sábado, agosto 13, 2005

O Espírito dos Tempos II

Nossa geração tem sido forçada a perceber quão frágeis e inconsistentes são as barreiras que separam a civilização das forças destrutivas. Temos aprendido que o barbarismo não é um mito pitoresco ou uma tênue memória de um passado distante da história humana, mas uma hedionda realidade subjacente que pode emergir com força avassaladora tão logo a autoridade moral de uma civilização perde o controle.

Religion and the Rise of Western Culture, Christopher Dawson, Image Books, New York, 1991.

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Essa vertigem permanente da razão, mergulhando-a em seu abismo interior, tece uma seqüência infinita de variações sobre a morte de Deus e, correspondentemente, sobre a morte do homem, como reconheceu Nietzsche passando do “insensato” da Gaia Ciência ao “último homem” do Zaratustra. A sombra dessa morte anunciada planou sobre um século inteiro de guerras mundiais, de execuções em massa e de apocalipse nuclear, balizada pelas figuras obscuras da barbárie: Dachau, Gulag ou Hiroshima.

(...) Que deus é esse que assim que o cortejo se põe em marcha não matem a promessa feita a Israel: “Invoca-me no dia da desgraça; eu te libertarei, tu me glorificas”? (Salmos, 50, 15)
Ou então, se nos afastamos de Deus esquecendo a Arca da Aliança que talvez comprometesse apenas os homens, que homem é esse, então só no mundo, que precipitou no cadinho da história as piores alianças da barbárie para aniquilar outros homens em nome da razão racial ou social?

A barbárie interior, Jean-François Mattéi, Editora Unesp, 1999

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