sexta-feira, julho 13, 2012

Sentenças de São Bernardo - III

1. Ama o teu próximo como a ti mesmo.[1] Cada qual deve amar o próximo como a si mesmo; de tal forma que, mediante o consolo do serviço, a informação da verdade ou a exigência da ordem estimule o homem a honrar a Deus. Quem se devota a isso com discernimento é um sábio. Aquele que não se desanima com qualquer contrariedade é valente. Quem não age por deleite algum é sóbrio, e se assim o faz sem nenhuma altivez é honesto.

2. Quatro coisas impedem a confissão: o medo da renúncia, a vergonha do menosprezo, a ilusão de receber benefícios e honras se for considerado inocente, o medo de perdê-los se for apontado culpado.

3. A unidade se conserva com três coisas:[2] paciência, humildade e caridade. O soldado de Cristo deve estar armado com elas: com a paciência, como escudo que lhe cobre e protege contra toda a adversidade; com a humildade, como couraça que conserva seus sentimentos internos;[3] com a caridade, como lança com a qual, como disse o Apóstolo, atacando a todos com a audácia da caridade[4] e fazendo tudo para todos,[5] trava o combate do Senhor.[6] Convém também colocar o elmo da salvação,[7] que é a esperança, para proteger e conservar a cabeça, isto é, a mente. Tampouco deve faltar a espada da palavra de Deus[8] e o cavalo dos bons desejos.

4. A morte e a vida são as duas últimas referências. Lançamos-nos a elas com duas asas: o temor e a esperança. Cobrimos os pés com outras duas: a penitência do coração e a confissão verbal, conforme está escrito: a fé interior obtém a reabilitação, e a confissão pública, a salvação.[9] Duas asas cobrem a cabeça: o amor de Deus e do próximo. Por isso, nos diz o Apóstolo: se perdemos a cabeça, é por Deus; se estamos em são juízo, é por vós.[10]

5. Há uma soberba cega, outra vã, outra cega e vã. É cega quando o homem se atribui o que não tem. É vã quando se gloria de que outros lhe atribuam o que não possui. É cega e vã quando se gloria se si mesma de um bem que não possui e busca o aplauso dos outros.

6. Há uma humildade idônea, outra fecunda e outra extraordinária; a idônea se submete ao superior e não se antepõe aos iguais. A fecunda se submete ao semelhante e não se antepõe ao inferior. A extraordinária se sujeita ao inferior. Donde a palavra do Senhor a João: Deixa por ora, pois assim convém que cumpramos toda a justiça.[11]

Obras Completas de San Bernardo, vol. VIII, BAC Editorial.

Ver também Sentenças de São Bernardo e Sentenças de São Bernardo - II.


[1] Mt 19,19.
[2] Ef 6, 16.
[3] Ef 6, 14.
[4] Hb 10, 24.
[5] 1Cor 9, 22.
[6] Ex 17, 16.
[7] Ef 6, 17.
[8] Ef 6, 17.
[9] Rom 10, 10.
[10] 2Cor 5, 13.
[11] Mt 3, 15.

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