quinta-feira, março 25, 2010

Olavo de Carvalho e eu

Respondo, com este post, a um leitor que me faz alguns questionamentos sobre minha opinião a respeito de Olavo de Carvalho. É uma cobrança não rara que me fazem. Aproveito então a oportunidade para esclarecer aos interessados. Quem se interessar acesse os todos os comentários ao post O Estado Servil.

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Caro Pedro,

Você diz que confiro um valor salvacionista à obra do Olavo de Carvalho. Se faço isso, faço-o apenas sob o ponto de vista de que quem não se desfizer da carga esquerdista que pesa sobre todos nós, não poderá ser salvo; e isto é doutrina católica clara. A obra do Olavo é, para a solução deste problema, um recurso único no Brasil atual.

Algumas observações sobre a expressão “obra do Olavo”:

1. Sou incompetente para julgar toda a obra dele. Ela é muito vasta para meus conhecimentos atuais: ela cobre muitos campos e é muita areia para meu caminhãozinho.

2. Como ele ainda está vivo (e espero que continue por muito tempo) sua obra é uma obra em evolução, uma obra inacabada. A evolução é claramente notável para mim que o acompanho há quase 15 anos.

3. Algumas coisas já dão para afirmar sobre ele, sob meu ponto de vista: é o maior pensador brasileiro vivo, pela amplitude de seus interesses, pela fundamentação de sua análise e pelo vácuo acadêmico que se criou em torno dele (tomo isso como admissão acadêmica de sua importância); é o maior polemista (no bom sentido) que conheci nestas paragens; é um grande professor de filosofia; é o melhor colunista e o melhor correspondente internacional de todos os jornais brasileiros (parabéns ao Diário do Comércio de SP por mantê-lo dentre seus colunistas); ninguém entende mais, no Brasil, da dominação islâmica do que ele; ninguém entende mais, no Brasil, de governo global e tendências globalizantes, do que ele; ninguém tem uma crítica tão procedente sobre a falsa autoridade da ciência e nem sobre a instrumentalização da ciência pela burocracia estatal.

Disso tudo, dá para notar que eu não considero Olavo só inteligente e erudito; ele é muito mais que isso.

Você afirma que ele conduz seus alunos de filosofia a erros gnósticos. Bem, eu sou aluno dele em seu curso de filosofia, ministrado pela Internet. Não identifiquei, até agora, nada disso. Seu curso é simplesmente EXCEPCIONAL. Não nego que ele admire Leibniz e Schelling, como você diz. Ele admira muitos outros filósofos e despreza outros tantos. Não nego que algumas de suas afirmações, se tomadas em separado, podem levar alguns a considerá-lo gnóstico, genoniano, schuoniano, etc.

Sobre Olavo conduzir alguém à boa doutrina ou não, digo que não conheço autoridade eclesial no Brasil que entenda mais de doutrina católica que Olavo. Tome aí todos os cardeais, bispos, padres, etc.; mais que ele ninguém entende. Ademais, em suas aulas de filosofia, ele comenta, interpreta e ensina aspectos e características da doutrina católica. Você poderia me perguntar se o considero um católico modelo. Eu diria que NÃO! Acho que nem ele se considera assim.

Tampouco considero Olavo um ativista político, como você o faz. Você diz que ele não propõe o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Disso eu não sei, mas me cite um cardeal, um bispo, um padre, em qualquer lugar do mundo, que o proponha (fora, claro, da ala tradicionalista da Igreja). Cite-me um papa pós-conciliar que propôs tal coisa.

Sobre a auto-declaração de catolicismo do Olavo ela é claríssima em muitas ocasiões: ele inicia seu programa semanal de rádio fazendo uma oração à Virgem Santíssima e a São Padre Pio. No curso de filosofia, ele declara permanentemente ser católico apostólico romano. Ele declara sua obediência ao Papa, apesar de não perder oportunidade de enfatizar a crise da Igreja e de criticar algumas declarações papais. Além disso, a base de todo o seu ensinamento filosófico é a CONFISSÃO. Seu modelo de confissão é Santo Agostinho. Segundo ele, quem não for capaz de fazer uma confissão perfeita, não só não obterá o perdão de Deus, mas não será capaz de nenhum conhecimento filosófico.

Você comenta sobre anúncios da maçonaria no site do Olavo. Bem eu já vi anúncios semelhantes em muitos sites catolicíssimos. Esses anúncios são incontroláveis. Não creio que o Olavo transija com a maçonaria.

Antes de finalizar, devo dizer que discordo do Olavo em muitas coisas. O problema é que para verbalizar uma discordância com um intelectual da estirpe do Olavo, a pessoa tem de pensar muito, tem de estudar muito, tem de afinar seu arsenal intelectual como alguém afinaria um Stradivarius. Tomar uma ou outra afirmação, um ou outro artigo, um ou outro trecho de livro de sua autoria e discordar ou desgostar é fácil. Colocar no papel a crítica, os pontos falhos, as deficiências do pensamento dele, enfim debater com ele no nível em que ele se encontra, isto é outra história.

Para finalizar, não sou olaviano, no sentido pejorativo que tem hoje esta palavra. Não tomo suas palavras como a última expressão do oráculo, nem como ordem que deve ser colocada em prática. Não participo de discussões vãs pelo Orkut sobre as virtudes e defeitos do Olavo. Mas quando Olavo emite uma opinião, expressa o resultado de uma análise, conclui sobre algo, eu o ouço com muitíssima atenção. Ele não é qualquer um. Ele é um pensador, da mais alta casta. Se você disser que olaviano é quem o admira e lhe é grato, bem aí eu sou olaviano, sem nenhuma restrição. Quem toma o Olavo como guru, como a última palavra sobre tudo – ou seja, um olaviano, segundo o sentido pejorativo do termo – peca contra o primeiro Mandamento da Lei de Deus, peca por idolatria. Neste caso, concordo com você, este olaviano não pode ser católico, não por causa do Olavo, mas por causa de Deus.

Agradeço a oportunidade que você me deu de falar sobre este assunto, pois muita gente andava me cobrando uma opinião.

41 comentários:

Marcelo disse...

O Prof Olavo de Carvalho teve um pinga fogo por cartas com com o Prof Orlando Fedeli, se não me engano no ano de 2002.
Pelas tantas o Prof Orlando Fedeli o acusou de pertencer à maçonaria, e ser um gnóstico.
O Prof Orlando rebateu dizendo que nunca havia pertencido a maçonaria e que, quanto aos seus escritos que faziam crer que ele era um gnostico, também respondeu dizendo isso foi no inicio de suas obras já tinha reconsiderado muitas coisas a esse respeito, reformulando suas ideias com o decorrer do tempo.
A respostas de sua parte, no meu modo de entender, deve ser aceita, pois como foi dito, ele ainda é vivo e sua obra esta em evolução.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Marcelo,

Essa polêmica é fabulosa. Todos devem lê-la.

