segunda-feira, março 05, 2007

Um pouco mais sobre a Teologia da Embromação – entra em cena São Francisco de Sales

Não faz muito tempo, escrevi um texto para o MSM intitulado “Antídotos contra a Teologia da Libertação” que constava de uma nota introdutória e de dois textos: um de Luis Pazos e outro de Russel Kirk. Ambos falam sobre o conceito de pobreza que aparece nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados os pobres de espírito ...”. Ambos demonstram cabalmente a falácia da Teologia da Libertação.

O então Cardeal Ratzinger escreveu no prefácio da reedição de 2000 do seu “Introdução ao Cristianismo” que “Durante mais de uma década, a teologia da libertação parecia indicar a nova direção na qual a fé haveria de tornar-se novamente formadores do mundo porque se unia de uma nova maneira com as descobertas e injunções do momento histórico. (...) Parecia então ser Marx o grande guia. Cabia agora a ele o papel que, no século XIII, tinha sido de Aristóteles; a sua filosofia pré-cristã (e portanto ‘pagã’) precisou ser batizada para que a fé e a razão pudessem encontrar a sua relação correta. Mas quem aceita Marx (em qualquer uma das variantes neomarxistas) como o representante de uma razão universal não adota simplesmente uma filosofai, uma visão da origem e do sentido da existência, assume sobretudo uma prática [negrito meu]. (...) Quem faz de Marx o filósofo da teologia aceita a primazia dos elementos político e econômico que passam a ser as verdadeiras forças da salvação. (...) O que ficou foi a figura de Jesus, só que este já não era visto como o Cristo e sim como a personificação dos sofredores e oprimidos e como a voz deles que clama por mudança, pela grande modificação.

Assim, Jesus veio salvar os pobres econômicos e os oprimidos sociais por meio de um marxismo pré-Marx. É portanto fundamental que os pobres de espírito sejam mesmo os pobres econômicos e assim essa distorção monstruosa começou a ser propagada pelos defensores da TL em todas as paróquias, em todos os textos por eles escritos e até em comentários de textos sagrados (Ver “Exegese de uma Exegese Bíblica”).

Ocorre que há uma tradição antiqüíssima de comentários de santos e filósofos cristãos sobre as bem-aventuranças e sobre o conceito de “pobres de espírito” não paira a menor dúvida. Vou apresentar a seguir o comentário de São Francisco de Sales (1567-1622) sobre esse assunto. É o capítulo XIV da parte III do livro “Filotéia: uma introdução à vida devota”.

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Capítulo XIV

O espírito de pobreza unido à posse de riquezas

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Malditos, pois, são os ricos de espírito, porque deles é a miséria do inferno. Rico de espírito é todo aquele que tem o espírito em suas riquezas ou a idéia das riquezas em seu espírito; pobre de espírito é todo aquele que nenhuma riqueza tem em seu espírito nem tem o seu espírito nas riquezas. Os alciões fabricam seus ninhos dum modo admirável; a sua forma é semelhante a uma maçã, apenas com uma pequena abertura em cima; colocam-nos à beira do mar e tão firmes e impenetráveis são que, subindo as vagas à praia, nenhuma gota d’água pode entrar, porque se conservam boiando e flutuando com as ondas; permanecem no meio do mar, sobre o mar e senhores do mar. Eis aí a imagem do teu coração, Filotéia, que deve estar sempre aberto para o céu e ser impenetrável ao amor dos bens deste mundo. Se és rica, conserva teu coração desapegado de tuas riquezas, elevando-te sempre acima delas, de sorte que, no meio das riquezas, estejas nas riquezas e sejas senhora das riquezas. Não, não permitas que esse espírito celeste se encha dos bens terrestres; mas esforça-te por estar superior a todos os seus atrativos e a te elevares sempre mais par ao céu.

