domingo, maio 31, 2015
Jesus multiplica pães e peixes; o mundo multiplica asneiras.
quinta-feira, maio 14, 2015
Padre Gabriele nos ensina sobre Fátima.
domingo, maio 03, 2015
Libido Dominandi: o projeto de dominação do homem por meio da luxúria.
Muito se beneficiarão aqueles que, ao lerem o livro de Mons.
Delassus, que
indiquei no blog, lerem concomitante ou sequencialmente o livro de E.
Michael Jones, Libido Dominandi: Sexual
liberation and Political Control. O blog já fez algumas alusões a este
livro (aqui,
aqui,
aqui
e aqui).
Abaixo, traduzo alguns trechos da introdução do livro.
Observo, mais uma vez, que este livro fundamental ainda não encontrou tradução
para o português, em nosso pobre país.
(...) Não é segredo que a luxúria é
também uma forma de vício. Minha questão aqui é que o sistema atual sabe disso
e explora a situação em seu próprio benefício. Em outras palavras, “liberdade”
sexual é realmente uma forma de controle social. O que queremos realmente dizer
é que isto é um sistema gnóstico de duas verdades. A verdade exotérica, aquela
propagada pelo sistema por meio da propaganda, da educação sexual, dos filmes
de Hollywood e do sistema universitário – a verdade, em outras palavras, para
consumo geral – é que a liberação sexual é
liberdade. A verdade esotérica, aquela que permeia as operações manuais do
sistema – em outras palavras, as pessoas que se beneficiam da “liberdade” – é o
exato oposto, isto é, que a liberação sexual é uma forma de controle, um modo
de manter o sistema no poder pela exploração das paixões do ingênuo, que se
identifica com suas paixões, como se elas fossem ele mesmo, e com o sistema que
lhe possibilita identificar-se como tais paixões. Às pessoas que sucumbem a
suas paixões desordenadas são disponibilizadas, então, racionalizações do tipo
que infestam páginas pornográficas da Internet e que são, com isso, transformadas
numa poderosa força política por aqueles que são os mais especializados em
manipular o fluxo de imagens e racionalizações.
(...) A revolução sexual não foi um
levante social; não foi um coalescer de “partículas de revolta e iluminação”;
ela foi, ao contrário, uma decisão da classe dirigente da França, Rússia,
Alemanha e dos EUA, em vários momentos, durante os últimos 200 anos, no sentido
de tolerar o comportamento sexual fora do casamento como uma forma de
insurreição e, então, como uma forma de controle político.
(...) O que se segue é a história de
uma ideia. A ideia de que a liberação sexual poderia ser usada como uma forma
de controle não é uma nova ideia. Ela é o centro da história de Sansão e
Dalila. A ideia de que o pecado é uma forma de escravidão é central nos
escritos de São Paulo. Santo Agostinho, em sua magnum opus em defesa do cristianismo contra as acusações dos
pagãos (de que o cristianismo teria contribuído para a queda de Roma), dividia
o mundo em duas cidades, a Cidade de Deus, que amava Deus ao ponto da extinção
de si mesma, e a Cidade do Homem, que amava a si mesma ao ponto da extinção de
Deus. Agostinho descreve a Cidade do Homem como “ansiando por dominar o mundo”,
mas ao mesmo tempo se via “ela própria dominada por seu domínio”. Libido Dominandi, paixão por domínio,
então, é um projeto paradoxal, praticado invariavelmente por pessoas que são,
elas mesmas, escravos das mesmas paixões que incitam nos outros para dominá-los.
A dicotomia que Agostinho descreve é
eterna; existirá enquanto o homem existir. Os revolucionários do Iluminismo não
criaram nenhum novo mundo, nem criaram um novo homem para habitar esse admirável
novo mundo. O que fizeram foi adotar a visão de mundo de Agostinho e, então,
reverter seus valores. “O estado do homem moral é aquele de tranquilidade e
paz, o estado do homem imoral é aquele de perpétuo desassossego”. O autor dessa
afirmação não foi Santo Agostinho (embora ele teria concordado
incondicionalmente com ela); o autor foi Marques de Sade. Menciono isso para
mostrar que ambos, Agostinho e Sade, compartilhavam a mesma antropologia e a
mesma psicologia racional, se quiserem. Onde diferiam era nos valores que atribuíam
às verdades dessas ciências. Para Agostinho, o movimento era mau; para Sade, o
revolucionário, o movimento perpétuo causado pelas paixões incontroladas era
bom porque perpetuava “a necessária insurreição em que o republicano deve
sempre manter o governo do qual é membro.”
O mesmo pode ser dito sobre a
liberdade. O que um chama liberdade, ou outro chama servidão. Mas a dicotomia
das duas cidades – uma rebaixando a si mesma por causa do amor a Deus, a outra
rebaixando Deus por causa de seu amor a si e a seus desejos – é algo sobre o que
ambas concordariam.
O que segue é a história de um projeto
nascido da inversão das verdades cristãs pelo Iluminismo. “Mesmo aqueles se que
armaram contra Vós”, escreve Agostinho, dirigindo-se ao Todo Poderoso na Confissões, “não fazem outra coisa que
não copiá-Lo de modo perverso”. O mesmo poderia ser dito do Iluminismo, que
começou como um movimento para liberar o homem e quase do dia para a noite se
tornou um projeto para controla-lo. Este livro é a história dessa
transformação. (...) A melhor forma de controlar o homem é fazê-lo sem que ele
perceba que está sendo controlado, e a melhor forma de fazer isso é através da
sistemática manipulação de suas paixões, porque o homem tende a se identificar
com suas paixões como se dele fossem. (...) Foi necessário o gênio do mal desta
nossa época para aperfeiçoar um sistema de exploração financeira e política
baseada na intuição que São Paulo e Santo Agostinho tiveram a respeito do que
chamavam de “escravidão do pecado”. Este livro descreve a sistemática
construção de uma visão de mundo baseada nessa intuição.
sexta-feira, maio 01, 2015
Como a Maçonaria planejou, no século XIX, destruir a Igreja.
Transcrevo abaixo um trecho do extraordinário livro de Mons.
Henri Delassus (que ainda estou lendo) A
Conjuração Anti-Cristã, escrito em 1910 e agora editado pela Editoria
Castela. Ainda comentarei este livro no blog.
Frente a esta conjuração, Antonio Gramsci parece um
iniciante bem chinfrim. Todos que já leram sobre a infiltração comunista nos
EUA sabem como o modelo das sociedades secretas foi usado amplamente. Leiam,
por exemplo, Witness, de Wittaker Chambers (aqui
e aqui).