Um abraço.

Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Anônimo disse...

Prezado Angueth,

Agradeço a sua resposta. Sem nenhuma intenção de ofender, talvez a sua proximidade do ilustre professor e sua gratidão pela elogiável cura do esquerdismo estejam impedindo uma análise crítica do que ele diz, ensina e faz.

Do ponto de vista de quem nunca esteve próximo do eminente filósofo (não o conheço, nunca fui seu aluno), e julgando sua obra de um prisma católico, é difícil partilhar do seu entusiasmo.

Aprendo muito mais com os textos de autores católicos que vc, Angueth, traduz e publica nesse espaço, e com os seus próprios textos, do que com toda essa maravilhosa produção do Olavo de Carvalho. E aprendo muito também com pensadores católicos brasileiros do maior valor em sites como Permanência, Montfort, Contra Impugnantes e outros. A diferença é que esse pessoal é católico e o Olavo não é. Católicos não têm doutrinas ostensivas para consumo público e outras secretas para os iniciados. Católicos são católicos. Católicos não são astrólogos, nem alquimistas, nem rosacruzianos (ou sei lá eu como se chamam os praticantes disso). Católicos não apóiam Bush. Católicos não lutam pela “Civilização Judaico-Cristã Ocidental”. Católicos lutam por Cristo (“e tudo o mais virá por acréscimo”, disse Ele) e pelo seu Reinado Social. Se o Olavo não o faz é porque o Olavo não é católico.

Eu nunca vi propaganda maçônica no seu site, Angueth. Nem nos sites católicos acima mencionados. Mas no do Olavo eu vi. Recordo que ele deduziu de uma foto de um aperto de mão maçônico entre Bush e Lula que ambos são maçons. Ele nunca desdisse isso e endossou as piores barbaridades do presidente americano, tortura de presos, invasão de países muçulmanos que não atacaram os EUA, assistencialismo e intervencionismo estatal etc. Endossou e apoiou um maçom de uma elite que ele mesmo aponta como maçônica. Dizia que Bush era o brande “líder cristão”. Perdão, mas tanto quanto minhas modestas luzes permitem divisar, não se pode ser cristão e maçom simultaneamente. Se é maçom não é cristão. E se isso não é transigir com a maçonaria o que é então?

Se bem me lembro, Olavo escreveu um livro, Jardim das Aflições, esculhambando a elite governante americana e o império americano. Agora ele está lá nos EUA apoiando precisamente a elite americana (pelo menos a parte “neoconservadora“ dela) e o império americano. Hoje ele mete o pau no islamismo, mas ainda ontem ele angariava seguidores para as seitas islâmicas gnósticas de Schuon e Guénon. Ganhou até prêmio do governo da Arábia Saudita por uma obra sobre Maomé. Vc diz que a obra do Olavo está em evolução. Haja evolução! A evolução dessa obra parte de um ponto não católico e chegará a outro ponto não católico.

Vc diz que Olavo é um grande polemista. Seja. Abstraindo o estilo desagradável, cheio de grosserias e insultos, vedetismo e egocentrismo, o que se nota é que ele escolhe amiúde adversários muito fracos e realmente os arrasa com a maior facilidade. Se a seleção brasileira pudesse jogar apenas contra rivais tipo Coréia do Norte a Copa do Mundo seria moleza. Quando, porém, ele se meteu com um adversário de peso, não por coincidência um católico católico, quebrou a cara. Refiro-me a Orlando Fedeli do site Montfort (também nunca fui aluno dele, nem o conheço pessoalmente), que provou cabalmente as falácias do Olavo de Carvalho numa polêmica para lá de interessante (quem quiser que a procure lá naquele site – é longa). Olavo se saiu muito mal quando enfrentou alguém do seu tamanho, tendo que apelar para todos os truques sofísticos que ele tanto reclama nos outros.

Na minha modesta opinião, pois, a influência do Olavo de Carvalho é nociva. Felizmente é pequena e logo desaparecerá. A sua influência Angueth, contudo, e a dos demais católicos católicos, essa não desaparecerá, porque está amparada na Verdade. Olavo atrai gente de boa-fé em busca da verdade e não a conduz à Verdade. Quem chega lá, chega apesar dele, não por causa dele, como creio que tenho sido o seu caso, Angueth. E com uma ajudinha lá de cima. Da Graça.

Um abraço,

Pedro

Anônimo disse...

Prezados Angueth e Pedro,

Tenho alguns amigos protestantes históricos que se dizem salvos do esquerdismo pelo Olavo.

Pessoalmente, fiquei impressionado com a grande quantidade de fumaça cancerígena que ele ingere enquanto fala palavrões que eu não recomendaria para os meus filhos.

Argumentei com meus amigos que o esquerdismo pode ser curado a partir das seguintes fontes:

1) Lendo o próprio Manifesto do Partido Comunista que, em certas versões, apresenta o ateísmo como pre-requisito do comunismo;

2) Lendo A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, de Karl Popper, que faz o desmonte mais elegante que já vi do totalitarismo embutido nas filosofias de Platão, Hegel e Marx;

3) Prestando atenção na atuação dos esquerdistas, especialmente em Fidel Castro e seus asseclas;

4) Sendo um católico na teoria e na prática;

5) Sendo um protestante de orientação calvinista.

Do ponto de vista de um esquerdista que se dizia não-dogmático, e científicamente orientado (Veja-se Lógica Formal e Lógica Dialética, de Henri Lefebvre), o catolicismo está entre as duas únicas visões de mundo que se opõem ao marxismo.

A outra seria, na opinião de Lefebvre, o individualismo, cujo principal representante típico teria sido Montaigne. Esse tipo de visão, sendo a única que tem cacife para justificar-se como independente da visão católica e da visão marxista, levaria, salvo melhor juízo, ao liberalismo econômico defendido pelo von Mises (ateu) e pelo Olavo (católico?).

Peço-lhes desculpas por entrar nessa discussão de gente grande. Já estou me retirando de fininho ...

Atenciosamente,
João Martins

Luiz de Carvalho disse...

Quanto ao Olavo, eu posso dizer que, antes de conhecê-lo, era ateu e comunista, e após, católico apostólico romano. Depois de Deus - louvado seja! - e da Virgem Maria - salve Rainha! - Olavo de Carvalho e Gustavo Corção foram os responsáveis diretos pela minha conversão.