Grande diferença há entre ter o veneno e ser envenenado. Quase todos os farmacêuticos possuem muitos venenos para diversos usos de seu ofício, mas não se pode dizer que estejam envenenados porque têm o veneno em suas farmácias. Assim também podes possuir riquezas sem que o seu veneno natural penetre até tua alma, contanto que as tenhas só em tua casa ou em tua bolsa, e não no coração. Ser rico de fato e pobre no afeto é a grande ventura dos cristãos, porque ao mesmo tempo têm as comodidades das riquezas para esta vida e os merecimentos da pobreza para a outra. Ah! Filotéia, ninguém confessa que é avarento, todos aborrecem esta vileza do coração. Escusam-se pelo número crescido de filhos, alegando regras de prudência, que exigem um fundo firme e suficiente. Nucas se têm bens demais e sempre se acham novas necessidades para ajuntar ainda mais. O mais avarento nunca crê em sua consciência que o é. A avareza é uma febre esquisita, que tanto mais se mostra imperceptível quanto mais violenta e ardente se torna. Moisés viu uma sarça ardendo em um fogo do céu, sem se consumir; o fogo da avareza, ao contrário, devora e consome o avarento, sem o queimar; ao menos, ele não lhe sente os ardores e a alteração violenta que lhe causa parece-lhe uma sede natural e suave.

Se desejas com ardor e inquietação e por muito tempo os bens que não possuis, crê-me que és avarenta, embora digas que o não queres possuir injustamente; do mesmo modo que um doente que deseja beber um pouco d’água com ardor, inquietação e por muito tempo, está mostrando com isso que tem febre, embora só queira beber água.

Não sei, Filotéia, se é um desejo justo o de adquirir justamente o que outros justamente possuem; parece-me que, agindo deste modo, procuramos a nossa comodidade à custa do incômodo de outrem. Quem possui um bem com pleno direito, não terá mais razão de o conservar justamente do que nós de o desejar justamente? Por que motivo, pois, estendemos nós o nosso desejo sobre a sua comodidade, para o privar dela? Mesmo que este desejo fosse justo, caridoso não seria de modo algum, nem nós quereríamos que outros o tivessem a nosso respeito. Este foi o pecado de Acab, que quis obter por meios justos a vinha de Nobot, o qual a queria conservar com maior direito. Este rei a desejou por muito tempo e com muito ardor e inquietação e com isso ofendeu a Deus.

Quando o próximo desejar desfazer-se de um bem, então é tempo, Filotéia, de começar a desejar obtê-lo; o seu desejo fará o teu justo e caridoso. Sim, nada tenho que dizer em contrário, se te esforças por aumentar os teus bens com uma tal caridade e justiça.

Se amas os bens que possuis, se eles ocupam teu pensamento com ansiedade, se teu espírito anda sempre aí de envolta, se teu coração se apega a eles, se sentes um medo muito vivo e inquieto de perdê-los, crê-me que ainda estás com febre e o fogo da avareza ainda não está extinto em ti; pois as pessoas que estão com febre bebem com uma certa avidez, pressa e sofreguidão a água que se lhes dá, o que não é natural nem ordinário nas pessoas sãs; e não é possível agradar-se muito de uma coisa sem se apegar a ele. Se na perda dum bem sentes o coração aflito e desolado, crê-me, Filotéia, patenteia tão claramente o apego que se tinha a uma coisa perdida, como entristecer-se pela perda.

Nunca fomentes um desejo completo e voluntário por uma coisa que não possuis; não pren das o coração em bem algum teu; não te entristeças nunca das perdas que sobrevierem; então, sim terás um motivo razoável de pensar quem, sendo rica, de fato és, entretanto, pobre de espírito e, por conseguinte, do número dos escolhidos, porque o reino dos céus te pertence.
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16 comentários:

Anônimo disse...

Professor,

Vi que conhece o site montfort. Vc os conhece ?

O que acha deles ?

Obs: Não os conheço ainda e por isso a pergunta.

abraços, alexandre

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Alexandre,

Para mim, o site da Montfort e da Permanência são os melhores sites católicos que eu conheço, em língua portuguesa. Vou colocá-los nos links deste blog.

Um abraço. Antonio Emilio.

Anônimo disse...

Também concordo com o senhor qto a isto.

Diariamente os acesso

Abçs, Alexandre

O Direitista disse...

