terça-feira, março 14, 2006

A Esquerda e o Conceito de Classe

Thomas Sowell

A nova trindade santa dos intelectuais de esquerda é raça, classe e gênero. Definir qualquer desses termos não é fácil, exceto para os esquerdistas que, muito raramente, se preocupam com isso.

O mais antigo, e talvez ainda o mais importante, desses conceitos é o de classe. Na visão da esquerda, nascemos, vivemos e morremos numa determinada classe – a menos, claro, que entreguemos o poder à esquerda para mudar tudo isso.

As mais recentes estatísticas usadas para apoiar a visão de uma América (e outros países ocidentais) dividida em classes mostram que a maioria das pessoas, numa determinada faixa da distribuição de renda, são filhos de outras pessoas nascidas na mesma faixa da distribuição.

Entre os homens nascidos em famílias nos últimos 25% da distribuição de renda, apenas 32% conseguem ascender à metade superior da distribuição. Entre os homens nascidos em famílias nos primeiros 25%, apenas 34% descem para a metade inferior.

O quanto isso é surpreendente?

Mais especificamente, isso mostra que o indivíduo fica preso à pobreza ou pode passar a vida dependendo de seus pais? Isso mostra que a ‘sociedade’ nega ‘acesso’ aos pobres?

Será que isso poderia indicar que o tipo de valores e de comportamento que levam uma família a ter sucesso ou a fracassar são passados para seus filhos e os levam, também, a ter sucesso ou a fracassar? Em caso afirmativo, o quanto políticas governamentais – de esquerda ou conservadoras – podem mudar, fundamentalmente, a situação?

Uma estória recente que tenta mostrar que a mobilidade social ascendente é um ‘mito’ na América nota, en passant, que muitos imigrantes recentes e seus filhos tiveram ‘uma mobilidade ascendente extraordinária’.

Se essa sociedade estratificada em classes nega ‘acesso’ à ascendência social àqueles na base da pirâmide, por que os imigrantes podem chegar aqui na base e subir ao topo?

Uma razão óbvia é que muitos imigrantes pobres chegam com valores e ambições muito diferentes daqueles dos pobres americanos, nascidos em nosso estado de bem-estar social e imbuídos de noções vindas de atitudes de dependência e ressentimento em relação ao sucesso dos outros.

A razão fundamental de muitos não ascenderem não é que as barreiras de classe os impedem, mas que eles não desenvolvem as habilidades, valores e atitudes que são a causa da ascensão social.

Um estado de bem-estar social significa que eles não têm de – e o multiculturalismo de esquerda afirma que eles não precisam de – mudar seus valores, pois, uma cultura é tão boa quanto outra qualquer. Em outras palavras, a esquerda não é parte da solução, mas do problema.
O racismo supostamente coloca barreiras insuperáveis no caminho dos não brancos, então, por que se matar tentando? Essa é outra mensagem fatal, especialmente para os jovens.

Mas, se imigrantes da Coréia e da Índia, se os refugiados vietnamitas e outros podem vir para cá e subirem a escada, apesar de não serem brancos, por que americanos na base da pirâmide – brancos ou negros – estão fadados a lá permanecerem?

As mesmas atitudes contra-produtivas e autodestrutivas em relação à educação, ao trabalho e à civilidade existentes em muitos guetos americanos podem, também, ser encontrados nas comunidades britânicas das classes inferiores. Quem duvidar deve ler o livro do Dr. Theodore Dalrymple, ‘Life at the Bottom (Vida da Classe Inferior)’, sobre as comunidades de brancos pobres nas quais ele trabalhou.

Essas comunidades caóticas e violentas na Inglaterra não têm a desculpa do racismo e o legado da escravidão. O que elas têm em comum com as comunidades similares nos EUA é a semelhante confiança no estado de bem-estar social e um conjunto similar de intelectuais dando desculpas para seu comportamento e denunciando qualquer um que deseje delas uma mudança de comportamento.

O recente conjunto de estatísticas estimulou ainda mais os intelectuais a culparem a ‘sociedade’ pelo fracasso, na ascensão, de muitas pessoas na base da pirâmide social. Realisticamente, se quase um terço dos nascidos em famílias no quartil inferior de renda conseguem chegar ao topo, esse não é um dado ruim.

Se mais estava sendo conseguido no passado, isso não significa, necessariamente, que a ‘sociedade’ os estão impedindo mais, atualmente. Isso pode muito bem ser devido ao estado de bem-estar social e à ideologia esquerdista que fazem menos necessário a eles uma mudança de seus próprios comportamentos.



Publicado por Townhall

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