sexta-feira, março 11, 2011

Rom 8:22 – A Campanha da Fraternidade do sindicato panteísta dos bispos do triste Brasil

Que péssima lembrança a da CNBB, tomando como mote da CF2011 um versículo da Epístola aos Romanos! É nela que Paulo fala ferozmente o que se aplica muito bem aos senhores bispos: “Vangloriando-se, embora sábios, tornaram-se estultos, e trocaram a glória de Deus indefectível pela reprodução em imagens do homem corruptível, de aves de quadrúpedes e de répteis.” (Rom 1:22-23) Começaram, em síntese a adorar a natureza. Abraçando a falácia do aquecimento global, que é apenas a última moda dos comunistas, “new agers” e internacionalistas de plantão, os bispos do Brasil se tornam como estes “estultos” panteístas adoradores de ídolos, “Por isso é que Deus os abandonou, em poder da concupiscência dos seus corações” (Rom 1:24).

Mas vejamos se o versículo escolhido pela CNBB condiz com o que este sindicato de bispos quer que nós católicos acreditemos. Testemos o conhecimento exegético de nossos bispos. Reproduzamos um trecho um pouco maior (Rom 8:19-23): “Portanto, a criação atende ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. De fato, a criação foi submetida à caducidade, não por sua inclinação, mas por vontade daquele que a submeteu, na esperança, porém, de que as próprias criaturas serão libertadas da escravatura da corrupção, para participarem da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Sabemos, com efeito, que a criação inteira geme e sofre em conjunto, as dores do parto, até ao presente. E não só ela: também nós próprios, que possuímos as primícias do Espírito, gememos igualmente em nós mesmos, anelando a adoção filial, a redenção do nosso corpo.”

Será que o gemido da criação inteira, suas dores de parto, se refere aos maus tratos que o homem dá à natureza? Será que Paulo está dizendo que os homens é que fazem a natureza gemer? Será a interpretação da CNBB das palavras de Paulo corresponde minimamente ao que diz a Tradição?

Sobre esse trecho, reproduzo um comentário do extraordinário livro de Josef Holzner, Paulo de Tarso (Editora Quadrante, 2008) que se encontra em sua página 411.

“Paulo nos sugere a imagem, cheia de melancolia e de poesia, da Criação que sofre ‘dores do parto’ e anseia por uma transfiguração. A história da humanidade e da Criação é um mistério, e não encontra qualquer explicação em si própria; não existe nenhum sentido imanente na História, como pretende o panteísmo [ouviram, senhores bispos!]. Em sim mesma, a História é um monstro, uma esfinge cujo enigma a humanidade tenta em vão decifrar desde os dias de Jó, e nem a Revelação nem a Redenção ergueram esse véu que oculta o destino. Pelo contrário, abriram-nos os olhos e fizeram-nos tomar consciência dos abismos à beira dos quais nos movemos, apesar de também nos assegurarem que todas as dissonâncias se reabsorverão finalmente na harmonia eterna. Se Virgílio ouve chorar as coisas (sunt lacrmae rerum, diz: ‘há lágrimas nas coisas’), o Apóstolo vê as criaturas elevarem as mãos ao Criador, num gesto de súplica, procurando ser libertadas da servidão do Maligno, ‘da sujeição à corrupção’ (Rom 8:21). [atenção bispos: a criação sente dores de parto porque está sujeita à lei da corrupção!] Os santos souberam captar esse mudo olhar da criatura maltratada [maltrata pela corrupção, senhores bispos!], e São Francisco de Assis ficou de tal modo impressionado como esse olhar que estreitou contra o seu coração todas as coisas criadas.”

Não conheço outro texto tão conciso quanto este para explicar o que os bispos parecem não compreender. A criação toda, incluindo os seres humanos chora e sente as dores do parto por causa da Queda (A Vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas!). A lei da corrupção é a lei de nosso estado.

Portanto, parem de tentar enganar os católicos do Brasil, senhores bispos da CNBB. O que vocês querem com esta CF2011 é pregar o panteísmo “new age”, usando para isto uma “ciência” vagabunda e de quebra achincalhando a verdadeira Doutrina Católica. Vocês já leram Ap 21:8?

12 comentários:

Israel TL disse...

Bravo!

Anônimo disse...

Cuidado com a exegese, Professsor!

Embora a CNBB possa tropeçar na exegese, o que dizer, então, de um leigo? Será que os membros da CNBB se confundem por falta de formação? Talvez eles tenham sido confundidos pela ideologia marxista. Entretanto, não estariam os seus críticos confundidos pela ideologia capitalista?

Não tenho dúvidas de que a CNBB tem uma visão correta da exegese, assim como o senhor apontou. Entretanto, não está ela correta ao perceber que o extremo materialismo transformou o homem num inimigo da natureza que o acolhe?

Vemos o consumismo e, metaforicamente, a natureza sofre com isso. Quanto plástico está contaminando a natureza e o ciclo da vida em geral? Quanto dessa gulodice - consumir a natureza - não é mesmo o pecado capital que torna o homem numa simples bactéria voraz?

Em tudo que se refere à legalidade natural, e mesmo consensual, há coincidência entre a visão de Cristo e a visão de qualquer pensador inteligente, incluindo Marx. Aliás, há suspeita de que Marx adotou parte da linguagem do cristianismo para melhor injetar nas mentes acríticas um cristianismo sem Deus e imposto à força.