Se Olavo é ou não é católico pra valer, se ele é ou não é membro da maçonaria, da CIA, do Mossad, da tariqa do Schuon, etc., não sei; só sei que, se for preciso, no Dia do Juízo, eu darei esse testemunho em seu favor.

Ricardo disse...

Olavo é um ótimo autor, de um ponto de vista natural. Ele não se apresenta como pregador religioso, mas como filósofo. Óbvio que você tem que tirar do Olavo formação e informação que ele pode dar, e dos sacerdotes a formação religiosa, dando primazia a esta. E óbvio que Olavo comete erros e deve ser recebido criticamente, mas no nosso panorama atual, de uma civilização decadente, sem cultura superior, Olavo é coisa rara. O mesmo pensamento que leva alguns católicos a rejeitarem Olavo leva outros (ou os mesmos) a brigar entre si. Aí vemos tal grupelho tradicionalista brigando com outro igualmente tradicionalista, ou então "neoconservador", e por aí vai... Todos com a mesma fé, mas divergências mínimas já são suficientes para decretar que "Fulano é péssima influência". É assim o pensamento "purista" de um monte de católicos tradicionalistas. Vou dar aqui meu testemunho pessoal: se não fosse Olavo de Carvalho, eu seria ateu anticristão. Ele foi instrumento de Deus, com certeza (e não pode ter sido "apesar dele", pois eu sei muito bem quem me convenceu, me mostrou, derrubou os argumentos contrários, etc). Ademais, Olavo já disse e repetiu que é católico. Ninguém pode dizer que ele não é, mesmo que ele tenha dito várias vezes coisas que não concordam com a doutrina. Isso é heresia material e ninguém aqui tem autoridade pra sair decretando a "não-catolicidade" de um autor que não se diz pregador religioso por cometer erros doutrinários que não são tão evidentes (óbvio que se ele disser que "Cristo não ressuscitou" saberemos que não é mais católico).

Anônimo disse...

Só por curiosidade: esse Pedro, cujos comentário foram responsáveis pelo texto do Angueth, é o Pedro Ravazzano que entrou em disputa com o prof. Olavo algum tempo atrás? Bem, seja ou não o mesmo Pedro, vale para ele esse texto fundamental: http://www.olavodecarvalho.org/textos/091120tanquerey.html

Alexandre

Anônimo disse...

Acaba de me ocorrer algo: entre as escolhas, digamos assim, e amizades do Olavo - não esquecendo sequer do prêmio dado governo da Arábia Saudita! - mencionadas pelo Pedro, faltou citar, por exemplo, que por três anos o Olavo estudou filosofia no Conjunto de Pesquisa Filosófica da PUC do Rio de Janeiro, sob a direção do Padre Stanislavs Ladusãns, em um projeto que seguia o modelo proposto pelo Vaticano e pelo papa João Paulo II; esqueceu de citar sua amizade com Dom Lourenço Fleichman, com Júlio Fleichman, com padre Paulo Ricardo, entre muitos outros que o próprio Olavo menciona ao longo dos seus textos. Ah, mas talvez estes católicos não sejam bons católicos, talvez não sejam nem verdadeiros católicos, afinal ousaram ser amigos do Olavo de Carvalho sem condená-lo à danação eterna! Ou foi só esquecimento do Pedro mesmo...
Uma última coisa - ao escrever "...a influência do Olavo de Carvalho é nociva. Felizmente é pequena e logo desaparecerá." será que o Pedro não se apercebe do quão ridículo e pequeno pode ser um homem invejoso?

Alexandre

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Pedro,

Não me leve a mal, mas não pretendo estender a polêmica sobre o Olavo além deste seu comentário. Agradeço seu interesse e suas visitas a este modesto blog, mas nossa apreciação sobre o filósofo parece ser muito diferente. Ademais, não me coloco no posto de defensor do Olavo (acho que ele não precisa de nenhum). Tampouco este modesto blog foi construído para expor as idéias do Olavo ou servir em sua defesa. No entanto, faço, para finalizar, algumas observações.

1. Minha apreciação do pensador Olavo de Carvalho nada tem a ver com minha gratidão a ele. Já lhe disse: tenho muitas críticas a ele, a textos dele, a idéias dele. Elas estão aqui guardadinhas. Quando e se chegar a hora de expressá-las com rigor intelectual eu o farei. Não pinto o Olavo com tintas coloridas. Mas neste lado de cá do paraíso, não encontraremos quem possa jogar a primeira pedra ...

2. Não há propaganda maçônica em meu blog porque não há propaganda alguma. Não uso nenhum recurso do Google que me exija aceitar a propaganda deles. Mas já que você me pede um exemplo, vá ao site da Montfort e faça uma procura com a ferramenta Google, que está à esquerda superior; coloque lá a palavra maçonaria e veja muitas propagandas de sites maçônicos e produtos maçônicos quando vier o resultado da pesquisa. Já disse ao professor Orlando pessoalmente sobre isso.

3. Você fala do gnosticismo do Olavo e de seu debate com o prof. Orlando. Eu acompanhei este debate enquanto o mesmo ocorria e de lá conheci o prof. Orlando que, de fato, completou minha conversão. Minha impressão pessoal deste debate, impressão esta que já mencionei ao próprio prof. Orlando, foi o de que ele afetou muito o prof. Olavo; digo afetou positivamente. Mas, veja só, como posso criticar textos e posições antigas do Olavo se eu mesmo já fui Rosacruz na minha adolescência? Se você desencava textos antigos que demonstram as posições gnósticas de Olavo, desencavo textos modernos onde ele se mostra completamente anti-gnóstico. Olavo foi membro da tarica de Schuon e, que eu saiba, ele nunca negou isso. Suas posições atuais sobre Guénon estão muito claras em textos e em vídeos no Seminário de Filosofia. A evolução de seu pensamento sobre isso está sendo documentada. Não há dúvidas sobre nada.

4. Há uma inverdade na sua afirmação de que Olavo apoiou cegamente a administração Bush em tudo que ela fez. Basta ler seus textos da época, que estão todos em seu site, para ver que ele foi e é um crítico ferrenho dos republicanos no que diz respeito à política externa e interna. Há outra inverdade quando você diz que Olavo só escolheu adversários fracos. Na década de 1990 ele desafiou toda a academia brasileira para o debate. Os poucos que aceitaram foram pulverizados por ele. A maioria fingiu que não o ouviu. Concordo que o debate com o prof. Orlando foi diferente e por isso, repito, penso que este debate teve uma
grande influência sobre o Olavo.

5. Você faz duas previsões: a de que a evolução do pensamento do Olavo o está distanciando do catolicismo e de que sua influência desaparecerá. Não compartilho dessas opiniões, mas elas estão anotadas.

