sábado, setembro 10, 2011

Uma crítica inconsistente a uma "crítica inconsistente".

Um leitor, de nome Kallel, escreve o seguinte comentário ao post Opondo-se à heresia austríaca:

Eu percebi que o texto, mais do que proferir uma crítica à escola Austríaca, critica os Pensadores dela pois são ataques à opinião particular de cada qual a respeito de assuntos como crença, espiritualidade, entre outros...como se todo ser humano que fosse a favor do aborto fosse também do 'eixo do mal'. Toda crítica é bem vinda, desde que tenha consistência argumentativa e que seja focada nas idéias acadêmicas. No caso do artigo, as críticas são aos indivíduos... parece preconceito!


Caro Kallel,

Quando se expõe uma heresia, como Christopher Ferrara faz no artigo citado, deve-se tratar das idéias dos heresiarcas que fundaram e alimentam a heresia. Deve-se analisar as idéias dos indivíduos proeminentes que influenciaram e influenciam todos os hereges que subscrevem a heresia. Isto foi exatamente o que fez Ferrara, com competência. Aliás, este autor lançou ano passado, um livro intitulado A Igreja e o Libertário, que trata justamente do tema da economia sob o ponto de vista da Igreja Católica. Ferrara não é um crítico qualquer!

Você parece considerar que a religião é uma questão de opinião e nada mais: “assuntos como crença, espiritualidade, entre outros...”. Ora, estes são os temas mais importantes que o homem pode enfrenta e em defesa dos quais todos os eventos do mundo são movidos. A questão da religião é a questão sobre o TODO. Chesterton já dizia, em Hereges, que:

Tendemos cada vez mais a discutir detalhes em arte, política e literatura. A opinião de um homem sobre os bondes tem importância; sua opinião sobre Botticelli tem importância; sua opinião sobre todas as coisas não tem importância. Ele pode se virar e explorar milhões de objetos, mas ele não deve encontrar aquele objeto estranho, o universo; porque se ele o fizer, ele terá uma religião, e estará perdido. Tudo tem importância, exceto o todo.

Você parece ser este tipo de homem que acha que há verdade na entomologia, mas não na religião.

Você diz que a crítica de Ferrara não é consistente, mas não apresenta prova nenhuma disso e, por isso, a sua crítica é inconsistente. Quanto às idéias acadêmicas, não sei do que você fala. Se for da Academia moderna, esqueça. Esta instituição já foi para o brejo há muito tempo. Quase podemos afirmar que só existe vitalidade intelectual atualmente fora da “academia”; dentro só há idéias mortas ou mortais.

Sua observação sobre o aborto é com efeito surpreendente. Quem é a favor do aborto pode não ser do “eixo do mal”, pode ser ingênuo, pode estar mal informado, pode acreditar em aquecimento global, em evolução, estas coisas que alguém acredita quando não tem capacidade de pensar. Mas esse indivíduo está muito próximo do “eixo do mal” e certamente sua ignorância não é invencível, pois ele é favorável ao assassinato de pessoas inocentes e indefesas no mais alto grau. É não só um assassino em potencial (e às vezes, real), mas um covarde, um verdadeiro pulha e um grande candidato a uma vaga no Inferno. Sim, ele pode ser simpático, bonitinho, engomadinho, intelectualzinho, academicozinho. Mas é, acima de tudo, um ser que não dá o mínimo valor às coisas mais importantes da vida.

5 comentários:

Anônimo disse...

Caro Kallel, em seu planeta, Krypton, talvez não exista religião, apenas aquele bom-mocismo que mais presta para estórias em quadrinhos. Tudo bem que pode servir para incutir uma certa índole boa na petizada, mas é insuficiente para o mundo adulto.
Neste mundo, no mundo real, a questão primordial é a Religião - e ela se identifica com a Verdade, o Bem e o Belo.
Nada é mais vital do que as questões religiosas: são os verdadeiros questionamentos de quem somos, de onde viemos, para onde vamos; no campo das afirmações há, categoricamente, um imenso SIM para a verdade, para o bem e para a fé!
O debate entre opiniões é como crianças debatendo sobre quadrinhos: serve para diversão, mas é estéril.
Como não somos mais crianças - digo, com conhecimento de criança - devemos nos abastecer de sólido conhecimento e não ficar no campo das especulações opinativas; e, ainda mais, não achar que isso é o supra-sumo e o ápice do conhecimento humano.
A opinião "livre" é o terreno escorregadio do conhecimento: as rodas da razão patinam sem aderência jogando lama em tudo e todos ao redor. Já, por outro lado, a Religião nos proporciona uma adesão inconteste à verdade, pois nos dá a regra e a régua para bem aderir aos princípios e à razão das coisas.
Acho que hoje o charme que o livre pensador exerce nas crianças de hoje, deve-se em grande parte a facilidade de se aderir ao ateísmo chique: é muito mais cool discutir as opiniões de um mundo paralelo do faz-de-conta do que do mundo real!...

MMLPimenta

Manoel Carlos disse...

angheth por misericordia denuncie simposio gayzista a ser realizado na universidade católica de pernambuco.

Ferdinand disse...

E só para acrescentar ao comentário anterior, digo que nas universidades se incutiu a idéia de que não existe verdade objetiva justamente para dar legitimidade a essas filosofias de faz-de-conta, que têm causado tantos estragos em nossa época até o ponto de promoverem comportamentos que levam ao suicídio de nossa civilização.

Anônimo disse...

Acho bom que se diferencie teoria econômica de Doutrina Católica. Quero dizer, acho meio errado chamar a escola austríaca de heresia, afinal até onde li eles não se baseiam em qualquer dogma do catolicismo nem constituem algum grupo de católicos que hereges desobedientes ao papa ou seja lá o que for. Eles são economistas, não teólogos católicos! O que vejo (e se estiver errado, favor me corrijam) é que alguns austríacos renomados (hayek, gruce, Rothbard...) encontraram pontos de convergência entre suas teorias (não todas, óbvio) e pensamentos da Escola de Salamanca. E, considerando como pensam as diversas escolas de economia de hoje, especialmente o mainstrean de neo-keynesianos e novos clássicos, de fato a convergência dos austríacos com Salamanca é algo muito interessante. Mas isso não gera o menor comprometimento de uma parte pelo pensamento da outra. A doutrina Social da Igreja é uma coisa e a Escola Austríaca de economia é outra. Sendo fiel ao catolicismo não há impedimento algum para se estudar economia. Recomendo a leitura do link: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=83 a respeito de alguns pontos em comum. Mas lembro, devemos nos ater aos ensinamentos dos papas (Leão XIII: Libertas Praestantissimum
e Rerum Novarum; Pio XI: Quadragesimus Annus; João Paulo II: Centesimus Annus; Pio X: Singulari Quadam ... entre outros). Se é pra chamar alguma escola econômica de herege - pela menor incompatibilidade que seja - não escolha o alvo, atire para todos os lados e sempre irá acertar.

Abraço,
Alvaro

ps. o projeto dos vídeos foi uma grande idéia. Continue com o grande trabalho no blog.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Álvaro,

Obrigado pelo comentário. Recomendo a leitura de alguns textos que estão sob o marcador Economia e Catolicismo, sobretudo Ludwig von Mises contra Jesus Cristo, o Evangelho e a Igreja: (Carta aberta a Tom Woods) .

Obrigado pelo incentivo.

Um abraço.