domingo, dezembro 10, 2006

Cartas para meu e-mail pessoal sobre o Linux

Com as minhas respostas em itálico. Como de costume, omito o e-mail do rementente. Há, como sempre, muito da mesma baboseira dos linuxmaníacos.


-----Mensagem original-----
De: TIBOR [mailto:tibor_hodos@]
Enviada em: quinta-feira, 7 de dezembro de 2006 17:35
Para: araujo@cpdee.ufmg.br
Assunto: Software livre: de graça?

Caro Sr.


Em um texto relativamente curto, o autor não se fez
entender. Misturando conceitos primários de física
(que ficaram mal explicados) com uma teoria de que se
você misturar economia com receita de bolo degenera a
sociedade brasileira (deve ser por isso que os nossos
políticos são assim, eles comem muito bolo), ele chega
à conclusão de que o Linux foi produzido por
esquerdistas.
E continuando a aula de culinária ele avisa, que se
você colocar uma pitada de caridade "o bolo vai
desandar". É isso aí, Capitalismo Selvagem, que se
dane o próximo. Professor Antonio Emílio, esse é o
cara.
Pegando da parte concernente ao Linux, fizeste uma
mistureba professor, que dá dó.
Primeiro, mais uma vez, o Linux não é de graça (pois
você pode cobrar pelo serviço, qualquer que seja ele),
a DISTRIBUIÇÃO é que é gratuita. Para quem ainda não
entendeu, é como se você, para fornecer o cd com a
distribuição você cobrasse pelo custos da gravação,
mas em contrapartida teria que empresta-lo para cópia.
Continuando a análise do seu texto vemos alguns
conceitos errôneos, como:
O Linux foi criado para competir com o Windows. Não
foi professor, pode ser uma decepção para o Sr., mas a
vida é assim.
O Linux é desenvolvido (este é o termo correto) por
"despojados" de qualquer ambição. Não, não são
"despojados". Mas são pessoas com outros objetivos,
outras visões de vida e temos de respeita-las (o que
parece, não é o seu caso).
Uma distribuição Linux é difícil de instalar e usar.
Não, uma distribuição Linux já vem com TUDO que o
usuário comum pode precisar, é mais fácil do que o
rWindows para instalar e (como diz o professor) é só
sair operando (será que é porque operational system,
acho o termo "usando" melhor).

Outros detalhes do seu texto, para encerrar, que não
condizem com um texto razoável são:
O Windows pode ser encontrado em qualquer esquina,
por R$400,00. Totalmente fora da realidade, inclusive
de se encontrar alguma coisa fácilmente em qualquer
lugar do Brasil.( O Linux pode ser baixado do Oiapoque
ao Chuí)
Achar que todo mundo que usa Linux, o faz por se
rebelar contra a Microsoft. Há pessoas que estão
usando o Linux por uma opção melhor de vida, por não
quererem ficar à mercê dos vírus, cavalos de tróia e
worms (tão comuns na vida dos Windowsusers)
Onde professor fala de leis econômicas, leia-se medo
capitalista de diminuição de lucros. Ora, acima das
leis econômicas estão os direitos do cidadão de
escolher o que é melhor para si. Se a comunidade
quiser se reunir em torno de um software,
desenvolve-lo e passar a usá-lo em detrimento de outro
pago, me desculpe o professor e as grandes companhias,
mas este sapo vocês terão de engolir !!!!!



Sr. Tibor,

O sr. é mais um daqueles que lê mas não entende bem as palavras. Além disso, é esquerdista que dá dó.

Quer ver uma coisinha: não existe capitalismo selvagem, só comunismo selvagem. Sabe por quê? Eu sei que o sr. não sabe. Mas, eu explico: o capitalismo exige um sistema legal para funcionar. Se o sistema legal (que garante o direito à propriedade, o respeito aos contratos e a ordem pública) não funcionar, não há capitalismo. Ao contrário, no comunismo, nada disso pode funcionar, pois, o comunismo é o inverso de tudo isso. Assim, se existe capitalismo, a situação está muito longe de ser selvagem. Essa expressão é um chavão comunista dos mais elementares.

O sr. diz que o Linux não é de graça. Mas, não foi isso que falei em meu artigo? Sobre a facilidade de usar do Linux, o sr. vai me desculpar, mas o sr. deve avisar aos 90% de usuários, no mundo, que preferem usar o Windows. Leia a revista "Pequenas Empresas, Grandes Negócios" de julho de 2006 para o sr. se inteirar do assunto.

Cito também para seu conhecimento um trecho da Veja online de 18/11/2006 às 14h14: "Computador para Todos acabou em pirataria: O Computador para Todos, criado há um ano pelo governo para facilitar a compra de máquinas pelas classes C e D, estimulou a pirataria ao obrigar o uso do software Linux nos computadores. É o que mostra um estudo feito pelo Ipsos para a Associação Brasileira das Empresas de Software, que será divulgado na terça-feira: 73% dos que compraram o produto trocaram o Linux pelo Windows (na maioria das vezes pirata) em no máximo um mês."

