quarta-feira, agosto 21, 2013

Papa Francisco e o pelagianismo; ainda resta um mistério.

O Papa Francisco, nos informam as folhas, disse: “Convencer os outros para que se tornem católicos? Não, não e não. Vá encontrá-los, eles são seus irmãos. Isso basta. E vá ajudá-los, o resto fica por conta de Jesus e do Espírito Santo – disse”. 
 
Isso o Papa disse em relação aos pobres, no dia de São Caetano, 7 de agosto. São Caetano é co-fundador da Ordem dos Teatinos, cujos objetivos eram: a santificação própria, o combate à tibieza e à ignorância do clero, a regeneração dos costumes da sociedade, a observação escrupulosa das cerimônias litúrgicas, o restabelecimento do respeito e reverência na casa de Deus, o extermínio das heresias [neste caso, o luteranismo], a assistência aos doentes moribundos. Bem, lendo esta lista, não é difícil admitir que São Caetano não concordaria com a afirmação do Papa Francisco. Em tudo o que ele fez, podemos sentir o fogo apostólico a consumi-lo. A Oratio de sua Missa diz: “Ó Deus, que concedestes a vosso santo Confessor Caetano seguir a vida apostólica, dai-nos, por sua intercessão e seu exemplo, confiarmos sempre em Vós e só desejarmos as coisas celestes.” [Negritos meus.] 
 
Sim, São Caetano foi um grande servo dos pobres, coisa a que, suspeito, o Papa Francisco alude em sua afirmação. Mas ele foi também um grande inimigo dos hereges protestantes, coisa que o Papa Francisco não é [por seu ecumenismo pós-conciliar] e por isso, deve ter se esquecido de mencionar. 
 
Bem, mas há outro aspecto da afirmação papal que talvez seja ainda mais importante e grave: ela tem o sabor de pelagianismo. Se não devemos converter os outros, sejam pobres ou ricos, é porque a salvação está garantida a todos (algo que já suspeitei que ele afirmara antes). Se isto é assim, a Obra de Redenção operada por Nosso Senhor não existiu ou foi em vão; isto é pelagianismo!  
 
Ora, que a prática e doutrina pós-conciliar tem sabor de pelagianismo não pode ser negado. Veja, por exemplo, a homilia de um padre em plena comunhão
 
Não estou dizendo que o Papa Francisco é pelagiano. Estou apenas observando que suas afirmações são de tal ordem a confundir, mais uma vez, a todos nós católicos.  
 
Diante desta mais recente afirmação, uma mais antiga fica ainda mais misteriosa!

7 comentários:

Anônimo disse...

Li o texto completo do sermão do Papa Francisco no dia de São Caetano. E neste caso ele nunca afirma que não devemos evangelizar. Ele diz que não se deve fazer caridade para obrigar ou convecer o pobre a ser católico. A caridade deve sempore existir para um irmão que precisa. Ela não é moeda de troca. Devemos agir como samaritano que nem se preocupou em ajudar um judeu seu inimigo. Nada no texto desautoriza o apostolado a não ser quando é recortada só esta frase. Seria bom postar o texto completo para não se fazer injustiça. Francisco Silva de Castro

Antônio Emílio Angueth de Araújo disse...

Caro Francisco,
Salve Maria!

Mande-me o link do texto que divulgarei no próprio post.

Ad Iesum per Mariam.

Cleber Sena disse...

Caro Professor,

Li o texto, mas não concordei com a classificação tais falas como pelagianismo, acredito que as deduções a respeito do pensamento do papa sobre Obra da Redenção possam ter sido feitas de modo temerário pelo caro professor.

Acredito que tal postura do Papa de modo mais objetivo se enquadraria mais no Irenismo, não acha?

Obrigado.

Antônio Emílio Angueth de Araújo disse...

Caro Cleber,

Aceito sua opinião, pois eu também emiti a minha no texto. Não concordo que seja temerário emitir opiniões sobre entrevistas do Papa. Sua falas estão confundindo muita gente, inclusive eu! E a confusão não está em mim, mas nas falas, seja por elas são formuladas sem o devido cuidado, seja porque o Papa esteja mesmo confuso, seja porque ele está convencido do que fala e do que prega, e esta é a pior hipótese.

Não, não acho que seja irenismo; acho mesmo, até que alguém me convença do contrário, que a posição do Papa tem sabor de pelagianismo.

Ad Iesum per Mariam.

Anônimo disse...

Professor Angueth, veja aqui um complicador e tanto: http://guilhermechenta.com/2013/08/11/papa-francisco-i-e-os-catolicos-perplexos-os-paes-nao-se-multiplicaram/

Gederson Falcometa disse...