Tenho alguma reserva quanto à Montfort por causa da polêmica que o tal do Fedelis teve com o Olavo. Na discussão o sr Fedelis insitiu em dar à palavra Gnose o sentido que ele bem entendeu e raciocinar apenas com base neste sentido, o que o levou a rotular o Olavo como "gnóstico". Não lhe ocorreu que para entender o que uma pessoa pensa ou escreve devemos entender o sentido que ela atribui aos termos que usa. De qualquer forma, o site possui informações interessantes mesmo.

Abs

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Filipe,

Pois é, você se refere à polêmica do Olavo com Orlando Fideli. Eu a acompanhei enquanto ela se dava. Reli depois os textos algumas vezes.

Eu sou um grande admirador do Olavo, mas eu não consigo não dar razão a alguns argumentos de Orlando Fideli.

Acho que o Gnosticismo é um fenômeno histórico muitíssimo complexo, porque ela renasce a todo o momento em diversas regiões do mundo, há muitos séculos. É difícil conceituar um bicho desse!!

Por isso mesmo, acho que somos todos um pouco gnósticos, mesmo sem o perceber. Tal como o panteísmo, nossa mente, quando se descuida, cai no gnosticismo e no panteismo, como dizia Lewis. E é por isso que devemos nos manter sempre em guarda!

Se eu não estou enganado, na polêmica o Olavo usa o conceito de gnosticismo de Voegelin, que é criticado por Orlando Fideli. Bem, muitos criticam o conceito voegeliano de gnosticismo, principalmente desde um ponto de vista católico.

De qualquer forma, incluo Olavo e Orlando em minhas orações diárias. Acho que eles são imprescindíveis para cada um de nós, individualmente, e para o Brasil como um todo.

Um abraço. Antonio Emilio.

Afonso Sampaio disse...

A resposta do Olavo de Carvalho a Felipe Coelho me parece bastante consistente: "Você é apenas um menino idiota". Eric Voegelin é um gigante, e não pode ser categorizado pelas idéias de autores menores que ele. Dizer que ele é anticatólico, cabalista, e que rejeita até o Cristianismo, como faz Coelho, é claramente uma interpretação feita sem muita base. Estava lendo ontem Leão XIII, o Papa, que diz que a Maçonaria ataca cruelmente todas as religiões, principalmente a verdadeira, que é o Catolicismo. Fazer do Hinduísmo, da religião tradicional chinesa, e de outras partes de uma conspiração contra o Catolicismo é algo totalmente doido. Além disso, Fedeli nunca fez uma crítica profunda da TFP e suas idéias, principalmente a da 'sociedade perfeita', que é horrivelmente parecida com o 'mundo melhor' imanentizado da gnose. (Uso gnose mesmo, apesar de saber que Olavo dá ao termo um significado específico).

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Afonso,

Não sou defensor de Fideli e Coelho. Mas comentarei seu cometário.

Primeiramente não acho que um autor menor não possa discutir as idéias de um autor maior, ou mesmo categorizá-lo segundo seu entendimento. Se tal discordância ou categorização tem ou não fundamento, eis a questão.

Não acho também tudo que vai contra o catolicismo vai contra todas as religiões ou mesmo o cristianismo em geral. Há, sim, coisas que atacam a Igreja Católica e que não atacam o cristianismo em geral. Há, inclusive, uma tática em não atacar o cristianismo como um todo, mas apenas a Igreja de Cristo.

Quanto à classificação que Olavo faz de Filipe Coelho, eu não a discuto. Só digo que já li muito bons textos desse rapaz. Incluse sobre gnosticismo. Por exemplo, não me parece que "Gnosticismo e modernismo em Eric Voegelin"(http:
//www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=voegelin&lang=bra) seja um texto leviano ou moleque. Pode ser contestável, mas não desprezível.

Quando à relação de Fideli com a TFP, há diversos textos, no sítio da Montfort, onde ele explica essa relação . É só fazer lá uma busca pela sigla TFP que você encontrá críticas duríssimas de Fideli contra a TFP.

