quarta-feira, novembro 23, 2011

Santo Agostinho e Bernanos: a terrível presença de Deus.

Colho, embevecido, no ContraImpugnantes, uma frase do grande Bispo de Hipona, nosso Santo Agostinho – quanta honra ser membro da Igreja da qual ele foi bispo, a Igreja de Nosso Senhor! – em que ele observa que “a alma [humana], ávida de eternidade porém sobressaltada pela fugacidade da existência, luta contra o sublime esplendor da autoridade divina.” (Epistulæ ad Volusianus, 137, 4, 16 ss)

A tradução é bela, não sei se de Sidney ou se de Nougué, e nos toca fundo. Torna-nos compassivos para com os pecadores. Pois, quem já não ficou soterrado com o esplendor da autoridade divina? Quem não exclamaria com Bernanos: “Mas qual é o peso de nossas chances, para nós que aceitamos, de uma vez por todas, a assustadora presença do divino em cada instante de nossas pobres vidas?” Sim, quais são as nossas chances?

A Igreja não nos deixa de consolar, nos lembrando as palavras de Nosso Senhor: “Vinde a mim todos os que estais afatigados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. (...) pois meu jugo é suave e meu peso é leve.” (Mt. 11, 28-30)

O Sacramento da Penitência é o meio que temos de nos aproximar de Nosso Senhor quando estamos afatigados e sobrecarregados. É o meio que Ele usa para nos aliviar, nos aliviar do sobressalto ante o esplendor da autoridade divina. Com a Confissão, tal sublime esplendor deixa de nos cegar e sentimos o quanto Seu jugo é suave, sentimos a suavíssima misericórdia de Deus.

O Pe. Gabriele Amorth nos lembra, em seu “Um Exorcista Conta-nos”, quanto o demônio fica contrariado quando nos confessamos, pois ele sabe que estamos nos aproximando do sublime esplendor da autoridade divina, onde ele não nos pode alcançar.

Por isso, a alegria do católico não tem comparação com as alegrias do mundo. E é por isso também que a tristeza (acídia) é um pecado, é uma revolta contra os bens espirituais, que contrariando nossos desejos carnais, nos parecem males. Ao invés de nos sobressaltar, entristecer, com o esplendor da autoridade divina, com a assustadora presença do divino em nossas pobres vidas, devemos nos alegrar com a leveza de Seu peso e de Sua suavíssima compaixão para com nossa miséria.

Façamos coro a Bernanos: “Eis-me despojado, Senhor, como somente vós sabeis despojar, pois nada escapa à vossa temível solicitude, ao vosso temível amor.”

6 comentários:

Anônimo disse...

Senhor, sabeis perscrutrar o fundo de minh'alma.
Sabeis que nada sou.
Sabeis que nada tenho.
Mas sabeis também, Senhor, que o nada que sou e o nada que possuo é Teu!
Senhor, tirai de mim tudo o que não sou!
Senhor, arracai de mim tudo o que tenho!
Se eu não sei dar, Senhor... Vós, vós sabeis tirar!
Cristo, manso e humilde de coração, fazei o nosso semelhante ao Vosso.
Cristo, meu Deus e meu Senhor, fazei com que as minhas mãos vazias sejam dádivas!
Do Teu filho suplicante;
MMLpimenta

Anônimo disse...

http://www.academus.pro.br/site/pg.asp?pagina=detalhe_variedade&titulo=Variedades&codigo=90

http://www.academus.pro.br/site/pg.asp?pagina=detalhe_variedade&titulo=Variedades&codigo=96

Anônimo disse...

Mas como não ficar triste com as doenças terríveis nos nossos familiares, as tristezas e as decepções na nossa vida cotidiana?
Como não ficar triste com o desprezo, o escárnio até, com que muitos tratam as verdades da Fé?
Como não ficar triste com as ofensas a Cristo e a Maria Santíssima?

RicardoBF

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Ricardo,
Salve Maria!

Esta tristeza é diferente da acídia, que muitos preferem chamar de preguiça. A acídia nos faz ver os bens espirituais como males, porque eles são contrários aos desejos da carne.

Em JMJ.

Flavio disse...

Quão grandioso é o sacramento da Confissão,e como é deixado de lado hoje em dia.É assustadora essa situação.

Fico olhando as longas filas na hora de receber o santissimo sacramento,ao mesmo tempo que não vejo confessionários na Igreja,e quando tem,são meia dúzia que buscam a confissão.

Fico imaginando quantos naquelas longas filas não poderiam estar ali,devido estarem em pecado mortal.

Faz tempo que ouvi na missa o padre falar da confissão.Fiquei surpreso quando o ouvi falar do tão grandioso e indispensável sacramento.Mas falou meio que encolhido,sem o vigor necessário.Fiquei pensando:será que alguém o procurou para confessar-se,já que sua fala foi muito discreta?

Bom,esse é o caso de um padre que falou da confissão,imaginem todas as outras vezes que os padres nem falam da confissão.

Fiquem com Deus.

Flavio.

Luiz de Carvalho disse...

A tradução é do Nougué.