terça-feira, setembro 28, 2010

Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo

Caro Professor Angueth, gostaria que me esclarecesse o que ou como seria o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, como o senhor citou.

Desde já agradeço. Leonardo.

Caro Leonardo,

Sugiro fortemente que você leia a Encíclica de Pio XI, a Quas Primas, pela qual é instituída a festa de Cristo Rei. O Papa Pio XI discorre longamente sobre o Reinado de Cristo. Abaixo, transcrevo um trecho da encíclica, que considero oportuna para os dias em que vivemos.

Em JMJ.

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Reino universal e social (Encíclica Quas Primas, Documentos de Pio XI, Editora Paulus, 2004)

Por outro lado, erraria gravemente aquele que negasse a Cristo-homem o poder sobre todas as coisas humanas e temporais, posto que o Pai Lhe conferiu um direito absoluto sobre as coisas criadas, de forma tal que todas estão submetidas à sua vontade. Não obstante isso, enquanto viveu na terra absteve-se inteiramente de exercitar este poder, e assim como então desprezou a posse e o cuidado das coisas humanas, assim também permitiu, e continua permitindo, que os possuidores se utilizem delas. Acerca disso, bem se adaptam essas palavras: “Não tira o reino terreno aquele que dá o reino eterno dos céus”. [Hino Crudelis Herodes, no Ofício da Epifania.] Portanto, o domínio do nosso Redentor abrange todos os homens, como afirmam estas palavras do nosso predecessor, de imortal memória, Leão XIII, que aqui nós fazemos nossas: “O reino de Cristo não se estende somente aos povos católicos, ou àqueles que, regenerados na fonte batismal, pertencem, por direito, à Igreja, ainda que opiniões erradas os afastem ou a divergência os divida da caridade; mas abrange também todos aqueles que não possuem a fé cristã, de forma que todo o gênero humano está sob o poder de Jesus Cristo.” [Enc. Annum sacrum, 25 de maio de 1899.] Não há diferença entre indivíduos e sociedade doméstica e civil, pois os homens, unidos em sociedade, não estão menos sob o poder de Cristo do que o estejam os homens particulares. Somente ele é a fonte da salvação privada e pública; “Não há salvação de nenhum outro, nem sob o céu foi dado outro nome aos homens, pelos quais possamos ser salvos” (At 4,12). Somente Ele é autor da prosperidade e da verdadeira felicidade, quer para cada cidadão, quer para os Estados; “Pois o bem-estar da sociedade não tem origem diferente daquela do homem, enquanto a sociedade outra coisa não é senão a concórdia entre multidão de homens.”[Santo Agostinho, Ep. Ad Macedonium, c. III.] Não recusem, portanto, os chefes das nações prestar testemunho público de reverência e de obediência ao império de Cristo junto com seus povos, se quiserem, com a incolumidade do seu poder, o incremento e o progresso da pátria. Com efeito, são bem adaptadas e oportunas no momento atual aquelas palavras que no início de nosso pontificado escrevemos sobre a falência do princípio da autoridade e do respeito ao poder público: “Com efeito, assim nos queixávamos afastado Jesus Cristo das leis e da sociedade, a autoridade aparece sem dúvida como derivada não de Deus, mas dos homens, de forma que também o fundamento dela cambaleia; afastada a causa primeira, não há motivo pelo qual um deva mandar e o outro obedecer. Disso é que derivou uma perturbação geral da sociedade, a qual já não se apóia sobre seus eixos cardeais naturais.”[Enc. Ubi arcano.]

2 comentários:

Anônimo disse...

Caro Professor,

Deus te abençõe pelo pronto esclarecimento.

Leonardo

Luciano Beckman. disse...

Excelente! Bravo!