domingo, janeiro 29, 2012

Pe. Funes, um astrônomo darwinista.

Um amigo, Fábio Graa, me envia a seguinte notícia.
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Caro professor, Salve Maria Santíssima.
Gostaria de lhe mostrar uma afirmação do Pe. José Funes,, diretor do Observatório do Vaticano, a respeito do evolucionismo. A notícia já deve ser de longa data.
“FUNES: Não sou biólogo, e sim astrônomo, mas posso dizer que do ponto de vista da ciência a evolução está comprovada. Na opinião da Igreja, não há oposição entre a criação e a evolução. Assim como no caso do Big Bang, são linguagens diferentes. Não podemos ler a Bíblia literalmente e isso está claro para a Igreja Católica. Ninguém na Igreja faria isso. E temos evidências da ciência de que a evolução existe. Assim como a vida, o Universo também evolui. Nos próprios processos físicos há evolução das galáxias, das estrelas, então a idéia da evolução é bem compreendida por nós.”
Como que o superior do Observatório do Vaticano pode afirmar temerariamente que "do ponto de vista da ciência, a evolução está comprovada"?
Abraço, caríssimo professor.
Que Deus o abençoe.
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Pois então, Fábio, este padre confunde mudança com evolução. Ele parece, pela notícia, ser também um astrônomo bem modesto. O que ele quer dizer é que os astrônomos observam que as galáxias e as estrelas mudam, se alteram com o passar do tempo. Ou seja, do Big Bang para cá, muita coisa mudou. Mas isso não é novidade para ninguém e é uma afirmação bastante pueril. 

A lei geral que trouxe o universo do Big Bang para cá é a segunda lei da termodinâmica, que prevê o fim deste mesmo universo. Tal é a evolução que podemos esperar, que só pode agradar a budistas que anseiam pelo Nirvana, ou seja o nada, o aniquilamente do ser. Talvez Pe. Funes precise ler um livro de outro astrônomo, este um grande cientista, Robert Jastrow: God and the Astronomers

Outra coisa que ele precisa saber é que a discussão das interpretações da Bíblia é assunto não só complexo como já antigo de muitos séculos. Nenhum católico desconhece que a interpretação literal da Bíblia é uma das interpretações possíveis, mas não a única. Aí este padre talvez pudesse ler Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino. 

Mas para saber mesmo a posição da Igreja sobre toda essa questão de evolução, é indispensável ler The Theory of Evolution Judged by Reason and Faith, do Cardeal Ernesto Ruffini. 

Como você vê, Pe. Funes é mesmo pior que o Funes borgeano, que pelo menos tinha uma boa memória. Tal como muitos padres atualmente, Pe. Funes faria melhor se ficasse calado.

Muito em breve o blog publicará um extraordinário texto de George Gilder intitulado Evolution and Me. Vocês não perdem por esperar.

4 comentários:

Anônimo disse...

É muito difícil ser católico hoje em dia. Dá um cansaço, um desânimo muitas vezes. Não dá em você também, Angueth?

RicardoBF

Antonio Emilio Angueth de Araujo disse...

Caro Ricardo,
Salve Maria!

É assim em qualquer época. Imagine Santo Irineu se opondo aos gnósticos, Santo Agostinho aos maniqueus, Santo Atanásio aos arianos, São Domingos aos cátaros, etc. Eles devem ter tido seus momentos de desânimo. Eu também os tenho. Por isso, temos de rezar muito e uns pelos outros.

Ad Iesum per Mariam.

João disse...

Consta do texto:

"E temos evidências da ciência de que a evolução existe".

Eu, que não sou mineiro, mas em matéria de coisas criadas prefiro crer naquilo que vejo, nunca vi "evidência" alguma de evolução.

Até mesmo a evolução do ser humano enquanto tal eu ponho em dúvida se não paramos de crescer racionalmente e estamos regredindo a olhos vistos.

Fábio Graa disse...

Caríssimo professor,

Somente agora é que eu vi a sua resposta.

Agradeço imensamente.

Estes dias li que o Papa, ainda enquanto cardeal, era bem favorável à teoria do Chardin. Será que ele ainda mantém a simpatia?

Abraço.