O que vocês lerão é um trecho de um dos documentos da Alta
Venda, grupo secretíssimo, que controlava tanto a Maçonaria quanto os
Carbonários. Ninguém, nesses dois grupos auxiliares sabia da existência desse
grupo superior, constituído de 40 membros, cujo controlador-mor era alguém, na
época, conhecido como Nubius. O plano traçado então era destruir a Igreja com o
concurso de um Papa. Vejam o que dizia o documento.
No
caminho que traçamos para nossos irmãos encontram-se grandes obstáculos a
vencer, dificuldades de mais de uma natureza a suplantar. Triunfaremos pela
experiência e pela perspicácia; mas o objetivo é tão belo que importa abrir
todas as velas ao vento para alcança-lo. Procurai o Papa cujo perfil acabamos
de traçar. Estendei vossas redes no fundo das sacristias, dos seminários e dos
conventos. O pescador de peixes torna-se pescador de homens; vós, vós
conduzireis amigos (nossos) para junto da Cadeira Apostólica. Tereis pregado
uma revolução com tiara e capa, marchando com a cruz e o estandarte, uma
revolução que precisará ser apenas um pouco estimulada para pôr fogo nos quatro
cantos do mundo. Que cada ato de vossa vida tenda, pois, à descoberta dessa
pedra filosofal.
Em outra parte do documento se diz que bastava ter
o
dedo mínimo do sucessor de Pedro comprometido com a conjuração, e esse dedo
mínimo vale, para essa cruzada, todos os Urbanos II e todos os São Bernados da
cristandade.
Sabendo o que sabemos sobre a
crise da Igreja e os efeitos do Concílio Vaticano II, não podemos deixar de
admirar o grau de profetismo, da capacidade de trabalho demoníaco e do sucesso
que tais planos alcançaram em pouco menos de um século.
sexta-feira, abril 03, 2015
A Cruz de Nosso Senhor e as nossas.
Os católicos estamos, hoje, mais que em qualquer outro dia
do ano, sob o peso da Cruz e das cruzes. Mas não apenas nós católicos
carregamos cruzes. Todos que nasceram neste mundo carregam suas cruzes, quer
estejam ou não conscientes disso. Quando Jesus foi crucificado, Ele teve dois
companheiros: o bom e o mau ladrão. No Calvário, nos foi apresentado a cena da
realidade da vida; todos carregamos nossas cruzes. Uns as carregam tendo a
consciência plena de sua presença, de seu peso e de sua razão de ser. Estes,
como o bom ladrão, admitem suas culpas, percebem que as cruzes que carregamos
são muito mais leves que a de Nosso Senhor e, mais importante ainda, que a d’Ele
foi carregada e sofrida por nós e por causa de nós. Estes, pedem perdão a Ele e
pedem a salvação ao Pai, em nome d’Ele. Os outros, como o mau ladrão, sentem o
peso de suas cruzes, reclamam do excesso de vicissitudes, procuram se
desvencilhar delas, procurando os prazeres do mundo e, mais importante,
imprecam contra Nosso Senhor. Criam um mundo artificial, pleno de gozo, na
esperança de aliviar o peso. O peso só aumenta, à medida que aumenta a fome de
prazer.
As cruzes dos católicos têm dimensões variadas. Há aquelas
pessoais e intransferíveis; são as doenças, os problemas familiares, as
deficiências pessoais que limitam, de uma forma ou de outra, o “sucesso” de
nossas vidas, as pequenas contrariedades diárias, as coisas que, embora
querendo, não conseguimos fazer, as pessoas desagradáveis que se nos são
apresentadas em nossos afazeres, etc. Mas há cruzes, digamos, comunitárias, que
carregamos com e para os outros. São as cruzes que nos são impostas pelo
sistema social e político a que estamos sujeitos: a imoralidade e a irreligiosidade
generalizada, a crueldade crescente, a escravidão da mulher que é vendida como
liberdade feminina, a crise apocalítica da Igreja, a insegurança pessoal que
nos amedronta a cada passo que damos, etc.
Somos responsáveis por todas essas cruzes, tanto as pessoais
como as demais. Como o bom ladrão, devemos reconhecer nossas culpas por todas
elas; mas, mais importante ainda, devemos pedir perdão Àquele que, sem culpa
alguma, carrega a sua, pesadíssima, por nós e por causa de nós. Ele carregou
todas as culpas, passadas e futuras, e nos garantiu, como ao bom ladrão, que,
hoje mesmo, estaremos com Ele no reino dos céus. O nosso “hoje mesmo” ainda
está por vir e não chegará enquanto vivermos. Mas é exatamente a esse “hoje
mesmo” que devemos orientar nossas vidas, para que essa garantia nos alcance.
O caráter cíclico do calendário litúrgico nos oferece, todo
ano, o espetáculo do Calvário, tanto para os católicos como para os demais.
Todo ano, temos a oportunidade de, junto com o bom ladrão, reconhecer a
divindade e a realeza d’Aquele flagelado, coroado com espinhos, escarrado pelos
soldados e cruelmente crucificado. Temos também, como o mau ladrão, a
oportunidade de desconhecer Nosso Senhor, de fazer um churrasquinho e beber uma
cervejinha nesse feriado. Temos a oportunidade de viajar para descansar, ter um
pouco de prazer. Temos a oportunidade de simplesmente desconhecer aquele
momento, o mais crucial desde a Criação, em que Jesus exala o último suspiro,
às três horas da tarde.
Que todos nós escolhamos a atitude do bom ladrão; neste
mundo não aspiramos mais que isso, sermos o bom ladrão!
sexta-feira, março 27, 2015
Mais uma do tal "liberal yankee"!
Digam-me qual Bispo moderno da CNB do B afirma o que este indivíduo, rotulado de "liberal yankee" e outros adjetivos mais degradantes por alguns leitores do blog. Ou qual Bispo moderno pode afirmar, ou mesmo imaginar, de minimamente semelhante ao que o filósofo afirma? Abaixo transcrevo algumas notas de Olavo de Carvalho, muito esclarecedores para os católicos. Para ler a íntegra, clique aqui.
O Bem não é um universal abstrato. O Bem é uma Pessoa, é Deus. Só se assimila o Bem por contato pessoal e impregnação no amor divino. O resto é filosofice uspiana.
