segunda-feira, abril 26, 2010

Orlando Fedeli e eu

 

Notas do blog: 1) É inevitável, dada a situação das coisas, e depois do post Olavo de Carvalho e eu, que muitos leitores me perguntassem o que eu penso sobre o Prof. Orlando Fedeli. Isso porque parece que o mundo está atualmente dividido entre olavetes e orlandetes. Quando aparece algum ser estranho que consegue admirar os dois grandes brasileiros, que consegue ser grato a ambos, que consegue reconhecer o papel de ambos em sua própria vida, isto parece ser uma aberração. E, como todos sabem, as aberrações têm sempre que se explicar.

2)Há um depoimento sobre o Prof. Orlando de pessoa muito mais competente, Sidney Silveira, no ContraImpugnantes. Contudo, resolvi dar o meu modesto depoimento em resposta aos meus leitores.

Conheço pessoalmente o prof. Orlando há uns quatro anos. Encontro com ele, em suas visitas a Belo Horizonte, de duas a três vezes por ano. Assisto suas conferências, que muito aprecio.

Ironicamente, conheci o prof. Orlando por meio da famosa polêmica que ele manteve com Olavo de Carvalho lá pelos anos 1999-2000. Naquela época, já conhecia o prof. Olavo e, através dele, conheci o prof. Orlando. Assim, o prof. Olavo me apresentou o prof. Orlando.

De lá para cá, não há um dia que não consulte o site da Montfort. O prof. Orlando teve um papel muito grande na minha re-conversão. Ele sabe disso. Ele é um homem imprescindível, pois, é fonte seguríssima da Doutrina Católica. Nunca deixei de encontrar nele ou em sua página na Internet respostas para as minhas perguntas sobre a Igreja ou seus inimigos. Quando alguém me pede alguma coisa para ler sobre algum aspecto da doutrina da Igreja, não tenho dúvida em direcioná-lo para o site da Montfort. Meus filhos, em suas dúvidas, estão constantemente a consultá-lo.

Quem mora em São Paulo tem um raro privilégio, que é o de freqüentar os cursos que são dados pela Associação Montfort, que cobre uma ampla gama de assuntos católicos. Desde o Catecismo Romano, que é ministrado por sua esposa, até aulas de latim, passando por história da Igreja, arte sacra, etc. Sua esposa mantém um colégio católico de ensino fundamental e médio. Fazem isso tudo por amor à Igreja de Cristo.

O prof. Orlando é um homem incansável em sua obra em prol da Igreja e da conversão dos hereges e ateus. Em suas conferências, por todo o Brasil, se a audiência ou os organizadores não o instarem a parar nas horas do almoço e dos lanches, ele é capaz de falar por horas a fio, com a mesma verve, a mesma competência, o mesmo amor a Cristo. E ele já não tem nem idade, nem saúde para tanto. Faz isso por caridade.

Quase tudo que sei da doutrina da Igreja, comecei sabendo com o prof. Orlando. Quando me pedem para fazer alguma conferência sobre aspectos do catolicismo, minha primeira consulta sobre bibliografia é na Montfort. Se querem saber sobre cruzadas, inquisição, crise atual da Igreja, Concílio Vaticano II, espiritismo, sobre a devoção à Nossa Senhora, etc., a Montfort é um bom começo.

Uma das coisas que aprendi na vida é que quando nos encontrarmos frente a frente com um grande homem, a capacidade de reconhecê-lo é uma das mais importantes. Se não reconhecemos um grande homem, não reconhecemos a pequenez que existe em nós. O prof. Orlando é um grande homem. Graças a Deus ele é católico. Graças a Deus ele quer nos ensinar. Graças a Deus ele é um excelente professor. Que Deus o mantenha por muito tempo entre nós!

7 comentários:

jar disse...

Antonio,

Parabéns pelo belissimo e emocionante testemunho.
Concordo e me junto as suas palavras.


JAR

Anônimo disse...

Professor,

É louvável que o senhor consiga ver qualidades nos professores Olavo e Fedeli e, apesar de ambos se posicionarem como críticos mordazes um do outro, render tributo aos dois.

Esse é o tipo de "ecumenismo" que eu defendo. Há irmãos que se odeiam, mas que são meus irmãos. Eles têm qualidades que eu admiro, e penso até que tenho a obrigação de gostar deles, embora não possa reunir-me com eles, simultaneamente, num mesmo local.

Esse "ecumenismo", em nível global, implica reconhecer que todos habitamos a mesma Terra. Devemos, pois, cuidar dela, independente de nossas visões de mundo, desde que estejamos de acordo que nossas vidas dependem da saúde do Planeta.