Pedro, mais uma vez, obrigado pela oportunidade que você me dá de expor um pouco mais detalhadamente minhas impressões sobre Olavo de Carvalho.

Anônimo disse...

4- Não vou perder tempo escarafunchando o site do Olsvo de carvalho para provar o apoio incondicional que ele deu ao Bush, indo além de todas as medidas. Cito de memória que ele deu total apoio à invasão do Iraque, inventando as maiores fantasias sobre as armas de destruição em massa do Sadam, de um não menos inexistente concluio entre Sadam e a Al Qaida e sobre a iminência do ataque aos Eua. O Papa foi contra essa invasão, lembra? Pode não ser matéria de fé, mas faz uma diferença um católico preferir Bush ao Papa, mesmo porque o protesto do Santo Padre se deu corretamente, com base na doutrina católica da guerra justa. Olavo justificou a tortura dos presos árabes, coroou Bush "Líder Cristão" e outras coisas. Antes da invasão do Iraque, havia uma considerável comunidade católica lá, sabia? Eles tinham a liberdade de culto garantida pelo regime de Sadan. Tudo bem, era um regime violento e arbitrário, mas e agora? Agora, sem Sadam, o Iraque tem ainda mais violência e arbitrariedade. E os católicos iraquianos? Ah, esses foram massacrados e os que sobraram, exilados. Belo "líder cristão" o Bush, não? E as mãos de Olavo estão sujas desse sangue católico também! Sobre os desafios da academia para debate, não me parece grande coisa desafiar os ideólogos rastaqueras comprometidos com o petismo que constituem a nossa a "academia". E nem posso censurar quem se recusa a debater com um sujeito grosseiro, mal educado e egocêntrico como o Olavo.

5- Não prevejo que o pensamento do Olavo está se "distanciando do catolicismo"; afirmo que esse pensamento nunca foi católico e, na falta de uma conversão radical pouco provável, jamais o será. Vc, Angueth, conhecendo o debate com o Fedeli, está se enganando se não admite isso. Sobre a influência dele, tenho certeza de que se apagará tão logo ele desapareça. Esse misticismo misterioso repleto de segredos salvíficos e cheio de promessas de revelações bombásticas, típico de gurus gnósticos, costuma fascinar os incautos por algum tempo, fora dos círculos estrito dos iniciados, mas logo a sua pobreza e malignidade intrínsecas é revelada e tudo se desvanece. Aí se vê que por trás daquela fumaça toda não havia fogo nenhum. Isso tampouco é uma previsão. É uma constatação.

Um abraço e fique com Deus,

Pedro

Anônimo disse...

Caro Angueth,

Concordo com a sua decisão de pôr fim a esse inquérito sobre os méritos e deméritos do Olavo de Carvalho, mesmo porque há coisas mais importantes de que se ocupar.

Cabe, porém, uma última resposta.

1- Nada sei dos pecados do Olavo de Carvalho, somente alerto que ele não é católico. É gnóstico. Gnosticismo é heresia. Peca contra fé o católico que se deixa influenciar conscientemente por um gnóstico sem denunciar a sua gnose. Eu não quero ter esse pecado. Já os tenho em quantidade suficiente.

2- A propaganda de uma loja maçônica que vi no site do Olavo de Carvalho não era fortuita, desse tipo de que vc fala. Era do tipo que se contrata e se aceita diretamente. Ademais, há outras provas de que ele se relaciona com a maçonaria, como suas estranhas relações com o neoconservadorismo republicano, notório antro de maçons. Parece que também Guénon era maçom. E porque não seria? Um gnóstico (E Olavo é gnóstico) trata igualmente e se envolve com todas as "tradições". Para eles, não há diferença essencial entre maçonaria e catolicismo. Pois para mim tem muita diferença. Sou católico e, pois, quero distância de maçons e gnósticos.

3- Fico consternado sabendo que vc estava ciente desse debate com o Orlando Fedeli e mesmo assim continua a defender o Olavo de Carvalho. Ora, debateu-se ali se o Olavo é ou não é um gnóstico. Se não é, tudo bem. Se é gnóstico, então não é católico. Não há terceira opção. E se ele se diz católico sendo gnóstico, deve ser denunciado pelos católicos, pois mente. Ocorre que o Orlando Fedeli provou o que alegava, que Olavo é gnóstico. Vc afirma que esse debate "afetou positivamente" o Olavo de Carvalho. Como assim? Ora, isso é coisa muito séria! Se tivesse sido como vc diz, o mínimo que se poderia esperar dele é que reconhecesse franca e publicamente os seus erros gnósticos e os abjurasse sinceramente. Não fez isso, então como se deu essa "afetação positiva"? Muito simples: ele agora evita invocar seus mentores gnósticos, se finge de morto. Lembre-se que os gnósticos não reconhecem qualquer ordem moral objetiva. Para eles, não existe o bem e o mal. Mentir e ludibriar não os repugna em nada. Angueth, eu não "desencavei textos antigos do Olavo" que não refletem mais suas posições. Aquele texto não é amostra de escritos de um adolescente imaturo encantado com doutrinas malucas de rozacruz. É o texto de um estudioso adulto que emite conclusóes amadurecidas. E mais, nada há lá que não esteja em textos recentes. O gnosticismo de tipo guenoniano é a chave que abre todas as portas da obra do Olavo de`Carvalho. O Orlando Fedeli se deu ao trabalho de "desencavar" textos antigos e recentes do nosso autor e demonstrou a linha coerente de gnosticismode que os une. Se vc de fato conhece bem a tal pol^mica, não pode negar isso! Se essa tal "evolução" (de onde para onde? Vc não o diz) do pensamento do Olavo está assim tão bem documentada, mostre-me o texto em que ele rompe clara e definitivamente com guénons, shuons, maçons, rozacruzes, astrólogos, alquimistas e cia. Mostre-me onde ele faz esse rompimento inequívoco e manifesta arrependimento por ter induzido alunos e discípulos a se meterem nesses descaminhos espirituais.São pecados contra a fé gravíssimos. Mostre-me onde ele, tendo manifestado esse arrependimento, se declara católico, sem reservas "judaico-cristãs". Vou esperar sentado!
(continua)

Anônimo disse...

Pedro,

Por acaso você é membro do Tribunal da Santa Inquisição?

Com certeza, pela sua ênfase em julgar o próximo, você não é adepto do Evangelho de Jesus Cristo.


José

Flavio disse...

Caluniar e desfazer uma pessoa da envergadura do Olavo de Carvalho é de uma sacanagem sem tamanho.