*
Todo aquele que não se apresenta diariamente diante do Trono do Altíssimo, com o coroção trêmulo de vergonha não só pelos seus próprios pecados mas pelos de todos os seus irmãos, consciente de que, em face da perfeição e da onissapiência divinas, CADA UM dos seus atos foi errado, mesmo aqueles que sua vaidade considerou os melhores, e sentindo até o fundo da alma que o Perdão é o ÚNICO bem valioso a ser ambicionado, -- esse NUNCA saberá o que é sinceridade, nem muito menos honestidade.
*
Eu não teria a cara-de-pau de pedir a destituição de um governante se não rezasse diariamente pela salvação da sua alma.
*
Quem compreendeu o meu post que começa com "Todo aquele que não se apresenta diariamente..." compreenderá também que a "absoluta terrestrialização do pensamento" proposta por Antonio Gramsci, assim como toda política baseada nela, será sempre uma GARANTIA INFALÍVEL de destruição da consciência moral de um povo, portanto um convite irresistível à criminalidade. As ligações entre o Foro de São Paulo e a corrupção petista não só uma questão de alianças e conveniências, mas têm uma raiz muito mais profunda na corrupção espiritual gramsciana. O PT já era corrupto antes de começar a roubar, antes mesmo de nascer, no tempo em que a putada uspiana sonhava com um "partido operário".
quarta-feira, março 25, 2015
Que raios de "liberal yankee" é este que desanca o capitlalismo?
Pois é, um leitor, recentemente, chamou Olavo de Carvalho de "liberal yankee" num comentário no blog. É um jargão comum de desqualificação das pessoas aqui neste nosso sofrido país. Quem pensa só por meio de slogans fica muito confortável em rotular quem quer que seja, sem se dar ao trabalho cuidadoso e penoso de analisar o pensamento das pessoas.
Hoje li um artigo recentíssimo do tal "liberal yankee" em que ele desanca o capitalismo, mostrando o que ele se tornou na maior nação dita capitalista do mundo: os EUA. Sugiro ao leitor e aos leitores uma atenta leitura do artigo. Duas conclusões são possíveis: ou o "liberal yankee" surtou ou o jargão foi muito mal usado, como sói acontecer com os jargões.
domingo, março 22, 2015
Leitor não entende as citações tão ecléticas do blog. Blog responde.
Um leitor, de nome Sérgio, escreve ao blog o que se segue.
Prezado Prof. Angueth,
Gostaria de entender
como o senhor consegue citar e recomendar ao mesmo tempo, pessoas de opiniões
tão dispares e divergentes, vejamos:
- Cita e recomenda Dom
Sarda e a leitura de seu livro "O liberalismo é Pecado" e ao mesmo
tempo cita Olavo de Carvalho, um liberal ao estilo Yanke, tanto em política
quanto em economia...
- Cita o professor
Orlando Fedeli, o qual demonstrou a gnose guenoniana do referido Olavo...
- Cita Chesterton e
Belloc que combateram o liberalismo com o distribuitismo, mas nada fala sobre
essa corrente...
- Recomenda o padre
Villa, mas sem as devidas ressalvas como o fato dele ser favorável a missa nova
e nunca tê-la criticado, afora o sensacionalismo de alguns de seus livros e/ou
de seus colaboradores vide: "A Mitra satânica de Bento XVI"...
- Elogia o padre
Vieira, mas esquece que ele era sebastianista, um milenarista...
- E outros casos
mais...
Obrigado.
Vou mencionar alguns dos “outros casos mais”. Cito Pascal,
que teve fortíssimas simpatias jansenistas. Como não citar o autor de tais
pensamentos:
- É preciso amar só a Deus e odiar só a si mesmo;
- Não somente nós não conhecemos a Deus senão por Jesus
Cristo, mas não nos conhecemos a nós mesmos senão por Jesus Cristo; não
conhecemos a vida, a morte senão por Jesus Cristo. Fora de Jesus Cristo não
sabemos o que é nem nossa vida, nem nossa morte, nem Deus, nem nós mesmos;
- Quereis chegar à Fé e não sabeis o caminho. Quereis sarar
da infidelidade e pedis os remédios para isso, aprendei daqueles que estiveram
atados como vós e que apostam agora todo o seu bem. São pessoas que conhecem
aquele caminho que gostaríeis de seguir e que foram curadas de um mal de que
quereis sarar; segui a maneira pela qual eles começaram. Foi fazendo tudo como
se acreditassem, tomando água benta, mandando rezar missas, etc.
Cito também C.S. Lewis, o cristão anglicano. Conheço muitas
pessoas que se converteram ao catolicismo lendo este extraordinário anglicano.
Cito Nelson Rodrigues, um católico assumido, mas também
autor de, por exemplo, “Bonitinha, mas Ordinária”. Esse católico foi o único
grande intelectual brasileiro a reconhecer o valor essencial de Gustavo Corção,
enquanto muitos outros católicos procuravam desacreditá-lo. Ele percebeu como
poucos, o grande cataclismo que atingiu a Igreja no pós-Concílio Vaticano II.
Quem lia suas crônicas podia acompanhar a surpreendente degradação interna da
Igreja.
Cito Santo Afonso Maria de Ligório que, para escrever
Glórias de Maria, se valeu de alguns dos evangelhos apócrifos para relatar
alguns acontecimentos da vida de Nossa Mãe.
Cito Santo Agostinho, que foi platônico, e em cuja obra
muitos agostinianos posteriores encontraram argumentos para desacreditar Santo
Tomás e depois para lançar a Reforma, que cindiu toda a cristandade.
Cito Santo Tomás que, em sua época, foi enormemente
pressionado a abandonar aquele perigoso pagão que ele insistia em ler e citar,
mas não só. Ele ousou até a entende-lo e a ensiná-lo para nós. Trata-se
obviamente do grande Aristóteles, a quem Santo Tomás chamava de O Filósofo,
como chamava São Paulo de O Apóstolo; e, horrores dos horrores, chamava Averróis,
sim o árabe, de O Comentador de Aristóteles. O que pensaria o leitor Sérgio do
nosso Santo Tomás, o Doutor Comum, se vivesse em sua época?
Sobre Olavo de Carvalho e minhas opiniões sobre ele, sugiro
a leitura de Olavo
de Carvalho e eu. Sobre o prof. Orlando, sugiro a leitura de Orlando
Fedeli e eu. Quando da morte do prof. Orlando, que outro intelectual brasileiro, senão exatamente Olavo de Carvalho, fez uma pequena homenagem ao morto ilustre? Sim, a morte do prof. Orlando foi também comentada e sentida por Sidney Silveira.
Com relação a Pe. Villa, não faço nenhuma ressalva porque
não a tenho. Se você tiver, você mesmo, Sérgio, faça-a onde você quiser.
