sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Janos strikes again

Vamos ao comentário de Janos ao post Família tradicional precisa de correção? Blog responde. .

Obrigado por responder minha pergunta.
Eu acho que o julguei antecipadamente. Até ler este post, eu não tinha percebido sua posição ideológica extremamente conservadora.
Não tratei a família como uma doença, mas a doença, em algum sentido, nasce na família, nas interações entre familiares, mediadas por uma cultura individualista. O processo que eu citei é justamente o processo de perda do sentido tradicional. Acho equivocado tratar pessoas que não enxergam mais sentido na família tradicional como inimigos, e não como pessoas que precisam de orientação para voltar a enxergar o sentido.
Acredito não estar discordando de Chesterton ao usar o termo "família tradicional", pois a estou entendendo como uma organização natural. Porém, também compreendo que esta organização natural já começou a perder sentido muito antes da modernidade. Já na antiguidade as relações familiares estavam longe da naturalidade humana. A Sagrada Família em nada pode ser comparada ao conceito civilizado de família.
Mas minha principal discordância foi quanto à ideia de que a lei positiva pode garantir a lei natural. Não creio que a função do Estado seja garantir a organização da sociedade segundo a "natureza mais elevada do homem", mas justamente o inverso. O Estado é uma criação humana que garante o funcionamento da norma social, e não da naturalidade humana. O Estado é, como diz Hobbes, um deus artificial, criado para manter a paz na civilização.
A família perde sua legitimidade aos olhos da cultura moderna, a mesma que criou o Estado. O homem não teria criado o Estado se não tivesse se afastado na "lei natural", e não é por essa via que irá reencontrar o sentido original da família. Pois quem segue Jesus o segue em verdade, em amor e em liberdade, não por força de lei repressiva.
Para finalizar, considero um equívoco usar o pensamento de Chesterton para defender a ideologia conservadorista que você prega.


Janos, você me desculpe, mas eu postei seu comentário integralmente. Peço desculpa porque ele é tão cheio de clichês e tão vazio de pensamento, que é um pouco vergonhoso, para um pós-graduado. Mas fazer o quê? Que esperar de um sujeito cujo pensamento é estimulado por uma letra de uma banda chamada Bad Religion (procurem na Internet e vejam quem são os anjinhos componentes da trupe) e que este mesmo sujeito faz uma comparação desta letra com o livro de Jó? É interessante que você começa seu artigo-comentário de forma integralmente contraditória: “Ela [a letra] é impressionante, porque nela Greg está como que falando com Deus, expondo de modo bastante claro seu pensamento ateísta.” Se o rapaz está falando com Deus, ele não pode ser ateu; se é ateu, não pode estar falando com Deus. Você tem de decidir. A propósito, se você quiser saber algo sobre o livro de Jó, leia a Introdução ao livro de Jó, de Chesterton (parte 1 e parte 2).

E você me pegou logo no início de seu comentário, heim espertinho?! Percebeu que eu sou conservador. Ora, que mais eu poderia ser, sendo católico?

Sua ideia sobre lei positiva e lei natural é completamente contrária à doutrina da Igreja; aquela instituição criada e mantida por Nosso Senhor. Sua ideia sobre o matrimônio também é contrária à doutrina da Igreja. Claro, você cita Hobbes para parecer moderno, mas esquece de citar a doutrina da Igreja. Mas, espera aí! Será que você conhece a doutrina da Igreja?

Por exemplo: Syllabus, Pio IX
ERRO 56: As leis morais não necessitam de sanção divina, e não é necessário que as leis humanas se conformem ao direito da natureza ou recebam de Deus a força de obrigar.
ERRO 67: Por direito natural o vínculo do matrimônio não é indissolúvel, e em diversos casos o divórcio pode ser sancionado pela autoridade civil.

Outro exemplo: Quas Primas, Pio XI
“E nisso não há diferença alguma entre os indivíduos e as sociedades domésticas e civis, porque os homens reunidos em sociedade não estão menos submetidos ao poder de Cristo do que os indivíduos. (...) E é também o autor da prosperidade e da felicidade genuína para os indivíduos e para o Estado: Pois a felicidade do Estado não se encontra separada da felicidade do homem, uma vez que o Estado não é outra coisa senão a concorde multidão dos homens.”

Outro exemplo: Immortale Dei, Leão XIII
“Mas, seja qual for a forma do governo, todos os chefes de Estado devem absolutamente ter o olhar fixo em Deus, soberano moderador do mundo, e, no cumprimento do seu mandato, tomá-lo por modelo e regra. Com efeito, assim com na ordem das coisas visíveis Deus criou as causas segundas, nas quais se refletem de algum modo a natureza e a ação divinas, e que concorrem para alcançar o fim para que tende este universo, assim também quis que, na sociedade civil, houvesse uma autoridade cujos depositários fossem como uma imagem do poder que Deus tem sobre o gênero humano, bem como da sua Providência.”

Com estes exemplos, escolhidos ao acaso, você pode perceber o quão distante você se encontra da doutrina da Igreja, que suspeito, você não conhece, mesmo sendo pós-graduado em teologia.

Mas a frase de seu comentário que eu mais gostei foi esta: “Pois quem segue Jesus o segue em verdade, em amor e em liberdade, não por força de lei repressiva.” Não, claro, Jesus era um sujeito liberalíssimo. Ele não separava os homens entre cabritos e ovelhas, reservando para os primeiros o Inferno e para os segundos o Céu. Ele não chamava os fariseus de “raça de víboras”. Ele não dizia: “quanto a este servo inútil, lançai-o fora, nas trevas. Aí haverá choro e ranger de dentes.” Ele também não falou assim. “Não julgueis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas guerra. Com efeito, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra; de sorte que os inimigos do homem serão os de sua casa.” Como você vê, Janos, você não conhece a doutrina da Igreja e nem as palavras de Cristo. Você julga Jesus um banana, água com açúcar, um bocó pacifista de meia-tigela. Aqui você também erra e erra feio.

Vamos combinar uma coisa: aprenda a doutrina da Igreja e leia os Evangelhos, depois a gente se fala. Ah! Leia também Chesterton, que lhe fará bem. Eu diria até: mais Chesterton e menos Hobbes.

6 comentários:

Luiz Fernando disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Para teólogos liberais só há uma solução: caminho de Damasco!

LPC.

Ana Maria Nunes disse...

Dá-lhe paulada!!

Wendy A. Carvalho disse...

Muito boa resposta, Angueth. Estive longe do seu blog porque estava estudando muito. Passei em Direito e minhas aulas já começaram. Voltando a ler o seu blog, vi o quanto essa leitura vai me ajudar a questionar afirmações de professores diletantes como, por exemplo: "A ciência é passível de discussão, enquanto a teologia é dogmática e não passa por confrontação de ideias."

Me ajude em orações, pois vi que terei de enfrentar muitos naturalistas, positivistas e cientificistas. Deus lhe pague pelo quanto já ajudou a mim e a seus outros leitores.

Abraço!

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Wendy,

Parabéns! Fuja do tal "Direito Achado na Rua" e lembre-se sempre daquele Tribunal de que ninguém escapará.

Fique com Deus!

Wendy A. Carvalho disse...

Caro prof. Angueth,

Muito obrigado! Eu vou seguir seu conselho e me desviar dessas manifestações esquerdistas e anticristãs. Me inspiro muito no seu conservadorismo.

Amém! Fique com Deus, também.