Parabéns pelo seu exemplo!

Anônimo disse...

O que eu acho mais - como direi? - instigante é o seguinte: quando o Professor Anghet disse qualquer coisa positiva sobre o Olavo, choveu fedelismo por aqui - nada contra, aliás. Mas não deixa de ser curioso o presente silêncio daqueles mesmos comentadores diante da oportunidade de corroborar as palavras do blogueiro, que há poucos dias era alvo de tantos alertas preocupados.

André Falavigna

Augusto disse...

Sr. André

Até pensei em fazer o que diz, mas não elegi esta tarefa como prioridade.
Devo dizer que ao professor Angueth que concordo com muitas de suas palavras e ainda espero bastante do professor Orlando! Espero muito também do senhor!
Abs
Augusto

Anônimo disse...

Professor Angueth,

Sou um aluno tentando compreender a interação entre fé e razão, teoria e prática, verdade e mentira, erro e acerto.

Ao estudar filosofia, deparei-me com dois autores que fizeram uma distinção compreensível para mim:

1) Platão fez a distinção entre opinião (doxa), conhecimento científico (episteme) e conhecimento dialético (dianôia);

2) Kant, refinando Platão, fez a distinção entre opinião, crença e saber.

O senhor já estudou esse tipo de distinção em Aristóteles? Creio que ela é uma importante base para um aprendiz como eu.

PS.: Penso que minha dúvida tem tudo a ver com a compreensão dos professores Olavo e Fedeli.

Atenciosamente,
Gnófilo Gouveia

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Gnófilo,

Há um montão de problemas nas oposições que você apresenta. A filosofia nasceu tentando esclarecer a questão da mentira e da verdade. Já a questão da distinção entre fé e razão só aparece com o cristianismo. Neste caso, a referência primeira é Santo Tomás de Aquino na sua Suma Teológica (ou na Suma Contra os Gentios). Note inicialmente que fé não é crença cega, não é crença irracional, não é o abandono da razão. Tudo isso vem, de um lado, dos inimigos da Igreja, e de outro, do subjetivismo que o protestantismo criou. Fé é virtude teologal! Não há oposição entre virtude e razão!

Quanto a Aristóteles, acho que a melhor referência para você tratar das suas oposições é "Aristóteles em Nova Perspectiva: a teoria dos quatro discursos", de Olavo de Carvalho. Lá você encontrará um tratado sobre os discursos humanos, dentre eles o dialético e o científico.

Quanto a Kant, o melhor é esquecê-lo. Ele era agnóstico e com um agnóstico ninguém aprende nada, por princípio.

Não sei se eu concordo com o seu "P.S.", ou mesmo se eu o entendi. Parece que você coloca os professores Olavo e Orlando como expoentes de uma de suas oposições; talvez fé e razão. Se tiver sido isso mesmo, eu acho que você está equivocado. Nenhum dos dois concordará com você que haja oposição entre fé e razão. Eu não penso que eles representem oposições filosóficas, senão de perspectiva. Na minha opinião, eles concordam em quase tudo que diz respeito à filosofia e à religião, apenas que de perspectivas diferentes.

Espero ter lhe ajudado em suas reflexões.

Obrigado pela visita e pelo comentário.

Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Anônimo disse...

"Parece que você coloca os professores Olavo e Orlando como expoentes de uma de suas oposições; talvez fé e razão."

Prezado Professor Angueth,

Obrigado pela resposta.

Quantos aos professores Fedeli e Olavo, não os coloco no confronto fé e razão. Apenas suponho que eles não estão afinados quanto ao conceito de verdade e seus critérios.

Como os dois têm forte apreço pela filosofia, especialmente a tomista, cuja origem é aristotélica, suponho que o conhecimento da visão de Aristóteles a respeito da verdade e seus critérios é a chave para compreender o por quê de parecerem estar em oposição.

Contudo, já que o senhor teve essa dúvida, agora fico pensando se não é essa mesmo a distinção: o professor Fedeli fala mais como religioso apegado aos dogmas, aceitando como critério de verdade a palavra do Papa falando ex-cathedra; já o professor Olavo parte da razão crítica, submetendo qualquer fato à análise intelectual, sem tomar os dogmas como ponto de partida.

Se assim for, julgo que o professor Fedeli é mais aderente à fé católica, enquanto o professor Olavo tem na fé católica a melhor responta possível, mas não totalmente satisfatória, às suas preocupações com a eternidade.

Atenciosamente,
Gnófilo