Apresente argumentos que provem que os símbolos da Mitra de Bento XVI não são
como diz Pe. Villa, mas não tente desacreditar seu trabalho simplesmente chamando-o
de sensacionalista. Lembro, como se isso fosse necessário, que ser favorável à
Missa Nova não é pecado! Eu não sou, não assisto a Missa Nova, pela graça de
Deus, mas não digo que quem a assista está em pecado!
Bem, de Chesterton e Belloc e suas ideias econômicas, leiam
(leitores e leitor) meu artigo na última Chesterton Review em português
intitulado Três Alqueires e uma Vaca.
Não preciso dizer que já traduzi alguns livros de Chesterton que estão repletos
de suas ideias econômicas. Começarei a traduzir, no mês que vem, um livro de
Belloc sobre economia.
Bem, agora vem Pe. Vieira. Ai, meu Deus! Sérgio nos lembra
que Pe. Vieira foi sebastianista. E daí, Sérgio? Você quer dizer que o Sermão
da Quarta-feira de Cinzas está eivado de sebastianismo? Você quer dizer que os
trinta sermões que ele fez sobre o Rosário são inadequados, deveriam ser
proibidos, por causa do seu sebastianismo? O que você quer dizer?
Desafio você a me apontar a gnose dos artigos que cito de
Olavo de Carvalho, o sebastianismo dos sermões que cito de Pe. Vieira, o
anglicanismo dos trechos que cito e traduzo de C.S. Lewis e a pornografia no
que cito de Nelson Rodrigues.
Aponto, para terminar, sua profunda ignorância do que pensa
Olavo de Carvalho, chamando-o de liberal yankee. É típico nos críticos
tupiniquins de Olavo demonstrar ignorância logo no começo de seus arremedos de
argumento. Vá estudar um pouco mais a obra dele, depois tente algo além de
papo-de-boteco sobre esse pensador.
Sugiro que você edite um Index
Librorum Prohibitorum para orientar católicos ignorantes como este
blogueiro.
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terça-feira, março 17, 2015
Nossa Senhora e as universidades
Recebo, do Dr. Ricardo Dip, um comentário que tenho de compartilhar com todos os leitores. O comentário já foi publicado no post Leitor pergunta e o blog responde: como ser um estudante católico na universidade de hoje? Segue o comentário.
Queria contar algo. Conto como ouvi. Mas ouvi de José Pedro Galvão de Sousa, o que não é pouco. E ele o ouvira de um dos partícipes do que segue, a quem conferia prudente crédito intelectual e moral.
Disse um sacerdote espanhol que, perguntando a Nossa Senhora qual meio tinham os pais para prevenir a perda da Fé dos filhos na Universidade, ensinou-lhe a Mãe Santíssima que deveriam os pais rezar diariamente o Terço com a intenção expressa de atar seus filhos ao Imaculado Coração. E que, nesse caso, não perderiam os filhos a Fé ao frequentar a Universidade.
Aí está. Nossa Senhora está preocupada com nossas universidades, como qualquer boa mãe se preocuparia com seus filhos correndo perigo de qualquer tipo. Note que o conselho da Mãe de Deus é muito simples e é bastante característico dela. Aliás, este foi o conselho que ela deu aos Papas por meio dos pastorezinhos de Fátima: refira tudo ao meu Coração Imaculado. É como se ela nos dissesse: faça isso e deixe o resto comigo! Foi o que ela disse nas Bodas de Caná: faça tudo o que Ele disser. Ela está a nos dizer: faça tudo o que Ele quer que vocês façam. Ele quer que tudo se refira ao meu Coração Imaculado!
Agradeço a Dr. Ricardo por essa extraordinária revelação de Nossa Mãe aos que são escravos da intelectualidade moderna.
Ad Iesum per Mariam.
quinta-feira, março 12, 2015
Leitor pergunta e o blog responde: como ser um estudante católico na universidade de hoje?
Defino-me
como Católico Romano e Conservador-liberal, adotando o Liberalismo apenas em
seu caráter estritamente econômico.
Gostaria
de saber do senhor, como fazer para um jovem aluno nos dias de hoje exercer sua
personalidade e suas convicções dentro de uma Faculdade? Estudo Direito e,
tendo em vista o caráter Modernista, Positivista, Marxista, Relativista, enfim,
dessas ideologias, como fazer para sair vivo e não ser amordaçado,
marginalizado e até martirizado num ambiente desses?
Caro leitor, vou
responder à pergunta que você me fez, mas antes respondo à que você não me fez.
Você se define como católico conservador-liberal e diz adotar o liberalismo
apenas em sua vertente econômica. Concedo que esta seria a melhor posição se a
Igreja não tivesse uma Doutrina Social antiga e consistente sobre isso. Eu
mesmo, um dia, adotei essa posição. Mas descobri que adotar o liberalismo em
sua vertente econômica é aceitar os princípios básicos do liberalismo e isso,
como já disse, é, no mínimo, pecado, como afirma Dom Sarda em seu livro Liberalismo
é Pecado. Se você quiser ler
algo mais moderno, leia o livro de Christopher Ferrara, The
Church and the Libertarian: A Defense of the Catholic Church's Teaching on Man,
Economy, and State. Leia também as Encíclicas de Leão
XIII: Libertas e Rerum Novarum. De Pio XI, leia Quadragesimo Anno.
Bem, agora vamos à
pergunta que você me fez. Ser um estudante católico na universidade de hoje é
uma das coisas mais difíceis. Aliás, ser um estudante sério no Brasil já é uma
tarefa hercúlea, em qualquer situação. Leia, por exemplo, A tragédia do
estudante sério no Brasil, de Olavo de Carvalho, e você terá uma ideia da
coisa.
Você terá de passar por
um processo de desintoxicação de ideias erradas que lhe foram impostas pela
incultura atual. Esse processo é doloroso e te transformará num cara esquisitão,
solitário. Poucos colegas se aproximarão e os amigos minguarão. Seus familiares
também reagirão de modo, às vezes, não muito amistoso. Prepare-se então, pelo
menos inicialmente, para uma vida de eremita.
Depois disso, você terá
de ter uma vida de estudos muito mais rígida que seus colegas, terá de estudar
24 horas por dia, 7 dias por semana, pela vida inteira. Esse não é só um
objetivo, mas um projeto de vida, uma espécie de vocação. Qualquer coisa menos
que isso, te levará de volta à incultura geral, pois seguir o curso do rio é
muito fácil, seguir a manada de imbecis é uma coisa muito confortável, se você
não tiver a companhia de verdadeiros intelectuais, de todas as épocas, de todos
os matizes.
