quinta-feira, julho 05, 2012

A lei de Deus pode mudar? Blog responde.


Olá, Angueth!
    Talvez esse não seja o espaço adequado, mas, gostaria de por algumas questões.
Recentemente, vi nas redes sociais, críticas ateístas em relação a várias passagens do antigo testamento, como essas: http://www.capuchinhos.org/biblia/index.php?title=Dt_22
   Fato que, algumas das coisas que se encontram nos livros antigos faziam parte da antiga lei, por isso, algumas pessoas colocaram a defesa dizendo que "era o antigo testamento." Porém, os ateus rebateram alegando que, se aquelas leis não são mais válidas pelo fato de serem do antigo testamento, a bíblia, o cristianismo e o próprio Deus são produtos culturais mutáveis no tempo. Por isso a lei mudou, quando a mesma foi sofrendo alterações.
   Confesso que não consegui achar uma réplica à altura. Gostaria de instrução para mim e para outrem.
Desde já, agradeço.
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Caro leitor (ver comentário publicado aqui),

Primeiramente, você não deveria estar discutindo Sagradas Escrituras com ateus. Ateus não acreditam em Deus, e, portanto, não podem acreditar nas Escrituras por Ele inspiradas. O que você deve fazer é desafiá-los a impugnar a prova da existência de Deus em cinco vias, de Santo Tomás de Aquino. Só depois disso, você entraria em alguma discussão com eles.

A resposta que você me pede, Nosso Senhor já deu a todos nós. Ela se encontra em Mt 5, 17-48. Cito apenas o comecinho da resposta, versículos 17 a 20: Não julgueis que vim ab-rogar a lei ou os profetas. Não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque, em verdade vos digo: antes que passe o céu e a terra, nem um só jota ou um só til da lei passará, sem que tudo se cumpra. Portanto, quem transgredir um só destes mandamentos, ainda que mínimos, e ensinar aos homens a fazer o mesmo, será o mais pequeno no reino dos céus. Mas quem os observar e ensinar a observá-los, esse será grande no reino dos céus. Porque eu vos digo que, se vossa virtude não sobrepujar a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos céus.

A interpretação das Escrituras não é tarefa para qualquer um. Nós, os mais ignorantes, temos a Mãe Igreja que zela pela correta interpretação das Sagradas Letras e nos ensina em que acreditar. Quem tenta fazer o livre exame das Escrituras são os protestantes e por isso eles criaram até agora, no mundo todo, umas 30 mil seitas heréticas.

Quem é ateu é completamente despreparado para interpretar qualquer coisa, pois lhe falta bom senso, com o qual ele se livraria do ateísmo. Na linguagem popular, se você me permite, ateísmo é burrice. Se você quiser discutir exegese bíblica, prepare-se primeiro. Estude anos a fio, sem falar nada a respeito. Estude toda a Patrística Grega e Latina, estude Santo Tomás de Aquino e os grandes tomistas posteriores. Estude o Catecismo Romano, e sim, estude as Sagradas Escrituras. Depois de ler muitos, mas muitos livros a respeito, aí sim! você pode emitir alguma opinião.

Fique com Deus e me escreva quando desejar.

2 comentários:

Elton SDL disse...

Saudações, Angueth!

Agradeço, antes de tudo, pela prestatividade em responder-me. De fato, conhecia e pensei na passagem de Mateus citada, ao me deparar com a situação. Todavia, o alvo de ataque ateísta seguia tal lógica: "Algumas passagens do Antigo Testamento pregam morte e punição. Caso o cristão esteja de acordo com elas está assumindo que Deus é 'mau' (ou algo do tipo). Caso discorde das passagens, está indo contra a própria doutrina. E, por fim, se as 'atrocidades' forem justificadas com base na 'anulação' do AT, eis a prova de que a Bíblia não é um livro válido."
Eis o quadro de discussão que encontrei.
Realmente, para se travar um debate de tamanho porte, necessário é uma grande gama de conhecimentos. No entanto, com as orientações fornecidas em seu site, já estou dando os primeiros de muitos passos rumo à sabedoria da nossa igreja.
Muito obrigado e que Deus o abençoe!

Israel TL disse...

Concordo, caro professor, que discutir por discutir não leva a nada, e é até uma grande imprudência.

Mas há um tipo de situação com que me deparo muito: o desafio feito por ateus, protestantes, espíritas, agnósticos e afins, em público, diante de outros católicos - que muitas vezes já estão cambaleantes na Fé - sobre assuntos de nossa Santa Igreja.

Nessas ocasiões, ainda que reconheça minha imensa incapacidade e limitação, não consigo me calar, pois sei que o meu silêncio é um grito de vitória ao herege que desafia, e isso acaba por enfraquecer ainda mais a Fé dos que assistem a discussão.

Sei que exige muita sabedoria para discernir quando devemos falar e quando devemos calar. Mas na situação que as coisas estão, qualquer tentativa às vezes ajuda os que estão encurralados pela incerteza e pela dúvida.

E que Nossa Santa Mãe nos obtenha a vitória através de nossa humilde submissão ela.