De qualquer forma, volto a afirmar que Fideli, tal como Olavo, é indispensável para a cura dos males atuais que nos ataca a todos.

Um abraço. Antonio Emílio.

Afonso Sampaio disse...

Fedeli não critica duramente a doutrina da TFP (inclua-se a sociedade perfeita) , mas a seita de adoração ao "Inerrante" de Higienópolis (a Sempre-Viva), com suas goteiras, luvas e grutas. Depois, numa mensagem de Felipe Coelho, essa doutrina é reconhecida como a 'doutrina católica'! Mais: acusam Olavo de Carvalho de, ao pedir críticas a ela, estar criticando a própria Fé católica, quando ele comenta os erros gravíssimos de algumas idéias da TFP que os próprios membros divulgam. Mas o que mais me deixa preocupado é que quando Olavo diz que o significado dado por ele à gnose não é o de Santo Irineu (o próprio reconhece em "Adversus Hereges" que esse conhecimento é um slogan dos gnósticos, acrescentando se chamam assim falsamente), Fedeli exige que Olavo use o termo gnose com o significado de conhecimento! Felipe Coelho foi chamado de menino não por levianidade, mas porque trata de assuntos acima de sua compreensão.

Bom, um autor menor pode comentar um gigante, e deve. Mas não deve fazê-lo caber em um molde menos abrangente que a própria filosofia dele. Seria como dizer, como Marilena Chauí, que Descartes é um capitalista não escravagista (por favor, não estou igualando a Oiapoque com Felipe Coelho!).

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Afonso,

Fideli diz que saiu da TFP quando descobriu a existência da SEMPRE VIVA. Mas ele não critica só ela.
Faz muitas outras críticas. Para quem está interessado, é interessante ler a resposta de Fideli a uma leitora sobre sua ligação com a TFP(http://montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=tfp&artigo=20040728095254&lang=bra).

Não me pareceu, ao longo de toda a polêmica sobre o gnosticismo, que Felipe Coelho tenha se mostrado despreparado para discutir o assunto. Volto a insistir que ele demonstra conhecer o assunto. Talvez, porque eu conheço o assunto muito menos que ele e Olavo. Pode ser.

Há muitos detalhes do debate que podem abrir outros tantos debates, como esse da citação de Olavo sobre Santo Irineu e da resposta de Filipe Coelho, que alega que Olavo Carvalho leu Irineu equivocadamente. Mas meu intento aqui não é continuar o debate.

Eu coloco esse debate sobre o gnosticismo entre Olavo e o pessoal da Montfort muito acima dos debates de Olavo com Café Filho da USP ou o mais recente, com o menino (aí sim, menino que você dá ao termo) Rodrigo Constantino.

Para finalizar, o epíteto usado para designar Felipe Coelho foi "menino idiota", coisa com que eu não concordo.

De qualquer forma, eu sou só um expectador bastante deficiente do debate. Para mim, o debate ainda está sendo travado em minha cabeça. O debate a respeito do gnosticismo, independentemente de quem é ou não gnóstico, me interessa muito, pois, estou em luta constante contra os ataques de gnosticismo que me acossam.

Grande abraço. Antônio Emílio.

Afonso Sampaio disse...

Deixo uma citação de Bruno Tolentino que é simplismente maravilhosa, e é a mais interessante tematização do gnosticismo em termos de brevidade que eu achei até agora. Ele diz aí algo que sempre tem de ser levado em conta: a gnose não é um partido, não é uma política, não é uma filosofia, não é um movimento apenas contra o Catolicismo: é a podridão da alma, é a visão anti-espiritual, é o ódio ao Ser.