O homem está agindo mal contra a natureza e contra si. Com isso, ele está agindo mal contra o Criador da natureza e do homem. A CNBB, portanto, não pode estar totalmente errada embora, em parte, possa ter sido cooptada, inadivertidamente, pelo humanismo marxista.

Mas, por outro lado, não teria o professor Angueth sido cooptado, inadivertidamente, pela direita capitalista servidora de Mamom? Se o fez, não deve ter sido intencionalmente.

Estou apenas tentando aprender a pensar criticamente.

Lucas disse...

Bravíssimo!!!

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Anônimo modernista,

Você diz: “há coincidência entre a visão de Cristo e a visão de qualquer pensador inteligente, incluindo Marx”. Isto resume bem sua origem. Você é formado na Teologia da Libertação. Você é partidário de Escariotes, que queria um Jesus libertador de Israel.

A CNBB, na Quaresma, deveria estar preocupada com nossa conversão a Cristo, não ao mundo. Ela deveria falar menos de poluição e mais de pecado, mais de Redenção, mais de penitência, esmola, castidade, etc. Você também deveria estar pensando mais nisso, invés de estar defendendo este sindicato.

Quanto ao capitalismo, vá ao marcador Economia e Capitalismo do blog para você aprender mais sobre a doutrina da Igreja acerca destas questões. Leia a Rerum Novarum de Leão XIII e veja lá a condenação que este grande papa faz da doutrina de seu amiguinho Marx e do capitalismo.

Dois recados finais:
1) Pare de querer pensar criticamente. Isto é baboseira marxista. Reze o terço, leia a vida do Santos e a Doutrina da Igreja, vá a Missa, confesse e comungue regularmente.
2) Se quiser discutir mais, IDENTIFIQUE-SE; saia do anonimato.

Em JMJ.

Rafael Christiano disse...

Pax Domini sit semper tecum!

Olá,

Nem sei mais o que é isto a CF!!!

Nosso Padre em Rio Preto dá boas homilias, cuida de assuntos para salvação de nossas almas, em vez de se preocupar com a CF.

Que graça de Deus não escutar mais essas coisas.

Manfredo disse...

Sábias palavras professor!

E é impressionante que qualquer interpretação a nível espíritual é tida como capitalista, por estes comunistas disfarçados de cristãos.

Abraços!

Anônimo disse...

"E é impressionante que qualquer interpretação a nível espíritual é tida como capitalista, por estes comunistas disfarçados de cristãos."

Os cristãos devem mostrar sua identidade pela capacidade de viver em comum, inclusive partilhando seus bens. Mas isso nada tem a ver com comunismo no seu sentido marxista.

Por isso é preciso tomar cuidado com a linguagem usada. Certas palavras, pelo seu peso emocional, distorcem toda a comunicação. Até mesmo entre os católicos romanos.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro anônimo,

Não existe comunismo que não seja no sentido marxista! Por isso é que quando a Igreja condena o comunismo, e ela já o fez em muitíssimos documentos, ela não adjetiva tal palavra.

Guarde bem uma coisa: não existe comunismo católico e NUNCA confunda a Caridade com o comunismo; isto é uma confusão que nenhum católico pode fazer, sem o perigo de heresia.

Insisto: leia a Rerum Novarum de Leão XIII.

Em JMJ.

Anônimo disse...

Certo, Professor Angueth

Eu apenas estava chamando a atenção para a diferença entre uma palavra e um termo técnico.

Comunismo, certamente é um termo técnico marxista. Então, a palavra não pode mais ser usada dentro da perspectiva do catolicismo.

Os seguidores de Cristo, em Atos, foram chamdos cristãos. Eles criaram uma espécie de fundo comum. Cada um depositava de acordo com suas possibilidades e retirava de acordo com suas necessidades.

Marx usou isso a seu favor. Ele usou a terminologia básica cristã para difundir mais facilmente sua ideologia entre os cristãos.

Ele tinha uma estratégia. É isso que estou tentando dizer.

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro anônimo,

Você diz: "Os seguidores de Cristo, em Atos, foram chamdos cristãos. Eles criaram uma espécie de fundo comum."

Você fala de At 4:36;5:4. Meu Novo Testamento (Novo Testamento das Paulinas, de 1969. Os exegetas são os padres Frederico Dattler, Daniel de Conchas, Léo Persch, Antônio Chabel e Joaquim Salvador. Comentário do Instituto Bíblico de Roma) traz um comentário à expressão “tinham tudo em comum” que acho bom você ler:

"Era um heroísmo santo e voluntário dos ricos que ajudavam generosamente aos pobres; a esse heroísmo aderiam, com plena liberdade, os que quisessem, como hoje ainda sucede na disciplina da pobreza das ordens religiosas. O fato, contudo, não era tal que pudesse ir além do período heróico primitivo da Igreja, favorecido como era pela abundância transitória dos carismas. Aliás, fora de Jerusalém só foi imitado esporadicamente. Seria, sem dúvida, absurdo querer apelar para esse exemplo de heroísmo voluntário para justificar a bárbara loucura de um comunismo imposto a todos pela força, e que teria por conseqüência a destruição da liberdade humana, da unidade familiar e de todas as fontes do progresso da civilização, acabando no embrutecimento universal."


É isso aí!

Em JMJ.

Gustavo disse...

No CNBB se assisti muito filmes que os inspira, inclusive aquele Avatar

Anônimo disse...

Sim, Professor. Concordo com o comentário. Nunca pensei diferente a esse respeito.