Linux.Bi.a" e "Win32.Bi.a", o malware com dupla personalidade não causa nenhum dano. Ao invés disso, informou a Kapersky Labs em Moscou, é uma prova de conceito que visa demonstrar que a criação de vírus multi-plataformas é possível."

O linux não é fácil de usar, não tem qualidade parecida com a do Windows, não é de graça e pode ter vírus!

Marcos disse...

Afonso! O papel coercitivo do Estado está previsto no Liberalismo!

Não seja tão teimoso em desafiar a lógica! :-)

Por curiosidade, de onde você tirou este trecho onde diz que "copyright é característico da falta de confiança em uma sociedade"?

É bem parecido com o discursozinho (também esquerdista) do Creative Commoms.

Marcos Ludwig

afonso sampaio disse...

Marcos, eu não nego o poder coercitivo do Estado, não disse que não há propriedade intelectual, apenas que o copyright é uma característica do Estado para proteger o vendedor de uma cópia. Isso é porque o vendedor não confia no comprador, e não tirei esse discurso da Creative Commons. Só disse que isso pode acabar em abusos estatais.

Caramba, você diz que eu inconscientemente distorço conceitos, desafio a lógica, mas não diz em quais trechos! O senhor Antônio achou as premissas de que eu confundo mídia e informação, e que acho que informação não tem dono. Não são minhas premissas. Se você disser quais os meus pressupostos confusos, poderei responder.

Ricardo Carvalho disse...

Vou fazer um comentário sobre diversos assuntos que surgiram desde o princípio da discussão.

> "E mais, o controle de qualidade e praticamente inexistente"

Eu acho um tanto presunçoso afirmar que todo o projeto porque é livre é assim, eu jogo este mesmo argumento quando alguns falam que software proprietário é mais inseguro que aberto, para alguém falar isso eu imagino que ele deve ter testado todos os sitemas (proprietários ou livres) mundo afora para poder ter tirado esta conclusão, a segurança e estabilidade no software está muito mais ligado em como o desenvolvedor trata a questão, exemplos: o IIS, servidor Web da Microsoft tem menos bugs, em todas as versões, que o Apache, também em todas as versões, isso porque a alguns anos atrás a Microsoft optou por um modelo de desenvolvimento que prioriza a segurança, que eu acho, deveria ser o modelo padrão para qualquer tipo de desenvolvimento de software. Outro exemplo: o Internet Explorer, o Firefox, o Safari da Apple e o Konqueror do KDE (estes dois últimos baseados no mesmo código) todos eles tem bugs em aberto e problemas de estabilidade (salvo o Safari no que diz respeito a estabilidade, pelo menos eu nunca tive problemas), a Opera Software (que faz o Opera outro navegador) tem uma maneira diferente de tratar bugs, se eles aparecem ela os remedia rápido, coisa que nem a Microsoft, nem a fundação Mozilla, nem a Apple fazem. Segurança e estabilidade derivam principalmente de quatro fatores: o conhecimento do usuário para lidar com a questão, o modelo de desenvolvimento do software, o modo de uso do software e a quantidade de usuários de uma plataforma (o número de ataques/malwares e outros é proporcional a quantidade de usuários da plataforma).

> Sobre a discussão de propriedade (muita coisa para colocar aqui)