Assim, 90% da humanidade, mais as faixas C e D do Brasil, discordam do sr. quanto à facilidade de utilização do Linux. Eles, certamente, estão errados!!!!

Atenciosamente,

Antonio Emilio Angueth de Araújo.

________________________________________________________________



-----Mensagem original-----
De: Felipe [mailto:felipe_cury@vivax.com.br]
Enviada em: sábado, 9 de dezembro de 2006 00:24
Para: araujo@cpdee.ufmg.br
Assunto: Software Livre

Acho que o Sr. Antônio Emílio não entendeu o principio do software livre. A grande questão que envolve o Linux e os programas opensource não é dinheiro, a questão não é "ser de graça" ou coisas economicas, tanto que softwares livres podem ser vendidos livremente. A grande questão é o "codigo aberto", que permite às pessoas ou empresas que usam softwares livres (de graça ou não) possam adaptar os programas às suas necessidades.
Condordo com o que o sr disse que Linux nao é coisa de "monge", mas como disse um conhecido: "os alvos economicos do linux sao outras empresas, como a Oracle, e não a dona de casa que precisaria pagar 500 reais pra poder ler seus emails".
Obviamente você tem o direito de expressão, mas no seu primeiro artigo sobre software livre você acabou atacando o movimento do software livre de maneira dura, e muitos argumentos seus nao foram baseados em nenhum fato concreto, apenas imaginarios, baseados principalmente em sua opiniao e "primeira impressao" de quando ouviu algo sobre, pois acredito que voce nunca teve a curiosidade (ou privilegio) de se aprofundar mais no Linux, nos softwares sob licensa GNU ou em sua filosofia
Não espero resposta, (ao menos que o sr faça questao de responder) apenas que voce entenda que o Linux é mais do que "esquedistas tentando derrubar a Microsoft com argumentos ridiculos"
Desculpe pelo pobre vocabulario, tenho meros 13 anos de idade e tentei escrever de uma forma clara e objetiva
Espero ter conseguido fazer o Sr Antônio refletir um pouco mais sobre isso

Fico por aqui

Felipe


Jovem Felipe,

Não entendi se você não quer que eu te responda, ou se não espera que eu te responda.

Bem, de qualquer forma eu te responderei. Sobre o software livre não ser de graça, nós concordamos. Mas, não foi isso que eu disse em meu primeiro artigo sobre o assunto? Software livre, tendo ou não sua licença gratuita, não sai de graça para quem o adquire. Foi isso que falei.

Bem, você diz: "a grande questão que envolve o Linux e os programas open source não é dinheiro, a questão não é "ser de graça" ou coisas economicas". Mais embaixo, você cita um conhecido (aparantemente concordando com ele): "os alvos economicos do linux sao outras empresas, como a Oracle, e não a dona de casa que precisaria pagar 500 reais pra poder ler seus emails".

Você terá que decidir. Ou eu estava certo, em meu primeiro artigo, dizendo que estamos falando de um mercado de bilhões de dólares e que o Linux está tão envolvido nisso quanto a Microsoft, ou então você terá que apurar melhor seu raciocínio.

Quanto a eu aprofundar na filosofia do GNU, foi o que eu fiz no meu segundo artigo. Eu mostrei qual é esta filosofia e o que pensa o idiota do Stallman.

Agora, você não acha que está um pouco jovem ainda para começar a dizer para as pessoas que elas não leram o suficiente sobre um assunto que você pensa conhecer muito bem?

Antônio Emílio A. Araújo.

Um comentário:

Anônimo disse...

A princípio eu achei que o desenvolvimento de software livre fosse uma descaracterização e um rebaixamento da profissão de desenvolvedor (o novo nome para o velho programador). Afinal, o código, que é o resultado de todo o nosso trabalho e esforço, seria entregado assim: de graça.
No entanto, em alguns casos, isso pode não ser de todo ruim. Por exemplo, acredito que a adoção por parte do governo amplia (e muito) o número de empregos para analistas de sistemas (ao menos para aqueles que forem trabalhar para o governo). Afinal, não comprando uma solução "pronta", é necessário profissionais que trabalhem em cima do código fonte.
Além disso, acredito que existem dois motivos para os profissionais da informática não estarem se preocupando muito com rótulos ou discussões do porquê e pra quê do uso do SL, se são socialistas ou não: primeiro, para quem gosta de programar, a oportunidade de aprendizado com SL é única (como entender o funcionamento de um gerenciador de memória de um kernel, nem pensar M$). Segundo, a maioria de nós é empregado ou prestador de serviços, não patrão ou vendedor. Ganhando o dinheiro pelo projeto, não importa se é em Visual Studio ou Python. Na grande maioria dos casos, o código fonte fica com o empregador mesmo...
Tudo tem que ser SL? Acredito que não. Games dificilmente se encaixam nessa de customização, etc. Mas talvez em outras áreas seja sim, interessante.
p.s.: não sou socialista. Acho que não há nada de errado em cada um lutar pelo que lhe convém de maneira franca e honesta.