terça-feira, novembro 27, 2012

A COLEGIAL QUE SE CONVERTEU


Estudava num colégio de irmãs uma menina de treze anos apenas.

Era alma forte; era coração indômito. Não sei o que tinha aquela criatura, mas exercia uma influência pavorosa sobre todas as colegas que viviam com ela... Quando pregava a revolução entre suas companheiras contra as ordens das Irmãs, a revolução estalava tumultuosa, e só a mão forte da Superiora conseguia impor de novo a disciplina.

Um dia aquela menina altiva e insolente foi severamente repreendida e castigada.

Aquela tarde não poderia sair a passeio com as colegas. Tinha que ficar no colégio, escrevendo cem vezes estas palavras: Primeiro mandamento da lei de Deus: Amarás o senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças.

Ficou na sala vigiada por uma professora... Pôs o papel diante de si e começou a escrever: primeiro mandamento da lei de Deus: Amarás o Senhor, teu Deus... E continuou escrevendo... Logo estava cansada... Largou a pena e passou os olhos pela sala. Bem em frente, pendurada na parede, estava uma devota imagem de Jesus Crucificado... Contemplou-o como jamais o contemplara. Parecia-lhe que aquelas palavras que acabava de escrever, a ela eram dirigidas por aquele santo Cristo, que tinha diante dos olhos... Lentamente, solenemente, com acento de ternura... com olhos cheios de lágrimas... dizia-lhe aquele Deus amoroso: Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração...

Que se passou então naquela alma forte e naquele coração indômito, que lhe saltaram as lágrimas... e ali mesmos e ajoelhou... e se fixaram longo tempo os olhos daquele Deus-amor e daquela menina-revolução?

Em seguida levantou-se... pediu humildemente licença à mestra para ir uns instantes à capela. Tinha sede de falar de mais perto com Deus... e Deus estava ali, a dois passos dela, no sacrário.

Quando se levantou estava regenerada... Desde aquele dia foi a santa do colégio...

Anos mais tarde, quando o capelão e o confessor falavam dela, diziam: As almas assim ou são grandes santas ou grandes pecadoras.

Naquela tarde de sua vida começou a ser santa e o foi até o fim, até o heroísmo...

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Tesouro de Exemplos, Pe. Francisco Alves, Editora Vozes (quando ainda católica!).

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