A discussão de que o modelo atual de propriedade intelectual é ultrapassado ou que é um imposição estatal não é de hoje, na internet se acha muito dessa discussão (geralmente em inglês), inclusive indivíduos e entidades conservadoras e liberais (liberal no uso de Hayek) discutem isso. O copyright começa no início do século XX com o advento do contrato compulsório para tornar um trabalho algo mais fácil de ser explorado comercialmente e assim reduzir a necessidade de se negociar um contrato toda vez que alguém adquire esse trabalho, quando você compra um trabalho intelectual você deve obedecer este contrato e caso não goste você tem duas escolhas: não comprar o trabalho ou negociar um novo contrato com o detentor do direito, que pode ou não aceitar os seus termos.
Se este trabalho for distribuído por uma mídia você até pode fazer cópias para por exemplo preservar a mídia original (isso é legal, é proibido se fazer uma cópia e DISTRIBUIR) se a mídia de um trabalho se gastar com o tempo, mas essa nova mídia (assim como a anterior) dever ser apenas para seu uso e não pode ser distribuída. Não há nada de errado com esse modelo, isso não foi algo imposto pelo estado no princípio foram entidades e pessoas que planejaram esse modelo e outros foram adotando ele com o tempo por suas vantagens, o estado não forçou ninguém a adotar este modelo, você pode liberar o seu trabalho sobre o modelo que você quiser e tem gente que faz isso, o software livre é um exemplo disso, mas veja que o software livre também vem com um contrato compulsório a se cumprir que é a licença do software, nenhum dos chamados modelos de licenciamento altenativo porém pede para você entrar num estado de desobediência civil em que tudo que o estado impõe deve ser ignorado. Por isso eu disse que o modelo de software livre ou qualquer software distribuido sobre qualquer licença que seja considerada livre não tem nada de esquerdista, qualquer modelo de licenciamento não tem nada de esquerdista, afinal o autor original tem o direito de colocar o trabalho sobre qualquer contrato que quiser e ninguém pode acusá-lo de nada por fazer o uso da propriedade dele da maneira que ele achar correta, agora se a propriedade é alheia ninguém tem o direito de usar a não ser com a devida permissão do autor, o que na maioria das vezes exige um contrato compulsório. Uma coisa que eu sinto que grandes fundações liberais e conservadoras tem fugido de discutir é o fato de que alguns indivíduos e organizações querem estender o período para que um trabalho entre em domínio público, e já fizeram isso nos Estados Unidos, essa discussão está quente no Reino Unido (onde parece que isso não vai acontecer), eu considero isso imoral, pois também existe um contrato compulsório para que alguém deixe de explorar comercialmente um trabalho, se alguém achar esse contrato ruim e quer estender o período de exploração comercial que faça um novo modelo onde isso seja permitido antes de publicar o trabalho e não que faça lobby para se alterar a lei 5 anos antes do trabalho entrar em domínio público, a discussão vale a pena, mas os coservadores andam fingindo que isso não acontece, não sei se por ignorância ou de má fé, creio que por ignorância.

> Pirataria

Pedro eu não li a Veja (que eu considero uma revista inútil, eu recomendo a todos a National Review), e não vou acusar a Veja de nada, vou discutir a pirataria e o modelo de computador popular do governo federal. Eu não sei como este modelo do "Computador para Todos" funciona, não sei se há subsídios governamentais ou não ou se há diminuição da carga tributárioa para empresas participantes, acho que este programa é imoral, para se produzir um computador por um preço razoável bastaria diminuir as altíssimas taxas de importação que existem no Brasil. Sobre pirataria a coisa é complicada, se o computador viesse sem sistema operacional os usuários provavelmente instalariam software pirata, se viesse com um sistema OEM (que eu considero uma prática imoral, vender a licença e não dar uma mídia de distribuição junto, se o usuário precisar ou quiser reinstalar o sistema deverá comprar uma licença nova) a primeira pane que der ele talvez vá chamar aquele amigo que entende mais que ele de informática e que pode (re)instalar software pirata no computador dele, se você der a mídia, nada vai garantir que ele empreste a mídia a outra pessoa pensando que o software permanece original no computador dele e no da outra pessoa e se você der só o sistema para ele (como é comum), nada vai garantir que ele compre algum outro software pirata (tipo MS Office, Photoshop, Antivírus, Jogos ou outros). Parece que os fabricantes de PCs fingem que nada disso é possível, não distribuem nem sequer um folheto educativo sobre o assunto, não parcelam o preço de softwares que o usuário quer no preço da do computador e nem explicam as limitações da licença (um mantra na defesa do software original é que ele dá garantia, balela, nenhum software dá garantia, geralmente isso está escrito no contrato em letras garrafais, a melhor defesa é que você não vira um criminoso ao adquirir um produto original).

Desculpem pelo comentário enorme.

Pedro disse...

Ricardo de Carvalho,
"Pedro eu não li a Veja (que eu considero uma revista inútil, eu recomendo a todos a National Review) "
A Veja é mesmo uma bosta, e tem de anti-petista o que tem de anti-americana. Só citei a notícia porque o assunto era a qualidade do linux.

"Eu não sei como este modelo do "Computador para Todos" funciona, não sei se há subsídios governamentais ou não ou se há diminuição da carga tributárioa para empresas participantes"
Nem uma coisa nem outra. O computador para todos é simplesmente um Celeron 310 com 128 mb de Ram, que deveria custar R$800,00 mais foi para 1400 para ser 'regularizado'.

"Sobre pirataria a coisa é complicada"
É. Mas se 73% dos compradores de um computador com linux o trocam por Windows, disso se conclui que o Windows é mais fácil de usar, e é preferido ao outro sistema operacional.