Espero que a resposta não
te desestimule e que você consiga boiar no mar de lama, relativamente imune à
sujeira geral.
Um último conselho: não
queira exercer sua personalidade e convicções na universidade, por que ela não
merece. Procure apenas não se enlamear e se te perguntarem o que você pensa,
fale a verdade, como todo católico é obrigado a fazer. Com o tempo alguns se
aproximarão e te ouvirão. A estes, dê seu testemunho.
Que Deus e a Mãe d’Ele te
iluminem.
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quarta-feira, março 11, 2015
Sobre o Pe. Luigi Villa
Alguns leitores me perguntam sobre o Pe. Luigi Villa, preocupados com os trabalhos do padre italiano sobre os Papas conciliares, principalmente Paulo VI e João Paulo II, já comentados no blog. Ofereço aqui um depoimento de uma pessoa muito mais abalizada que este modesto blogueiro: Alicia von Hildebrand, esposa do grande filósofo católico Dietrich von Hildebrand. Leiam seu depoimento aqui.
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terça-feira, março 10, 2015
Os católicos não somos nem de direita nem de esquerda
Nestes dias tumultuados no Brasil, muita coisa está se passando sob as denominações de direita e esquerda, como se elas diferenciassem as pessoas substancialmente. Não diferenciam! A confusão que o Concílio Vaticano II introduziu na Igreja faz as pessoas pensarem que todo o católico deve ser de direita, ou de esquerda, segundo uns e outros. Há quem afirme até que o liberalismo é algo de direita, opondo-se ao marxismo que seria de esquerda. Há muitos que tentam nos provar que liberalismo é algo aceitável dentro do catolicismo. Não é, e o Papa Leão XIII já provou isso em pelo menos duas Encíclicas; Libertas e Rerum Novarum. Ademais, Dom Sarda y Salvani já mostrou, com todas as letras que "Liberalismo é Pecado"!
Mas quero compartilhar com os leitores um texto muito elucidativo do Prof. Orlando Fedeli: Direitas e Esquerdas. Prof. Orlando explica direitinho toda a coisa e porque direitistas e esquerdistas são irmãos siameses. Não somos nem de direita nem de esquerda, somos católicos!
sábado, fevereiro 28, 2015
A primeira frase da Metafísica e a humildade cristã: meditação quaresmal.
Diz a primeira frase da Metafísica de Aristóteles: todos os
homens têm, por natureza, o desejo de conhecer. Santo Tomás de Aquino explica,
em seu Comentário à Metafísica, esta primeira frase de Aristóteles.
Há três razões para isso. A primeira é que
cada coisa naturalmente deseja sua própria perfeição. Assim, a matéria deseja a
forma, como todas as coisas imperfeitas desejam sua perfeição. Portanto, como o
intelecto, pelo qual o homem é o que é, considerado em si mesmo é todas as
coisas potencialmente, transforma-se realmente nelas somente por meio do conhecimento.
Então, cada homem deseja o conhecimento tão como a matéria deseja a forma.
A segunda razão é que cada coisa tem uma inclinação
natural à desempenhar sua própria operação, como algo quente se inclina
naturalmente a aquecer, e algo pesado a ser movido para baixo. Ora, a operação própria
do homem como homem é compreender, e por isso ele difere de todas as outras coisas.
A terceira razão é que é desejável por todas
as coisas estarem unidas às suas fontes. (...) Ora, é somente por seu intelecto
que o homem se torna unido às substâncias separadas, que são a fonte do
intelecto humano e com as quais o intelecto humano se relaciona como algo
imperfeito a algo perfeito. É por essa razão, também, que a felicidade última
do homem consiste nessa união.
Mas já dizia São Paulo (1 Cor 8,1): “a ciência infla de
orgulho”. Então, como lutar contra o orgulho, que é o dever de todo cristão, se
possuímos esse desejo natural de conhecer? A resposta está na Imitação de Cristo, e é a única resposta
que nos afasta de uma das três concupiscências, a concupiscência dos olhos. No
capítulo “Do humilde pensar de si mesmo”, de Kempis nos ensina:
1.
Todo homem tem desejo natural de saber; mas que
aproveitará a ciência, sem o temo de Deus? Melhor é, por certo, o humilde
camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos
astros, mas se descuida de si mesmo. Aquele que se conhece bem despreza-se e
não se compraz em humanos louvores. Se eu soubesse quanto há no mundo, porém me
faltasse a caridade, de que me serviria perante Deus, que me há de julgar
segundo minhas obras?
2.
Renuncia ao desordenado desejo de saber, porque
nele há muita distração e ilusão. Os letrados gostam de ser vistos e tidos como
sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E
mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua
salvação. As muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra boa
refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus.
Temos o desejo natural de saber para nos aproximarmos de
Deus. Se o operar desse desejo, pela desordem do Pecado Original, nos afasta d’Ele,
que nos aproveita a ciência? Essa é uma boa meditação quaresmal.
terça-feira, fevereiro 24, 2015
Somos pó: resposta a uma leitora.
A
leitora Moniza pergunta:
Caro Prof. Angueth,
"Quanto tenho vivido? Como vivi?
Quanto posso viver? Como é bem que viva?"
Estou um pouco confusa sobre os
quatro pontos que o Padre Antônio Vieira pede que levemos em consideração todos
os dias poderia me explicar o significado de cada uma dessas perguntas? Como
devo pensar e meditar cada uma delas?
Cara
Moniza,
Salve
Maria!
Quem
sou eu para comentar Pe. Vieira! Preciso lê-lo todo ainda, principalmente seus
30 sermões sobre o Rosário, dos quais li só o primeiro.
Mas
essas quatro perguntas fundamentam o que se chama o "exame de
consciência" que todo católico deve fazer todos os dias da vida, além da
meditação da própria morte. Aliás, este sermão nada mais é que uma grande
meditação sobre nossa própria morte. As quatro perguntas podem ser resumidas
numa só: o que tenho feito de minha vida e o que terei para mostrar quando, morto,
passar pelo Julgamento Particular, na presença do Altíssimo, cara a cara com
Ele. Temor e tremor, estes são os sentimentos de quem vive à espera de tão
momentoso encontro.
Como
diz Bernanos: "Mas qual é o peso de nossas chances, para nós que
aceitamos, de uma vez por todas, a assustadora presença do divino em cada
instante de nossas pobres vidas?"