Que tu te arrependa e que NS Jesus Cristo te perdõe,Pedro!

abraço a todos e fiquem com Deus.

Flavio.

Sandra Regina Sabella disse...

Caro Angueth,
Para dizer o mínimo, a fumaça de Satanás deixa cegos a todos. E você, por apresentar-se curado pelo seu "Ananias", o pensador Olavo de Carvalho, provoque a curiosidade sobre sua opinião a respeito dele.
Quanto a mim, é verdade que as leituras de textos de Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho e Graça Salgueiro iluminaram meu espírito, despertando a voz da razão natural em mim.
Todos eles também apresentam-se como católicos. E, coincidentemente, aconteceram dois fatos simultâneos: a notícia na imprensa sobre o levantamento das excomunhões dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e descobrir um parente distante sacerdote, o qual conheci em sua missa [de hoje, aliás], onde também comprei o kit do terço: o folheto e o terço. E, ajoelhada ao pé da cama, ocorreu minha reconversão dentro do caminho de Jesus Cristo na Igreja Católica Apostólica Romana. Dou Graças a Deus pela convergência de fatos que propiciaram-me essa benção.
Daí, passei a ocupar melhor meu tempo com textos da doutrina católica: o catecismo de S. Pio X, por ex. E a afinação de meu ouvido passou a perceber acordes ruins na fala de alguns católicos, entre os quais, Olavo de Carvalho.
Senti-me na obrigação de apontar minha percepção aos integrantes do curso de filosofia on-line dele. Os quais, alguns, revidaram na mesma intensidade: chamei-lhe não-católico, chamaram-me louca. Pelos adjetivos e poucos argumentos, considerei que estávamos quites, e nada mais a acrescentar. A não ser, com meu padre confessor à época.
A misericórdia divina amparou-me com o bom curso da história da filosofia, também on-line, do professor Carlos Nougué.
Por fim, agradeço-lhe, Angueth, o espaço para também falar de minha conversão, desejando a todos os católicos uma proveitosa semana de Páscoa em Jesus e Maria.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Cara Sandra,

O blog fica honrado com o relato de sua conversão. É sempre muito bom e edificante ouvir relatos de conversão!

A graça de Deus nos aparece de muitas formas e pessoas. Olavo participou de minha conversão, mas muita gente participou. Amigos próximos, amigos não tão próximos, prof. Orlando Fedeli (ativamente), muitos livros escritos por santos, etc. Jesus manda um Ananias para um Saulo, não para um miserável como eu.

Seu comentário me chamou a atenção por um pequeno detalhe. Você é uma recém-reconvertida. Pelo seu relato, não tem nem 2 anos que tudo ocorreu. É natural que um ânimo imenso nos invada quando a conversão acontece. O amor que Cristo nos infunde é grande e já queremos sair para uma Cruzada contra todos os Seus inimigos. Você sentiu “acordes ruins” na fala de Olavo e foi logo defender a Santa Igreja. Nada mais nobre.

Mas veja sua situação; uma recém-convertida que sabe pouco da doutrina católica (estou supondo isso de sua leitura meritória do Catecismo de São Pio X), sequer desconfiou de seu ouvido e de sua própria capacidade. Será mesmo que os acordes eram ruins? Será mesmo que, se fossem realmente acordes ruins, você teria capacidade de defender Cristo Nosso Senhor contra um suposto falso católico da estatura de Olavo de Carvalho? Não seria uma atitude mais cautelosa de sua parte, esperar um pouco, estudar um pouco mais até mesmo a própria doutrina da Igreja, antes de discutir com Olavo? Você foi logo apontar o que você “ouvia” no curso on-line de filosofia.

Uma coisa é defender N.S. Jesus Cristo com exemplos de prática de piedade, de conversas com amigos e familiares em vista de suas conversões, de uma postura católica perante as dificuldades de nossa vida; outra muito diferente é querer discutir com os grandes intelectuais e convertê-los.

Saulo era um grande intelectual. Como Cristo o converteu? Podia ter enviado uma pessoa para discutir com ele, mas Cristo preferiu derrubá-lo do cavalo, fazê-lo cego por três dias e, aí sim, mandar Ananias para curá-lo. Ananias não discutiu com Paulo; Ananias curou Paulo.

Quem converteu Santo Agostinho foi o grande Santo Ambrósio, bispo de Milão; não foi um pé rapado de um prof. Angueth que iria converter o grande intelectual Agostinho. Quero dizer que, se supomos que Olavo não seja católico, devemos tentar convertê-lo, certo? Errado! Devemos rezar para que apareça alguém de grande estatura intelectual que o converta, ou de grande piedade que lhe toque o coração.

Fique com Deus e reze por mim.

Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Anônimo disse...

Angueth e Pedro

Estou aprendendo muito com o debate: exercício de tolerância x certeza da impossibilidade de conversão.

Sugiro que o Pedro proponha ou aponte para o próprio OdeC as posições que o separam do "ser católico"; questões que reputo sérias, pois de fundamento, essência e verdade, que estão sendo utilizadas para desviar os incautos do caminho e da verdade (um não cego guiando cegos...).

Tenho certeza que este debate servirá para desfazer muitos "enganos".

Neto

Anônimo disse...

"Somente a consciência individual do agente dá testemunho dos atos sem testemunha, e não há ato mais desprovido de testemunha externa do que o ato de conhecer."

Tirei o texto acima do sitio do Olavo. Há um documento oficial, encontrável no sitio Montfort, que diz que a Igreja Católica é contra a liberdade de consciência e contra a livre imprensa.

Sendo o Olavo a favor da liberdade de consciência individual e a favor da livre impressa, êle é, sob este aspecto, um protestante. Foi Lutero quem defendeu essa postura contra o Papa e a Igreja Católica em geral.

José

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro José,

A frase do Olavo não propugna a liberdade de consciência que é condenada pela Igreja. Há uma palavrinha lá: "externa". Ela faz toda a diferença.

O seu ato de conhecer só é presenciado por você e Deus. É isso que Olavo está falando. Só você, mais ninguém externamente a você, é testemunha de seu ato.

É só isso.

Antônio Emílio Angueth de Araújo

Anônimo disse...

Caro Antônio Emílio,

De fato não estou interessado no fato de o Olavo ser isso ou aquilo. Ele é aquilo que Deus fez dele, mediante as circuntâncias.

O que eu acho difícil é alguém dizer que é católico sem ter tido tempo e capacidade intelectual de analisar a doutrina católica.

O Olavo teve tempo e tem capacidade. Por isso, se ele diz que é católico, acredito mais nele no que no Pedro, ou até mesmo no Professor Orlando Fedeli.

