domingo, março 26, 2017

Catolicismo, vontade e sentimento.

Recebo de um leitor amigo (Flávio Dornelles) a seguinte pergunta. Na última palestra dissestes que o Catolicismo é a religião da vontade e não do sentimentalismo. Poderia em poucas palavras falar sobre a parte da vontade?

Todos nós temos sentimentos, que nos assaltam a todo momento. Mas o católico sabe que não devemos, e não podemos, ser governados por eles. Devemos ser governados pela razão, iluminada pela Fé. O que quer dizer isso? 

Que não devemos viver para alimentar nossos desejos sentimentais e nem nos medirmos pelo que sentimos; pelo que sentimos acerca dos outros, nem pelo que sentimos acerca de nós mesmos. Se ficarmos envoltos na neblina dos sentimentos, perdemos a noção da realidade, perdemos sobretudo a noção da ordenação dos bens e dos males. 

Por exemplo, o católico não assiste a Missa para se sentir bem, ou não faz caridade para se sentir bem, ou não reza o santo Terço para se sentir bem. Porque, pela razão e pela Fé, estas são nossas obrigações que devem ser feitas quer sintamos bem ou mal. 

O que faz com que não hajamos por sentimentos é o direcionamento de nossa vontade ao que dita a razão e a Fé. É a obediência ao que dita nossa inteligência.

A Igreja nunca pregou que nós estamos aqui na Terra para nos sentirmos bem, mas sempre disse que estamos aqui para nos salvar. Essas duas coisas estão, na maioria das vezes, em oposição. Por isso eu disse que o catolicismo é a Religião da realidade e não do prazer. É a Religião da alegria e não do prazer. E alegria é vontade direcionada Àquele que disse ser "a verdade, o caminho e a vida". Sentimento é pois um péssimo conselheiro para o católico.


5 comentários:

Carlos Soares disse...

Prezado Professor,

Salve Maria!

Que explicação maravilhosa. Abençoado seja o Sr. por esse dom que o Sr. recebeu de Deus.

Anônimo disse...

Que bela e oportuna resposta, Prof. Angueth, muito, muito obrigada!
Cristina Garabini.

Anônimo disse...

Professor

Esse assunto muito me interessa e tenho discutido bastante sobre isso com meus amigos da Igreja

Sendo o cristianismo a religião da vontade, podemos dizer que buscamos a felicidade terrena sendo cristãos ? Jesus nos prometeu aqui a felicidade ? Jesus foi feliz ao ser crucificado ? Creio que não e acredito que essa mensagem de realização de felicidade (e não de salvação) que é passada causa muita angustia e desilusão aos católicos

Termino lembrando que São Jeronimo na Vulgata traduziu no sermão da montanha o inicio dos períodos usando o termo bem aventurados e não felizes (como se traduz atualmente) . Ou seja, os antigos sabiam q aqui era uma vale de lágrimas , um período de sacrifício

Att, Alerj

Isac disse...

RCCismo, querendo se passar por catolicismo, além de ser de origem e práticas do pentecostalismo protestantes, é uma seita paralela à Igreja que contempla os sentimentalistas católicos os quais, pelo que percebi deles até agora, pelas revelações e recepção de um certo "espírito santo" dispensa-lhes até de seguirem a doutrina tradicional da Igreja!
A suposta glossolalia deles anti idiomática é condenada pela Igreja desde os primordios!

Flávio Dornelles disse...

Obrigado pela resposta,Antonio.

Fique com Deus.