quarta-feira, novembro 19, 2014

Whittaker Chambers explica Marx e Belloc. Sobre o que Nossa Senhora nos alertou em Fátima.

O texto que segue abaixo é do extraordinário livro Witness (Testemunho), de Whittaker Chambers, que denunciou e provou que um alto funcionário do governo americano, Alger Hiss (lotado na Secretaria de Estado) era simplesmente um dos maiores espiões soviéticos de todos os tempos. Este salafrário participou de todas as decisões mais importantes do governo americano em relação aos soviéticos, antes, durante e depois da II Grande Guerra. Causou um estrago que não tem tamanho e é um dos responsáveis pela expansão soviética no pós-guerra. Chambers era comunista e participava de um, dos muitos, aparelhos comunistas estabelecidos nos USA. Conseguiu sair do inferno comunista e nos relatar como é o fogo deste inferno.

Na introdução do livro, ele uma “Carta a meus filhos”, e desta introdução eu traduzi o trecho que vocês lerão. Peço para que leem o texto com quatro coisas em mente, principalmente os leitores católicos:

1. O poeminha infame de Marx que traduzi recentemente;

2. O que diz Belloc em As Grandes Heresias: “Mas comunismo é escravidão integral. É o inimigo moderno trabalhando a céu aberto, sem disfarces, e a toda pressão. O comunismo nega a existência de Deus, nega a dignidade e, portanto, a liberdade da alma humana e, abertamente, escraviza os homens ao que chama de ‘o Estado’ – mas que é, na prática, um corpo de autoridades privilegiadas.

3. O que disse Nossa Senhora em Fátima, em 1917: que se o Papa com todos os bispos não consagrassem a Rússia ao seu Imaculado Coração, os males do comunismo se espalhariam pelo mundo;

4. Que o Concílio Vaticano II se negou a condenar o comunismo, por um acordo demoníaco feito pelo Papa com o Kremlin.


ATENÇÃO EDITORAS BRASILEIRAS! É preciso traduzir e publicar este livro por aqui, para entendermos direitinho sob que tacão nos encontramos atualmente! Este modesto tradutor que vos fala está disponível para a tradução.

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O coração revolucionário do comunismo não está no apelo teatral: "Trabalhadores do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões". Esta é uma simples expressão de Karl Marx, mais tarde simplificada para uso mais útil: “Até o momento, os filósofos apenas interpretaram o mundo; o fundamental agora é transformá-lo.” Comunistas não estão unidos por um juramento secreto. O que os une acima das fronteiras das nações, acima da barreira das línguas e diferenças de classes, em desafio à religião, moralidade, verdade, lei, honra, fraqueza do corpo e irresoluções da mente, mesmo em desafio à morte, é uma simples convicção: é fundamental transformar o mundo. O poder dos comunistas, cuja natureza desconcerta o resto do mundo – porque, em grande medida o resto do mundo perdeu esse poder – é o poder de ter convicções e agir de acordo. É o mesmo poder que move montanhas; é também um infalível poder que move os homens. Os comunistas são aquela parte da humanidade que recuperou o poder de viver e morrer – testemunhar – por sua fé. E é uma fé simples e racional que os inspira a viver e morrer por ela.

Ela não é nova. É, de fato, a segunda fé humana mais antiga. Sua promessa foi sussurrada nos primeiros dias da Criação, sob a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal: “E sereis como deuses.” É a grande fé alternativa da humanidade. Como todas as grandes fés, sua força deriva de uma visão simples. Outras épocas tiveram grandes visões. Foram sempre diferentes versões da mesma visão: a visão de Deus e o Seu relacionamento com o homem. A visão comunista é a visão do Homem sem Deus.

É a visão da mente do homem desalojando Deus como a inteligência criativa do mundo. É a visão da mente liberada do homem, pela força única de sua inteligência racional, redirecionando o destino, e reorganizando a vida, do homem e do mundo. É a visão do homem, uma vez mais a figura central da Criação, não porque Deus o fez à Sua imagem, mas porque a mente do homem o fez o mais inteligente dos animais. Copérnico e seus sucessores desalojaram o homem como o fato central do universo ao provarem que a terra não era a estrela central do universo. O comunismo restaura o homem à sua soberania pelo simples método de negar Deus.

A visão é um desafio e comporta uma ameaça. Ela desafia o homem a provar por seus atos que ele é a obra mestra da Criação – tornando pensamento e ato uma só coisa. Desafia-o a provar isso usando a força de sua mente racional para pôr fim ao despropósito da história humana – emprestando-lhe um propósito e um projeto. Desafia-o a provar isso reduzindo o caos sem sentido da natureza, impondo sobre ela sua vontade racional para criar ordem, abundância, segurança e paz. É a visão do materialismo. Mas tal visão também contém a ameaça de que o homem se afundará de volta na selvageria (as bombas A e H levantaram a questão de formas explosivas), até que a natureza o substitua por uma forma de vida mais inteligente.

É uma visão intensamente prática. As ferramentas para transformá-la em realidade estão à mão – ciência e tecnologia, cujo método tradicional, a rigorosa exclusão de todos os fatores sobrenaturais na solução de problemas, têm contribuído para o clima intelectual em que a visão floresce, do mesmo modo que têm contribuído para a crise em que o comunismo prospera. Pois a visão é compartilhada por milhões que não são comunistas (são parte da força secreta do comunismo). Seu primeiro mandamento é encontrado, não no Manifesto Comunista, mas na primeira sentença dos livros introdutórios de física: “todo o progresso do homem até hoje resulta da capacidade de realizar cuidadosas medições.” Mas o comunismo, pela primeira vez na história, tornou essa visão a fé de um grande movimento político moderno.