" E neste caso ele nunca afirma que não devemos evangelizar. Ele diz que não se deve fazer caridade para obrigar ou convecer o pobre a ser católico."

Caro Francisco,

O problema que se vê nos textos e falas do Papa Francisco, é que a pobreza e a caridade, são reduzidas a aspectos meramente temporais. Enquanto desde o Concílio Vaticano II, a pobreza e a fome espirituais são realidades gritantes dentro da própria Igreja Católica.

Em novembro de 2012 fiz a tradução do texto "Verdadeira e falsa caridade" do Padre Curzio Nitoglia, onde ele diz:

"Do Amor a Deus nasce o Amor sobrenatural ao próximo. É preciso ter muita atenção, sobretudo hoje, no distinguir bem a Caridade, Virtude infusa e sobrenatural, do amor natural seja por Deus ou pelo do próximo e com maior razão do “sentimentalismo”, o qual é uma deformação do verdadeiro amor seja natural ou sobrenatural.
A Caridade é a capacidade de amar Deus sobrenaturalmente mais que a nós mesmos e o próximo como a nós mesmos por amor de Deus e não para fazer filantropia". VERDADEIRA E FALSA CARIDADE - http://salveregina.altervista.org/blog/verdadeira-e-falsa-caridade/

Isso me faz pensar em uma certa confusão do Papa Francisco entre caridade e filantropia, como também uma redução da caridade a necessidades puramente materiais. O pobre também tem necessidade de alimento para sua alma. Então, vamos praticar para com ele uma caridade apenas temporal?

Gederson Falcometa disse...

O mesmo artigo, falando do objeto da caridade, diz:

"O Amor de Deus é o objeto primeiro e principal da Caridade, aquele do próximo é o objeto secundário. Mas é preciso ter bem em mente que o Amor de Deus e do próximo derivam ambos da mesma virtude da Caridade infusa, a qual é uma só, mas tem dois objetos, do qual o secundário é o próximo amado porque criatura de Deus, conhecida e amada por Deus ao menos em potência se não vive ainda em estado de Graça santificante.
Então, é por Caridade que devemos desejar que o próximo, ainda que nos tenha ofendido, pertença a Deus em ato pela Graça habitual justificante presente na sua alma. Na verdade, se desejamos que o próximo viva em pecado e separado de Deus, não amaríamos nem sequer a Deus, que quer amar todos e ser re-amado sobrenaturalmente por todos e então, não queremos aquilo que Ele quer e não seremos seus amigos, porque a nossa vontade se separaria da Sua.
Atenção! São Tomás de Aquino na Suma Teológica (2ª seção da 2ª parte, questão 25, artigo 1, 4, 5, 8) ensina que não é Caridade sobrenatural amar o próximo pelas suas qualidades naturais (simpatia, inteligência, alegria…). Na verdade, por meio da Caridade fraterna amamos o próximo com Amor sobrenatural e teologal, a qual tem Deus como objeto, para que o amemos verdadeiramente como filhos de Deus e não apenas como homem simpático, inteligente, brilhante… Aqui que, se nós amamos verdadeiramente Deus, a nossa Caridade se estende também para o próximo, que não é naturalmente simpático, mas porque criado e amado por Deus [7]". Verdadeira e falsa caridade

O objeto primeiro da caridade no sermão do Papa Francisco, parece ser única e exclusivamente, a necessidade temporal do próximo. É um sermão muito redutivo, ele não distingue a caridade das obras de misericórdia (temporais e espirituais), pelo contrário, reduz a caridade a obras de misericórdia temporal. Neste sentido, a caridade católica não é diferente da praticada pelos espíritas. Aqui cabe lembrar que Nosso Senhor respondeu a Satanás em sua primeira tentação: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus". É como diz o Arcebispo Fulton Sheen: "“a primeira tentação de Nosso Senhor tendia a fazer dele uma espécie de reformador social, para dar pão às multidões no deserto onde nada mais podiam encontrar senão pedras. A visão de um melhoramento social sem regeneração espiritual tem constituído uma tentação à qual sucumbiram, lastimosamente, muitos homens importantes na história”.

Por fim, quem não se lembra da entrevista que o Papa Francisco deu para a Globo na JMJ? Quando o repórter pergunta o que ele teria a dizer para os membros de outras "igrejas" e religiões, ele responde falando sobre a erradicação da fome no mundo. Sobre a fome das almas, ele não disse absolutamente nada, ou melhor, ele corrigiu o repórter falando que era melhor falar em "outras confissões" do que em outras religiões...