Marcos disse...

Céus! É espantoso como uma desinformação acaba se tornando uma "verdade" pra muita gente!

Ricardo, licença OEM não tem nada de "imoral". Você que entendeu errado ela.

Você não precisa comprar outra licença para reinstalar o sistema. Basta ter uma cópia do CD de instalação e utilizar o seu serial OEM (que muitas vezes vem impresso no próprio PC). Isto não é pirataria. É totalmente legal.

Ricardo Carvalho disse...

> o Windows é mais fácil de usar...
De fato. E pra concluir o comentário eu ainda acho que o preço de software que o usuário quer usar deveria vir no preço do parcelamento do computador, com exceção ao caso de que as empresas não permitem que seu produto seja distribuido junto com o sistema, já vi certos computadores que vem com o Microsoft Works ou OpenOffice instalado, mas o usuário não quer isso ele quer é o MS Office, eu acho que para dar uma ajuda no combate a pirataria deveria haver a opção de ele comprar o Office junto.

> Céus! É espantoso como uma...
Novamente de fato.
Aqui estão os devidos direitos das licenças OEM, sem falar que eu não citei que quando o usuário não recebe uma mídia de instalação (caso dos PCs da HP e da Dell sevocê não requisitar um CD) geralmente os arquivos para se reinstalar o sistema estão em alguma partição do disco rígido, o que não se pode numa instalação OEM (e foi daí que veio a confusão, eu li a algum tempo e não lembrava dos detalhes) é reinstalar o sistema em outra máquina (depois de deletar a cópia antiga), como no caso de uma cópia de "caixinha)".

Desculpem pelo transtorno.

Pedro disse...

A propriedade intelectual é exatamente o que se questiona quando se fala em linux. Porque, se um desenvolvedor usa uma linguagem para programar um sistema operacional, as informações dessa linguagem são dele. Os direitos de propriedade são garantidos pela autoridade jurídica, para evitar infrações deles, como a cópia de informações (o que seria pirataria, ou em português claro, roubo). O Estado interviria com mão pesada no caso de proteção ao desenvolvedor, mas não ao garantir o direito dele, e sim ao financiar o sistema operacional. É isso que diz o manifesto, e é isso o que se questiona no movimento do software livre: a coerção ao compartilhamento não é moral, é um desrespeito tremendo à propriedade intelectual. Esse software, que tem entre seus programadores uma maioria que odeia a indústria, e cujo desejo é destruí-la, não diz, senão brevemente, que quem pagará por esse 'bota-abaixo' seremos nós.

Jack Ripoff disse...

Olá sr. Angueth,

Antes de mais nada deixe-me pedir desculpas por reviver este assunto tanto tempo depois - gostaria de ter tido a sorte de encontrar seu artigo muito antes. Quero também dizer que sua crítica ao Stallman é genial.

Permita-me entretanto esclarecer alguns pontos que talvez não sejam de simples entendimento para um leigo em informática. Meu objetivo é deixar claro que o Stallman e sua "filosofia" (como ele mesmo gosta de dizer) não representam o conceito de software livre (que ele transforma em "movimento") em sua integridade.

Desculpe-me se falo anonimamente. Não é por mais nada senão segurança. Trabalho com TI (e com software livre), mais especificamente com segurança da informação, e se posto anônimo (contra minha vontade) é pela segurança dos meus clientes. Não é privilégio seu: todos os sites em que comento, o faço anônimo.

Vou ao que interessa tentando ser breve: em primeiro lugar, não foi Richard Stallman que criou o software livre. Na melhor das hipóteses ele só inventou o nome. Na verdade, software livre é a maneira natural de se desenvolver software. Fazia-se assim nos primórdios, muito antes de Stallman aparecer. A metodologia de desenvolvimento só foi mudar nas décadas de 70 e 80 (e somente entre as empresas) devido aos altos custos dessa metodologia (os altos custos têm a ver com a complexidade crescente do software) e à influência cada vez maior das novas empresas que desenvolviam software (DEC, Microsoft, Apple). Explico: software nunca foi desenvolvido exclusivamente por empresas, era (e ainda é) um interesse acadêmico também.

Mas o meio acadêmico continuou preferindo software livre (por motivos que eu considero óbvios) e, com o advento da Internet, o problema do custo alto de se desenvolver software livre morreu. Nasce então, na década de 90, no meio acadêmico, o Linux - que nada tinha a ver com o famigerado GNU.

