terça-feira, abril 04, 2006

Outra vítima da universidade

Thomas Sowell

A exoneração de Lawrence Summers como reitor da Universidade de Harvard nos diz muito sobre o que está errado com a academia nos nossos dias.

Quando ele tomou posse em 2001, Summers parecia um reitor ideal para Harvard. Ele tivera uma carreira notável dentro e fora do mundo acadêmico, incluindo o cargo de professor de Harvard, de forma que não havia razão para que ele não se adequasse à função.

Seus defeitos fatais foram a honestidade e o desejo de fazer as coisas certas. Isso já arruinou mais de uma carreira universitária.

Os problemas de Dr. Summers começaram cedo. Ele convocou Cornel West para uma discussão particular sobre suas atividades acadêmicas – ou melhor, a ausência de atividade acadêmica de Prof. West.

O problema não era a inatividade de Cornel West. Ele era ativo como um showman na televisão, ele era ativo na política, ele era ativo no lucrativo circuito de palestras e ele era ativo mesmo na área do entretenimento, compondo e tocando música rap. Ele era, também, popular com os estudantes, como é provável acontecer com qualquer professor que dá muitas notas boas.

O tipo de atividade que Lawrence Summers desejaria que West desenvolvesse era o tipo de atividade esperada de um professor titular de uma universidade de ponta – pesquisa de qualidade e textos acadêmicos de valor. Cornel West escrevia muita coisa e em muitos lugares, mas mesmo um editor da esquerdista New Republic caracterizou os livros de West como “quase completamente sem valor”.

Apesar da discussão entre Summers e West ter se dado em privado, o próprio Cornel West tornou-a um assunto público – e um escândalo público. West e seus apoiadores fizeram disso uma questão racial. O que fez com que os fatos e a lógica se tornassem irrelevantes.

Summers se desculpou.

Isso deveria nos dizer tudo o que precisamos saber sobre Harvard e sobre a academia em geral. Nem a verdade nem os padrões contam quando se toca em nervos expostos da ideologia corrente, como é o caso da raça.

Lawrence Summers tocou um outro nervo exposto, ano passado, numa discussão sobre a causa de não haver mais professoras na área científica. Como ele estava se dirigindo a um público acadêmico, Summers citou hipóteses e dados que poderiam explicar a sub-representação feminina no topo da carreira científica.

Summers aventou o que ele chamou de “hipótese do trabalho de alta exigência”. Mães têm muita dificuldade de alcançar o topo em empregos que exigem longas horas de atividade e em que as pessoas colocam tudo de lado quando a situação exige.

Ele citou outro fato conhecido e inquestionável. Apesar das mulheres e os homens terem QI’s médios similares, os homens são sobre-representados em ambos os extremos da faixa – os QI’s mais baixos e mais altos. Os homens ganham das mulheres entre os idiotas e os gênios.

Como os melhores cientistas são, desproporcionalmente, originários dos níveis mais altos de QI, esse é um outro possível fator de diferença entre homens e mulheres no topo da carreira científica.

Summers citou outros fatores, incluindo socialização e discriminação, mas isso não evitou que uma outra tempestade ideológica se formasse. Summers foi, simplesmente, demonizado e os professores se viraram contra ele.

A única explicação politicamente correta é discriminação.

Summers se desculpou – novamente. Mas, ao final, esses rápidos recuos não salvou seu emprego.

Após a repetição incessante da palavra “diversidade” na universidade, o fato trágico é que o mundo acadêmico é um dos lugares mais intolerantes dos EUA com relação à diversidade de idéias. Que ninguém, mesmo o reitor de Harvard, ouse ultrapassar a linha divisória!

Pais pagam o montante que seria suficiente para famílias completas sobreviverem, a fim de “educarem” seus filhos em instituições acadêmicas de elite, ouvindo somente um dos lados de toda uma gama de questões – raça e sexo sendo apenas duas delas.

Mesmo que fosse verdade cada conclusão com que os estudantes são doutrinados, a menos que eles desenvolvam suas próprias habilidades de ponderar argumentos opostos, essas conclusões se tornarão obsoletas assim que novas questões aparecerem, nos períodos seguintes.

Os estudantes estão tendo metade da educação a preços inflados e aprendendo somente como rotular, descartar ou demonizar idéias que diferem daquilo que eles foram levados a acreditar. Suas ignorâncias “educadas” é um perigo para o futuro do país[1].


Publicado por Townhall


[1] Vemos que a universidade tem sido a fábrica do Imbecil Coletivo, não só em nosso país. (N. do T.)

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