Mas eu mesmo não posso dizer que conheço a doutrina católica, apesar de ter lido um pouco. Imagine quem nunca leu, e nem sabe o que existe nos documentos oficiais?

Só Deus pode conduzir-me para ser isto ou aquilo. Ele me fez e, certamente, não me julgará com mão pesada se eu disser que sou um católico e, ao mesmo tempo, for reprovado pelo Pedro.

Que Deus nos proteja do excesso de zelo.

José

Olavo de Carvalho disse...

Agradeço muito ao Angueth pelas palavras gentis com que ele se refere à minha pessoa, as quais podem lhe render uma condenação como gnóstico no tribunal dos inquisidores mirins de Vila Nhocunhé. Nunca pus em dúvida -- e até já proclamei várias vezes -- que o prof. Fedeli é um homem bom, um católico sincero e uma fonte altamente confiável no que diz respeito à doutrina da Igreja. Não escondo que gosto muito dele e do seu blog. O problema é que ele é um professor de religião e não um filósofo -- o que em si não teria nada de mau se ele não achasse que, com esse seu equipamento doutrinal, está habilitado a entender e julgar filósofias. Dado um problema, tudo que ele faz é consultar a doutrina e tirar deduções que lhe parecem aplicar-se ao caso individual. A coisa é de um automatismo atroz e bem poderia ser feita por um computador. Se tudo pudesse ser resolvido por esse método, não precisaríamos nem de aritmética,nem de História nem de ciência nenhuma: bastaria um laptop e um exemplar do Enchiridion de Denziger. Desde logo, é um método autocontraditório, pois, pretendendo tudo resolver só pela doutrina católica, faz amplo uso da lógica, que não é de fonte católica. O resultado da sua aplicacão é produzir essas mentalidades mesquinhas que, por terem aderido à doutrina católica, acreditam estar no certo mesmo quando mentem, mesmo quando negam os fatos mais óbvios. "Desconheço quem tenha se convertido ao catolicismo por conta de suas aulas. Para ele tanto faz ser protestante, budista ou espirita", proclama uma dessas criaturas, com aquela segurança fedeliana característica. Pois bem: é uma afirmativa inteiramente falsa, que deduz da ignorância uma mentira, e o faz com a boa consciência de estar servindo à Igreja. Se há um bom motivo para estudar filosofia, é aprender que ter a doutrina certa não é tudo, que nem tudo pode ser descoberto mediante leituras devotas e dedutivismo "à outrance". Antes de ter ditado a Bíblia, Deus criou o mundo. Essa foi a primeira revelação. É preciso entender a Bíblia à luz da realidade, e não só esta à luz daquela. Doutrinários sem adestramento filosófico são proclamadores de generalidades: seu desprezo pelos fatos concretos não tem fim. Seu sentimento de certeza é uma auto-ilusão filológica. Deduzem frases de frases, e acreditam com isso estar na verdade. Decerto, é coisa que infunde nos corações uma certeza, uma segurança reconfortantes. Como muitas pessoas buscam essa sensação, e não a verdade enquanto tal, é lógico que se satisfaçam muito mais com as certezas fáceis do que com as investigações trabalhosas e não raro perigosas que o exame da realidade implica. O mais irônico de tudo é que um praticante do certezismo fedeliano venha cobrar de mim uma atitude socrática, como se o proclamador de certezas acríticas fosse eu.

Olavo de Carvalho

Everardo disse...

"O Psicólogo russo Ivan Pavlov demonstrou que a ESTIMULAÇÃO CONTRADITÓRIA é a maneira mais rápida e eficiente de quebrar as defesas psicológicas de um indivíduo (...), reduzindo-o a um estado de credulidade devota no qual ele aceitará como naturais certos comandos mais absurdos, as opiniões mais incongruentes (...), mas, se o objeto de temor e de compaixão é o mesmo você simplesmente não sabe como reagir e entra num estado de DISONÂNCIA COGNITIVA (...) a um oasso da antonia mental que predispõe à subserviência passiva".
Autor: Olavo de Carvalho.

Ora, Marcelo, Pavlov era fisiologista, da escola que abominava a psicologia, que não considerava uma ciência. Seus experimentos buscavam provar exatamente que o comportamento NÃO dependia de mecanismos mentais. Jamais admitiu que suas idéias estivessem relacionadas à mente, à psique. Consequentemente, temos aí um exemplo de como o Sr. Olavo de Carvalho mistura expressões descontextualizadas em diversos campos do conhecimento para fazer uma síntes que não diz nada, como: "a um passo da antonia mental que predispõe à subserviência passiva".

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Sr. Everardo,

Seu comentário segue um padrão mais ou menos comum de quem, de um nível intelectual muito inferior (em relação ao Olavo de Carvalho) tenta murmurar algum argumento contra ele.

Seu raciocínio pode ser resumido no seguinte silogismo:

Premissa maior: Pavlov estudou uma coisa chamada ESTIMULAÇÃO CONTRADITÓRIA;

Premissa menor: Olavo descreve o que seja essa estimulação;

Conclusão: Olavo aplica em seus escritos a técnica de Pavlov.

Colocado assim, dá para julgar a validade de seu raciocínio como uma impugnação às idéias de Olavo.

Se o Sr. não se elevar ao nível de argumentação minimamente coerente, não digo que o Sr. não poderá discutir com Olavo; o Sr. não poderá discutir nem comigo.

Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Everardo disse...

S. Emílio, o senhor não entendeu:

Pavlov NUNCA estudou algo chamado ESTIMULAÇÃO CONTRADITÓRIA. Pavlov NÃO era psicólogo e abominava a psicologia. Não há,na obra de Pavlov qualquer coisa relacionada a emoção ou pensamento. Pavlov era fisiologista e entendia que a psicologia não era um campo que pudesse ser classificado como científico. A principal "descoberta" de Pavlov foi o chamado reflexo condicionado, com estudos em cães, acerca das reações endocrinológicas diante de estímulos mecânicos. Não há na obra de Pavlov qualquer coisa que possa ser associada à psicologia, nem que ele tenha sido mencionado, sequer, como psicólogo, por quem quer que seja. O que o Sr. Olavo fez foi manifestar-se de forma irresponsável sobre uma ciência que ele demonstra desconhecer completamente.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Sr. Everardo,

Vamos ver. O sr. afirma que Pavlov era fisiologista e nunca estudou psicologia. Vou citar três referências que lhe desmentem. Veja:
_____________________________
1. Classics in the History of Psychology (http://psychclassics.asu.edu/Pavlov/lecture1.htm)

CONDITIONED REFLEXES: AN INVESTIGATION OF THE
PHYSIOLOGICAL ACTIVITY OF THE CEREBRAL CORTEX
By Ivan P. Pavlov(1927)


