quarta-feira, novembro 16, 2005

A morte de Rosa Parks

Thomas Sowell

A morte de Rosa Parks nos lembrou seu lugar na história, como uma mulher negra cuja recusa em ceder seu assento num ônibus a um homem branco, como prescrevia a lei Jim Crow do estado do Alabama, foi a faísca que incendiou o movimento pelos direitos civis dos anos 1950 e 1960.

No entanto, muitos não conhecem o resto da história. Porque havia assentos racialmente segregados no transporte público, em primeiro lugar? “Racismo” alguém dirá – e havia, certamente, muito racismo no Sul, há muitos séculos. Mas assentos racialmente segregados no transporte público no Sul não existiam há muitos séculos.

Longe de existirem desde tempos imemoriais, como muitos têm suposto, os assentos racialmente segregados no transporte público começou no Sul no final do século XIX e início do século XX.

Aqueles que vêem o governo como a solução para os problemas sociais podem se surpreender em saberem que foi o governo que criou esse problema. Muitos, se não todos, dos sistemas de transporte municipal eram propriedades privadas no século XIX e os seus proprietários não tinham nenhum incentivo para segregar as raças.

Esses proprietários podem ter sido racistas, mas eles estavam naquele negócio para produzir lucros – e você não obtém lucros excluindo muitos de seus clientes. Não havia demanda suficiente para os assentos Jim Crow no transporte municipal para que o lucro acontecesse.
Foi a política que segregou as raças, pois os incentivos do processo político são diferentes dos incentivos do processo econômico. Brancos e negros gastavam dinheiro para andar de ônibus mas, depois da exclusão do voto negro no final do século XIX e início do século XX, somente os brancos contavam no processo político.

Não era necessário que uma maioria maciça de eleitores brancos demandasse a segregação racial. Se alguém o fizesse e outros nem ligasse, isso já era suficiente politicamente, pois o que os negros queriam não contava politicamente depois que eles perderam o direito ao voto.

Os incentivos do sistema econômico e os incentivos do sistema político não eram somente diferentes, eles se colidiam. Os proprietários de ônibus, trens urbanos, e de companhias ferroviárias no Sul fizeram lobby contra as leis Jim Crow enquanto essas leis estavam sendo propostas, contestando-as nos tribunais depois que elas eram aprovadas e retardando seu cumprimento quando os tribunais as mantinham em vigor.

Essas táticas retardaram a aplicação das leis Jim Crow por anos em alguns lugares. Então, os empregados das companhias de transporte começaram a ser presos por não observarem tais leis e, pelo menos, um presidente de companhia foi ameaçado de ser mandado para a cadeia se ele não acedesse.

Essa resistência não foi por um desejo de direitos civis para os negros. Foi baseada no medo de perder dinheiro se a segregação racial causasse uma diminuição dos clientes negros depois dessa afronta.

Da mesma forma que não foi necessária uma maioria expressiva de brancos a demandar a segregação racial para que o sistema político a criasse, também não foi necessária que uma maciça maioria de negros parasse de usar o transporte público para que os proprietários dos sistemas de transporte sentissem a iminente perda monetária.

As pessoas que desprezam o fato de que negociantes estão no mercado “somente para ganhar dinheiro”, raramente, entendem as implicações do que elas estão falando. Você ganha dinheiro fazendo o que outras pessoas querem, não o que você quer.
O dinheiro dos negros era tão bom quando o dos brancos, apesar de não ser esse o caso quando falamos de votos.

Inicialmente, a segregação significou que os brancos não poderiam se sentar na ala dos negros num ônibus, tanto quanto os negros não poderiam se sentar na ala dos brancos. Mas, os brancos que eram forçados a ficar em pé quando havia assentos vazios na ala dos negros, objetaram. Foi quando a regra foi imposta de que os negros tinham que ceder seus assentos aos brancos.

Sofismas legais criados por juízes jogaram para escanteio a determinação de tratamento igual a todos da Emenda 14. O ativismo judicial pode ir para qualquer direção.

Foi quando Rosa Parks entrou em cena, depois de quase meio século de tramóia política e fraude judicial.

Publicado por Townhall.com

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