quinta-feira, novembro 15, 2012

O “Último Teorema de Fermat” e as mentiras sobre a Igreja Católica e os católicos.


Divulgar mentiras e desinformação contra a Igreja é o esporte favorito de muitos. Quem não se lembra das trave$$ura$ de Dan Brown e o seu Código Da Vinci. Mentiras sobre as Cruzadas, sobre a Inquisição, sobre a Igreja e a ciência, etc., abundam e enchem milhões de páginas desde Pentecostes.

Esperamos sempre encontrar tais mentiras em livros de história geral, ou de divulgação barata como o livro de Brown. Nossa expectativa é menor em livros de história da matemática, como o livro de Simon Singh, O Último Teorema de Fermat, Ed. Record, 2006. O Sr. Singh não consegue esconder seu desprezo pela Igreja em várias passagens do livro, que narra a interessantíssima história do último teorema, dentre muitos, enunciado por Pierre Fermat numa margem do seu exemplar da Aritmética de Diofante de Alexandria. Todos os outros teoremas foram provados, restando este, que afirma ser impossível encontrar três números inteiros – x, y e z – em que xn + yn = zn, para n>2. Para n=2, a igualdade é válida, pois expressa o teorema de Pitágoras. Na margem do livro, Fermat não só enuncia o teorema como afirma tê-lo provado, mas não registra a prova, dizendo-a longa demais para ser contida em tão pouco espaço.

Vocês veem que o assunto é muitíssimo interessante e aparentemente alheio a assuntos teológicos. Mas nada é alheio à teologia. O Sr. Singh, para tornar o livro mais interessante e mais compreensível ao leitor comum, se propõe a contar uma longa história, que começa na antiguidade grega, exatamente com Pitágoras, e termina em 1995, ano em que o teorema de Fermat foi finalmente provado; mais de trezentos anos depois de ter sido enunciado.

A Igreja e os católicos participam da história contada por Singh sempre como bárbaros. Vou tomar apenas dois exemplos contidos no livro. O primeiro se refere à queima da Biblioteca de Alexandria. Singh conta a seguinte história, que ele provavelmente tirou do mentiroso Gibbon: No ano de 389 “o imperador cristão Teodósio ordenou que Teófilo, bispo de Alexandria, destruísse todos os monumentos pagãos. Infelizmente, quando Cleópatra reconstruiu e reequipou a Biblioteca, ela decidiu alojá-la no Templo de Serápis. E assim a Biblioteca foi jogada no meio da fúria para a destruição de ícones e altares. Os estudiosos ‘pagãos’ tentaram salvar seis séculos de conhecimento, mas antes que pudessem fazer qualquer coisa foram linchados pela horda de cristãos. O mergulho em direção à Idade das Trevas tinha começado.” Que malvados esses católicos, não é mesmo? Não só colocam fogo na imensa biblioteca, que continha todo o conhecimento humano até então, como ainda assassinam os grandes homens que a queriam salvar! Que odiosos são esses idólatras cristãos assassinos!

Vamos usar duas fontes para desmascarar essa historinha de botequim. A primeira é a obra História Eclesiástica do Padre da Igreja Sócrates de Constantinopla, ou Sócrates Escolástico. No livro V, capítulo XVI, da referida obra, Sócrates conta o seguinte.

“Por solicitação de Teófilo, bispo de Alexandria, o imperador ordenou então a demolição dos templos pagãos daquela cidade; ordenando ainda que a execução da ordem fosse dada a Teófilo. Aproveitando essa oportunidade, Teófilo expôs os mistérios pagãos à execração pública. Para começar ele esvaziou o templo de Mitra e fez uma exibição pública dos símbolos desses mistérios sangrentos. Então ele destruiu o templo de Serápis e também exibiu todas as suas extravagantes superstições, e fez com que o falo de Príapo fosse trazido para o meio do fórum. Os pagãos de Alexandria, e especialmente os professores de filosofia, não se contiveram em seu ódio por tal exposição pública. (...) eles se lançaram impetuosamente sobre os cristãos, e assassinaram cada um dos que eles puderam alcançar. Os cristãos tentaram resistir, mas isso só piorou a situação. A carnificina só terminou quando findou a saciedade pelo derramamento de sangue. Descobriu-se então que, embora poucos pagãos tenham morrido, pereceu um grande número de cristãos. (Heládio, um sacerdote de Júpiter, admitiu ter assassinado nove homens com suas próprias mãos). Depois desses tumultos, Teófilo mandou demolir os templos pagãos.”

Como fica agora a historinha de botequim do Sr. Singh? Quem massacrou quem? Os tais estudiosos estavam enfurecidos pela exposição pública de seus ritos sangrentos e secretos. Mas, e a imensa biblioteca, contendo todo o conhecimento humano, que os cristãos destruíram? Bem, para desmascarar esta mentira não precisamos mais do que a Wikipedia – quem diria? – que nos informa que: “Um texto mais antigo, do historiador Ammiano Marcelino, indica que a biblioteca foi destruída no tempo de Júlio César; quaisquer livros que tenham sido guardados no tempo de Serápis não estavam mais lá, na última década do século IV. O autor pagão Eunápio de Sardis testemunhou a demolição, e embora detestasse os cristãos, e fosse um estudioso, seu registro da destruição do templo não menciona nenhuma biblioteca.”