______________________________
2. Pavlov as a psychologist. A reappraisal
Author: G Windholz
Journal: The Pavlovian journal of biological science
(http://www.researchgate.net/publication/19846153_Pavlov_as_a_psychologist._A_reappraisal)


______________________________
3. In 1903, at the 14th International Medical Congress in Madrid, Pavlov read a paper on «The Experimental Psychology and Psychopathology of Animals». In this paper the definition of conditioned and other reflexes was given and it was shown that a conditioned reflex should be regarded as an elementary psychological phenomenon, which at the same time is a physiological one. It followed from this that the conditioned reflex was a clue to the mechanism of the most highly developed forms of reaction in animals and humans to their environment and it made an objective study of their psychic activity possible.
Trecho de artigo da Nobelprize.org (http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1904/pavlov-bio.html)

Segunda coisa é que o sr. reclama de Olavo por ele ter dito que Pavlov estudou a estimulação contraditória. Bem, no artigo que o senhor citou a coisa ficou muito condensada. Se o sr. tivesse lido o Jardim das Aflições, o senhor teria entendido mais o que ele disse. (Vá à página 85 e consulte a referência que Olavo dá no final do livro).

Veja que não sou especialista no assunto. Meu assunto de especialidade é outro. Mas chamar Pavlov de psicólogo não é nada surpreendente, pois muita gente assim o chama. Tem mais metiroso por aí, além do Olavo.

Outra coisa é a seguinte: por que o senhor não dirige suas críticas diretamente ao Olavo, que lhe poderá instruir melhor que eu?

Fica mantido aqui o que disse sobre o seu raciocínio silogístico.

Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Fabiano disse...

Olavo de Carvalho é católico, embora de um modo místico e heterodoxo. Ele desconhece, por exemplo, as diversas condenações a astrologia que estão contidas no catecismo oficial da Igreja, sendo que ele foi astrólogo durante anos. Qualquer dúvida, pergunte ao Pedro Sette Câmara acerca dessas passagens do catecismo.Olavo, na minha opinião, considera o catolicismo a melhor religião para um movimento conservador brasileiro, vide que nossos maiores líderes e pensadores brasileiros foram católicos. E, para mim, Olavo não se opõe a que a Igreja combata movimentos como e espiritismo, apenas acha que a Igreja adotou a estratégia errada de combate, principalmente no Brasil. Olavo certamente pensa que os livros de René Guenón, se devidamente utilizados pela Igreja, poderiam converter muito mais espíritas ao catolicismo que os livros de Kloppenburg, Quevedo ou o site da Monfort.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Fabiano,

Minhas referências vão muito além das de Pedro Sette Câmara, meu caro. A condenação da astrologia é muitíssimo mais antiga. A primeira condenação formal da Igreja aparece no início do século V, com Anastásio I (Dz. 205). João III, em 561, repete a condenação (Dz. 460). O Catecismo Romano, do Concílio de Trento, também condena indiretamente a astrologia, condenando “a crença em sonhos, agouros e outras coisas supersticiosas” (III II 5). Vou me abster de comentar sobre o atual Catecismo, por fugir de nosso assunto.

Você está muito enganado em pensar que Olavo não conhece estas fontes. Ele as conhece muito bem, as cita, as comenta. E mais, ele cita e comenta a parte da Suma Contra os Gentios, de Santo Tomás de Aquino, onde o aquinate comenta sobre a astrologia. Ele é ESTUDIOSO, um intelectual de grande porte. Não dá para ficar fazendo este tipo de comentário sobre ele.

Você também se engana sobre a opinião dele sobre Guenón, pois você desconhece o que ele pensa sobre este místico muçulmano.

Olhe, não vou ficar defendendo o Olavo, mas fazer críticas descabidas, baseadas em fontes duvidosas e além disso com desconhecimento de causa é de lascar. O Olavo não brinca de ser intelectual, não brinquemos de ser seus críticos.

Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Anônimo disse...

Caro Antonio,

quanta paciência, quanta caridade para responder a tantas objeções. De minha parte, procuro ajudar o próximo, mas acho que peco ao deixar os furiosos ainda de baba na boca.
Eu, ex-comunista, ateu, cético e otras cositas más, agradeço com o coração a Olavo, por me tornar católico, fazer com que voltasse à amada Igreja, comungasse pela primeira vez e recebesse o sacramento da crisma.
Grande abraço, meu caro, e que o Senhor nos acompanhe e a Olavo também,

João Guilherme

Anônimo disse...

Olavo de Carvalho baseia sua "réplica" numa premissa central, ou num "cerne": Fedeli só usa a doutrina católica e com ela, pretende resolver problemas filosóficos.

Isso é uma mentira tremenda, já que ele era profundo conhecedor de Aristóteles, um pagão.

Também usa um autor judeu para citar sua ideia de realidade.

A partir daí, as conclusões são todas falsas...

Para pegar Olavo pelo pé, é muito simples.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro anônimo,

Você diz: "Pegar o Olavo pelo pé é muito simples". Ao mesmo tempo, você posta um comentário ANÔNIMO, comentário chinfrim, sem nenhum argumento, sem qualquer discussão?

Sugiro-lhe, em primeiro lugar, se idenfiticar; depois, faça um esforço mínimo para começar a DISCUTIR.

Anônimo disse...

Angueth, sem problemas.

Meu nome é Reinaldo Giacenna, se isso muda alguma coisa, está aí.

Fedeli continua o vencedor do debate. Não que eu goste de "ad hominem", mas não tinha o que mais fazer aí.

Se fazia tanta diferença, está aí meu nome: Reinaldo.


E Olavo vencido por Fedeli, queira você ou não.

Abraços.

Anônimo disse...

A propósito, não muda nada: Olavo diz que Fedeli só se vale da doutrina católica para replicar. O que é mentira, vide: O Problema da Verdade - Aula 05.

Fedeli se vale de uma cibernética incomparável, além do diálogo das fontes de vários estudos.

Continua sendo mentira.

Reinaldo.

Anônimo disse...

A propósito, a mentira de hoje:

Olavo diz que é alguém que repete há 15 anos, que da KGB não se sai.

Yuri Bezmenov disse isso em 1984. Olavo só omitiu isso.

Eis a arte de mentir usando a verdade.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Reinaldo,

Obrigado pelos seus comentários e pela identificação. O anonimato não fica bem a quem tece críticas a determinada pessoa.

Percebo que você tem muitas críticas a Olavo de Carvalho, que são muito puntuais. Todo grande pensador tem lá suas ideossicrasias e Olavo não foge ao modelo. Isto não me faz perder de vista suas grandes qualidades.