Essa
é a situação precária que todo católico vive. Com a virtude da Esperança sempre
presente, mas com a presença das três concupiscências a nos desviar sempre de
nosso maior objetivo. Somos pó e tudo que há de bom em nós vem de Deus. A única
coisa que produzimos por nós mesmos é o pecado. Eis a precariedade de nossa
situação.
Ad
Iesum per Mariam.
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quarta-feira, fevereiro 18, 2015
Quaresma 2015
Começa hoje a Quaresma. É o período mais importante do Ano
Litúrgico, onde procuramos padecer com Nosso Senhor, e com Sua graça, Sua
Paixão. A Cruz nos acompanhará até a Ressurreição.
O Ano Litúrgico é uma lição anual que a Igreja nos dá, uma
espécie de Catecismo permanente a nos lembrar das Verdades fundamentais,
aquelas que não devemos esquecer até nossa morte. A maior delas nos é ensinada
na Quaresma: que somos pó e ao pó retornaremos. Nada melhor que hoje
relembremos o sermão de Pe. Antônio Vieira, que nos fala sobre isso. Reproduzo
abaixo esse extraordinário sermão, pedindo a Deus, como no Introitus da Missa de hoje:
Misereris omnium, Domine, et nihil odisti eorum
quae fecisti, dissimulans peccata hominum propter paenitentiam et parcens illis:
quia tu es Dominus, Deus noster.
Ps. Miserere mei, Deus, miserere mei: quoniam
in te confidit anima mea. Gloria Patri.
SERMÃO DE QUARTA-FEIRA DE CINZA
(Igreja de S. Antônio dos Portugueses,
Roma. Ano de 1672.)
Padre Antônio Vieira
Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris.
Lembra-te homem, que és pó, e em pó te hás
de converter.
I
O pó futuro, em que nos havemos de
converter, é visível à vista, mas o pó presente, o pó que somos, como poderemos
entender essa verdade? A resposta a essa dúvida será a matéria do presente
discurso.
Duas coisas prega hoje a Igreja a todos os
mortais, ambas grandes, ambas tristes, ambas temerosas, ambas certas. Mas uma
de tal maneira certa e evidente, que não é necessário entendimento para crer:
outra de tal maneira certa e dificultosa, que nenhum entendimento basta para a
alcançar. Uma é presente, outra futura, mas a futura vêem-na os olhos, a
presente não a alcança o entendimento. E que duas coisas enigmáticas são estas? Pulvis es, tu in pulverem reverteris: Sois
pó, e em pó vos haveis de converter.
Sois pó, é a presente; em pó vos haveis
de converter, é a futura. O pó futuro, o pó em que nos havemos de converter,
vêem-no os olhos; o pó presente, o pó que somos, nem os olhos o vêem, nem o
entendimento o alcança. Que me diga a Igreja que hei de ser pó: In pulverem reverteris, não é
necessário fé nem entendimento para o crer. Naquelas sepulturas, ou abertas ou
cerradas, o estão vendo os olhos. Que dizem aquelas letras? Que cobrem aquelas
pedras?
As letras dizem pó, as pedras cobrem pó, e tudo o que ali há é o nada
que havemos de ser: tudo pó. Vamos, para maior exemplo e maior horror, a esses
sepulcros recentes do Vaticano.
Se perguntardes de quem são pó aquelas cinzas,
responder-vos-ão os epitáfios, que só as distinguem: Aquele pó foi Urbano,
aquele pó foi Inocêncio, aquele pó foi Alexandre, e este que ainda não está de
todo desfeito, foi Clemente. De sorte que para eu crer que hei de ser pó, não é
necessário fé, nem entendimento, basta a vista.
Mas que me diga e me pregue
hoje a mesma Igreja, regra da fé e da verdade, que não só hei de ser pó de
futuro, senão que já sou pó de presente: Pulvis
es?
Como o pode alcançar o entendimento, se os olhos estão vendo o
contrário?
É possível que estes olhos que vêem, estes ouvidos que ouvem, esta
língua que fala, estas mãos e estes braços que se movem, estes pés que andam e
pisam, tudo isto, já hoje é pó: Pulvis
es?
Argumento à Igreja com a mesma Igreja: Memento homo. A Igreja diz-me,
e supõe que sou homem: logo não sou pó. O homem é uma substância vivente,
sensitiva, racional. O pó vive? Não. Pois como é pó o vivente? O pó sente? Não.
Pois como é pó o sensitivo?
O pó entende e discorre? Não. Pois como é pó o
racional? Enfim, se me concedem que sou homem: Memento homo, como me pregam
que sou pó: Quia pulvis es? Nenhuma coisa nos
podia estar melhor que não ter resposta nem solução esta dúvida. Mas a resposta
e a solução dela será a matéria do nosso discurso.
Para que eu acerte a
declarar esta dificultosa verdade, e todos nós saibamos aproveitar deste tão
importante desengano, peçamos àquela Senhora, que só foi exceção deste pó, se
digne de nos alcançar graça.
Ave Maria.
Para continuar a ler clique aqui.
sábado, fevereiro 14, 2015
Resposta ao nutricionista (será?) que não sabe ler
Aprendi com Olavo de Carvalho, entre outras muitíssimas
coisas, que os debatedores idiotas mostram sua idiotice no momento em que abrem
a boca. Seu conselho é: leia-os com atenção, com respeito, e depois é só seguir
os seus raciocínios para descobrir as inconsistências abundantes no que
escrevem, falam e gritam. Em geral, não sabem escrever, nem falar; e se gritam,
bem, aí não dá para escutar.
Escrevi um post
sobre a frutose, não a substância em si, mas sobre o uso de pesquisas ditas
científicas para enganar e gerar políticas restritivas que geralmente atingem
os tais industriais capitalistas, cujo único objetivo é destruir a humanidade,
como todos sabem.
Bem, depois da história, a área mais repleta desses
ideólogos travestidos de cientistas é a nutrição (inclui-se aqui a busca de substâncias
maléficas à saúde e a tal de epidemiologia, que serve tão bem ao mal uso que
dela fazem). Se quiserem ter uma ideia da coisa, há um estudo
muito bom sobre isso aqui.
Pois é, mas um leitor me envia o seguinte comentário ao post
da frutose:
Nessa vc podia ficar
calado, não tem conhecimento de nutrição para falar essas coisas. Sim, a
frutose aumenta a glicose no sangue, liberando insulina, e assim aumentando a
massa gorda (até mais que a gordura saturada).