A historinha do Sr. Singh é composta de três partes: os cristãos destruíram os templos pagãos de Alexandria no final do século IV; eles queimaram a biblioteca de Alexandria; eles massacraram quem tentou evitar tal ato de vandalismo. A primeira parte é verdadeira, com o detalhe de que foi Teófilo que solicitou a Teodósio a destruição dos templos e não o contrário. A segunda parte é uma mentira deslavada e na terceira parte ocorreu justo o contrário. Pois é, a Idade das Trevas começou muito mal; com uma grande e gorda mentira.

O segundo exemplo é realmente interessante. O Sr. Singh fala de muitos matemáticos em seu livro, como se pode imaginar. Ele descreve suas obras no que concerne ao tema principal do livro, que é o último teorema de Fermat. Ele não comenta nada sobre traços pessoais de nenhum desses estudiosos, atendo-se apenas às suas obras. A única exceção é para o matemático Cauchy, que ele descreve gratuitamente como “hipócrita, fanático religioso e pessoa extremamente impopular com seus colegas. Ele só era tolerado na Academia por seu talento.” Bem, Cauchy era um fervoroso católico, com um pequeno detalhe: era um fervoroso católico na época da Revolução Francesa! Um homem que sempre confessou sua Fé e que por isso foi perseguido, destituído de empregos, exilado, etc. Numa época em que os jesuítas eram extremamente impopulares, ele escreveu duas obras em defesa deles. Em 1810, ele escreveu para sua mãe: “eles reclamam que minha devoção me torna muito orgulhoso, arrogante e presunçoso... Deixaram-me de lado acerca da temática religiosa e ninguém a menciona para mim.” É de se imaginar sobre o que Cauchy fala aqui: qualquer católico que afirma que o catolicismo é verdadeiro é acusado de arrogante, pois o chique, o sinal de humildade é dizer que não existe verdade, ou que cada um tem a sua, ou que cada um consegue absorver uma parte dela, etc. Mas Cauchy foi um dos maiores matemáticos que já existiu na face da Terra; ele produziu 789 artigos matemáticos e muitos livros. Suas obras completas cobrem 27 volumes. Deve ser a isso que se refere o Sr. Singh, quando fala de seu talento.

Mas o mais curioso de tudo isso é que o matemático que originou todo o enigma que foi resolvido em 1995, o matemático que enunciou o teorema que se tornou o mais famoso do mundo, o matemático francês Pierre de Fermat era – adivinhem? – UM FERVOROSO CATÓLICO! Isto o Sr. Singh não tem a gentileza de nos informar.

E assim se vão mais algumas mentiras sobre a Igreja e sobre nós católicos.

4 comentários:

Anônimo disse...

Pierre de Fermat e Cauchy, ambos matemáticos e católicos fervorosos, mas a grosso modo, um deve ser bajulado pelo Sr. Singh a fim de garantir seus lucros autorais, é claro. E a escolha é: Fermat. Quem sabe amanhã para gáudio dos leitores desavisados e, quem sabe, do próprio Sr. Singh; não se depreciará Pierre de Fermat e adulará Cauchy. Teremos mais uma edição burlesca a render bastante lucro a mais um autor leviano e pouquíssimo conhecedor da Igreja.

Como é de costume em muitos desses bárbaros como o Sr. Singh.

Eduardo

Mateus G. M. F. Tibúrcio disse...

E é muito mais ridícula a desinformação ateia sobre Louis Pasteur... Mas como sempre o Sr. está de parabéns, Prof. Angueth. É interessante ainda o excessivo esforço com que ateus tentam negar a catolicidade de Pasteur, com base em argumentos totalmente fracos e unilaterais.

Pedro Garcia Burgalês disse...

"A Igreja e os católicos participam da história contada por Singh sempre como bárbaros. Vou tomar apenas dois exemplos contidos no livro. O primeiro se refere à queima da Biblioteca de Alexandria. Singh conta a seguinte história, que ele provavelmente tirou do mentiroso Gibbon..." Etc.

Essa história realmente não morre.O Sr. não leve a mal as auto-referências, mas eu não resisto, pois eu cheguei a escrever três posts sobre Hipátia de Alexandria e a tal biblioteca: aqui, aqui e aqui.

Seja como for, o Simon Singh é responsável por um documentário sobre o Andrew Wiles e a prova do último teorema de Fermat, produzido pela BBC de Londres. Recomendo em absoluto.

Junior Ribeiro disse...

Caro prof Angueth!

Salve Maria Santissima!

Nem minha querida matemática, com sua exatidão advinda do Divino, escapa dessa corja de pretensos "intelectuais" que esquecem a razão em nome de seu odio pela Santa Igreja de Cristo e sua ideologia satanica. Se realmente fomos contemplados por essa tal Idade das Trevas, ela começou com as primeiras pulsações do nascido existencialismo e humanismo, que negam a Verdade Absoluta: O Nosso Grande Deus!

Junior Ribeiro