Percebo também que você admira o prof. Orlando, admiração que compartilho (ver o post "Orlando Fedeli e eu" aqui no blog). Contudo, não vejo as coisas humanas tão "preto e branco" quanto você as vê. Eu consigo admirar e ser grato tanto ao Olavo quanto ao Orlando. São duas figura centrais em minha vida e de importância grande para nosso país, por razões diferentes.

Aqui e ali neste blog, tenho expresso minhas idéias sobre estes dois grandes homens. Não espere de mim, contudo, que seja Olavete nem Orlandete.

Anônimo disse...

Eu sou uma Orlandete confessa, assim como uma "Anguethete", também! :)

Só acho que o Olavo podia se valer de outros métodos. Respeitar alguém da envergadura do Professor Orlando, não lhe faria mal algum.

Além de quando ele finge exclusivismo e primeira mão de coisas como as que citei acima, por exemplo.

Reinaldo.

Legens Quotidianus disse...

Professor Angueth,
queria agradecer pelo seu comentário sobre o professor Olavo de Carvalho ele me ajudou muito a tomar algumas decisões e se alguém do outro lado ler isso que escrevo certamente não faltará para posteriormente soltar 'X, virou gnóstico lê e aprende com O de C'. Pula que partiu! Já não temo mais esse comportamento de idiotia desarazoada ou pendantismo intelectual. Raios! Tanto é que me inscrevi no seminário de filosofia e no instituto olavo de carvalho. Não cuspo no prato que comi do qual fui leitor maior parte do site de uma associação de leigos católicos (não digo isso por depreciação como alguns) e acompanhei à distância colaborando com pouquíssima coisa porém dou lhe razão Angueth o professor Olavo tem um trabalho imenso e não sou eu que seguindo uma tese de cosmovisão antropoteísta ou óculos de antropoteísmo que em frases soltas, palavras ou trechos fora de contexto vou sair depreciando esse ou isso como um gnosticão. Depois tentei ler aquela polêmica entre os O´s várias vezes mas ecos de mim para mim dizem: como julgar autores islâmicos e questões de astrologia tendo como aporte 3 ou 4 livrinhos segundo subjetividade pessoal para chegar a dizer certamente onde estão errados? E depois nessa polêmica do passado eu me pergunto quem foi que levantou essa lebre 'olavo é gnóstico'. Pelo que percebi sempre tudo chegou aos ouvidos do falecido professor foi por terceiros. Coisa simples ocorreu comigo onde aparentemente aqui na minha cidade o Bispo parecia dar apoio a missa antiga e logo depois o falecido professor me comunicou 'é o bispo ai apoia a missa antiga'. Uma ova! Entre uma aparência e uma certeza há uma distância do céu ao inferno. Enfim para não multiplicar mais palavras eu lhe agradeço prof. Angueth pelas tuas palavras e sigo muito mais tranquilo de consciência sadia pois tenho muito, muitíssimo a aprender com pessoas sérias intelectualmente. E Valei-me Virgem Santa Maria!.

Rodrigo R. Salesi

tiago.monteiro disse...

Resumindo com um pequeno atraso de dois anos, eis as palavras do apóstolo: “Examinai tudo. Retende o que é bom.”

Anônimo disse...

Simples e direto e REAL. Assim como prof. Olavo diz.

Se não fizerem as aulas, não saberão da dimensão e da profundidade do que ele pensa e fala. Só assim poderá emitir um crítica, opinião ou o que seja.

Menos teorias e mais realidade.

Abraço!

Anônimo disse...

Deixo apenas um questionamento, sem a pretensão de manifestar uma verdade pronta, mas com o profundo sentimento e desejo de despertar naqueles que vivem no mundo do conhecimento, da intelectualidade e da filosofia, do qual faço parte, de não se esqueceram de princípios básicos, princípios nos quais fomos encetados por nossos genitores, mas também por nossos mestres desde pequenos, mas que fazem parte da nossa sociedade. Estou me referindo a princípios tais quais a boa educação e o respeito, que devem se fazer presentes em qualquer intento reflexivo. Esta ausência é marcante nas investidas do senhor Olavo de Carvalho, palavras que não fazem parte do meu vocabulário (assim justifico o uso das aspas) e não deveriam fazer parte do vocabulário de ninguém fazem parte deste """"exímio"""" (cf. alguns, não eu) filósofo, tais quais: "porra", "bosta", "filho da puta" (detalhe, esta expressão não faz parte nem do mais xulo linguajar brasileiro, que já o substituiu por filho da polícia, um pouco de humor é importante) e outras expressões pouco agradáveis. Saliento que estas expressões não fazem parte de excertos de seus vídeos vistos ao acaso, mas fazem parte de todas as suas produções áudio-visuais, repito: todas! Alguém que é tão crítico quanto aos outros deveria olhar para si mesmo, apagar o cigarro de uma vez por todas, que é um vício, não é sinal de intelectualidade alguma, na verdade é sinal de ignorância pelos inúmeros malefícios que causa, parar de falar de assuntos que pouco conhece ou não lhe diz respeito, refiro-me a assuntos teológicos. Acima li um comentário que dizia que não existe cardeal, bispo ou padre no Brasil que possa debater com Olavo de Carvalho, não exito em afirmar apenas alguns nomes que facilmente colocariam-no no bolso: o Sr. Cardeal de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, doutor, repito, doutor em Teologia Dogmática e mestre em Filosofia pelas universidades de Roma; outro: Dom José Antonio Peruzzo, bispo de Palmas - PR, doutor, repito, mestre e doutor em Teologia Bíblica pelo Instituto Bíblico de Roma; Pe. Paulo Sérgio Gonçalves da Diocese de Limeira, doutor em Teologia Dogmática pela Universidade Gregoriana de Roma e pHd em Filosofia. São apenas três nomes, haveriam muitos outros. Creio que está na hora de relembrarmos de costumes tradicionais, como tanto gosta de falar o senhor Olavo de Carvalho, e aprendermos que certas expressões, cigarro, crítica ferrenha e outros elementos não fazem, não fizeram e não poderão fazer parte do mundo do conhecimento. Ainda bem que são poucos os que seguem as ideias deste senhor, se são muitos, é uma pena, é um sinal de que o fim se aproxima! rsrsrs

Antônio Emílio Angueth de Araújo disse...

A resposta ao "anônimo corajoso" está aqui.

Anônimo disse...

Estou esperando resposta!

Antônio Emílio Angueth de Araújo disse...

Anônimo cretino, só terá minha resposta se você se identificar. A resposta do blog a covardes é o completo silêncio. Quer me chamar para a briga, eu topo, mas mostre sua cara, safado!