O “nessa vc podia ficar calado”, na verdade o correto é “nesta”,
o leitor prova de imediato que não leu o que escrevi e que está usando o
argumento “ad hominem”, como fazem os que não sabem e não podem discutir. O
indivíduo quis dizer que como, ele pensa, não entendo nada de nutrição, eu
deveria ficar calado, vendo os cientificistas nos enganarem. No post, eu não
discuto a ciência da bioquímica (pois nutrição não é ciência), mas o uso
indevido que dela fazem alguns. A isso o indigitado não responde e ainda por
cima pretende me dar uma aula de bioquímica. Eu pergunto, o que tem isso a ver
com o que eu escrevi? Significa que o comentarista apoia o estudo e suas
conclusões? Afirma que é possível tirar tanta conclusão estatística com a
mirrada amostragem estudada? Aviso ao bobão: de estatística eu entendo um
pouquinho. Aliás, recomendo fortemente aos interessados a leitura do extraordinário
livro How
to lie with estatistics. Voltando ao assunto: será que o rapaz (ou garota)
que não sabe ler está afirmando que devemos limitar o uso da frutose em
alimentos industrializados?
Tudo isso fica como conjectura, pois o espertinho quis mesmo
foi atacar minha presumível ignorância a respeito da bioquímica de alimentos,
da qual nada comentei e da qual, devo dar razão a ele, não entendo nada.
São assim os militantes anti-qualquer coisa; como não têm
argumentos, usam o velho esquema da erística de Schopenhauer, da qual, devo
dizer novamente, conheço alguma coisinha.
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quinta-feira, janeiro 22, 2015
A Queda e a Cruz: uma verdadeira aula do saudoso prof. Orlando Fedeli.
O significado da Cruz de Nosso Senhor, que todos temos de
carregar, é magistralmente explicado pelo saudoso prof. Orlando, a quem devo
tanto do que tenho agora. O link do texto é este.
Quanto falta o professor nos faz! Que Deus o tenha entre
seus mais diletos filhos.
quarta-feira, dezembro 24, 2014
Mensagem de Natal de 2014: o centro do catolicismo.
Quero falar hoje sobre o centro do catolicismo, em torno do
qual todo o resto gira e ganha sentido. Todas as Festas de Nosso Senhor, ao
longo do ano, giram em torno deste centro e a vida de todo o católico deve, por
necessidade máxima, sempre estar centrada neste ponto. Todos os santos
escreveram sobre tal ponto central. Todos os apóstolos pregaram esta verdade
fundamental. Toda a salvação de qualquer alma só se dará em função de sua
aderência a esta verdade fundamental. Toda a doutrina da Igreja e todos os seus
rituais só existem para nos lembrar disso.
Nada mais natural que quando comemoramos o Nascimento de
Nosso Senhor, lembremos deste grande Segredo, divulgado nos quatro cantos do
mundo, pela Igreja de Cristo. Este ponto, este centro, este Segredo, é a Opera Omnia do Verbo encarnado, pelo
qual Ele veio ao mundo. Todos os fatos de Sua Vida, que nos dá a verdadeira
vida, foram apenas a preparação para sua Grande Obra.
Essa Grande Obra só ficou clara, inclusive para os apóstolos,
na Sua conclusão. E essa obra é obviamente sua Paixão e Morte na Cruz; sem
isso, nada que Ele fez tem sentido. Sem isso, nenhuma vida tem sentido. Sem
isso, nenhuma religiosidade tem a mais mínima aparência de catolicismo. Sem a
Cruz, nenhuma vida merece ser vivida. Sem a Cruz, o Natal não passa de uma
festa pagã.
A Cruz nos lembra a Queda e nos lembra nossa situação atual,
de revolta dos sentidos contra as potências superiores da alma. Lembra-nos que
nossa felicidade não é deste mundo, cujo príncipe é o demônio. Só podemos ser
católicos aos pés da Cruz. Isso significa, em outras palavras, que nossa vida
de católicos só encontra sua plenitude aos pés da Cruz, não só contemplando a
Cruz de Nosso Senhor, mas sofrendo com as nossas, que por misericórdia d’Ele,
são muito mais leves.
Que todos nós possamos comemorar esta Festa de Nosso Senhor
aos pés de sua Cruz, carregando pacientemente as nossas e sabendo que a
felicidade a que aspiramos não tem proporção com os sofrimentos a que estamos
submetidos.
Um santo e feliz Natal a todos os leitores do blog.
domingo, dezembro 21, 2014
Declaração inicial de Whittaker Chambers, em 1938, perante a Comissão Parlamentar de Atividades Anti-americanas
Whittaker Chambers, tendo sido um ex-comunista, membro do
Partido Comunista americano, e também membro de vários aparelhos secretos da
estrutura comunista em várias cidades dos EUA, começa em 1 de agosto de 1948,
perante a House Committee on Un-American
Activities, lendo uma declaração que impressiona pela clareza, honestidade
e coragem. Ela está em seu livro Witness,
ao qual já me referi num
post do blog. Abaixo, vocês lerão a declaração e poderão entender uma
afirmação antiga de Olavo de Carvalho que diz, cito de memória, que para se
avaliar se um ex-comunista deixou mesmo de ser comunista, deve-se procurar
saber se ele não só fez um mea culpa,
mas se sua vida está direcionada a desmascarar esse câncer social e político
moderno. Whittaker Chambers realmente deixou de ser comunista no momento mesmo
que decide deixar o Partido.
_____________________________
“Há quase nove anos – ou seja, dois dias depois que Hitler e
Stalin assinaram seu pacto – fui a Washington e relatei às autoridades o que
sabia sobre a infiltração do Governo dos Estados Unidos por comunistas. Por
anos, o comunismo internacional, do qual o Partido Comunista dos EUA é parte
integrante, estivera num estado de guerra não declarada com esta República. Com
o pacto Hitler-Stalin essa guerra atingia um novo estágio. Considero minha ação
de procurar o Governo como um simples ato de guerra, como o tiro contra um
inimigo armado num combate.
“Naqule momento da história, eu era um dos poucos homens
deste lado da batalha que poderia fazer esse serviço. Ingressara no Partido
Comunista em 1924. Ninguém me recrutou. Tornara-me convencido de que a
sociedade em que vivemos, a Civilização Ocidental, chegara a uma crise, da qual
a I Grande Guerra era a expressão militar, e que ela estava fadada ao colapso
ou a se reverter ao barbarismo. Não entendia as causas da crise ou sabia o que
fazer a respeito. Mas sentia que, como um homem inteligente, devia fazer alguma
coisa. Nos escritos de Karl Marx, pensei ter encontrado a explicação das causas
históricas e econômicas [da crise]. Nos escritos de Lenin, pensei ter
encontrado a resposta para a questão: o que fazer?
