quinta-feira, julho 27, 2006

Barbarismo e Imediação

Que cultura seja sentimento refinado e comedido pelo intelecto se torna claro quando nos voltamos para um tipo de barbarismo existente em nosso meio e possuidor de um inconfundível poder desintegrador. Essa ameaça pode ser mais bem descrita como o desejo de imediação. É característica do bárbaro, quer ele apareça num estágio pré-cultural, quer ele emirja do fundo de uma decadente civilização, insistir em ver uma coisa “como ela é”. O desejo atesta que ele não tem nada em si mesmo com o que espiritualizá-la; a relação é de coisa para coisa, sem a intercessão da imaginação. Impaciente com o véu de significado imaginativo com que o homem superior cobre o mundo, o bárbaro e o filisteu, que é o bárbaro imerso numa cultura, exigem o acesso à imediação. Onde o primeiro almeja a representação, o último insiste na rigidez da materialidade, suspeitando, com razão, que a forma significará restrição.

Richard Weaver (Ideas have consequences)

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