O Linux veio a unir-se com o GNU pois era a única peça que faltava para o projeto do sistema operacional de Stallman, mas os dois ainda hoje são projetos separados. Entretanto, o Linux usa a famosa (e que tanto dano causou ao software livre - em outra ocasião explico) licença de software criada pelo Stallman, a GPL.

Esta nota histórica nos ajuda a situar as coisas e a dar nomes aos bois: software livre não é uma "filosofia" ou uma "ideologia". Isto é uma corrupção. Na realidade é um modelo de desenvolvimento de software - e extremamente eficiente. O software livre em geral, até mesmo o que é desenvolvido sob a mentalidade esquerdista de Stallman, é comprovadamente superior em muitos aspectos a muitos de seus concorrentes proprietários (esta expressão é errada por alguns motivos mas eu a uso por facilidade) e é largamente utilizado pela indústria (há obviamente exceções). Alguns afirmam que um projeto de software livre não tem direção definida. Bom, uma coisa não tem relação com a outra. Conheço uma dúzia de projetos de software livre que tem e outra dúzia de projetos de software proprietário que não tem. Isto depende na verdade da gerência do projeto. Outros dizem que não há controle de qualidade. Erram o alvo de novo, há muito software proprietário de péssima qualidade e muito software livre de ótima qualidade.

Quero ressaltar que há estudos (antigos e novos) que me dão respaldo, comprovando a qualidade do software livre, e que não os cito somente por brevidade, mas posso citar se desejarem. De todo modo, isto é para mostrar que o documento de Stallman não fundamenta nada senão seus próprios projetos e que software livre é uma metodologia de desenvolvimento de software que funciona muito bem graças à Internet.

Continuo em outro post devido ao limite de caracteres.

Jack Ripoff disse...

Continuando, a preferência minha e de muitos a este modelo deve-se não só aos motivos já citados mas também porque, para nós programadores, o software livre nos dá controle total sobre ele. Se ele tem um problema que me incomoda, eu posso corrigir e não fico dependendo da boa vontade de uma empresa (o que é péssimo, muitos produtos proprietários possuem problemas que levam anos para serem corrigidos). Se eu quero que ele faça algo que ainda não faz, eu posso mudá-lo. Não se tratam de motivos morais ou ideológicos, são motivos práticos, técnicos e econômicos.

Não me oponho aos direitos autorais de software (que são muito mal-compreendidos pelos defensores cegos da "filosofia" de Stallman, podiam ao menos estudar um pouco de legislação) - pelo contrário, eu os utilizo. Somente ao conceito de patentes de software é que me oponho, e para isso me apóio em nada mais nada menos do que Thomas Jefferson. Se desejarem posso explicar melhor.

Boicoto sim a algumas empresas de software, mas não porque produzem software proprietário, e sim porque desrespeitam os consumidores e/ou produzem software mau. A Microsoft por exemplo, cresceu e construiu toda sua fortuna de software com base em software roubado da DEC. Muitos associam seu sucesso com a qualidade de seu software, mas infelizmente isso não segue: é fruto de estratégias que, se não ilegais, são ao menos desonrosas, e de muito, muito marketing.

Não lhe dei ainda um exemplo de um projeto de software livre oposto ao Linux e ao GNU, que não use a mesma licença e não se fundamente sobre os mesmos documentos ou sobre as idéias bolchevistas. Bom, existem muitos: X.org, PHP, Python, Ruby, PostgreSQL, etc. etc., só para citar alguns.

Todos de alta qualidade e amplamente utilizados pela indústria. Só para finalizar citando o meu favorito, cito o sistema operacional OpenBSD. Meu favorito por alguns motivos: eu o utilizo muito (e por conseguinte muitos de meus clientes); ele é indiretamente usado por todos os usuários do Linux, do GNU, do Windows, do Mac (pois contém muito código retirado dele) e, consequentemente, por praticamente todo mundo que utiliza a Internet; é de altíssima qualidade, muito focado, seguro e bem desenvolvido (pois sofre um controle de qualidade rigoroso e, que eu saiba, sem paralelo) e utilizado inclusive pelos militares nos EUA; e porque ele é o exemplo perfeito de tudo o que falei. Não acredite em mim, visite o site e conheça o projeto você mesmo.

Espero ter podido deixar mais claros alguns pontos da discussão que, infelizmente, por brevidade não disseco mais a fundo; e espero dissipar qualquer "preconceito" ou engano que possa surgir contra o software livre em geral por culpa dos marxistas infiltrados...

Fico por aqui, deixo meu e-mail no campo URL e meus melhores desejos!