“Em 1937, repudiei as doutrinas de Marx e as táticas de
Lenin. A experiências e os registros históricos me convenceram que o Comunismo
é uma forma de totalitarismo, que seu triunfo significa a escravidão para os
homens, onde quer que sucumbam ao seu domínio e passem a viver sob a noite
espiritual da mente e da alma. Resolvi romper com o Partido Comunista sob qualquer
risco à minha vida ou outra tragédia pessoal ou familiar. Mesmo assim, tão
forte é a influência que o mal insidioso do comunismo exerce sobre seus
discípulos, que fui capaz de dizer a alguém, naquele momento: ‘Sei que estou
trocando o lado vitorioso pelo perdedor, mas é melhor morrer no lado perdedor
do que viver sob o comunismo’.
“Por um ano, vivi escondendo-me, dormindo de dia e à
espreita à noite, com uma arma ou revolver sempre ao alcance. Isso era o que o
aparelho secreto comunista fazia com um homem, no pacífico EUA, no ano de 1938.
“Tinha sólidas razões em supor que os comunistas poderiam
tentar me matar. Por anos, servi ao partido em aparelhos secretos,
principalmente em Washington. O coração de meu relato ao governo americano
consistia na descrição do aparelho ao qual fui fixado. Era uma organização
secreta do Partido Comunista dos Estados Unidos criado, tanto quanto sei, por
Harold Ware, um dos filhos de uma líder comunista conhecida como Mãe Bloor.
Conheci o alto comando do aparelho, um grupo de sete homens, alguns dos quais,
em anos posteriores, foram aparentemente recrutados pela organização da Srta.
Bentley. O chefe do grupo secreto naquela época era Nathan Witt, um advogado do
National Labor Relation Board
[Comissão Nacional de Relações do Trabalho]. Mais tarde, John Abt se tornou o
líder. Lee Pressman era também um membro do grupo, como também Alger Hiss, que,
como um membro do Departamento de Estado, organizou posteriormente as
conferências em Dumbarton Oaks, São Francisco e o lado americano da Conferência
de Yalta.
“O propósito desse grupo, naquele tempo, não era
prioritariamente espionagem. Seu propósito original era a infiltração comunista
no governo americano. Mas espionagem era certamente um dos seus eventuais
objetivos. Que ninguém se surpreenda com esta afirmação. Deslealdade é uma
questão de princípio para cada membro do Partido Comunista. O Partido Comunista
existe para o específico propósito de derrubar o governo, no tempo oportuno,
por quaisquer e por todos os meios; e cada um dos seus membros, pelo fato de
ser membro, está dedicado a esse propósito.
“Faz dez anos que rompi com o Partido Comunista. Durante
essa década, procurei viver uma vida produtiva e temente a Deus. Ao mesmo
tempo, lutei contra o comunismo constantemente por atos e pela palavra escrita.
Estou orgulhoso de depor perante esta Comissão. A publicidade, inseparável de
tal testemunho, tem dificultado e, sem dúvida, dificultará meu esforço para
integrar-me à comunidade dos homens livres. Mas este é um pequeno preço a pagar
se meu depoimento ajudar a fazer os americanos reconhecerem finalmente que
estão ás voltas com uma força secreta, sinistra e enormemente poderosa cujo
propósito incansável é sua escravização.
“Ao mesmo tempo, gostaria publicamente de convocar todos os
ex-comunistas que ainda não se revelaram, e todos os homens do Partido
Comunista cujos melhores instintos ainda não foram corrompidos e esmagados, a
auxiliarem na luta, enquanto ainda houver tempo.”
quarta-feira, dezembro 17, 2014
A culpa agora é da frutose: um exemplo de como agem os anti-tudo espalhados por aí.
Comentei, num post recente, acerca dos cientificistas modernos, aquela espécia asquerosa de cientista que usa a ciência para cumprir uma agenda ideológica, filosófica e religiosa; para destruir, enfim, a Civilização Ocidental.
Aos que se surpreenderam em saber que essa gente age à luz do dia, nos mais prestigiosos periódicos científicos do mundo, dou um exemplo recentíssimo (exemplos como esse abundam!). A Veja On Line publica um artigo, sobre um estudo publicado no Journal of Physiology, uma respeitável publicação, acerca do efeito da frutose sobre o mecanismo da fome. O assunto em si é relevante e o estudo envolveu 24 indivíduos (apenas isso) de 16 a 24 anos (apenas nessa faixa de idade), e consta de imagens de ressonância magnética do cérebro dos indivíduos e do registro das impressões dos mesmo sobre a sensação de fome (não li o artigo científico).
O interessante é o que vem ao final do artigo da Veja, como sendo uma espécie de resumo do estudo:
Consumir altas quantias de frutose diariamente pode prejudicar o aprendizado e a memória. É o que indica uma pesquisa publicada recentemente no periódico Journal of Physiology. No estudo, conduzido por uma equipe da Universidade da Califórnia, ratos que ingeriram xarope de milho rico em frutose (encontrada em produtos industrializados, como refrigerantes, condimentos e comidas de bebê) tiveram prejuízo na memória e queda no número de sinapses cerebrais. Essa queda nas sinapses acabou por deixar o cérebro mais lento. A boa notícia é que a ingestão de alimentos com ácidos graxos ômega-3 protege contra os danos causados pelo açúcar.
Viram aí que um estudo cuja amplitude de indivíduos pesquisados é de 24 pessoas, de 16 a 24 anos, que deram impressões sobre fome, pode fundamentar um ataque frontal aos "produtos industrializados, como refrigerantes, condimentos e comidas de bebê" e ainda um elogio rasgado a ingestão de alimentos com ácidos graxos ômega-3 protege contra os danos causados pelo açúcar. Não seria o caso de sugerir baixa ingestão de frutas? Porque atacar só os produtos industriais?
Isso é cientificismo, não ciência. Isso é ciência a serviço de uma agenda de dominação das mentes. Se surgir uma lei que proíba a frutose de ser usada em alimentos industriais, será baseada neste e em outras impressões trasvestidas de ciência, não se surpreendam. Não se surpreendam também se o Dr. Dráuzio começar a falar sobre isso por aí.
Aos anti-colesterol, anti-fumo, anti-gordura trans (sei lá!), anti-glicose, anti-calorias, se juntam agora os anti-frutose, mas só a dos produtos industrializados, não a que existe nas frutas.
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