terça-feira, agosto 15, 2006

C. S. Lewis sobre o Cristianismo: Parte I



Repostas dadas por Lewis a questões formuladas por empregados da Electric and Musical Industries Ltd., Heyes, Middlesex, Inglaterra, em 18 de abril de 1944



Pergunta: Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade?

Lewis: Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade? Enquanto dura, a religião da auto-adoração é a melhor.

Tenho um velho conhecido já com seus 80 anos de idade, que vive uma vida de inquebrantável egoísmo e auto-adoração e é, mais ou menos, lamento dizer, um dos homens mais felizes que conheço. Do ponto de vista moral, é muito difícil. Eu não estou abordando o assunto segundo esse ponto de vista. Como vocês talvez saibam, não fui sempre cristão. Não me tornei religioso em busca da felicidade. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto me daria isso. Se você quiser uma religião que te faça feliz, eu não recomendo o cristianismo. Tenho certeza que deve haver algum produto americano no mercado que lhe será de maior utilidade, mas não tenho como lhe ajudar nisso.

Pergunta: Os materialistas e alguns astrônomos sugerem que o sistema solar e a vida como a conhecemos foram criados por uma colisão estelar acidental. Qual é a visão cristã dessa teoria?

Lewis: Se o sistema solar foi criado por uma colisão estelar acidental, então o aparecimento da vida orgânica neste planeta foi também um acidente, e toda a evolução do Homem foi um acidente também. Se é assim, então todos nossos pensamentos atuais são meros acidentes – o subproduto acidental de um movimento de átomos. E isso é verdade para os pensamentos dos materialistas e astrônomos, como para todos nós. Mas se os pensamentos deles – isto é, do Materialismo e da Astronomia – são meros subprodutos acidentais, por que devemos considerá-los verdadeiros? Não vejo razão para acreditarmos que um acidente deva ser capaz de me proporcionar o entendimento sobre todos os outros acidentes. É como esperar que a forma acidental tomada pelo leite esparramado pelo chão, quando você deixa cair a jarra, pudesse explicar como a jarra foi feita e porque ela caiu.

12 comentários:

Eliot D. Chambers disse...

O sábio Lewis não deixa de ir direto ao ponto:

"Não me tornei religioso em busca da felicidade. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto me daria isso. Se você quiser uma religião que te faça feliz, eu não recomendo o cristianismo."

Fé cristã é para quem sabe que é pecador, para quem sabe que depende de Deus totalmente se realmente quiser fazer a vontade dEle. Nesse processo a alegria virá, mas não como um bem-estar carnal, mas sim pela convicção que a obra redentora de Cristo pagou pelos nossos pecados e por meio dela podemos desfrutar da comunhão com Deus.

Mais um bela tradução, Angueth. Abraço!

Igor Taam disse...

Muito bom!

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caros Eliot e Igor,

Obrigado pela visita e pelos comentários.

Pretendo ir colocando essas pérolas de Lewis aqui no blog. Em particular, vou colocar todo esse diálogo dele com os empregados da empresa inglesa em 1944.

Um abraço.

Davi J. Dias disse...

Acabo de conhecer o blog. Sou estudante, de Belo Horizonte, e leitor de C. S. Lewis (tenho aqui em casa uma meia dúzia de livros dele). Fico feliz por poder ler mais de Lewis em português.

Parabéns pela iniciativa, sr. Antônio Araújo.

Abraços,

Davi

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Davi,

Obrigado pelos comentários e pela visita. Se você gosta de C.S.Lewis, certamente apreciará também G.K. Chesterton, que também traduzo, vez por outra. Há alguns livros dele, em portugues.

Quanto ao Lewis, sempre que tenho um tempinho, vou traduzindo um pouquinho. Lewis faz parte daquele grupo de seres que Deus nos envia, sempre, para falar em Seu nome.

Um abraço.

Davi J. Dias disse...

Gosto de Chesterton também, embora eu só tenha lido 'O homem que era quinta-feira' e alguns capítulos de outros livros dele.

Aproveito para deixar uma sugestão:
há em http://chestertonandfriends.blogspot.com/2006/02/coloured-lands-third-sortie.html uma história muito instrutiva que poderia, quem sabe, ser traduzida pelo sr.

Abraço,

Davi

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Davi,

Obrigado pela dica do sítio. Vou lá curtir um pouco mais de Chesterton.

Em português há dois grandes livros de Chesterton

O homem eterno - Ed. Quadrante (Esta editora também publica sua Autobiografia) e

Ortodoxia - Ed. LTR

As deliciosas estórias do Padre Brown você encontra em português de Portugal (na Livraria Cultura).

As biografias de Santo Tomás e São Francisco, a Ediouro publica no Brasil.

Vez por outra, vou traduzindo alguns textos esparsos do grande mestre.

Um abraço.

Wendy disse...

Olá, Angueth! Eu gostei das indicações dos livros de Chesterton que você fez. Já tenho "Ortodoxia" tanto da Mundo Cristão como também da LTr (que é a melhor) e as biografias dos dois santos publicados pela Ediouro. Só pelo fato de serem de Chesterton, são ótimas leituras. Mas fiquei mais feliz quando você fala das traduções de "O homem eterno" e a "Autobiografia" da Quadrante. Procurei no site dessa editora e não achei. Você tem idéia de onde posso encontrar? Algum sebo?

Deus te abençoe!

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Wendy,

A Quadrante é complicada. Às vezes você consegue achar o livro, às vezes não. Tente escrever para lá perguntando sobre os livros. Eu mesmo tenho O Homem Eterno da Quadrante. A tradução não é lá grandes coisas.

Um abraço. Antônio Emílio.

Wendy disse...

Outro pra você, Angueth. Muito obrigado por responder.

Eu acho que vou esperar pela edição da Mundo Cristão. Já deu uma olhada?

http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10696&cod_categoria=160

Tive muito pouca satisfação ao ler a tradução de Ortodoxia dessa editora, mas espero que eles saibam lidar com "O homem eterno".

Gabriele disse...

Caro Antônio,

Uma pessoa de BH me passou o seu link e que grata surpresa! Acho que compartilhamos alguns "gostos" por literatura.
Espero que dê uma olhada no meu site http://cslewis.com.br, se é que já não o conhece.
Ficaria honrada com uma visita sua.
Obrigada por nos caria hobrindar com tantos textos e traduções maravilhosas desse colosso, chamado Chesterton.

Fiquei especialmente surpresa com a histórinha infantil, cuja existência eu ignorava.

Então, continue sempre assim.

Grande abraço

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Cara Gabriele,

Muito obrigado pelas palavras tão gentis. Farei sim uma visita ao seu sítio.

Um abraço. Antônio Emílio Angueth de Araújo.