A citação:

"Gnosis, segundo o mestre (Eric Voegelin), apesar do termo original significar 'conhecimento', é hoje o que em realidade sempre foi: a revolta, a sanha do anjo caído, o furto, tão inútil quanto impossível, do fogo do Céu por um Prometeu ensandecido. Sob a roupagem ilustre da algumas das mais sofisticadas construções da mente humana, não em seu amor ao saber (philo-sophia), mas em seu ódio a esse saber (phobo-sophia), que a ultrapassa de fato e de natura, em certas colocações esconde-se, hoje como antes, sempre a mesma e antiquíssima modalidade do absurdo: a absurda vontade do homem enfermo de orgulho, a sede de um "saber" que desminta ou, melhor ainda, substitua a divina sabedoria. É o sonho louco de uma possessão-deste-mundo que abolisse a dependência da criatura ao Criador, instituindo o reino conhecedor (gnóstico...) de Caim, de Eva, da Serpente, numa palavra, o paraíso do fruto arrebatado."

Pedro disse...

Professor Antonio,

Gostaria de recomendar aqui o site:

http://www.nabeto.ihshost.com/cocp/

que saiu a poucos dias, parece, mas tem um objetivo maravilhoso: centralizar as obras da Patrística na Internet, se possível em Português. Recurso fundamental para quem espera verificar se o Cristianismo é uma religião de fé cega ou se isso é propaganda rasteira.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Pedro,

Vou conferir. Muito obrigado pela dica.

Um abraço. Antonio Emilio.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Afonso,

Bela citação. E ainda tem gente que acha que o Genesis é um livro ultrapassado, que não nos pode dizer nada de concreto!

Abraços. Antonio Emilio.

Afonso Sampaio disse...

Para quem interpreta o Gênesis literalmente, assim como toda a Bíblia, como fazem os ateus militantes, nada ali tem sentido. O próprio Santo Agostinho relata sua leitura quando ele ainda não estava, segundo o senhor, em guarda. Entre o ceticismo acadêmico e a afirmação gnóstica da impossibilidade de uma substância superior à matéria* (a Academia daquela época parecia com a Universidade brasileira), ele não conseguia admirar a linguagem da Bíblia, que dizia, era simples demais, sem muita retórica. Mas quando enxergou a riqueza de alegorias dessa simplicidade, entendeu o que estava sendo dito. E suas interpretações são das melhores. Pode-se vê-las aqui.


Tá, Felipe Coelho não é um menino idiota... A sua crítica a Voegelin é realmente feita em linguagem de gente que pensa, apesar de eu discordar de algumas idéias dele.


*O espiritismo faz exatamente isso. Os 'espíritos' são como matéria rarefeita.

Afonso Sampaio disse...

Ora, agora percebo porque Olavo deu o epíteto a Felipe Coelho: idiota, com o sentido que ele dá ao termo, não quer dizer imbecil ou estúpido: significa simplesmente quem tem um intelecto menos logicamente treinado e preparado para tratar de assuntos que outros já trataram. Idiota, portanto, é alguém que fala do que já se falou mas é menos capacitado. Um professor, um padre, um teólogo, pode ser idiota comparado a outro que já tematizou determinado problema. Por isso ele aplica o epíteto não a qualquer estudioso, mas aos teólogos do Concílio de Trento:

"O declínio da intelectualidade católica dominante da época é terrível - se você compara os intelectuais dos séculos XII e XIII com aqueles idiotas do Concílio de Trento, é algo absolutamente deplorável."

Não é um termo pejorativo ou para humilhá-los, mas para julgar o modo como lidaram com a doutrina comparativamente.

Bom, se Olavo de Carvalho porventura me chamar de idiota, não me sentirei muito preocupado...

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Afonso,

Estamos aqui em águas profundas. O Concílio de Trento foi convocado para tratar da reforma protestante. Tem um dos Catecismos mais belos de todos, o "Catecismo Romano", de 1566. Foi presidido pelo Papa São Pio V, canonizado em 1712.

Não sei exatamente quem Olavo chama de idiota no Concílio de Trento, mas esse ataque ao Concílio deve ser respondido por ele.

Olavo já manifestou várias vezes que não se sente confortável em polêmicas religiosas, que ele reconhece o valor das grandes religiões e que prefere se reservar nesses assuntos. Vai ver, ele estava fazendo uma crítica apenas ao declínio da inteligência teológica desde Santo Tomás.

Recolho-me à minha ignorância e idiotice.

Um abraço. Antônio Emílio