segunda-feira, dezembro 03, 2007

Americanos, eis aqui seus candidatos democratas à presidência

Dennis Prager



Se você deseja conhecer em que os candidatos democratas à presidência e o Partido Democrata acreditam, os debates, não raro ridicularizados como intelectualmente inconseqüentes, revelam muito. O problema é que a mídia quase nunca publica as mais importantes afirmações feitas pelos candidatos. Eis aqui, então, algumas dessas afirmações, tomadas do mais recente debate, seguidas de um comentário sobre seu significado.

Joseph Biden, sobre como ele trataria a Rússia: “Quem entre nós vai pegar o telefone e imediatamente falar com Putin e dizê-lo para se retirar da Geórgia, pois [presidente] Saakashivili está realmente encrencado.”

O senador Biden, diz que pegaria o telefone e diria ao presidente russo para se “retirar” um país vizinho. Uma das principais críticas dos democratas à administração Bush não é exatamente que ela tem feito uma “diplomacia de cowboy”? E qual a resposta que o senador Biden esperaria de Putin? “Sim, presidente Biden, seja feita a vossa vontade”. E são eles que dizem que o presidente Bush está desligado da realidade.

John Edwards, sobre a fome nos EUA: “Trinta e cinco milhões de americanos passaram forme, ano passado … O tema desta eleição será as 35 milhões de pessoas que passam fome todos os anos.”

Não há nenhuma verdade nessa acusação contra os EUA. O único fundamento para isso é um Relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) dizendo que 35 milhões de americanos experimentaram uma “insegurança alimentar domiciliar” em 2006. Esse termo não significa, enfatiza o USDA, fome, mas ser forçado a reduzir a “variedade da dieta” ou comer “uns poucos alimentos básicos” em vários períodos do ano. Se um país pudesse processar alguém por difamação, os EUA deveriam abrir um processo contra o Sr. Edwards.

Barack Obama, sobre conceder a carteira de motoristas a imigrantes ilegais: “Quando fui senador por Illinois, votei para que os estrangeiros ilegais fossem treinados, conseguissem uma carteira, conseguissem um seguro saúde, tudo em nome da segurança pública. Essa era minha intenção.”

Obama, sobre não conceder a carteira de motoristas a imigrantes ilegais: “Não estou propondo que isso seja feito. O que estou dizendo é que não podemos – [interrompido por risadas]. Não, não, não, não, veja, eu já disse que eu apoio a nossa idéia de tratar a segurança pública e a concessão de carteiras de motorista em nível estadual, o que pode dar resultados. Mas o que também digo, Wolf [Blitzer], é que se continuarmos sendo distraídos por esse problema não teremos como resolvê-lo”

Qual é exatamente a posição do senador Obama sobre conceder a carteira a imigrantes ilegais? Claramente, ele é a favor e contra. Mas, ainda mais importante, ele é contra ser distraído por isso.
Dennis Kucinich, sobre conceder carteiras de motorista a imigrantes ilegais: “Discuto sua descrição das pessoas como sendo imigrantes ilegais. Em primeiro lugar, não há seres humanos ilegais.”

Quem disse algo sobre “seres humanos ilegais”? “Imigrante ilegal” descreve o status de imigração de alguém, não sua humanidade. Tal afirmação confunde o discurso público.

Hillary Clinton (discursando no Paquistão), sobre a ligação entre a democracia num país islâmico e a segurança americana: “Há uma clara conexão entre um regime democrático e a elevada segurança dos EUA.”

Não é isso precisamente o que o presidente Bush tem dito por anos sobre o Iraque? E não é exatamente essa idéia que os democratas tem desprezado?

Bill Richardson, sobre estratégia militar no Iraque não estar funcionando: “Não devíamos estar falando sobre o número de mortos. A morte de um americano já é excessiva.”

Ao analisar o sucesso de uma mudança de tática militar, um homem que pretende ser o comandante-em-chefe diz que “não devíamos estar falando sobre o número de mortos.” E por quê? Porque “a morte de um americano já é excessiva.” Se alguém tivesse perguntado ao Gov. Richardson sobre se uma nova política de tráfego, que reduzissem grandemente as fatalidades do trânsito, estivesse dando certo, ele responderia, “Não devíamos estar falando sobre o número mortos ... a morte de um americano já é excessiva.”

Obama, sobre o mesmo tema (Blitzer: “Colocarei a mesma questão para o senhor: A estratégia do General Petraeus está funcionando?”): “Não há dúvidas de que porque enviamos tropas ao Iraque -- mais tropas americanas ao Iraque, que estão fazendo um magnífico trabalho e uma diferença em certas localidades. Mas a estratégia geral é um fracasso, pois não temos visto uma mudança de comportamento dos líderes políticos iraquianos. E essa é a essência do que deveríamos estar tentando fazer no Iraque.”