Assim, o Partido Comunista está bem fundamento ao chamar a si do partido mais revolucionário da história. Ele propôs, de forma prática, a mais revolucionária questão histórica: Deus ou o Homem? Ele deu o próximo passo lógico que trezentos anos de racionalismo hesitou em dar, e disse o que milhões de mentes modernas pensam, mas não ousam ou se interessam em dizer: se a mente humana é a força decisiva no mundo, qual a necessidade de Deus? De agora em diante, a mente do homem é o seu destino.

Essa visão é a revolução comunista que, como todas as grandes revoluções, ocorre na mente do homem antes de tomar forma nos atos humanos. Insurreição e conspiração são meramente métodos de realizar a visão; são meramente parte da política do comunismo. Sem essa visão, eles, tal como o comunismo, não teriam sentido e não poderiam reunir sequer um grupo de batedores de carteira. O comunismo não convoca os homens ao crime ou à utopia, como seus críticos superficiais gostam de pensar. No plano da fé, ele convoca a humanidade a voltar sua visão à realidade prática. No plano das ações, ele convoca os homens a lutar contra a inércia do passado que, personificada nas formas sociais, políticas e econômicas, alega o comunismo, está bloqueando a vontade da raça humana em dar seu próximo grande passo adiante. Convoca os homens a superar a crise que, o comunismo alega, é de fato uma crise de lacerante frustação, diante de um mundo incapaz de quedar-se, mas relutante de avançar pelo caminho que a lógica de uma civilização tecnológica indica – o comunismo.

Esta é a sanção comunista, que possui dois aspectos. Sua visão aponta o caminho para o futuro; sua fé trabalha para transformar o futuro na realidade presente. Ela diz a todo homem que a subscreve: a visão é um problema prático da história; o caminho a atingir é um problema prático da política, que é o tempo presente da história. Terá você a força moral de assumir os crimes da história de modo a que todo homem, finalmente, possa concluir sua crônica de sofrimento milenar e estúpido, e o substituir por um propósito e um plano? A resposta que um homem dê a essa questão será a diferença entre o comunista e aqueles socialistas variados, esquerdistas, companheiros de viagem, progressistas sem denominações e homens de boa vontade, os quais compartilham a mesma visão, mas não compartilham a fé, porque não assumirão as penas da fé. A resposta é a raiz daquele senso de superioridade moral que faz com que comunistas, embora flagrados no crime, repreendem seus oponentes com fulminante hipocrisia.

A visão comunista tem um poderoso agitador e um poderoso propagandista. Eles são a crise. O agitador não precisa de retórica de baixo nível. Sua fala atinge insistentemente um ponto da mente humana em que se esconde o desespero. O propagandista não escreve contrassenso. Sua fala atinge insistentemente um ponto em que a esperança e a energia humanas se fundem.

A visão inspira. A crise impele. O trabalhador é principalmente movido pela crise. O homem instruído é principalmente movido pela visão. O trabalhador, vivendo no limiar da sobrevivência, pode se permitir poucas visões – mesmo visões práticas. Um homem instruído, contemplando dos jardins de Harvard, ou de qualquer outro campus universitário, o caos do mundo, encontra na visão duas certezas que a mente humana busca incansavelmente: a razão para viver e a razão para morrer. Nenhuma outra fé de nosso tempo as apresenta com a mesma intensidade prática. Esta é a razão de o comunismo ser a experiência central da primeira metade do século XX, e talvez sua experiência final – e será, a menos que o mundo livre, em agonia em sua luta contra o comunismo, sobrepuje sua crise pela descoberta, por meio do sofrimento e da dor, de um poder de fé que proverá à mente humana, na mesma intensidade, as mesmas duas certezas: a razão para viver e a razão para morrer. 

9 comentários:

Anônimo disse...

Putin tem feito pressão pela consagração da Rússia ao Sagrado Coração de Maria e foi ridicularizado no seu último encontro com o Sumo Pontífice, por sinal é maçom...
E assim vai o mundo em direcção ao abismo.

Anônimo disse...

O Concílio sionista e o Vaticano II. Vejam onde está o Papa Bergoglio.
http://poenitentia.blog.com/2014/08/30/o-concilio-sionista/

Frederico disse...

Professor,

que texto incrível. Extremamente didático também.

Muito obrigado por essa tradução.

Anônimo disse...

Prezado,

Onde o senhor viu que Putin quer a consagração da Rússia Tem como dizer a fonte

Grato, Durval.

Anônimo disse...

Prezado, qual fonte foi consultada para saber que Putin quer a consagração da Rússia?

Antônio Emílio Angueth de Araújo disse...

Caros,

Nunca se esqueçam que Putin é comunista; a ele se aplica integralmente as palavras de Chambers.

Ad Iesum per Mariam.

Nik disse...

Uma vez o senhor escreveu aqui, acho que em resposta a um leitor, que o comunismo é a teoria política da gnose, ou algo próximo disso. Essa sua pequena gota deságua no rio de idéias que é o texto. Adorei, obrigado!

Paz, Nik.

Junior Ribeiro disse...

Duas boas editoras que podem publicar necessaria obra são a Vide e Ecclesiae. Converse com seus responsáveis , Professor. Com certeza pensarao com carinho em publica-lá.

Anônimo disse...

Os erros da Rússia espalhar-se-iam pelo mundo: o comunismo está entre eles.