A “essência” do que as tropas fazem em guerra é vencer o inimigo. O que “uma mudança de comportamento dos líderes políticos iraquianos” tem a ver com a questão a respeito do aumento de tropas estar funcionando?

Clinton, sobre se ela explorará, na eleição, o fato de ser mulher: (Campbell Brown: “Senadora Clinton, a senhora visitou sua alma mater recentemente, Wellesley College, e disse lá que sua experiência a preparou para competir em qualquer ‘clube de meninos’ da política presidencial. Ao mesmo tempo, sua campanha tem acusado esses ‘clubes de meninos’ de estarem exagerando seus ataques contra a senhora. E então seu marido recentemente veio em sua defesa dizendo que os ‘meninos’ estão se tornando agressivos com a senhora e alguns têm sugerido que a senhora, que a sua campanha, que seu marido estão explorando o gênero como uma questão política durante a campanha presidencial. O que está realmente acontecendo?”): “Bem, eu não estou explorando nada, absolutamente. Não estou usando, como alguns dizem, the gender card ....”

À luz da questão, deixarei ao leitor a determinação da credibilidade da negação.

Richardison, sobre se ele retiraria do Iraque todas as empresas contratadas pelo governo (“O senhor sabe que senador Obama disse que retiraria todas as empresas privadas contratadas, se ele fosse presidente. Mas sabendo quão sobrecarregados nossos militares estão, o senhor acha essa uma solução prática?”): “Sim. Eu retiraria os contratados.”

A quem, então, o senador Obama e o governador Richardson entregariam a reconstrução do Iraque?

Obama, sobre a elevação a alíquota de imposto de segurança social dos americanos: “O que podemos fazer é apenas ajustar a faixa máxima do imposto ... Entenda que somente 6% dos americanos ganham mais de US$ 97.000 por ano, apenas 6% não pertencem á classe média – são a classe rica.”

Segundo o senador Obama, uma família de quatro pessoas cujo rendimento bruto anual é de US$ 96.000 é rico. Todos os americanos deveriam entender a quem os democratas consideram “rico”, quando eles falam de aumentar os impostos para “os ricos”.

Clinton, Obama e Edward, sobre o aborto como questão de privacidade (“Senadora Clinton, seria uma condição sine qua non para a senhora que todos que a senhora nomear para a Suprema Corte compartilhe suas idéias sobre o aborto?”):

Clinton: “Bem, eles teriam de compartilhar minhas idéias sobre privacidade, e penso que isso está ligado [ao aborto]. Privacidade, em minha opinião, faz parte de nossa Constituição.”

Obama: “Eu não nomearia alguém que não acreditasse no direito à privacidade.”

Edwards: “Eu insistiria que eles reconhecessem o direito à privacidade e reconhecesse Roe v. Wade como lei.”

Vale a pena observar que muitos acadêmicos esquerdistas pró-escolha, tal como o prof. da Faculdade de Direito de Harvard, Laurence Tribe, têm falado de Roe v. Wade usando o direito à privacidade para legalizar o aborto por meio da jurisprudência. Há argumentos racionais para que se evite que toda mulher que cometa o aborto seja criminalizada, mas o argumento de que matar um ser humano na fase uterina é somente uma questão de privacidade não é um deles.

Obama, sobre os EUA ensinar os islâmicos a amar ou a odiar os EUA: “Não vamos apenas liderar militarmente; vamos liderar por meio da construção de escolas no Oriente Médio que ensine matemática e ciência, ao invés de ódio aos americanos.”

Outro democrata que acredita que o anti-americanismo no mundo islâmico é culpa dos americanos, e que ele pode, portanto, ser desfeito pela construção de escolas lá. E é o presidente Bush que é acusado de estar “desligado da realidade.”

Clinton, sobre como os americanos deveriam agir: “Vamos reunir os melhores que temos nos EUA e começar a agir como americanos novamente, a fim de resolvermos nossos problemas e fazer a diferença.”

A senadora Clinton usa esta frase – “Vamos começar a agir como americanos de novo” – repetidamente. Se essa é alguma frase em código para as esquerdas, tudo bem. Mas o restante de nós não sabe o que ela significa. Quando os americanos pararam de agir como americanos? E o que significa mesmo “agir como um americano”?

Essas são algumas das palavras e pensamentos, de somente um debate, daqueles que almejam a nomeação do Partido Democrata como candidato à presidência dos Estados Unidos.

É importante também observar que, como em outros debates prévios, nenhum pré-candidato democrata jamais mencionou o terror “jihadista” ou “islâmico”.

E um deles pode muito bem ser o próximo presidente dos Estados Unidos.

Publicado por Townhall.com

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